Archive for May, 2013

30 anos da Libertadores de 1983 – Grêmio 3×1 Bolivar

May 31, 2013

Com a inesperada eliminação no Brasileirão de 1983, o Grêmio teve mais de um mês de espera entre a 4ª e 5ª rodada da fase de grupo da Libertadores. Muita coisa aconteceu nesse meio tempo. O time se ocupou com alguns amistosos para não perder o ritmo. A diretoria trouxe Mazaropi como reforço para  o gol, mas não havia a certeza de que ele poderia ser inscrito no torneio sul-americano. Na Europa, o Hamburgo conquistara a Copa dos Campeões ao vencer a Juventus em Atenas
Por sorte a gangorra se encontrava em situação favorável ao tricolor, uma vez que o Inter havia sido eliminado em fase anterior no campeonato brasileiro. Assim, a preparação para confronto contra o Bolivar ganhou grande espaço positivo na mídia, visto que era, até então, o jogo mais importante do futebol gaúcho no semestre.
Com 7 pontos ganhos em 4 jogos disputados, o Grêmio liderava o seu grupo. Bastaria um vitória contra o Bolivar em Porto Alegre para garantir a classificação antecipada para a próxima fase. Os bolivianos, ainda tinham chances de avançar na Libertadores, sabiam das dificuldades do Olímpico e queriam complicar o tricolor com uma esquema baseado na solidez defensiva.
Um fato que apimentou o jogo foi uma oferta de 50 milhões de cruzeiros (cerca de 100 mil dólares) feita pelo Flamengo para que o Bolivar ao menos arrancasse um empate do Grêmio. Tita disse que tal ato se constituía numa tentativa de coação dos atletas bolivianos. Apenas para se ter um comparativo é válido lembrar que o bicho que a diretoria gremista prometeu aos seus atletas era de Cr$ 8 milhões.
Mas toda essa polêmica se esvaiu com poucos minutos de bola rolando. Antes que se completassem 10 minutos de partida o Grêmio já vencida por 2×0. Aos 12 o Bolívar diminuiu. O Grêmio se assustou e passou a ter alguma dificuldade na defesa quando Paulo César deixou o campo lesionado e Baidek passou a atuar como lateral esquerdo. Ainda assim, o tricolor conseguiu ampliar a sua vantagem para 3 a 1 aos 23 da etapa final.
Com a vitória o Grêmio já podia pensar nos adversários da próxima fase (O America de Cali era um deles, e seu treinador se fez presente no Olímpico naquela noite). O confronto contra o Flamengo no Maracanã pela última rodada se tornara um amistoso.

“Renato e Tita demoliram o cansado e velho Bolívar. O resto do time foi apenas razoável” (Placar)

“ABDUL ARAMAIO, treinador do Bolívar, tocou no ponto que mais preocupa a torcida do Grêmio: a defesa. Aramaio entende que a defesa do Grêmio é “lenta e pesada e por isso terá dificuldades na segunda fase, principalmente contra atacantes velozes”, Ele lembrou que o gol anulado no segundo tempo, pegando a zaga de surpresa: “Foi um gol legítimo, mas o árbitro não entendeu assim. O Grêmio é um grande time e não precisa disso” (Folha da Tarde – 1º de junho de 1983)

 

*Terça-feira, 31 de maio de 1983
Classificação antecipada

Mais de um mês se passou até o Grêmio enfrentar, em Porto Alegre, a segunda equipe boliviana: o Bolivar.
Neste meio tempo, muita coisa mudou pelos lados do Olímpico.
E mudou para pior.
A derrota de 3 a 1 para a inexpressiva Ferroviária de Araraquara e a conseqüente desclassificação no campeonato brasileiro em pleno estádio Olímpico, deixou fervilhando o panorama político do Clube e colocou em dúvida a qualidade da equipe perante o torcedor.
A oposição passou a bater forte na diretoria atual criticando o comando do presidente Fábio Koff e postulando mudanças drásticas na eleição para o Conselho Deliberativo que ocorreria em setembro.
Já não bastasse tudo isto, a equipe comandada por Espinosa acabou perdendo um amistoso para o Vasco da Gama, no Olímpico, faltando 12 dias para o jogo contra o Bolívar.
Foi neste ambiente de desconfiança e insatisfação que o Grêmio entrou em campo na fria noite de terça-feira para enfrentar o campeão boliviano, o qual já havia vencido na altitude de La Paz.
Pressionado, Espinosa sacou do time o goleiro Remi, considerados o principal culpado pela eliminação no Brasileirão, colocando Beto, reserva imediato.

Na zaga, Baidek recebia sua primeira chance.
Na lateral-esquerda, Paulo César Magalhães entrava no lugar de Casemiro.
Finalizando as modificações, Paulo Roberto entrava no lugar de Silmar na lateral-direita.
Todos os fatores negativos contrastavam com a situação da equipe na tabela da Libertadores. Uma vitória simples sobre o adversário classificava o time de forma antecipada para a semifinal da competição sem depender da última partida, contra o Flamengo, no Maracanã.
E foi com esse objetivo que o Tricolor começou a partida.

Logo aos três minutos, Tita concluiu de cabeça cruzamento de De León abrindo o marcador.
Seis minutos depois, Tita cobrou falta da entrada da área, o goleiro espalmou para o lado. Caio evitou o escanteio e cruzou de bicicleta. Tonho meteu a cabeça e ampliou o marcador fazendo seu primeiro gol na competição.
O time relaxou com a vantagem prematura e o Bolívar descontou aos 12 minutos. Silva entrou livre pela área e encobriu o goleiro Beto no exato momento em que De León era atendido fora de campo. 2 a 1.

Ainda assim, o Bolívar não chegou a ser uma ameaça.
O Grêmio foi amplamente superior e chegou ao terceiro gol aos 23 minutos da etapa final: Renato cruzou da direita no segundo pau. Osvaldo tentou encobrir o goleiro, mas foi Tita que pegou o rebote para marcar.
Grêmio 3 a 1 e classificado para a semifinal da Libertadores pela primeira vez na história”. (Gremio.net)
 

“Não houve sufoco, o Grêmio marcou logo seu gol, acabou ganhando bem e está classificado. Isso é o mais importante. Mas não aconteceu grande vibração. Todos sabem que apesar de classificação o Grêmio terá que melhorar muito para a próxima fase. E em dois aspectos importantes: não pode ser tão vulnerável e não pode perder tantos gols.

