Archive for March, 2013

Presença de Público no Brasileirão (2006-2012)

March 30, 2013

Eu atualizei o meu levantamento sobre a presença de público no Estádio Olímpico em jogos do campeonato brasileiro com os dados da competição de 2011. O resultado não foi alterado sensivelmente.

Em 130 jogos, a média de público pagante foi de 22.345 espectadores. Já a média de público total é de 25.900 torcedores.

E a torcida segue comparecendo em maior número nos jogos realizados em finais de semana:

Os jogos disputados em finais de semana levam 36% mais torcedores ao Olímpico do que os jogos disputados em finais de semana.

Gauchão – Grêmio 1×2 Cruzeiro

March 30, 2013

É um filme que se repete. O Grêmio tem imensa dificuldade em achar uma alternativa para quando o seu jogo de toque, de passe, de bola no chão não funciona. Talvez influenciado pela facilidade que resolveu seus últimos compromissos no Gauchão, o tricolor entrou em campo no modo “pijama training”. Durante todo o primeiro tempo, o time tinha a posse de bola, mas era lento e não criava chances. E não foi porque encontrou uma grande retranca do outro lado. O Cruzeiro também saiu para o ataque e teve a melhor oportunidade da primeira etapa, quando Cris providencialmente travou a conclusão de Jô.
No segundo tempo o jogo seguiu igual até a trapalhada de Werley e Grohe, que resultou no gol de Jô. Aí sim o Grêmio tentou mudar, passando a explorar a jogada de lado de campo com Welliton e forçar a bola aérea. O empate saiu num escanteio, em que Welliton completou pro gol a bola desviada no primeiro pau. Mas seis  minutos depois o Cruzeiro buscou o desempate. Reinaldo tomou a frente da marcação e cabeceou no primeiro pau (não é a primeira vez que o Grêmio sofre um gol assim em 2013). Depois disso a torcida apupou, o time tentou buscar novamente o empate, mas a bola queimava no pé e nada de produtivo aconteceu.

O 4-3-3 do Grêmio nunca se pareceu com um 4-5-1 usado modernamente. Sempre houve um espaço entre o meio e o ataque. Espaço esse que Barcos (o centroavante) e o Souza (o volante) tentaram ocupar. Além do mais o Grêmio teve muito pouca presença dentro da área para um time escalado com três atacantes.
Luxemburgo garante que a derrota não passou pelo esquema, culpando “a falta de vontade” pelo insucesso da equipe. Tem certa dose de razão. Contudo, não se pode ignorar  que esse esquema até agora não rendeu o esperado. Mas é justamente no gauchão que se deve procurar saber quais são os esquemas que rendem e  quais os que não rendem.
Porto Alegre tem quase 1 milhão e 500  mil habitantes. Nessa semana foram disputadas duas partidas do Gauchão na cidade. Uma teve um público de 1600 pessoas, na outra foram pouco mais de 13 mil torcedores ao estádio. O futebol profissional movimentou apenas 1% da população. Diante disso fica difícil entender porque a Brigada Militar “proibiu” a realização de dois jogos no mesmo dia da semana. 

Foto: Guilherme Testa (Divulgação)

Grêmio 1×2 Cruzeiro

GRÊMIO: Dida (Marcelo Grohe – Intervalo); Pará, Cris, Werley e André Santos; Fernando, Souza (Marco Antônio – 25’/2ºT) e Zé Roberto; Kleber, Welliton e Barcos (Willian José – 38’/2ºT)
Técnico: Vanderlei Luxemburgo
CRUZEIRO: Fábio; Reinaldo, Cláudio, Léo Carioca (Rogério – 24’/2ºT) e Marcelo Santos; Alberto, Almir, Faísca e Jean Paulo; Jean (Maxwall – 27’/2ºT) e Jô.  
Técnico: Benhur Pereira

4ª Rodada – 2ºTurno – Campeonato Gaúcho 2013
Data:  28/03/2013, Quinta-feira, 19h30min
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre (RS)
Público: 13.791 (11.278 pagantes)
Renda: R$ 310.843,00
Árbitro: Márcio Coruja
Auxiliares: José Eduardo Calza e Alexandre Kleiniche
Cartões Amarelos: André Santos e Pará; Reinaldo, Alberto, Marcelo Santos, Cláudio, Faísca e Jô

Gols: Jô , aos 14 minutos do 2º tempo, Welliton aos 22 min do 2º tempo e Reinaldo  aos 28 minutos do 2º tempo.

30 anos da Libertadores de 1983 – Bolívar 1×2 Grêmio

March 25, 2013
No seu terceiro compromisso na Libertadores de 1983, o Grêmio teria que enfrentar o Bolívar e os 3600 metros de altitude de La Paz. De todo o plantel, apenas Tita e De León tinha experiência em tal situação.
Por óbvio que a preparação do Grêmio para essa partida virou assunto dominante nos jornais de época.Sobre os efeitos da altitude, Tarciso disse que “Parece até aquela história do monstro do lago lá da Europa. É pura lenda. Acho que está muito da cabeça de cada um.” Por sua vez Renato Portaluppi disse que era “tudo história”  e que iria “pagar pra ver“, justificando da seguinte forma: “Afinal eu nasci num lugar alto; em Bento Gonçalves também faz frio”. O folclórico político e torcedor gremista Alceu Collares encontrou a delegação tricolor na Bolívia e garantiu que a maior parte dos problemas era de ordem psicológica. Experiente em Libertadores, o ex-zagueiro Ancheta alertava que em La Paz a “bola parece que não obedece a lei da gravidade“.
A bola em si merece um comentário a parte. Os jogadores gremistas estranharam a pelota usada pelas equipes bolivianas. O goleiro Remi chegou a usar tal fato para justificar a sua falha no gol sofrido pelo Grêmio.

Um fato curioso é que o planejamento inicial do Grêmio foi alterado já na Bolívia. Influenciados pelas experiências dos dirigentes do Blooming, os comandantes tricolores determinaram que o descolacamento de Santa Cruz de la Sierra para La Paz só seria feito no dia do jogo.

Outro episódio pitoresco dessa viagem foi protagonizado pelo presidente de Bolívar, Sr. Mário Mercado. Após ter assistido ao confronto do Grêmio e Blooming, ele teria se espantado com o baixo rendimento do time gaúcho e teria que prometido que sua equipe não proporcionaria o mesmo clima de “cavalheirismo” visto em Santa Cruz, e que seus atletas fariam um “jogo violento” em La Paz.

