30 anos da Libertadores de 1983 – Grêmio 2×1 Estudiantes

Já vimos aqui como o Grêmio passou pela primeira fase da Libertadores. No triangular semifinal o tricolor teria o Estudiantes de La Plata e o America de Cali como adversários. Apenas um time avançaria. Antes de regressar ao campo o clube tinha que enfrentar algumas disputas de bastidores. A direção gremista tinha dois pleitos na reunião da Conmebol: Disputar o primeiro e o  último jogos dessa etapa no Olímpico e abrir novas inscrições de atletas na competição.
O Grêmio teve parcial sucesso nas suas reivindicações. Conseguiu inscrever Mazaropi (que havia estreado com a camisa tricolor no dia 16 de junho, contra o Inter-SM pelo Gauchão) mas não conseguiu montar a tabela a seu gosto. O primeiro jogo previsto era Grêmio Vs. Estudiantes, dia 21 de junho, no Olímpico.
A Libertadores era prioridade total na Azenha. Espinosa escalou um time reserva no confronto com o Esportivo no sábado anterior. No domingo, Renato Portaluppi dormiu demais e perdeu o treino dos titulares, o que gerou polêmica. Polêmico também foi o pronunciamento do técnico do Estudiantes, Eduardo Manera, ao dizer que seu time não era violento, ao contrário da famigerada formação de Bilardo, Veron e cia.
E jogo foi duro, “guerreado”, mas se resolveu com dois golaços. O primeiro de Osvaldo, num chutaço logo aos cinco minutos de jogo. O Estudiantes empatou ainda no primeiro tempo e segurava bravamente o empate. Espinosa resolveu colocar Tarciso no lugar de Renato (e posteriomente confessou que temeu a reação da torcida). A mudança deu certo. Aos 40 do segundo tempo Caio fez uma jogada espetacular pela ponta esquerda e cruzou para o Flecha Negra marcar o gol da vitória tricolor.
Um dado para os supersticiosos é que nesse jogo o Grêmio vestiu pela primeira vez na competição o calção branco, o que viria a repetir na final contra o Peñarol e no mundial em Tóquio.

Vitória fundamental na abertura das semifinais
Com 11 pontos conquistados na fase classificatória, o Grêmio chegou à etapa de semifinal com o melhor retrospecto dentre os três participantes do Grupo A.
Invicto até então, o Tricolor fez seis jogos com cinco vitórias e um empate.
Como adversários, o campeão argentino do Estudiantes de La Plata e os colombianos do América de Cali.
Os argentinos sofreram duas derrotas na primeira fase e ainda assim conseguiram a classificação no último jogo contra o Ferro Carril.
A campanha do América já foi melhor: terminou o Grupo 3 invicto, com quatro vitórias e dois empates.
O calendário apresentou o Grêmio fazendo sua estréia na semifinal contra o Estudiantes, em Porto Alegre.

Após o afastamento de Remi do time titular, a direção gremista tratou de buscar uma alternativa para o gol. Fábio Koff anunciou a contratação do experiente Mazarópi, campeão carioca de 1982 pelo Vasco da Gama.
Restava ao Clube utilizar sua influência política para conseguir a inscrição do atleta junto à Sul-Americana. Naquela época, a inscrição de um novo jogador só era permitida em caso de lesão de um jogador previamente listado.
Aproveitando-se da reunião da entidade na cidade de Lima, no Peru, quando foram decididos os grupos e os jogos da fase semifinal, o presidente Fábio Koff acabou fazendo prevalecer seu pedido e Mazarópi foi inscrito com a camisa número 24 no lugar de Odair, lesionado.
No dia 16 de junho de 1983, Mazarópi entrava em campo no Estádio Olímpico para fazer sua estréia com a camisa do Grêmio.
Era a abertura do Gauchão 83 contra o Inter de Santa Maria: vitória gremista por 2 a 0.
Cinco dias depois, numa noite fria de terça-feira, o Tricolor voltava ao Olímpico para abrir a fase semifinal da Copa Libertadores contra o Estudiantes.

Pouco mais de 24 mil torcedores estiveram presentes no Monumental para empurrar o time à vitória sobre os campeões argentinos.
Apesar da superioridade gremista durante toda a partida, a vitória foi conquistada de forma dramática, no finalzinho.
Osvaldo abriu o marcador logo aos cinco minutos de partida: ele recebeu de Caio e arriscou da intermediária. A bola encobriu o goleiro Bartero e entrou no ângulo direito.
O início fulminante terminou por aí.
O Estudiantes abandonou seu esquema defensivo e partiu pra cima do Grêmio.
Aos sete minutos, Mazarópi fez grande defesa em cobrança de falta e, quatro minutos depois, Gurrieri marcou o gol de empate. 1 a 1.
Passado o susto, o time de Espinosa voltou a dominar as ações. O poder ofensivo da equipe na primeira etapa transformou o goleiro Bartero no principal nome da partida.
O ritmo diminuiu no segundo tempo, mas ainda assim o Grêmio seguiu dominando.
Aos 12 minutos, Espinosa surpreendeu tirando Renato e colocando Tarciso. A substituição dividiu a torcida. Ainda que não estivesse bem, Renato era a principal opção ofensiva da equipe.
Apesar da polêmica, Tarciso foi figura decisiva na vitória gremista.
Foi dele o segundo gol já no final do jogo.
Caio driblou dois marcadores e cruzou forte. Tarciso entrou feito um foguete e mandou a bola para o fundo das redes. Grêmio 2 a 1!
Festa e alívio da torcida gremista.
Uma vitória na abertura da semifinal era fundamental.
Agora o próximo adversário seria o América, em Cáli. (Grêmio.net)