Um dos absurdos da Libertadores: trio de arbitragem do jogo de ontem custou ao Grêmio mais de Cr$ 4 milhões” (Edegar Schmidt – Folha da Tarde – 1º de junho de 1983)

“VITÓRIA E ESPERANÇA
Os gremistas estão comemorando, como é natural, um resultado e a classificação antecipada para mais uma fase da Libertadores. Os mais conscientes, porém, e entre eles o próprio jogador De León, não saíram do Olímpico, ontem à noite, plenamente satisfeitos. O futebol exibido pela equipe gaúcha deixou a desejar. Se não melhorar, dificilmente terá êxito na próxima etapa da competição. O Grêmio encontrou facilidades, sobretudo no início, diante de uma defesa confusa e de um goleiro fraco. O Grêmio passa a ser agora o único representante do Brasil na Libertadores, deixando para trás o próprio bicampeão nacional. Cresce o desafio e aumentam as responsabilidades. Mas há também esperanças.” (Antônio Goulart – Correio do Povo – 1º de junho de 1983)

“MOMENTOS LUMINOSOS
Numa noite muito fria o Grêmio se classificou para a próxima etapa da Libertadores. Ganhou do Bolívar de 3 a 1. Durante algum tempo, não no início do jogo, mas pela metade, o torcedor chegou a ficar apreensivo. No campo, o Grêmio repetia velhos erros, precipitava, não trocava passes, se individualiza por Renato, por Tonho, por Tita e por Hugo De León. Estes problemas acabaram perturbando o futebol do Grêmio e o torcedor ficou impaciente. Mas estavam com dois gols marcados e mesmo que logo depois o Bolívar descontasse, determinando os 2 a 1 do primeiro tempo, havia sobra de jogo. E isso, aos poucos, foi determinando que o Grêmio e só o Grêmio poderia vencer o jogo e se classificar na Libertadores. O trabalho daqui para frente, agora, deve ser de aperfeiçoar o futebol.
O Grêmio passou e está classificado, mas o seu futebol não dá ainda muita confiança. Ele apresentou problemas defensivos e também foi traído pelas circunstâncias.(Ruy Carlos Ostermann – Zero Hora – 1º de junho de 1983)

 “A vitória do Grêmio ontem à noite começou quando o árbitro Cláudio Brusca jogou a moeda argentina para cima e o capitão De León ganhou o sorteio de lado. Ao contrário do “azar” acontecido contra o Ferroviária dia 30 de abril, pela Taça de Ouro/83, uma das superstições dos jogadores (iniciar atacando para o lado direito das sociais) estava vencida. O modesto Bolívar realmente não chegava a preocupar, o problema do Grêmio era não perder para suas próprias deficiências, como em oportunidades anteriores.
O frio, mais do que o medo e a falta de confiança, se encarregou de diminuir, no Olímpico, a torcida nervosa desde os primeiros minutos. E isso parece que também ajudou a dar personalidade ao time do Grêmio.” (Zero Hora – 1º de junho de 1983)


 

Grêmio 3×1 Bolivar

GREMIO: Beto; Paulo Roberto, Baidek, De León e Paulo César (Newmar); China, Osvaldo (Robson) e Tita; Renato, Caio e Tonho.
Técnico: Valdir Espinosa
Reservas
: Remi, Newmar, Robson, Tarciso e Cesar

BOLIVAR: Elso, Gallo, Merlo, Urizar e Arias, Navarro, Céspede, Romero, Borja, Silva, Figueroa (Baldessari)
Técnico: Abdul Aramayo

Libertadores 1983 – Fase de grupos – 5ª rodada – 
Data: 31 de maio de 1983, terça-feira, 21h30min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 18.929 pagantes
Renda: CR$ 12.538.300,00

Preço dos ingressos: Cadeira especial Cr$ 2.000,00; Arquibancada superior Cr4 800,00; Arquibancada inferior Cr$ 500,00; Sócios e dependentes Cr$ 500,00
Arbitragem: Cláudio Brusca (ARG) ,

Auxiliares:Artur Iturralde e Jorge Romero (ARG) 
Gols: Tita  3 do 1º, Tonho 9 do 1º, Silva (Bol) 12 do  1º e Tita aos 23 do 2º tempo


Presença de público na Libertadores – 1982/2013

May 29, 2013
Nos cinco jogos que o disputou na Arena pela Libertadores 2013 o Grêmio atingiu a média de 33.580 pagantes por partida. É um número interessante. Claro que poderia ser maior caso o clube tivesse avançado mais na competição, ou conseguisse liberar o espaço da geral ou ainda tivesse  estabelecido um sistema de check-in para disponibilizar os ingressos dos sócios que não iriam ao estádio. Mas, mesmo com todos esses problemas, a média desse ano ficou um pouco acima da média histórica do Grêmio em todas as suas participações em Libertadores (Tabela acima).
Contudo, uma outra leitura que pode ser feita desse número é que, assim como ocorreu no Gauchão, a Arena por si só não representou, até aqui, um motivo para aumento tão significativo na presença de público gremista.
Mas há um elemento que parece ser uma novidade trazida com a Arena. O percentual de não pagantes no estádio (tema já abordado em outro post) foi reduzido na comparação com as últimas quatro edições do torneio que o Grêmio participou (tabela abaixo):