Diante de todo esse cenário, Valdir Espinosa decidiu simplicar o seu conceito de toque de bola. Pediu que os atletas fizessem um “bobinho” em campo, na sua já celébre “preleção de um minuto“. E as ordens do treinador gremista deram certo, muito embora o gol da vitória não tenha surgido em toques curtos, e sim num chute de longa distância de China. Diante dos bons resultados da excursão, a delegação gremista foi recebida com festa no aeroporto Salgado Filho.

O jogo foi transmitido pela TV Gaúcha. O Grêmio vendeu os direitos de televisionamento dos seus 3 primeiros jogos na Libertadores por Cr$ 40.000.000,00 (Cerca de 150 mil dólares). O curioso é que eu só encontrei imagens em vídeo da partida. Os principais jornais de Porto Alegre enviaram jornalistas para Bolívia, mas esses não fizeram registro fotográfico do jogo. E a revista Placar só publicou fotos do jogo contra o Blooming.

*Quarta-feira, 23 de março de 1983
Equipe embalada para jogar em La Paz.

A vitória sobre o Blooming por 2 a 0 cobriu de entusiasmo e confiança o plantel gremista. O resultado deixou o Tricolor na liderança do Grupo 2 com três pontos ganhos e um novo resultado positivo no jogo seguinte, contra o Bolívar, encaminharia a classificação para a fase semifinal da melhor maneira possível já que a equipe gremista iria enfrentar os bolivianos no Olímpico, nos jogos de volta.
Dentro de um projeto visando minimizar os efeitos da altitude, em La Paz, a delegação seguiu hospedada em Santa Cruz de La Sierra com partida marcada para La Paz apenas no dia do jogo.
No dia seguinte à vitória sobre o Blooming, os jogadores que atuaram os 90 minutos receberam folga. O resto do grupo realizou um treinamento leve sob o comando do preparador Ithon Fritzen.
Em todos os momentos com o grupo, Valdir Espinosa tratou de preparar a cabeça do jogador para que o assunto “altitude” não viesse a influenciar o psicológico de cada um.A tática não poderia ter sido melhor. (Gremio.net)

*Quinta-feira, 24 de março de 1983
O fantasma da altitude

Nenhum aspecto extra campo ficou de fora dos preparativos do Grêmio para a partida contra o Bolívar, na altitude de La Paz. A diretoria, auxiliada pelo departamento médico e a equipe de preparação física, pensou em todos os detalhes, desde uma alimentação especial organizada por nutricionistas até a viagem para La Paz no mesmo dia do jogo.
O técnico Valdir Espinosa, preocupado com o efeito psicológico que o fantasma da altitude poderia provocar sobre o grupo de atletas, procurou amenizar e tranqüilizar cada um dos jogadores. Uma conversa franca deixou o grupo ciente de que enfrentar a altitude de La Paz não seria um bicho de sete cabeças.
Evitando o desgaste, a equipe realizou um trabalho leve na manhã de quinta-feira no gramado do estádio Tauichi Aguilera, onde o Tricolor vencera o Blooming na terça-feira passada, comandado pelo preparador Ithon Fritzen.
A viagem para La Paz ficou marcada para a manhã de sexta-feira, dia do confronto contra o Bolívar.
*Sexta-feira, 25 de março de 1983
Vitória heróica com gol espetacular
O vôo de Santa Cruz de La Sierra para La Paz foi rápido e a delegação gremista desembarcou por volta das 10h.
Ainda no aeroporto, os sintomas da altitude já se fizeram presentes: o vice-presidente de Futebol, Alberto Galia, sentiu fortes tonturas e teve que ser atendido no local.
A delegação seguiu imediatamente para o hotel.
Seguindo determinação do médico Alarico Endres, os jogadores permaneceram descansando nos quartos para evitar desgastes desnecessários.
Dentro do processo de preparação para este confronto, o Grêmio não deixou de fora nenhum detalhe. Até mesmo a alimentação ingerida pelos atletas passou por uma minuciosa análise feita por uma equipe de nutricionistas. Foi privilegiada uma alimentação baseada em carboidratos e suplementos de fácil absorção com destaque para os doces.
Após o almoço, os jogadores seguiram descansando até o horário da palestra do técnico Valdir Espinosa.
Uma palestra, aliás, que merece uma atenção especial: estando todos os jogadores, dirigentes e comissão técnica reunidos em uma ala do hotel, Valdir Espinosa pediu a palavra. Caminhou pela sala e, olhando para os jogadores soltou: “chocolate neles”.
Foi a palestra mais rápida da história do Grêmio.
Na verdade, era a senha para que os jogadores colocassem em prática tudo aquilo que já havia sido trabalhando tanto dentro de campo quanto mentalmente.
– Naquele momento, precisava diminuir ao máximo a adrenalina dos jogadores, pois o efeito, na altitude, é prejudicial. Já havíamos conversado bastante sobre o que fazer, não precisava dizer mais nada naquela hora. Explicou Espinosa.
Quem não gostou nada da palestra do treinador gremista foi o presidente Fábio Koff.
– Ele ficou indignado. Queria a demissão do Espinosa. Sorte que conseguimos a vitória. Lembrou Antônio Carlos Verardi, Supervisor do Clube.
Mas não foi uma vitória fácil.
Empurrado pela torcida e num ritmo frenético, o Bolívar partiu pra cima do Grêmio.
Acuado, o Tricolor tratou de se segurar como podia. Remi foi se transformando no grande nome do jogo com pelo menos duas defesas à queima roupa com os atacantes bolivianos.
O Grêmio respondeu em duas oportunidades com Tita. Numa delas, em bola parada, o meia gremista levou perigo.
Depois de tanto pressionar, o Bolívar abriu o marcador aos 35 minutos. Gallo chutou forte, rasteiro, da entrada da área. Remi calculou mal a defesa e deixou a bola escapar de seus braços. No rebote, o zagueiro Navarro empurrou para o gol aberto.
Atrás no marcador e tendo que enfrentar a altitude de quase 4 mil metros de La Paz, o Grêmio chegou a perder a cabeça em algumas oportunidades. China cometeu uma falta feia e levou apenas cartão amarelo.
O apito do árbitro determinando o intervalo veio na hora certa.
No vestiário, mais uma vez Espinosa foi sucinto na conversa com os jogadores:
– Eu pedi para que eles fizessem como se estivessem em uma roda de “bobinho”, colocando o adversário na roda e partindo pra cima quando tivessem a oportunidade. Lembrou o treinador gremista.
O Bolívar voltou para o segundo tempo disposto a matar o jogo. Aos oito minutos, depois de um escanteio, Vargas acertou o poste direito de Remi.
Escapou o Grêmio.
Coincidência ou não, o Grêmio chegou ao empate um minuto depois da entrada de Tarciso. Ele ingressou na partida aos 20 minutos, no lugar de César, e o Grêmio marcou aos 21: Casemiro recebeu na esquerda e cruzou com perfeição. Osvaldo entrou de cabeça e venceu o goleiro. 1 a 1!
O gol chegou na hora certa. O time cresceu em campo e o Bolívar se encolheu sentindo a força do Tricolor.
O toque de bola pedido por Espinosa surtiu efeito e o Grêmio passou a dominar a partida.
A altitude, até então o maior fantasma, parecia não existir mais e o Tricolor passou a sobrar em campo na parte física.
Espinosa colocou Bonamigo no lugar de Tonho fazendo com que Tita pudesse se movimentar mais comandando o jogo no meio campo.
Sentindo que poderiam obter um resultado melhor que o empate, os jogadores partiram pra cima.
No minuto 37, surgiu o gol da vitória gremista. Um gol espetacular.
Depois de envolver o adversário no toque de bola, Tita virou o jogo para China, poucos metros à frente da linha do meio campo. China dominou e mandou a bomba. Um chute inacreditável. A bola viajou por aproximadamente 50 metros até encobrir o goleiro Elso. Grêmio 2 a 1!
Três minutos depois, Tarciso ainda perdeu a chance de ampliar.
No final, grande vitória gremista reconhecida como uma das mais difíceis da competição.
Um dia histórica para o Grêmio e para China que, segundo ele, marcou o gol mais bonito de sua vida. (Gremio.net)