Sangue Frio e autocontrole que o Grêmio mostrou no jogo contra o Estudiantes, em Porto Alegre, quando dominou o jogo, impôs se toque de bola e liquidou a forte equipe argentina, com gols de Osvaldo e Tarciso, este completando excelente jogada do centroavante Caio pela esquerda, para alegria dos 25544 torcedores que pagaram para ver o tricolor” (Marcelo Rezende – Revista Placar 1º de julho de 1983)

“A vitória do Grêmio surgiu muito mais do heroísmo e da vontade de seus jogadores do que uma clara superioridade sobre o adversário. No início, o Grêmio parecia um time extremamente nervoso, errando passes, se livrando da bola de qualquer maneira e inclusive marcando mal. Só que logo aos cinco minutos estavam em vantagem no marcador com um gol de Osvaldo.” (Zero Hora – 21 de junho de 1983)


“China – O único que respondeu bem à violência do adversário: batendo também e sem discutir. NOTA 6”

“Tarciso – Pode não ter sido o melhor jogador do Grêmio até porque atuou menos tempo – apenas 33 minutos. Mas sua velocidade foi fundamental para confundir a defesa bem organizada do adversário. E, para completar, marcou o gol que garantiu a vitória do Grêmio. NOTA 7” (Zero Hora – 21 de junho de 1983)

VALDIR ESPINOSA: “O jogo foi muito bom. Guerreado, corrido, mas acho que o nosso time foi melhor. Vencemos graças ao esforço do grupo e, mais uma vez, provamos que estamos no caminho certo para novas vitórias. O importante era a vitória e graças a Deus conseguimos. Agora vamos a Cali parra buscar mais dois pontos. E o time só será definido lá.”  (Zero Hora – 21 de junho de 1983)
EDUARDO MANERA sobre o Grêmio: “É um bom time. Além de ter conjunto, possuiu jogadores de técnina pessoal que podem desequilibrar uma partida. Com esta vitória a situação do Grêmio ficou excelente“. (Zero Hora – 21 de junho de 1983)

TARCISO: “Venho falando que o Grêmio é um grupo unido. Não quero levar todas as honras pela vitória, pelo amor de Deus! A torcida aplaudiu o Renato quando ele saiu de campo; é isto que deve ser feito. Nunca me sentiu humilhado por estar na reserva do Renato, ao contrário, tenho orgulho disto, pelo valor do seu futebol. Vejam só, estas vitórias aparecem quando se acredita no trabalho; seja jogando ou permanecendo no banco. Este jogo serviu de exemplo para todos que consideram o Grêmio desunido”  (Zero Hora – 21 de junho de 1983)

RENATO PORTALUPPI: “A substituição é um problema do técnico. Se ele achou que eu deveria sair e me retirou é problema dele. Eu acho que os jogadores que estão no Grêmio, hoje, todos têm condições de serem titulares. Não tenho culpa se não consegui jogar cem por cento. Quanto ao Tarciso, eu o considero um grande jogador. Se ele entrou e fez o gol, tudo bem. Nós faturamos o bicho da partida e ele provou que também pode jogar no time titular” (Zero Hora – 21 de junho de 1983)

“Nada mais justo. O Grêmio foi sempre superior ao campeão argentino e mereceu chegar ao final com a vitória de 2 a 1, iniciando sua participação na fase semifinal da Libertadores como líder do grupo. Mas foi um jogo difícil, sofrido. O Estudiantes resistiu bem e até ameaçou. 

Mas o Grêmio foi sempre melhor, apesar de força do adversário. Largou na frente, com um gol sensacional de Osvaldo aos quatro minutos e meio. Ele recebeu passe de Caio e arriscou da entrada da área. O chute foi forte e surpreendeu, alto, e surpreendeu ao excelente goleiro Bartero. A torcida vibrou e passou a incentivar seu time ainda mais” (Folha da Tarde – 22 de junho de 2013)

 CAIO: “Tarciso é muito experiente, sabe onde vai cair a bola. Acalma a gente em campo.”

