Archive for July, 2013

Gre-Nal sem torcida visitante? Futebol sem torcida é futebol?

July 30, 2013
 A Brigada Militar anunciou que não permitirá a presença da torcida visitante no próximo Gre-Nal a ser disputado na Arena. Não se pode dizer que tal anúncio é uma surpresa. Os rumores de tal decisão ganharam força na última semana. É claro que, antes disso, diversos outros fatores contribuíram para que se chegasse a um cenário onde fosse possível cogitar uma medida tão severa. 
Eu vejo isso tudo com muita tristeza, um sinal claro de fraqueza nas relações sociais. Por óbvio que a responsabilidade (em maior ou menor grau) é de todos, das torcidas, dos clubes, dos governos e da mídia. Mas não há como deixar de questionar a forma como tem atuado a polícia nos estádios de futebol do Rio Grande do Sul. As “soluções” passam sempre por restringir os direitos dos torcedores.
O subcomandante Geral da BM argumenta que não havia como “dar segurança no deslocamento” da torcida visitante. Mas essa afirmativa pouco esclarece e gera diversas outras perguntas: Quem além da Brigada pode dar segurança? É realmente necessário fazer a escolta da torcida adversária até o local do jogo?

Em maio de 2011 eu tentei ir até o Beira-Rio por conta própria, mas quem me forçou ingressar na escolta não foi a torcida do rival, e sim a própria Brigada Militar (que posteriormente obrigou que todos os torcedores do Grêmio tirassem os seus sapatos antes de ingressar no estádio). Essa é a melhor maneira de se criar um clima de paz, segurança e tranquilidade para uma disputa desportiva? Não deveríamos tratar o torcedor com maior civilidade?

Me parece clara a má-vontade do comando da BM com o policiamento de partidas futebol (basta ver a já histórica pretensão de cobrança de taxas pelo serviço). Os últimos episódios de violência na Arena (coincidentemente em dois jogos com o Fluminense) foram potencializados por uma atuação inadequada de alguns brigadianos.

No presente caso o que mais choca é que a forma que se optou pela torcida única. Chega a ser surreal que a própria Brigada Militar é que decide se quer ter mais ou menos trabalho na operação. E quem vai avaliar (e muitas vezes avalizar) a decisão é a imprensa, que em nada é afetada pela medida (seja porque alguns jornalistas jamais pisam no estádio, seja porque outros jornalistas seguirão tendo livre acesso nos dois campos).

Não demorou muito para que aparecesse a infame sugestão de realizar clássicos sem torcida alguma. Aí teríamos o fim do futebol. Sim, porque o futebol só esse fenômeno social, midiático e financeiro em razão das torcidas. Ou, como melhor resumiu Jock Stein, lendário treinador do Celtic:

football without the fans is nothing”

Brasileirão – Grêmio 2×0 Fluminense

July 29, 2013

Penso que o Grêmio teve uma atuação bem interessante contra o Fluminense ontem. Uma atuação inteligente, de entender os momentos da partida. No primeiro tempo o time de Renato adotou um posicionamento um pouco mais recuado, mas marcava com alguma distância. O Fluminense tinha maior posse de bola, mas rondava a área sem muita criatividade, por vezes ameaçou em cruzamentos em que seus avantes não conseguiram concluir devidamente. Ainda que tivesse dificuldades defensivas, o Grêmio conseguia atacar. Mesmo carecendo de maior velocidade nas jogadas de frente o time esteve perto de abrir o marcador, como na bola que Barcos colocou na trave, ou na conclusão de Elano no final do primeiro tempo.
O Grêmio melhorou no segundo tempo, conseguindo adiantar todo seu posicionamento. Logo aos 5 minutos, Alex Telles fez bela jogada e cruzou da ponta esquerda, o estreante Riveros apareceu dentro da pequena área para completar de cabeça. Depois disso o tricolor gaúcho marcou firme o tricolor carioca. Dida até teve seu gol ameaçado algumas vezes, mas o Grêmio se defendia bem e conseguiu ampliar o placar, com Kleber, que aproveitou bom passe de Barcos aos 39 minutos do segundo tempo. 

Alex Telles foi o melhor nome do Grêmio em campo. Tem como comparar o custo/beneficio dele com o o custo/beneficio do André Santos? É um belo exemplo de que nem sempre a solução é gastar mais.

Eu esperava mais nas comemorações dos 30 anos da Libertadores de 1983. Acho que algumas ideias foram bem interessantes, como por exemplo fazer o time jogar com calção branco. Mas esperava ver mais daqueles painéis no lado de fora do estádio. E, talvez isso possa parecer preconceituoso, mas acredito que aquela “coreografia” apresentada no intervalo não tenha absolutamente nada a ver com as agruras que foram as partidas de 1983.


Ainda que tenha muito a ser feito, os indícios são de que as coisas vão se ajeitando dentro de campo. Mas e fora das 4 linhas? Por que a Arena não recebe um público maior, mesmo com promoções e um domingo de sol?

Algumas falhas na operação são difíceis de aceitar e certamente acabam afastando alguns torcedores. Quem compra o ingresso pela internet, não só precisa imprimir um voucher como também precisa retirar um ingresso mediante apresentação do voucher. Por que não fazer uma só etapa? Não seria possível imprimir um código de barras no próprio voucher, eliminando a necessidade da retirada de um ingresso? 
O pior é que ontem a fila para retirada de ingressos na Arena era a mesma fila da compra de ingressos. E pouco antes do jogo começar a metade das bilheterias do setor oeste estava fechada, o que fez com que muita gente perdesse o início do jogo.

Mas um outro fato que possivelmente tem afastado parte da torcida do novo estádio é o clima de insegurança. Mas quem provoca essa insegurança?
Ontem, um sócio do Grêmio foi retirado da arquibancada pela Brigada Militar porque estaria “usando uma muleta como mastro de bandeira“. Os brigadianos agiram com desmedida violência na operação. Inicialmente o sub-comandante do BOE tentou justificar a atitude numa entrevista belicosa, descolada da realidade, atribuindo culpa a terceiros. Depois, desmentido pelos vídeos feitos no local, o mesmo major, disse, entre outras coisas, que “O Gaúcho (da geral) sempre aparece nos jogos pulando”.

Ora, podemos até não gostar da atitude de um sujeito que deliberadamente tenta aparecer em todos os jogos, mas tal conduta NÃO É CRIME. As ações da Brigada Militar deveriam ser técnicas (dentro de um padrão de legalidade e razoabilidade), e não puramente temperamentais. 
Eu sei que há mais coisa por trás disso. Em qualquer ramo é muito difícil lidar com quem trabalha de má-vontade (ou contra a sua vontade). Faz muito tempo que a Brigada que cobrar pelo policiamento em jogos de futebol.  Mas uma reivindicação razoável não pode ser pleiteada através de atos revanchistas, arbitrários e truculentos. E mesmo com tudo isso em mente, sigo sem entender por que se gasta tanto tempo/dinheiro/energia para proibir faixas e bandeiras num estádio de futebol.
 