Brasileirão – Grêmio 2×0 Náutico

May 27, 2013
O Grêmio começou o Brasileirão 2013 com vitória. Tá certo que não fez mais que sua obrigação como mandante, mas fazia alguns anos (desde 2008) que o tricolor não iniciava com campeonato nacional somando três pontos.
A grande questão era saber como o time reagiria em campo após a frustrante eliminação na Libertadores. E nos minutos iniciais o Grêmio mostrou uma postura interessante, tomando a iniciativa, indo pra cima do Náutico e levantando a torcida em Caxias. As chances foram aparecendo. Aos 14, o goleiro Felipe salvou a conclusão de Barcos. Contudo, um minuto depois, o Grêmio abriu o placar: Numa boa trama ofensiva, Barcos acionou Souza dentro da área, e o volante gremista tirou do goleiro e deixou Zé Roberto com o gol vazio para marcar. 
O começo foi animador, mas logo o Grêmio recaiu num velho pecado: A autossuficiência. A tendência de diminuir o ritmo e tentar  administrar em demasia uma vantagem que não era tão significativa. Essa situação permaneceu até os 15 minutos do segundo tempo. Só ali é que o Grêmio voltou a pressionar a defesa adversária. E Náutico se defendeu de maneira atabalhoada até os 25 minutos, quando Souza cruzou e Elano estabeleceu, de cabeça, o 2×0 final.
A equipe tricolor mostrou uma evolução em relação a última partida (até porque seria difícil jogar tão pouco novamente) e foi sempre superior ao Náutico. Só acho que o Grêmio demorou a resolver um jogo que não se mostrava tão complicado. O time correu riscos desnecessários. Os zagueiros gremistas ficaram excessivamente expostos no combate direto com os avantes adversários. E o Náutico, mesmo tendo criado pouco, teve cinco escanteios a seu favor. Mas independente desses descuidos, o Grêmio saiu de campo com os 3 pontos.

 
Alex Telles e Bressan, confortáveis com a camisa do Grêmio e habituados ao estádio, estiveram muito bem na partida. Mas, inegavelmente, o destaque da partida foi Souza. Marcou forte e voltou a aparecer bem no ataque, dando passe para os dois gols do jogo.
Desde que comecei a acompanhar futebol um sujeito pula na frente da câmera quando sai gol no Alfredo Jaconi. Será que não existe um posicionamento melhor pra câmera? Ou vão deixar assim em nome da tradição?
Eu esperava ver o Grêmio iniciando o campeonato brasileiro de fardamento novo. Tenho dificuldade em entender qual é o calendário que as empresas de materiais esportivas seguem no Brasil.
Interessante a presença da torcida tricolor no Jaconi. Resta saber quanto desse público se deve ao trabalho do departamento consular do Grêmio. Ainda, outra dúvida me vem a mente: Qual foi a renda da partida? Será que seria maior se o jogo fosse na Arena? Se fosse, quem paga este prejuízo?

Fotos: Lucas Uebel (Grêmio.net), Tiago Baldasso (tiagobaldasso.wordpress.com) e Lipe Assunção (Ducker.com.br)

Grêmio 2×0 Náutico

GRÊMIO: Dida; Pará, Werley, Bressan e Alex Telles; Fernando, Souza, Elano (Guilherme Biteco, 26/2T) e Zé Roberto; Vargas (Kleber, 31/2ºT) e Barcos (Welliton, 45/2ºT)
Técnico: Vanderlei Luxemburgo

NÁUTICO: Felipe; Maranhão, João Felipe, Luis Eduardo e Josa; Elicarlos, Rodrigo Souto e Martinez; Rogério (Jones Carioca, 26/2ºT), Caion (Adeílson, 24/2ºT) e Elton

Técnico: Silas

01ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2013  
Data: 26/05/2013, domingo, 16h00min
Local: Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul-RS
Público: 11.925 (9.560 pagantes)
Renda: R$ 268.290,00
Árbitro: 
Guilherme Ceretta de Lima (SP)
Assistentes:
Vicente Romano Neto (SP) e Celso Barbosa de Oliveira (SP)

Gols: Zé Roberto, aos  15 minutos do 1º tempo e Elano, aos 25 minutos do 2º tempo

Quem paga o prejuízo?

May 23, 2013
O Campeonato Brasileiro de 2013 inicia neste final de semana. Apesar de ser mandante na primeira rodada, o Grêmio fará sua estreia longe de Porto Alegre, em razão da punição sofrida pelo arremesso de um rojão para dentro do campo no Grenal da última rodada do campeonato passado. Por mais que seja uma oportunidade de movimentar a torcida do interior do estado, é inegável o prejuízo que o clube (e sua torcida) terá por não poder utilizar a Arena nessa partida.

O Grêmio afirma que autor do arremesso foi identificado e encaminhando para o Juizado Especial Criminal. Se noticia também que o clube abriu (ou abrirá) um processo ético sobre a conduta de tal sujeito. Mas fica a dúvida, será que ele não deveria também responder, no âmbito civil, pelos prejuízos causados?

Faço este questionamento porque essa história me faz lembrar de um caso recente do futebol alemão. O regulamento da Bundesliga prevê um confronto entre o terceiro colocado da segunda divisão contra o ante-penúltimo colocado da primeira divisão. Quem vencer fica na divisão superior. No final da temporada 2011-2012 esse enfrentamento foi entre Hertha Berlin (16º da 1ª) contra Fortuna Dusseldorf (3º da 2º). O Fortuna venceu o primeiro jogo em Berlim e empatava o segundo em casa. Mas a poucos minutos do fim a torcida local invadiu o campo e a partida teve um final  bastante tumultuado.  O Hertha obviamente Protestou.

 
Pelo tumulto, a federação Alemã multou o Fortuna em 150.000 Euros e a aplicou pena de dois jogos com público reduzido pra 30.000 espectadores. Estima-se que o prejuízo total do clube de Dusseldorf tenha sido de um milhão de euros
Um fato pitoresco dessa noite foi um torcedor que resolveu arrancar a marca do pênalti e levar um pedaço do gramado pra casa antes do apito final, conforme pode ser visto na foto e no vídeo abaixo:

Sascha K. é o nome do autor da façanha, e ele se vangloriava do feito nas redes sociais. A diretoria do Fortuna não gostou muito dessa postura e decidiu processar este torcedor. Conforme consta em reportagem da revista Kicker:
“Primeiro pensamos pobre do cara, o que podemos fazer por ele. Mas então ele ficou festejando em todas as mídias por três, quatro semanas. Aí passou dos limites. Nós o processamos por 50.000 Euros”. (Kicker – 05/11/2012
 No fim as partes chegaram a um acordo: O infrator pagaria uma quantia não divulgada para uma instituição de caridade, ficará impedido de comparecer ao estádio do Fortuna até o final de 2014 e se compromete a não mais se exibir na mídia. A explicação oficial do clube me pareceu ser bem razoável:

“Não é normal cortar redes ou destruir goleiras, cavoucar o gramado ou roubar bandeirinhas. Nós esperamos que isso tenha ficado claro. Também fomos questionados após o jogo, por inúmeros torcedores, a tomar uma atitude contra os responsáveis pelo prejuízo, ” disse o diretor Financeiro Paul Jäger. No entanto, os responsáveis não seriam selvagens, e ninguém deveria ser levado à ruína.” (Revista 11Freunde – 11 de dezembro de 2012)

Penso que o Grêmio deveria estudar tomar medida semelhante com esse torcedor que deu causa a perda do mando de campo nesse jogo contra o Náutico.

