Archive for December, 2012

Médias de Público no Olímpico em 2012

December 31, 2012

Em 2012 foram disputados 36 jogos no estádio Olímpico. A média de público pagante foi de 19.532, enquanto a média de público total foi de 24.655.
Foram 9 jogos no Gauchão, 5 na Copa do Brasil, 19 no Brasileirão e 3 na Sulamericana. Abaixo estão as tabelas com as médias de público por campeonato. Acho curioso que o campeonato gaúcho tenha uma média de público total parecida com a da Sulamericana. Já o fato da Copa do Brasil ter uma média de público pagante superior ao Campeonato Brasileiro não me surpreende tanto assim.

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Pré-Libertadores? Primeira fase? Imparcialidade?

December 26, 2012

Primeira fase?
Para um jornal de Porto Alegre, quando o Inter jogou, era pré-Libertadores. Agora, é primeira fase. Que imparcialidade! (Luiz Carlos Reche – Correio do Povo – 23 de dezembro de 2012)

Na sua coluna do último domingo Luiz Carlos Reche levantou um tema interessante. Não, não se trata da nomenclatura da fase inicial da Libertadores, pois esta polêmica não se sustenta por mais de 30 segundos nem em uma mesa de bar. A Conmebol chama de primeira fase (a inscrição é a mesma, os gols feitos ali valem para contagem da artilharia, etc…), de modo que não há porque prosseguir num debate que se reduz a uma sêmantica recalcada.
O assunto que me parece que pode merecer maior atenção é justamente é tal de imparcialidade, com todas as questões daí decorrentes: Existe imparcialidade na imprensa gaúcha? É necessário que exista? Os jornalistas que exigem imparcialidade dos veículos rivais, exigem também dos seus jornais, rádios e etc?
Reche reclamou de “um jornal de Porto Alegre” que muda o nome da fase da competição conforme o time que a está disputando. Mas será que o Correio do Povo também não faz o mesmo? Peguei alguns exemplos de como o jornal em questão se referia a esses primeiros jogos da Libertadores em 2011 (Quando o Grêmio disputou) e em 2012 (Quando o Internacional disputou). Como é possível ver abaixo, não houve um critério uniforme:
 2011

 2011
Correio do Povo – 14/01/2011: “O Liverpool, adversário do Grêmio pela pré-Libertadores, realizou na quarta-feira um jogo treino, o primeiro na temporada 2011″ 
Correio do Povo – 27/01/2011: “Grêmio cede empate ao Liverpool em Montevidéu na estreia da pré-Libertadores” 
Correio do Povo – 02/02/2011: “Grêmio vira sobre o Liverpool e se classifica à Libertadores
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  2012
  2012
Correio do Povo – 06/01/2012: “O Inter começa a sua pré-temporada em Gramado hoje. Bem longe de lá, na Colômbia, o Once Caldas, adversário dos colorados na primeira fase da Libertadores, também deu a partida nos trabalhos”
  
Correio do Povo – 24/01/2012: “O Once Caldas, adversário do Inter na primeira fase da Libertadores, desembarcou ontem à tarde na Capital”
Correio do Povo – 25/01/2012: “A direção do Inter tem consciência de que os dois jogos pela primeira fase da Libertadores são fundamentais para a temporada. Até o aumento, ou diminuição, do quadro social ficam da dependência do resultado contra o Once Caldas. Confronto decisivo, portanto”
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Curiosamente, no final de 2012, o Correio do Povo voltou a falar em Pré-Libertadores. Chega até a ser engraçado. Mas será que essa diferenciação se explica por clubismo, por parcialidade ou é mesmo resultado da falta de uma linha editorial clara? E será que essa falta de linha editorial não pode se tornar um prato cheio para a passionalidade do repórter, para casuísmos, para tratamento diferenciado e outros tantos males que vemos no jornalismo esportivo hoje em dia?

