Archive for January, 2013

Libertadores – Grêmio 1×0 LDU (5×4 nos pênaltis)

January 31, 2013

Foi uma classificação difícil, como era de se imaginar. O 1×0 no primeiro jogo colocava a LDU em uma situação de relativo conforto, podendo se fechar atrás e especular. O Grêmio precisava atacar, mas com cuidados, porque um eventual gol dos visitantes praticamente terminaria com a disputa.O tricolor teve que ir para o ataque, mas não conseguia furar o bom bloqueio defensivo dos equatorianos. A troca de passes era lenta e as jogadas de criação eram raras, tendo a torcida se animado apenas em algumas arracandas de Vargas.
Em cenários como o de ontem é sempre possível apelar para a bola alta e a ligação direta. É uma iniciativa mal vista por alguns, mas que eu considero válida e eficiente (especialmente pelos poucos riscos defensivos). E foi o que o Grêmio fez, mas sem sucesso ofensivo, uma vez que Marcelo Moreno não conseguia vencer a disputa com os seus marcadores. 
O Grêmio melhorou um pouco no segundo tempo, quando Luxa saiu do 4-4-2 para 4-3-3. O time ganhou mais movimentação e entusiasmo na frente com André Lima e passou a chegar mais perto da meta defendida por Domínguez. Mas as situações efetivas de gol só surgiam em lances de bola parada e chutes de longa distância. Foi aí que Elano apareceu. Primeiro obrigando o goleiro a fazer uma boa defesa em cobrança de falta. Depois, ao marcar uma senhora bucha aos 16 minutos do segundo tempo, mandando um pombo sem asa da intermediária para o ângulo superior direito do arqueiro oponente. Depois de uma parada em função da queda da grade de proteção na geral, o jogo seguiu da mesma forma. A LDU fechada e o Grêmio tentando atacar sem correr muito riscos na defesa. A classificação foi ser decidida nos pênaltis. Aí Saimon foi parado por Domínguez, Reasco parou na trave e Marcelo Grohe defendeu a cobrança de Morante. Grêmio avançou, com alguma justiça, pois mostrou ser mais time e foi melhor na soma dos 180 minutos.

 

Elano fez um golaço, Marcelo Grohe foi decisivo, mas para mim o melhor em campo foi Souza. Um monstro, dominando o meio campo.
Gostei muito do Bressan. Tá certo que não foi tão exigido, mas quando apareceu demonstrou segurança, jogando com seriedade e simplicidade. Considero a estréia do Alex Telles um tanto tímida, mas ainda acho que o time rendeu melhor com um canhoto na esquerda e com o Pará na lateral direita. E o Deretti mais uma vez entrou bem no jogo, jogador de drible curto, característica pouco presente no plantel tricolor.
Uma pena que tenha sobrado lugar no 4º anel. O Grêmio está perdendo dinheiro com isso. É preciso criar um sistema de confirmação de presenças e ausências. É um tema tratado no tão decantado “A Bola Não Entra por Acaso”, quem efetivamente leu o livro sabe disso.
Na inaguração haviam mais orientadores/stewards na Arena. Achei que dessa vez eram poucos. Também é preciso fazer alguma correção em relação a lugares com obstrução de visão.

 
 

Fotos: Lucas Uebel (Grêmio Oficial), André Avila (Correio do Povo) e Ricardo Rimoli (Lance)

