30 anos da Libertadores de 1983 – Blooming 0x2 Grêmio

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Depois do empate na estréia em casa contra o Flamengo, o Grêmio preparou cuidadosamente a sua viagem até a Bolívia, onde enfrentaria o Blooming e Bolívar.  O tricolor enfrentava uma sequência dura de jogos, uma vez que também disputava o Campeonato Brasileiro naquele momento. A equipe principal era usada nos dois torneios. Comissão técnica e atletas davam declarações políticas sobre querer ganhar os dois torneios, mas o presidente Fábio Koff não escondia a sua preferência pela Libertadores.

Uma reportagem de Joabel Pereira, publicada no Correio do Povo, noticiava que o bicho por vitória na Libertadores era de 300 mil cruzeiros, bastante superior aos Cr$ 60 mil oferecidos por triunfo na segunda fase do Brasileirão (Cr$ 36 mil na primeira fase).
O planejamento inicial passava por conquistar 3 dos 4 pontos que seriam disputados em solo boliviano. O primeiro compromisso estava marcado para o dia 22 de março, contra o Blooming, adversário sobre o qual o Grêmio não tinha muitas informações. Espinosa admitiu que “o máximo que conseguiu foi o endereço de um brasileiro que mora em Santa Cruz de la Sierra e gosta de futebol”. Diante disso, o treinador gremista falava que o tricolor teria que “impor sua filsofia de jogo”, e naquela época isso consistia em valorizar a posse de bola, a troca de passes, com um meio de campo afeito a cadenciar o jogo.
E o plano deu certo. Apesar de não ter sido brilhante, o Grêmio foi eficiente. Segurou o jogo no primeiro tempo e saiu para marcar dois gols no segundo, conquistando importante vitória no grupo.

*Segunda-feira, 21 de março de 1983.
Operação Bolívia.

Sem muitas informações sobre os dois adversários bolivianos do Grupo 2 da Libertadores, o Grêmio desembarcou em Santa Cruz de la Sierra com a obrigação de conquistar resultados positivos em território inimigo.
A principal preocupação ficava por conta do Bolívar, campeão do país e adversário da sexta-feira. Na semana anterior, o time de La Paz havia feito sua estréia jogando em casa e aplicando uma goleada de 6 a 0 sobre o Blooming.
O resultado deixou a equipe na liderança do Grupo por pontos e ainda com um excelente saldo de gols.
Porém, antes do combate contra o Bolivar, o objetivo era não perder o foco do Blooming. Apesar da fragilidade, era um adversário desconhecido e jogaria com o apoio de sua torcida e com a obrigação de vencer após a derrota na estréia.
O ponta-esquerda Tonho, lesionado, era a principal dúvida de Valdir Espinosa no ataque. Lambari era a opção.
Renato, completamente recuperado de uma lesão muscular, havia ganho a posição de Tarciso na direita após os últimos jogos pela Taça Brasil.
No meio, Osvaldo voltava ao time após ficar de fora na estréia.
O lateral-direito Paulo Roberto nem viajou para a Bolívia. Ficou em Porto Alegre negociando sua transferência para o São Paulo. Silmar ocuparia sua vaga. (Gremio.net)

 

*Terça-feira, 22 de março de 1983 
Vitória importante em Santa Cruz de La Sierra.

