30 anos da Libertadores de 1983 – Grêmio 3×1 Bolivar

Com a inesperada eliminação no Brasileirão de 1983, o Grêmio teve mais de um mês de espera entre a 4ª e 5ª rodada da fase de grupo da Libertadores. Muita coisa aconteceu nesse meio tempo. O time se ocupou com alguns amistosos para não perder o ritmo. A diretoria trouxe Mazaropi como reforço para  o gol, mas não havia a certeza de que ele poderia ser inscrito no torneio sul-americano. Na Europa, o Hamburgo conquistara a Copa dos Campeões ao vencer a Juventus em Atenas
Por sorte a gangorra se encontrava em situação favorável ao tricolor, uma vez que o Inter havia sido eliminado em fase anterior no campeonato brasileiro. Assim, a preparação para confronto contra o Bolivar ganhou grande espaço positivo na mídia, visto que era, até então, o jogo mais importante do futebol gaúcho no semestre.
Com 7 pontos ganhos em 4 jogos disputados, o Grêmio liderava o seu grupo. Bastaria um vitória contra o Bolivar em Porto Alegre para garantir a classificação antecipada para a próxima fase. Os bolivianos, ainda tinham chances de avançar na Libertadores, sabiam das dificuldades do Olímpico e queriam complicar o tricolor com uma esquema baseado na solidez defensiva.
Um fato que apimentou o jogo foi uma oferta de 50 milhões de cruzeiros (cerca de 100 mil dólares) feita pelo Flamengo para que o Bolivar ao menos arrancasse um empate do Grêmio. Tita disse que tal ato se constituía numa tentativa de coação dos atletas bolivianos. Apenas para se ter um comparativo é válido lembrar que o bicho que a diretoria gremista prometeu aos seus atletas era de Cr$ 8 milhões.
Mas toda essa polêmica se esvaiu com poucos minutos de bola rolando. Antes que se completassem 10 minutos de partida o Grêmio já vencida por 2×0. Aos 12 o Bolívar diminuiu. O Grêmio se assustou e passou a ter alguma dificuldade na defesa quando Paulo César deixou o campo lesionado e Baidek passou a atuar como lateral esquerdo. Ainda assim, o tricolor conseguiu ampliar a sua vantagem para 3 a 1 aos 23 da etapa final.
Com a vitória o Grêmio já podia pensar nos adversários da próxima fase (O America de Cali era um deles, e seu treinador se fez presente no Olímpico naquela noite). O confronto contra o Flamengo no Maracanã pela última rodada se tornara um amistoso.

“Renato e Tita demoliram o cansado e velho Bolívar. O resto do time foi apenas razoável” (Placar)

“ABDUL ARAMAIO, treinador do Bolívar, tocou no ponto que mais preocupa a torcida do Grêmio: a defesa. Aramaio entende que a defesa do Grêmio é “lenta e pesada e por isso terá dificuldades na segunda fase, principalmente contra atacantes velozes”, Ele lembrou que o gol anulado no segundo tempo, pegando a zaga de surpresa: “Foi um gol legítimo, mas o árbitro não entendeu assim. O Grêmio é um grande time e não precisa disso” (Folha da Tarde – 1º de junho de 1983)

 

*Terça-feira, 31 de maio de 1983
Classificação antecipada

Mais de um mês se passou até o Grêmio enfrentar, em Porto Alegre, a segunda equipe boliviana: o Bolivar.
Neste meio tempo, muita coisa mudou pelos lados do Olímpico.
E mudou para pior.
A derrota de 3 a 1 para a inexpressiva Ferroviária de Araraquara e a conseqüente desclassificação no campeonato brasileiro em pleno estádio Olímpico, deixou fervilhando o panorama político do Clube e colocou em dúvida a qualidade da equipe perante o torcedor.
A oposição passou a bater forte na diretoria atual criticando o comando do presidente Fábio Koff e postulando mudanças drásticas na eleição para o Conselho Deliberativo que ocorreria em setembro.
Já não bastasse tudo isto, a equipe comandada por Espinosa acabou perdendo um amistoso para o Vasco da Gama, no Olímpico, faltando 12 dias para o jogo contra o Bolívar.
Foi neste ambiente de desconfiança e insatisfação que o Grêmio entrou em campo na fria noite de terça-feira para enfrentar o campeão boliviano, o qual já havia vencido na altitude de La Paz.
Pressionado, Espinosa sacou do time o goleiro Remi, considerados o principal culpado pela eliminação no Brasileirão, colocando Beto, reserva imediato.

Na zaga, Baidek recebia sua primeira chance.
Na lateral-esquerda, Paulo César Magalhães entrava no lugar de Casemiro.
Finalizando as modificações, Paulo Roberto entrava no lugar de Silmar na lateral-direita.
Todos os fatores negativos contrastavam com a situação da equipe na tabela da Libertadores. Uma vitória simples sobre o adversário classificava o time de forma antecipada para a semifinal da competição sem depender da última partida, contra o Flamengo, no Maracanã.
E foi com esse objetivo que o Tricolor começou a partida.

