Modelo? Continuidade?

Nos últimos dias eu abordei alguns temas no twitter que considero que poderiam ser abordados também aqui no blog.

Pelo que se observa nas discussões feitas parece que desde a quarta passada o Corinthians virou, para muitos, modelo de gestão e administração. Até um mês atrás esse modelo era o Santos. Não que seja errado, mas me parece que a definição de tais paradigmas é feita de um modo um tanto raso, baseando-se tão somente no imediatismo, no resultado de campo, na crença maniqueísta de “quem ganha faz tudo certo e quem perde faz tudo errado”.

Ainda assim, é claro que um time não conquista um torneio como a Libertadores por puro acaso. Os campeões tem seus méritos. E mesmo que não seja um modelo passível de cópia, podemos tirar algumas lições da conquista do time do Parque São Jorge.

O aspecto que mais salta aos olhos é a manutenção do técnico Tite desde 2010. E julgo ainda mais importante, a manutenção de uma base de equipe desde o início de 2011, mesmo após a eliminação na Pré-Libertadores. É interessante comparar a equipe que perdeu para o Tolima no ano passado com a equipe que superou o Boca Juniors:

FEV/2011: Julio Cesar; Alessandro, Chicão, Leandro Castán e Fábio Santos (Edno); Ralf, Jucilei, Paulinho (Cachito) e Jorge Henrique; Dentinho (Danilo) e Ronaldo
Técnico: Tite

JUL/2012: Cássio; Alessandro, Chicão, Leandro Castán e Fábio Santos; Paulinho, Ralf e Alex (Douglas); Jorge Henrique (Wallace), Emerson (Liedson) e Danilo
Técnico: Tite

Comparando e trazendo para nossa realidade, quem o Grêmio mantém na sua equipe titular desde a pré-libertadores de 2011?

Victor era o único que ainda se mantinha titular desde então, Gabriel e André Lima saem e voltam para o banco, de modo que é possível afirmar que o Grêmio formou um time “novo” nesse interim. Será que isso não ajuda a explicar as dificuldades vividas pelo tricolor?

Não que a continuidade seja tudo no futebol, mas certamente é importante. Não sou dos que pensam que a diretoria do Grêmio faz tudo errado, contudo creio que anda faltando um pouco de planejamento, de convicção, de estabilidade no comando do futebol do clube. Os ciclos estão cada vez mais curtos e com isso a construção de uma ideia de time fica prejudicada.

Demissões e contratações agitam o ambiente, geram fato novo, mas não podem ser a única solução para o problema.

E será que a torcida não contribui para isso? Essa ciclotimia, no qual em um semana um jogador passa de craque para perna de pau, a pressão por resultados “para ontem”, a ânsia por contratações mágicas, não tornam o ambiente ainda mais instável?

Penso que ver times com base/continuidade tendo resultados e observar que atletas que aqui foram escorraçados dando conta do recado em outros lugares deveria provocar alguma reflexão.

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One Response to “Modelo? Continuidade?”

  1. Guilherme Schmidt Says:

    Bom comentário, razoável, ponderado. Coisa que é difícil de ver em blogs sobre o Grêmio…
    Também acho que a continuidade é o maior problema do nosso time. Tenho certeza que se mantermos o plantel deste ano (só um exemplo), o desempenho deles seria muito melhor. Duas ou três contratações a mais,passamos a ter um grupo forte. Mantendo o técnico, melhor ainda.

    É fácil dizer que o Luxemburgo errou na escalação contra o Santos depois do jogo (mesmo para muitos que concordaram que aquela era a melhor escalação antes de começar…)

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