Brasileirão 1996 – Portuguesa 2 x 0 Grêmio


Na noite de 11 de dezembro de 1996, Grêmio e Portuguesa jogavam a primeira partida das finais do Campeonato Brasileiro daquele ano.

O Grêmio chegava para a decisão com a vantagem da melhor campanha; A Lusa chegava como a “namoradinha do Brasil”, unindo não só os quatro grandes de São Paulo, como também a imprensa do centro do País na sua torcida.

O jogo começou bem para o tricolor, mas a questionável expulsão de Marco Antônio e o gol de Gallo na sequência acabaram mudando os rumos da partida.

“O Grêmio, ontem, provou do próprio veneno. Enfrentou um time sólido na defesa, eficiente na marcação e agudo nos contra-ataques. O Grêmio jogou bem, atacou com insistência, perdeu chances de gol, em certos momentos perdeu a calama e, pior, perdeu o jogo: 2 a 0 para a Portuguesa, na noite chuvosa do Estádio Morumbi, em São Paulo. “ (Zero Hora – 12 de dezembro de 1996)

“Foi um resultado injusto para o time comandado por Luiz Felipe, que, inclusive, começou pressionando o adversário em busca do gol. Aos 18 minutos, Carlos Miguel acertou um forte chute de fora da área e Clemer salvou para escanteio” (Correio do Povo – 12 de dezembro de 1996)

“Enquanto quase todos os jogadores da Portuguesa conversavam com os repórteres depois do fim do último treinado para a partida contra o Grêmio, na ensolarada manhã de terça-feira passada, o volante Gallo não se importou com o assédio da mídia e tratou de ensaiar cobranças de faltas. Depois de quatro chutes consecutivos na trave, o técnico Candinho se aproximou e perguntou o que estava se passando. “Não se preocupe, Candinho, porque no jogo a bola vai entrar”, assegurou o confiante Gallo. E entrou mesmo. Gallo abriu o caminho da vitória da Portuguesa por 2 a 0 com uma cobrança de falta perfeita aos 38 minutos do primeiro tempo.

[…]
“O Gallo é a alma da equipe”, disse Candinho, depois do jogo.” (Alexandre Corrêa – Zero Hora – 12 de dezembro de 1996)

“Irritado, vermelho de raiva e de tanto gritar, ilhado em um canto do vestiário do Morumbi por dezenas de microfones, o técnico Luiz Felipe começou o comentário da derrota em São Paulo pela atuação do árbitro: “O Sidrack tem critérios diferentes, em Minas não deu cartão para preservar jogadores e contra nós ele chegou a expulsar no primeiro tempo!” Inconformado com os dois cartões de Marco Antônio, o treinador disse que o lance da primeira punição foi injusto. “Não era jogada para cartão”.

[…]

Mal terminou o jogo, o atacante Paulo Nunes saiu correndo do gramado. Já à beira do gramado, arfando, ele só teve força de dizer três palavras: “Dá pra reverter”. Os demias jogadores o acompanharam. Todos eles, depositaram na torcida a esperança de vitória no segndo jogo do Olímpico: “Vou ficar gritando junto com a torcida para a gente vencer de qualquer jeito”, declarou Adílson. “O resultado de ontem foi meio injusto, tomamos gol de bola parada, tivemos um jogador expulso e agora dependemos da nossa superação.” Goiano se virou para a cabisbaixa comissão técnica gremista e disse uma frase emotiva. “Vai dar, sim”, falou. “O juiz complicou demais”, lamentou-se Goiano. (Alexandre Côrrea -Zero Hora – 12 de dezembro de 1996)

PLACAR – O JOGO: O equilíbrio da partida acabou aos 36 minutos do primeiro tempo com a expulsão de Marco Antônio e o gol de Gallo. A partir daí, o Grêmio ficou no dilema entre segurar o resultado ou tentar o empate. Não fez nem uma coisa nem outra. Tomou mais um gol e por pouco não perdeu de mais porque faltou empenho à Lusa.

ZERO HORA – O JOGO: Prejudicado pela expulsão de Marco Antônio e o gol de Gallo, no minuto seguinte, o Grêmio ainda tentou esboçar uma reação para garantir a vantagem de dois empates. Mas um gol de Rodrigo, no segundo tempo, atrapalhou os planos do Grêmio e obrigou
a equipe a trabalhar dobrado no Olímpico.

