Brasileirão – Criciúma 2×1 Grêmio

 O Grêmio teve mais um atuação irregular no campeonato na partida de ontem. O time começou mal no confronto, entrando na correria promovida pelo time da casa. Apesar do tricolor ter conseguido três conclusões nos minutos iniciais (as três de Matheus Biteco) era o Criciúma que dominava as ações, tendo inclusive marcado um gol, que foi (corretamente) anulado. Mas na metade da primeira etapa Matheus Biteco foi expulso por tentar acertar um adversário que o acossava com insistência, mesmo após o apito do juiz. Na sequência, Wellington Paulista colocou os mandantes em vantagem, ao tomar a frente de Cris e cabecear no canto de Dida. O cenário não era bom para o Grêmio, mas o time reagiu e passou a ter outra atitude em campo. Aos 37 minutos, Ramiro aproveitou uma bola recuperada no campo de ataque e lançou Zé Roberto, que com categoria tirou do goleiro para anotar o gol de empate.
No segundo tempo o Grêmio parecia não sentir a desvantagem numérica e dava a impressão que poderia chegar a virada. Mas essa sensação durou até os 8 minutos, pois Vargas foi expulso por uma agressão vista pelo bandeirinha, num lance em que o próprio “agredido” deu as costas e saiu caminhando da suposta confusão. Com 11 contra 9 o Criciúma conseguiu voltar a se impor e passou a jogar exclusivamente no campo de ataque. O Grêmio se defendia bem, mas não tinha desafogo em razão da inferioridade numérica. Bressan salvou uma bola em cima da linha, mas aos 29 minutos não houve como a defesa do Grêmio impedir que Matheus Ferraz marcasse o 2×1 para o Tigre. Nos minutos finais o tricolor voltou a atacar e conseguiu pressionar, obtendo uma série de escanteios, faltas laterais e perdendo uma grande chance com Kléber, aos 44 minutos do segundo tempo.

Numa simplificação, poderia dizer que o Grêmio jogou mal com 11 jogadores, jogava bem com 10 e fez o que foi possível com 9 em campo.

As atitudes de Matheus Biteco e Vargas foram bobas, lances que poderiam e deveriam ter sido evitados. Mas qual era a punição correta para as jogadas?
A regra do jogo impõe o cartão amarelo para o jogador que “for culpado de conduta antidesportiva“. Já o cartão vermelho é a medida aplicável para o atleta que “for culpado de jogo brusco grave ou de conduta violenta“. Em quais dessas hipóteses se encaixam os lances de Vargas e M. Biteco?
Segundo as atuais recomendações da Fifa, disponibilizadas no livro de regras publicadas pela CBF, o  conduta violenta ocorre quando o jogador emprega “força excessiva ou brutalidade contra um adversário com a bola fora de disputa“. Houve força EXCESSIVA na jogada? Houve BRUTALIDADE?

Outra orientação interessante do livro de regras é a seguinte: “No caso de contato físico, o árbitro deverá considerar atentamente a alta probabilidade de que tenha sido cometida uma conduta antidesportiva” (página 87).
Não quero isentar os jogadores de responsabilidade, mas creio que as expulsões foram uma medida exagerada (diante do contexto do jogo de chuva e campo pesado) e pouco criteriosa (Daniel Carvalho deu uma gravata em Pará e sequer foi advertido verbalmente).

O campeonato brasileiro não é sério. Estamos apenas na 8ª rodada e já temos interferência indevida do STJD e roubalheira na arbitragem. E vemos esses elementos presentes em todas as edições da competição. Mas estranhamente, aqui no Rio Grande do Sul só se costuma lembrar do Zveitaço/Márcio Rezende de Freitas em 2005.
E são esses pontinhos tirados na mão grande que acabam decidindo o título. Teorias conspiratórias à parte, é revoltante que não se invista mais tempo e dinheiro para resolver o crônico problema da arbitragem no Brasil. Não é possível que alguém esteja contente com o status quo.
Acho curioso que o mesmo bandeirinha que não viu (ou viu e ficou quieto) um desvio numa conclusão de M. Biteco aos 19 do primeiro tempo tenha conseguido enxergar e interpretar tudo o que aconteceu entre Vargas e Amaral no segundo tempo.
Renato pode ter razão em reclamar do local do hotel e do deslocamento da delegação gremista. Contudo, creio eu que ele deveria fazer essa crítica internamente. Acredito que nesse momento o mais importante é que o treinador se concentre em ajustar os problemas vistos  dentro do campo. 
Espero que os demais atleta compartilhem da indignação e da insatisfação que o Kleber demonstrou no pós jogo.

Fotos: Lucas Uebel (Grêmio.net)

Criciúma 2×1 Grêmio

CRICIÚMA: Bruno; Sueliton, Matheus Ferraz, Fábio Ferreira e Marlon; Amaral (Fabinho, 26’/2ºT), Elton (Daniel Carvalho, 12’/2ºT), Leandro Brasília e Ivo (Gilson, 43’/2ºT); Cassiano e Wellington Paulista
Técnico: Vadão
GRÊMIO: Dida; Pará, Werley (Cris, 22’/1ºT), Bressan e Alex Telles; Ramiro, Matheus Biteco, Elano (Gabriel, 25’/2ºT) e Zé Roberto; Vargas e Barcos (Kleber, 32’/2ºT)
Técnico: Renato Portaluppi
08ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2013
Data: 20/7/2013, sábado,  18h30min
Local: Heriberto Hülse, em Criciúma (SC)
Público: 12.719 pagantes
Renda: R$ 325.590,00 
Árbitro: Felipe Gomes da Silva (PR)
Auxiliares: Bruno Boschilla (PR) e Luiz Henrique Santos Renesto (PR)
Cartões amarelos: Elton e Fábio Ferreira  e Pará
Cartões vermelhos: Matheus Biteco, 23’/1ºT  e Vargas, 8’/2ºT
Gols: Wellington Paulista, aos 25’/1ºT, Zé Roberto, 37’/1ºT  e Matheus Ferraz, aos 29’/2ºT 
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2 Responses to “Brasileirão – Criciúma 2×1 Grêmio”

  1. Anonymous Says:

    concordo contigo… e te passo um adendo, caso não tenhas visto ainda… http://globoesporte.globo.com/pr/futebol/campeonato-paranaense/noticia/2013/03/juiz-de-londrina-x-coritiba-e-afastado-e-vai-passar-por-curso-de-reciclagem.html
    aí realmente fica bem complicado

  2. Anonymous Says:

    Caro André,

    Também como Gremista fiquei indignado com alguns lances da arbitragem, principalmente neste lance citado que fora a finalizada de Matheus Biteco em que ocorreu um desvio claro e que poderia resultar em um escanteio perigoso.
    No entanto, mesmo com 9 homens em campo conseguimos chegar duas vezes na cara do gol, com oportunidade clara de marcar. Uma na jogada individual de Pará em que ele preferiu tentar cavar o penalti (por mais que já estivesse sem perna no lance) e se jogou no chão, não tentando a finalização, e outra com o próprio Kleber que finalizou rateiro e o goleiro desviou para corner.
    Tivemos a chance de empatar mesmo estando com 9 homens em campo.

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