É preciso gastar mais? Essa é a única solução?

May 22, 2013
O Grêmio vive um ciclo estranho nos últimos anos. O time até chega perto, mas não conquista os troféus importantes. Isso cria uma compreensível angustia na torcida. O problema é que parte da torcida aproveita cada insucesso para pregar a tese de que “ninguém serve, ninguém presta, é preciso contratar mais”. E não raro essa tese ganha adeptos entre os dirigentes do clube.

A adoção de tal diagnóstico implica em dois problemas. O primeiro, que já tratei em outro post, é a falta de continuidade, falta de sequência no trabalho de futebol. O segundo, é que contratações implicam em um sério dispêndio financeiro. E é esse o ponto que acho importante abordar.

Não é segredo para ninguém que o Grêmio contratou bastante para 2013. É razoável de se supor que essas contratações implicam em um maior investimento de capital por parte do clube. Vi poucas manifestações da atual diretoria sobre o tema. O assunto foi tratado em uma reunião do conselho deliberativo, mas não acho que caiba a mim abrir estes números aqui. Contudo, acho que é possível extrair alguma informação das manifestações públicas dos membros do conselho de administração.

Nestor Hein falou rapidamente sobre o tema em um programa da TVCOM no último domingo. E, no final de março, Renato Moreira explicou a motivação de alguns gastos em entrevista a Rádio Gaúcha. Abaixo disponibilizei o áudio e transcrição apenas dos trechos em que o assunto “gastos com futebol” foi abordado:


TIME COMPETITIVO X CUSTOS

“Que o Grêmio cumpra com seus compromissos e mantenha o nível de qualidade da sua equipe, para que possa participar de uma Libertadores como está participando, com chances de vitória, para que possa jogar um Campeonato Brasileiro com chance de vitória. Não nos interessa nos apequenarmos para tentar não cair no Brasileiro ou para não ir muito além na Copa Libertadores. É essa a preocupaçao que nós temos. Lamento que o presidente Odone tenha omitido esse fato. Não entendi a razão.”
 
[…]

AUMENTO DE GASTOS
“Claro que acresceu um pouco a folha em relação ao que o Grêmio gastava no ano passado. Tivemos que fazer contratações: Barcos, Vargas, Welliton, André Santos, para citar algumas estrelas, e disputar uma Copa Libertadores em condições de vencê-la. O Grêmio não pode encerrar a disputa sem jogador para ter no banco. Óbvio que há um pequeno acréscimo, mas é inferior ao que a gestão passada implementou em face à gestão anterior.” (Zero Hora – 25 de março de 2013 )

A diretoria deve ter poder de decisão, de saber administrar os recursos para fazer as escolhas que entende serem adequadas. Mas é esse o ponto. Tratam-se de escolhas. Não consigo concordar com esse argumento de que os reforços são imposições. “TIVEMOS que fazer contratações” me soa um tanto exagerado.
O Grêmio tinha um time bem razoável em 2012. Na Copa do Brasil e na Sulamericana a eliminação não se deu contra equipes mais qualificadas que a nossa (muito antes pelo contrário). No Brasileirão não foi o confronto direto com as equipes de cima da tabela que determinou a perda do título. Diante disso, fica a pergunta. Era realmente NECESSÁRIO que fossem feitos acréscimos a equipe?
Também não consigo aceitar o raciocínio de que não contratar implica em se apequenar. Não vejo o futebol dessa forma. E ainda que se leve em conta esse argumento é preciso fazer uma reflexão. O time cheio de contratações de 2013 foi eliminado na mesma fase do que o time de 2011 (do tão criticado Lins). Se foram contratações que faltaram há dois anos, o que faltou dessa vez?
E por isso que não concordo muito com o que se tem dito sobre a política de investimentos no futebol. Gastar mais pode ser uma solução válida. Talvez seja a primeira a ser cogitada, talvez seja a mais óbvia, mas certamente não é a única maneira de se montar equipes competitivas.
Acho importante deixar um exemplo disso. Abaixo transcrevo trecho de duas reportagens da Placar do primeiro semestre de 1983. Nelas fica evidenciado que o Grêmio gastou/investiu menos naquele temporada do que tinha investido no seu time do ano anterior. E isso de maneira alguma resultou em apequenamento ou em eliminações precoces. Todos nós sabemos como foi feliz o final daquele ano para a torcida tricolor.
“O Grêmio desfaz-se de quatro de suas superestrelas – Leão, Batista, Paulo Isidoro e Baltazar – e, em troca, traz apena uma: Tita. O Inter abre mão do líder de sua equipe – Cleo – e não faz nenhuma contratação de vulto. Ao mesmo tempo, ambos estabelecem rígidos tetos salariais. O do Grêmio é de 2,7 milhões mensais, entre luvas e ordenados, e só é alcançado por De León. O do Inter, inferior ao do Grêmio em 1 milhão, abriga apenas Benitez, Mauro Galvão e Edevaldo.
Que é isso? É a recessão chegando ao futebol gaúcho.
Essa tenebrosa palavrinha encaixou-se com naturalidade no vocabulário dos dirigentes dos dois maiores clubes do sul, que exibiam, até 1982, o orgulho de serem os recordistas brasileiros em contratações e o de possuírem as mais gordas folhas de pagamento do país. “Ou caíamos na realidade ou desabávamos no precipício”, declara Alberto Galia, 50 anos, um bioquímico e comerciante guindado à vice-presidência de futebol justamente por sua mágica atuação no departamento de finanças.