Grêmio Grêmio 1×0 LDU LDU Ecuador 
(5×4 Grêmio nos pênaltis)
GRÊMIO: Marcelo Grohe; Pará, Saimon, Bressan e Alex Telles; Fernando (Willian José – intervalo), Souza, Elano (Jean Deretti, 35’/2ºT) e Zé Roberto; Vargas e Marcelo Moreno (André Lima – intervalo). Técnico: Vanderlei Luxembrugo
LDU: Dominguez; Canutto, Hurtado e Morante; Reasco, Hidalgo, Vera, Feraud (Vitti, 22’/2ºT), Saritama e Madrid; Garcés (Velez, 36’/2ºT). 
Técnico: Edgardo Bauza
Libertadores 2013 – 1ª Fase – Jogo de volta 
Data: 30/01/2013, quarta-feira, 22h00min 
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre (RS) 
Público total: 41.461 (39.925 pagantes)
Renda: R$ 2.026.381,00 
Árbitro: Saul Laverni (ARG) 
Auxiliares: Ernesto Uziga e Gustavo Rossi (ARG) 
Cartões amarelos: Vera (LDU) Elano, Saimon e Souza (GRE) 
Cartão vermelho: Hurtado (LDU) 
Gol: Elano aos 16 do 2º tempo

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Camisa Branca 1972

January 28, 2013
Uma das camisas mais obscuras usadas pelo Grêmio é a branca de 1972 (Não é citada no Memorial do Clube e nem no livro  “A história das camisas dos 12 maiores times do Brasil“)
É uma variação interessante em relação ao uniforme reserva usado na década de 1960. As listras do peito ganham uma nova disposição e as listras da manga ficam um pouco acima da barra.
Foi a camisa usada no jogo em que Everaldo acertou um soco no juiz José Favile Neto.

Gauchão – Grêmio 1×2 Canoas

January 25, 2013

 
E menos de 24 horas depois de um importante jogo da Libertadores o Grêmio voltou a campo pelo gauchão. Como não poderia deixar de ser, foi representado pelo seu time B, que já tinha feito uma boa estréia no domingo.O fato do tricolor contar com uma equipe de jovens não alterou a estratégia do Canoas, que se postou no campo de defesa esperando o adversário. E foi aí que o Grêmio se perdeu. Não conseguiu criar chances efetivas, se perdendo numa movimentação lenta e jogadas pouco inspiradas na frente da área. Como prêmio pela disciplina ofensiva o Canoas marcou numa das suas poucas idas ao ataque, na cabeçada de Ederson após uma cobrança de escanteio. 
No segundo tempo Mabilia mexeu e abriu o time do Grêmio, mas logo aos 11 minutos o Canoas marcou o segundo, numa bola jogada entre Werley e Calyson (deslocado pra lateral esquerda) que Tiago Santos tirou do goleiro Busatto. O Grêmio reagiu, descontou com Lucas Coelho, aproveitando uma boa jogada de Deretti. Mas a reação parou por aí, o Canoas catimbou e o tricolor passou a força mais jogadas aéreas e de bola longa para buscar o empate, mas não obteve sucesso.
É perfeitamente aceitável a oscilção de desempenho em um início de temporada, especialmente num time de guris.
Apesar de abusar do individualismo, Deretti mais uma vez entrou bem no jogo. Já está merecendo iniciar uma partida como titular. 
Um pouco exagerada a crítica de Werley ao árbitro da partida. A arbitragem foi mal, mas não teve tanta influência no placar. Acho que o tema que pode (e deve) ser discutido é o anti-jogo, o tempo de bola rolando. A cera, a catimba, em certa medida, fazem parte do jogo. Mas não há um limite para isso? Quantas vezes o médico do Canoas ingressou no campo? Era necessário tudo isso na segunda rodada do campeonato? Infelizmente eu não me surpreendo com o fato de o juiz do jogo ter permitido esse tipo de expediente. É uma questão de exemplo, de modelos. O juiz escolhido para representar a arbitragem brasileira na copa é justamente um dos que menos dá valor ao tempo de bola rolando.
Pavoroso o uniforme do Canoas. Digno de Copa Paquetá.

