30 anos da Libertadores de 1983 – Grêmio 2×0 Blooming

Como já vimos aqui, o Grêmio terminou o “1º turno” do Grupo 2 da Libertadores de 1983 na liderança isolada. Os resultados que vieram depois disso pouco alteraram a situação. O lanterna Blooming chegou a sonhar ao vencer o Bolívar no dia 15 de abril, mas logo voltou a dura realidade ao ser goleado por 7×1 pelo Flamengo no Maracanã.
Assim o time de Santa Cruz de La Sierra veio até Porto Alegre apenas para cumprir tabela no seu ultimo compromisso na Libertadores no dia 26 de abril de 1983. O Grêmio jogava para manter-se na primeira colocação e encaminhar a sua classificação precisar pontuar no Maracanã na rodada derradeira.
É válido lembrar que o calendário gremista estava bastante agitado naquele período. Além da Libertadores, o Grêmio também disputava a 3ª fase do Brasileirão daquele ano. A direção tratava o torneio sul-americano com carinho e a chamada para o jogo falava na “primeira escala para Tóquio. O anúncio desagradou Valdir Espinosa, que cobrava humildade do seu grupo. Mas os bolivianos aparentemente não se sentiram ofendidos, uma vez que tinham como objetivo declarado apenas evitar uma nova goleada.

E isso eles conseguiram. O Grêmio abriu 2×0 ainda no primeiro tempo e colocou o pé no freio. Segundo os relatos (abaixo seguem algumas matérias da Zero Hora, Folha da Tarde e do site do Grêmio) o jogo se tornou enfadonho. A curiosidade é que no segundo tempo Tarciso entrou no lugar de Tonho, e pela primeira vez na competição o time adotou a linha da ataque que viria a se sagrar campeã (Renato, Caio e Tarciso)



O PLACAR

CAIO para o Grêmio, 1 a 0 ao 22 minutos do primeiro tempo – Renato recuou e lançou o lateral Silmar como ponteiro. O cruzamento encontrou Tita no segundo pau, mas a cabeçada bateu no travessão. Na volta, Caio se passou da bola mas, mesmo de frente para o seu campo, puxou para o gol vazio.

OSVALDO para o Grêmio, 2 a 0 aos 37 minutos do primeiro tempo – A jogada começou na intermediária do Blooming e passou por De León, China, Tonho, Caio, Renato e finalmente Osvaldo. De pé em pé, toques curtos, até o meia-direita apenas desviar do goleiro adversário, na pequena área.” (Zero Hora – 27 de abril de 1983)

“No intervalo, a torcida passou toda para o lado esquerdo das sociais, certamente esperando a goleada no segundo tempo. E no vestiário Espinosa já combinara a entrada de Tarciso em lugar de Tonho na metade da fase final. Os jogadores gaúchos trocaram as camisetas tradicionais pelas brancas, argumentando que estavam errando alguns passes por confundirem com o azul do Blooming. Nada adiantou. O vice-campeão  boliviano continuou fazendo o possível para não deixar o jogo ter um andamento normal.” (Zero Hora – 27 de abril de 1983)

Valdir Espinosa: “Foi uma partida ´morrinha´, ´amorcegaram´ desde o início e então fica impossível praticar bom futebol”
Newmar: “Acontece que o Blooming fez uma proposta para a partida e nós acabamos aceitando. O que nos servia, porque estávamos ganhando, mas o jogo ficou ruim, principalmente no segundo tempo.”
Caio: “Se o time continuar jogando como desta vez, não consegue chegar a classificação, não conseguirá bons resultados. Estou avisando e assino embaixo. Temos que melhorar”
Os pontos é que contam
O Blooming, como se esperava, foi um adversário fraco. Exigiu pouco do Grêmio e, pouco exigido, o Grêmio acabou apreentando um trabalho frouxo. O futebol é uma competição, exige reciprocidade ou então, lembrando Oto Glória, exige réplica. Não houve isso. Houve uma situação unilateral. O Grêmio, e de outro lado, pouco. Por isto o time de Espinosa foi frouxo, centralizou muito o jogo, tentou aproximações, um drible a mais, um passe a menos e certamente um esforço também a menos. E isto é perfeitamente natura. O Grêmio, sentindo a fraqueza do adversário, não se importou em gastar energias para tornar público para todo quanto era frágil o adversário. Bastou-lhe fazer dois gols no primeiro tempo e depois ir levando.” (Ruy Carlos Ostermann – Zero Hora – 27 de abril de 1983)

O Grêmio só teve problemaas até o primeiro gol. Depois do segundo, perdeu vários” (Divino Fonseca – Placar)