[…]

Este ano, como se os dois estivessem sob controle do FMI, as curvas dos gráficos se inverteram. O Grêmio gastou apenas 110 milhões (Osvaldo, Róbson, Lambari e César, ex-Benfica) dos 330 recebidos nas vendas de Paulo Isidoro e Batista. Colocou Leão à venda por 60 milhões e, se trouxe Tita por empréstimo, precisou emprestar Baltazar ao Flamengo.

[…]

Quer dizer, a situação é desoladora. “Assim, como podemos gastar mais do que Rio e São Paulo, se faturamos muito menos do que eles?”, pergunta Galia. E revela: “O Tita ficou satisfeitíssimo com um salário bem inferior ao que o Baltazar estava pedindo” (Divino Fonseca – Revista Placar nº 663 – 04 de fevereiro de 1983)

A contençao de despesas, decretada a partir de um sentido encontro no início do ano dos presidentes Koff e Dallegrave na sede da federação, é uma das razões da crise. Não se diminui investimento em futebol sem que, de algum modo, este fato se expresse no campo. O Grêmio expressou mais: desfez-se de Paulo Isidoro por 120 milhões à vista, de Batista por um número não determinado mas de quase 200 milhões, e facilitou a saída de Leão para o Corinthians por um pouco mais do que havia gastado para comprá-lo do Vasco três anos atrás. Ficou apenas com Hugo de León, que lhe custou uma renovação de contrato cara, mas o zagueiro era o único que, por consenso no Grêmio, não poderia sair.

O Grêmio teve de lidar, reconheça-se, com necessidades financeiras (esses jogadores eram caros e ficariam ainda mais caros com as renovações de contratos, todas calculadas a partir do dobro do salário e das luvas) e como necessidades, digamos, pessoais. Paulo Isidoro, Batista e Leão, por razões diferentes, estavam em dissidência com o clube, com setores da torcida ou da imprensa. Em substituição, o Grêmio tratou de gastar menos e recompor o time: Baltazar, sem ambiente no clube e na torcida, foi trocado por Tita, do Flamengo, Osvaldo foi comprado por 70 milhões à Ponte Preta, César foi encontrado na reserva do Benfica de Lisboa, e os demais vieram do interior do Estado: Róbson, do Inter de Santa Maria, Lambari, do Esportivo de Bento Gonçalves, Silmar do São Borja. E Remi, reserva de Leão e, antes, há quase dez anos, de Cejas, Walter Corbo e Manga, pela ordem, foi efetivado como titular” (Ruy Carlos Ostermann – Revista Placar nº 672 – 8 de abril de 1983)
Me parece que o questionamento de Alberto Galia segue atual. Será que podemos gastar mais? Será que é esse o nosso principal diferencial competitivo?

Libertadores – Santa Fe 1×0 Grêmio

May 17, 2013

Com uma vantagem mínima obtida no jogo de ida, o Grêmio aparentemente tentou se classificar por inércia em Bogotá. E assim acabou mais uma vez eliminado por uma equipe que, no papel, é muito inferior a sua.
Nos primeiros minutos o tricolor até passou uma falsa idéia de que iria sair pro jogo. Vargas obrigou o goleiro colombiano a fazer uma boa defesa aos 5 minutos e Barcos sofreu falta que Elano cobrou aos 7 minutos. Mas depois disso o Grêmio parou, esperou e ficou assistindo o Santa Fé. A bem da verdade não havia muito o que assistir. O time da casa não exercida grande pressão, não colocava velocidade e não criativo nas jogadas, se limitando a forçar a bola longa, tentando contar com os efeitos da altitude e um erro da defesa gremista para marcar. A melhor chance do primeiro tempo aconteceu numa bola lançada do campo de defesa que Borja mandou, de cabeça, na trave.
Apesar de não ter sido tão ameaçado, o Grêmio apresentava dois sérios problemas: O time não tinha saída, não tinha transição para o ataque. A dupla de frente estava isolada e as iniciativas ofensivas se limitavam a uma tentativa de Vargas de enfileirar adversários em velocidade  e por Barcos tentando segurar a bola até ser desarmado. Na defesa os zagueiros do Grêmio estavam sempre expostos ao combate direto com os avantes do Santa Fe. 
Mas riscos mesmo o Grêmio não correu. O jogo deve ter sido bastante enfadonho para que o assistiu sem ter um envolvimento direto com as equipes. Mas o problema é que a vantagem tricolor era frágil. Qualquer erro, qualquer xiripa poderia significar a eliminação tricolor. Era agoniante ver que o Grêmio não tomava o controle da partida diante da fragilidade técnica do adversário. E aí o Santa Fe cresceu. Mas cresceu sem brilho algum, sem uma grande organização tática, e sim na pura força de vontade e na permissividade do Grêmio. 
Aos 19 minutos do segundo tempo Dida fez grande defesa em cabeçada de Meza (foto abaixo) e o Grêmio só foi conseguir tramar uma jogada consciente de ataque depois dos 30 minutos. Ali que o time foi ter algum respiro. Mas o golpe veio aos 34 minutos. Wílder Medina fez uma jogada elementar, entrando pelo meio da defesa do Grêmio, acionando Omar Perez como pivô. O camisa 11 recebeu de volta e conseguiu passar entre os zagueiros do Grêmio para tocar na saída de Dida. 1×0 que eliminava o Grêmio.
Não sei a ordem foi de Roger ou de Luxemburgo, mas eu não consegui entender as mudanças efetuadas pelo Grêmio. Apesar de não ter feito grande partida, Barcos era a única opção para vencer a bola aérea na frente, não poderia ter saído. Também acho que, faltando menos de 10 minutos, foi pouco inteligente parar o jogo em três ocasiões para fazer substituições. O Santa Fe agradeceu e, como era de se esperar, a bola pouco rolou até o apito final. Ainda assim o Grêmio foi ter a sua melhor chance na partida aos 47 minutos, quando o goleiro cortou mal um cruzamento de Pará, mas Vargas chutou o rebote por cima do gol adversário.