Fotos: Lucas Uebel (Grêmio.net), Guilherme Testa (Guilherme Testa), Tiago Baldasso (tiagobaldasso.wordpress.com) e Nelson Perez (Fluminense F.C.) e Marcelo Matusiak (PlayPress)

Gremio 2×0 Fluminense

GRÊMIO: Dida, Pará, Werley, Bressan e Alex Telles; Adriano (Ramiro, 29’/ 2ºT), Riveros,  Zé Roberto (Gabriel, 43’/2ºT) e  Elano (Maxi Rodriguez, 33’/ 2ºT); Kleber e Barcos
Técnico: Renato Portaluppi
FLUMINENSE: Diego Cavalieri, Wellington Silva (Diguinho – intervalo), Gum, Digão e Carlinhos; Edinho (Rhayner, 27’/ 2ºT) , Jean, Wágner (Kenedy, 35’/2ºT) e Deco; Rafael Sobis e Samuel 
Técnico: Abel Braga

09ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2013
Data: 28 de julho de 2013, domingo, 16h00min
Local: Arena Grêmio, Porto Alegre (RS)
Público: 31.098 (28.793 pagantes)
Renda:  R$ 1.234.670,00
Árbitro: Raphael Claus (SP) 
Auxiliares: Alessandro Rocha de Matos (BA) e Emerson Augusto de Carvalho (SP)
Cartões Amarelos: Gum (FLU)
Gols: Riveros, aos 5 minutos e Kleber,  aos 39 minutos do segundo tempo.

30 anos da Libertadores 1983 – Grêmio 2×1 Peñarol

July 28, 2013

Hoje é o dia de se prestar todas as homenagens a conquista do título da Libertadores da América de 1983.
De todos o jogos que eu vi (seja ao vivo ou por VT), Grêmio 2×1 Peñarol em 28 de julho de 1983 certamente é a partida mais marcante e emocionante da história do estádio Olímpico. Todos os elementos elementos de um confronto épico estavam (e ainda estão) presentes. 
30 anos passados e alguns detalhes e curiosidades seguem sendo revelados. Uma informação que sempre me faltava era saber de onde saiu um segundo troféu que os atletas carregaram na volta olímpica. A resposta é um tanto sem graça: Era uma taça oferecida pela RBS para o time vencedor da partida.
De León afirmou ter jogado com a camisa do Nacional por baixo do fardamento tricolor. Justificou dizendo que “nunca perdi para eles com essa camisa“. Quem quer ver uma amostra de como um zagueiro pode empurrar sua equipe para o ataque deve reparar na atuação do capitão gremista nesse jogo.

 
Renato passou toda semana que antecedeu o jogando batendo boca com o zagueiro Olivera do Peñarol via imprensa. Desafiou o capitão adversário ao falar que “quero ver se ele é macho aqui no Olímpico”. Prometeu evitar provocações e expulsões. E conseguiu cumprir sua promessa até os 42 minutos do segundo tempo, quando tomou as dores de Mazaropi, que havia sido atingido no chão por Venancio Ramos, e acertou um chute no avante uruguaio. Renato afirmou que “foi a expulsão mais gostosa que já tive”. E assim explicou o ocorrido na sua saída de campo:

“Pensei que o árbitro não tinha visto. Quando vi que ele me procurava tentei sair de fininho, mas ele me expulsou mesmo. Aí, como já estava expulso mesmo, quis levar um deles comigo. O Bossio, aquele que rasgou minha perna lá no Centenário, veio me empurrar para fora, eu deixei ele que ele chegasse bem perto. Quando ele tentou empurrar de novo, dei um soco na sua cara”

 


Jogos para Sempre – Goldogremio.blogspot.com

GRÊMIO: Mazaropi; Paulo Roberto, Baidek, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato, Caio (César) e Tarciso.
Técnico: Valdir Espinosa


PEÑAROL: G.Fernández, W.Olivera, Gutiérrez, Montelongo, Diogo, Bossio, Silva, Saralegui, Morena, Zalazar, V.Ramos.
Técnico: Hugo Bagnulo

Data: 28 de julho de 1983, quinta-feira, 21h00min
Local: Estádio Olímpico, Porto Alegre
Público: 73.093 pessoas
Renda: Cr$ 110.551.500
Juiz: Edison Perez – Peru
Auxiliares: Carlos Montalvan e Henrique Labo
Cartões Amarelos: Paulo Roberto, Tita, Renato (G). Oliveira, Saralégui e Morena (P)
Cartão Vermelho: Renato (G) e Ramos (P) aos 42min do 2° tempo

Gols: Caio aos 10 do 1º; Morena aos 25 e César aos 31 do 2º tempo

30 anos da Libertadores de 1983 – Peñarol 1×1 Grêmio

July 22, 2013
A final da Libertadores de 1983 começou quente antes mesmo da bola rolar. Os dirigentes de Grêmio e Peñarol tiveram uma longa reunião para definir os detalhes da decisão. Os gaúchos queriam que a disputa se iniciasse no dia 22 de julho e pretendiam que um eventual jogo-desempate fosse marcado para Santiago no Chile. Já os uruguaios queriam mais tempo, querendo que o primeiro jogo fosse marcado para o dia 26 e postulava que o jogo-desempate fosse realizado em Buenos Aires. O comitê executivo da Conmebol tomou uma decisão salomônica e marcou a primeira partida para o dia 22 e designou o estádio do Vélez Sarsfield como local do terceiro jogo (caso fosse necessário).
O estádio Centenário foi o local do primeiro jogo, o foi do agrado de ambas as equipes (O Grêmio pretendia decidir no Olímpico e o Peñarol se vangloriava de te conquistado todas seus troféus continentais longe de casa). E foi uma “fumaceira” como é de se imaginar.
 Logo no começo do jogo Bossio pisou na canela de Renato, o que rendeu alguns pontos na perna do camisa 7 tricolor. Mas o Grêmio não se intimidou e tratou de pressionar nos minutos iniciais, sendo devidamente recompensado com um gol cedo. Aos 11, Tarciso cobrou escanteio e Tita cabeceou para as redes. Aos 16 Caio exigiu boa defesa do goleiro Fernandez, numa conclusão que o avante gremista afirma ter ultrapassado a linha do gol. Mas o Peñarol foi se reencontrando em campo e chegou ao empate com Fernando Morena, aos 35 minutos. Pouco depois, o bandeirinha argentino Arturo Ithurralde se machucou e (sendo substituído pelo uruguaio Juan Cardelino). A lesão do auxiliar serviu para esfriar jogo, mas o Grêmio ainda teve que segurar a pressão durante todo o segundo tempo para garantir o empate.


