Grêmio x Caxias – Gauchão 1988

A Juliana de Brito lembrou de dois importantes confrontos entre Grêmio e Caxias na história: As partidas do Gauchão de 2000 e 2007.

Eu acrescentaria mais um jogo a esta lista. O empate sem gols no Centenário que garantiu o Tetracampeonato Gaúcho do tricolor em 1988. Jogo que ficou marcado pela grande presença da torcida gremista em Caxias.

O Grêmio venceu o primeiro e o segundo turno da competição, garantindo dois pontos extras no hexagonal final. Na penúltima rodada um movimentado empate por 3×3 no Grenal disputado no Olímpico manteve a vantagem gremista para a rodada final.

O tricolor foi até Caxias com o regulamento embaixo do braço e com apoio maciço de seus adeptos, garantindo o 0x0 que precisava para sagrar-se campeão.


Abaixo seguem matérias da Placar, Jornal do Brasil e Folha de São Paulo sobre o jogo:

No inicio desta década, o Grêmio colocou como prioridade a conquista da Taça Libertadores da América e do Mundial Interclubes. Com estas duas façanhas, em 1983, conseguiu ofuscar o brilho dos quatro títulos regionais obtidos pelo arquiinimigo Internacional de 1981 a 1984. Domingo, em Caxias do Sul — 131 km de Porto Alegre e a 817 m de altitude —, os gremistas trituraram de vez com este que era o único orgulho recente dos torcedores adversários; também é tetra-campeão nos anos 80.

Para maior agonia dos colorados, o titulo não foi definido num Grenal, como de costu­me, e, sim, num econômico empate sem gols com o Caxias. Se esta final não teve a emoção das anteriores, o fato é que o time do Olímpico colhia os dividendos de sua exuberante campanha durante toda a competição. Afinal, ganhou os dois turnos classificatórios e entrou no hexagonal decisivo com dois pontos de bonificação. Uma vantagem que soube conduzir até a derradeira partida e determinou a medida certa que o separou do rival.

Desta vez o Grêmio-Show não esteve dentro de campo, mas nas arquibancadas. O Estádio Centenário, do Caxias, foi invadido pela torcida tricolor. Desde o início da manhã, uma festiva romaria de 152 ônibus tomou conta da estrada que faz ligação com a capital gaúcha. Ao entrar no gramado, os donos da casa tiveram de ouvir uma vaia digna de um Estádio Olímpico.

Assim à vontade, os jogado­res do Grêmio trataram de correr atrás da bola de olho no regulamento: precisavam somente de um ponto para sacramentar o título. E conseguiram. Pela primeira vez, o time colocou de lado a idéia fixa de atacar, que o conduzira até ali e fez somente o necessário para garantir a conquista. “Esta partida mostrou a verdade do Gauchão”, afirmava o treinador Otacílio Gonçalves. “Não existe jogo fácil no interior”. Especialmente quando o adversário tem uma motivação a mais para correr: o prêmio extra de 3 milhões de cruzados oferecidos pelo Inter.

“Nem com gratificação eles seguram o Grêmio”, exultava o presidente de futebol do clube, Raul Régis de Freitas Lima. Momentos antes, ele e os jogadores haviam sido carregados pela torcida, que invadiu o gramado, derrubou as traves e rasgou as redes para comemorar.

“Foi a vitória da harmonia”, definia Otacílio “O equilíbrio entre o espetáculo e a competição”.Essa é, em essência, a filosofia atual do Grêmio-Show. Uma equipe que conseguiu conciliar o futebol de suas três estrelas neste campeonato: o meio-campo Cristóvão e os atacantes Valdo e Lima.

Cristóvão só não recebeu a coroa de craque da competição porque o centroavante Lima esteve mágico- Isso mesmo. E a ponto de passar a antecipar seus gols em sonho. Contra o Caxias — a exemplo do que acontecera contra o Pelotas e no último Grenal — previu que iria marcar. Desta vez, contudo, seus passos de vidente falharam. “Diante dessa conquista, o gol nem era necessário”, procurou desconversar. Mas não será esta promessa não cumprida que manchará a campanha do artilheiro do campeonato. Afinal, os 17 que marcou neste ano foram decisivos para a equipe.

Já Valdo representou o terceiro vértice da tríade de astros gremistas. Vendido ao Benfica desde o inicio de março, disputou o campeonato sob forte carga emocional. Domingo, vestiu a pela última vez a cami­sa tricolor e não resistiu à homenagem dos companheiros antes de entrar em campo. Chorou. “Este titulo tem um sabor especial para mim por ter sido o derradeiro”, dizia.



Numa partida que representou a despedida do ponteiro Valdo dos gramados brasileiros (a camimnho do seu novo clube, Benfica, de Portugal), o grande espetáculo ficou mesmo com a torcida gremista, que levou mais de 140 ônibus de Porto Alegre e animou, gritou, cantou, chorou e riu. Dois minutos antes do final do jogo, alguns torcedores invadiram o campo, levando o juiz Carlos Martins a suspender o jogo. No final, era a festa, o carnaval regado a vinho e polenta.



Fontes:
Revista Placar, Jornal do Brasil, Folha de São Paulo, Arquivo Gremista e Arquivo Grená

S.E.R Caxias 0 x 0 Grêmio F.B.P.A

CAXIAS: Chico; Paulinho, Sérgio Odilon, Jairo e Ricardo; Caçapava, Leco e Mazzari; Zico (Gérson Lopes), Sanabria e Marquinhos
Técnico: Homero Cavalheiro

GRÊMIO: Mazarópi; Alfinete, Henrique, Luís Eduardo e Aírton; Bonamigo, Cristóvão, Cuca e Valdo; Zé Roberto (Darci) e Lima
Técnico: Otacílio Gonçalves

Campeonato Gaúcho 1988 – 10ª Rodada – Hexagonal Final
Data: 26 de Junho de 1988, domingo
Local: Estádio Centenário(Caxias do Sul)
Público: 18.370 pagantes
Renda: Cz$ 6.871.050,00
Árbitro: Carlos Sérgio Rosa
Cartões Amarelos: Caçapava e Valdo

One Response to “Grêmio x Caxias – Gauchão 1988”

  1. martina Says:

    “para o inimigo, restou ficar vermelho de raiva”
    heheeheheh

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