30 anos da Libertadores de 1983 – Grêmio 2×1 América de Cali

Já vimos que, na primeira metade das partidas disputadas no grupo B do triangular da semifinal da Libertadores havia um equilíbrio entre os participantes, com uma vitória para cada lado (Estudiantes tinha melhor saldo). Grêmio e América iniciaram o segundo turno no Olímpico no dia 5 de julho a noite, mas as fortes chuvas que caíam sobre o sul do país naquele época fizeram com que o tricolor buscasse o adiamento do jogo. A Conmebol foi convencida e remarcou a partida para o dia seguinte, as 3 da tarde de uma quarta-feira.
Quem não deve ter gostado muito do adiamento foi Renato, que estava concentrado desde a sexta-feira, para evitar as tentações. Mas o esforço valeu a pena, pois o camisa 7 foi uma das principais figuras do Grêmio em campo. Valdir Espinosa surpreendeu a todos ao escalar o ataque com Caio, Renato e Tarciso. O jogo do Grêmio fluiu, varias chances foram criadas. O problema é que o tricolor teve alguma dificuldade em converter estas oportunidades. No primeiro tempo apenas Caio conseguiu superar o goleiro Falcioni, com uma cabeçada precisa aos 23 minutos.
Na segunda etapa o America reagiu e chegou ao empate aos 15 minutos do segundo tempo, no chute rasteiro de Bataglia da entrada da área. A resposta tricolor foi rápida, Osvaldo desempatou a partida no minuto seguinte. Mas o 2×1 não trouxe tranquilidade a torcida gremista. O America seguia ameaçando e aos 23 minutos teve um pênalti marcado a seu favor (um discutível toque de mão de Baidek). O experiente Willington Ortiz executou a cobrança e Mazaropi entrou para história ao espalmar a bola para a linha de fundo.


RENATO PORTALUPPI: “Pois eu vou continuar concentrado, estou convencido que corri os 90 minutos porque não tinha ido a festa. Sempre gostei de sair à noite, mas agora é a vez do título. O Espinosa me disse que depois do jogo em La Plata posso me soltar até no avião”
RENATO PORTALUPPI: “Nem tudo que passa pela minha cabeça são mulheres. Quero este título mais do que ninguém. Elas estão até me escolhendo como o rapaz mais lindo da cidade, mas nada disso vai me influenciar. O que importa agora é seguir os meus companheiros e voltar da Argentina com a classificação garantida”
 
 

VALDIR ESPINOSA: “A gente sempre corre riscos. Mas é preciso arriscar, só que é fundamental agir com consciência. Eu acreditava que deveria começar com o Tarciso. E apostei nisso. Nós tinhamos que eliminar o líbero e o zagueiro que não larga o centroavante. Com três atacantes velozes sabíamos que daria certo. O Renato ficou mais na sua posição, enquanto que Tarciso e Caio se revezaram, confundindo a marcação. Felizmente deu tudo certo e vencemos. Poderíamos ser uma goleada, mas a vitória já é excelente.”
VALDIR ESPINOSA: “Tinha que haver o segredo, o senhor Ochoa é pessoa muito esperta, tira proveito dos mínimos detalhes, jamais poderia deixar escapar uma modificação importante dessas. Se a informação tivesse vazado, certamente a vitória teria sido bem mais difícil. O senhor Ochoa deve ter se preocupado com o centroavante fixo, tradicional, e nada disso ocorreu em campo. Começamos a vencer por aí, pelos deslocamentos rápidos.



*Quarta-feira, 06 de julho de 1983
Brilha a estrela do goleiro Mazarópi

O mau tempo desabou sobre Porto Alegre naquela primeira semana de julho. O inverno rigoroso teve influência direta na campanha do Grêmio na Copa Libertadores: após a derrota contra o América, em Cáli, o Tricolor voltava a enfrentar a equipe colombiana no jogo do Olímpico. Primeiramente, um encontro marcado para o dia 05 de julho, uma terça-feira à noite. Nesta data, uma forte chuva desabou sobre a capital gaúcha deixando o gramado do Monumental impraticável. Sem muita opção, a partida acabou sendo transferida para o dia seguinte, às 15h.

Além de ser um dia de semana prejudicando público e renda, o Grêmio passou a se preocupar com o pouco tempo de recuperação para a partida da sexta-feira, contra o Estudiantes, em La Plata: pouco mais de 48 horas.

Com a intensão de pedir o adiamento da partida contra os argentinos, a direção gremista, via Federação Gaúcha e Confederação Brasileira de Futebol, encaminhou um telex para a Sul-Americana, mas o pedido não foi aceito e a partida acabou confirmada para sexta-feira, à noite.

Apesar do horário e do mau tempo, mais de 24 mil pagantes estiveram presente no Olímpico, na tarde de quarta-feira.

Na escalação, Espinosa surpreendeu colocando Tarciso na ponta-esquerda, no lugar de Tonho. O objetivo era “entrar em campo com três atacantes e liberar o líbero e o zagueiro que gruda no centroavante”, afirmou o treinador gremista. A decisão de colocar Tarciso como titular foi tomada após uma reunião secreta antes do treinamento de segunda-feira, com as presenças de De León e Tita. A idéia de Espinosa foi aceita pelo grupo.

O Grêmio começou a partida disposto a decidir logo nos primeiros minutos. Renato estava endiabrado e tratou de colocar os colombianos na roda apesar das péssimas condições do gramado.

