Archive for April, 2009

Libertadores – Universidad de Chile 0 x 2 Grêmio

April 16, 2009

Antes do jogo, imaginava-se que o Grêmio teria o seu mais difícil jogo nesta primeira fase da Libertadores, num Estádio Nacional lotado.

Efetivamente foi isto que aconteceu, mas o time se portou muito bem. Com um minuto Léo já levava cartão amarelo. Grêmio tratava de se defender e travar o entusiasmo inicial dos chilenos. Aos 8, cruzamento vindo da direita, Hernandez domina e chuta forte, Victor, com uma mão, faz uma defesa espetacular. Aos poucos o tricolor foi saindo, tentando contra-ataques, jogando no campo do adversário. Contudo aos 22 ocorreu o lance de maior perigo, Léo foi dar o chutão, a bola bateu no adversário e beliscou a trave de Victor. A0s 31, falta na intermediária. Souza levantou, Jonas raspou de cabeça, a bola bateu no travessão e no rebote Léo fez de cabeça. U de chile tentava o empate em rápidas jogadas de ataque, o Grêmio tinha alguma dificuldade para se recompor defensivamente (Adílson ficava sobrecarregado na marcação) e os chilenos insistiam na bola área. Mas o placar permaneceu o mesmo até o intervalo.

Na volta para o segundo tempo o time de Markarian continuou pressionando, aumentando o jogo pelo alto. Aos 4, Gonzalez desviou de carrinho a cabeçada e Victor fez grande defesa. Muito embora mostrasse alguma dificuldade, a zaga do Grêmio acabava se virando e vencendo os duelos com os avantes chilenos. Rospide mexeu no time, trocou um zagueiro (com cartão) por outro. Aos 20 Souza fez boa jogada pela esquerda, passou pelo carrinho do adversário e lançou Maxi, que enquadrou o corpo antes de desviar de Miguel Pinto. 2×0. U de Chile teve Oliveira expulso aos 27, não entendi o motivo do cartão vermelho. Muito embora continuasse tentando e tendo o apoio da torcida, a Universidad não teve maiores chances, a segurança de Victor acabava com as esperanças chilenas. Herrera teve boa chance de ampliar, depois de belo passe de Fábio Santos, mas desperdiçou. Um 2×0 de bom tamanho

Maxi Lopez foi muito bem. Adílson esteve incansável na partida, mas Victor foi perfeito na partida, foi bem em todos os lances e passou muita segurança.

Não gostei muito da participação dos alas.

Grêmio classificado, com a primeira posição do grupo já garantida. Aparentemente isto bastou para imprensa começar com a agenda positiva tricolor. Vamos ver quanto tempo isto vai durar.

A questão do treinador parece estar cada vez mais indefinida.

fotos: La Tercera

Universidad de Chile 0 x 2 Grêmio
Léo 31´
Maxi Lopez 65´

UNIVERSIDAD DE CHILE: Miguel Pinto; González, Olarra e Rojas; Diáz, Iturra, Estrada, Cuevas (Gomez, 16’/2ºT) e Contreras; Oliveras e Hernández (Villalobos, 28’/2ºT).
Técnico: Sergio Markarian.

GRÊMIO: Victor; Léo (Thiego, 16’/2ºT), Rafael Marques e Réver; Makelelê, Adilson, Tcheco, Souza e Fábio Santos; Jonas (Herrera, 25’/2ºT) e Maxi López (Orteman, 45’/2ºT).
Técnico: Marcelo Rospide.

Libertadores 2009 – Grupo 7 – 5ª rodada
Data: 15/04/2009, quarta-feira, 22h00min
Local: Estádio Nacional (Santiago, CHI)
Árbitro: Carlos Amarilla (PAR)
Auxiliares: Emígdio Ruiz (PAR) e Milcíades Saldívar (PAR)
Renda e público: Não disponível
Cartão Amarelo: Oliveira (UNI); Léo, Réver, Makelele, Tcheco, Thiego, Adilson (GRE)
Cartão Vermelho: Oliveira, 26’/2ºT (UNI)
Gols: Léo, 31 do 1ºT e Maxi López, 20 do 2ºT

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Libertadores – 4ª Rodada – Fase de Grupos

April 16, 2009


12/03 00:10 Chivas
1×0
Caracas Jalisco (Guadalajara)
17/03 20:45 Lanús
1×2
Everton La Fortaleza (Lanús)
17/03 20:45 Dep. Cuenca
3×1
Dep. Táchira A. Aguilar (Cuenca)
17/03 23:00 I. Medellin
0x0
A. de Cali Atanasio Girardot (Medellín)
18/03 19:30 San Lorenzo
0x1
Libertad Nuevo Gasómetro (B.Aires)
18/03 21:50 Cruzeiro
2×0
U. de Sucre Mineirão (Belo Horizonte)
19/03 00:10 San Luis
2×2
Universitario A.Lastras (San Luis Potosí)
19/03 19:15 Estudiantes
4×0
Dep. Quito Único (La Plata)
07/04 19:00 Grêmio
3×0
Aurora Olímpico (Porto Alegre)
07/04 19:00 Nacional-PAR
1×1
San Martin La Olla (Assunção)
07/04 21:15 River Plate
0x0
Nacional-URU M. de Nuñez (B.Aires)
08/04 21:50 U. de Chile
3×0
Boyacá Chicó Nacional (Santiago)
09/04 19:15 São Paulo
2×1
Defensor
Morumbi (São Paulo)
09/04 21:30 Boca Juniors
3×1
Guaraní La Bombonera (B. Aires)
09/04 23:45 LDU
1×1
Colo Colo Casa Blanca (Quito)
15/04 19:45 Palmeiras
1×1
Sport Palestra Itália (São Paulo)

Simon processa Peninha

April 14, 2009

Era um fato conhecido por quem acompanha futebol no RS, mas ignorado pela mídia. Para delírio de muitos colorados. Carlos Simon processou Eduardo “Peninha” Bueno (e a editora Ediouro) pelo o que este escreveu no livro “Gremio – Nada pode ser maior“. O árbitro/jornalista/presidente de sindicato ficou incomodado com um parágrafo entre as 272 páginas do livro. Mais precisamente o quarto parágrafo da página 49 (imagem abaixo).

