A fórmula do Gauchão – Alternativas

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Muito tem se discutido sobre a existência dos campeonatos estaduais. Radicalismos a parte, considero o debate salutar. O problema é que com certa frequência as ideias ganham ares utópicos, com propostas sobre a não participação dos times grandes, ou de um estadual que dure o ano inteiro.
Por enquanto tais soluções se mostram inviavéis. Assim, me preocupo muito mais com mudanças pontuais na fórmula, mudanças que poderiam tornar mais racional a forma que o campeonato gaúcho ocupa o calendário.
Já disse aqui no blog que o atual formato, muito embora seja defendido com unhas e dentes pelo presidente da Federação, implica num número excessivo de datas (23 para “apenas” 16 times).
Também registrei que a fórmula exige um número muito grande de compromissos dos grandes da capital num período cedo do ano. E isso acaba prejudicando a dupla Grenal em relação aos seus rivais nacionais. Um dado interessante sobre 2013: Entre Libertadores e Estadual o Grêmio já entrou em campo 23 vezes no ano, contra apenas 15 do Atlético-MG. Já o Inter atuou em 19 partidas entre Copa do Brasil e estadual, contra apenas 10 jogos do Cruzeiro.
Mas a fórmula parece que também não agrada aos clubes do Interior. Em entrevista ao jornal Zero Hora, o técnico Lisca, do Juventude, afirmou que o formato “É ruim, porque é curto e com muito formulismo. É difícil firmar um trabalho. Há muito imediatismo“.
O formulismo do Gauchão prevê uma surreal fase eliminatória no meio do campeonato. Fase essa que paralisa as atividades da metade dos clubes. E mesmo os clubes que eventualmente avançam para essa fase podem ficar distantes do seu torcedor. O São José ficou mais de um mês sem jogar no Passo d´areia, atuando como mandante em 09 de fevereiro, pela 7ª rodada do 1º turno e só tendo voltado a jogar em casa em 21 de março, pela 2ª rodada do 2º turno. Veranópolis e Juventude foram submetidos a mesma situação.
A melhora efetiva do Gauchão talvez passe por mudanças mais amplas, como a questão do número de times. Mas hoje, uma simples mudança na fórmula poderia amenizar a questão do excesso de datas e resolver a parada brusca que boa parte dos times é submetido durante o campeonato.
Se fosse adotada a fórmula do Campeonato Mineiro, com turno único e quatro equipes avançando as semifinais (disputadas em jogos de ida e volta) teríamos a necessidade de 19 datas, contra 23 da atual fórmula. Se fosse aplicada a classificação geral do Gauchão 2013 a essa fórmula teríamos os hipotéticos confrontos mostrados abaixo:

Outra possibilidade é seguir o modelo do campeonato paulista, onde 8 clubes avançam as quartas de final após um turno único. Com todos os confrontos eliminatórios sendo disputados em jogos de ida e volta teriamos 21 datas. Se apenas a final fosse disputada em 2 partidas a necessidade cairia para 19 datas. Adotando essa forma de disputa sobre a classificação geral do gauchão 2013 teríamos os hipotéticos enfrentamentos abaixo ilustrados:

Uma terceira alternativa seria seguir o modelo dos Playoffs da NFL, onde seis clubes se classificam após um turno único, e os dois primeiros colocados ganham um folga, esperando a definição das semifinais. Novamente as datas poderiam oscilar entre 18 e 21 datas, dependendo da necessidade de se ter confrontos de ida e volta. Com a atual classificação geral, seria esse o chaveamento do Gauchão 2013 de acordo com essa fórmula.

Torço muito para que ocorram mudanças nesse sentido. Os clubes precisam acordar para o fato de que o atual calendário do Campeonato Gaúcho não é nada racional.
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One Response to “A fórmula do Gauchão – Alternativas”

  1. Ronaldo Says:

    Primeiro, parabéns ao André Kruse por ser um dos poucos que abordam essa questão.
    Permitam-me fazer algumas considerações a mais. Independente da questão esportiva, o formulismo pode ser bem aplicado por razões comerciais dado um contexto específico. Essa fórmula do Gauchão é um bom exemplo de como uma cópia ou adaptação pode ser mal feita, por que em contextos totalmente distintos.
    A fórmula do campeonato Carioca (modelo inspirador do Novelettão), com suas semifinais e final de turno em jogo único, foi concebida para maximizar o número de clássicos, dado que em condições normais os 4 grandes passam às semifinais de cada turno e o jogo único justifica-se pelo Maracanã, palco tradicional dos clássicos cariocas. Outra diferença é a questão geográfica. O estado do Rio tem uma extensão territorial bem menor e seu campeonato é disputado em sua grande maioria por times de bairros da própria cidade do Rio de Janeiro e por times da região metropolitana, sendo poucos os times do “interior” e ainda assim, os mais distantes estão há pouco mais de 200 Km da capital. É claramente um torneio centrado nos na cidade do Rio e nos 4 grandes e sua fórmula sempre foi nesse sentido, mesmo após o aumento para 16 clubes (antes eram 12).
    Transplantada para o Rio Grande do Sul, com o remendo grotesco de criar uma fase de quartas-de-final a cada turno, a fórmula não se presta a nenhum dos objetivos: esportivo ou comercial. Do ponto de vista desportivo, não há o que acrescentar, o post diz tudo.
    Na questão comercial é que se observa mais ainda a debilidade da fórmula. Nas fases eliminatórias, em situação normal, o prêmio para os clubes do interior classificados será enfrentar a dupla na capital em jogo único (de baixo interesse para o público) recebendo 30% da renda do jogo. Observe-se que isso só é mais interessante justamente para aqueles clubes com menor estrutura, caracterizando-se uma inversão de valores. Para um clube com estádio para mais de 15 mil pessoas seria muito mais interessante ter a chance de receber alguém da dupla em fase de ida-e-volta e fazer um jogo de casa cheia. Quanto aos grenais, tudo que essa fórmula conseguiu proporcionar é a distorção de se ter 3 grenais no campeonato com o mesmo mandante (sem mais comentários).
    Infelizmente, essa fórmula falida técnica e comercialmente só mudará quando seu criador, tal qual o Dr. Victor Frankenstein, perceber que de fato criou um monstro.

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