Brasileirão 1996 – Grêmio 2 x 0 Portuguesa

Em 15 de dezembro de 1996, o Grêmio entrava em campo pela segunda partida da final do Campeonato Brasileiro tendo que devolver os dois gols sofridos no Morumbi.

O clima no Olímpico era indescrítivel. A pressão tricolor foi forte, e depois de uma sequência de escanteios, Paulo Nunes abriu o placar, logo aos 3 minutos. O jogo seguiu nervoso, brigado, até os 39 minutos do segundo tempo, quando Aílton marcou o golaço que iniciou a festa no Olímpico.

Detalhes sobre a campanha do Grêmio naquele campeonato podem ser encontrados em:

Abaixo seguem algumas fotos e textos dos jornais Correio do Povo, Folha de São Paulo e Zero Hora:


Ironia lusa contrapõe ameaça gremista
No vestiário da Portuguesa, momentos antes de o time entrar em campo, os jogadores rezavam.
Dava para escutar os gritos da torcida: “Ê, ê, ê, paulista vai morrer” ou “Ó Portuguesa pode esperar, a sua hora vai chegar”.
Foi sob um clima de guerra que o time se preparou, durante uma hora e 45 minutos, no estádio Olímpico, para encarar o Grêmio.
A reportagem da Folha acompanhou a Portuguesa nos momentos que antecederam o jogo.
Para controlar a tensão, a ansiedade e a expectativa, a tática era falar bastante. O assunto não interessava, o importante era falar.
Valia conversar sobre a torcida, as férias que se aproximavam, a família, o tempo, como em qualquer bate-papo normal dentro de um elevador, ou até fazer piadas dos gritos de guerra dos gremistas.
“Alguém tem que avisá-los que eu sou do Maranhão”, brincava o goleiro Clêmer, referindo-se às ameaças contra os paulistas.
“Não vão vocês gritar contra os gaúchos, porque eu sou do Rio Grande”, disse o meia Caio, que nasceu no interior do Estado e defendeu o Grêmio até janeiro de 94.
A recepção
A comissão técnica da Portuguesa tentou despistar a torcida do Grêmio, chegando a Porto Alegre antes do horário previsto. O time deixou São Paulo, às 10h, pousando em Porto Alegre às 12h.
Um ônibus contratado pelo clube e que esperava os jogadores na pista do aeroporto transportou-os para um hotel no centro da cidade.
No trajeto ao hotel e depois ao estádio, vários torcedores com camisas do Grêmio xingavam o time e mostravam dois dedos das mãos, insinuando o placar de 2 a 0.
No caminho, no entanto, torcedores com camisas do Internacional, rival do Grêmio, aglomeraram-se para dar apoio aos paulistas. Candinho e seus pupilos acenavam, agradecendo o incentivo.
E uma surpresa curiosa: as ruas e avenidas que cercam o Olímpico estavam pintadas de verde, vermelho e branco, cores da Portuguesa. É que a Prefeitura de Porto Alegre preparou a decoração de Natal antes de conhecer os finalistas.
Protegidos por seguranças do Inter, os paulistas chegaram ao estádio às 17h15.
A preleção
Na última hora, já dentro do vestiário do Olímpico, o técnico Candinho, mais do que um estrategista, vira um psicólogo. A análise tática do adversário, as orientações, a estratégia de jogo foram passadas ao elenco em São Paulo e no hotel.
Conversando “de verdade” com os atletas, no estádio, Candinho só descontrai o ambiente, acalma o time, motiva-o e brinca. “Já que o avião não caiu, estamos aqui, haverá jogo, vamos para ganhar.”
Mas também fala sério e elogia o elenco. “Fizemos história na Portuguesa, mostramos nosso valor. Estamos em alto-mar”, lembrou, referindo-se aos comentários de que o time costumava nadar, nadar e morrer na praia.
O goleiro Clêmer, um dos líderes do grupo, é o que mais palpita. Além de dar as instruções finais para seus companheiros de defesa, pede cuidado com a arbitragem.
O aquecimento
O preparador físico José Roberto Portella comanda os quase 30 minutos de exercícios dos jogadores antes do início do jogo. “Sem o aquecimento bem feito, o risco de alguma contusão é grande”, diz.
Diferentemente do Grêmio, que aqueceu no campo de treinamento que fica do lado de fora do estádio, a Portuguesa teve que se contentar em se aquecer no vestiário, já que o gramado do Olímpico era palco de um jogo preliminar.
Portella, que trabalhou no futebol português, preparou exercícios individualizados. “Cada um tem uma necessidade diferente, uma característica específica.”
A imagem
A diretoria da Portuguesa, porém, não contava só com a preleção de Candinho, o aquecimento de Portella ou a técnica dos jogadores. Uma imagem de Nossa Senhora de Fátima também foi levada ao vestiário para dar sorte.
“No Canindé, estamos acostumados com a imagem”, afirmou o zagueiro César, que diz ser evangélico. “É uma força a mais.”
A ausência foi o mascote Nirlei Tigre, 5, chamado pelos jogadores de “campeão”. Sem lugar no avião fretado pelo clube, ele ficou torcendo em casa, pela televisão.
O grupo de apoio da equipe, formado por roupeiro, massagista, treinador de goleiros e seguranças, acendia velas no vestiário e fazia promessas. “É a macumba portuguesa”, brincava Carioca, treinador de goleiros do time.
É a a tal história: em decisão, vale tudo. Bola para o mato que o jogo é de campeonato. (JOÃO CARLOS ASSUMPÇÃO – Folha de São Paulo)