Na quinta-feira, dia 9 de abril, a notícia sobre a sentença foi publicada no site Espaço Vital:

Ontem (08) foi publicada a sentença que beneficia o apitador por causa de algumas expressões usadas no livro “Grêmio: Nada Pode Ser Maior”, escrito pelo jornalista gaúcho Eduardo Rômulo Bueno (o Peninha) e publicado pela editora carioca Ediouro Publicações Ltda.

A indenização nominal será no valor de R$ 11.625,00 correspondente a 25 salários mínimos. Com o implemento de juros legais, a contar da citação, a cifra chega a R$ 14.880,00. A honorária será de 20%.
Na petição inicial, Simon refere que, além de sua formação profissional de jornalista, exerce a profissão de árbitro de futebol há 25 anos, com atuação nacional, em todos os continentes. Nos últimos tempos – relata o apitador – começou a receber dezenas de mensagens e cartas lhe reportando que, no livro referido, estava sendo acusado de “ser um dos que roubou o Grêmio ao longo dos últimos cem anos.”

O processo é interessante. O mesmo espaço vital publicou trechos do processo:
Ontem (08) foi publicada a sentença que beneficia o apitador por causa de algumas expressões usadas no livro “Grêmio: Nada Pode Ser Maior”, escrito pelo jornalista gaúcho Eduardo Rômulo Bueno (o Peninha) e publicado pela editora carioca Ediouro Publicações Ltda.

A indenização nominal será no valor de R$ 11.625,00 correspondente a 25 salários mínimos. Com o implemento de juros legais, a contar da citação, a cifra chega a R$ 14.880,00. A honorária será de 20%.
Na petição inicial, Simon refere que, além de sua formação profissional de jornalista, exerce a profissão de árbitro de futebol há 25 anos, com atuação nacional, em todos os continentes. Nos últimos tempos – relata o apitador – começou a receber dezenas de mensagens e cartas lhe reportando que, no livro referido, estava sendo acusado de “ser um dos que roubou o Grêmio ao longo dos últimos cem anos”.


Versão da Ediouro
“O alegado dano moral não existiu. Nos jogos de futebol toda a torcida chama o juiz de ladrão em penalidades contra seu times, sem que tal fato seja considerado ofensivo à honra do árbitro. Para que ocorra ofensa à honra de um árbitro de futebol deve haver intenção nesse sentido, com a indicação de fato concreto de que tenha sido ele comprado com dinheiro para prejudicar determinado time.

E tanto não houve dano à imagem do demandante que ele próprio noticia ter atuado como árbitro na última Copa do Mundo, em 2006, quando o livro foi publicado originalmente em 02 de abril de 2005″.

Versão de Eduardo Rômulo Bueno, escritor
“Além da paixão futebolística envolvida, que permite visões distorcidamente parciais, típicas das paixões, o livro é escrito em tom de deboche para atazanar os adversários, outros times, que praticariam o ´futebol arte´. O livro é redigido explicitamente de modo descompromissado em relação à realidade dos fatos e críticas focadas na realidade. O propósito da obra foi tratar da história do futebol de forma graciosamente facciosa, sempre exaltando o Grêmio em ritmo de “flauta” do torcedor.

Efetivamente ´surrupiar´ tem como sinônimos ´furtar´ e ´roubar´. E nesse último sentido, com certeza, foi utilizado o termo.

Simon, como árbitro de futebol há mais de 20 anos é profundo conhecedor da realidade esportiva, sabe da linguagem futebolística peculiar e que aí atribuir ao árbitro a pecha de ´ladrão´ é atitude corriqueira”.

O entendimento da juiza Nara Elena Batista
“Não tenho dúvida de que usar o termo ´roubar´ em comentários que se seguem a jogos de futebol no Brasil, no atinente à arbitragem, assim como chamar o juiz de ´ladrão´ durante as partidas, não tem a conotação que lhe dá o nosso Código Penal.

Não está sendo dito nessas ocasiões que o árbitro cometeu o delito do art. 157 do Código Penal, nem os torcedores e comentaristas estão cometendo os delitos previstos nos arts. 138 a 140 do CP, pois nessas ocasiões em linguagem futebolística os referidos termos não tem tal alcance.

E da mesma forma no livro em questão a palavra ´surrupiar´, como sinônimo de ´roubar´, não está significando que o ora demandante e os demais árbitros ali citados tenham subtraído alguma coisa móvel do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, mas sim que ´apitaram´ mal determinadas partidas, assim tirando a vitória do time.

Ocorre que isso dizer, utilizando palavra que é sinônimo de ´roubar, no curso de um jogo ou em comentários que a ele se seguem, é diferente de lançá-lo em livro.´ Nessa última circunstância não há justificativa para que o termo seja utilizado, ao invés da imputação (se for o caso), de que a partida foi mal ´apitada´.

Admite-se que no ´calor da batalha´ o ataque verbal ao árbitro exceda, pois resultado da mesma emoção que faz exceder a torcida, tornando inimigos até mesmo parentes e vizinhos que se dão bem. E que em poucos dias novamente estarão bem, esquecidos todos do que foi dito, inclusive o próprio árbitro.

Isso entretanto não ocorre com o que ficar lançado em livro, que sobrevive a todos. A imputação feita ao árbitro, ainda que não tenha sido intencional, retrata imprudência e negligência na forma como exterioriza um sentimento, paixão futebolística, que não tem justificativa”.