Sobre esse jogo é interessante o relato do Valdir Espinosa:

Preleção de um minuto.

O jogo da Seleção Brasileira neste final de semana em La Paz traz a tona, novamente, o problema de jogar nos 3.600 metros de altitude em La Paz e me recorda quando estive lá pela primeira vez, com o Grêmio, para enfrentar o Bolívar pela Copa Libertadores da América em 1983.
Primeira fase da competição sulamericana. Grupos de 4 equipes. Classificava-se apenas uma e no nosso grupo tínhamos que enfrentar Bolívar, Blooming e Flamengo. Os problemas acarretados pela altitude eram maiores, o conhecimento destes efeitos ainda não eram tão estudados e a preparação física estava iniciando a era científica. Na semana do jogo em La Paz todos estavam assustados em Porto Alegre com o fantasma da altitude, imprensa, torcida, direção, jogadores e comissão técnica.
A preparação foi toda diferente, mudança na alimentação, nos horários dos treinamentos, tudo para atenuar os efeitos da altitude. Até aquela oportunidade, me parece, que nenhuma equipe estrangeira havia conquistado duas vitórias na Bolívia, pois enfrentava-se as duas equipes do outro país na mesma semana na casa deles e depois eles vinham ao Brasil. Jogamos em Santa Cruz de la Sierra e vencemos o Blooming, viajamos para La Paz no dia do jogo, chegamos ao meio-dia para jogar a noite. Sabia que não poderíamos enfrentar o Bolívar tentando impor velocidade.
Iniciei a preleção as 18:00 horas. Pela primeira vez naquela temporada estavam presentes o supervisor do Grêmio, Verardi, e o presidente Fábio Koff. Comecei falando que aquele jogo deveria ser organizado como uma rodinha de bobo, aonde estivesse a bola deveriam estar quatro jogadores nossos, quando chegasse um deles trocassem o local da roda. Não deveríamos ter a preocupação de atacar e sim de ter a bola. Desejei sorte para todos. Encerrei a preleção.
O presidente, assustado, falou para o Verardi:”No final do jogo pode mandar esse treinador embora. Em um dos jogos mais importantes da história do Grêmio ele dá uma preleção de um minuto só.”
Primeiro tempo, só posse de bola e a rodinha de bobo. No intervalo eu disse : ‘Agora vamos movimentar a rodinha em direção ao gol deles, vamos atacar.’ Perdíamos por 1 a 0 e viramos o jogo com gols de Osvaldo e China. Final Bolívar 1 x 2 Grêmio. Terminamos o jogo ainda mais descansados do que a equipe do Bolívar.
Após isso tudo o Dr. Fábio Koff entendeu que era um jogo em que tínhamos que entrar em campo tranquilos, sem muita adrenalina, por isso não seria correto fazer uma preleção com altas doses de motivação.
O resultado da história voces sabem… Continue empregado e fomos Campeões da Copa Libertadores da América.” (Valdir Espinosa)

China foi recebido como herói após marcar um golaço em La Paz
Renato desembarcou em Porto Alegre com um portentoso chapéu

Bolívar 1×2 Grêmio

BOLIVAR: Elso; Vargas, Navarro, Urizar e Arias (Figueroa); Ângulo, Gallo e Romero; Borja, Salinas e Silva (Baldessari)
Técnico:  Ramiro Blacut

GREMIO: Remi; Silmar, Leandro, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato, César (Tarciso) e Tonho(Bonamigo).
Técnico: Valdir Espinosa
Reservas: Beto, Baidek, Bonamigo, Tarciso e Lambari.


Fase de Grupos – 3ª rodada – Libertadores 1983

Data: 25 de março de 1983, sexta-feira, 21h30min
Local: Estádio Hernando Siles em La Paz- Bolivia
Juiz: Ernesto Filippi (Uruguai)

Auxiliares: Ramón Barreto e Jose Luis Bazan 
Cartões Amarelos: Renato, Casemiro, China,  Arias e Navarro
Gols: Navarro (BOL – 35 do 1ºT) Osvaldo (21 do 2ºT) China (37 do 2ºT)

Gauchão – Grêmio 2×0 Caxias

March 25, 2013

A grande atração da noite era o teste do esquema com 3 atacantes promovido por Vanderlei Luxemburgo. Mas esse formação durou pouco mais de 20 minutos, período no qual o Grêmio teve dois pênaltis marcados a seu favor (um convertido por Kleber e outro desperdiçado por Barcos). De resto o jogo foi bastante enfadonho, o Caxias ficou atrás e não apresentava nenhuma alternativa para o contra-ataque. O Grêmio se acomodou e foi conduzindo a vantagem de forma burocrática. A entrada de Elano no segundo tempo deu uma agitada no ataque que parecia estar pouco inspirado e o segundo gol saiu aos 36 minutos, quando Kléber completou para as redes a cobrança de escanteio vinda do lado direito.
O resultado veio com pouco esforço. Infelizmente o Gauchão está nesta situação. A data de um jogo é mais importante do que o adversário a ser enfrentado. E as vantagens que decidem o campeonato são estabelecidas na loteria do calendário, de quem precisa ou não usar reservas, da sobreposição de datas e dos favorecimentos da Federação.
Os portões dos corredores do quarto anel seguem abertos. Ainda não entendi qual a função deles. Havia também uma espécie de cordão/cerca impedindo a torcida visitante de chegar perto das primeiras fileiras do seu setor. E novamente o percentual de não pagantes foi expressivo.