Apesar do forte calor e do clima abafado, Grêmio entrou em campo no estádio Ramón “Tahuichi” Aguilera encontrando um ambiente surpreendentemente favorável para enfrentar o Blooming. Depois da derrota para o Bolívar na estréia, o torcedor compareceu desanimado para o enfrentamento contra o Tricolor. Aquele clima de pressão característico dos jogos pela Libertadores realizados na Argentina, Uruguai e Chile praticamente não existiu.
Para o Grêmio, bastava colocar a bola no chão e enfrentar o Blooming sem se preocupar com os fatores externos.
Já nos primeiros minutos de jogo, ficou evidente a superioridade gremista.
Lambari apresentava dificuldades para vencer o lateral e o time passou a forçar as jogadas pela direita.
Renato tratou de infernizar a defesa boliviana, porém exagerando um pouco na individualidade.
No meio, César e Osvaldo se movimentavam bastante aparecendo com força no ataque.
O time criou bastante nos primeiros 45 minutos e teve a oportunidade de abrir o marcador em pelo menos quatro lances. No melhor deles, Tita cobrou uma falta no poste direito do goleiro Terrazas. No rebote, Lambari perdeu.
Certamente, no intervalo, o técnico Valdir Espinosa pediu um pouco mais de empenho aos jogadores e mais tranqüilidade na hora de concluir.
A segunda etapa começou com um susto: logo no primeiro minuto, o ponta Reveliz chutou, a bola desviou em Silmar, tirou Remi da jogada e bateu no travessão.
Não demorou muito para o time responder: Renato recebeu de Tita na frente do goleiro, driblou e chutou para o gol aberto. O zagueiro Gallardo salvou sobre a linha mandando para escanteio.
Na cobrança do escanteio da esquerda de Lambari, Tita marcou de cabeça se antecipando à zaga, no primeiro pau.
Grêmio 1 a 0.
Dois minutos depois, a qualidade técnica de Renato surtiu efeito sobre o marcador. Bola levantada da esqueda no segundo pau. César ajeitou de cabeça. Renato dominou, deu um drible desconcertante no zagueiro e chutou na saída do goleiro.
Com 2 a 0 no marcador e sobrando em campo, a equipe diminuiu o ritmo tratando de tocar a bola. Provavelmente já pensando no desgaste que iriam enfrentar na altitude de La Paz na sexta-feira, dia 25.
Ainda que não tenha melhorado o saldo de gol, o Grêmio comemorou o primeiro lugar no Grupo”.(Grêmio.net)

UMA VITÓRIA SEM RESTRIÇÃO
LA PAZ (UPI) – A imprensa esporiva local comentou de forma unânime que o Grêmio, vice-campeão brasileiro de 1982, obteve legítima vitória de 2 a 0 sobre o Blooming, vice-campeão boliviano, nas eliminatórias do Grupo 2 da Libertadores da América.
O jornal “El Diario” comentou que o “Grêmio mostrou que tem bons jogadores, especialmente seus ponteiros Renato e Lambari”, o que justifica sua vitória. Acrescentou que o resultado complia o Bolívar, porque este terá que ganhar todas as partidas em casa e, além disso, obter alguma bom resultado no Rio de Janeiro e Porto Alegre para alcançar a pretendida classificação”.
Por seu lado, o jornal católico “Presencia” destacou que o Blooming, que havua prometido compensar sua derrota para o Bolívar, não conseguiu o objetivo porque enfrentou “um rival superior em todas as linhas”, “O Grêmio mostrou ser uma equipe bem plantada, com jogadores muito hábeis, que mostraram a diferença que existe entre nosso futebol e o brasileiro. Não se acredite que o Blooming jogou mal, não. Simplesmente, o Grêmio foi muito superior, sendo o resultado um correto prêmio à sua atuação”, afirmou”  (Correio do povo – 24 de março de 1983)

O GRÊMIO DÁ O SEGREDO PARA O FLA
Na estréia diante do Blooming,  a inofensivos 400 m a cima do nível do mar, o Grêmio estudou o adversário no primeiro tempo e liquidou-o no segundo, ao constatar a sua fragilidade. O jovem ponta-direita Renata e o meia-esquerda Tita marcaram os dois gols e foram os principais destaques desse jogo, em que o vice-campeão brasileiro de 1982 só não goleou porque se poupou para o segundo compromisso, três dias depois.” (Revista Placar – 1º de abril de 1983)

PREJUÍZO DO GRÊMIO
A partida contra o Blooming rendeu 15 mil dolares e o Grêmio ganhou 3.000 dólares para as despesas. Esta quantia é insuficiente para enfrentar as despesas que tem na Bolívia. Só com o hotel o Grêmio gastará 11.000 dólares, sem falar nas passagens. E sem contar seis milhões de cruzeiros de prêmio pela vitória contra o Blooming.” (João Carlos Belmonte – Correio do povo – 25 de março de 1983) 