Fotos: Lucas Uebel (Grêmio.net)

Grêmio 1×2 Canoas

GRÊMIO: Busatto; Tinga, Werley, Gerson e Carlos Alexandre (Paulinho – intervalo); Misael, Ramiro, Calyson, Rondinelly (Jean Deretti – intervalo) e Gustavo Xuxa (André – 30’/2ºT); Lucas Coelho
Técnico: Marcelo Mabília.
CANOAS: Nicolas, Fabinho (Michel – 24’/2ºT), Tairone, Gustavo Castro e Julinho; Nathan, Ricardo, Maicon Sapucaia (Salini – 29’/2ºT) e Adilson; Ederson e Tiago Santos (Max – 22’/2ºT)  
Técnico: Rodrigo Bandeira.
2ª Rodada – 1º Turno – Gauchão 2013
Data: 24/01/2012, quinta-feira, 19h30min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 4.635 (4.312 pagantes)
Renda: R$ 71.267,00
Árbitro: Vinícius Costa da Costa (RS)
Auxiliares: Lúcio Beiersdorf Flor (RS) e Marcelo Oliveira e Silva (RS)
Cartões amarelos: Adilson, Nathan, Maicon Sapucaia (CAN) Gerson, Misael, Werley (GRE)
Gols: Ederson, aos 42 do 1º tempo; Tiago Santos, aos 11 do 2ºtempo e Lucas Coelho, aos 21 do 2º tempo

Libertadores – LDU 1×0 Grêmio

January 24, 2013
E a tão aguardada estreia do Grêmio na Libertadores 2013 aconteceu. E não foi uma partirda particularmente nervoso ou tensa. Os primeiros minutos foram de algum estudo e poucas ações. O Grêmio esperava a LDU que por sua vez não apresentava um futebol meio criativo. A defesa tricolor se portava bem, com as ressalva de ter cedidos excessivos escanteios e ter deixado se surpreender em cobranças rápidas do adversário. Os comandados de Luxemburgo penavam para manter a bola no ataque, uma vez que Marcelo Moreno e William José não se achavam e não combinavam jogadas. O desempenho ofensivo gremista só foi melhorar nos minutos iniciais da primeira etapa, quando Zé Roberto e Elano se apresentaram mais pro jogo e o time conseguiu trocar passes no campo de ataque. Mas a bem da verdade o primeiro tempo foi de pouco futebol por parte dois times.
Na segunda etapa o Grêmio cresceu de rendimento com Vargas no lugar de W.José. Passou a ter maior domínio das ações e passou a atacar com efetividade. Os laterais foram mais a frente, o time passou a ter mais jogada de linha de fundo e o goleiro Domínguez a trabalhar. Souza foi que esteve mais perto de marcar, mas o travessão impediu o gol tricolor. Aos 30 minutos, logo após a saída do lesionado Dida, a LDU marcou o único gol do jogo. E marcou quando era visivelmente inferior ao time visitante, após uma jogada em bola que atravessou a área, onde Marcelo Grohe fez duas boas defesas até Feraud colocar para dentro. É sempre um golpe duro tomar o gol quando se joga melhor, mas o Grêmio não se abalou e foi buscar o empate. E esteve perto, criando chances e colocando mais uma bola na trave, mas o resultado final acabou sendo de 1×0 para o time da casa.

O jogo em si foi um tanto fraco. O resultado foi ruim, mas o que conforta é o fato de o Grêmio ter sido superior a LDU. Ao que tudo indica o tricolor tem mais time. Resta saber se vai conseguir traduzir essa superioridade em gols na próxima quarta-feira. Ontem isso não aconteceu, infelizmente.
Na saída de campo Zé Roberto se queixou da altitude, mas no aspecto físico o Grêmio pareceu ter jogado de igual pra igual com a LDU.
Dida passou confiança no gol. Da mesma forma Cris, que talvez tenha sido o melhor em campo. Jogando deslocado, Pará ficou preso na defesa e os laterais do Grêmio pouco contribuíram na criação. 
Um problema que já acontecia em 2012 se repetiu ontem. A inconstância de Elano. Quando ele chama o jogo o time cresce, como pode ser visto na metade final do primeiro tempo.
O ideal seria não ter um jogo decisivo tão cedo na temporada. É natural que alguns jogadores ainda não estejam 100%. Me pareceu ter sido o caso de Marcelo Moreno, que fez uma série de escolhas erradas na conclusão da jogadas.
A amostragem foi curta, mas Vargas entrou bem no jogo e deu claro sinais de que pode ser o jogador de velocidade que faltava ao time do Grêmio.
Não entendi porque o time usou a meia preta, e não a listrada, que foi a mais usada como alternativa no ano passado. 

