Libertadores – León de Huánuco 1 x 1 Grêmio

Foi uma partida em que o Grêmio praticamente se “recusou” a ganhar, e teria que se esforçar muito para conseguir perder. O León criou menos dificuldades como mandante do que na partida do Olímpico. Inexplicavelmente o tricolor não conseguia se impor. O jogo se desenvolvia de forma lenta, sem grandes ações. Mesmo sem forte marcação do adversário, o meio de campo gremista se atrapalhava na organização de jogadas. Rochemback voltou a ficar isolado na saída de bola (Fernando não o auxiliou na tarefa). Aos 36 minutos o empate já parecia mau negócio, e Renato promoveu a entrada de mais um atacante. A iniciativa de mudar o time é louvável, mas a repetição de tal expediente já incomoda. Não houve uma grande melhora com Viçosa em campo, e aos 44 minutos o Leon marcou o 1×0, quando a cabeçada do flácido Elias acabou encobrindo Victor. Ainda que o primeiro tempo do Grêmio tenha sido de uma obscena displicência, o gol sofrido talvez tenha sido um castigo exagerado, porque o Léon também não fez por onde (o atacante Gonzales “Ray Jackson” Vigil não chegou perto da meta gremista).

No início do segundo tempo houve uma ligeira melhora no Grêmio e no nível do jogo. A bola começou a rodar com um pouco mais de velocidade e jogadas de área finalmente foram vistas. Borges concluiu com perigo, de pé-esquerdo, logo na primeira jogada, e aos 9 minutos, numa das poucas jogadas onde o Grêmio conseguiu fazer uma seqüência de passes, Carlos Alberto recebeu assistência de Douglas e empatou. Uma virada não dependia de tanto esforço, mas o Grêmio caiu na partida. O problema da falta de conclusões se repetiu (Apenas Borges teve duas boas chances). Os atletas gremistas dificilmente ganhavam algum embate com os adversários (seja no drible, seja no desarme) e falta de iniciativa pessoal era maior inimiga do que a equipe peruana. Os erros de passe (já demasiados em todo o jogo) se acentuaram, o que tornou ainda mais irritante os minutos finais do confronto.


Me arrisco a dizer que foi a pior atuação do time titular no ano. Parecia que essa equipe jamais tinha treinado junto.

Pela primeira vez é possível questionar a saída de Carlos Alberto. Não que sua atuação tenha sido um primor, mas parecia mais a vontade jogando perto da área e claramente servia mais ao time assim, tendo inclusive anotado o gol. Era motivo de preocupação para o adversário.

Difícil de entender foi a entrada de Collaço, com a permanência de Gílson e Lúcio no time. Três laterais esquerdos em campo (seis canhotos no total), sendo que Lúcio era o mais recuado deles. Collaço, posicionado quase como um meia-direita, pouco foi visto na cancha.

Viçosa foi uma tentativa válida de Renato, mas o avante não entrou tão ligado como das outras vezes. Clementino, mesmo tendo jogado poucos minutos, conseguiu produzir mais (e ainda assim foi pouco).

Eu gostei da comemoração feita no gol. Era uma resposta necessária. O debate futebolístico no Rio Grande do Sul anda completamente desvirtuado. É bom ver iniciativas desse tipo, de indignação no plantel, mas os jogadores precisam ser respaldados.

O Grêmio certamente não merecia melhor sorte na partida. Não obstante, é preciso registrar a fraquíssima atuação do juiz mexicano. Um belo exemplo disso foi a falta não marcada após o violento carrinho de Cardoza em Carlos Alberto. O meia gremista fazia fila e a meia lua iniciada o deixaria na cara do gol. Era lance para cartão amarelo (e seria o segundo do peruano).

Rochemback, novamente, foi o destaque positivo do Grêmio. Está se matando para manter um padrão minimamente organizado de jogo. Victor foi bem, muito embora o gol sofrido seja criticável.

O resultado não foi tão ruim quanto a exibição (dificilmente seria). A classificação está encaminhada. O que ficou distante foi a primeira colocação do grupo (que era uma meta atingível), mas a conseqüência disso não é tão nefasta quanto andam apregoando. O que efetivamente preocupa é a possibilidade do time apresentar essa mesma postura apática contra um adversário mais qualificado.