E mais uma vez o filme se repete. O Grêmio inerte, sendo superado por um adversário fraco, porém mais empenhado. Foi assim na Copa do Brasil 2012, na Sulamericana do ano passado e isso quase tinha ocorrido contra o Huachipato na última rodada da fase de grupos.
Uma das características históricas do Grêmio de que mais me orgulho é a irresignação. Aquele espírito de lutar até o último minuto pela vitória, de cair lutando se for o caso, de vender caro a derrota. Essa característica se faz cada vez menos presente no time hoje. O Santa Fe precisou jogar muito pouco para passar pelo Grêmio.
Não sou daqueles que acham que tudo pode ser resolvido na “raça”. Mas todo time vencedor tem em si uma boa dose de superação, de força de vontade. Não posso dizer que vejo isso no Grêmio hoje.
O futebol é recheado de hipocrisia, de imaturidade emocional e de teatralizações. É preciso ter isso em mente para relativar algumas observações. Ainda assim algumas coisas chocam. O autor do gol do Santa Fe chorava copiosamente após marcar o gol, enquanto alguns jogadores gremistas davam entrevistas após o jogo como se fossem meros funcionários no final de um expediente. Exageros a parte, o contraste foi grande.
Infelizmente a eliminação não foi uma surpresa completa. Registrei aqui que o time vinha rendendo pouco e que poderia, e deveria, jogar mais. Ainda assim acreditava que, com a tabela que se apresentava, seria possível que o Grêmio seguisse avançado e crescendo na hora certa. Pois o Grêmio pouco avançou e praticamente não apresentou melhoras no seu futebol nos últimos meses.
Torço para que nesse momento ninguém esteja a procura de um único bode expiatório. O futebol é um esporte coletivo. E isso pode ser aplicado tanto para dentro, como também, para fora de campo. Espero que derrota sirva para uma reflexão para tudo o que foi e vem sendo feito no Grêmio nos últimos tempos.

 

Fotos: Luis Acosta (Lance), EFE (FutebolRed), AFP (Terra) e  Lucas Uebel (Grêmio.net)

Independiente Santa Fe Santa Fé 1×0 Grêmio Grêmio

INDEPENDIENTE SANTA FE: Vargas; Anchico, Valdés, Meza e García; Torres (Valencia – 32’/2ºT), Bedoya, Pérez e Cuero (Molina – 15’/2ºT); Medina e Borja (Quiñónez – 43’/2ºT).  
Técnico: Wilson Gutierrez.
GRÊMIO: Dida; Pará, Bressan, Werley e André Santos; Fernando (Marco Antonio – 41’/2ºT), Souza, Elano (Kleber – 36’/2ºT) e Zé Roberto; Vargas e Barcos (Welliton – 40’/2ºT).  
Técnico: Roger Machado
Libertadores 2013 – Oitavas de final – Jogo de volta

Local: Estádio El Campín, em Bogotá COL
Data: 16/05/2013, Quinta-feira, 22h30min
Árbitro: Roberto Silvera (URU)
Auxiliares: Mauricio Espinosa e Marcelo Costa (URU)
Cartões Amarelos: Valdés, Anchico e Medina (IND); Zé Roberto, Elano, Bressan e André Santos (GRE)
Gol: Medina, aos 34’/2º

1954 – Santa Fe 0x0 Grêmio

May 14, 2013

O primeiro encontro entre Independiente Santa Fe e Grêmio ocorreu em janeiro de 1954. O jogo valia pela segunda rodada da Copa da Forças Armadas. Na primeira partida o tricolor havia sido goleado pelo Millonarios (confronto abordado em outro post)
O Grêmio estava no final de uma excursão iniciada ainda em dezembro de 1954 e  que passara por México, Equador e Colômbia. Os registros dão conta que depois de uma semana na capital colombiana, o tricolor se mostrou melhor ambientado a altitude e apresentou um rendimento superior a partida anterior. Ainda assim a partida terminou num modorrento 0x0 onde os goleiros dos dois times foram os principais destaques. 

“Así perdió Carlos Arango la oportunidad de dar ayer el triunfo al Santa Fe, cuando el portero Sergio, del Gremio estaba completamente vencido, pero los equipos enfrentados ayer en El Campín, parecia que estuviesen apostando a quien hiciera menos goles”


“Los 3 mil espectadores que sacrificaram su almuerzo por asistir a El Campin, salieron totalmente desinflados, ya que fue muy poco, por no decir nada, lo que se vio de futbol. Una que otra jugada del Santa Fe en el primer tiempo y contados avances de calidade del Grêmio entre los 35 y 40 minutos de la complementaria, fue todo lo que se dio a los aficionados. El resto del encuentro no fue otra cosa que pesimo entrenamiento” (El tiempo – 28 de janeiro de 1954)

Plantel tricolor esperando o ônibus que o levaria até o local da partida

INDEPENDIENTE SANTA FÉ

Melhor aclimatado, o quadro do Grêmio rendeu mais na segunda partida do torneio quadrangular internacional de Bogotá, na tarde de 27 de janeiro, contra o Independiente Santa Fé. O jôgo terminou empatado sem abertura de contagem frente ao adversário que era o vice-lider da competição, junto com o Rampla Júniors, de Montevideo.
Apesar de ser dia útil, a partida foi presenciada por um bom público, tendo a equipe colombiana formado com 5 jogadores estrangeiros.
Exibindo um jôgo rasteiro e vistoso, os tricolores conseguiram impressionar, reabilitando-se do insucesso da última apresentação frente ao Milionários, campeão dos profissionais da Colômbia e líder do torneio.
O arqueiro Sérgio teve uma grande atuação, e Victor foi  o melhor homem da ofensiva. Na equipe contrária, o arqueiro Sanchez fêz uma série de defesas de vulto, salvando o Santa Fé da derrota.
No segundo tempo, na altura dos 17 minutos, Moyano cometeu pênalte, sem que o árbitro determinasse a cobrança de penalidade máxima a favor dos gaúchos.
Assim, com um volume de jôgo superior ao da estréia no torneio, os tricolores deixaram boa impressão, inclusive porque a ausência da vitória para os visitantes constitui-se em injustiça. Os chutes continuados dos gremistas contra o arco dos locais, mòrmente na fase final, estiveram por decretar a sua queda, só não acontecendo nenhum tento por falta de sorte e porque Sanchez estava muito inspirado.
Foi árbitro da partida, com atuação regular, o juiz paraguaio Ruben Heyen. A renda se elevou a 76 mil pesos colombianos.” (Edison Pires  – Revista Super Grêmio – Nº 3 – Página 93)

Delegação gremista passeando por Bogotá

“Nos primeiro vinte minutos de jogo, o Grêmio Porto Alegrense pressionou ligeiramente, mas daí em diante o interesse pelo jogo decaiu consideravelmente, salvo em algumas ações.