Fotos: Diego Vara (ClicRBS) e Terra

LDU LDU 1×0 Grêmio Grêmio


LDU: Domínguez, Canuto, Araujo e Morante;Reasco, Vera, Hidalgo, Feraud e Rojas (Urrutia, 9’/1ºT) (Arboleda, 25’/2ºT); Garcés e Vitti (Saritama, 10’/2ºT).  
Técnico: Edgardo Bauza.

GRÊMIO: Dida (Marcelo Grohe, 29’2ºT), Tony, Saimon, Cris e Pará; Fernando, Souza, Elano (Marco Antônio, 23’/2ºT) e Zé Roberto; Willian José (Eduardo Vargas – intervalo) e Marcelo Moreno
Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Libertadores 2013- Primeira Fase – Jogo de ida
Data: 23/1/2012, quarta-feira, 22h00min
Local: Estádio Casa Blanca, em Quito-EQU
Árbitro: Wilmar Roldan (COL)
Auxiliares: Eduardo Diaz (COL) e Alexander Guzman (COL)
Cartões amarelos: Vera e Morante (EQU); Marco Antônio (GRE)
Gols: Feraud, aos 30 minutos do segundo tempo

Mais uma Libertadores

January 23, 2013
 O Grêmio iniciará hoje sua 14ª participação em Copa Libertadores. A 4ª nas últimas 10 edições. Uma marca interessante na comparação com os seus rivais brasileiros (Tabela abaixo).

Eu considero esses dados muito importantes. É evidente que o objetivo principal/maior de um clube é conquistar títulos, mas existem caminhos a serem percorridos, maneiras de alcançar esta meta. E me parece claro que a participação, a familiarização com as decisões, a ambientação com a competição e o seu topo,  é importante para ganhar os campeonatos. Por isso eu não nunca concordei com a terra arrasada que é feita quando se fala no período sem títulos do Grêmio. É uma simplificação grosseira, por que numa rápida retrospectiva se percebe que, ao menos desde 2006, o Grêmio tem “chegado”, não é mero coadjuvante nas competições que disputa. Foram finais, semifinais, G4 no Brasileirão, etc… Me parece que tudo isso ajuda a dar experiência ao time. E é razoável afirmar que essa experiência aumenta a perspectiva de títulos nas competições futuras. 
Folgo em saber que o Vanderlei Luxemburgo pensa da mesma forma. Ao menos é essa a leitura que fiz de uma recente entrevista sua ao jornal Zero Hora. Destaquei abaixo alguns trechos em que ele enfatiza essa idéia:
“Não tenha dúvidas de que o Grêmio vai entrar para ganhar, mas o mais importante é frequentar essa zona. O Corinthians campeão da Libertadores de 2012 nada mais é do que o fracassado do ano anterior. Não desistiu e ganhou o Brasileiro e a Libertadores praticamente com o mesmo elenco. O Fluminense campeão de 2012 tinha a mesma base do time que havia vencido em 2010. O Grêmio está forte, mas brigará com equipes que já estão prontas. Agora, se o trabalho é feito como o nosso, com planejamento, seriedade e sustentação, não tenho dúvidas de que poderá resultar na conquista de títulos.” (Zero Hora – 12/01/2013)
 “Se eu disputar seis Libertadores seguidas pelo Grêmio, com certeza vou ganhar uma. É uma competição diferente. Estou familiarizado com o Campeonato Brasileiro. A Libertadores também é diferente para a equipe. Se não vencer um ano, tem que ver o que foi feito errado, manter a base e reforçar. São Paulo e Cruzeiro ganharam assim. Você amadurece a cada competição. Fui jogar em Bogotá (contra o Millonarios, pela Sul-Americana) e tinha na equipe uma porção de jogadores que nunca haviam enfrentado altitude, não sabiam como a banda tocava. Já será diferente dessa vez, eles já enfrentaram a dificuldade na derrota, obtiveram um amadurecimento de competição.” (Zero Hora – 12/01/2013)
Outro ponto interessante mencionado por Luxemburgo é a continuidade da equipe (tema que abordei em julho do ano passado), a manutenção de peças e de uma ideia de jogo. Vejo que o Grêmio manteve para 2013 a base de equipe que tinha em 2012, fato que deve ser saudado efusivamente.  Esses aspectos objetivos me animam muito mais do que qualquer outros aspectos subjetivos, como sorte, coincidências, humor e estrela dos nossos protagonistas.