Portuguesa perde controle dos nervos e título inédito
Pela primeira vez, desde o início da fase final do Brasileiro, a Portuguesa sentiu ontem, diante do Grêmio, em Porto Alegre, a pressão de estar jogando uma partida decisiva fora de casa.
Isso foi determinante para a derrota do time por 2 a 0 e a perda do inédito título brasileiro, sofrendo o gol fatal a nove minutos do fim.
A equipe paulista entrou em campo apavorada pelos gritos ensurdecedores da torcida gremista e tomou o primeiro gol aos 2min.
Depois de um passe de Zé Alcino, Paulo Nunes bateu forte de pé esquerdo, marcando seu décimo sexto gol no Brasileiro.
Ele terminou a competição como artilheiro do campeonato, ao lado de Renaldo, do Atlético-MG.
Tomar um gol no começo era tudo que o técnico Candinho mais temia. E isso se provou no fim.
Sua estratégia de valorizar a posse de bola e explorar rápidos contra-ataques com Alex Alves e Rodrigo não funcionou.
O Grêmio marcava a saída de bola, enervando os zagueiros César e Emerson, e não deixava o time paulista respirar. O lateral-direito Arce, que atuou sentindo uma contusão, era a principal arma ofensiva da equipe gaúcha.
O primeiro chute a gol da Portuguesa só aconteceu aos 15min, com Rodrigo.
Mas o domínio do Grêmio foi completo. O time cobrou 13 escanteios só no primeiro tempo e exigiu, pelo menos, três grandes defesas de Clêmer.
Aos 46min, César, de cabeça, salvou o que seria o segundo gol.
No segundo tempo, a ansiedade do Grêmio em fazer o gol e a impaciência da torcida tornaram o jogo melhor para a Portuguesa.
O time passou a organizar perigosos contra-ataques, sem oferecer espaços em sua defesa.
Mas, aos 39min, todo o esforço foi por água abaixo. Numa rebatida da defesa, Aílton, que acabara de entrar, acertou um belo chute, garantindo o título para o Sul. (Arnaldo Ribeiro – Folha de São Paulo – 16/12/1996)

Sangue azul – Por JUCA KFOURI
O Olímpico é um oceano azul banhado pela mais bela luz deste país, o sol que se põe na capital gaúcha.
Tudo pronto para fazer a nau lusitana afundar em alto mar.
O primeiro torpedo vem do comandante Paulo Nunes, nem bem a batalha havia começado. O artilheiro não estava mesmo ali por acaso.
A intranquilidade toma conta da tripulação do Canindé, que acusa o golpe e bate cabeça, o que era natural.
O capitão Capitão, mais que uma redundância, um herói, berra com César. Ave, César, que susto!
“Grêmiôôô, Grêmiôôô”, o grito de guerra inunda o palco do combate.
Ave, Caio, quase! Danrlei defende o indefensável.
O menino Rodrigo vira gigante, a Lusa cresce.
Por todos os lados, os gremistas atacam, atacam e atacam.
As escaramuças se sucedem em cada convés, como não convém mas é inevitável.
Clêmer salva a pátria-mãe novamente.
O mais argentino dos times brasileiros, que seria campeão até na Alemanha, tem dois paraguaios para ajudar a evitar que o toque africano rubro-verde faça o vira que vale o troféu.
O mundo da bola gira eletrizante no sul do Brasil.
Navegar é preciso, viver não é preciso. O arqueiro Clêmer sobe. E desce. E sobe.
Caía a noite. Era hora de ajustar as bússolas. Estava tudo justo e nada resolvido. Piscava a segunda estrela mosqueteira. E a primeira portuguesa.
Batalha reiniciada, os piratas aparecem de preto e amarelo. Uma bandeira mal içada impede que a vela lusa infle em direção à meta adversária, na arrancada de Rodrigo.
A luta é por cada palmo de espaço. Emerson pela esquerda, Zé Alcino pela direita, o segundo míssil ronda o casco português.
Rodrigo perde chance, o Grêmio perde o grande Rivarola, o que, para quem já não tinha Adílson, não é pouca coisa.
“Grêmiôôô, Grêmiôôô”, a massa queria jogar.
Os piratas reaparecem, agora contra o Grêmio, que busca força sabe-se lá de onde, tão visível é o desgaste de sua gente.
Aí, Aílton, sangue novo, nobre, fulmina sem piedade e inunda o porto de alegria.
Justa alegria, Grêmio grande campeão.
E porque tudo vale a pena se a alma não é pequena, a Lusa é uma enorme vice-campeã.” (Folha de São Paulo – 16 de dezembro de 1996)