Ainda que os brasileiros houvessem treinado e se considerassem mais adaptados à altitude da Colômbia, cinco de seus jogadores sofreram asfixia durante o jogo, e tiveram de ser medicados.” (Correio do Povo – 28 de janeiro de 1954)

 Atletas e dirigentes gremistas na frente do seu hotel em Bogotá

 
Fontes: Revista Super Grêmio, Correio do Povo e El Tiempo

Independiente Santa Fe 0x0 Grêmio

SANTA FE: Sánchez, Moyano e Marik; De la Hoz, Reyes (Navarro) e Cativiela; Ardila (Cardonita), Saco, Arango, Deibe (Pericullo) e Quintero 
GRÊMIO: Sergio; Pipoca e Altino (Mauro); Roberto, Sarará (Zé Ivo)  e Noronha; Camacho, Mujica (Torres) Vitor, Alvim e Itamar.
Técnico: Telêmaco Frazão de Lima

Data: 27 de janeiro de 1954, quarta-feira, 12:15
Local: Estádio El Campin, em Bogotá – Colômbia
Juiz: Mario Rubén Heyn (Paraguai)

Presença de público no Gauchão (2007/2013)

May 7, 2013
E o Gauchão 2013 chegou ao seu esperado fim. Poderíamos aproveitar a ocasião para falar, mais uma vez, de assuntos como calendário, arbitragem e fórmula, mas por ora acho mais proveitoso tratar do tema da presença da torcida gremista nos jogos desta competição. Na análise dos números desse ano, o primeiro dado que salta aos olhos é o fato de o Grêmio ter tido a maior média de público pagante (Com 10.110 pagantes por jogo nos seus estádios), mesmo tendo feito somente um jogo decisivo em seu estádio.
Ainda que possa ser considerado bom, tal número fica abaixo da média tricolor nos últimos 7 estaduais. Em 65 jogos como mandante no Gauchão entre 2007 e 2013 o Grêmio tem uma média de pagantes de 12.266 e uma média de público total de 14.822 (tabela acima).  É sabido que o Brasileirão gera mais interesse que o Gauchão, ainda assim acho válido comparar os números antes citados com os dos jogos no Olímpico nas últimas 7 edições do campeonato nacional, onde a média de público pagante foi de 22.345 espectadores e a média de público total foi de 25.900 torcedores nos 130 jogos disputados em casa no período.

A grande questão de 2013 é saber qual o efeito da Arena na presença de público. Em abril passado os comandantes do clube e da Arena Porto-Alegrense se mostravam bastante satisfeitos com os números da torcida gremista no novo estádio:

“a presença de público nos primeiros três meses da Arena é comemorada, tanto por dirigentes gremistas, como pela Arena Porto-Alegrense — especialmente a média nas partidas do Campeonato Gaúcho, já que a presença alta na Libertadores era esperada.
Estamos espantados. Público assim para sábado à noite é fantástico. Ainda mais que a Geral está fechada”, comemora o integrante do Conselho de Administração, Nestor Hein. O Grêmio conseguiu levar 17.749 torcedores em um sábado, às 21h, diante do Caxias. “Estamos com uma média muito boa. É fora do padrão. Só mesmo a Arena, o time que o Grêmio montou para isso”, salienta o gerente de marketing da Arena Porto-Alegrense, Gilmar Machado. Isso que a Arena ainda não foi palco de um jogo no domingo, às 16h” (Correio do Povo – 07 de abril de 2013)
E quais seriam esses números? Nos 5 jogos disputados na Arena pelo Gauchão a média de pagantes foi de 12.963 e a média de público total foi de 15.070 (tabela acima) Na comparação com os últimos anos esses números de fato se mostram positivos, mas ainda não representam um aumento significativo em relação ao Olímpico.
Mas é importante lembrar que nenhum desses jogos foi disputado numa tarde de domingo, e apenas um deles era um jogo eliminatório. Nenhum era clássico ou mesmo final de turno, que costumam chamar mais público. Assim acho que o mais válido seria fazer a comparação apenas com a média dos jogos da fase classificatória, conforme se mostra na tabela abaixo.

Também é preciso lembrar que não tivemos nenhum Grenal na Arena ainda, de modo que talvez seja preciso desconsiderar o clássico nesse levantamento (tabela abaixo):

Outra questão palpitante é a questão sobre o dia em que o jogo é marcado. O levantamento abaixo demonstra que os jogos em finais de semana levam mais gente a campo do que os jogos de meio de semana. Uma conclusão parecida a que se chegou ao analisar essa questão nos números do campeonato Brasileiro.

Quando se exclui os clássicos Grenais do cálculo a média dos jogo de final de semana cai, mas segue sendo superior as das partidas disputadas durante a semana.

E mesmo que se exclua os jogos eliminatórios (quartas, semis, finais de turno e final de campeonato) e os grenais a média dos jogos realizados em fins de semana segue sendo maior.