Público X Ocorrências no JECRIM em 2012

December 18, 2012

No sábado, o Túlio Milman publicou numeros sobre as ocorrências dos Juízados Especiais Criminais instalados no Olímpico e no Beira-Rio. Os dados, em si, dizem pouco. Mas eu me senti particularmente incomodado pela interpretação feita pelo referido colunista. Disse ele:

Por ter disputado maior número de competições no período, o Inter jogou mais em sua casa. A tendência se inverteu neste ano. O Grêmio jogou a Copa do Brasil e a Sul-Americana, enquanto o Inter iniciou a reforma do seu estádio.” (Grifei)
O primeiro ponto a ser refutado é essa afirmação de que o time que disputa um maior número de competições acaba jogando mais vezes em casa. Isso é um sofisma. O segundo ponto equivocado do texto é a afirmação de que a “tendência” se inverteu em 2012. Estes dois pontos são refutados com um único dado: O Grêmio teve 36 partidas como mandante em 2012, contra 37 do Internacional*, mesmo tendo o tricolor disputado quatro competições no ano (Gauchão, Copa do Brasil, Brasileirão e Sul-americana) contra 3 competições do colorado (Gauchão, Libertadores e Brasileirão).
A questão é que para fazer qualquer espécie de comparativo é preciso estabelecer um critério claro de comparação. Estabelecer qual o universo da pesquisa feita. E no caso dos números do JECRIM me parece claro que este universo é total de pessoas que foram aos jogos de Grêmio e Inter nesse ano. O número de competições é inadequado, por que não há uma correlação entre o número de competições e nº de jogos, e maior/menor número de jogos não necessariamente significa maior/menor público nos estádios. A questão se resolve pelo número de pessoas que frequenteram o estádio. E foi justamente a ausência desse dado que eu cobrei no twitter.
O colunista parece não ter entendido o reparo/acréscimo que eu fiz. Também não entendeu a diferença entre nº de competições, nº de jogos e quantidade de público. Optou por apelar ao expediente da “anti-grenalização”. Uma pena, acho que o tema merece debate e atenção. Violência/segurança nos estádios é um tópico delicado, e notícias mal colocadas e dados mal interpretados podem acabar causando um clamor para medidas restritivas direcionadas a quem costuma ir em campos de futebol
É preciso saber interpretar as estatísticas. É preciso confrontar os números fornecidos por orgãos oficiais com outros dados. Parte da imprensa alemã parecia ter entendido isso. Um exemplo disso pode ser lido em recente matéria do jornal Der Westen, da qual eu destaco os seguintes trechos:

Todo o ano a polícia divulga os números sobre a violência nos estádios de futebol. E cada ano cresce o debate sobre segurança. Depois do inicial discurso “nunca houve tanta violência nos estádios”, surge agora o debate inflamado sobre a significância da estatística.
[…]18,7 milhões de espectadores, e com isso 1,3 milhões a mais que na temporada passada estiveram no estádio, em 757 jogos na temporada 2011/2012. E a porcentagem de feridos cresceu apenas 0,0051 por cento. “O estádio de futebol é o local mais seguro da Alemanha. A ânsia/força desse debate não tem lógica.” resume o advogado Tobias Westkamp.”

Parece sensato, simples, e certamente o jornalista que escreveu a matéria acima citado fez algo muito mais produtivo de que tentar silenciar a parte que o questiona.

Mas é possível tirar alguma conclusão dos dados fornecidos pelo JECRIM? Eu acredito que sim, desde que se tenha presente o número de pessoas que os estádios de Grêmio e Inter receberam em 2012. Abaixo segue uma tabela com as médias e o total de público nos jogos em casa da dupla Grenal.

Levando em conta somente os dados fornecidos pelo JECRIM e repetidos pelo colunista pode se ter a falsa sensação de que o Olímpico é mais “violento” que o Beira-Rio. Mas quando confrontamos o número de ocorrências com a quantidade de público (quadro abaixo) se verifica que a média dos dois clubes é muito parecida.

Este é apenas um dos aspectos que pode ser questionado. Poderíamos também perguntar o que de fato constituem essas ocorrências, se há algum setor do estádio que elas se verificam em maior quantidade, se a Brigada age com o mesmo rigor em todos os jogos e estádios, e por aí em diante. Acho lamentável que alguns abordem a questão de maneira tão superficial, se limitando a replicar “releases” de assessoria de imprensa e ignorando os que propõe acréscimos e questionamentos.