Luxemburgo justificou o 4-3-3  por ser “uma tendência no cenário mundial” e disse que é preciso “ter tempo e jogadores que possam fazer isso”. Minhas principal dúvida reside neste último ítem. Não sei se os atacantes do plantel tricolor tem as características necessárias para esse esquema. Kléber é brigador, incomoda os zagueiros, mas não tem o costume de ajudar na recomposição e fechar as linhas defensivas. E o Welliton foi  (corretamente) definido como um “matador” pelo treinador. Mas ainda assim considero saudável que sejam pensadas alternativas de jogo para o time.

 

Fotos: Lucas Uebel (Grêmio.net) e Grêmio1983

Grêmio 2×0 Caxias

GRÊMIO: Dida; Pará, Cris (Bressan/Intervalo), Werley e Guilherme Biteco; Adriano (Elano/ 25’2ºT), Souza e Zé Roberto; Kleber, Welliton (Marco Antonio/23′ 1ºT) e Barcos.  
Técnico: Vanderlei Luxemburgo.
CAXIAS: Anderson; Luiz Felipe, Jean, Lino e Victor (Lucas Galvão/35’2ºT); Marcelo Carvalho, Paraná, Alisson e Renato Medeiros (Karl/24′ 2ºT); Zambi e Rafael Santiago.  
Técnico: Picoli.
3ª Rodada – 2º Turno – Gauchão 2013
Data: 23/03/2013, Sábado, 21h00min
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre (RS)
Público: 17.749 (15.530 pagantes)
Renda: R$ 505.996,00  
Árbitro: Fabrício Corrêa
Auxiliares: João Franco Filho e Elio de Andrade Junior
Cartões amarelos: Luiz Felipe, Anderson e Victor; Kleber e Guilherme Biteco
Gols:Kleber (pênalti), aos 16 minutos do 1º tempo e aos 36 minutos do 2º tempo.

30 anos da Libertadores de 1983 – Blooming 0x2 Grêmio

March 22, 2013

Depois do empate na estréia em casa contra o Flamengo, o Grêmio preparou cuidadosamente a sua viagem até a Bolívia, onde enfrentaria o Blooming e Bolívar.  O tricolor enfrentava uma sequência dura de jogos, uma vez que também disputava o Campeonato Brasileiro naquele momento. A equipe principal era usada nos dois torneios. Comissão técnica e atletas davam declarações políticas sobre querer ganhar os dois torneios, mas o presidente Fábio Koff não escondia a sua preferência pela Libertadores.

Uma reportagem de Joabel Pereira, publicada no Correio do Povo, noticiava que o bicho por vitória na Libertadores era de 300 mil cruzeiros, bastante superior aos Cr$ 60 mil oferecidos por triunfo na segunda fase do Brasileirão (Cr$ 36 mil na primeira fase).
O planejamento inicial passava por conquistar 3 dos 4 pontos que seriam disputados em solo boliviano. O primeiro compromisso estava marcado para o dia 22 de março, contra o Blooming, adversário sobre o qual o Grêmio não tinha muitas informações. Espinosa admitiu que “o máximo que conseguiu foi o endereço de um brasileiro que mora em Santa Cruz de la Sierra e gosta de futebol”. Diante disso, o treinador gremista falava que o tricolor teria que “impor sua filsofia de jogo”, e naquela época isso consistia em valorizar a posse de bola, a troca de passes, com um meio de campo afeito a cadenciar o jogo.
E o plano deu certo. Apesar de não ter sido brilhante, o Grêmio foi eficiente. Segurou o jogo no primeiro tempo e saiu para marcar dois gols no segundo, conquistando importante vitória no grupo.

*Segunda-feira, 21 de março de 1983.
Operação Bolívia.

Sem muitas informações sobre os dois adversários bolivianos do Grupo 2 da Libertadores, o Grêmio desembarcou em Santa Cruz de la Sierra com a obrigação de conquistar resultados positivos em território inimigo.
A principal preocupação ficava por conta do Bolívar, campeão do país e adversário da sexta-feira. Na semana anterior, o time de La Paz havia feito sua estréia jogando em casa e aplicando uma goleada de 6 a 0 sobre o Blooming.
O resultado deixou a equipe na liderança do Grupo por pontos e ainda com um excelente saldo de gols.
Porém, antes do combate contra o Bolivar, o objetivo era não perder o foco do Blooming. Apesar da fragilidade, era um adversário desconhecido e jogaria com o apoio de sua torcida e com a obrigação de vencer após a derrota na estréia.
O ponta-esquerda Tonho, lesionado, era a principal dúvida de Valdir Espinosa no ataque. Lambari era a opção.
Renato, completamente recuperado de uma lesão muscular, havia ganho a posição de Tarciso na direita após os últimos jogos pela Taça Brasil.
No meio, Osvaldo voltava ao time após ficar de fora na estréia.
O lateral-direito Paulo Roberto nem viajou para a Bolívia. Ficou em Porto Alegre negociando sua transferência para o São Paulo. Silmar ocuparia sua vaga. (Gremio.net)

 

*Terça-feira, 22 de março de 1983 
Vitória importante em Santa Cruz de La Sierra.

