Taça da Legalidade 1962 – Grêmio 1 x 1 Inter


Há 50 anos, Grêmio e Inter se enfrentavam pela 5ª rodada da Taça da Legalidade. A competição, também chamada de “torneio sul-brasileiro“, reunia os campeões e vice dos estaduais do sul do país em 1961.

Em 13 de fevereiro de 1962, o Grenal disputado no olímpico terminou em 1×1. O jogo marcou a estréia de Gainete com a camisa 1 do Inter, que deixou o campo lesionado nos minutos finais, tendo sido considerado um dos destaques da partida.

A renda foi considerada vultuosa, com a arrecadação passando os 3 milhões de cruzeiros. O ingresso mais caro custava 350 cruzeiros, o mais barato saía por 50. Lembrando que no câmbio do dia, 1 dólar correspondia a 310 cruzeiros.

Os debates posteriores ao jogo se voltaram a justiça do placar e a violência que se viu em campo.

O centroavante Juarez, disse que aquele tinha sido o Grenal “mais desleal” que havia disputado.

O presidente do Grêmio, Pedro Pereira, gostou do resultado, afirmando que o 1×1 “nos satisfez, pois continuamos líderes do Torneio Sul-Brasileiro e ainda invictos.”.

Carlos Stechman, diretor de futebol colorado, deu a seguinte declaração “Jogo muito corrido e disputado. Acho que o resultado, pelas circunstâncias do jogo, teve um escore justo“.

Seu treinador, Carlos Froner, pensava de forma diferente: “Injusto o resultado pelo que produziu o Internacional. Era pra ter ganho facilmente

Ênio Rodrigues, técnico tricolor, se queixou de forma lacônica: “Só lamento que o Internacional não tenha vindo a campo para jogar. Honesta e sinceramente, é só que posso dizer“.

As imagens são da Revista do Grêmio e dos jornais “Folha Esportiva” e “Correio do Povo”

Num Gre-Nal que não chegou a ser um espetáculo sob o aspecto técnico, aconteceu um empate em um ponto. Os colorados, numa prova de melhor acerto inicial, saltaram na frente. Os gremistas, melhores no tempo conclusivo, conseguiram igualar.

O clássico – um dos mais violentos dos últimos tempos – teve seu brilho empanado por uma série de jogadas agressivas e ditadas pela má intenção de alguns jogadores. Isto de ambos os lados. Entretando neste particular, cabe uma contundente acusação aos homens de defesa do Internacional, mormente Zangão, Cláudio e Sergio Lopes. que foram os que usaram do expediente de jogar pesado como a intenção visível de atingir os rivais. Por parte do Grêmio, igualmente aconteceram lances plenos de violência. Destacaram-se neste particular Ortunho, Sérgio (que no final se corrigiu) e Mourão.

Por paradoxal que isto pareça, ou seja o excesso de “botinadas”, a atuação do árbitro paulista foi – em linhas gerais – de aceitável para boa. Mesmo em jogadas onde a má fé imperava, com tato e habilidade procurou resolver as dificuldades sem perder a personalidade.

[…]

0 1×1, pelo que o Internacional rendeu nos primeiros 45 minutos e pela produção do Grêmio no período derradeiro, deu-nos a impressão de ter sido justo. Se aconteceram alguns momentos de bom Football, a verdade manda que se diga que na maioria das vezes o embate esteve excessivamente truncado pela deslealdade de muitos jogadores. Uma pena que isto tenha acontecido. Se de outra forma tivesse agido os elementos que mais se destacaram no jogo do “mais homem”, certeza temos que o Gre-Nal 158 seria tecnicamente um bom espetáculo e acompanharia de perto a fabulosa importância arrecadada. (ANTONIO CARLOS PORTO – Folha Esportiva – 14 de fevereiro de 1962)

O Gre-nal de ontem, no Olímpico, terminou empatado em um goal. Resultado, até certo ponto, justo.

A equipe colorada foi quem trabalhou melhor em muitas partes de encontro. Pelo menos seu ataque teve agressividade. Procurou mais o gola, deixando de lago o jogo “tico-tico”. Com uma formação de emergência, que Froner colocou em campo, o Internacional fez mais do que se esperava.