 

 

 
HUGO BAGNULO: “Respeito muito o Grêmio, mas todos devem saber uma coisa: jogar aqui ou em Porto Alegre para o Penharol não interessa. Nós sempre somos los locales”
HUGO BAGNULO: “Historicamente, meu time rende mais fora de casa. Por isso, garanto que esse primeiro round não quis dizer nada”
FERNANDO MORENA: “Somos campeões do mundo. Quem tem de provar alguma coisa é o Grêmio

FÁBIO KOFF: “O bandeirinha se lesionou, caiu, machucou o braço e o árbitro parou o jogo e mandou chamar o representante do Grêmio para ver se a gente aceitava a troca do bandeirinha por um uruguaio.
– Diz pra ele que eu vou responder lá dentro.
– Não pode entrar.
– Então eu não vou falar nada, vai parar essa merda e ninguém vai jogor.
Ai abriram o portão, eu entrei e veio todo o time do Grêmio comigo. Eu disse:
– Olha aqui, seu safado, não estás vendo que o Renato está caído e estão dando pontapé nele? Bota a merda que tu quiseres na bandeirinha aí. Ele só dizia:
– Tira el loco!
Aí a polícia veio e me tirou. No dia seguinte o jornal botou: “Pela primeira vez o centenário foi invadido”. O De León botava a boca nele, o Tita não ficava quieto, também. Eu sei que botou o tal bandeira, ele estava nervoso, mas apitou bem”

RENATO:  “Estava difícil, são muitas faltas, não se pode jogar. O importante é que não revidei, procurei ajudar o time. Também voltei à defesa e até segurei o lateral. Agora o título está no papo.

RENATO: “ele viu que eu estava caído e torceu o pé dele em cima da minha perna” 

RENATO: O cara me acertou, pisou na minha perna quando eu estava caído. Mas quem quer ser campeão da Libertadores tem que enfrentar também essas coisas. Libertadores é isso mesmo, não adianta”

TITA: “Foi uma partida de força. Felizmente o Grêmio soube responder à altura, não revidamos a s jogadas duras e temos tudo para garantir a vitória em Porto Alegre com o apoio da torcida. Só não podemos comemorar o título antes de ganhar dentro de campo. Não queremos surpresas numa hora dessas”

DIOGO:Eu já esperava muito trabalho com o Renato, ouvi muita gente conhecida reconhecendo o futebol do ponteiro e quando o treinador Hugo Bagnulo me colocou na lateral esquerda até pensei que iria sofrer para pará-lo, mas nem foi tão difícil quanto esperava. Ele foi um touro domável. Mesmo assim, provou que é um jogador dificílimo na marcação. Tive melhor sorte porque o aguardava com o pé direito e o Renato não teve chance de buscar a linha de fundo quando tentava o meio, ficava mais fácil pra mim”
FERNANDEZ: “Eles tiveram sorte e fizeram uma boa partida. Na verdade o Grêmio é um time de segunda linha no futebol brasileiro. Está muito distante de equipes com um Flamengo ou um São Paulo. O time de 1982 era muito melhor que esse”

OLIVERA: “O Grêmio nem parece time brasileiro. Seu estilo tosco não nos criou maiores problemas.

SARALEGUI:O Grêmio não mostrou grande coisa. Mostrou o que todos nós já sabíamos, isto é, a habilidade do Tita no meia e a força de Renato na frente. O problema na sexta-feira foi que o Penharol não teve a objetividade necessária nos momentos de conclusão”

“Havia nos vestiários do Grêmio curiosidade para saber o efeito das bolas altas na área. Até por brincadeira todos queriam saber como os zagueiros tinham suportado tudo e Casemiro explicou dizendo que “é mais fácil perguntarem pelas dores nas costas que estamos sentindo por causa dos empurrões. O pescoço está inteirinho, nos saímos bem.” (Zero Hora – 23 de julho de 1983)

CORPO-A-CORPO
O que acontece de mais notável, significativo ontem à noite no Centenário foi o empate, porque o jogo em si não foi de boa qualidade. O Penharol forçou muito sobre o Grêmio, usando muito corpo-a-corpo mas o time de Espinosa resistiu bem” (Ruy Carlos Ostermann – Zero Hora – 23 de julho de 1983

“Aqui o jogo deve ser melhor que em Montevidéu. Por que a grama é mais macia e fica melhor para o drible. A grama segura a bola.
O gramado irregular do estádio Centenário impedia o melhor controle da bola, o que dificultava dribles e cruzamentos. Houve um cruzamento no segundo tempo, que Renato chutou a bola alto e pela linha de fundo. A culpa, diz ele, é do campo. Mas não foi só o campo que impediu melhores jogadas na sexta-feira. Bossio, por exemplo, pisou em sua canela (“ele viu que eu estava caído e torceu o pé dele em cima da minha perna” conta) logo no início. O resultado foi um corte já suturado com dois pontos duplos. Aqui, desafia Renato, a violência dos uruguaios deve ser menor:
– Quero ver se eles vão ser malandros aqui. Tomara até que sejam, que falam falta perto da área. Aí o Tita bate. Lá, o Olivera que ficava dizendo que ia nos bater e tudo. Para nos amedrontar. Aqui ele não dirá isso.
O lateral-esquerdo Diogo, no entanto, não foi violento, testemunha o ponta:
– É contra este tipo de jogador que é bom jogar. Ele foi rígido na marcação, mas foi leal. Aqui a marcação será mais rígida, mas acredito que ele continuará leal” (Folha da Tarde – 25 de julho de 2013)

“Caminhando com dificuldade, o centroavante Caio, que saiu no intervalo me consequência de uma pancada sofrida no primeiro tempo, lamentou que a arbitragem não tenha visto que o goleiro Fernandez puxou a bola de dentro da goleira aos 17 minutos.

– Eu vi o goleiro puxar a bola. Foi gol mas o árbitro não deu. Agora, vou fazer um tratamento para poder jogar na quinta” (Folha da Tarde 23 de julho de 1983)

“O goleiro Mazaropi, por sua vez, lamentou não ter evitado o gol de Morena:
– Por pouco não peguei a bola. Cheguei a tocar nela. Mas tudo bem, o empate foi um ótimo resultado. Vamos decidir no nosso estádio, junto com a nossa torcida” (Folha da Tarde 23 de julho de 1983)

“O empate foi bom, o Grêmio agora joga por dois resultados em Porto Alegre. Tem que ganhar, mas até mesmo um empate levará a decisão para um terceiro jogo. Ontem, se comportou muito bem definitivamente, passou um enorme sufoco nos primeiros 25 minutos do segundo tempo, mas poderia tentar mais o contra-ataque. Isso faltou, Renato voltou para combater e ficou muito atrás. Havia um buraco pelo seu lado e o Grêmio não explorou. Mas valeu. Aqui a arbitragem não poderá ser tão complacente com a garra de farmácia do Penharol.” (Edegar Schimidt – Folha da Tarde 23 de julho de 1983)

“Um início de grande força ofensiva e depois uma defesa segura. Para o Grêmio, uma vitória.