* Considerando Inter 3×0 São José, que foi disputado no Complexo Esportivo da Ulbra. Não achei o público total desse jogo, estimei em 7.000, muito embora os pagantes não tenham passado de 1.500

Transmissões Brasileirão 2012 – Final

December 11, 2012

Durante todo o Campeonato Brasileiro 2012 eu fui realizando um levantamento de como foram televisionados os jogos do Grêmio. O resultado final, com as 38 rodadas, pode ser visto na tabela acima. Para minha surpresa este é um assunto pouco discutido em outros locais.
O curioso é que, pouco mais de um ano atrás, quando da assinatura do novo contrato entre os clubes e Rede Globo, o tema causou grande comoção. No Grêmio quase se viu uma “guerra civil”, da noite para o dia muitos viraram especialistas em contratos de televisão, nas políticas do CADE, nas regulações anti-monopólio, em como evitar tratamento desigual entre os grandes clubes do Brasil. Na Azenha, muitos defendiam seu ponto de vista de forma ardorosa sob o argumento de queriam “o bem do Grêmio”. Mas passados alguns meses ninguém tocou mais no assunto. O “bem do Grêmio” deixou de ser uma preocupação? ou foi a disputa política do clube e a concorrência entre emissoras que arrefeceu e fez com que o assunto se tornasse desinteressante?
Talvez as energias tenham se voltado para outros locais, mas o tratamento diferenciado para certos clubes segue acontecendo. Um exemplo claro disso está na nossa cidade. No Brasileirão 2012, o Inter teve quatro partidas a mais que o Grêmio televisionadas em TV aberta (quadro abaixo). Como se explica isso?

Certamente não é pelo critério técnico/esportivo. Como é sabido, o Grêmio acabou em 3º lugar, 19 pontos na frente do Inter (que ficou na 10ª posição). O Inter só esteve na frente do Grêmio em 5 das 38 rodadas,e a partir da 10ª rodada o Grêmio tomou a frente, ingressou no G4 e de lá não mais saiu (conforme pode ser visto nos gráficos abaixo, retirados da ZeroHora.com e da Gazeta Esportiva).

E não é injusto? Por que não se fala mais nisso? Onde estão aqueles que bradavam contra os descritérios da Rede Globo?

Inauguração da Arena – Grêmio 2×1 HSV

December 10, 2012

 

A semana passada foi bastante corrida para mim. Até por isso tentei não embarcar na ansiedade do aguardo da inauguração da Arena. Mas não tem muito jeito, no sábado esse era o único assunto no estado.
Eu estive algumas vezes na obra e já tinha ficado impressionado, mas nada se compara ao ver a Arena recebendo um público de jogo. Por sorte o público se distribui e a chegada no Humaitá não foi tão caótica quanto se imaginava, muito embora boa parte do povo tenha se aglomerado em uma das rampas de acesso. Mas na esplanada o clima era bem agradável, e grande quantidade de portões facilitava tudo. Quando vi o gramado e as arquibancadas cheias tive, por breves segundos, aquela sensação de uma criança que vai ao estádio pela primeira vez.
Achei muito legal que, assim que entrei no meu setor, um funcionário do estádio me perguntou/orientou sobre a localização do meu ingresso. Acho que isso ajuda muito na organização. É óbvio que ainda faltam alguns detalhes, algumas finalizações (as mais sentidas no sábado foram os bares e banheiros), mas a experiência de ir em um jogo na Arena é completamente diferente de qualquer outro estádio em Porto Alegre.
Eu achei a cerimônia de inauguração muito bonita. O anunciado show do Blue Man Group talvez tenha sido a parte menos empolgante de toda a festa. Os fogos, as coreografias, os jogos de luzes foram bem impressionantes. Não tinha visto nada parecido em matéria de inauguração de estádio. Gostei da temática gaúcha das apresentações, só que aí foi pouco coerente colocar o Ivan Lins para cantar o hino.