Fotos: De Chalaca e Terra

León de Huánuco 1 x 1 Grêmio
Elias 44´
Carlos Alberto 54´

LEÓN DE HUÁNUCO: Juan Flores; Espinoza, Cambindo, Salas e Cardoza; Zegarra, Ferrari, Carlos Elías (Otálvaro 35/2ºT), Céspedes (Peña 22/2ºT) e Orejuela (Rodriguez 39/2ºT); Gonzáles-Vigil.
Técnico: Franco Navarro


GRÊMIO: Victor; Gabriel, Rafael Marques, Rodolfo e Gilson; Fábio Rochemback, Fernando (Júnior Viçosa 36/1ºT), Lúcio e Douglas; Carlos Alberto (Bruno Collaço 28/2ºT) e Borges (Diego Clementino 38/2ºT).

Técnico: Renato Portaluppi

4ª Rodada – Fase de Grupos – Libertadores 2011
Data: 17 de Março de 2011, quinta-feira, 17h00min
Local: Estádio Heraclio Tapia, em Huánuco, no Peru
Árbitro : Roberto García Orozco (MEX)
Assistentes : Jose Luis Camargo (MEX) e Alberto Morin (MEX)
Cartões amarelos : Cardoza, Elías, Ferrari, Rodolfo, Borges
Gols: Carlos Elías , aos 44 minutos do 1º tempo; Carlos Alberto, aos 9 minutos do 2º tempo.

4 Responses to “Libertadores – León de Huánuco 1 x 1 Grêmio”

  1. Vinícius Antunes Says:

    O que eu me pergunto Sr. André é o que há entre Renato e Escudero?

    Ao meu ver, foram 3 erros consecutivos do nosso treinador ontem. Tirar Carlos Alberto, jogar com 3 laterais e apostar mais em Clementino do que no substituído Borges e o nosso contratado Escudero. Se é para tirar aquele que tem faro de gol, está sempre por ali e nos salvou contra o Caxias (junto com Lúcio e R. Marques) que seja por alguém que demonstra técnica. Clementino foi talismã em 2010, mas agora voltou a realidade.

    Escudero entrou bem nos, sei lá, aproximadamente 20 ou 30 minutos “parcelados” que jogou no Grêmio. Renato está pecando aí, confio MUITO nele e gosto da sua ofensividade, peito e coerência de saber que o Grêmio é maior que muitos e deve ir pra cima, independente da cancha, mas o Escudero veio e deve ajudar, ele precisa disso para a carreira dele e quem não quer ganhar uma Libertadores?

    Fica registrada a minha crítica ao Renato, que deve repensar o que está fazendo com o Argentino, que estava lá no banco e poderia acrescentar mais que os 3 que entraram.

  2. André Kruse Says:

    Sr.Vinícius,

    Eu também gostaria de ter visto o Escudero em campo ontem.

    Não sei o que há entre eles. Mas o Escudero vem sofrendo algumas lesões.

  3. Diogo Says:

    Time displiscente e apático. Se jogar desse jeito contra um Cruzeiro, por exemplo, leva goleada.

    Renato tem que lançar Escudero logo.

  4. Eduardo Says:

    Escudero era duvida para inscrição na primeira fase ainda. Alguma coisa errada deve ter na questao fisica mesmo. Eu só nao aceito é essa coisa do “ser muito timido”.
    Cabe aí um melhor esclarecimento.

    Gremio sente muita falta do Jonas. Mesmo o Douglas sente falta de alguem que dê mais opção de jogo. A fase tecnica ruim dele passa tb por isso. Fora a displiscencia que antes era compensada por mais lances de craque e agora esses mesmos estao mais raros.

    O Gremio de 2011 é o Gremio de 2010 sem o Jonas, a simples volta do Lucio ao time nao vai fazer o Gremio ser mais time, vamos bater na mesma tecla. É necessário mudar algo no esquema pra no mínimo compensar a falta de um segundo atacante realmente bom. Aì cobro o Renato, ele vai ter que mudar o esquema ou esperar que o Escudero seja na pratica esse diferencial que todos esperam. Trocar simplesmente as peças entre si (Clementino, Lins, Viçosa) acho que nao vai resolver.

    Ontem especificamente, nao entendi os 3 laterais esquerdo no time. A consequencia disso foi que a pressao adversaria passou pro lado do Gabriel.

    Sou contra torcida que quer a cabeça de meio time e já a do Renato, mas também sou contra a ideia de sempre achar que no oba oba, na imortalidade, vamos ganhar algum titulo. Um jogo tudo bem, mas um campeonato requer melhor atuação do time.
    O Gremio vem jogando mal faz alguns jogos é evidente isso. Todos os setores do time sofrem cobranças e vem apresentando falhas. Isso passa por jogadores e técnico sim, mas daí pra fazer um escarceu e/ou vaiar time desde os 15min de jogo aqui no Olimpico tb nao vai resolver.

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