O volante China bloqueou o meio-campo com perfeição e ponta-de-lança Tita foi um leão em campo, marcando o gol do seu time e chegando até a enfrentar corajosamente o provocador Olivera. Com um time assim bem arrumado, sem excesso de confiança e jogando sério, o tricolor não terá realmente o que temer” (Lemyr Martins – Revista Placar – 29 de julho de 1983)

Fontes: Zero Hora, Folha da Tarde, Placar, Correio do Povo e o livro “Até a Pé Nos Iremos” de Ruy Carlos Ostermann

Penãrol 1 x 1 Grêmio

PENAROL: Fernandes; Montelongo, Olivera, Gutiérrez, Diogo, Bossio, Zalazar, Saralegui, Silva (Villareal), Venancio Ramos e Morena
Técnico: Hugo Bagnulo
GREMIO: Mazaropi; Paulo Roberto, Leandro, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato, Caio (César) e Tarciso (Tonho).
Técnico: Valdir Espinosa
Data: 22 de julho de 1983, sexta-feira, 21h15min
Local: Estádio Centenário, em Montevideo (Uuruguai)
Árbitro: Teodoro Nitti (Argentina)
Auxiliares: Juan Romero e Arturo Ithurralde (depois Juan Cardelino)
Cartões Amarelos: Bossio e Morena
Gols : Tita aos 12 minutos do 1º tempo e  Fernando Morena aos 35 minutos do 1º tempo

Brasileirão – Criciúma 2×1 Grêmio

July 21, 2013

 O Grêmio teve mais um atuação irregular no campeonato na partida de ontem. O time começou mal no confronto, entrando na correria promovida pelo time da casa. Apesar do tricolor ter conseguido três conclusões nos minutos iniciais (as três de Matheus Biteco) era o Criciúma que dominava as ações, tendo inclusive marcado um gol, que foi (corretamente) anulado. Mas na metade da primeira etapa Matheus Biteco foi expulso por tentar acertar um adversário que o acossava com insistência, mesmo após o apito do juiz. Na sequência, Wellington Paulista colocou os mandantes em vantagem, ao tomar a frente de Cris e cabecear no canto de Dida. O cenário não era bom para o Grêmio, mas o time reagiu e passou a ter outra atitude em campo. Aos 37 minutos, Ramiro aproveitou uma bola recuperada no campo de ataque e lançou Zé Roberto, que com categoria tirou do goleiro para anotar o gol de empate.
No segundo tempo o Grêmio parecia não sentir a desvantagem numérica e dava a impressão que poderia chegar a virada. Mas essa sensação durou até os 8 minutos, pois Vargas foi expulso por uma agressão vista pelo bandeirinha, num lance em que o próprio “agredido” deu as costas e saiu caminhando da suposta confusão. Com 11 contra 9 o Criciúma conseguiu voltar a se impor e passou a jogar exclusivamente no campo de ataque. O Grêmio se defendia bem, mas não tinha desafogo em razão da inferioridade numérica. Bressan salvou uma bola em cima da linha, mas aos 29 minutos não houve como a defesa do Grêmio impedir que Matheus Ferraz marcasse o 2×1 para o Tigre. Nos minutos finais o tricolor voltou a atacar e conseguiu pressionar, obtendo uma série de escanteios, faltas laterais e perdendo uma grande chance com Kléber, aos 44 minutos do segundo tempo.

Numa simplificação, poderia dizer que o Grêmio jogou mal com 11 jogadores, jogava bem com 10 e fez o que foi possível com 9 em campo.

As atitudes de Matheus Biteco e Vargas foram bobas, lances que poderiam e deveriam ter sido evitados. Mas qual era a punição correta para as jogadas?
A regra do jogo impõe o cartão amarelo para o jogador que “for culpado de conduta antidesportiva“. Já o cartão vermelho é a medida aplicável para o atleta que “for culpado de jogo brusco grave ou de conduta violenta“. Em quais dessas hipóteses se encaixam os lances de Vargas e M. Biteco?
Segundo as atuais recomendações da Fifa, disponibilizadas no livro de regras publicadas pela CBF, o  conduta violenta ocorre quando o jogador emprega “força excessiva ou brutalidade contra um adversário com a bola fora de disputa“. Houve força EXCESSIVA na jogada? Houve BRUTALIDADE?

Outra orientação interessante do livro de regras é a seguinte: “No caso de contato físico, o árbitro deverá considerar atentamente a alta probabilidade de que tenha sido cometida uma conduta antidesportiva” (página 87).
Não quero isentar os jogadores de responsabilidade, mas creio que as expulsões foram uma medida exagerada (diante do contexto do jogo de chuva e campo pesado) e pouco criteriosa (Daniel Carvalho deu uma gravata em Pará e sequer foi advertido verbalmente).

O campeonato brasileiro não é sério. Estamos apenas na 8ª rodada e já temos interferência indevida do STJD e roubalheira na arbitragem. E vemos esses elementos presentes em todas as edições da competição. Mas estranhamente, aqui no Rio Grande do Sul só se costuma lembrar do Zveitaço/Márcio Rezende de Freitas em 2005.
E são esses pontinhos tirados na mão grande que acabam decidindo o título. Teorias conspiratórias à parte, é revoltante que não se invista mais tempo e dinheiro para resolver o crônico problema da arbitragem no Brasil. Não é possível que alguém esteja contente com o status quo.
Acho curioso que o mesmo bandeirinha que não viu (ou viu e ficou quieto) um desvio numa conclusão de M. Biteco aos 19 do primeiro tempo tenha conseguido enxergar e interpretar tudo o que aconteceu entre Vargas e Amaral no segundo tempo.
Renato pode ter razão em reclamar do local do hotel e do deslocamento da delegação gremista. Contudo, creio eu que ele deveria fazer essa crítica internamente. Acredito que nesse momento o mais importante é que o treinador se concentre em ajustar os problemas vistos  dentro do campo. 
Espero que os demais atleta compartilhem da indignação e da insatisfação que o Kleber demonstrou no pós jogo.

Fotos: Lucas Uebel (Grêmio.net)

Criciúma 2×1 Grêmio

CRICIÚMA: Bruno; Sueliton, Matheus Ferraz, Fábio Ferreira e Marlon; Amaral (Fabinho, 26’/2ºT), Elton (Daniel Carvalho, 12’/2ºT), Leandro Brasília e Ivo (Gilson, 43’/2ºT); Cassiano e Wellington Paulista
Técnico: Vadão
GRÊMIO: Dida; Pará, Werley (Cris, 22’/1ºT), Bressan e Alex Telles; Ramiro, Matheus Biteco, Elano (Gabriel, 25’/2ºT) e Zé Roberto; Vargas e Barcos (Kleber, 32’/2ºT)
Técnico: Renato Portaluppi
08ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2013
Data: 20/7/2013, sábado,  18h30min
Local: Heriberto Hülse, em Criciúma (SC)
Público: 12.719 pagantes
Renda: R$ 325.590,00 
Árbitro: Felipe Gomes da Silva (PR)
Auxiliares: Bruno Boschilla (PR) e Luiz Henrique Santos Renesto (PR)
Cartões amarelos: Elton e Fábio Ferreira  e Pará
Cartões vermelhos: Matheus Biteco, 23’/1ºT  e Vargas, 8’/2ºT
Gols: Wellington Paulista, aos 25’/1ºT, Zé Roberto, 37’/1ºT  e Matheus Ferraz, aos 29’/2ºT 

30 anos da Libertadores de 1983 – America de Cali 0x0 Estudiantes

July 19, 2013

O jogo que colocou o Grêmio na final da Libertadores de 1983 não teve a participação de nenhum atleta Grêmista. Foi o empate em 0x0 entre América de Cali e Estudiantes em 15 de julho de 1983. Como vimos no post anterior, após o 3×3 em La Plata no Grêmio, para avançar a final, precisava torcer para que o Pincha não vencesse o seu último jogo na Colombia. O problema é que, como sói acontecer em triangulares, o América já estava eliminado antes mesmo dessa última rodada e a preocupação era a motivação dos escarlatas  para este compromisso.