Apesar do forte calor e do clima abafado, Grêmio entrou em campo no estádio Ramón “Tahuichi” Aguilera encontrando um ambiente surpreendentemente favorável para enfrentar o Blooming. Depois da derrota para o Bolívar na estréia, o torcedor compareceu desanimado para o enfrentamento contra o Tricolor. Aquele clima de pressão característico dos jogos pela Libertadores realizados na Argentina, Uruguai e Chile praticamente não existiu.
Para o Grêmio, bastava colocar a bola no chão e enfrentar o Blooming sem se preocupar com os fatores externos.
Já nos primeiros minutos de jogo, ficou evidente a superioridade gremista.
Lambari apresentava dificuldades para vencer o lateral e o time passou a forçar as jogadas pela direita.
Renato tratou de infernizar a defesa boliviana, porém exagerando um pouco na individualidade.
No meio, César e Osvaldo se movimentavam bastante aparecendo com força no ataque.
O time criou bastante nos primeiros 45 minutos e teve a oportunidade de abrir o marcador em pelo menos quatro lances. No melhor deles, Tita cobrou uma falta no poste direito do goleiro Terrazas. No rebote, Lambari perdeu.
Certamente, no intervalo, o técnico Valdir Espinosa pediu um pouco mais de empenho aos jogadores e mais tranqüilidade na hora de concluir.
A segunda etapa começou com um susto: logo no primeiro minuto, o ponta Reveliz chutou, a bola desviou em Silmar, tirou Remi da jogada e bateu no travessão.
Não demorou muito para o time responder: Renato recebeu de Tita na frente do goleiro, driblou e chutou para o gol aberto. O zagueiro Gallardo salvou sobre a linha mandando para escanteio.
Na cobrança do escanteio da esquerda de Lambari, Tita marcou de cabeça se antecipando à zaga, no primeiro pau.
Grêmio 1 a 0.
Dois minutos depois, a qualidade técnica de Renato surtiu efeito sobre o marcador. Bola levantada da esqueda no segundo pau. César ajeitou de cabeça. Renato dominou, deu um drible desconcertante no zagueiro e chutou na saída do goleiro.
Com 2 a 0 no marcador e sobrando em campo, a equipe diminuiu o ritmo tratando de tocar a bola. Provavelmente já pensando no desgaste que iriam enfrentar na altitude de La Paz na sexta-feira, dia 25.
Ainda que não tenha melhorado o saldo de gol, o Grêmio comemorou o primeiro lugar no Grupo”.(Grêmio.net)

UMA VITÓRIA SEM RESTRIÇÃO
LA PAZ (UPI) – A imprensa esporiva local comentou de forma unânime que o Grêmio, vice-campeão brasileiro de 1982, obteve legítima vitória de 2 a 0 sobre o Blooming, vice-campeão boliviano, nas eliminatórias do Grupo 2 da Libertadores da América.
O jornal “El Diario” comentou que o “Grêmio mostrou que tem bons jogadores, especialmente seus ponteiros Renato e Lambari”, o que justifica sua vitória. Acrescentou que o resultado complia o Bolívar, porque este terá que ganhar todas as partidas em casa e, além disso, obter alguma bom resultado no Rio de Janeiro e Porto Alegre para alcançar a pretendida classificação”.
Por seu lado, o jornal católico “Presencia” destacou que o Blooming, que havua prometido compensar sua derrota para o Bolívar, não conseguiu o objetivo porque enfrentou “um rival superior em todas as linhas”, “O Grêmio mostrou ser uma equipe bem plantada, com jogadores muito hábeis, que mostraram a diferença que existe entre nosso futebol e o brasileiro. Não se acredite que o Blooming jogou mal, não. Simplesmente, o Grêmio foi muito superior, sendo o resultado um correto prêmio à sua atuação”, afirmou”  (Correio do povo – 24 de março de 1983)

O GRÊMIO DÁ O SEGREDO PARA O FLA
Na estréia diante do Blooming,  a inofensivos 400 m a cima do nível do mar, o Grêmio estudou o adversário no primeiro tempo e liquidou-o no segundo, ao constatar a sua fragilidade. O jovem ponta-direita Renata e o meia-esquerda Tita marcaram os dois gols e foram os principais destaques desse jogo, em que o vice-campeão brasileiro de 1982 só não goleou porque se poupou para o segundo compromisso, três dias depois.” (Revista Placar – 1º de abril de 1983)

PREJUÍZO DO GRÊMIO
A partida contra o Blooming rendeu 15 mil dolares e o Grêmio ganhou 3.000 dólares para as despesas. Esta quantia é insuficiente para enfrentar as despesas que tem na Bolívia. Só com o hotel o Grêmio gastará 11.000 dólares, sem falar nas passagens. E sem contar seis milhões de cruzeiros de prêmio pela vitória contra o Blooming.” (João Carlos Belmonte – Correio do povo – 25 de março de 1983) 

PETRY E AS GENTILEZAS
Rudi Armin Petry é um dirigente experiente e que já viajou por vários lugares do mundo com o Grêmio. Mas ficou entusiasmado com a recepção dos dirigentes do Blooming: “Difícil encontrar no Exterior uma acolhida tão bonita e tão gentil como a que tivemos em Santa Cruz de La Sierra”, disse-me ele” (João Carlos Belmonte – Correio do povo – 25 de março de 1983)

COM LAMBARI, 2 VITÓRIAS
Já na primeira etapa de ontem o Grêmio demonstrava ser melhor que o fraco Bloooming. Tita tinha mandado uma falta na trave e o goleiro defendera outra espetacularmente. E mais uma vez se destacava na defesa um jogador que está direitinho, certinho há cinco jogos consecutivos: Leandro. Não está fazendo bobagem e seguramente se mostra superior a De León na zaga. Sem falar nos três gols salvos por Leandro, debaixo dos paus, em três partidas dessas cinco. A vitória sobre o Blooming, pois, deu ao Grêmio maior confiança para enfrentar o verdadeiro e difícil obstáculo da Bolívia na sexta-feira o Bolívar, que ganhou do derrotado de ontem por 6 a 0.” (Paulo Sant´Ana – 23 de março de 1983)

IDÉIA DA VITÓRIA
Futebol tem disso: situações ilusórias. Não se pode traçar o perfil de uma equipe apenas em resultados isolados. O Grêmio que vi, por exemplo, impondo uma goleada sobre o Sergipe no Olímpico não me impressionou e nem acrescentou novidade ao já conhecido. Foi uma vitória natural e obrigatória do muito mais forte sobre o muito mais fraco. Algo parecido a televisão nos mostrou anteontem de Santa Cruz de la Sierra. Um adversário de futebol primário mas que, em vários momentos, andou complicando a movimentação do vice-campeão brasileiro. Significa que o Grêmio não anda em inteira paz com o seu futebol.” (Antônio Goulart – Correio do povo – 24 de março de 1983) 

A SUBIDA DOS ANDES
O Grêmio fez uma exibição relativamente pobre contra o Blooming. Mas poderá justificá-la até pela inexperiência e tensão do jogo. Libertadores é competição que enerva mais. É campeonato superior, o ambiente no Exterior também influi no ânimo e, particularmente, no caso, quando há um fantasma esperando – como a atitude, que terão pela frente -, o pessoal se abala. Como, no entando, mesmo jogando pouco deu para ganhar 2×0, talvez com o tempo de esperar até sexta-feira algumas coisas possam ser corrigidas, como, por exemplo, o posicionamento de César – que nada jogou anteontem: China, que errou demais os passes; Tita e Osvaldo – que estão ajudando pouco na marcação adversária, etc.” (Lasier Martins – Correio do povo – 24 de março de 1983) 

BLOOMING: Terrazas; Herrera, Gallardo (Noro) Villalon e Vaca. Melgar, Castillos (Paniagua) e Taborga; Reveliz, Sanchez e Rojas.
Técnico: Raul Pino

GREMIO: Remi; Silmar, Leandro, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato, César e Lambari.
Técnico: Valdir Espinosa
Reservas: Beto, Baidek, Bonamigo, Robson e Tarciso.