Tentando olhar friamente, é uma boa discussão sobre os limites da liberdade de expressão. Não concordo muito com essa conclusão de que chamar de ladrão no calor do momento pode; em livro não.

Mas este post não se dedica a esta discussão. Isto era apenas uma longa introdução.

No sábado, dia 11 de abril, Wianey Carlet escreveu um coluna confusa na Zero Hora, ora elogiando, ora chamando Peninha de irresponsável. (Justo Wianey, que deu aula de responsabilidade no episódio da prisão de “integrantes” da geral.

Obviamente que o Peninha não gostou, e ainda no sábado escreveu uma resposta ao colunista. Wianey ainda não publicou-a no jornal. Tampouco no seu blog, onde não tem limitação de espaço. Apenas David Coimbra deu algum espaço em seu blog, e não no jornal (no qual ele é o editor de esportes).

Enfim, eis a resposta:

Meu caro Wianey:

É ainda sob forte impacto emocional e talvez até “distorcido pela paixão” que passo a responder tua comovedora coluna de sábado último, na qual me fizeste elogios tão generosos quanto desproporcionais, e que me levaram às lágrimas pois evocaste os belos momentos que compartilhamos em exíguos quartos de hotel de todo esse planeta-bola – atrás da qual tanto corremos. Mas, mesmo sob forte emoção, não posso deixar de fazer pequenas ressalvas ao que escreveste. Vamos a elas:

1) Não chamei Carlos Simon de “ladrão”. Escrevi, isso sim, que ele fazia parte da “infame extirpe dos juizes que surrupiaram o Grêmio” (Ih será que não podia repetir isso? Bom, foi só a título de exemplo). De qualquer sorte, independentemente da decisão da juíza, posso assegurar que essa é a opinião de 99,9% da torcida do Grêmio e que processo algum irá modificá-la. Pode abrir votação,

2) Não disse que “a paixão envolvida permite visões distorcidamente parciais”. Foram meus advogados que disseram. Os mesmos que solicitaram que eu não me manifestasse sobre o caso até seu desfecho. Tomada a decisão da juíza, embora ainda caiba recurso, julgo ter chegado a hora de falar e o faço através da tua coluna,

3) Não sou em quem terei que “desembolsar quase 15 mil”. Tal quantia será dividida entre mim e a Ediouro, que publicou a obra. A um pedido meu, creio que a editora arcaria sozinha com esse elevadíssimo custo. Mas não pretende fazê-lo. Faço questão de “desembolsar” o dinheiro já que, para mim, o próprio título de tua coluna, “Condenação”, soa quase como “Condecoração”, pois considero um galhardão, um prêmio, um presente ser processado por alguém da estatura de Carlos Simon.

Por vários motivos:

1) Porque tenho a esperança de que o referido profissional use o dinheiro para fazer cursinhos de atualização em arbitragem, de forma que passe a errar menos, em especial contra o Grêmio,

2) Porque me inspirou para escrever o livro “Os erros de Carlos Simon”, que será lançado em breve com a disposição altruísta de que a rememoração do extenso rol de suas falhas o leve aprimorar-se em sua profissão,

3) Porque descobri que Ricardo Teixeira e a Comissão de Arbitragem da CBF– que eu desconhecia serem letrados – leram meu livro Grêmio: Nada pode ser maior. Como costumo tratar bem meus leitores, vou enviar-lhes um exemplar da nova obra . Enviarei um também para a Confederação de Futebol de Gana,

4) Porque o caso me inspirou a criar um site, errosdesimon.com. aberto à atualizações do público em geral, já que o livro não conseguirá acompanhar a rapidez com que o panorama se modifica,

5) Porque vou reescrever o livro Grêmio: Nada pode ser maior, extraindo a frase capada pela justiça e, no lugar dela, acrescentar um apêndice com todos os erros do supracitado árbitro contra o Grêmio – sempre na tentativa de que ele se aprimore. O livro já vendeu 23 mil exemplares, mas sei que a torcida do Grêmio comprará muito mais da nova edição,

6) Porque disposto a ajudá-lo a se aprimorar também na profissão de jornalista – que diz exercer, embora eu nunca tenha lido nem mesmo a frase “Ivo viu a uva” escrita por ele -, venho lançar de público, através de tua prestigiosa coluna, um desafio: ele escreve um livro e eu apito um Grenal e veremos quem erra menos. (Desde criança, meu sonho sempre foi apitar um Grenal…). Se o desafio for considerado despropositado, sugiro então um debate público sobre o tema: “O que leva uma criança a decidir ser juiz de futebol?”

7) Por fim, porque tal processo com certeza unirá nossas trajetórias profissionais por um bom tempo e haverá de servir de estímulo para que nos aprimorarmos no exercício de nossas atividades – levando mais longe o nome do Rio Grande. E, se, por ventura, as obras que pretendo escrever sobre o referido árbitro – sempre, repito, no intuito de aprimorá-lo no exercício de sua dura faina – vierem, por algum motivo, a ser censuradas, os processos daí decorrentes certamente irão deflagrar estimulante debate sobre os limites da liberdade de expressão. Tenho certeza de que tu, caro Wianey, e a prestigiosa Zero Hora, na qual tanto labutei, não vão querer ficar fora dessa.

Atenciosamente,

EDUARDO BUENO

Uma curiosidade é que o livro foi escrito em 2005, portanto antes do fatídico ano de 2006, no qual simon apitou o primeiro jogo da final do gauchão, River x Libertad pela Libertadores e Itália x Gana na copa do mundo.

Imprensa

April 9, 2009

Grêmio precisa mudar sua relação com a imprensa.

Não defendo o conflito, tampouco quero que a direção embarque nesta relação promíscua que a mídia mantém com alguns clubes.

Mas algumas coisas não podem ser aceitas. Para não me alongar muito, vou me concentrar em um tema específico. A tentativa de avacalhar com um dos adversários do Grêmio na Libertadores:

Começou lá atrás, ainda em março, quando Mário Marcos de Souza sugeriu, de forma séria, que o Grêmio escalasse os reservas na Libertadores. Dias depois, o Presidente da FGF, Novelleto, repetiu a sugestão.