O presidente do clube colombiano enviou um telegrama (imagem acima) para o Presidente Koff, o convidando para  a partida, prometendo empenho total. O treinador Gabriel Ochoa Uribe disse que não facilitaria a vida de ninguém, especialmente a do Estudiantes.

Na época, Fábio Koff declarou aos jornais locais que não iria oferecer um bicho extra ao América. Mas posteriormente deu um depoimento contando que levou a Cali “numa daquelas guaiacas vinte e cinco mil doláres”, quantia que foi educadamente recusada pelos colombianos.

Outro tema que gerou polêmica foi a participação dos jogadores argentinos do América, uma vez que se suspeitava que eles pudessem favorecer os seus compatriotas. O meia Alfaro e o atacante Teglia foram retirados do time titular. Apenas o goleiro Falcioni permaneceu na equipe, sendo um dos principais responsáveis pelo 0x0 que colocou o Grêmio na sua primeira final de Libertadores de América.

Um fato pouco lembrado é que em fevereiro de 1984, o Grêmio voltou a Cali para realizar um amistoso contra o America, no que ficou conhecido como “jogo da gratidão”. O resultado foi um empate em 1×1, com gols de La Rosa para o time de casa e Osvaldo para o Grêmio.

Fontes: Zero Hora, Folha da Tarde e  “Até a Pé Nos Iremos” de Ruy Carlos Ostermann

America de Cali 0x0 Estudiantes de La Plata


AMERICA: Falcioni; Valencia, Espinoza, Reyes e Chaparro; Caicedo, Gonzales e Sierra (Penagos); Bataglia, Ortiz e De Ávila (Cassales)
Técnico: Gabriel Ochoa Uribe
ESTUDIANTES: Bertero; Malvarez, Herrera, Gette e Gugnalli; Russo, Sabella e  Aguero; Monzon (Rezza), Trama e Gurrieri
Técnico: Eduardo Manera
Libertadores 1983
Data: 15 de julho de 1983, sexta-feira, 22h45min
Local: Estádio Pascoal Guerrero, em Cali -Colômbia
Árbitro: Elias Jacone (Equador)
Auxiliares: Guillermo Quirola e Jorge Orelana (Equador)
Cartão Vermelho: Espinoza aos 19 do 1º tempo e Aguero aos 7 minutos do segundo tempo

Brasileirão 2013 – Grêmio 2×1 Botafogo

July 15, 2013
O Grêmio fez uma partida de enorme disposição e conseguiu uma importante vitória contra o Botafogo ontem na Arena. O começo de jogo tricolor foi muito de bom, de movimentação intensa, de marcação na saída de bola, de trazer a torcida para dentro do campo. Logo aos 12 minutos Alex Telles usou Kleber como pivô, foi a linha de fundo e cruzou para Vargas, que de primeira abriu o marcador. Elano teve chance de ampliar pouco depois, mas aos 19 Seedorf fez bela jogada e empatou o jogo num golaço de fora da área. O Grêmio sentiu um pouco o golpe e o Botafogo passou a controlar as ações, ficando com a bola próximo a meta defendida por Dida. Contudo, aos 33 minutos, Souza arrancou pelo lado direito e foi parado com falta. Alex Telles ergueu a bola na área, a zaga botafoguense afastou, Souza ganhou o rebote e Vargas completou para as redes. O time alvinegro pediu a anulação da jogada, alegando que o bandeirinha havia marcado impedimento de Kléber.
Eu entendo as reclamações do Botafogo e concordo com elas. No meu modo de ver a regra, Kléber, que estava impedido, participou da jogada (seja fazendo menção de ir na bola, seja obstruindo a visão um adversário). Contudo, esse não é o conceito vigente de participar da jogada na Fifa/International Board e para os ex-árbitros/comentaristas o gol foi legal.

No segundo tempo o Grêmio esperou o Botafogo, crendo que poderia liquidar o jogo em um contra-ataque puxado por Vargas, mas o time pouco se aproximou do arco adversário nos 45 minutos finais. A partida passou a ser jogada quase que exclusivamente no campo de ataque do Botafogo. Os visitantes tiveram 4 boas oportunidades de empate, mas o Grêmio se defendia de forma enérgica, e conseguiu segurar o 2×1 até o apito final.

O Grêmio claramente teve um posicionamento mais recuado no segundo tempo. Diante de tal fato ficam algumas questões: O time fez bem em recuar? Recuou por um comando do treinador? Por falta de preparo físico? Por imposição do adversário?
Maxi Rodriguez mais uma vez entrou bem na partida. E, para mim, Alex Telles teve uma atuação excelente, tanto na parte ofensiva como defensiva.
Assim como Barcos já havia feito, Vargas trocou o número da camisa que vinha jogando. Não acho muito certo abandonar a numeração fixa no meio da temporada. E me parece que tal procedimento não é correto com o torcedor que adquiriu a camisa com o nome e o número do jogador (Não é exatamente o mesmo caso, mas vale a pena ler sobre o que fez o New England Patriots com as camisas vendidas com o nome de Aaron Hernandez).
Eu sigo achando que um jogo de futebol também se ganha nos detalhes. A direção do Grêmio fez muito bem em intervir no processo de liberação dos instrumentos musicais das torcidas. E achei bem interessante a iniciativa do Vice-Presidente Nestor Hein de assistir o jogo no setor da geral. É um belo gesto. Só lamento que não tenha sido possível fazer isto nos jogos da Libertadores. Mas as lideranças do Grêmio e da Geral poderiam aproveitar o exemplo e convidar algumas autoridades e membros da imprensa para visitar aquele espaço durante um jogo. Ajudaria a acabar com alguns dos mitos sobre o local.
Antes da partida, muitos torcedores do Botafogo circulavam tranquilamente pelos arredores da Arena e uns tantos tiravam fotos do estádio. Inegavelmente a nova casa gremista é uma atração de Porto Alegre. Os relatos dos visitantes só engrandecem a obra. Deveríamos levar isso em consideração antes de se cogitar em banir/restringir as torcidas adversárias.