Gauchão – Esportivo 0x2 Grêmio

January 21, 2013
Começou o Gauchão. E começou demasiadamente cedo (em virtude das demasiadas datas). Uma situação que obriga o Grêmio a escalar o seu time B nas rodadas iniciais. Uma pena, porque não precisava ser assim. Mas é possível vislumbrar algo positivo nesse cenário. Atletas da base receberam a oportunidade de se apresentar com mais platéia, em maior evidência. E hoje, de um modo geral, se saíram bem.
O jogo começou devagar, com os dois times se alternando em lentos movimentos de ataque. A maior experiência do Esportivo não se refletiu em campo e, na pior das hiteses, o Grêmio jogava de igual pra igual com o time da casa. O tricolor não valorizava tanto a posse de bola, mas chegava bem no ataquee usando os lados do campo. Só não abriu o placar no primeiro tempo em razão de uma certa hesitação e preciosismo no momento em que tinha a bola dentro da área do adversário.
Com a entrada de Jean Deretti, o Grêmio deu a sensação de que iria aumentar o ritmo na segunda etapa, mas isso não aconteceu. O jogo seguiu arrastado. O placar só foi movimentado aos 35 minutos, quando Léo Gago chamou a responsabilidade, arrancou pelo meio e serviu Lucas Coelho, que marcou um belo gol. Seis minutos depois, Tinga cobrou um lateral para dentro da área, Lucas Coelho raspou de cabeça no primeiro pau e Paulinho completou para o gol. 2×0 numa merecida vitória gremista.
 
Resultado importante. Esses 3 pontos podem dar maior tranquilidade e confiança para o Grêmio continuar com o seu planejamento para este primeiro semestre.
Além do resultado, tivemos alguma atuações animadoras. Lucas Coelho foi o principal destaque. Gustavo Xuxa, Tinga. Ramiro e Deretti também apareceram bem na partida. Rondinelly e Calyson foram muito tímidos. Busatto e Gérson precisarão enfrentar um adversário com maior poderio ofensivo para mostrar serviço.

Vi o time comando por Mabília numa espécie de 4-5-1. (Gustavo Xuxa me pareceu mais alinhado com os outros meias do que com o centroavante). Será que o treinador repetiu o esquema que será usado pela equipe principal? Será que isso é necessário? Será que é o melhor para revelar jovens jogadores?
 