Pouco antes do jogo no Olímpico a coisa piorou:

Pra ganhar do Aurora não precisa time titular. Se faltar alguém, pode colocar o seu Verardi, o Krieger, o presidente Duda que dá para faturar os três pontos. E se faltar alguém, estou em forma. De barril, é claro. Com equipe C, vence” (Luiz Carlos Reche, Correio do Povo, 5/4/2009)

Ok, é uma coluna, espaço de opinião, de alguém que tenta trabalhar com bom humor. Mesmo assim não dá pra aceitar. Comentário parecido fez Pedro Ernesto na rádio Gaúcha, no domingo a noite, quando disse que o Grêmio poderia escalar o neto do Guerrinha e a filha do Nando Gross que ainda assim venceria os bolivianos.

Pior ainda é fazer isto na crônica do jogo:
Sem desmerecer o Aurora, pode-se dizer: o time do Sindicato, quando chamado a enfrentar os titulares no suplementar do Olímpico, oferece mais resistência” (Diogo Olivier, Zero Hora, 8/4/2009)

Aurora está na Libertadores por seus méritos (campeão boliviano) e atualmente é 2º colocado no campeonato do seu país. Não vou discutir a qualidade da equipe, até porque isto é uma questão de opinião. O que não pode é essa tentativa de achincalhar um adversário do Grêmio.

Será que se disse algo parecido com isso quando o Cruzeiro venceu o Universitário de Sucre (4º colocado na Bolívia) por 2×0 no Mineirão?

Por um acaso a imprensa ficou insistindo em comentar sobre a fragilidade do União de Rondonópolis? Fará isto com o Guarani (rebaixado no Paulistão)?

Quando o Grêmio, com a mesmo time que recebeu o Aurora, fez 2×0 no São Luiz, o resultado foi menosprezado pela qualidade da equipe de Ijuí?

Libertadores – U de Chile 3×0 Boyacá Chicó

April 9, 2009

“Universidad de Chile asumió desde temprano el protagonismo ofensivo, pero a menudo de manera desordenada y con escasa profundidad.

De todos modos, el local tuvo buenas ocasiones de gol, convirtiendo en repetidos pasajes al arquero Velásquez en figura destacada del partido, con varias contenciones sobresalientes, especialmente ante disparos de Juan Manuel Olivera y del volante argentino Walter Montillo.

Chicó llegó en aislados contragolpes que no parecían representar mayor riesgo para la “U”, incluso una buena combinación que Miguel Caneo culminó con un disparo demasiado suave.

Estrada casi aumentó para la U con un tiro libre que remeció el horizontal del arco colombiano.

Marco Pérez estuvo ceca de descontar para Chicó pero el arquero chileno Miguel Pinto se lució despejando en última instancia con su pierna derecha”. (FoxSports)

“Los dirigidos por el uruguayo Sergio Markarián salieron a la cancha mostrando un sólido ataque desde el primer minuto, llegando al arco colombiano antes de los 15 minutos en tres oportunidades claras de gol.

El dominio universitario lo capitalizó el delantero chileno Emilio Hernández,
que en los 22 minutos de juego interceptó un rebote de su compañero Walter Montillo para anotar el 1-0.

El 2-0 para la ”U” lo selló el uruguayo Juan Manuel Olivera recién iniciado el segundo tiempo que aprovechó un centro de Hernández para definir de cabeza ante el arco del colombiano Edigson Velázquez.

En la última media hora de juego, los chilenos bajaron las revoluciones de su ataque permitiendo a la visita, a través del volante argentino Miguel Caneo, llegar en varias oportunidades al arco rival, sin éxito en la definición del descuento.

El marcador definitivo lo puso el paraguayo Nelson Cuevas segundos antes del final del partido, anotando el 3-0, una suerte de revancha para los universitarios que cayeron por la misma cifra en Colombia en el encuentro de ida.” (Terra.cl)

Universidad de Chile 3 x 0 Boyacá Chicó

Universidad de Chile: Miguel Pinto; Rafael Olarra, Osvaldo González, José Rojas; Marcelo Díaz, Manuel Iturra, Marco Estrada, José Contreras, Walter Montillo (m.46, Nelson Cuevas); Emilio Hernández (m.72, Felipe Seymor), Juan Manuel Olivera (m.82, Manuel Villalobos).
Entrenador: Sergio Markarian.

Boyacá Chicó: Edigson Velásquez; Pedro Pino (m.65, Anthony Tapia), Éver Palacios, Ormedis Madera, Mario García; Leonardo López (m.70, Luis Durán), Yhonny Ramírez, Juan Gilberto Núñez, Miguel Caneo; Juan Mahecha y Marco Pérez.

Entrenador: Alberto Gamero

Libertadores 2009 – Grupo 7 – 4ª Rodada
Árbitro: el argentino Gabriel Favale
Cartões Amarelos: Ormedis Madera, Juan Mahecha, José Contreras, Mario García y Marco Estrada.
Gols: 1-0: Emilio Hernández. 2-0: Juan Manuel Olivera. 3-0: Nelson Cuevas.

Libertadores – Grêmio 3 x 0 Aurora

April 8, 2009

48 horas após jogar um Grenal decisivo, o Grêmio entrou em campo no Olímpico para disputar uma partida de libertadores. Muito embora uma parcela da torcida demonstrasse um novo entusiasmo após a saída de Roth, era nítida a diferença de mobilização na libertadores, em comparação com a estréia.