Fase de Grupos – 2ª rodada – Libertadores 1983
Data: 22 de março de 1983, terça-feira, 22h30min
Local: Ramon Tauhichi Aguilera em Sta. Cruz de La Sierra – Bolivia
Juiz: Ramon Barreto (Uruguai)

Auxiliares: Jose Martinez e Ernesto Filippi 
Gols: Tita, aos 7 minutos do 2º e Renato aos 9 minutos do 2º tempo

Gauchão – Pelotas 1×3 Grêmio

March 21, 2013

O Grêmio esperava pressão do time da casa. O treinador do Pelotas queria “brigar pela bola durante os 90 minutos“. Nada disso aconteceu no começo do jogo. O Áureo-Cerúleo esperava recuado no seu campo de defesa e os atletas gremistas rodavam a bola esperando uma oportunidade. E ela apareceu aos 7 minutos. Barcos chutou rasteiro da entrada da área, a bola não foi tão no canto mas o goleiro Jonathan aceitou: 1×0. O Pelotas chegou a colocar bola na trave (cobrança de falta de Diego Torres), mas o Grêmio seguia melhor e marcou o segundo gol com Welliton, após boa jogada de Zé Roberto e Souza.
No segundo tempo a defesa do Grêmio deu alguns sustos, os experientes Dida e Cris se mostraram irregulares. O Lobão chegou a diminuir na cabeçada de Diego Torres, mas ficou longe de ameaçar a vitória tricolor. Aos 23, Barcos deu grande assistência e Elano marcou o terceiro. Kleber e Bertolgio entraram interessados no jogo, fizeram algumas boas jogadas, mas não marcaram o quarto gol tricolor.

Barcos mais uma vez foi decisivo. Mais uma vez marcou e mais uma vez recuou para buscar jogo e dar passe para os meias que se infiltram na área.
Eu não consigo entender a montagem da tabela do Gauchão. É o quarto ano seguido que o Grêmio joga na Boca do Lobo, enquanto o Co-Irmão sempre recebe o Pelotas em casa.
Eu tenho minhas dúvidas quanto ao Biteco como lateral-esquerdo. Posso estar enganado, mas acho que, pela qualidade e pelo tamanho, ele renderia mais jogando numa função mais avançada.

Adriano pela primeira vez funcionou como “cão de caça”, buscando o bote. É uma característica interessante, que precisa ser devidamente dosada.

Achei interessante que o Luxemburgo não tenha iniciado com um 4-3-3. O Grêmio parece ainda não ter uma solidez defensiva que permita escalar 3 atacantes desde o começo do jogo.

Fotos: Edu Andrade (Terra), Jô Folha (Diario Popular) e EC Pelotas
Pelotas 1×3 Grêmio
PELOTAS: Jonatas; Igor, Gabriel, Tony e Brida (Arturo – 35’/2ºT); Tiago Gaúcho, Márcio Lopes (Jadilson – intervalo), F. Gadelha e Diego Torres; Clodoaldo (Felipinho – intervalo) e Wellington
Técnico: Luiz Carlos Barbieri.

GRÊMIO: Dida; Pará, Werley, Cris e Guilherme Biteco; Adriano, Souza, Marco Antônio (Bertoglio – 24’/2ºT) e Zé Roberto (Elano – intervalo); Welliton (Kleber – 17’/2ºT) e Barcos
Técnico: Vanderlei Luxemburgo

2ª Rodada – 2º Turno – Gauchão 2013

Data: 20/03/2013, Quarta-feira,  22h00min
Local:
Estádio Boca do Lobo, em Pelotas (RS)
Público: 7931 pagantes
Renda: R$ 214.308,00
Árbitro: Luis Teixeira Rocha
Auxiliares:
João Lúcio de Souza e Leirson Martins
Cartões amarelos:
Welliton, Elano(G) Igor, Jadilson, Gabriel, Diego Torres (P)
Gols: Barcos, aos 6 minutos e Welliton, aos 33 minutos do primeiro tempo; Diego Torres aos 13 minutos e Elano aos 23 do segundo tempo

Os não pagantes na Arena

March 20, 2013
Um fato que me chamou a atenção nos primeiros jogos da Arena foi o baixo número de não pagantes em relação ao público total. Nos números divulgados se vê uma séria redução na comparação com os números Olímpico no ano passado.
Dos 36 jogos disputados na Azenha em 2012, apenas 3 tiveram um púbico de não pagantes correspondente a menos de 10% do público total. Nos dois primeiros jogos da Arena em 2013 esse número ficou abaixo dos 5%.
A suposição que eu fiz foi a de que tal mudança se deu em razão da alteração na política de ingresso de menores. No Olímpico, menores de 12 anos não pagavam para assistir os jogos no anel inferior. Na Arena, apenas as crianças de colo (menores de 2 anos) ficam isentadas de ingresso.

Contudo, já no jogo contra o Caracas o número de não pagantes praticamente dobrou, sem que houvesse um acompanhamento do número de pagantes. E contra o Lajeadense o percentual de não pagantes saltou para espantosos 14%, que era o costumeiro do Olímpico.

O que explica esse aumento? Quem são de fato os não pagantes? Esses números dos últimos jogos são registros pontuais ou efetivamente essa prática vai retornar ao patamar do Olímpico?