Portuguesa fica próxima da história

Time bate o Grêmio por 2 a 0 e pode até perder por um gol de diferença, domingo, no Sul, que será campeão

Portuguesa fica próxima da história
da Reportagem Local
A Portuguesa derrotou o Grêmio por 2 a 0, ontem, no Morumbi, e está próxima do feito mais importante de sua história.
O time pode perder por um gol de diferença, domingo, em Porto Alegre, que conquistará o inédito título brasileiro, garantindo vaga na Taça Libertadores de 97.
Pela terceira vez, desde o início da fase final do Brasileiro, a equipe, que jamais havia passado da sétima colocação, conseguiu reverter a vantagem do adversário.
Os jogadores e a torcida deixaram o campo otimistas.
Domingo, a Portuguesa poderá contar com os retornos do zagueiro César e do lateral Carlos Roberto, enquanto o Grêmio não terá o lateral Marco Antônio e o zagueiro Adílson, suspensos.
Em um gramado em perfeitas condições, apesar das chuvas, a Portuguesa teve muitas dificuldades no início do jogo.
O time, com três volantes (Capitão, Gallo e Roque), foi mais cauteloso que de costume, como prometera o técnico Candinho. O que o treinador não esperava era o nervosismo de alguns jogadores.
O Grêmio, mesmo com a ausência do lateral Arce, foi mais perigoso, insistindo nas jogadas pela direita, nos espaços deixados por Zé Roberto, que avançava pelo meio.
Com o domínio gremista, o goleiro Clêmer precisou fazer duas grandes defesas, numa cabeçada de Goiano e num chute forte de Carlos Miguel.
O jogo começou a virar somente aos 36min, quando Marco Antônio, que já tinha o cartão amarelo, foi expulso ao derrubar Alex Alves.
Na cobrança, Gallo, que não havia acertado nem uma sequer nos treinos de terça-feira, colocou a bola no ângulo direito de Danrlei.
No segundo tempo, mesmo com um atleta a mais, a Portuguesa caiu surpreendentemente de produção. Aos 11min, Clêmer evitou o gol de empate, em chute de Zé Alcino.
Mas, quatro minutos depois, a Portuguesa definiu o jogo. Caio cruzou da direita, e Rodrigo desviou para as redes, arrancando os gritos de ”É campeão!” da torcida.
Depois do segundo gol, o time pressionou em busca de uma vantagem maior, com as entradas dos atacantes Tico e Flávio.
Mas o Grêmio, bem armado taticamente, não deu chances, mantendo suas esperanças (Folha de São Paulo)



“Árbitro acusado de prejudicar a equipe gaúcha
O árbitro sergipano Sidrack Marinho dos Santos não escapou das críticas do técnico do Grêmio após a partida. Descontente com a expulsão de Marco Antônio ainda no 1º tempo. Luiz Felipe Scolari lançou suspeitas sobre o árbitro, “que não havia dado qualquer cartão amarelo a jogadores da Portuguesa já na partida contra o Atlético Mineiro”. Para Felipe, faltou, novamente, maior força política a seu clube. “Não temos força para agir contra a arbitragem.
Também na opinião do preparador Paulo Paixão, houve influência direta da arbitragem, “que truncou muito a partida”. Só mostrou alegria com a força do tome, “que teve superação mesmo com 10 jogadores”. O goleiro Danrlei não conseguiu esconder seu abatimento com o fato de o time ter criado várias chances, sem conseguir marcar sequer um gol. “Agora, complicou”, entende. “Vai ser difícil, mas temos qualificação para obter um resultado diferente no estádio Olímpico”, avalia o lateral direito paraguaio Arce, que se recupera de lesão no tornozelo, em Porto Alegre.
A vitória foi festejada sem excessos pelos jogadores da Portuguesa. “Ainda estamos muito longe”, entende Rodrigo, autor do 2º gol. Para o craque da Portuguesa, será preciso administrar a partida do próximo domingo. “Já fizemos isso contra o Cruzeiro e Atlético.”
(Correio do Povo – 12 de dezembro de 1996)


Candinho reclama da violência

da Reportagem Local
O técnico Candinho reclamou de jogadas faltosas do Grêmio.

Ele está preocupado com a escolha de Márcio Rezende de Freitas para apitar o segundo jogo. ”O Grêmio joga duro e às vezes chega a ser violento. Espero que o juiz saiba punir quando tiver a pressão da torcida.”
Candinho gostou da atuação da Portuguesa. ”Jogamos com velocidade e provamos que estamos preparados para decisões.”
”Depois de nos classificarmos duas vezes no Mineirão, não é agora que vamos tremer”, afirmou. (Folha de São Paulo)