OSVALDO sobre o primeiro gol: “O Caio preparou bem a jogada. Mas o mais importante foi termos começado bem esta fase e agora vamos pensar no América”

“Manera, treinador do Estudiantes, admitiu que o Grêmio foi melhor, mas que o empate seria  o mais justo. Ele criticou muito a arbitragem chilena: Os jogadores do Grêmio deram pontapés á frente do árbitro, que nada fez” (Folha da Tarde – 22 de junho de 2013)

” O Grêmio não chegou a fazer uma partida brilhante, porque não conta com recursos para tanto e também porque Tita, sentindo uma lesão, não esteve bem, e Renato, abusando do individualismo, pouco fez de prático e acabou sendo substituído. Mas foi uma equipe que demonstrou aplicação e jogo com objetividade. Caio, pela sua movimentação e pela participação nos dois gols, foi o destaque do jogo, sobrando para Tarciso, que saiu do banco de reservas, o privilégio do lance definitivo, o do gol da vitória e determinar um novo destino para a ponta-direita tricolor.” (Antônio Goulart – Folha da Tarde – 22 de junho de 2013)
“Em confronto de bom nível técnico, o time gaúcho acabou prevalecendo com justiça, impondo sua maior determinação em campo, embora o gol da vitória só acontecesse nos cinco minutos finais. E em lance de grande porte, já que Caio iludiu três adversários e serviu na conta Tarciso, que acabou como o herói do jogo.” (Correio do Povo – 22 de junho de 1983)


“TARCISO AGRADECEU

Uma grande partida. O Grêmio mereceu os 2 a 1. O Estudiantes é um time observador da cartilha segundo a qual o melhor ataque é uma boa defesa. É um time defensivo, sem ser retranqueiro. Usa do toque de bola para contra-ataques muito insinuantes. Ponce, tabela e Trebiani, suas grandes figuras de ontem à noite.

Mas o Grêmio foi melhor. Buscou o ataque permanentemente. Acabou ganhando aos 40 minutos num gol providencial de Tarciso, exigido pela torcida aos 12 do segundo tempo, porque Renato não correspondia. Acho que Tarciso não perderá o lugar por algum tempo. Com ele o time é mais coletivo e menos individualista. Caio foi o nome do jogo: armou dois gols, o de Osvaldo e o do Tarciso e foi o atacante mais batalhador. O Grêmio arrancou bem para a classificação” (Lasier Martins – Correio do Povo – 22 de junho de 1983)

 “ARGENTINOS DESTACAM CAIO
Somando e diminuindo, a imprensa argentina considerou justa a vitória do Grêmio sobre o Estudiantes. No sumo das apreciações dos enviados especiais de “Clarin” e “La Nacion” transborda a opinião de que “venceu a equipe mais arrojada, ofensiva, diante de uma que procurou mais o resguardo”.
Outra constatação visível na apreciação das individualidades, é a de que Caio mereceu as principais honras. Na apreciação de Hector Hugo Cardozo, do “Clarin”, cita que, em determinado tempo de partida mais precisamente no seu final “as ações se desenvolviam sem muito brilho, com o empate parecendo definitivo e que somente Caio, com seu futebol envolvente, decidido, conseguiu desequilibrar”

Carlos Ferraro, em artigo para “La Nacion”, foi mais longe a respeito da atuação do centroavante gremista. “Caio, um brilhante ariete. Chegou várias vezes até Bertero, que foi fundamental para que a equipe brasileira não conseguisse um placar mais avantajado” Mais adiante registra: “Mas para o Grêmio restava os recursos de Caio. Ele arrastou Brown por toda a defesa visitante, abrindo caminho para seus companheiros. E foi uma talentosa manobra do centroavante que originou o gol da vitória brasileira que, ao final, colocou justiça no escore. O Grêmio quis e conseguiu jogar ante um rival que somente veio para se defender” (Correio do Povo – 23 de junho de 1983)

  
Fontes: Correio do Povo, Folha da Tarde, Grêmio.net, Placar e Zero Hora

Grêmio 2×1 Estudiantes

GREMIO: Mazaropi; Paulo Roberto, Baidek, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato (Tarciso, aos 12/2ºtempo), Caio e Tonho.
Técnico: Valdir Espinosa
Reservas: Beto, Newmar, Robson, Tarciso e Cesar
ESTUDIANTES: Bertero; Camino, Brown, Aguero, Gungali, Russo, Ponce, Sabela, Trama, Trobiani, Gurrieri.
Técnico: Eduardo Manera


Triangular semifinal – 1ª rodada – Libertadores 1983

Data: 21 de junho de 1983, Terça-feira,  21h15min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 24.544 pagantes

Renda: Cr$ 17.106.500,00
Juiz: Juan Silvagno (Chile), 
Auxiliares: Gaston Castro e Sergio Vasquez
Cartões Amarelos: Tonho, Ponce e Brown
Gols: Osvaldo aos 4 e Gurieri aoos 11 do 1ºtempo; Tarciso aos 40 do 2ºtempo
 

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One Response to “30 anos da Libertadores de 1983 – Grêmio 2×1 Estudiantes”

  1. martina Says:

    Hahaha, não tinha vergonha de ser mercenário, o Renato. Imagina esse discurso hoje.

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