Libertadores – Grêmio 2×1 Independiente Santa Fe

May 2, 2013
 
Pela primeira vez foi possível sentir um clima de “jogo importante” no gramado e nas arquibancadas da Arena. O Grêmio partiu pra cima do Santa Fe desde o apito inicial e a torcida foi junto. A grande novidade tricolor era o retorno de Elano, e foram dos pés do camisa 7 que surgiram as melhores chances tricolores. Primeiro numa enfiada de bola em que Barcos chegou tarde e pediu pênalti, depois num cruzamento que passou pelo goleiro e parou na trave. Elano ameaçou ainda em duas cobranças de falta, mas o gol gremista só foi sair aos 27 minutos. Souza pressionou o adversário, obrigando-o a recuar, Vargas recuperou a bola e iniciou o contra-ataque, acionando Fernando, que cadenciou a jogada esperando pela passagem de Alex Telles, que por sua vez cruzou na cabeça do Turboman: 1×0 Grêmio. Placar do primeiro tempo.
Tudo indicava que o Grêmio aumentaria a vantagem no segundo tempo. O Santa Fe pouco incomodava quando tinha a bola. Mas o Grêmio tinha Cris. Cris que foi expulso infantilmente contra o Fluminense. Cris que insistiu em fazer faltas desnecessárias (adversário de costas e longe do gol) no primeiro tempo, levando um cartão amarelo por isso. Aos 7 do segundo tempo Souza foi desarmado próximo do círculo central (aqui até se poderia questionar o erro do Souza, ou porque o Grêmio estava apressando o jogo quando já tinha vantagem, mas o problema maior vem na sequência) e Cuero arrancou rumo ao arco gremista. Cris poderia ter parado a jogada antes, mas parece ter evitado em função do cartão, e inacreditavelmente, atropelou o adversário quando este se aproximava da linha de fundo e ficaria sem ângulo para conclusão. Cartão vermelho para o zagueiro tricolor e pênalti convertido por Omar Perez.
Com um a menos o Grêmio teve que se superar para buscar o desempate. Roger tirou o já cansado Elano e colocou o estreante Gabriel para recompor a defesa. Mais tarde retirou um dos laterais-esquerdos e se valeu de Guilherme Biteco para acrescentar criatividade (e mais uma vez o guri entrou bem).O clima no estádio era pesado em função da bobagem cometida por Cris, mas o time mostrou empenho e trouxe a torcida de volta para o seu lado. O torcedor começou a vibrar com cada posse de bola no ataque, com cada escanteio e o Grêmio passou a vencer a disputa pelos rebotes, pelas “segunda bola”. E numa dessas Fernando apanhou a pelota, matou no peito e chutou de fora da área para marcar o 2×1. Só então é que Santa Fe foi conseguir ter alguma presença ofensiva, mas pouco criou, a exceção de uma cabeçada de Perez, que passou por cima do arco. Não há questionamento quanto ao merecimento da vitória tricolor. A dúvida que fica é se o Grêmio conseguiria uma vantagem maior não fosse o erro de seu experiente zagueiro.
Aquela tese (bem provinciana, diga-se de passagem) que “convocação pra Seleção estraga jogador” não se aplica ao Fernando. Ele só melhorou desde que foi convocado pelo Felipão. Ontem mais uma vez jogou muito. Levou um cartão com 18 minutos, mas seguiu marcando forte, participou do primeiro e marcou o segundo gol.
Vargas estava endiabrado. Passava por todos os marcadores, ninguém arrancava a bola dele. Além dos dois destaques acima citados, acho importante ressaltar a boa atuação de Alex Telles, que apareceu bem pro jogo, sem descuidar da parte defensiva.

Eu desconheço os meandros do vestiário gremista. Não sei quem são de fato os líderes do grupo. Não sei se o treinador tem seu bruxos. A distância permito achar estranho o tratamento que é dispensado a Cris. Um jogador rodado, credenciado pela experiência, que comete erros grosseiros e, aparentmente, segue prestigiado. E pensar que o Vilson (que não é solução, e sim jogador pra grupo) foi afastado por que poderia vir a fazer uma bobagem em um jogo de Libertadores.

Sou só eu ou tem mais alguém que acha estranho que um jogo das oitavas de final da Libertadores ganhe o mesmo destaque nos jornais de Porto Alegre do que uma partida válida pela segunda fase da Copa do Brasil?

O Grêmio construiu um estádio para 60 mil pessoas. Ontem haviam “só” 35 mil presentes num jogo decisivo. E as notícias davam conta que praticamente a totalidade dos ingressos haviam sido comercializados. Na hora do jogo foi possível ver espaços vazios em todos os setores do estádio (especialmente no quarto anel) Precisamos encontrar soluções para esta questão. Estádio cheio é do interesse de todos.
Achei muito legal a ideia de colocar bandas tocando na esplanada. Pra completar seria legal que funcionassem bares no mesmo lugares (tal qual aconteceu no jogo contra o Hamburgo).
É certo que o resultado poderia ser melhor, mas pelo que se viu ontem, não há razão para temer o Santa Fe. A sua maior qualidade esta depositada nos velhos (e pesados) Bedoya e Omar Perez. Se o Grêmio não apresentar uma queda vertiginosa de rendimento em Bogotá, terá amplas chances de classificação.

Fotos: Guilherme Testa (ACEG/Chute10), Tiago Baldasso (tiagobaldasso.wordpress.com) e Lucas Uebel (Grêmio Oficial)

Grêmio Grêmio 2×1 Santa Fé Independiente Santa Fe

GRÊMIO: Dida, Pará, Cris, Bressan e Alex Telles (Guilherme Biteco – 27’/2ºT); Fernando, Souza, André Santos e Elano (Gabriel – aos 11’/2ºT); Vargas e Barcos (Kleber – 41’/2ºT)
Técnico: Roger Machado
INDEPENDIENTE SANTA FE: Vargas; Roa, Valdés, Meza e García; Anchico, Torres, Bedoya (Valencia – 21’/2ºT) e Omar Pérez; Cuero (Borja – 17’/2ºT) e Wilder Medina
Técnico: Wilson Gutiérrez

Oitavas de Final – jogo de ida – Libertadores 2013
Data: 1º/5/2013, quarta-feira, 19h30min
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre (RS)
Público:35.650 (34.437 pagantes)
Renda: R$ 1.895.151,00
Árbitro: Patrício Loustau (Fifa-ARG)
Auxiliares:
Diego Bonfa (ARG) e Ivan Nuñez (ARG)
Cartões Amarelos: Fernando e Cris; Meza, Roa, Medina, Bedoya e Cuero
Cartões Vermelhos: Cris, aos 7’/2ºT (GRE)
Gols: Vargas, aos 27’/1ºT ; Omar Pérez, aos 9’/2ºT (pênalti) e Fernando, aos 35’/2ºT