Brasileirão 1996 – Palmeiras 1 x 0 Grêmio

Depois de vencer por 3×1 a primeira partida das quartas, o Grêmio foi enfrentar o Palmeiras em São Paulo com uma vantagem “relativamente confortavel” no jogo de volta.

O embate se deu num Morumbi reduzido na sua capacidade em virtude de obras de reforma. O Grêmio se mostrou mais sereno e mais consciente em campo. O tempo transcorreu de maneira mais tranquila do que possa sugerir o placar final. O tricolor mandou na partida no primeiro tempo, quando deixou de marcar em mais de uma oportunidade. No segundo tempo só foi ser pressionado nos minutos finais, fruto do despero dos Palmeirenses.

Dinho foi um dos destaques do time de Felião, tendo respondido somente “na bola” as inúmeras provocações de Djalminha.

Esse foi o último dos 12 confrontos entre Grêmio e Palmeiras que marcaram os anos de 1995 e 1996.

“Mais tarde, Luxemburgo, quase choramingando, lamentou a sorte do seu time. “Não é mole sair da competição por causa de um único gol, foi um só gol, pô!”, desabafou o técnico, que a duas horas antes era considerado favorito no Brasileirão.

[…]

Luxemburgo não acreditava que o seu milionário time terá de sair de férias mais cedo. “Isso dói muito”, desabafou o técnico. Afinal, o sonho de Tóquio transferiu-se para o Paulistão” (Zero hora – 2 de dezembro de 1996)

“O ÁRBITRO
O juiz carioca Cláudio Cerdeira teve uma atuação brilhante. Deixou o jogo correr, concedeu os descontos necessários e puniu as jogadas ríspidas dos dois times. Expulsou o centrovante Saulo corretamente. Os auxiliares também foram bem. Erraram apenas em um lance contra o Grêmio, no final do jogo.” (Zero Hora – 2 de dezembro de 1996)

Desequilíbrio emocional abala Palmeiras

Time mistura apatia e nervosismo, se equivoca no esquema tático e, mesmo vencendo, está desclassificado

A apatia de seus principais jogadores, Rincón e Djalminha, e o nervosismo dos demais acabaram com o sonho do Palmeiras de conseguir uma vaga na Taça Libertadores de 97.
O time, que precisava vencer o Grêmio por dois gols de diferença, ontem, no Morumbi, acabou fazendo apenas 1 a 0 e foi eliminado do Campeonato Brasileiro.
A pressão no início do jogo iludiu a torcida palmeirense. O time fez um péssimo primeiro tempo.
Aconteceu tudo o que o técnico Wanderley Luxemburgo não queria. A equipe não controlou os nervos, errou passes e insistiu nas bolas altas, e os principais jogadores estiveram muito apáticos.
Contra um adversário bem organizado, que atuava aberto, como prometera seu treinador, o Palmeiras viveu de chutes de longa distância, facilmente defendidos por Danrlei.
O Grêmio, explorando as jogadas pela direita, com Arce, foi muito mais perigoso. Aos 25min, Zé Alcino chutou no travessão.
Irritada, a torcida palmeirense passou a pedir ”garra”.
Aos 48min, Dinho e Djalminha discutiram, e o meia palmeirense simulou ter sofrido uma agressão.
Três minutos depois, Zé Alcino, novamente, acertou a trave.
O time paulista voltou para o segundo tempo com Fernando Diniz em lugar de Leonardo e mais determinado. Aos 9min, o árbitro anulou um gol de Fernando Diniz, alegando impedimento.
Logo, porém, o time voltou a repetir os erros do primeiro tempo, mostrando muito nervosismo.
Aos 33min, num lance esporádico, Elivélton acertou um forte chute, fazendo o gol solitário e tornando o jogo dramático.
No final, até o goleiro Velloso foi tentar o gol salvador na área do Grêmio. Em vão.
Vários torcedores ficaram de fora do Morumbi, sem poder entrar, mas nem todos os 31 mil ingressos foram vendidos.
A explicação: o São Paulo, dono do estádio, somente liberou as 5.000 cadeiras cativas para seus proprietários, que não compareceram.

