Grenal 331 – Campeonato Brasileiro 1996

Hoje completam-se 15 anos do Grenal 331, válido pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro de 1996. Um clássico que entrou para a história em virtude do golaço de bicicleta de Paulo Nunes no início da partida.

Grêmio e Inter vinham tendo trajetórias parecidas na competição até aquele momento. O tricolor era o 11º colocado, com 13 pontos em 8 jogos. Já o co-irmão ocupava a 12º posição (12 pontos em 9 jogos).

Durante a semana grenal, a direção colorada pediu (e levou) árbitro de fora do estado, reclamou da violência do time do Grêmio e da escolha dos bandeirinhas. No Olímpico, as atenções eram divididas com a estréia do clube na Supercopa, com uniforme novo, onde vencia por 3×1 e cedeu o empate em 3×3 para o Velez de Chilavert.

A Zero Hora tratou o jogo como a reedição do Gre-nal Farroupilha, disputado no mesmo 22 de setembro, em 1935. O Correio do Povo chamava a atenção para a possibilidade de se inverter a “gangorra”.

O resultado final ja é do conhecimento de todos. A partir dali, o Grêmio encaminhou sua classificação e a conquista do título do torneio. No Beira-rio, Nelsinho Batista deixou o clube poucos dias depois, indo treinar o Corinthians.

Um detalhe pouco lembrado é que, ainda no primeiro tempo, Dinho foi bater um escanteio e levou uma pedrada no queixo (é possível ver o curativo em algumas das fotos).

O post é composto por imagens e trechos de reportagens retirados dos jornais Zero Hora e Correio do Povo.


“A história do clássico, que proporcionou a maior renda da competição até o momento, começou com o gol magnífico de Paulo Nunes, logo aos 5 minutos. Arce cobrou escanteio da esquerda, a bola foi desviada e sobrou para o atacante, que bateu de bicicleta, surpreendendo André.
” (Correio do Povo – 23 de setembro de 1996)

“Aos 20 minutos o Grêmio parecia não ter forças para reagir, então, o bom árbitro Carlos Pimentel apitou uma falta na intermediária. Arce ajeitou a bola, mas quem veio de trás foi Dinho. Rente à grama, a bola entrou no canto direito de André. Era o gol da vitória. Garantida no final, pelas defesas de Danrlei, que saiu de campo ovacionado pela torcida que o vaiou na quarta-feira” (Zero Hora – 23 de setembro de 1996)

André – Sem culpa nos gols. Firme nas intervenções. 8″

[…]Danrlei – Simplesmente garantiu a vitória do Grêmio. 10” (Correio do Povo – 23 de setembro de 1996)

GAMARRA: Não perdeu nenhuma disputa individual e saiu jogando sempre com qualidade. NOTA 9

[…]

DANRLEI: Foi o grande nome do jogo. Com incríveis defesas evitou a derrota do Grêmio. NOTA 9 (Zero Hora – 23 de setembro de 1996)

OS DESEMPENHOS
Chutes a gol:
Inter 10 x 7 Grêmio
Conclusões de cabeça: Inter 10 x 1 Grêmio
Escanteios cedidos:
Inter 3 x 11 Grêmio
Faltas cometidas:
Inter 26 x 25 Grêmio
Impedimentos:
Inter 3 x 1 Grêmio(Zero Hora – 23 de setembro de 1996)

“O goleiro André, ao comentar os gols sofridos, disse que no primeiro, marcado por Paulo Nunes, houve um desvio da bola no escanteio cobrado por Arce na esquerda. “A bola foi para o segundo pau e não deu tempo para eu chegar” (Renato Dornelles – Zero Hora – 23 de setembro de 1996)


“Paulo Nunes contou que, quando a bola chegou até ele, sentiu que o lance era seu, apesar de Adílson gritar, atrás: “Eu, eu, eu!”” Então saltou com os dois pés e atingiu a bola em cheio com o pé direito.” (Zero Hora – 24 de setembro de 1996)