Clube de Província
Será preciso conquistar os títuos da América e do Mundo, pra que a Rede Globo deixe de encarar o Grêmio como clube provinciano. Por enquanto, só os jogos do Flamengo na Bolívia é que mereceram transmissão para todo o Brasil; os do Grêmo, que conquistou quatro pontos em Santa Cruz e La Paz, não foram vistos além da fronteira do nosso Estado, porque a Globo decretou que o Grêmio não tem o porte nacional. Vocês não imaginam, agora, a indignação dos gaúchos residentes fora do Rio Grand do Sul, principalmente em Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Rio, São Paulo e Brasília, pelo fato de Grêmio X Blooming, ontem, não ter sido transmitido pra parte alguma, A explicação da detentora do monopólio é que de que o jogo não tem maior interesse. Mas Flamengo x Blooming, claro que sim. A massa que julgue” (Lauro Quadros – Folha da Tarde – 27 de abril de 1983)

 “O placar foi pequeno mas o Grêmio, com o 2 a 0 sobre o Blooming, ficou apenas um jogo de sua classificação. E ganhando esse jogo não terá que se preocupar com o saldo. Além disso, está encerrando um período difícil de decisão na Libertadores e no Campeonato Nacional. No Nacional, sábado, pegará uma Ferroviária desfalcada e na Libertadores terá um bom intervalo até o próximo e decisivo jogo contra o Bolívar. Continua muito bem encaminhado.” (Edegar Schmidt – Folha da Tarde – 27 de abril de 1983)


“Fácil como se esperava, mas sem exageros. Melhor assim. Uma goleada sempre entusiama demais e, depois dela, o time só pode decair. O Grêmio ganhou do Blooming como precisa ganhar de todos os adversários, sejam eles modestos representantes do interior boliviano ou flamantes ex-campeões mundiais. O importante da vitória de ontem foi a manutençao da superioridade sem pedantismo. O time lutou todo o tempo sem menosprezar o adversário. E acabou sendo também um bom teste para Newmar, pouco exigido na defesa, mas perigoso no ataque” ( Nilson Souza –  Folha da Tarde – 27 de abril de 1983)

*Terça-feira, 26 de abril de 1983
Vitória tranqüila e liderança isolada

Depois de vencer os dois adversários bolivianos fora de casa, era unânime a expectativa de mais dois resultados positivos nos jogos em Porto Alegre. E sem maiores dificuldades.

Confirmando tais previsões, o Tricolor garantiria a classificação de forma antecipada para a fase semifinal sem ficar na dependência da última partida contra o Flamengo, no Maracanã. O Flamengo que, aliás, não obteve bons resultados nos dois jogos em território boliviano: um empate sem gols contra o Blooming e uma derrota de 3 a 1 contra o Bolívar na altitude de La Paz.

O primeiro adversário foi o Blooming, da cidade de Santa Cruz de La Sierra, vice-campeão do país, terça-feira à noite.

Já sem maiores perspectivas dentro da competição, a equipe boliviana tratou de aproveitar a vinda a Porto Alegre para fazer turismo. Quatro dias antes de enfrentar o Tricolor, a equipe já havia mostrado sua fragilidade ao ser derrotada pelo Flamengo, no Maracanã, pelo placar de 7 a 1.

Pensando na partida decisiva do sábado contra a Ferroviária, pela Taça Brasil, o técnico Valdir Espinosa tratou as duas partidas contra os bolivianos como um treino de luxo.

De modificação na equipe, Newmar entrou na zaga no lugar de Leandro.

Infinitamente superior ao adversário, o Grêmio demorou 22 minutos para abrir o marcador: Silmar recebeu de Renato na direita, fundo de campo. O cruzamento encontrou Tita, no segundo pau, que cabeceou no travessão. No rebote, Caio mandou para as redes.

O segundo gol nasceu aos 37 minutos: Osvaldo tabelou com Renato, invadiu a área pela esquerda e deu um leve toque, na saída do goleiro Terrazas.

Grêmio 2 a 0.

Para insatisfação da torcida, a goleada esperada acabou não acontecendo e o placar de 2 a 0 obtido no primeiro tempo acabou sendo o placar definitivo da partida.

Para os jogadores, o que mais importou foram os dois pontos e a manutenção da liderança isolada do Grupo 2. (Gremio.net)

Grêmio 2×0 Blooming

GRÊMIO: Remi; Silmar, Newmar, De León e Casemiro; China, Osvaldo (Bonamigo) e Tita; Renato, Caio e Tonho (Tarciso)
Técnico: Valdir Espinosa
Reservas: Beto, Paulo Roberto, Jorge Leandro, Bonamigo e Tarciso.

BLOOMING: Terrazas; Herrera, Gallardo, Villalon e Vaca; Melgar, Castillos e Noro (Taborga); Reveliz, Sanchez e Rojas.
Técnico: Raul Pinto

Libertadores 1983 – Fase de grupos – 4ª rodada

Data: 26 de abril 1983, terça-feira,21h30min
Local: Estádio Olímpico
Público: 17.072 pagantes
Renda: CR$ 10.980.400,00

Juiz: Jorge Orellana (Equador)
Auxiliares: Elias Romero e  Adolfo Quiroga
Gols: Caio aos 22 e  Osvaldo aos 37 do 1º

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