Fotos: GrêmioFotos e Grêmio.net

Grêmio 2×1 Botafogo

GRÊMIO: Dida, Pará, Werley, Bressan e Alex Telles; Adriano, Souza (Matheus Biteco – 36’/2ºT), Zé Roberto e Elano (Maxi Rodríguez – 24’/2ºT); Vargas (Cris – 48’/2ºT) e Kleber 
Técnico: Renato Portaluppi

BOTAFOGO: Jefferson, Lucas (Gilberto – 15’/2ºT), Bolívar, Dória e Julio Cesar; Marcelo Mattos, Renato, Lodeiro (Elias – 21’/2ºT), Seedorf e Vitinho (Henrique – 30’/2ºT) ; Rafael Marques

Técnico: Oswaldo de Oliveira
7ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2013
Data: 14 de junho de 2013, domingo, 16h00min
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre-RS
Público: 30.395 (28.014 pagantes)
Renda: R$ 1.335.155,00
Arbitragem: Paulo Cesar Oliveira (SP)
Auxiliares: Marcelo Carvalho Van Gasse e Carlos Augusto Nogueira Júnior (trio de São Paulo).
Cartões amarelos: Adriano e Kléber (G); Vitinho e Marcelo Mattos (B)
Gols: Vargas, aos 12min e aos 33min, e Seedorf, aos 19min do primeiro tempo

Presença de público na Arena no 1º semestre de 2013

July 14, 2013

Na figura acima temos os números dos públicos dos 12 jogos disputados na Arena no primeiro semestre de 2013. A média de público pagante foi de 22.024 e a média de não pagantes foi de 2.042. É curioso que o estádio não chegou nem perto de ter uma ocupação máxima nessas primeiras partidas (Com a devida ressalva de que em o setor da Geral só esteve liberado nos confrontos contra LDU e São Paulo.) .
Ainda assim é possível afirmar que houve um acréscimo de pagantes em relação ao mesmo período do ano passado. Nos 17 jogos que o Grêmio fez como mandante nos 6 primeiros meses de 2013 a média de público total foi de 19.448 e a média de pagantes foi de 17.649. No primeiro semestre de 2012 o Grêmio igualmente fez 17 partidas em casa e a média de público total foi de 19.285 e a média de pagantes foi de 15.888. É importante lembrar que esse ano o Grêmio participou da Libertadores, fato que não ocorreu no ano passado, e talvez isso, juntamente com o elemento de “novidade” da Arena, explique o maior público de 2013.
De qualquer forma, eu esperava uma maior ocupação na Arena no seu primeiro ano de funcionamento. Penso que alguns ajustes que poderiam aumentar a média de público estão demorando demais para acontecer. No início de abril, o diretor da Arena Gilmar Machado disse que a administração do estádio já estava trabalhando com na criação de um projeto de “check-in”. Até agora tal sistema não foi implementado. Da mesma forma, quando da renegociação entre Grêmio e OAS, se afirmou que seria estabelecida uma nova política de preços e descontos para os sócios-torcedores (aumentando a oferta de setores e os descontos dados), contudo para o próximo jogo, contra o Botafogo, essa promessa ainda não saiu do papel

30 anos da Libertadores de 1983 – Estudiantes 3×3 Grêmio

July 8, 2013
 

Há 30 anos, Estudiantes e Grêmio empatavam em 3×3 pelo triangular semifinal da Libertadores, na partida que  antes  mesmo de ser realizada já era chamada de “Batalha de La Plata”.  Em 30 anos muitas histórias foram contadas, recontadas, inventadas e desmentidas sobre esse jogo. Penso que é importante ressaltar alguns pontos:

Argentina e Brasil viviam um crise diplomática. No final de junho de 1983 o jornal Zero Hora fotografou aviões militares ingleses, que se dirigiam as ilhas Falkland, sendo abastecidos em Canoas e Florianópolis. Tal fato serviu para reavivar o boato de que o Brasil deu guarida as aeronaves britânicas na guerra das Malvinas, ocorrida no ano anterior.
– Desde o final da década de 1960 o Estudiantes gozava de uma má reputação, especialmente pelo anti-jogo que promovia nos seus domínios. Em 1983 a fama persistia. O América de Cali havia alertado ao Grêmio que recusasse o ônibus fornecido pelo time de La Plata aos visitantes, uma vez que os colombianos foram submetidos a um trajeto especialmente demorado, com duração de mais de 3 horas, visando atrasar o preparo da equipe. Devidamente avisada, a direção gremista tratou de providenciar o seu próprio transporte na Argentina.
– O juiz uruguaio Luis de La Rosa foi muito elogiado pela sua coragem em expulsar diversos atletas do time da casa. Contudo, um detalhe pouco lembrado é que ele anulou, sem nenhum motivo aparente, um gol de César para o Grêmio quando o placar era de 3×2 para o tricolor.
– O Grêmio, com apoio da FGF e CBF, pediu a Conmebol que eliminasse o Estudiantes da competição em razão de todos os incidente ocorridos. Fábio Koff encaminhou tal solicitação com descrença. Descrença essa que só aumentou após o presidente da Conmebol, o peruano Teófilo Salinas, anunciar que o adiamento da decisão para depois do último jogo entre America e Estudiantes, justificando o atraso em um suposta dificuldade técnica de analisar o video-tape da partida.
O empate manteve o Grêmio na frente da tabela, mas na incomoda situação de poder ser superado caso o Estudiantes vencesse o já eliminado América em Cali.

 


Texto do site do Gremio:

No dia 08 de julho de 1983, o Grêmio viveu um dos momentos mais dramáticos de sua história. Era uma sexta-feira à noite e o Tricolor enfrentava os argentinos do Estudiantes em busca de uma vaga na decisão da Copa Libertadores. O acanhado estádio de La Plata estava repleto de torcedores fanáticos e raivosos. Além da tradicional rivalidade futebolística entre os dois países, no ar ainda pairava o ressentimento pelo fato dos gaúchos terem permitido o pouso de jatos ingleses na Base Aérea de Canoas quando a Argentina lutava pela posse das Ilhas Malvinas no ano anterior. A raiva canalizada para os jogadores e dirigentes gremistas criou um clima insuportável de tensão desde a chegada do Tricolor ao estádio até o término da partida. Antes mesmo do início do jogo, o árbitro uruguaio Luis de la Rosa apresentou cartão amarelo para o atacante Trobbiani, um fato inusitado

Empurrado pela torcida mas sem nenhuma obediência tática, o time argentino dominou a partida nos minutos iniciais. Passado os primeiros 15 minutos de pressão, o Grêmio começou a fazer prevalecer seu toque de bola e chegou com perigo em contra-ataques puxados por Tarciso.

Aos 30 minutos, o mesmo Trobbiani que havia levado cartão amarelo antes do início da partida agrediu China com um pontapé revidando uma falta feita pelo volante gremista e foi expulso. Raivosos, os jogadores do Estudiantes partiram para a reclamação. Ponce empurrou o árbitro uruguaio e acabou recebendo cartão vermelho.

Com nove em campo, os argentinos abriram o marcador na cobrança de falta: Gurrieri aproveitou falha na defesa gremista e mandou para as redes.Com mais espaço para jogar, o Tricolor chegou ao empate no último minuto da primeira etapa: Osvaldo concluiu dentro da área um passe de Tarciso

A violência dos argentinos continuou até mesmo no intervalo de jogo. Na saída para os vestiários, em um túnel único para as duas equipes, Caio foi covardemente agredido por jogadores e dirigentes do time da casa. Resultado: não conseguiu retornar para a segunda etapa.