 
O jogo em si foi tão emocionante como uma partida festiva pode ser. O Grêmio pareceu um pouco mais animado e tomou a iniciativa. Conseguia atacar bem pelo lado direito, foi dali que Leandro carimbou o travessão e foi dali que foi cobrado o escanteio que resultou no gol de André Lima, inaugurando o placar da Arena. O tricolor teve algumas chances para ampliar mas aos poucos o cansaço de final de temporada foi aparecendo. Zé Roberto era, como de costume, o destaque ao esbanjar técnica.
No segundo tempo as mudanças não fizeram muito bem ao Grêmio, que passou a ter alguma dificuldade para tramar jogadas. O Hamburgo podia não ter uma atuação das mais interessadas, mas era um time extremamente disciplinado (colocava 11 jogadores na área nos escanteios) e chegou ao empate numa jogada ensaiada concluída por Westermann. O Grêmio seguiu meio perdido, até que Saimon arrancou, acionando Marquinhos, que por sua vez cruzou para Marcelo Moreno marcar o 2×1 final.

É triste, mas muito triste, que tenha acontecido aquela briga na Geral no jogo de inaguração. Justamente no momento que se discute essa transição e possibilidade de manter uma torcida pulsante num estádio moderno. Mas não podemos superdimensionar o fato. Quantas pessoas se envolveram na briga? 50? 500? O que isso representa num universo de mais de 50.000 espectadores?  Ficou claro que o silêncio no campo no segundo tempo é um bom indicativo de que a festa da torcida é muito importante.

Eu não gostei da camisa que o Grêmio usou na partida. Parece ser uma alternativa inferior ao modelo usado em todo 2012. Não me agrada os punhos e parte da gola em azul. Os patrocínios em dourado são um expediente já ultrapassado de tentar colocar um tom de ocasião especial no uniforme, e ainda por cima prejudicam a visualização. O uniforme não remete ao usado na inaguração do Olímpico em 1954 e muito menos lembra o usado contra o Hamburgo no mundial de 1983.
É certo que o estádio não estava lotado. Tá certo que muita gente deixou o estádio antes do apito final, mas já no intervalo se viam diversas fileiras de cadeiras vazias. O que é estranho, porque teve muito sócio tentando comprar ingresso nos últimos dias.
Outra questão que me pareceu estranha. Só tinha bebida alcoólica nos camarotes e nas cadeiras gold. Não posso concordar com isso. As permissões/proibições devem valer para todo o estádio.
No mais faltam pequenos ajustes e ainda vai precisar de algum tempo para que o torcedor gremista sinta-se em casa na Arena.

Fotos: Jefferson Bernardes (Lance) e Lucas Uebel (Grêmio.net)

Grêmio 2×1 HSV

GRÊMIO: Marcelo Grohe, Pará, Werley (Saimon, 18’/2ºT), Naldo e Anderson Pico (Tony, Intervalo); Fernando (Marco Antonio, Intervalo), Souza, Elano (Marquinhos, Intervalo) e Zé Roberto (Léo Gago, Intervalo); Leandro (Rondinelly, 18’/2ºT) e André Lima (Marcelo Moreno, Intervalo)
Técnico: Vanderlei Luxemburgo.
HAMBURGO: Drobny, Bruma, Paul Scharner, Rajkovic (Diekmeier, 19’/2ºT), Aogo (Westermann, Intervalo), Sala, Rincon, Tesche (Arslan, 19’/2ºT) Ilicevic (Skjelbred, 36’/2ºT), Marcus Berg, Rudnevs (Son, Intervalo)
Técnico: Thorsten Fink.
Data: 08/12/2012, sábado, 22h15min
Local: Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)
Árbitro: Carlos Amarilla (Fifa-PAR)
Auxiliares: Milcíades Saldivar/PAR e Cesar Franco/PAR.
Cartões amarelos: Leandro e Saimon (GRE); Tesche (HAM)
Gols: André Lima, 9’/1ºT, Westermann, 25’/2ºT e Marcelo Moreno, 42’/2ºT

 
 

