Jogo da Neve – 30 anos

 

Metsul:

também em um 30 de maio, a neve e o Grêmio ocuparam o noticiário. O frio cruzou na história do tricolor gaúcho. Foi justamente no dia 30 de maio de 1979 que se produziu o famoso jogo da neve do Grêmio contra o Esportivo em Bento Gonçalves na Serra Gaúcha. A partida terminou empatada sem gols. No dia seguinte, o jornal Zero Hora estampava como manchete em sua contracapa: “Grêmio perde ponto na neve”. A reportagem da página 44 do jornal descrevia:

“A temperatura em Bento Gonçalves era de zero grau quando a partida começou ontem no Estádio da Montanha. (…) Já nevava aos nove minutos quando Raquete recebeu cartão amarelo por jogada violenta contra Tarciso. (…) O primeiro tempo terminou com muita neve. Alguns jogadores tinham a cabeça branca e outros ainda sentiam frio, apesar dos 45 minutos de movimentação. A visibilidade piorava e Carlos Martins admitia até mesmo a hipótese de ter que suspender o jogo antes do final”.

O jornal Folha da Manhã de 1º de junho de 1979 deu conta ainda de que na noite anterior Chapecoense e Criciúma jogaram sob neve em Chapecó em partida testemunhada por apenas 177 torcedores

Correio do Povo:

Quis o destino que os últimos dias de maio há 30 anos fizessem história por um jogo de futebol. Na gélida noite de 30 de maio de 1979, uma partida que cairia no esquecimento se tornou inesquecível. Grêmio e Esportivo empataram em 0 a 0 na Montanha de Bento, mas o resultado poucos lembram. Foi sim o ‘jogo da neve’.

Correspondente da Folha da Tarde no jogo, o jornalista do Correio do Povo Ilgo Wink ainda recorda do aspecto prateado do campo. ‘Inesquecível’, diz. Os flocos tinham caído antes, mas foi aos 30 minutos da etapa inicial que vieram com força. ‘A neve chegou a cobrir o bigode do alegre Jesum’, escreveu na saudosa Folha. Jogadores ficaram com as cabeças brancas. O técnico Orlando Fantoni lembrava da neve da Itália.

A massa de ar polar era intensa e a carta sinótica publicada no jornal mostrava o clássico cenário para neve com uma alta pressão continental e um sistema de baixa pressão na costa. O primoroso relato de Ilgo Wink na Folha terminou noticiando uma batalha. ‘Ao final do jogo, os torcedores, tanto de Grêmio como Esportivo faziam uma divertida batalha de neve.’ Batalha essa que ninguém se incomodaria em ver repetida.

Ilgo Wink:

“Quando chegamos em Bento a temperatura estava próxima do zero grau. E caindo, caindo. Chegou a hora do jogo.

Os jogadores entraram em campo. Fiquei com pena deles. O gramado úmido, a temperatura no zero grau e um vento cortante como uma navalha, parecia que atravessava a alma. Pouca gente no estádio. Noite boa para ficar em casa, tomar um caldo quente com vinho tinto. Meus pés estavam congelados, quase não os sentia. Os dedos da mão viraram picolé.
O jogo começou morno na noite gelada. Ninguém queria nada com nada. Prenúncio de 0 a 0, que acabou sendo o resultado final.

O vento estancou de repente. Parecia que o tempo havia parado. Em campo, os jogadores corriam muito mais para se aquecer do que para jogar bola. De repente, começaram a cair flocos de neve, que foram aumentando de intensidade rapidamente. O campo ganhou uma camada fina de neve. Pensei no pessoal na redação aquecida, na previsão do Hiltor. Pensei num café bem quente, num cobertor de lã, num garrafão de vinho, uma canja de capeletti.

O Jesum, um ponta habilidoso e rápido, passou perto de mim. Seu enorme bigode estava branco. Mais adiante, o carioca Paulo César Caju com sua cabeleira coberta de neve. Na área, o Baltazar pedia a bola, braços erguidos. Parecia que haviam congelados no ar.

No intervalo, eu e o Lupi Martins, grande parceiro e excelente repórter da Rádio Guaíba, paramos para tirar uma foto e registrar aquele momento mágico. Um colega de outra emissora, lá de Bento, entrou de gaiato.

Eu estava congelado. Um boneco de neve. De barba, mas um boneco de neve.”


Blog Grêmio Acima de Tudo:

O jornal Correio do Povo do dia 29, previa a possibilidade de frio intenso para o dia seguinte, mas ninguém imaginava o que estava por acontecer.
Na quarta-feira, dia do jogo, a temperatura era baixa e encaminhava-se para baixar um pouco mais as 21:00.
Mas ninguém imaginava que naquele dia a temperatura chegaria a – 4º C e o Grêmio jogaria na neve em pleno RS.

Ao iniciar a partida a temperatura era de 0º C e o 1º tempo terminou com muita neve. Alguns jogadores como Paulo César Cajú sairam de campo com a “cabeça branca”.
O campo coberto de neve não permitia a visualização de uma goleira a outra.
O intenso frio não permitiu um futebol bonito, pelo contrário. O técnico Orlando Fantoni reclamou da excessiva violência dos jogadores do Esportivo: “É um time muito violento. É o jogo mais violento que já vi aqui no sul”.
Com este tempo, não poderia haver outro placar senão o 0 x 0.

O Grêmio formou com: Manga, Vilson, Vantuir e Vicente; Dirceu, Vitor Hugo, Paulo César Cajú e Jurandir (Nardela); Tarciso, Baltazar (Leandro) e Jésum. Técnico: Orlando Fantoni.
O Esportivo formou com: Jânio, Toninho, Carlão e José; Raquete, Tovar, Celso Freitas e Adílson; João Carlos (Dilvar), Néia e Rubem (Lambari). Técnico: Valdir Espinosa.
O público pagante desta partida foi de 3.988 pessoas para uma renda de CR$ 189.520,00.
O árbitro foi Carlos Martins, com Jorge Oliveira e José Oliveira como assistentes.

Zero Hora:

“Não foi desta vez que o Esportivo perdeu a invencibilidade em seu estádio no Campeonato Gaúcho. O time dirigido por Espinosa enfrentou o Grêmio de igual para igual, chegou a criar mais oportunidades de gol no primeiro tempo e, mesmo com 10 jogadores a partir da metade da fase final, soube se defender e manter o 0 a 0. A equipe segue na liderança entre os clubes do Interior, enquanto o Grêmio perdeu seu primeiro ponto do returno”

Um lençol de neve estendeu-se ontem sobre a paisagem de dezenas de municípios do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná, no dia mais frio do mês de maio nos últimos 70 anos. Com uma temperatura que variou de 5ºC (às 7h45min) a 9ºC, a quarta-feira registrou o frio mais intenso na Capital desde o início das observações do 8º Distrito de Meteorologia, em 1909. Alguns hábitos costumeiros, como as rodas de conversa na Rua da Praia ou no calçadão da Borges, foram deixados de lado.”

1979-esportivo-x-gremio-luis-avila-zero-hora

 

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