O castigo veio logo aos 8 minutos: Cesar, que havia entrado no lugar de Caio, virou o jogo para o Grêmio depois de grande jogada de Renato
Com a vantagem no marcador, o time tratou de tocar a bola com o único objetivo de fugir das divididas mais fortes onde os argentinos nem faziam questão de esconder o desejo de tirar algum jogador gremista da partida na base da violência

Mesmo assim, aproveitando os espaços, o Tricolor ampliou o marcador com Renato, depois de uma grande jogada individual. O gesto de Renato que, depois do gol, mandou a torcida calar a boca, foi o que faltava para que os argentinos enlouquecessem de vez. Três minutos depois do gol de Renato, aos 21, o auxiliar Ramón Barreto foi agredido com uma pedrada na cabeça. Estirado no gramado, coberto de sangue, o auxiliar uruguaio teve que ser atendido pelo médico gremista, Dirceu Colla. Na confusão, Camino recebeu cartão vermelho e deixou o gramado. Mesmo destino de Tevez, expulso 4 minutos depois ao agredir Renato

Mesmo com apenas 7 jogadores em campo e se aproveitando da excessiva cautela dos jogadores gremistas que evitavam as divididas o Estudiantes descontou aos 31 minutos com Gurrieri. Logo depois, o até então corajoso árbitro uruguaio Luis de la Rosa, anulou um gol legítimo marcado por César ao atender o aceno de impedimento do bandeirinha Ramón Barreto. Naquelas circunstâncias de jogo, ninguém reclamou.


Só mesmo quem esteve presente nesta inesquecível passagem de história centenária do Grêmio poderia explicar o que se passou lá. Seja como for, a famosa partida de La Plata pela Copa Libertadores de 1983 foi um dos acontecimentos responsáveis pelo surgimento do estilo guerreiro, sanguíneo com que o Grêmio joga futebol e que, de certa forma, está enraizado dentro do espírito de cada gremista.” 
(Texto: Márcio Neves da Silva, Assessoria de Comunicação Social )


 

A Batalha de La Plata

A inesquecível Batalha de La Plata mereceia um capítulo todo especial para contar esta trajetória que levou o Grêmio a seu primeiro título sul-americano.

Fatores muito além do futebol estiveram envolvidos na partida decisiva do dia 8 de julho de 2008 na cidade argentina de La Plata.

O país vizinho vivia a realidade da guerra das Malvinas contra a Inglaterra. A inferioridade diante do exército bretão atingia em cheio uma das mais exacerbadas características do povo argentino: o orgulho.

Em meio a tudo isso, surgiu a notícia de que aviões ingleses haviam recebido auxílio do Brasil possibilitando que pousassem na Base Aérea da cidade de Canoas para reabastecimento. A informação, procedente ou não, revoltou os argentinos justo às vésperas do Grêmio desembarcar no país.

Com pouco tempo de descanso após a vitória da quarta-feira contra o América, a delegação optou por mudar o vôo para a capital portenha: ao invés de descer no aeroporto de Ezeiza, na grande Buenos Aires, o grupo preferiu o vôo com escala em Montevidéu e pouso no Aeroparque, quase no centro da cidade. Por incrível que pareça, o Grêmio ganhou duas horas a mais chegando ao hotel por volta das 20h ao invés das 22h como apontava a programação anterior.

Líder do grupo, o Grêmio desembarcou em La Plata com 4 pontos ganhos contra 2 pontos de América e Estudiantes. A vitória garantia o Tricolor na grande decisão da Libertadores. Um empate, por sua vez, deixaria o Grêmio dependente da última partida da fase entre América e Estudiantes, na Colômbia.

As hostilidades começaram antes mesmo do ônibus que levava a delegação estacionar ao lado do acanhado estádio Jorge Luis Hirschi. Várias pedras atingiram o veículo. Jogadores e dirigentes tiveram dificuldades para entrarem no vestiário.

Já no gramado, a pressão e as hostilidades vinham de todas as partes: cânticos racistas contra brasileiros e torcedores atirando pedras.

Antes do início da partida, o árbitro uruguaio Luis de La Rosa (que substituiu Martinez Basan em cima da hora) apresentou cartão amarelo para o atacante Trobbiani. Uma pequena amostra do que ele viria a enfrentar durante os 90 minutos.

Com a bola rolando, o Estudiantes buscava tirar proveito de todos os fatores locais: com uma agressividade descontrolada, distribuíam patadas nos brasileiros e pressionavam a arbitragem.

Aos 32 minutos, China cometeu falta em Trobbiani e foi chutado pelo argentino. O árbitro apresentou cartão vermelho para o atleta do Estudiantes e amarelo para o gremista. Revoltados com a decisão, os jogadores do time dono da casa passaram a empurrar o árbitro até que Ponce também foi expulso.

Mesmo com dois jogadores a menos em campo, foram os argentinos que abriram o marcador justamente na cobrança da falta que originou toda a confusão. Gugnale aproveitou falha da defesa tricolor e chutou forte na saída de Mazarópi. Eram 38 minutos.

Tocando bem a bola no péssimo gramado, o Grêmio chegou ao empate aos 44: Osvaldo, pela esquerda, chutou cruzado de dentro da área. 1 a 1.

A violência dos jogadores argentinos seguiu até mesmo durante o intervalo da partida. No túnel que levava os jogadores aos dois vestiários, o atacante Caio foi agredido com socos e chutes tendo fratura da tíbia. César voltou para o segundo tempo em seu lugar.

E foi o mesmo César que virou o placar para o Grêmio aos 8 minutos. Grêmio 2 a 1.

Logo após o Estudiantes ter mais um jogador expulso, Renato desceu em velocidade pela direita, driblou dois adversários e chutou na saída do goleiro. Grêmio 3 a 1 aos 18 minutos.

Aos 31 minutos, Gurrieri marcou o segundo gol dos argentinos para delírio da torcida.

Completamente descontrolados, os jogadores se atiraram com tudo para frente acuando os gremistas.

Logo depois, o Grêmio chegou ao quarto gol que foi inexplicavelmente anulado por um impedimento inexistente de Osvaldo.

Faltando apenas quatro minutos para o final, Russo conseguiu o que parecia impossível: o gol do empate.

O resultado trouxe de volta um pouco do orgulho argentino e impossibilitou ao Grêmio a classificação para a final de forma antecipada.

Mais do que a vergonha de ceder o empate contra apenas sete jogadores em campo, para o Grêmio restou o consolo de deixar La Plata com vida.

O Tricolor passou a depender de pelo menos um empate do eliminado América de Cali contra este mesmo Estudiantes para garantir vaga na final.