Fotos: Lucas Uebel (Grêmio.net) e André Avila (Correio do Povo)

Esportivo 0x2 Grêmio

ESPORTIVO: Fabiano, Erick, Ediglê, Dirley, Anderson Feijão (Diego Campos, 22’/2°T), Fábio Oliveira, Mateus, Rafael Bittencourt e Filipe Athirson; Léo (Paulo Josué, 16’/2°T) e Gillian (Jaílton, 37’/2°T)
Técnico: Luís Carlos Winck

GRÊMIO: Busatto; Tinga, Gerson, Werley, Carlos Alexandre; Léo Gago, Ramiro, Calyson (Misael, 27’/2°T) e Rondinelly (Jean Deretti, Intervalo), Gustavo Xuxa (Paulinho, 34’/2°T) e Lucas Coelho
Técnico: Marcelo Mabília

1ª Rodada – 1º Turno – Campeonato Gaúcho 2013 
Data: 20/1/2013, domingo, 17h00min 
Local: Estádio Montanha dos Vinhedos, em Bento Gonçalves (RS) 
blico: 1.103 pagantes
Renda: R$  34.680,00
Árbitro: Leandro Pedro Vuaden (Fifa-RS) 
Auxiliares: Júlio Cesar dos Santos (RS) e Alexandre Kleiniche (RS) 
Cartões amarelos: Ediglê e Fábio Oliveira (ESP); Léo Gago (GRE) 
Gols: Lucas Coelho aos 35/2ºT e Paulinho aos 41/2ºT
 

Transição e Fator Local

January 16, 2013
O chamado “fator local” é um elemento importantíssimo no mundo dos esportes. Diversos estudos acadêmicos foram feitos sobre a existência de vantagem em jogar em casa em competições esportivas.  Sob os mais diversos enfoques, estes estudos tem, invariavelmente, verificado que de fato os times mandantes possuem vantagem em relação aos visitantes, tendo um percentual superior de vitórias/pontos conquistados.

Um caso interessante é o do Campeonato Brasileiro, onde as distâncias percorridas pelos visitantes parecem exercer forte influência sobre a vantagem do time da casa. É interessante notar que, nas edições do Brasileirão disputadas entre 2003 e 2007, o Grêmio conquistou 67,87% dos seus pontos em casa, o que é um percentual elevado na comparação com os demais clubes.

Mas o estudo que mais me chamou a atenção recentemente foi  um que avalia o efeito que uma mudança de estádio pode ter no fator local. Num trabalho entitulado “Evidence of a reduced home advantage when a team moves to a new stadium“, publicado em 2002 (e atualizado em 2006), o professor Richard Pollard, da California Polytechnic State University, confrontou o desempenho por temporada de 40 equipes da NBA, NHL e MLB que trocaram de estádio. A sua conclusão é a seguinte:

Uma queda significativa na vantagem em casa é verificada na primeira temporada no novo estádio. Entretanto, a vantagem em casa na segunda temporada no novo estádio é significativamente maior do que na primeira temporada. Ainda, a vantagem na segunda temporada não é diferente da última temporada no velho estádio.”

Segundo Pollard, essa constatação é uma prova de que a familiaridade com o estádio/campo de jogo é um fator fundamental para explicar porque os times mandantes tem desempenho superior aos visitantes. Abaixo, os números que demonstram esse decréscimo na temporada inaugural dos novos estádios:

Bom, e o Grêmio está passando justamente por esse processo de mudança de estádio. E será que o tricolor também sofrerá uma queda de desempenho no seu primeiro ano na nova casa? Será que o processo de familiarização à Arena será demorado?

É justamente essa dúvida o que mais me incomoda em toda essa história envolvendo o anúncio de que o Grêmio voltará a jogar no Estádio Olímpico em 2013. Isso me preocupa mais do que qualquer outra discussão  de caráter técnico, político ou financeiro.

Será que, com essa medida, o Grêmio não corre o  risco é perder parte da empolgação inicial com a Arena  e prorrogar ainda mais o já complicado processo de transição do velho para o novo estádio?