Os rubros, no primeiro tempo, trabalharam mais à vontade, procurando o tento de qualquer maneira. Mas, com um sentido prático de jogo. O ataque era bem lançado. Já para a segunda fase, vendo que o quadro não aguentaria o train de jogo, Froner colocou Vevé. Isto para fortalecer o jogo de armação. Foi, então, que caiu de produção o Internacional. Inclusive, o próprio Sapiranga jogou atrasado! Mas, mesmo assim, os escarlates em algumas oportunidades acertaram o goal de Irno. A defesa é que jogou pesada demais. Zangão, Ari, Cláudio e Sérgio Lopes (em algumas oportunidades) distribuiram “ripa” a valer. (Correio do Povo, 14 de fevereiro de 1962)


MARCHA DA CONTAGEM

SÉRGIO LOPES, 11´- Gilberto Ganhou um lance rápido na extrema, servindo Flávio que, incontinente, cedeu a Alfeu. Disparou e defesa na perna de Airton. No rebote, em estilo sensacional, Sério Lopes, num “sem pulo” atirou mortalmente. Grande goal.

ELTON, 69´- Aconteceu uma falta de Ari em Juarez. Elton, que instantes antes já fizera Gainete brilhar em lance idêntico, foi encarregado da cobrança,próximo à área. Atirando rasteiro, forte e com a colaboração de uma “raspada” na perna de Vevé, bateu Gainete, estabelecendo a contagem final: 1×1. (Folha Esportiva – 14 de fevereiro de 1962)


OS GOALS –

No primeiro tempo, vencia o Internacional por 1×0. Gilberto criou confusão na área. Airton quis tirar bonitinho. Flávio chutou e a pelota bateu no zagueiro. Sérgio Lopes, numa meia-virada sensacional, de pé esquerdo, atingiu o canto esquerdo do arco de Irno, sem defesa. Um golaço, que valeu o ingresso! Isto aconteceu aos 11 minutos.

Na fase final, aos 28 minutos, Ari cometeu falta em Juarez. O juiz marcou bem. Elton bateu forte no canto direito, sem defesa para Gainete, que gritava que queria mais atleta na barreira. Mas não foi atendido. (Correio do Povo, 14 de fevereiro de 1962)


O JUIZ – Anacleto Pietrobom andou bem na arbitragem, no aspecto técnico. No aspecto disciplinar deixou muito a desejar. Não exagerando, nada menos do que 5 atletas mereciam expulsão: Ortunho, Sérgio, Zangão, Cláudio e Ari! (Correio do Povo, 14 de fevereiro de 1962)


“PÚBLICO ENORME VIU UM GRENAL SEM VENCEDOR – Lotado o Olímpico, com renda beirando os 3 milhões, uma assistência enorme viu Grêmio e Internacional empatar em 1 ponto. O resultado do clássico foi justo. Os gremistas cederam terreno e deram ocasião dos colorados atuarem muito melhor no 1º tempo. Para o período final aconteceu inversão: o Grêmio atacando e Internacional na defensiv. Na incidência acima Gainete (notável estréia) salta e cata o balão, protegido por Nilo (outra boa estréia), enquanto Marino e Juarez vêm com o propósito de hostilizar” (Folha Esportiva – 14 de fevereiro de 1962)


Grêmio 1 x 1 Inter

GRÊMIO: Irno; Sérgio, Aírton, Ortunho e Mourão; Elton e Milton; Marino, João Severiano, Juarez e Vieira.
Técnico: Ênio Rodrigues

INTER: Gainete (Beno); Zangão, Ari, Cláudio e Nilo; Sérgio Lopes e Osvaldinho; Sapiranga, Alfeu, Flávio (Vevé) e Gilberto.

Técnico: Carlos Froner

5ª Rodada – Taça da Legalidade 1962
Data: 13 de Fevereiro de 1962, terça-feira, 21h15min
Público: 35 mil
Renda: Cr$ 3.023.120,00
Juiz: Anacleto Pietrobom – SP
Auxiliares: Hélio Mesquita e Guilherme Sroka
Gols: Sérgio Lopes (Inter) aos 11 minutos do primeiro tempo; Elton (Grêmio) aos 28 do segundo tempo.

2 Responses to “Taça da Legalidade 1962 – Grêmio 1 x 1 Inter”

  1. Chico Luz Says:

    mas que coisa sensacional essa ilustração dos gols.

  2. Diogo Says:

    Totalmente excelentes as fotos, o desenho, os textos e os nomes de alguns atletas: Mourão, Zangão, João Severiano, Sapiranga…

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