FUNDAMENTOS (Folha de São Paulo)

Grêmio 49 – Bolas perdidas – 47 Portuguesa
Grêmio 41 Faltas cometidas – 33 Portuguesa
Grêmio 22 – Faltas na Defesa – 14 Portuguesa
Grêmio 19 – Faltas no ataque – 19 Portuguesa
Grêmio 7 – Finalizações certas – 1 Portuguesa
Grêmio 8 – Finalizações erradas – 6 Portuguesa
Grêmio 8 – Lançamentos certos – 3 Portuguesa
Grêmio 11 – Lançamentos errados – 1 Portuguesa
Grêmio 15 – Escanteios conquistados – 4 Portuguesa
Grêmio 3 – Impedimentos – 7 Portuguesa
Grêmio 198 Passes certos – 215 Portuguesa
Grêmio 81 – Passes errados – 215 Portuguesa

“GRÊMIO É O CAMPEÃO!
O Grêmio barrou a tentativa de “ascensão” social da Portuguesa para o quadro de grande times do país e conquistou ontem, em Porto Alegre, o título do Campeonato Brasileiro de Futebol.
É o segundo do Grêmio na competição. A equipe, anteriormente, já havia vencido em 1981.
O time, também, se tornou o segundo da história a reverter a vantagem no mata-mata da decisão, após perder o primeiro jogo. Antes, só o Flamengo, em 1980 e 83.
Além do troféu, o time ganhou o direito de disputar a Taça Libertadores da América em 1997, o mais importante torneio interclubes da América do Sul.
A vitória por 2 a 0 consagra o técnico Luiz Felipe, da equipe gaúcha, como um dos profissionais mais vitoriosos do país.
No comando do Grêmio, o técnico já conquistou o Campeonato Gaúcho, a Copa do Brasil e a Libertadores. O Brasileiro era o único título que faltava para Luiz Felipe no cenário nacional.
Agora, o “passe” do treinador passa a ser mais valorizado. Ele tem propostas do Palmeiras e do futebol japonês para 1997.
O grande destaque da campanha do Grêmio é o atacante Paulo Nunes, autor do primeiro gol do jogo. O atacante terminou a competição como artilheiro, ao lado de Renaldo (Atlético-MG), com 16 gols.
“Eu amo vocês. Esse título é para vocês”, disse o jogador, após a partida, quando jogou sua camisa aos torcedores que lotaram o estádio Olímpico.
“É o melhor time do mundo”, disse o meia Aílton, autor do segundo gol gremista.
A equipe gaúcha terminou o Brasileiro com 48 pontos. É o melhor ataque da competição, com 52 gols. Sua defesa tomou 34 gols. (Alexandre Gimenez – Folha de São Paulo 16 de dezembro de 1996)