All Played Out

January 8, 2013

Imagino que todas as pessoas que gostam de futebol sejam minimamente familiarizadas com a mudanças ocorridas no futebol da Inglaterra nos inícios do anos 90. Na década anterior, durante o governo conservador de Margaret Thatcher, os clubes ingleses, ainda quem bem sucedidos dentro do campo, viviam uma séria crise com de hooliganismo e violência nos estádios. Um desastre no exterior (Heysel), o banimento dos times ingleses das competições internacionais e um desastre interno (Hillsborough) eram sinais claros que as medidas adotadas pelos órgãos competentes não resolviam os problemas. A Copa de 1990 se avizinhava e aparecia como uma encruzilhada para o futuro do futebol no país. A Inglaterra precisava mostrar ao mundo que tinha alguma intenção de tomar medidas mais civilizadas no acompanhamento de competições esportivas. O entusiasmo natural dos ingleses com o futebol apresentado na Copa contrastou com o tratamento hostil recebido por eles por parte dos anfitriões. Era preciso mudar a imagem, porque nos olhos de um estrangeiro todo o inglês era visto como um hooligan. Assim, o mundial da Itália acabou servindo como um catalizador para a implementação das medidas sugeridas no “Taylor Report” e para a criação da Premier League, que transformou os clubes ingleses em paradigmas de modernidade.

Um belo relato da participação da Inglaterra na Copa de 1990 é feito por Pete Davies no livro “All Played Out – The full story of Italia ´90. É certamento uma das melhores obras já escritas sobre futebol. Com o compromisso de só lançar o livro após o mundial, o autor teve acesso a concentração, ao técnico e aos jogadores da seleção da Inglaterra. Isso por si só ja tornaria a leitura interessante, mas o escritor não parou aí. Ele acompanhou as eliminatórias, os jogos preparatórios, visitou os jogadores nos seus clubes, foi a Itália meses antes da bola rolar. Ele se misturou a torcida, conversou com hooligans, foi aos centros de imprensa, conversou como seus colegas jornalistas, conversou com dirigentes e organizadores, e fez tudo isso sem mostrar deslumbramento ou um ar blasé. Foi crítico quando necessário e entusiasmado quando o tema era empolgante. O relato é excelente, mas o mais interessante são as reflexões e conclusões do autor. Reflexões sobre o esgotamento daquele velho sistema inglês (daí o título do livro*), sobre a falta de perspectiva do cidadão médio na Inglaterra e a decorrente limitação e falta de visão de mundo dos seus torcedores. Sobre a ingenuidade dos jogadores, ora mostrada sob forma de simploriedade, ora sob forma de arrogância. Sobre a falta de noção dos dirigentes e o seu completo distanciamento com que se passa nas arquibancadas. Sobre os excessos da mídia, do sensacionalismo do tablóides, e  sobre como o governo parece tomar medidas somente para responder o clamor da mídia, e não para efetivamente resolver os problemas.
Um trecho bem interessante do livro trata da cobertura de uma partida das eliminatórias na Suécia. Havia uma grande preocupação com o comportamento dos torcedores ingleses em Estocolmo. Os jornais britânicos relataram um cenário de guerra e o governo, no afã de responder a mídia, resolveu proibir um amistoso que a seleção inglesa faria na Holanda. Mas naquele momento, as instituições inglesas se mostravam completamente perdidas quando o assunto era futebol. Conforme se pode ver nas páginas abaixo o autor mostra que a cobertura da imprensa foi equivocada, e que o governo inglês tomou uma decisão precipitada baseada nas manchetes dos tablóides.

“They made it sound like the centre of Stockholm got stripped bare.”

“Why didn´t anyone go and check? What´s a journalist supposed to do, if not to check these things?

“And banning the match was nothing less than people in charge of law and order (i.e. the government) panicking and admitting defeat – all in the cause of´ being seen to do something”

“As your support for the return depends upon the behaviour of fans, what criteria will that behaviour be judged by? Because there are people in football who believe that it´s headlines”

“I would like to say that coverage in the British media has been rather exaggerated”
“It seems that the reports of the size of the problem and the damage caused were greatly exaggerated.”
“The Rotterdam fixture was cancelled two days after the game in Stokholm”
“But then, in September, football was nothing to the English government but a problem and – let´s face it – bad headlines.