Ainda com toda a superioridade e total domínio, a bola teimava em não entrar fazendo do goleiro Falcione o melhor homem em campo.

Aos 23 minutos da primeira etapa, Renato cruzou da direita e Caio entrou de cabeça para abrir o marcador. Grêmio 1 a 0 no primeiro tempo.

Sem muito a perder, os visitantes voltaram para a etapa final dispostos a empatar a partida. E conseguiram logo aos 13 minutos: Bataglia entrou à drible pela esquerda e chutou rasteiro, no canto direito de Mazarópi. 1 a 1.

A alegria colombiana durou pouco: dois minutos depois, após uma cobrança de falta e confusão na área do América, Osvaldo pegou a sobra e chutou fraco. A bola bateu na trave e morreu no fundo das redes. Era o gol da vitória gremista: 2 a 1.

Apesar do susto do gol do empate, a partida transcorria normalmente com o Grêmio pressionando em busca de um placar mais dilatado. Porém, aos 23 minutos da etapa final, uma bola cruzada da esquerda pelo ataque do América foi parar no braço de Baidek. O árbitro chileno, Hernán Silva, apontou penalidade máxima para desespero dos gremistas. Não era pra menos, um empate deixava a equipe tricolor praticamente alijada da possibilidade de chegar à final.

O centroavante Ortiz partiu para a bola e chutou forte, alto, no meio do gol. Mazarópi esticou o braço mandando a bola para escanteio. Uma das mais importantes defesas da história do Grêmio. O goleiro gremista, além de justificar sua contratação e todo o esforço da direção gremista para fazer sua inscrição, garantiu o Tricolor com chances na competição.

Sem tempo para treinar, era hora de embarcar para Argentina buscar a classificação pra final em La Plata, contra o Estudiantes. (Gremio.net)

Luva usada por Mazaropi na partida

 

MAZAROPI: “Percebi que o Ortiz estava preocupado. Quando caminhou para a bola dava a impressão de não saber o que fazer. Senti, então, que a bola viria do meu lado, ergui o braço esquerdo e evitei o segundo gol do América”
MAZAROPI: “Eu vi que ele foi devagar quando se preparou para bater. Aí falei com ele para deixá-lo nervoso. E quando bateu, eu não me mexi. Ele ficou sem saber em que canto eu ia. Quem bate devagar, espera ver onde vai o goleiro”
MAZAROPI: “Só no Vasco eu defendi 21 pênaltis. Eu acho que tenho um segredo, pois quando o adversário corre para cobrar, sempre acho que vou defender. As vezes dou sorte. Hoje fui feliz. Fico estático no meio do gol para que o cobrador não saiba onde chutar.”

GABRIEL OCHOA URIBE: “Foi um resultado certo para o Grêmio que teve mais presença em campo, aproveitou as oportunidades e por isso não tenho restrições à vitória. Apenas lamento a chance que perdemos em sair daqui com um empate que seria um excelente resultado para as pretensões do América.”
GABRIEL OCHOA URIBE:Se o Tonho tivesse jogado, o América teria um jogador a menos para marcar, pois ele recua pelo meio. Com Tarciso é diferente e por isso uma das jogadas que planejamos acabou ficando sem efeito. Até cumprimento o técnico Espinosa pela sua inteligência ao escalar o Tarciso, um jogador forte e muito perigoso”


” O Grêmio teve exatas 12 chances de gols, mas só aproveitou duas. Poderia ter goleado.” (Eugênio Bortolon – Revista Placar – 15 de julho de 1983)
“Na vitória de 2 a 1 contra o América, de Cáli, no Olímpico, Baidek saiu de campo a cinco minutos do final com um afundamento de malar. Submetido a uma cirurgia, recebeu a informação dos médicos: estava proibido por 15 dias de sequer tocar numa bola de futebol. Mas o valente zagueiro não se entregou” (Arquivo Gremista)

Fontes: Correio do Povo, Folha da Tarde, Grêmio.net, Placar e Zero Hora

Grêmio 2×1 América de Cali

GREMIO: Mazaropi; Paulo Roberto, Baidek (Leandro), De León e  Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Tarciso, Renato e Caio.
Técnico: Valdir Espinosa
Reservas: Beto, Leandro , Róbson, Tonho e Cesar.

AMERICA: Falcioni; Porras, Reyes, Espinosa, Chaparro;   Gonzales, Aquino e Alfaro, Bataglia, Willington Ortiz e Teglia.
Técnico: Gabriel Ochoa Uribe

Triangular Semifinal – 3° jogo – Libertadores 1983

Data:  6 de julho de 1983, quarta-feira, 15h00min
Local: Estádio Olímpico (Porto Alegre)
Renda: Cr$ 21.002.100,00

Público: 24.043 pagantes
Juiz: Hermann Silva (Chile), 
Auxiliares: Guillermo Budge e Mario Lira (CHI)
Cartão Amarelo: Renato, Reyes e Alfaro
Gols: Caio 23 do 1º, Bataglia 15  e Osvaldo 16 do 2º tempo


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One Response to “30 anos da Libertadores de 1983 – Grêmio 2×1 América de Cali”

  1. Anonymous Says:

    Até hoje tenho flashes na memória desse jogo. Ia fazer 7 anos e lembro meu pai vibrando no depósito de bananas, em Santa Maria…

    Melhor site do Grêmio é o teu André!
    Parabéns!!!

    Abraço!

    Pablo Retamoso Valim

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