Paulistas tentaram adiar o jogo
da Reportagem Local
O presidente Manuel Pacheco, da Portuguesa, não teve sucesso em adiar o jogo de ontem.
O dirigente, preocupado com as dificuldade
s causadas pela forte chuva de ontem, pressionou a CBF para que transferisse a partida para hoje.
”Infelizmente o Farah e o Gilberto Coelho lavaram as mãos”, afirmou, referindo-se ao presidente da Federação Paulista e ao diretor técnico da CBF.
A diretoria do Grêmio aprovou a decisão do árbitro.
Acidente A Portuguesa viveu momentos de tensão para chegar ao estádio.
Na saída do hotel, o ônibus que levava a delegaç
ão chocou-se, de leve, com os carros do preparador físico José Roberto Portella e do diretor Toninho Duque.
A Portuguesa chegou ao Morumbi às 20h33. ”O atraso prejudico
u o aquecimento e enervou todo o nosso time”, disse Portella.
A torcida da Portuguesa também enfrentou problemas antes do início do jogo. Vários torcedores com ingresso na mão não puderam assistir à primeira partida da final.
No Canindé, por exemplo, 50 ônibus que partiriam ao Morumbi ficaram ”ilhados”, não podendo deixar o estádio da Portuguesa.
Os ônibus, cedidos pelo patrocinador do clube, fariam o tran
sporte gratuitamente.
Familiares e amigos do volante Capitão, que foram ao Morumbi nos ônibus da Portuguesa, chegaram no fim do primeiro tempo. (Folha de São Paulo)

“OS DESEMPENHOS
Portuguesa 08 –CHUTES A GOL– 12 Grêmio
Portuguesa 01 – CONCLUSÕES DE CABEÇA– 01 Grêmio
Portuguesa 06 –ESCANTERIOS CEDIDOS– 03 Grêmio
Portuguesa 21 –FALTAS COMETIDAS – 18 Grêmio
Portuguesa 05 –IMPEDIMENTOS – 05 Grêmio”
(Zero Hora – 12 de dezembro de 1996)


“O ÁRBITRO
O sergipano Sidrack Marinho dos Santos usou cartões amarelos para colocar ordem no jogo. Errou ao expulsar Marco Antônio, pois quem cometeu a falta em Alex Alves foi Rivarola. Inverteu algumas faltas e falhou em marcações laterais no segundo tempo.“(Zero Hora – 12 de dezembro de 1996)

FRASES 1

”O Grêmio bateu demais.”
Rodrigo, meia-atacante

”No começo do segundo tempo vacilamos.”
Clêmer, goleiro

”O Grêmio, apesar da derrota, mostrou que é forte. No Sul, vamos ter que nos preparar, porque vai ser duro.”
Gallo, volante

”Não tomei cartão amarelo e vou jogar a final.”
idem

”Este time já entrou para a história.”
Capitão, volante (Folha de Sã0 Paulo)

”O Sidrack está aprontando. Pergunte a ele a razão da expulsão do Marco Antônio.”
Luiz Felipe, técnico

”O Gallo está de parabéns. Ele bateu bem a falta, sem chances de defesa. É difícil, mas podemos vencer em casa”
Danrlei, goleiro

”Dá para reverter o resultado. É só o juiz não apitar da mesma maneira que o Sidrack apitou”
Paulo Nunes, atacante (Folha de São Paulo)



PORTUGUESA: Clemer; Valmir, Émerson, Marcelo e Roque; Capitão, Gallo, Zé Roberto e Caio; Rodrigo (Tico 44 do 2º) e Alex Alves (Flávio 45 do 2º)
Técnico: Candinho

GRÊMIO: Danrlei, Marco Antônio, Rivarola, Adílson e Roger; Dinho (Mauro Galvão 44 do 2º), Goiano, Émerson (João Antônio 37 do 2º) e Carlos Miguel (Aílton 24 do 2º); Paulo Nunes e Zé Alcino.
Técnico: Luis Felipe Scolari

Campeonato Brasileiro 1996 – Final – jogo de ida
Data: 11 de dezembro de 1996, 21h40min
Ingressos: R$ 10,00 (arquibancada) R$ 25,00 (numerada superior)
Local: Morumbi, São Paulo
Público: 29.359 pagantes
Renda: R$ 363.550,00
Juiz: Sidrak Marinho dos Santos (SE)
Auxiliares: Antônio Hora Filho e Luis Eduardo Souza
Cartão Amarelo: Roger, Adílson, Émerson e Valmir
Cartão Vermelho: Marco Antônio
Gols: Gallo aos 38 do 1º e Rodrigo Fabri aos 15 do 2º tempo

2 Responses to “Brasileirão 1996 – Portuguesa 2 x 0 Grêmio”

  1. Vicente Fonseca Says:

    Interessante que todos os times que reclamavam da violência do Grêmio faziam mais faltas que o próprio Grêmio nestas partidas finais de 1996.

  2. Diogo Says:

    Reclamar das faltas do Grêmio era uma velha muleta na qual os adversários se escoravam inutilmente.

    A crônica futebolística poética do Armando Nogueira é dose.

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