Brasileirão 2012 – Classificação Final

December 4, 2012

Times P J V E D GP GC SG %
1 Fluminense Fluminense 77 38 22 11 5 61 33 28 67
2 Atlético-MG Atlético-MG 72 38 20 12 6 64 37 27 63
3 Grêmio Grêmio 71 38 20 11 7 56 33 23 62
4 São Paulo São Paulo 66 38 20 6 12 59 37 22 57
5 Vasco Vasco 58 38 16 10 12 45 44 1 50
6 Corinthians Corinthians 57 38 15 12 11 51 39 12 50
7 Botafogo Botafogo  55 38 15 10 13 60 50 10 48
8 Santos Santos 53 38 13 14 11 50 44 6 46
9 Cruzeiro Cruzeiro 52 38 15 7 16 47 51 -4 45
10 Internacional Internacional  52 38 13 13 12 44 40 4 45
11 Flamengo Flamengo 50 38 12 14 12 39 46 -7 43
12 Náutico Náutico 49 38 14 7 17 44 51 -7 42
13 Coritiba Coritiba 48 38 14 6 18 53 60 -7 42
14 Ponte Preta Ponte Preta 48 38 12 12 14 37 44 -7 42
15 Bahia Bahia  47 38 11 14 13 37 41 -4 41
16 Portuguesa Portuguesa 45 38 10 15 13 39 41 -2 39
17 Sport Sport 41 38 10 11 17 39 56 -17 35
18 Palmeiras Palmeiras 34 38 9 7 22 39 54 -15 29
19 Atlético-GO Atlético-GO 30 38 7 9 22 37 67 -30 26
20 Figueirense Figueirense 30 38 7 9 22 39 72 -33 26

Classificação primeiro turno (Fonte: Futdados)
Classificação segundo turno (Fonte: Futdados)
ARTILHEIROS 
20 gols – Fred (Fluminense) 
17 gols -Luís Fabiano (São Paulo) 
14 gols – Aloísio (Figueirense), Barcos (Palmeiras), Bruno Mineiro (Portuguesa) e Neymar (Santos) 
13 gols – Vágner Love (Flamengo) e Kieza (Náutico) 
11 gols – Bernard (Atlético-MG) e Elkeson (Botafogo) 
10 gols – Jô (Atlético-MG), Wellington Paulista (Cruzeiro), Marcelo Moreno (Grêmio) e Alecsandro 
(Vasco)
 

Brasileirão 2012 – Grêmio 0x0 Inter

December 3, 2012
E o tão aguardado dia chegou. A despedida do Olímpico. Uma data que por sí só entra na história. Mas pra mim o jogo em si e os eventos ocorridos nas horas anteriores e posteriores a partida não tiveram nada de memoráveis.

A tarde começou com uma homenagem a ex-atletas do Grêmio. A idéia é muito legal, mas era praticamente impossível enxergar os homenageados no meio de uma mar de jornalistas, fotográfos e bicões que ocupavam o gramado do Olímpico. Não fosse isso suficiente, Paulo Santana dava sua anunciada e patética volta olímpica (o que será que Marcelo Grohe achou disso?). E pra piorar, enquanto tudo isso tudo acontecia, uma dúzia de torcedores do Internacional ingressou no campo via o túnel dos visitantes e ficaram saltando e tirando fotos dentro das 4 linhas.