Interino, Rospide fez o óbvio. Makelele jogou de ala direito e Herrera e Maxi Lopez formaram a dupla de ataque. Aurora esperava, se defendia, e tentava contra-atacar na bola longa. Sem muita inspiração o tricolor mantinha a bola no campo de ataque. Criou algumas chances, em cruzamentos e jogadas de bola parada. Contudo faltava maior movimentação. Léo, cansou de ficar com a posse da bola sem ter opção de passe. Ainda assim o Grêmio era superior. Aos 31 Makelele tentou o drible na ponta e sofreu a falta. Souza cruzou para área e Rafael Marque fez de cabeça:1×0. Placar que permanceu até o intervalo.

Grêmio voltou do vestiário com a mesma gana, mas ainda demonstrando desorganização. Os atacantes não saiam da área para buscar o jogo, meio campo não se movimentava, alas não se infiltravam, enfim, faltava movimentação. Existiu um período de pane, cerca de 5 minutos onde nada dava certo e o Aurora chegou a assustar. Pouco depois disso surgiu o segundo gol. Herrera fez belo cruzamento e Maxi subiu alto, cabeceando no ângulo. 3 pontos garantidos. Aos 35, Rospide tirou Fábio Santos e colocou Jadílson. Aos 36, escanteio, bola mal cortada pela zaga boliviana e Réver fez o terceiro, de voleio. Ainda deu tempo do treinador promover mais duas entradas (Orteman e Diogo) e de Souza irritar a torcida em lances do mais puro individualismo.

Maxi Lopez pareceu estar em melhor forma. Ganhou a torcida ao roubar bolas e ganhar jogadas na força. Fez o gol, o que é sempre importante. Mas também não virou craque, como muitos já estão dizendo.

Surreal os aplausos ao anúncio do nome do Técnico interino. Aparentemente muita gente realmente acredita que a demissão de Roth era a solução para todos os problemas.


Fotos: Grêmio.net, ClicRBS e Terra

Grêmio 3 x 0 Aurora
Rafael Marques 32´
Maxi Lopez 64´
Réver 81´

GRÊMIO: Víctor; Leo, Rever, Rafael Marques, Makelele (Diogo, 43’/2ºT) Adilson, Tcheco, Souza, Fabio Santos (Jadilson, 35’/2ºT), Herrera (Orteman, 38’/2ºT)e Maxi López.
Técnico: Marcelo Rospide (Interino)

AURORA: Dulcich; Huayhuata, Leonforte, Zenteno e Viviani; Hurtado, Escobar (Castellón, 45’/2ºT), Bongioanni (Cardozo, 10’/2ºT) e Fernández, Sossa (Gutierrez, 42’/2ºT) e Paredes.
Técnico: Baldivieso

Libertadores 2009 – Grupo 7 – 4ª Rodada
Data: 7/abril/2009. terça-feira, 19h00min
Local: Estádio Olímpico, Porto Alegre (RS)
Público total: 30.238 (27.638 pagantes)
Renda: R$ 543.352,00
Árbitro: Antonio Arias (PAR)
Assistentes: Óscar Viera (PAR) e César Franco (PAR)
Cartões amarelos: Herrera e Tcheco (G); Fernandez, Bongioanni e Sossa (Aurora).
Gols: Rafael Marques, aos 32 do 1º tempo, Maxi López, aos 19 do 2º tempo, e Réver, aos 36 do 2º tempo (Grêmio).

Ônibus Novo

April 7, 2009

“O novo ônibus do Grêmio foi apresentado nesta sexta-feira à tarde e os sócios do Tricolor, sempre com prioridade, participaram do evento. Os 38 associados sorteados foram recepcionados pelo diretor do Quadro Social, Luiz Carlos Gaspary. Inicialmente no Salão Nobre do Conselho Deliberativo, eles acompanharam a coletiva do vice-presidente do Grêmio, Cesar Pacheco, juntamente com Jorge Carrer, gerente regional da Volkswagen, e Roberto Pavan, supervisor de marketing do produto” (Site Oficial do Grêmio)

Normalmente este tipo de notícia não ganha espaço aqui no blog. Nunca entendi muito bem como funciona estes sorteios para os sócios e nunca conheci nenhum associado sorteado. Parte disso mudou na semana passada. Sigo sem entender como que são realizados os sorteios, mas fui um dos sorteados. Na quarta-feira recebi um telefonema me informando sobre isso. Perguntei o que, além do já descrito na notícia acima, aconteceria e me responderam que eu poderia tirar fotos. Agradeci e recusei o “prêmio”. Resumindo, desperdicei minha sorte.

Enquanto isso, eventos mais interessantes são pouco divulgados. Só fiquei sabendo do Show do Wander Wildner (antes de Grêmio x São Luiz) no dia seguinte.

Hoje, às 18:00, Tonho Crocco fará show em frente ao portão 10. A divulgação se resume a uma notícia no site do Grêmio.

Celso Roth demitido

April 6, 2009

Celso Roth não é mais o treinador do Grêmio.

Para muitos a solução mágica. Pare estes quando o Grêmio vencia, vencia apesar de Roth; quando perdia, perdia por culpa única e exclusiva do treinador.

Nunca me filiei a esta corrente. Na minha opinião a passagem de Roth teve erros e acertos, os erros seriam facilmente corrigidos por uma direção atuante. Mas para isto acontecer seria necessário existir sintonia no departamento de futebol, o que não era o caso.

E a imprensa também tem seu papel. É inegável que existia uma perseguição sistemática a Celso Roth. Um exemplo bem claro:
– ” Roth não muda” (Blog do Ilgo Wink – 13/03/200920h56)
– “
Celso Roth não é mais aquele treinador de cara amarrada de outros anos. Mesmo que ele ainda não agrade boa parte da torcida gremista, que tem antiparia por ele, o técnico vem se mostrando sempre muito atencioso, tranquilo e simpático com a imprensa.” (Blog Clube da Bolinha – 13/03/2009 – 19h54)
Notem que as postagem são do mesmo dia, com diferença de apenas uma hora. Qual a explicação para tamanha discrepância na avaliação de um profissional?

