Gre-Nal em um estádio em obras


E o GreNal do dia 26 de agosto já virou assunto em Porto Alegre. Não só pela tendência natural de se querer antecipar o clima do clássico, mas principalmente pela sugestão feita pela Brigada Militar de que o jogo da 19ª rodada seja disputado com torcida única.
Tal sugestão provocou um forte debate, trazendo a tona a questão da disputa da Copa das Confederações e Copa de 2014 e da recente liberação do Beira-Rio. Eu pergunto: O estádio tem ou não condições de jogo? A torcida visitante pode ou não comparecer? Um GreNal é tão diferente dos demais jogos?

Até é possível entender ou minimizar a situação em virtude das circunstâncias, mas possibilidade de se realizar o jogo com uma torcida única é muito triste. Nisso o tão criticado presidente Paulo Odone foi muito correto na sua manifestação contra tal cenário. Mas a situação poderia não só ser triste, como também se tornar injusta caso a torcida gremista seja a única privada assistir o jogo no estádio do rival. Menos mal que parece que a direção colorada aceita que o tratamento seja o mesmo na última rodada do Brasileirão.

Romantismo e ingenuidade a parte, é muito decepcionante perceber que os direitos e as possibilidades de quem gosta de frequentar os estádios de futebol são cada vez menores. São pequenas concessões feitas ao longo do tempo que mudam a experiência de se “ir a campo”.

Curiosamente, há 35 anos o debate era outro. O Gauchão de 1977 era disputado a todo vapor. O clima era tenso. O Grêmio tinha rompido relações com a FGF e um Gre-Nal a ser disputado no Olímpico se avizinhava. O Estádio do tricolor recebia obras visando o fechamento do anel superior. Isso motivou uma vistoria da Brigada Militar e uma discussão sobre onde seria colocada a torcida do Inter e como se daria a divisão das torcidas.

O presidente Hélio Dourado queria alterar o posicionamento da torcida visitante, afastando-a das obras. A Brigada Militar vetou. Por sua vez a Brigada queria a colocação de uma cerca entre as torcidas. O Grêmio não concordou. A Brigada cedeu e Inter anuiu.

É interessante notar que, em plena ditadura militar, a Brigada Militar parecia ser mais flexível e aberta ao diálogo no que se refere ao futebol. Abaixo algumas matérias da Folha da Tarde e da Zero Hora sobre a questão.



“Os torcedores da dupla Grenal vão ficar lado à lado no Grenal. O presidente Hélio Dourado não concordou com a colocação de uma cerca divisória nas gerais do Olímpico e o tenente-coronel Valdir Pontes anunciou que não colocará mais policiais entre os torcedores no domingo.

A divisão das duas torcidas foi o assunto mais discutido ontem à tarde, quando a Comissão de Vistoria da Segurança Pública esteve no Olímpico observando as condições de segurança do estádio, principalmente na parte onde estão sendo levantados os módulos das arquibancadas, atrás da goleira que fica para a rua Eurico Lara.

[…]

Os representantes do Grêmio, durante a vistoria, Mario Leitão e Túlio Macedo, chegaram a concordar em repor à tempo uma cerca para dividir as torcidas no jogo de domingo. Mas Nelson Olmedo se manifestou contrário a providência. E mais tarde, oficialmente, o presidente Hélio Dourado afirmava: “É inviável a colocação de uma divisão no estádio”.

Diante da posição assumida pelos dirigentes do Grêmio em não faze alterações no estádio, Valdir Pontes argumentou:

– A casa é do Grêmio e seus dirigentes é quem assumem a responsabilidade. Vamos juntar as duas torcidas. Mas isto não é a primeira vez que acontece. Outras vezes unimos torcedores e os resultados foram excepcionais.” (Zero Hora, 11 de agosto de 1977)

Ballvé lembra que o cordão de isolamento é coisa recente, antes não era usado: “Não sei, num jogo como esse pode se esperar tudo. Mas me lembro que até pouco tempo atrás não se usava isolamento entre as duas torcidas. No Maracanã, Mineirão e outros grandes estádio, também não se usa. De qualquer forma, acho que a Brigada deve saber o que está fazendo.” (Zero Hora, 11 de agosto de 1977)



2 Responses to “Gre-Nal em um estádio em obras”

  1. Anonymous Says:

    O Grêmio venceu nos 3 grandes Centros do futebol Brasileiro em 2012: 3×1 Cruzeiro MG – 1×0 Botafogo RJ – 2X1 São Paulo – SP.// A últimaS vezeS que isso ocorreu:

    2010:
    *3×2 Fluminense – Maracanã – Copa do Brasil
    *1×0 Corinthians – Pacaembu – Campeonato Brasileiro
    *2×1 Atlético/MG – Arena do Jacaré – Campeonato Brasileiro

    1997 –
    *2X1 Cruzeiro – Mineirão – MG – Libertadores
    *2×1 Corinthians – Morumbi – SP – Copa do Brasil
    * 2×0 Fluminense – Rua Bariri – RJ – Campeonato Brasileiro

    A outra vez foi em 1982:
    *2 x 1 Fluminense – Maracanã – Campeonato Brasileiro
    *2 x 1 Corinthians – Morumbi – Campeonato Brasileiro
    *2 x 1 Cruzeiro – Mineirão – Torneio dos Campeões

    – PORTANTO FOI A 1ª VEZ QUE O GRÊMIO VENCEU NOS 3 GRANDES CENTROS NA HISTÓRIA DO CAMPEONATO BRASILEIRO EM UMA MESMA EDIÇÃO.

  2. Anonymous Says:

    13 de agosto 1944 – Grenal da virada 4×3; 13 de agosto de 1995 – banguzinho 2×1 inter

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