Gauchão – Grêmio 2×0 Lajeadense

March 18, 2013

O primeiro jogo de Gauchão na Arena tinha tudo para ser um jogo interessante. O Lajeadense tem um time bem organizado, com uma defesa bem entrosada e uma dupla de zaga forte. Mais uma oportunidade do tricolor encontrar alternativas para furar retrancas na Arena.
A principal arma gremista foi a movimentação dos seus homens de frente. E aí o grande destaque foi Zé Roberto, que atuava como um ponta de lança, ora ingressando na área para concluir, ora caindo no espaço que se abria na ponta esquerda de ataque (onde também apareciam Souza e André Santos). Aos 22 o camisa 10 tricolor recebeu grande passe de Elano e concluiu da marca do pênalti, mas a bola foi pra fora raspando a trave. Pouco depois, Eduardo Martini fez grande defesa em chute de Barcos e contou com a trave e com alguma complacência da arbitragem (Acredito que bola tenha entrado) para evitar o gol gremista. Mas aos 30 minutos, Barcos buscou jogo fora da área, Pará ingressou pelo lado direito e rolou para trás, onde estava Zé Roberto que marcou o 1×0 com o pé direito.
No segundo tempo, mesmo com o resultado adverso, o Lajeadense seguiu com a mesma postura: Bem postado na defesa e pouco ameaçador no ataque. Assim o jogo perdeu um pouco em emoção. Aos 23 minutos Zé Roberto novamente aproveitou o espaço deixado por Barcos e marcou o segundo, numa conclusão brilhante na saída do goleiro. Muito pouco aconteceu depois disso e o Grêmio encaminhou a vitória com certa tranquilidade.

Nos minutos finais, Luxemburgo retirou um meio-campista e colocou Kléber em campo. Uma alternativa por muitos sugerida. Mas me parece que essa medida serviu muito mais para dar ritmo ao Gladiador do que propriamente para testar a eficácia do 4-3-3. Não houve como analisar a recomposição defensiva (que é a minha principal desconfiança com tal sistema).
Ouvi críticas ao desempenho de Barcos no pós-jogos da rádios. Não posso concordar. O pirata participou dos dois gols e teria marcado o seu, não fosse o milagre de Eduardo Martini.
Cheguei na Arena pouco mais de uma hora antes do início do jogo. Era possível observar uma movimentação estranha, diferente da dos jogos anteriores na Arena. Fiquei surpreso com as filas na bilheterias. É de se supor que muitos gremistas aproveitaram um jogo de menor procura para conhecer a Arena.  Em certo ponto compreensível que a administração da Arena não tenha imaginado tal cenário. Mas a solução para tal problema deveria ter sido mais ágil. Não me parece que deixar de vender ingresso na hora seja uma medida inteligente. A capacidade ociosa da Arena deve ser explorada.
Colocaram divisórias entre as cadeiras do quarto anel e portões nos corredores para separar estes setores. Ontem os portões estavam abertos e era possível circular por todo o 4º anel.

Achei curioso que apenas 4 mil dos 16 mil presentes eram sócios. E o número não pagantes está crescendo.

Fotos: Itamar Aguiar (Grêmio.net) e Ricardo Rimoli (Lance)

Grêmio 2×0 Lajeadense

GRÊMIO: Dida; Pará, Werley, Cris e André Santos; Fernando (Adriano – 34’/2ºT), Souza, Elano (Kleber – 27’/2ºT) e Zé Roberto; Vargas (Welliton – 34’/2ºT) e Barcos
Técnico: Vanderlei Luxemburgo

LAJEADENSE: Eduardo Martini; Marcio Gabriel (Leandro – 31’/2ºT), Micael, Gabriel e Márcio Goiano; Rudiero, Reinaldo, Moisés (Mineiro – 21’/2ºT) e Renan Oliveira; Rafael Aidar e Jandson
Técnico: Flávio Campos.

1ª Rodada – 2º Turno – Campeonato Gaúcho 2013
Data: 16/03/2013, Sábado, 18h30min
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre-RS
Público total: 16.153(13.767 pagantes)
Renda: R$ 393.997,00
Árbitro: Vinícius da Costa
Auxiliares: Paulo Ricardo Conceição e Marcelo Oliveira e Silva
Cartão Amarelo: Gabriel e Márcio Gabriel (LAJ); Zé Roberto (GRE)
Gols: Zé Roberto aos 30’/1ºT e aos 23’/2ºT

Libertadores – Caracas 2×1 Grêmio

March 13, 2013

O Grêmio fez um jogo de altos e baixos em Caracas. Apesar de ter levado um susto logo no começo, o primeiro tempo foi de domínio tricolor, que tratou de impôr seu jogo. Mesmo com o gramado horrível o Grêmio tratou de tentar fazer a bola andar. Com os seus meias bem abertos, o time se valia dos lados do campo para atacar, usando de inversões e cruzamentos para vencer a marcação. Aos 17 minutos, André Santos cruzou da esquerda e Elano, fechando no segundo pau, completou de cabeça. Mesmo após o 1×0 o tricolor seguiu atacando e teve chances de marcar o segundo. A principal dificuldade era a bola “viva” em função do terreno irregular e as marcações confusas do juiz da partida.  Mas essas são dificuldades correntes na Libertadores. Aos 47, o Caracas teve uma falta questionável marcada próximo ao bico da área. A cobrança estourou na barreira, mas Peña pegou o rebote sozinho, na meia lua, e anotou o 1×1
É difícil saber se foi o gol de empate ou o intervalo que fez mal o Grêmio. O certo é que o time voltou mal para o segundo tempo. Até teve oportunidades de gol, mas não mais tinha o domínio da partida. Aos 21, a defesa gremista estava mal posicionada, Werley foi superado por Cure, Cris não acompanhou Farias, que arrematou de primeira. Depois disso o Grêmio não conseguiu reagir e nenhum das modificações feitas por Luxemburgo trouxe resultado.

Esse jogo lembrou muito a partida que o Grêmio fez contra o Millonarios em Bogotá no ano passado. O Grêmio fez um bom primeiro tempo, saiu em vantagem mas levou a virada de um adversário que buscou a vitória na base do puro entusiasmo e do “vamo que vamo”. Derrotas acontecem, mas eu gostaria de ver o Grêmio  “vendendo caro” um eventual resultado negativo. Ontem o Caracas fez muito pouco para conseguir o 2×1.