Enfim, a demissão de Roth mostra a falta de convicção da direção de Gremista, que fala repetidamente em planejamento mas muda de idéia a cada jogo.

Que a saída do treinador acabe de vez com cegueira que tomou conta da Azenha. Que se perceba que o time tem seus defeitos e suas virtudes. Que por vezes perde por incompetência, mas em outras tantas vezes perde por falta de sorte, por “erros” de arbitragem, etc…, mas que é o mesmo time que faz boa campanha e lidera seu grupo na Libertadores.

Roth perdeu os últimos 4 Grenais. Coincidência ou não, as 4 partidas foram disputadas fora do Olímpico ( e em 3 delas o Grêmio teve sérios prejuízos com a arbitragem). Culpa exclusiva de Roth?

Como é que a direção permite essa fórmula do Gauchão? Como é que aceita esta tabela? Por que concordou transferir um grenal do Olímpico para Erechim, a ainda por cima dividindo a renda?

Por que se permite que a imprensa faça zombaria dos adversários do Grêmio na Libertadores?

Geninho e Renato? Bons nomes, por diferentes motivos. Caio Júnior? Piada.

A chegada de um novo técnico certamente acalmará as coisas no Olímpico, mas só trará resultados se acompanhada de uma mudança de atitude da direção.

Gauchão – Internacional 2 x 1 Grêmio

April 5, 2009

Planejamento defenestrado. Souza falando mais do que deveria (embora estivesse coberto de razão em sua fala) e time titular em campo no Gauchão, 48 horas antes de uma partida de Libertadores.

Roth surpreendeu com a escalação de Thiego. Réver fez um papel de volante, Adílson foi adiantado e Souza jogo na ala (no segundo tempo Adílson fechou o lado do campo e Souza ficou mais centralizado). Um esquema interessante para jogos em que seja necessário jogar mais fechado, ainda que careça de maior treinamento.

Inter jogou no seu costumeiro 4-3-1-2 (dependendo do ponto de vista um 4-3-2-1). Grêmio esperou no seu campo, buscando neutralizar a principal virtude do adversário: A velocidade. Embora tivesse alguma dificuldade na saída de bola (o que resultou nos maiores perigos), a estratégia gremista se mostrou acertada.

É sempre difícil falar de sorte ou azar em futebol. Contudo, no segundo tempo a equipe tricolor mandou duas bolas na trave (falta de Souza e cabeçada de Jonas) e ainda teve um lance no qual Guinãzu salvou em cima da linha após cabeçada de Réver.

E Gaciba? Até quando vai ser lembrado como o juiz que deixou Ronaldinho dominar uma bola na mão? O que acontece com o bom juiz que desaparece em grenais?
– Aos 11 minutos um penâlti clarrísmimo em Léo. Sabe-se lá por que ninguém do trio de arbitragem marcou. Teve falta por cima e por baixo, era só escolher uma. Penalide máxima de concurso.
– Logo depois disso Souza fez falta dura em Guinãzu e não foi advertido. Álvaro deu uma entrada fortíssima (carrinho com os dois pés, por cima da bola) e levou só amarelo (muito embora tenha passado o resto do jogo cometendo faltas).
– Aos 18, pênalti marcado em Tcheco em um lance muito mais díficil. Aparentemente Kléber ignorou a bola que vinha pelo alto e travou o capitão Gremista. Questionável o cartão mostrado ao lateral da seleção.
– Aos 27, bola lançada no “vazio”. Nilmar e Thiego correm juntos, ao ingressar na área o avante colorado se joga. pênalti marcado. Cartão amarelo para Thiego. O contato, se é que existiu, não é faltoso e de forma alguma é capaz de derrubar o adversário. Pior que no segundo tempo, aos 9 minutos, em lance parecido, envolvendo os mesmos jogadores, Thiego foi para o chão e Gaciba nada marcou.

– Aos 26 do segindo, confusão iniciada por D´Alessandro (voltando de longo migué) e Rafael Marques e Taisson são expulsos. Para qual time era mais interessante ter mais espaço em campo?
– Ainda no segundo tempo Nilmar entra com o pé alto em Victor (última foto) Gaciba manda seguir e marca escanteio para o Inter.
– Seis substituições. Duas expulsões. Um gol. Atendimento médico= 3 minutos de acréscimos, que sequer são observados.

Uma arbitragem não condizente com o juiz que foi eleito o melhor do País, mas no nível das demais arbitragens apresentados no campeonato e nos últimos clássicos.

Tão ou mais revoltante é a cobertura da imprensa. Provavelmente me perguntarão qual é novidade nesse meu comentário? Pois lhes digo. Proponho que nossa imprensa seja substituída pela assessoria de imprensa do Internacional. Para facilitar as coisas, uma relação mais honesta e mais direta com o torcedor. Na sexta-feira um repórter apresenta um especial em homenagem ao aniversário do Internacional; no domingo o mesmo repórter está fazendo a cobertura do clássico, “isento”, “imparcial”. R.Marques e Taisson são expulsos, só se entrevista o colorado. Jogo termina, árbitro marcou dois pênaltis polêmicos e deixou de dar outro escandaloso. Não seria interessante ouvir o juiz? Não é o que pensa o repórter, que prefere entrevistar Índio. Entrevistar não seria o termo mais correto. O repórter simplesmente dirigia elogios ao zagueiro colorado (ex: zagueiro-centroavante; maior que Figueroa) que chegou a ficar constrangido. Curiosamente o repórter tinha todas as estatísticas do atleta na ponta da língua durante a partida. Falando assim até parece perseguição ao jornalista, mas infelizmente esse é bom exemplo do que ocorre na imprensa gaúcha.

Mas de nada adianta eu ficar aqui reclamando enquanto a direção do meu time nada faz. Uma semana atrás um repórter dizia que o Grêmio era um time de racistas. Alguém do Grêmio sequer se mexeu para ser dado o contraditório?

