Libertadores – Grêmio 1×2 Huachipato

Não era a estreia do Grêmio na Libertadores, muito menos a estreia do time no ano. Mas foi uma noite de estreias de três reforços, de novidades nos três setores do time. Destes três, só Barcos deu boa resposta. Por óbvio isso afetou o conjunto tricolor. Talvez seja possível começar por aí a entender a derrota de ontem.
Mas essa não é a única explicação. Fundamentalmente o Grêmio perdeu porque jogou muito pouco. Começou a partida um tanto apático e estranhamente era o Huachipato que se mostrava mais a vontade em campo nos minutos iniciais. Não demorou muito e Falcone colocou os chilenos em vantagem, fazendo justiça a equipe se mostrava mais consciente no jogo. O resultado desfavorável evidenciou a velha dificuldade do Grêmio em jogar contra equipes fechadas. E o Huachipato não fez uma grande retranca, não catimbou, não abusou da violência, apenas fez uma partida acertada. O tricolor é que não mostrou inspiração para sair dessa situação. Elano e Zé Roberto eram bem marcados e isso engessou a criação gremista. Os laterais não contribuíam no apoio e a bola pouco chegava nos atacantes. Assim o Grêmio praticamente não teve chances no primeiro tempo.
É certo que, por estilo do treinador e por característica dos jogadores, o Grêmio é um time técnico, que gosto do jogo mais cadenciado com a bola no chão. E, preferências a parte, a não há nada de errado nisso. Mas é preciso ter alguma alternativa para quando esse tipo jogo não flui. No intervalo, Luxemburgo sacou Adriano e colocou Marcelo Moreno. Com dois centro-avantes era de se imaginar que o Grêmio iria tentar explorar o jogo aéreo. Mas isso não aconteceu. O time não está preparado para tal cenário. Quantas jogadas de linha de fundo foram feitas? Quantos rebotes o Grêmio ganhou? Para piorar a situação o Huachipato ampliou logo aos 5 da segunda etapa, numa bola lançada da intermediária que Braian Rodriguez subiu mais que Cris. O Grêmio diminuiu rápido, num bate e rebate dentro da área  em que foi marcado pênalti que Barcos converteu. Depois disso o Grêmio até teve mais chances, mas não criou uma pressão (sequer uma fumaceira) e acabou sendo merecidamente derrotado.

A derrota é ruim, mas acontece num momento onde ainda é possível buscar uma reparação. Talvez o resultado também seja usado para acalmar as expectativas mais delirantes. O Grêmio não precisa estar voando logo em fevereiro. Tem sim a obrigação de se classificar nessa fase para depois engrenar no momento de chegada.

Não deve ser fácil lidar com a pressão da torcida e os questionamentos da imprensa local. Luxemburgo abertamente adota a tática de fugir de alguma perguntas com respostas evasivas. Diversos técnicos bem sucedidos fazem o mesmo. Eu imagino que exista uma clara diferença entre o discurso interno e externo. Espero que, internamente, o Luxemburgo faça  uma análise mais coerente do que aquela que ele externou ontem na entrevista coletiva. Fica muito chato culpar o gramado.
Por outro lado o presidente Fábio Koff foi muito bem na sua fala. O diagnóstico foi correto. Resta saber quais serão as medidas adotadas a partir desse diagnóstico.
Falou-se ontem na falta de “espiríto de Libertadores“. Não que esse espírito por si só resolvesse, mas eu entendo que faz falta sim. E considero que isso passa também pelo clima do/no estádio. Eu estranho um campo sem bandeiras, sem faixas, sem fogos e sem instrumentos. Acho que é uma questão que precisa ser resolvida com certa urgência.
Por falar em estádio, decepcionante o público de ontem, ainda que se leve em conta o horário, carnaval, dificuldades de transição e etc… Atendendo pedidos o Grêmio construiu um estádio para 60 mil pessoas. Nem a metade disso compareceu ontem. E o estranho é que eram poucos (e caros) os ingressos disponíveis a venda ontem pela manhã. É mais um tema passível de ajuste.
Achei bem legal a camisa nova. Parece ser uma variação melhorada da camisa usada na inaguração da Arena. O uniforme usado pelo Huachipato ontem também era muito bonito.

Fotos: Lucas Uebel (Grêmio.net), Fabiano do Amaral (Correio do Povo) e Guilherme Testa

Grêmio Grêmio 1×2 Huachipato Huachipato

GRÊMIO: Marcelo Grohe; Pará, Cris, Saimon e André Santos (Marco Antônio – 27’/2ºT); Adriano (Marcelo Moreno – intervalo), Souza, Elano e Zé Roberto; Vargas (Welliton – 27’/2ºT) e Barcos.  
Técnico: Vanderlei Luxemburgo.
HUACHIPATO: Nery Veloso; Contreras, Labrín, Camilo Muñoz e Crovetto; Yedro, Sandoval, Reynero (Nuñez – 15’/2ºT), e Arrue (Aceval – 28’/2ºT); Federico Falcone (Gonzalez – 39’/2ºT) e Braian Rodríguez.  
Técnico: Jorge Pellicer.

1ª Rodada – Fase de Grupos – Libertadores 2013
Data: 14/02/2013, Quinta-feira, 19h45min
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre RS  
Público Total: 29.174 ( 28.164 pagantes)
Renda: R$ 1.276.060
Árbitro: Diego Abal (ARG)
Auxiliares: Hernan Maidana e Juan Belatti (ARG)
Cartões amarelos: Crovetto, Braian, Contreras (HUA)
Gols: Falcone , aos 17 do primeiro tempo; Braian Rodriguez, aos 5 e  Barcos (pênalti) aos 8 minutos do segundo.

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One Response to “Libertadores – Grêmio 1×2 Huachipato”

  1. Anonymous Says:

    Cara, o que não dá pra entender é porque o Grêmio não tem alternativas para enfrentar times que vem à Arena para jogar na retranca só esperando algum erro para atacar. Primeiro foi LDU e agora os chilenos…até quando?

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