Libertadores – Santa Fe 1×0 Grêmio

Com uma vantagem mínima obtida no jogo de ida, o Grêmio aparentemente tentou se classificar por inércia em Bogotá. E assim acabou mais uma vez eliminado por uma equipe que, no papel, é muito inferior a sua.
Nos primeiros minutos o tricolor até passou uma falsa idéia de que iria sair pro jogo. Vargas obrigou o goleiro colombiano a fazer uma boa defesa aos 5 minutos e Barcos sofreu falta que Elano cobrou aos 7 minutos. Mas depois disso o Grêmio parou, esperou e ficou assistindo o Santa Fé. A bem da verdade não havia muito o que assistir. O time da casa não exercida grande pressão, não colocava velocidade e não criativo nas jogadas, se limitando a forçar a bola longa, tentando contar com os efeitos da altitude e um erro da defesa gremista para marcar. A melhor chance do primeiro tempo aconteceu numa bola lançada do campo de defesa que Borja mandou, de cabeça, na trave.
Apesar de não ter sido tão ameaçado, o Grêmio apresentava dois sérios problemas: O time não tinha saída, não tinha transição para o ataque. A dupla de frente estava isolada e as iniciativas ofensivas se limitavam a uma tentativa de Vargas de enfileirar adversários em velocidade  e por Barcos tentando segurar a bola até ser desarmado. Na defesa os zagueiros do Grêmio estavam sempre expostos ao combate direto com os avantes do Santa Fe. 
Mas riscos mesmo o Grêmio não correu. O jogo deve ter sido bastante enfadonho para que o assistiu sem ter um envolvimento direto com as equipes. Mas o problema é que a vantagem tricolor era frágil. Qualquer erro, qualquer xiripa poderia significar a eliminação tricolor. Era agoniante ver que o Grêmio não tomava o controle da partida diante da fragilidade técnica do adversário. E aí o Santa Fe cresceu. Mas cresceu sem brilho algum, sem uma grande organização tática, e sim na pura força de vontade e na permissividade do Grêmio. 
Aos 19 minutos do segundo tempo Dida fez grande defesa em cabeçada de Meza (foto abaixo) e o Grêmio só foi conseguir tramar uma jogada consciente de ataque depois dos 30 minutos. Ali que o time foi ter algum respiro. Mas o golpe veio aos 34 minutos. Wílder Medina fez uma jogada elementar, entrando pelo meio da defesa do Grêmio, acionando Omar Perez como pivô. O camisa 11 recebeu de volta e conseguiu passar entre os zagueiros do Grêmio para tocar na saída de Dida. 1×0 que eliminava o Grêmio.
Não sei a ordem foi de Roger ou de Luxemburgo, mas eu não consegui entender as mudanças efetuadas pelo Grêmio. Apesar de não ter feito grande partida, Barcos era a única opção para vencer a bola aérea na frente, não poderia ter saído. Também acho que, faltando menos de 10 minutos, foi pouco inteligente parar o jogo em três ocasiões para fazer substituições. O Santa Fe agradeceu e, como era de se esperar, a bola pouco rolou até o apito final. Ainda assim o Grêmio foi ter a sua melhor chance na partida aos 47 minutos, quando o goleiro cortou mal um cruzamento de Pará, mas Vargas chutou o rebote por cima do gol adversário.

E mais uma vez o filme se repete. O Grêmio inerte, sendo superado por um adversário fraco, porém mais empenhado. Foi assim na Copa do Brasil 2012, na Sulamericana do ano passado e isso quase tinha ocorrido contra o Huachipato na última rodada da fase de grupos.
Uma das características históricas do Grêmio de que mais me orgulho é a irresignação. Aquele espírito de lutar até o último minuto pela vitória, de cair lutando se for o caso, de vender caro a derrota. Essa característica se faz cada vez menos presente no time hoje. O Santa Fe precisou jogar muito pouco para passar pelo Grêmio.
Não sou daqueles que acham que tudo pode ser resolvido na “raça”. Mas todo time vencedor tem em si uma boa dose de superação, de força de vontade. Não posso dizer que vejo isso no Grêmio hoje.
O futebol é recheado de hipocrisia, de imaturidade emocional e de teatralizações. É preciso ter isso em mente para relativar algumas observações. Ainda assim algumas coisas chocam. O autor do gol do Santa Fe chorava copiosamente após marcar o gol, enquanto alguns jogadores gremistas davam entrevistas após o jogo como se fossem meros funcionários no final de um expediente. Exageros a parte, o contraste foi grande.
Infelizmente a eliminação não foi uma surpresa completa. Registrei aqui que o time vinha rendendo pouco e que poderia, e deveria, jogar mais. Ainda assim acreditava que, com a tabela que se apresentava, seria possível que o Grêmio seguisse avançado e crescendo na hora certa. Pois o Grêmio pouco avançou e praticamente não apresentou melhoras no seu futebol nos últimos meses.
Torço para que nesse momento ninguém esteja a procura de um único bode expiatório. O futebol é um esporte coletivo. E isso pode ser aplicado tanto para dentro, como também, para fora de campo. Espero que derrota sirva para uma reflexão para tudo o que foi e vem sendo feito no Grêmio nos últimos tempos.

 

Fotos: Luis Acosta (Lance), EFE (FutebolRed), AFP (Terra) e  Lucas Uebel (Grêmio.net)

Independiente Santa Fe Santa Fé 1×0 Grêmio Grêmio

INDEPENDIENTE SANTA FE: Vargas; Anchico, Valdés, Meza e García; Torres (Valencia – 32’/2ºT), Bedoya, Pérez e Cuero (Molina – 15’/2ºT); Medina e Borja (Quiñónez – 43’/2ºT).  
Técnico: Wilson Gutierrez.
GRÊMIO: Dida; Pará, Bressan, Werley e André Santos; Fernando (Marco Antonio – 41’/2ºT), Souza, Elano (Kleber – 36’/2ºT) e Zé Roberto; Vargas e Barcos (Welliton – 40’/2ºT).  
Técnico: Roger Machado
Libertadores 2013 – Oitavas de final – Jogo de volta

Local: Estádio El Campín, em Bogotá COL
Data: 16/05/2013, Quinta-feira, 22h30min
Árbitro: Roberto Silvera (URU)
Auxiliares: Mauricio Espinosa e Marcelo Costa (URU)
Cartões Amarelos: Valdés, Anchico e Medina (IND); Zé Roberto, Elano, Bressan e André Santos (GRE)
Gol: Medina, aos 34’/2º

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One Response to “Libertadores – Santa Fe 1×0 Grêmio”

  1. Keiko Says:

    Falaste tudo. Foi exatamente da mesma forma que eu vi o jogo. Me doeu muito ver um time tao apatico e com vontade de segurar resultado. Senti vergonha porque garra nao ganha jogo, mas sem a garra do imortal tricolor fica dificil ter orgulho.

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