Grêmio elogia determinação

O técnico gremista, Luiz Felipe, elogiou a determinação de seu time. ”Ganhamos a disputa em Porto Alegre. Podíamos ganhar aqui, mas o jogo foi equilibrado.”
Luiz Felipe, que pode deixar o Grêmio ao final deste Brasileiro, surpreendeu o Palmeiras ao colocar em campo uma equipe ofensiva, que criou mais chances de gol.
”Se recuássemos, seríamos pressionados o tempo todo e ficaria difícil”, afirmou.
Sobre a partida de ontem, os jogadores do Grêmio evitaram polêmicas com os palmeirenses. Elogiaram polidamente o adversário.
”O Palmeiras foi bem, mas nós merecemos a classificação. Fizemos o resultado em Porto Alegre e tivemos tranquilidade para decidir aqui”, disse o zagueiro Adílson.
O volante Carlos Miguel destacou a vontade de sua equipe, determinante nas disputas do tipo mata-mata (duas partidas decisivas entre as equipes).
”Sabíamos que seria uma guerra e que venceria quem tivesse mais vontade”, afirmou.
O Grêmio pretende fazer nas semifinais o que o Palmeiras não conseguiu nesta fase.
A equipe faz a primeira partida fora, contra o Goiás, e vai tentar um pelo menos um empate.
Os gremistas consideraram fatal os três gols pelo Palmeiras no jogo em Porto Alegre, e não querem que isso aconteça em Goiânia.
”Jogaremos com cautela em Goiás, para decidir com calma, em Porto Alegre, estádio cheio”, disse o zagueiro Adílson.

“A locomotiva São paulo não tem estádio para sediar um final de Campeonato Brasileiro. O gigante adormecido recebeu apenas 23.533 pessoas para o jogo que muitos consideram ter sido a decisão antecipada do Brasileirão. Um bom número de palmeirenses ficou de fora. O São Paulo, dono do estádio, liberou poucas das 5 mil cadeiras cativas. Alega sofrer muitos processos dos são-paulinos donos das cadeiras. que reclamam dos estragos feitos pelas torcidas adversárias. Tem toda a razão. Além de quebraram algumas cadeiras, truculentos torcedores palmeirenses agrediram fortuitamente dirigentes do Grêmio que arriscaram uma saída da cabine onde estavam” (Marcelo Ferla – Zero Hora – 2 de dezembro de 1996)

Pergunta – O que você achou da eliminação do Palmeiras?
Wanderley Luxemburgo – O Grêmio mereceu a classificação. Não foi hoje (ontem) que perdemos a vaga, mas sim na partida do Sul.Perdemos porque não soubemos controlar a parte emocional no primeiro jogo, o que eu mais temia.
Pergunta – Você reclamou muito da arbitragem. Ela prejudicou o Palmeiras?
Luxemburgo – Não foi isso. Mas o juiz aceitou passivamente o jogo do Grêmio, de muitas faltas e valorização do tempo (Folha de São Paulo, ARNALDO RIBEIRO; HUMBERTO SACCOMANDI)

OS DESEMPENHOS
Palmeiras 10 -Chutes a Gol- 11 Grêmio
Palmeiras 2 Conclusões de Cabeça- 2 Grêmio
Palmeiras 3 -Escanterios cedidos- 15 Grêmio
Palmeiras 26 -Faltas cometidas – 24 Grêmio
Palmeiras 3 -Impedimentos – 3 Grêmio
(Zero Hora – 2 de dezembro de 1996)


Zero Hora – O Jogo
: “Jogando pelo empate, o Grêmio armou-se na defesa a passou a explorar os contra-ataques com Afosno e Zé Alcino, sendo mais incisivo no ataque. O gol de Elivélton, aos 37 do segundo tempo, tornou os últimos minutos aterrorizantes.”

Placar – O JOGO:
“Desmotivado depois da derrota em Porto Alegre, o Palmeiras fez um mau primeiro tempo. No segundo, esboçou uma recuperação, mas esbarrou na competência gremista e não teve tempo para alcançar a vantagem de dois gols necessária para se classificar“.

PALMEIRAS: Velloso; Cafu, Cláudio, Wágner e Júnior; Galeano, Flávio Conceição (Elivélton 18 do 2º), Djalminha e Rincon; Leonardo ( Fernando Diniz intervalo) e Luizão
Técnico: Wanderley Luxemburgo

GRÊMIO: Danrlei; Arce, Rivarola, Adílson e André Silva; Dinho, João Antônio, Émerson (Mauro Galvão 39 do 2º) e Carlos Miguel; Zé Alcino (Aílton 24 do 2º) e Zé Afonso (Saulo 27 do 2º)
Técnico: Luis Felipe Scolari

Brasileirão 1996 – Quartas de Final – Jogo de volta
Data: 1º de dezembro de 1996
Local: Morumbi em São Paulo
Juiz: Cláudio Vínicius Cerdeira (RJ)
Público: 26.503
Renda: R$ 404.762,00
Cartão Amarelo: Zé Alcino, Mauro Galvão, Dinho, André Silva, Carlos Miguel, Leonardo e Luizão
Cartão Vermelho: Saulo 42 do 2º
Gol: Elivélton aos 33 do 2º tempo

Mais sobre o Campeonato Brasileiro de 1996 em:

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