1977 – Gauchão – Grêmio 10 x 0 Pelotas


Em 31 de julho de 1977 o Grêmio enfrentou o Pelotas pela 9ª rodada do 2º turno do Gauchão daquele ano. O jogo entrou para história devido aos 10 x 0 aplicados pelo tricolor, a maior goleada da história do confronto entre os dois clubes.

Uma curiosidade é que o centroavante André Catimba, titular da equipe, vivia um período de poucos gols (apenas um naquele campeonato até aquela data) e não anotou nenhum tento na goleada. Seu reserva, o já veterano Alcindo, entrou na metade do segundo tempo e marcou dois.

Mas o jogo foi também o estopim de uma briga do Grêmio com a federação gaúcha. O clima era tenso. Em julho o Presidente Hélio Dourado pedia imparcialidade na FGF. O pedido pareceu ter sido em vão. O inverno de 1977 foi bastante chuvoso no Rio Grande do Sul. A goleada do Grêmio se deu num olimpico completamente encharcado, enquanto o Inter teve o seu jogo contra o Caxias adiado.

A medida por si só causou revolta, mas foi a montagem da tabela dos jogos adiados pela chuva que causou um impasse entre a dupla, e o Grêmio, ao entender que a federação favoreceu o Internacional, decidiu romper com a entidade e pedir seu afastamento do campeonato.


“NINGUÉM PODE RECLAMAR MAIS QUE O TIME DE TELÊ NÃO FAZ GOLS
Pobre Pelotas. Tomou um gol no início do jogo e acabou levando dez. O azar do time de Getúlio Saldanha foi pegar o Grêmio uma semana depois de um empate contra o Juventude. E a disposição da equipe da capital foi intensa, apesar do gramado encharcado facilitar a nivelação técnica dos dois times. O Grêmio marcou logo aos 3 min e continuo exercendo forte pressão na área do Pelotas que não teve condições de sair da defesa equilibrando as ações. No final do primeiro tempo, o ritmo de Telê não tinha diminuído e as pessoas que estavam no Olímpico admitiam que o Pelotas seria goleado implacavelmente, porque a vitória do Grêmio estava garantida por 3 a 0.
Durante a semana Telê fez correções no ataque. A falta de gol no jogo contra o Juventude preocupou treinado que passou a exigir uma melhor aplicação do ataque do Grêmio, principalmente com relação ao posicionamento dos ponteiros Tarciso e Éder. Na segunda fase, isso foi confirmado somente o Grêmio tinha as iniciativas de atacar. O Pelotas jogava muito mal na defesa, como fizera no primeiro tempo, e no ataque Saldanha explorava apenas a experiência do centroavante Tião Abatiá, isolado entre os zagueiros Ancheta e Oberdan.
Se o ataque do Grêmio jogava sem marcação, a meia-cancha com Iúra, em tarde inspirada, dominava o setor, participando junto com Vitor Hugo e Tadeu Ricci em todas jogadas de frente. Os gols no segundo tempo continuavam , para alegria dos torcedores que estavam no frio molhados pela chuva fina que caiu toda a tarde. Getulio Saldanha ainda modificou a equipe colocando Paulo Vieira no lugar de Cito na defesa e Mortosa no lugar de Edson, mas as providências não ajudaram. Pelo lado do Grêmio, Telê foi obrigado a modificar o time por problema de lesão. Entrou Alcindo no lugar de André, machucado na mão direita e Vilson substituindo Oberdan que sentiu a perna direita.
No final os jogadores do Pelotas estavam desolados. O goleio Leomar, todo embarrado, depois de tomar dez gols, foi cumprimentado por Corbo, com a camiseta impecavelmente limpa. Até o trio de arbitragem foi abraçar o goleiro do Pelotas, que como os demais jogadores, foram goleados humilhantemente no Olímpico e em nenhum momento do jogo apelar para a violência (Evaldo Gonçalves – Zero Hora – 1º de agosto de 1977)

CHUVA E BARRO Em poucos minutos de jogo os jogadores estavam cobertos de barro. O gramado do estádio Olímpico não oferecia nenhuma condição de jogo. E os dirigentes gremistas só queriam saber o que vai acontecer com a partida do Internacional e Caxais, transferida para hoje. Tudo indicava que o valia para alguns times, não valia para outros – no caso, o campo embarrado, a chuva constante e o frio intenso. Jogadores do Grêmio e Pelotas jogaram em péssimas condições e o gramado vai ter de ser restaurado para o próximo domingo. Isso significa que os coletivos terão de ser disputados em outro local – e onde achar um gramado em condições em Porto Alegre? Se em Caxias não houve futebol – nem gols, a coisa mais importante de uma partida – em Porto Alegre sobrou. Contra o Juventude, o Grêmio fez uma boa partida, mas faltou o gol.
Ontem, como todo o tempo ruim houve goleada , a torcida saiu vingada daquele resultado contra o Juventude (e a mesma torcida deve ter se perguntado como é que o Cruzeiro de Porto Alegre venceu esse mesmo Juventude por 2 a 1 no sábado a noite)
Quando os jogadores voltavam para o segundo tempo, Telê chegou para André e disse: – Olha se houver mais um gol nesse segundo tempo, eu tiro você e coloco Alcindo.