PETRY E AS GENTILEZAS
Rudi Armin Petry é um dirigente experiente e que já viajou por vários lugares do mundo com o Grêmio. Mas ficou entusiasmado com a recepção dos dirigentes do Blooming: “Difícil encontrar no Exterior uma acolhida tão bonita e tão gentil como a que tivemos em Santa Cruz de La Sierra”, disse-me ele” (João Carlos Belmonte – Correio do povo – 25 de março de 1983)

COM LAMBARI, 2 VITÓRIAS
Já na primeira etapa de ontem o Grêmio demonstrava ser melhor que o fraco Bloooming. Tita tinha mandado uma falta na trave e o goleiro defendera outra espetacularmente. E mais uma vez se destacava na defesa um jogador que está direitinho, certinho há cinco jogos consecutivos: Leandro. Não está fazendo bobagem e seguramente se mostra superior a De León na zaga. Sem falar nos três gols salvos por Leandro, debaixo dos paus, em três partidas dessas cinco. A vitória sobre o Blooming, pois, deu ao Grêmio maior confiança para enfrentar o verdadeiro e difícil obstáculo da Bolívia na sexta-feira o Bolívar, que ganhou do derrotado de ontem por 6 a 0.” (Paulo Sant´Ana – 23 de março de 1983)

IDÉIA DA VITÓRIA
Futebol tem disso: situações ilusórias. Não se pode traçar o perfil de uma equipe apenas em resultados isolados. O Grêmio que vi, por exemplo, impondo uma goleada sobre o Sergipe no Olímpico não me impressionou e nem acrescentou novidade ao já conhecido. Foi uma vitória natural e obrigatória do muito mais forte sobre o muito mais fraco. Algo parecido a televisão nos mostrou anteontem de Santa Cruz de la Sierra. Um adversário de futebol primário mas que, em vários momentos, andou complicando a movimentação do vice-campeão brasileiro. Significa que o Grêmio não anda em inteira paz com o seu futebol.” (Antônio Goulart – Correio do povo – 24 de março de 1983) 

A SUBIDA DOS ANDES
O Grêmio fez uma exibição relativamente pobre contra o Blooming. Mas poderá justificá-la até pela inexperiência e tensão do jogo. Libertadores é competição que enerva mais. É campeonato superior, o ambiente no Exterior também influi no ânimo e, particularmente, no caso, quando há um fantasma esperando – como a atitude, que terão pela frente -, o pessoal se abala. Como, no entando, mesmo jogando pouco deu para ganhar 2×0, talvez com o tempo de esperar até sexta-feira algumas coisas possam ser corrigidas, como, por exemplo, o posicionamento de César – que nada jogou anteontem: China, que errou demais os passes; Tita e Osvaldo – que estão ajudando pouco na marcação adversária, etc.” (Lasier Martins – Correio do povo – 24 de março de 1983) 

BLOOMING: Terrazas; Herrera, Gallardo (Noro) Villalon e Vaca. Melgar, Castillos (Paniagua) e Taborga; Reveliz, Sanchez e Rojas.
Técnico: Raul Pino

GREMIO: Remi; Silmar, Leandro, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato, César e Lambari.
Técnico: Valdir Espinosa
Reservas: Beto, Baidek, Bonamigo, Robson e Tarciso.


Fase de Grupos – 2ª rodada – Libertadores 1983
Data: 22 de março de 1983, terça-feira, 22h30min
Local: Ramon Tauhichi Aguilera em Sta. Cruz de La Sierra – Bolivia
Juiz: Ramon Barreto (Uruguai)

Auxiliares: Jose Martinez e Ernesto Filippi 
Gols: Tita, aos 7 minutos do 2º e Renato aos 9 minutos do 2º tempo

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