Todas essas histórias e reflexões podem parecer parte de um passado distante quando olhamos para o atual momento do futebol inglês, mas me parecem que seguem atuais quando olhamos para o que acontece no Brasil.  Meu temor é que podemos estar vendo um exemplo disso na cobertura da briga acontecida na inauguração da Arena. Por óbvio eu lamentei ocorrido. Considero compreensível que, na escassez de futebol na época do ano, o assunto acabe ganhando mais espaço (talvez não nas páginas esportivas, como bem salientou o Ilgo Wink). O que eu não consigo aceitar é o tom sensacionalista na cobertura. Tom esse que em nada contribui para a solução do problema.
Na matéria de capa que iniciou a série de reportagens sobre o assunto, o jornalista Paulo Germano empregou frases como  A violência tem cadeira cativa na Geral do Grêmio” e afirmou que a briga “maculou” a inauguração da Arena. Será que a briga maculou mesmo a festa? Quantos pessoas estavam no estádio? Certamente mais de 50 mil. Quantas pessoas se envolveram na briga? O site do Tribunal de Justiça noticia que a briga “resultou em seis detenções pela Brigada Militar“. O que significa/representa a conduta de meia dúzia de pessoas num universo de dezenas de milhares de torcedores? É o suficiente para “macular” tudo o que de bom aconteceu naquele dia?

No dia seguinte a esta publicação, houve nova matéria, estranhamente assinada pelo setorista do Internacional, requentando as informações do dia anterior e questionando a Brigada Militar, que por sua vez prometeu uma solução rápida. Nesse clima, comentários odiosos no Facebook viraram desculpa para matéria. Na virada do ano, o colunista Diogo Olivier propoes uma reflexão, com medo que aconteçam “mortes nos estádios, algo já nem tão raro assim em São Paulo e Rio. Então as mortes NOS ESTÁDIOS não são raridades no sudeste do país? e quando foi a última vez que isso aconteceu? Não seria mais acertado falar em mortes relacionadas ao futebol? Essa hipérbole é aceitável? Não seria o uso desse expediente uma das principais armas da mídia sensacionalista? 

Futebol é apaixonante, entre diversos motivos, porque atrai multidões. Pessoas das mais variadas crenças, formações e origens. É preciso saber conviver com as diferenças, mas ainda assim eu fiquei um pouco chocado com a falta de visão de mundo que um dos supostos líderes da geral demonstrou ao dar uma entrevista sobre o caso.  Triste.

Por último e mais preocupante é a postura do governo, aqui representado pela Brigada Militar. O Coronel coronel Alfeu Freitas havia ameaçado e ontem finalmente anunciou que os instrumentos musicais, faixas e bandeiras serão proibidos nos jogos da Arena. Uma medida que assemelha ao jogar o sofá fora da famigerada anedota. Uma medida que se repete e que não consegue solucionar problema. E nem pode solucionar, porque não guarda nenhuma relação com a causa. Pergunta-se: Quem a Brigada Militar quer punir? O que a Brigada quer punir? A Brigada tem competência legal para punir? Qual a relação das faixas com a briga? Como que a proibição de instrumentos musicais ajuda a prevenir novas ocorrências? Essa medida não serve muito mais para fornecer uma resposta rápida aos questionamentos da mídia?

É triste, mas o esgotamento desse cenário é parecido com o retratado na Inglaterra do final dos anos 1980. Se não ocorre na mesma intensidade, ao menos se verifica o mesmo infeliz tripé: Torcedores fechados no seu já restrido mundo, uma imprensa com forte viés sensacionalista e um governo que parece não saber como agir em relação ao esporte. 

* Foi feito um documentário chamado “One Night in Turin” baseado no livro. Em função disso as novas edições do livro passaram  também a serem entituladas assim. Considero que o All Played Out retrata melhor o espírito da obra. De qualquer forma recomendo o filme e, especialmente, o livro.