Por mais que não seja a prioridade, como é que a direção permite que o campeonato tenha essa fórmula esdrúxula, com a tabela dirigida, onde o mando de campo define tudo. Como é que a direção permite levar um grenal (que era pra se jogado em no Olímpico) para Erechim? E ainda por cima divide a renda. Como é que muda todo o planejamento de utilização de reservas (que vigorou durante todo o campeonato) na véspera de um clássico?

Eu peço desculpas, porque dessa vez a análise do jogo (que é o que tento fazer aqui) ficou com cara de desabafo.


Internacional 2 x 1 Grêmio

INTERNACIONAL: Lauro; Bolívar, Índio, Álvaro e Kleber; Sandro, Magrão (Marcelo Cordeiro 46 do 2º), Guiñazu e Andrezinho (DAlessandro 19 do 2º); Taison e Nilmar (Alecsandro 41 do 2º).
Técnico: Tite

GRÊMIO: Victor; Léo, Rafael Marques e Thiego; Souza, Réver, Adílson (Makelele 22 do 2º), Tcheco e Fábio Santos; Jonas (Maxi López 37 do 2º) e Herrera (Reinaldo 22 do 2º)
Técnico: Celso Roth

Gauchão 2009 – segundo turno – quartas-de-final
Data: 5/abril/2009, domingo, 17h00min
Local: Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre-RS
Público total: 44.590
Renda : R$ 535.444,00
Arbitragem: Leonardo Gaciba (Fifa-RS), auxiliado por Altemir Hausmann (Fifa-RS) e Júlio César dos Santos.
Cartões amarelos: Álvaro, Kléber (I); Thiego, Souza, Jonas e Réver ;(G).
Cartões vermelhos: Taison (I); Rafael Marques (G), ambos ao 27 do 2ºt

Gols: Tcheco (G, de pênalti), aos 19min; Andrezinho (I, de pênalti), aos 33min, no 1º tempo. Índio (I), aos 32min, do 2º tempo.

Parabéns ao Sport Club Internacional

April 4, 2009

Como homenagem ao co-irmão, deixo aqui dois textos sobre o centenário do Internacional. Não por acaso os textos são escritos por gremistas.

Aviso que, no meu entender, o segundo texto fará bem mais sentido após a leitura do primeiro.

“Parabéns, tchê!
Minha relação com o Internacional sempre foi permeada por várias certezas e algumas contradições. Não, por nenhum minuto de minha vida cogitei ser colorado, não distorçam aquilo que quero lhes falar.

Nunca escolhi ser gremista, e obviamente não me arrependerei nunca disso. Quando comecei a saber que existia futebol, lá pelos meus seis anos, eu já era tricolor. Meu pai impediria qualquer movimento meu em direção ao lado vermelho. Um ano depois, ganhei minha primeira camisa tricolor, fiquei absolutamente fascinado com a beleza dela (a do Inter achei completamente sem graça, até porque nunca gostei de vermelho) e aí não havia mais volta. Não entendia, do alto de minha inocência, porque eu tinha que torcer contra o Inter, mas o fazia assim mesmo, e peguei gosto pela coisa.

Ao mesmo tempo, sempre tive amigos colorados, parentes colorados, minha mãe é colorada. E aí está mais uma contradição: é óbvio que nunca pensei “que bom que o Inter ganhou, eles estão felizes”, porque em futebol adversário é adversário. Rivalidade à parte. A relação pode ser mais complicada do que parece. Apesar do belo sentimento com relação a pessoas próximas a ti, naqueles 90 minutos tu desejas o mal para elas, dentro daquele jogo. Até porque, depois do jogo, essas mesmas pessoas, sabia eu, não teriam qualquer piedade de vir a mim e despejar uma série de gozações. Ok, hoje levo na esportiva todas elas. Mas para uma criança/adolescente é algo absolutamente insuportável.

Até na hora dos parabéns isto é contraditório. Recebi cumprimentos de colorados quando o Grêmio ganhou a Libertadores de 1995, e alguns até pela atuação heroica diante do Ajax, no Mundial. Entretanto, estes mesmos que vieram parabenizar pela atuação em Tóquio, segundos antes vinham com aquele ar insuportavelmente (na época eu tinha 12 anos, era insuportável) vencedor e aquelas palavras que nos fazem sentir de vontade de nos trancarmos em casa em vez de sair para rua. Hoje, eu penso em quantas vezes não fiz o mesmo com vocês, colorados: naquela vitória com o banguzinho em 1995, naquela derrota para o Bragantino em 1996, naqueles 4 a 0 do Juventude em 1999, naquele improvável e maravilhoso Gauchão de 2006, naquela eliminação de 2007 para o Veranópolis, um dos melhores presentes de aniversário que já ganhei. Não sinto pena, claro. Mas é justamente saber da delícia que é tirar sarro da cara do rival que legitimo as gozações passadas – e as futuras que vocês e que nós, gremistas, sempre aplicaremos uns nos outros.

Isso é o que eu entendo como uma rivalidade absolutamente “sadia”, como adoram dizer repetidamente por aí. É claro que, lá dentro do estádio, os xingamentos mais baixos são toleráveis. Isso faz parte. Após o jogo à noite provocar aquele vizinho com um “acorda secador!” aos buzinaços é permitido. Mas conviver com o outro de forma civilizada deve ser a lei. Quando se é adolescente, futebol pode ser mais que uma diversão; é a tua supremacia simbólica sobre os colegas da escola. Disso eu não posso me queixar, os anos 90 me foram muito generosos. Futebol é uma diversão, sim. Não pode passar disso para justificar que coisas abomináveis sejam feitas em nome dele.