Logo aos três minutos, Tita concluiu de cabeça cruzamento de De León abrindo o marcador.
Seis minutos depois, Tita cobrou falta da entrada da área, o goleiro espalmou para o lado. Caio evitou o escanteio e cruzou de bicicleta. Tonho meteu a cabeça e ampliou o marcador fazendo seu primeiro gol na competição.
O time relaxou com a vantagem prematura e o Bolívar descontou aos 12 minutos. Silva entrou livre pela área e encobriu o goleiro Beto no exato momento em que De León era atendido fora de campo. 2 a 1.

Ainda assim, o Bolívar não chegou a ser uma ameaça.
O Grêmio foi amplamente superior e chegou ao terceiro gol aos 23 minutos da etapa final: Renato cruzou da direita no segundo pau. Osvaldo tentou encobrir o goleiro, mas foi Tita que pegou o rebote para marcar.
Grêmio 3 a 1 e classificado para a semifinal da Libertadores pela primeira vez na história”. (Gremio.net)
 

“Não houve sufoco, o Grêmio marcou logo seu gol, acabou ganhando bem e está classificado. Isso é o mais importante. Mas não aconteceu grande vibração. Todos sabem que apesar de classificação o Grêmio terá que melhorar muito para a próxima fase. E em dois aspectos importantes: não pode ser tão vulnerável e não pode perder tantos gols.

Um dos absurdos da Libertadores: trio de arbitragem do jogo de ontem custou ao Grêmio mais de Cr$ 4 milhões” (Edegar Schmidt – Folha da Tarde – 1º de junho de 1983)

“VITÓRIA E ESPERANÇA
Os gremistas estão comemorando, como é natural, um resultado e a classificação antecipada para mais uma fase da Libertadores. Os mais conscientes, porém, e entre eles o próprio jogador De León, não saíram do Olímpico, ontem à noite, plenamente satisfeitos. O futebol exibido pela equipe gaúcha deixou a desejar. Se não melhorar, dificilmente terá êxito na próxima etapa da competição. O Grêmio encontrou facilidades, sobretudo no início, diante de uma defesa confusa e de um goleiro fraco. O Grêmio passa a ser agora o único representante do Brasil na Libertadores, deixando para trás o próprio bicampeão nacional. Cresce o desafio e aumentam as responsabilidades. Mas há também esperanças.” (Antônio Goulart – Correio do Povo – 1º de junho de 1983)

“MOMENTOS LUMINOSOS
Numa noite muito fria o Grêmio se classificou para a próxima etapa da Libertadores. Ganhou do Bolívar de 3 a 1. Durante algum tempo, não no início do jogo, mas pela metade, o torcedor chegou a ficar apreensivo. No campo, o Grêmio repetia velhos erros, precipitava, não trocava passes, se individualiza por Renato, por Tonho, por Tita e por Hugo De León. Estes problemas acabaram perturbando o futebol do Grêmio e o torcedor ficou impaciente. Mas estavam com dois gols marcados e mesmo que logo depois o Bolívar descontasse, determinando os 2 a 1 do primeiro tempo, havia sobra de jogo. E isso, aos poucos, foi determinando que o Grêmio e só o Grêmio poderia vencer o jogo e se classificar na Libertadores. O trabalho daqui para frente, agora, deve ser de aperfeiçoar o futebol.
O Grêmio passou e está classificado, mas o seu futebol não dá ainda muita confiança. Ele apresentou problemas defensivos e também foi traído pelas circunstâncias.(Ruy Carlos Ostermann – Zero Hora – 1º de junho de 1983)

 “A vitória do Grêmio ontem à noite começou quando o árbitro Cláudio Brusca jogou a moeda argentina para cima e o capitão De León ganhou o sorteio de lado. Ao contrário do “azar” acontecido contra o Ferroviária dia 30 de abril, pela Taça de Ouro/83, uma das superstições dos jogadores (iniciar atacando para o lado direito das sociais) estava vencida. O modesto Bolívar realmente não chegava a preocupar, o problema do Grêmio era não perder para suas próprias deficiências, como em oportunidades anteriores.
O frio, mais do que o medo e a falta de confiança, se encarregou de diminuir, no Olímpico, a torcida nervosa desde os primeiros minutos. E isso parece que também ajudou a dar personalidade ao time do Grêmio.” (Zero Hora – 1º de junho de 1983)


 

Grêmio 3×1 Bolivar

GREMIO: Beto; Paulo Roberto, Baidek, De León e Paulo César (Newmar); China, Osvaldo (Robson) e Tita; Renato, Caio e Tonho.
Técnico: Valdir Espinosa
Reservas
: Remi, Newmar, Robson, Tarciso e Cesar

BOLIVAR: Elso, Gallo, Merlo, Urizar e Arias, Navarro, Céspede, Romero, Borja, Silva, Figueroa (Baldessari)
Técnico: Abdul Aramayo

Libertadores 1983 – Fase de grupos – 5ª rodada – 
Data: 31 de maio de 1983, terça-feira, 21h30min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 18.929 pagantes
Renda: CR$ 12.538.300,00

Preço dos ingressos: Cadeira especial Cr$ 2.000,00; Arquibancada superior Cr4 800,00; Arquibancada inferior Cr$ 500,00; Sócios e dependentes Cr$ 500,00
Arbitragem: Cláudio Brusca (ARG) ,

Auxiliares:Artur Iturralde e Jorge Romero (ARG) 
Gols: Tita  3 do 1º, Tonho 9 do 1º, Silva (Bol) 12 do  1º e Tita aos 23 do 2º tempo


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