Tentamos jogar como se não estivéssemos numa Libertadores“, foi o que disse Luxemburgo na coletiva. E Ele tem razão. O problema que é a segunda vez que isso acontece num intervalo de 30 dias (em 2 dos 6 jogos até aqui disputados). É muito, ainda mais se levarmos em conta que a Libertadores é a principal (ou única) preocupação do TIME do Grêmio no momento.  
Para Souza faltou malandragem“. Também tem certa dose de razão. Os diagnósticos estão corretos. Resta saber quais medidas serão adotadas para corrigir os problemas. Com a qualidade que possuem, os jogadores do Grêmio não podem ver um jogo decidido pela catimba. E o time não pode oscilar tanto de um jogo para o outro, o mesmo do primeiro para o segundo tempo. É preciso encontrar um jeito de manter um padrão mesmo quando as condições não são tão favoráveis.
Para um time que anunciou que apostaria na ligação direta o Grêmio ganhou muito pouco a chamada segunda bola. O mesmo aconteceu com os rebotes ofensivos e defensivos.
Agora o grupo ficou todo embolado. O Grêmio ainda só depende de si, mas não tem nenhum gordura para queimar (pouquíssimos times tem esse luxo nessa Libertadores). E já passa a ser prudente fazer as contas para a classificação as oitavas.

Fotos:  Luis Acosta (Lance) e Lucas Uebel (Grêmio.net)

Caracas Caracas 2×1 Grêmio Grêmio

CARACAS: Baroja, Amaral, Edwin Peraza, Sánchez e Carabalí; Juan Guerra, Jiménez (Quijada – 26’/2ºT), Peña (Vivas – 40’/2ºT) e Otero; Farias e Cure (Febles – 34’/2ºT)
Técnico: Ceferino Bencomo.
GRÊMIO: Dida, Pará, Werley, Cris e André Santos; Fernando (Welliton – 26’/2ºT), Souza, Elano (Marco Antônio – 29’/2ºT) e Zé Roberto; Vargas (Willian José – 31’/2ºT) e Barcos
Técnico: Vanderlei Luxemburgo.
4ª Rodada – Fase de Grupos – Libertadores 2013
Data: 12/3/2013, terça-feira, 21h30min
Local: Olímpico de la UCV, Caracas (VEN)
Árbitro: Óscar Maldonado (Fifa-BOL)
Auxiliares: Efrain Castro (Fifa-BOL) e Arol Valda (Fifa-BOL)
Cartões Amarelos: Peña, Amaral e Guerra (CAR), Vargas, Elano e Werley
Gols: Elano, aos 17 minutos e  Peña , aos 47 minutos do primeiro tempo; Farías, aos 21 minutos do segundo tempo

Wianey e o Relatório Taylor

March 11, 2013
Em 10 de fevereiro de 2013, Wianey Carlet publicou o seguinte texto na sua coluna do Jornal Zero Hora:
“O começo
Atribui-se a elitização do futebol inglês a um episódio trágico durante a partida entre Liverpool e Nottinghan Forest, no Estádio de Hillsborough. Foram massacradas 96 pessoas. Margareth Tatcher encomendou uma investigação que confiou ao lorde Taylor de Gosforth. O documento saído deste trabalho foi chamado de Relatório Taylor e constitui-se em uma descarada manipulação dos fatos, recentemente denunciada pelo primeiro ministro do Reino Unido, David Cameron. O relatório oficial responsabilizou os mortos, acusando-os de pertencer aos hooligans do Liverpool. Cameron pediu desculpas aos familiares dos mortos pela fraude produzida pelo governo de Tatcher, que precisava de um motivo forte para desencadear o processo de elitização dos estádios, que o Brasil pretende imitar.” (Grifei)

São tanto os erros neste parágrafo que eu não sei nem por onde começar. Primeiro eu tenho sérias dúvidas que um sujeito que sequer saber soletrar “Thatcher” tenha de fato lido o relatório Taylor. Se leu, não consigo entender como ele chegou a tal conclusão. 
Em 17 de abril de 1989 (dois dias após a tragédia de Hillsborough) o Lord Taylor foi designado para fazer uma investigação sobre o ocorrido no estádio do Sheffield Wednesday e fazer recomenadações sobre o as exigências de controle de multidões e seguranças em eventos esportivos. Para tanto, ele dividiu o seu trabalho em dois documentos. O primeiro deles é um relatório provisório (Interim Report) que se dedicava a descobrir “como e por que o desastre ocorreu”. O segundo é o relatório propriamente dito (Final report). Uma leitura superficial nos dois documentos é o suficiente para perceber que o relatório, em nenhum momento, responsabiliza os mortos pelo acontecido. E essa não é uma interpretação só minha, mas também da mídia inglesa.
Consta em recente reportagem do jornal The Guardian: “Following the publication of the Taylor report, which laid the blame at the door of the police and exonerated the fans, the prime minister was briefed that the “defensive – at times close to deceitful – behaviour by the senior officers in South Yorkshire sounds depressingly familiar”. In cabinet papers Thatcher expresses her concern that the “broad thrust” of Taylor’s report constitutes “a devastating criticism of the police”. (Numa tradução livre: “Após o a publicação do relatório Taylor, que colocava a culpa na polícia e inocentava os torcedores“)
A BBC fez uma matéria sobre a reação da Margareth Thatcher sobre as conclusões do relatório Taylor. Está na reportagem: A primeira-ministra já tinha sido avisada que o relatório provisório condenava fortemente a polícia mas atribuía pouca ou nenhuma culpa aos torcedores do Liverpool” (“The prime minister had already been warned the interim report was “very damning” of police but attached “little or no blame” to Liverpool fans.”

Em nenhum momento o primeiro-ministro David Cameron pediu desculpas pela “fraude produzida pelo governo de Thatcher”. Em razão da conclusão dos trabalhos de um painel independente sobre Hillsborough, David Cameron fez um pronunciamento na Câmara dos Comuns. Nesse pronunciamento ocorreu um pedido de desculpas pela “falência” das autoridades (Polícia, Serviços de emergência) e pela tentativa da polícia em alterar a verdade dos fatos durante as investigações. Mas isso não pode ser confundido com uma suposta censura sobre a investigação feita no relatório Taylor.

Segundo David Cameron: “There was a public inquiry at the time by Lord Justice Taylor which found – and I quote – that the main cause of the disaster was “a failure of police control” (Houve uma investigação pública na na época conduzida pelo Lord Justice Taylor que concluiu – e eu cito – que a principal causa do desastre foi “o colapso do controle policial“) e “the panel found no evidence of any government trying to conceal the truth” (o painel não encontrou evidência de nenhum governo tentando esconder a verdade“)

É assustador que um colunista do principal jornal do estado tenha uma visão tão distorcido sobre o relatório Taylor. E não há como minimizar tal fato. Não se trata de um caso pitoresco na história de futebol e sim DO PARADIGMA na questão de segurança nos estádios do esporte moderno.
Ainda mais preocupante é o fato dessa coluna ter sido publicado há mais de um mês e desde então ninguém tentou corrigir o colunista, que segue falando incessantemente sobre a questão da violência no futebol.