Fábio Koff tratou de trabalhar nos bastidores. (Site do Grêmio)

Depoimento do Valdir Espinosa sobre o jogo:

Na Libertadores de 83,um dos jogos mais difíceis foi em La Plata ,jogando contra o Estudiantes. Muito mais do que as dificuldades de campo ,o clima de guerra que envolveu aquela partida ,nos fazia temer por nossas vidas ,receando não sairmos sãos e salvos de lá!
O jogo ,só para lembrar,estava 3×0 para nós e o Estudiantes com apenas 7 jogadores,conseguiu empatar. Mas isto é assunto para outro dia ,pois o que quero é relatar os acontecimentos do intervalo do jogo.
Terminado o primeiro tempo, as 2 equipes foram para os vestiários .Este caminho era tão estreito que obrigava-nos a andar em fila indiana. Do campo até o vestiário ,muitos gritos e xingamentos. Entramos ,fechamos a porta e o nosso segurança encostado nela ,disse:

-“Fiquem tranquilos, que aqui ninguém entra”
Enquanto os jogadores tomavam água, lavavam-se e trocavam o material molhado ,a porta parecia que viria abaixo com pancadas de socos e pontapés. E o nosso segurança, encostado na porta já com os braços abertos, continuava afirmando:
-“Tranqüilos! Aqui ninguém entra”!
Jogadores sentados para ouvirem as instruções do intervalo. Começo ,então,a falar e quando vou corrigir o ataque , pergunto:
-“Cadê o Caio”?
Todo mundo se olha ,observa o vestiário e…nada do Caio! Então ,imediatamente olhamos para o segurança e eu grito:
-“Abre esta porta”!!!
Nosso Super-Homem abre e quem entra? O Caio! Chorando ,com o tornozelo inchado e cheio de hematomas pelo corpo. Ele havia ficado para trás, e durante todo aquele tempo em que batia na porta, estava apanhando dos argentinos! Seu tornozelo estava tão inchado ,que tive que substituí-lo no intervalo.
Como voces podem ver ,nosso segurança realmente não deixou ninguém entrar, nem mesmo o Caio!” (Valdir Espinosa)

CAIO: “Foi incrível. Algo que eu jamais poderia imaginar que fosse acontecer, apesar do clima de guerra que havia lá. Eu ia para o vestiário, quando fui cercado por três jogadores, que passaram a me agredir. Levei um chute tão forte no tornozelo que não pude voltar para o jogo e não está dando nem para caminhar direito. Dói muito. Não dá pra aceitar um túnel apenas para os dois times e também para o árbitro. É incrível isso, reclama Caio.

 
Reportagem do Jornal Clarin sobre os 20 anos daquela partida nesse link. Destaque-se as declarações do hoje treinador Miguel Angel Russo sobre aquele jogo:

Fue el partido que más grabado me quedó en toda mi carrera. Mirá que salí campeón varias veces, pero aquella noche fue incomparable, imborrable” (Russo)
“El Gremio pasó de ronda y ganaron todo, Libertadores e Intercontinental. Yo estoy convencido que si pasábamos nosotros, Estudiantes era otra vez campeón de la Libertadores” (Russo)


 


Fontes: Correio do Povo, Folha da Tarde, Grêmio.net, Placar e Zero Hora

Estudiantes 3×3 Grêmio

ESTUDIANTES: Bertero; Camino, German (Teves), Aguero, Gugnali, M.A. Russo, Sabella, J.D. Ponce, Trama, Trobbiani e Gurrieri
Técnico: Eduardo Manera

GREMIO: Mazaropi, Paulo Roberto, Leandro, De Leon, Casemiro, China, Osvaldo, Tita, Renato, Caio (César), Tarciso (Tonho)
Técnico:Valdir Espinosa
Reservas: Beto, Newmar , Róbson, Tonho e Cesar


Triangular semifinal – 4° jogo – Libertadores 1983

Data: 08 de Julho de 1983, sexta-feira, 22h00min
Estádio: Jorge Luis Hirschi, em
La Plata (Argentina)
Juiz: Luis de la Rosa (Uruguai), 
Auxiliares: Ramón Barreto e Artemio Sension
Cartão Vermelho: Ponce e Trobbiani aos 33 do 1ºt; Camino aos 24 e Tevez aos 30 do 2ºt
Gols: Gurrieri aos 39min, Osvaldo aos 45 do 1ºtempo ; César aos 7, Renato aos 18, Gurrieri aos 31 e Gugnali aos 42 do 2º tempo.

Brasileirão – Atlético Paranaense 1×1 Grêmio

July 8, 2013

Renato Portaluppi reestreou como treinador gremista, mas ainda não foram vistas grandes mudanças na equipe tricolor. É claro que seria um exagero exigir melhorias significativas na parte tática. Foram poucos dias de trabalho do novo comandante. Contudo nem mesmo aquela tradicional resposta anímica que acompanha um novo trabalho se fez presente no time do Grêmio no primeiro tempo. Os 45 minutos iniciais no Durival de Brito foram de um futebol sofrível, onde as duas equipes produziram muito pouco.
A situação melhorou um pouco na etapa final. O Grêmio conseguiu articular jogadas e chegar próximo ao gol do adversário. Aos 20 minutos, Souza acertou uma cabeçada na trave. Pouco depois, Barcos desperdiçou boa chance na saída do goleiro Weverton. Mas um defeito recorrente na temporada apareceu novamente. O Grêmio passou a defender de forma passiva. Sofreu o gol aos 31, numa jogada elementar do Atlético, feita quando o Grêmio tinha 7 defensores dentro da sua área. Mas o time conseguiu mostrar alguma qualidade nos minutos finais. Aos 37 o estreante Maxi Rodriguez fez um lançamento longo, aproveitado por Barcos, que marcou o gol de empate depois de cortar o zagueiro adversário.

Sigo com a sensação de que o Grêmio está com um rendimento abaixo das suas possibilidades e não sei se esse time do Atlético poderia jogar muito mais do que jogou ontem. Diante disso fica a dúvida: O Grêmio  conquistou um ponto ou desperdiçou dois? 
Já disse aqui que gosto do esquema com o meio campo em losango. Mas não sei se a disposição das peças foi a ideal. Não gosto de Zé Roberto jogando mais avançado (Creio que ele rende mais com 2º ou 3º homem). E ontem, pela apatia de Guilherme Biteco, Souza acabou sobrecarregado na parte ofensiva (que não é o seu forte).
Numa nota supérflua, saúdo a manutenção da meia listrada.

Fotos:  Giuliano Gomes (Terra), Mauro Vieira (ClicRBS) e UOL

Atlético Paranaense 1×1 Grêmio

ATLÉTICO-PR: Weverton; Léo, Manoel, Luiz Alberto e Pedro Botelho; Bruno Silva, João Paulo, Felipe (Marcão, 40’/2ºT), Zezinho (Paulo Baier,  17’/2ºT) e Everton (Jonas, 47’/2ºT); Ederson
Técnico: Ricardo Drubscky.
GRÊMIO: Dida; Moisés, Werley, Bressan e Alex Telles; Adriano, Souza (Cris, 46’/2ºT), Guilherme Biteco (Maxi RodrÍguez, 33’/2ºT) e Zé Roberto; Vargas (Kleber, 33’/2ºT) e Barcos
Técnico: Renato Portaluppi
06ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2013
Data: 6/7/2013, sábado, 18h30min
Local: Durival de Britto, Curitiba (PR)
Público: 8.401 (7.531 pagantes)
Renda: R$ 142.865,00
Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (Fifa-GO)
Auxiliares: Fabrício Vilarinho da Silva (Fifa-GO) e Marco Antônio de Mello Moreira (GO)
Cartões amarelos: Moisés (GRE), Éverton (APR), Bruno Silva (APR)
Gols: Pedro Botelho, 31’2ºT e Barcos, 37’2ºT