A SORTE DE ALCINDO A princípio a medida era para poupar um jogador, e movimentar o outro. Mas Alcindo entrou e fez gols – coisa que o outro centroavante – titular, não tinha conseguido fazer. André se movimentou bastante abriu espaços para seus companheiros entrarem na área, mas não fez seu. No momento que soube da possível alteração pediu tempo para tentar seu gol, mas ele saiu machucado antes disso. Alcindo diria mais tarde:
– Dessa vez deu sorte, a gente chutava e a bola entrava. Teve partidas em que se fazia força e a bola não ia para dentro. Agora foi bem diferente. (Zero Hora – 1º de agosto de 1977)

“Enquanto os jogadores tomavam banho no reduzido vestiário das equipes visitantes, Getulio Saldanha, 46 anos, treinador do Pelotas, parecia bastante irritado com todos eles. Há mais de 25 anos no clube , ele nunca havia passado por uma situação igual a de ontem. “É vergonhoso”, sentenciava, “simplesmente inadmissível dos nossos jogadores. Eles são os culpados por toda esta vergonha que nós passamos aqui dentro do Olímpico. Nem saberei o que dizer quando voltar a Pelotas. Foi muito horrível, horrível…”

Depois do resultado de ontem, a situação de Saldanha está bastante insegura. Existem muitos comentários que garantem que o clube está interessado em Marco Eugênio, recentemente afastado do Caxias. Ele garante não saber nada à respeito: “Não sei o que pode acontecer depois de um resultado destes. Isto, os homens decidirão. O que eu posso dizer é nossos jogadores foram muito irresponsáveis. Avisei para eles não poderiam jogar daquela maneira. Eles voltaram para o segundo tempo insistindo neste mesmo erro. Mereceram perder, mesmo”.

Aproveitou para fazer elogios ao Grêmio e compará-lo ao Inter, que enfrentou há 45 dias atrás: “O Grêmio foi quase perfeito hoje à tarde. O time está certo, bem montado e com muitas chances de ganhar o campeonato. Os jogadores mostram mais vontade e mais preparo físico que os do Inter. O Grêmio luta mais e praticamente não dá espaço para o adversário. No entanto, isto não justifica uma goleada como esta. Eu só posso dizer que estou envergonhado por toda esta imensa negatividade que o Pelotas mostrou”. (Zero Hora – 1º de agosto de 1977)

GRÊMIO: Corbo; Eurico, Ancheta, Oberdã (Vilson) e Ladinho; Vítor Hugo, Tadeu Ricci e Iúra; Tarciso, André Catimba (Alcindo) e Éder Aleixo:
Técnico: Telê Santana

PELOTAS: Leomar; Vinhas, Darci Munique, Fernando (Paulo Vieira) e Cito; Sílvio Vieira, Édson (Mortosa) e Flavio Correia; Francisco, Tião Abatiá e Jorge Luís
Técnico: Getulio Saldanha

Campeonato Gaúcho 1977 – 2º Turno – 9ª Rodada
Data: 31 de julho de 1977
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 8.586 pagantes.
Renda: Cr$ 142.619,00
Árbitro: Luís Torres
Auxiliares: Sílvio Rodrigues e Estemir Silva
Cartões Amarelos: Eurico, Édson e Jorge Luís
Gols: Eurico 3, Éder 35 e Anchta 43 do 1º tempo; Iúra 4, Tarciso 12, Alcindo 25, Éder 29, Iúra 38, Éder 42 e Alcindo 44 do 2º tempo

PLACAR
(1 a 0) – 3 min. EURICO jogada de Tadeu Ricci que entro pela direita entre Fernando Xavier e Cito cruzando para trás. Eurico ajeitou para o pé esquerdo e acertou o ângulo direito de Leomar.
(2 a 0) – 35 min. ÉDER – Iúra investiu pela meia-esquerda e lançou um passe na medida para Éder que vinha na corrida. O ponteiro chutou forte por cima. Leomar tocou na bola.
(3 a 0) – 43 min. ANCHETA – Na cobrança de uma falta de Jorge em Tarciso, o meia Tadeu Ricci cobrou rasteiro para área. Oberdan e Eurico falharam, Ancheta tocou de leve, para o gol.

II TEMPO
(4 a 0) – 4 min. IÚRA – Depois de uma jogada combinada com Tadeu Ricci, Iúra ganhou o rebote com o lateral Vinhas e Rapidamente chutou para o gol. O Pelotas reclamou de toque de Iúra.
(5 a 0) – 10 min. TARCISO – O centroavante André penetrou pelo meio e quando ia marcar sofreu um calço do lateral esquerdo Cito. Tarciso cobrou a penalidade com perfeição, enganando Leomar.
(6 a 0) – 25 min. ALCINDO – Logo após entrar no lugar de André, Alcindo aproveitou o rebote de um chute forte de Éder da esquerda e, com calma, tocou para dentro do gol do Pelotas.
(7 a 0) – 29 min. ÉDER – Mais uma participação de Alcindo na área do Pelotas. De costas para o gol, o centroavante serviu a Éder que vinha na corrida. O ponteiro chutou de primeira sem chances de defesa.
(8 a 0) – 38 min. IÚRA – Um dos mais bonitos gol do jogo. Iúra em jogada individual pela esquerda venceu o lateral Vinhas e chutou encobrindo o goleiro Leomar, que chegou a colocar a mão na bola.
(9 a 0) – 42 min. ÉDER – O ponteiro envolveu o seu marcador, na corrida invadiu a área e na saída do goleiro tocou no canto com a bola rente ao poste esquerdo.
(10 a 0) – 44 min. ALCINDO – Mesmo de costas para o gol na entrada da área, Alcindo deu uma meia virada e encobriu Leomar que estava adiantado no gol. (Zero Hora – 1º de agosto de 1977)


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