Mas então o jogo propriamente dito começou. E começou truncado, como costumam iniciar os Grenais. As duas equipes estavam espelhadas num 4-3-2-1. Aos poucos o Grêmio foi ocupando o campo de ataque, mas atuava de maneira pouco inspirada, o jogo pouco fluía e o tricolor só chegava perto do meta adversária em cruzamentos e escanteios. No outro lado, Marcelo Grohe foi um espectador privilegiado durante todo o primeiro tempo, uma vez que o Inter praticamente não conseguiu atacar nos 45 minutos iniciais.
No segundo parecia que veríamos mais ação em campo. Parecia. Logo aos 2 minutos Saimon lançou Elano e Muriel colocou a mão fora da área para evitar o gol. O arqueiro colorado recebeu o cartão vermelho, mas o jogo demorou uma eternidade para ser re-iniciado (Nesse meio tempo Vanderlei Luxemburgo foi expulso por ingressar no gramado para retirar seus jogadores da confusão). Alguns minutos depois do recomeço, Leandro Damião, centroavante da seleção brasileira, que até ali não tinha visto a cor da bola, foi expulso por acertar um cotovelaço em Saimon. Novamente o jogo ficou um bom tempo parado, dessa vez sem nenhuma explicação, pois o atleta expulso já se encontrava fora do gramado. Aí o Grêmio teria, na teoria, pouco mais de 20  minutos de bola rolando para marcar um gol num adversário nove jogadores em campo. Na prática a bola pouco rolou nesse período. E quando rolou o tricolor não soube fazer valer a sua vantagem, não abriu o campo, não rodou a bola. Insistiu em uma jogada de pivô na frente da área. E o pior é que quase marcou assim. Mas o mais inacreditável é que o Inter quase abriu o marcador quando já jogava com dois jogadores a menos.
E jogo foi encerrado com “chave de ouro”. Já nos descontos, Saimon foi buscar uma bola na lateral, Osmar Loss jogou a bola longe e os dois saíram no tapa. Os relatos dão conta que o treinador e sua diretoria ficaram orgulhosos de tal ato. (Num grenal anterior foi o técnico do Grêmio que brigou com um gandula). No meio da confusão alguém joga um rojão para dentro no campo ( o que é muito grave) e um auxiliar do Inter simula ter sido atingido (o que é muito feio). Mais uma vez se enxerga um número excessivos de pessoas no gramado. Mais uma vez o jogo demora uma eternidade para ser reiniciado. Reiniciado não é o termo correto porque, pela última vez, Heber Roberto Lopes tinha a chance de fazer uma arbitragem decente no Olímpico, mas ele decidiu acabar o jogo sem repor o período de acréscimos.

Depois do apito final, alguns atletas do Intenacional, que fizeram uma copa do mundo nesses 90 minutos (por que não jogaram assim antes?) comemoraram como tivessem vencido um campeonato, quando na verdade somente obrigaram o Grêmio a disputar dois jogos a mais na Libertadores (No ano passado era o Grêmio que tentava “tirar” o Inter dessa mesma pré-libertadores)
E na despedida, além de uma bonita e espontânea avalanche, só foi possível ver alguns poucos vídeos no telão, alguns pronunciamentos e músicas no sistema de som. Enquanto isso parte da torcida aguardava a oportunidade de pilhar objetos do Estádio Olímpico, numa estranha exibição de carinho a um local que muitos consideram sagrados.
No geral o se viu ontem foram diversas demonstrações de mediocridade, mesquinharia e pequenez que não combinam com a magnitude do evento.
Eu já sinto e certamente sentirei muitas saudades do Olímpico, mas não de partidas como a de ontem.

Fotos: Tiago Baldasso (Tiago Baldasso) Lucas Uebel (Grêmio.net e Guilherme Testa (Guilherme Testa)

Grêmio 0x0 Inter

GRÊMIO: Marcelo Grohe, Pará, Werley (Saimon 32’/1ºT), Naldo e Anderson Pico (Leandro 17’/2ºT); Fernando (Marquinhos 22’/2ºT), Souza, Léo Gago, Elano e Zé Roberto; André Lima
Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

 INTERNACIONAL: Muriel, Edson Ratinho (Renan 4’/2ºT), Rodrigo Moledo, Índio e Fabrício; Ygor, Josimar, Guiñazu, Fred (Cassiano 17’/2ºT, depois Folrán 42’/2ºT) e D’Alessandro; Leandro Damião
Técnico: Osmar Loss.

 38ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2012
Data: 2/12/2012, domingo, 17h00min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre (RS)
Público: 46.209 (43.104 pagantes)
Renda: R$ 1.549.230,50
Árbitro: Héber Roberto Lopes (Fifa-PR)
Auxiliares: Carlos Berkenbrock (Fifa-SC) Ivan Carlos Bohn (PR)
Cartões amarelos: André Lima (GRE); Fred e Renan (INT)
Cartões vermelhos: Vanderlei Luxemburgo, 4’/2ºT (GRE) e Saimon 47’/2ºT (GRE); Muriel 2’/2°T (INT), Leandro Damião 13’/2ºT (INT) e Osmar Loss, 47’/2ºT (INT)