Vestiário oscila entre tensão e decepção
O clima no vestiário da Portuguesa era semelhante ao de um velório logo após a partida.
Os jogadores, cabisbaixos, mal tinham ânimo para falar.
A decepção contrastava com o a empolgação da equipe antes do jogo. A reportagem da Folha acompanhou, com exclusividade, a Portuguesa nos momentos que antecederam a finalíssima.
“É duro engolir uma derrota quando estávamos a seis minutos do título”, lamentou o goleiro Clêmer. “Foi uma tragédia.”
Os atletas reconheceram que o time entrou tenso em campo.
“Não sei o que foi, talvez os gritos da torcida, a pressão que sofremos desde que chegamos a Porto Alegre… O fato é que entramos meio desligados no jogo”, disse o zagueiro Émerson.
“Somos jovens e, pelo menos uma vez, temos o direito de dizer que sentimos a pressão”, disse o zagueiro César.
“Mas depois melhoramos e poderíamos ter conseguido um resultado melhor.”
O técnico Candinho também achou que os minutos iniciais foram decisivos para a derrota. “Levar um gol no começo dá força para o adversário.”
Candinho diz que faltou o gol. “Futebol é simples. Podem ridicularizar minha frase, mas foi isso. Faltou o gol.”
Para o vice-presidente de futebol Ilídio Lico, o título do Grêmio foi merecido. “Jogavam por dois resultados iguais e conseguiram. Estão de parabéns.”
A preparação
Apesar da derrota, a torcida da Portuguesa aplaudiu a saída do time. “Reconheceram nosso esforço. O vice-campeonato foi um feito inesquecível”, disse o presidente Manuel Pacheco.
A Portuguesa bem que tentou se preparar para o clima de guerra da torcida gaúcha.
A comissão técnica tentou despistar a torcida do Grêmio, chegando a Porto Alegre antes do horário previsto.
Durante a semana, Candinho anunciara que a delegação partiria para o Sul entre 14h e 14h30.
Ele dizia que o almoço seria na concentração, em São Paulo, e que assim que o time chegasse a Porto Alegre iria direto ao estádio.
O trajeto
O time, porém, deixou o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, às 10h, pousando no Salgado Filho, em Porto Alegre, às 12h.
Um ônibus contratado pelo clube e que esperava os jogadores na pista do aeroporto transportou-os para um hotel no centro da cidade.
No trajeto ao hotel e depois ao estádio, vários torcedores com camisas do Grêmio xingavam o time.
Para controlar a tensão, a ansiedade e a expectativa, a tática era falar bastante.
Valia conversar sobre a torcida, as férias que se aproximavam, a família, o tempo, como em qualquer bate-papo normal dentro de um elevador, ou até fazer piadas dos gritos de guerra dos gremistas.
“Alguém tem que avisá-los que eu sou do Maranhão”, brincava o goleiro Clêmer, referindo-se às ameaças contra os paulistas.
Na última hora, já dentro do vestiário do Olímpico, o técnico Candinho, mais do que um estrategista, virou um psicólogo. A análise tática do adversário, as orientações e a estratégia de jogo foram passadas ao elenco em São Paulo e no hotel em Porto Alegre.
No vestiário, a tática era tentar tranquilizar os jogadores, lembrando que eles já tinham ido longe demais na disputa.
O goleiro Clêmer, um dos líderes do grupo, foi, dos jogadores, o que mais palpitou. Além de dar as instruções finais para seus companheiros de defesa, pediu cuidado com a arbitragem.
O preparador físico José Roberto Portella comandou os quase 30 minutos de exercícios dos jogadores dentro do vestiário.
“O ideal seria ter feito o aquecimento dentro do campo, porque o vestiário era acanhado”, comentou depois do jogo.
Como o estádio Olímpico era palco de um jogo preliminar, a Portuguesa não conseguiu sair do vestiário.
O Grêmio aqueceu-se no campo de treinamento ao lado do estádio.
A diretoria da Portuguesa levou uma imagem de Nossa Senhora de Fátima ao vestiário para dar sorte.
O grupo de apoio da equipe, formado por roupeiro, massagista, treinador de goleiros e seguranças, acendia velas no vestiário.
No final, além da melancolia, sobraram restos de velas e rosas vermelhas.
“Não deu. Fica para outra. O problema é que eu não sei quando”, afirmou Gallo, sintetizando a tristeza lusitana. (Folha de São Paulo – JOÃO CARLOS ASSUMPÇÃO – 16/12/1996)


“O técnico Luiz Fellipe atendeu ao pedido do volante Dinho, que pediu para sair, justamente para que Aílton entrasse na equipe. Mesmo correndo o risco de abrir o setor do meio-de-campo, o treinador fez a mudança. “A equipe precisava ser mais ofensiva”, justificou o volante

O meia explicou que teve dificuldade para se movimentar em campo, porque nesse momento a Portuguesa estava recuada, tentando garantir a derrota por 1 a 0, que daria o título ao clube paulista. “O técnico pediu que desse o máximo nos 10 minutos que faltavam para terminar a artida”, explicou. “Tinha de ajudar no ataque e voltar rápido.”