“Conversando com Jardel, pela Gaúcha, Paulo Nunes foi traído pela euforia e, por alguns segundos, esquece a elegância, garantindo que “o mais bonito mesmo, foi calar a boca da torcida do Inter” (Wianey Carlet – Zero Hora – 23 de setembro de 1996)

“Depois do jogo, em meio a festa no vestiário, Paulo Nunes conversou com outro craque, seu ex-companheiro de ataque Jardel. Via Rádio Gaúcha, o atacante do Porto brincou com o estilo dos gols de Paulo Nunes, segundo Jardel “de canela”. “Aqui faço gol de tudo o que é jeito, até de bicicleta para calar a boca da torcida do Inter“, ironizou o jogador gremista. Coisa de craque.” (Eduardo Tessler – Zero Hora – 23 de setembro de 1996)

“Os zagueiros colorados até tiveram cuidado de armar a barreira, aos 20 minutos do segundo tempo. Mas à frente dela, Arce disfarçava, ajeitava as meias e Dinho se posicionava a sete passos, atento a tudo. Carlos Miguel se juntou à barreira, trocou empurrões e a barreira abriu. O volante gremista sentiu naquele instante que o chute fatal era seu. Viu André mais à direita do gol, cobrindo o lado contrário da barreira, olhou para Arce como se pedisse permissão para bater, e partiu para a bola feito um carrasco: “Naquele momento eu decidi bater de três dedos, o chute tomou a curva certinha e entrou onde queria“, narrou o volante” (Jones Lopes da Silva – Zero Hora – 23 de setembro de 1996)

“Contido durante toda a semana, Luiz Carlos Silveira Martins desabafou fortemente após o clássico. “Violento é o chute do Dinho“, ironizou o vice de futebol do Grêmio, referindo-se às queixas do Internacional quanto ao comportamento dos jogadores do Grêmio.” (Correio do Povo – 23 de setembro de 1996)

“Bate que o goleiro está do outro lado“, sussurrou o lateral para Dinho. “Deixa comigo”, respondeu o volante, já projetando na cabeça a curva que a bola faria ao passar pela barreira.(Zero Hora – 24 de setembro de 1996)


“No final da partida, Danrlei foi tão contido e seco como na atuação durante todo o jogo. “
O importante foi o grande jogo da equipe do Grêmio“, limitou-se a dizer no vestiário. Com pelo menos quatro defesas fundamentais, nem precisava dizer mais anda. (Lourenço Flores – Zero Hora – 23 de setembro de 1996)

Internacional 1 x 2 Grêmio

INTERNACIONAL: André, César Prates, Tonhão, Gamarra e Arílson; Fernando, Enciso (Luis Gustavo), Marcelo e Murilo (Yan); Fabiano (Fabinho) e Leandro.
Técnico: Nelsinho Batista

GRÊMIO: Danrlei, Arce, Luciano, Adílson e Roger; Dinho, Goiano, Aílton (Emerson) e Carlos Miguel; Paulo Nunes (João Antônio) e Saulo (Zé Alcino).
Técnico: Luís Felipe Scolari

11ª Rodada – Primeira Fase – Campeonato Brasileiro 1996
Data: 22/09/96, domingo, 16h00min
Local: Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre – RS
Público: 47.172 (39.621 pagantes)
Renda: R$ 491.200,00
Juiz: Carlos Elias Pimentel (RJ)
Auxiliares: Adriano Sajonc (RS) e José Carlos Oliveira (RS)
Cartão Amarelo: Leandro, Arílson, Adílson e Arce
Cartão Vermelho: Carlos Miguel
Gols: Paulo Nunes aos 5 do 1° tempo; Murilo aos 7 e Dinho aos 21 minutos do 2° tempo

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2 Responses to “Grenal 331 – Campeonato Brasileiro 1996”

  1. Sancho Says:

    Os gols, aqui:



    Reparem até onde vai o setor a torcida do Grêmio. Bons tempos…

  2. Diogo Says:

    Me lembro de uma charge publicada na revista Nação Tricolor: o Paulo Nunes montado numa bicicleta e chutando a bola pro gol.

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