Como defensor e praticante de uma rivalidade sadia, eu jamais poderia me privar de falar na data de hoje. A data em que o time de vocês, colorados, faz 100 anos de história. Uma história rica, gloriosa, com seus baixos também. Uma história que hoje é centenária. Uma história que, marcada pelas contradições que tenho falado, se confunde um pouco com a minha, já que tenho a sina de dividir com o Sport Club Internacional minha data de aniversário*. E não só nisso: se confunde com a de quase todos os gremistas, como a do Grêmio se confunde com a de vocês. Afinal, os momentos de glória e fracasso de um lado simbolizam o fracasso e a glória do outro, em nossas mentes dominadas pelo azul e pelo vermelho.

Não falo em nome de todos os gremistas, falo em meu nome. Gostaria que pelo menos boa parte da nação tricolor tivesse a grandeza de fazer o mesmo, e ficarei muito feliz a cada manifestação de parabéns que vier de azuis para vermelhos hoje. Porém, quero deixar claro: amanhã tudo volta ao normal. Nos cruzaremos de novo, é o que o destino nos reservou. O primeiro adversário da história de vocês é o primeiro adversário logo após o centenário de vocês. Isso é um motivo de orgulho para mim e para todos nós, tricolores. E claro, se Deus quiser, estragaremos a bonita e merecida festa de vocês.

Aqui, deste gremista, vai um abraço do tamanho do Gigante e do Monumental juntos à nação vermelha pelos 100 anos de história que hoje completa o Internacional. E uma pequena flauta também, pois ninguém é de ferro, né tchê?.

Parabéns, colorados.

* Nascer em 1983, o mais glorioso ano da história tricolor, me reconforta maravilhosamente da coincidência de ter nascido no mesmo dia do Internacional.”

Vicente Fonseca

“Parabéns, co-irmão!
Segue em busca de teu sonho centenário

Faz cem anos, mas parece que foi hoje.

Um século exato se passou desde que apareceste de surpresa e logo foste bater pela primeira vez à nossa porta. Como toda a visita inesperada, causaste certo desassossego, assim como o desembarque de recém-nascido em família constituída provoca alvoroço. Além do mais, chegaste com boa dose de empáfia. Teu tom desafiador era direto e explícito. Mas acima de tudo, e disso nunca duvidamos, vieste com admiração e encanto. Estavas fascinado: querias ser como teu irmão mais velho e a forma que encontraste para chamar a atenção foi.. desafiá-lo.

Brioso como o mosqueteiro, o Grêmio sempre primou por travar batalhas com seus pares e aquele não era o caso: recém-saído das fraldas, tu ainda tropeçavas nas próprias pernas. Te oferecemos então nosso “segundo quadro” (afinal, já estávamos interessados em objetivos maiores). Te exaltaste, lembras bem? Tomaste nossa generosidade por desplante. Imberbe que eras, olhaste com desdém para a altiva barbicha de Augusto Koch, nosso presidente.

Fingindo não ver as espinhas de teu presidente-adolescente, José Leopoldo Serefin, um menino de 18 anos, cheio de ilusões, Koch pensou em falar com os co-fundadores, os irmãos Poppe. Mas os irmãos Poppe, cáspite, eram… forasteiros: vindos de terras bandeirantes, estavam pouco afeitos às lides e aos lemas locais. E também eles se revelaram intransigentes: “O primeiro quadro!” bradaram, em uníssono. E Koch , magnânimo, assentiu, com uma advertência: o tradicional baile pós-jogo seria por conta do Grêmio. Dizem as más línguas que te indignaste com o fato de o baile ter sido antecipado e não gostaste de dançar antes da hora, dentro das quatro linhas. Tomaste 10 a 0, te recordas? Para Serefin foi demais, e o garoto desistiu.

Mas tu, encarnado nos Poppe e nos rubros brios dos irmãos Vinholes, tu não! Sacudiste a poeira e foste em frente – e, sabem os deuses, te admiramos por isso. Propuseste então um novo desafio – e levaste cinco. Mas teu desejo incontido de emular o Grêmio também em sua imortalidade voltou a falar mais alto e insististe em um novo round. Levaste dez de novo, mas daquela vez, benza Deus, fizeste um “golo”. A proeza, nunca olvidaste, foi obra do persistente Vinholes, um dos irmãos-fundadores – o que jogava na ponta. Quando aquele balão de couro enfim estufou as redes imaginárias da meta tricolor – estabelecendo o placar de 25 x 1 em três jogos – , teus desejos se tornaram realidade: viste que teu sonho de equiparar-se ao Grêmio não era só fantasia obsessiva.

E assim obtiveste força para seguir em frente na cidade que pacientemente te acolheu e que assistiu teus primeiros passos, teus primeiros tombos, tua primeira aula, tuas primeiras dúvidas, primeiras dividas, primeiras divididas. Tuas primeiras surras. Teu primeiro gol!

Cem anos se passaram e, ao longo de todo esse século, em nenhum só minuto, em nenhum só jogo, em qualquer canto desse planeta azul, deixaste de estar decidido a imitar nossas façanhas, que aliás sempre serviram de modelo à toda a Terra. Teu fervor é comovente e só pode nos encher de orgulho. Continues tentando, caro Inter, e com a fibra típica do gaúcho que és – embalado pelo exemplo do incansável encarnado Vinholes, –, haverás um dia de chegar lá. Afinal, bem sabes hoje, cem anos passam num tapa.

Recebe nosso fraterno abraço, jovem co-irmão. E também um tapinha nas costas, que ainda tens força para tanto e muito mais.”

Os Blues Brothers
Fernando e Eduardo Bueno

O site do Grêmio publica um texto retribuindo a gentileza feita pelo Inter em 2003.

No Correio do Povo, na coluna de Hiltor Mombach, Duda Kroeff deixou um frase muito bonita:

Assim como o poeta só é grande se sofrer,
não há você sem mim.
Eu não existo sem você.
Parabéns, S. C. Internacional, pelos 100 anos.

Duda Kroeff
Presidente do Grêmio