Mas, aos 39 minutos do segundo tempo, Aílton, livre de marcação na área, pegou um rebote sem tempo para dominar a bola, acertou um chute potente de pé esquerdo, no canto esquerdo do quase instransponível goleiro Clemar, num belíssimo sem-pulo. “Decidi arriscar o chute e tive muita sorte”, declarou Aílton.” (Correio do Povo – 16 de dezembro de 1996)



“Com os olhos cheios de lágrimas, o técnico Candinho, que deve deixar o time no final do ano, disse que o Grêmio mereceu o título. “A torcida, o Luiz Felipe e os jogadores está de parabéns”, felicitou o treinador derrotado. Depois do final da aprtida, Candinho demonstrou elegância e cumprimentou o juiz Márcio Rezende de Freitas. “Apitaste muito bem, obrigado”, agradeceu o técnico ao árbitro. Para Candinho, o gol sofrido no começo do jogo foi o fator decisivo para a perda do título. “Se tivéssemos segurado o Grêmio no início, tenho certeza que o resultado seria outro.
” (Zero Hora – 16 de dezembro de 1996)


No festivo vestiário do Grêmio, o meia Aílton, autor do gol que deu o título brasileiro ao time, disse que entrou em campo no segundo tempo com “fé”.
Jogador mais contestado pela torcida do Grêmio, foi mantido pelo técnico Luiz Felipe, admirador do futebol do atleta, que joga tanto na meia como na lateral, contra a vontade dos próprios torcedores.
No final do jogo, quando todos os jogadores se reuniram em comemoração no meio do campo, Aílton correu sozinho em direção às arquibancadas, gritando palavrões.
*
Folha – Você se acha o herói do jogo? O que sentiu quando fez o gol do título?
Aílton – Entrei em campo com fé e confiante na vitória, ou com um gol meu ou de outro, feio ou bonito, pouco importava.
Folha – Mas foi você o autor do gol…
Aílton – Sou pé-quente, vencedor por onde passo. Felizmente, mais uma vez a sorte esteve ao meu lado.
Folha – Houve algum momento em que você achou que não daria para o Grêmio fazer o segundo gol e ganhar o título?
Aílton – Não. Acreditei sempre, nunca perdi a confiança em Deus. Apertamos o adversário durante toda a partida e, como prêmio, conseguimos o placar que necessitávamos.
Folha – O Grêmio mereceu o título?
Aílton – Mereceu pelo futebol que vem jogando faz tempo, pela luta e pela união de jogadores e dirigentes. Estou muito feliz com o gol, com o título, com tudo de bom que aconteceu comigo hoje “ (Folha de São Paulo – 16/12/1996)


O JOGO: O Grêmio precisava vencer por dois gols de diferença e, empurrado por sua torcida entusiasmada, conseguiu. No primeiro tempo, foi totalmente superior à Portuguesa. No segundo, a Lusa cresceu de produção, mas não foi suficiente para deter as investidas gaúchas. Foi um gol no início e outro no final, com os pés esquerdos de dois destros.

GRÊMIO: Danrlei; Arce, Rivarola (Luciano 15 do 2º), Mauro Galvão e Roger; Dinho (Aílton 30 do 2º), Goiano, Émerson (Zé Afonso 15 do 2º) e Carlos Miguel; Paulo Nunes e Zé Alcino
Técnico: Luis Felipe Scolari

PORTUGUESA: Clemer; Valmir, Émerson, César e Carlos Roberto (Flávio 40 do 2º); Capitão, Gallo, Caio e Zé Roberto; Alex Alves e Rodrigo Fabri (Tico 40 do 2º).
Técnico: Candinho

Campeonato Brasileiro 1996 – Final – Jogo de volta
Data: 15 de dezembro de 1996, 19h00min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 54.112(42.587 pagantes)
Renda: R$ 502.151,00
Juiz: Márcio Rezende de Freitas (MG)
Auxiliares: Klever Gonçalves e Marco Antônio Martins – MG
Cartão Amarelo: Gallo, Flávio, Goiano e Dinho
Gols: Paulo Nunes aos 3 do 1ºtempo e Aílton aos 39 do 2º.


One Response to “Brasileirão 1996 – Grêmio 2 x 0 Portuguesa”

  1. Diogo Says:

    Aquele gol no começo fez pensar que seria goleada. Que nada. Jogo pra infartar.

    Lembro do Rivelino dizendo que a Portuguesa estava mais perto do empate do que o Grêmio de fazer o segundo. Meio segundo depois: gol do Aílton!

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