Taxa de ocupação e assentos vazios

Um estudo da Pluri Consultoria analisou a venda de ingressos em partidas de 30 competições disputadas no Brasil em 2012 (Copa do Brasil, Séries A,B,C e D + 25 estaduais) e chegou a conclusão de que a “taxa de ocupação dos estádios Brasileiros é de 21,8%“.
O economista Fernando Ferreira, responsável pelo levantamento, afirma queEm uma temporada completa (estaduais+nacionais) vendem-se 15 milhões de ingressos e encalham 55 milhões” e questiona: “Em qualquer setor da economia, quando você tem um produto com tal nível de encalhe, é de se esperar que se tomem medidas visando a redução de seu preço e/ou a melhora da qualidade do mesmo, de forma a resolver tal problema. Por que no futebol tem que ser diferente?” Ainda que se considere as peculiaridades do esporte/futebol me parece que o questionamento é bastante válido.
Esse é um ponto que tem me incomodado na Arena em 2013, o espaço ocioso (e os ingressos que deixam de ser vendidos). O economista Ricardo Araújo, autor do blog sobre Novas Arenas na revista exame, fez um raio-x sobre a Arena tricolor e abordou o tema:
A Arena, como projeto arquitetônico e execução, é muito boa. Funcional, possui ótimos espaços que podem ser aproveitados comercialmente (o número de lojas poderia ser maior), bem setorizada, bom acabamento geral, confortável para todos os públicos (público, atletas, e imprensa), visibilidade excelente de todos os setores (além de boa acessibilidade para cadeirantes), vagas internas de estacionamento em número razoável, boa quantidade de banheiros e pontos de alimentação, espaços de circulação amplos, áreas de hospitalidade muito confortáveis (bem decoradas e com metragem adaptável) e com bom espaço para ações corporativas.
Em relação à operação do estádio, ainda existem alguns desafios a vencer. Em termos de ocupação do mesmo, é preciso estabelecer rapidamente uma política de revenda dos ingressos não utilizados/confirmados pelos sócios do Grêmio. Lugar demandado e não ocupado, é prejuízo. Em termos comerciais, ainda existe dificuldade na venda dos camarotes, de estabelecer uma agenda mais profícua de eventos, na locação das lojas, e na venda dos direitos de nomeação. Além disso, ainda não foi encontrada uma solução tecnológica viável, em termos de custo x benefício, para permitir transmissão de dados suficiente para tornar a arena uma plataforma de negócios relevante
. “

E afinal, qual é a taxa de ocupação da Arena em 2013*? Abaixo segue uma tabela com os números da nova casa gremista, onde se vê que na média a ocupação nesses primeiros 19 jogos foi de 45,35%.

A maior ocupação ocorreu no Grenal (69,65%), a menor foi no jogo contra o Cerâmica (22,10%). Nunca é demais lembrar que a ocupação é um conceito relativo a capacidade do estádio. E capacidade da Arena oscilou no primeiro semestre de 2013. A capacidade máxima da Arena na partida contra a LDU era de 60.500 espectadores. Com o fechamento do setor da geral essa capacidade caiu para 52.000 torcedores (o que foi utilizada em todos os jogos do Gauchão e nas demais partidas da Libertadores). Com a readequação e liberação do setor da geral a capacidade máxima usada nas partidas do Brasileirão e Copa do Brasil foi de 57.500 pessoas. Mas para não ficarmos apenas em termos percentuais, podemos citar o dado de que  a média de público nesses primeiros 19 jogos foi de 25.102 espectadores (média de 23.134 pagantes por jogo).
E será que isso significa um acréscimo em relação a 2012? A média de público nos 36 jogos disputados no Olímpico no ano passado** foi de 24.55 (19.532 pagantes por jogo). Se considerarmos que a capacidade máxima do Olímpico em 2012 era de 47.000 lugares ***, a taxa de ocupação foi de 52,45%.
Ou seja, houve um ligeiro aumento na presença de público, mas o número de assentos vazios também aumentou. E o que fazer com essa capacidade ociosa? Será que esses lugares vagos não poderiam ser aproveitados para aumentar as possibilidades ofertadas hoje ao sócio-torcedor? É válido repetir que o já citado Ricardo Araújo afirmou recentemente no evento “IV Futebol em Debate”: A principal motivação do sócio é o acesso aos ingressos de forma fácil e com descontos“.

* Importante lembrar que o Grêmio jogou 4 partidas no Olímpico em 2013 (Todas pelo gauchão). A média de público desses jogos foi de 7.644 (6.545 pagantes por jogo), constituindo assim uma taxa de ocupação de 16,26% 

**Ao contrário do que se possa imaginar, o ano de despedida do Olímpico não teve um público acima da média recente. Um estudo da INDG apresentado no Conselho Deliberativo no ano passado fez uma análise do público no Estádio Olímpico Monumental entre 2007 a 2011 e chegou a conclusão de que média de público no período fica na casa dos 26 mil espectadores por jogo. 

*** Segundo a CBF, a atual capacidade do Estádio Olímpico é de 45.000 lugares. Contudo, tivemos registros de públicos superiores a 46 mil no ano passado. Assim achei por bem arbitrar em 47.000 a capacidade do Olímpico em 2012 para fins do cálculo da taxa de ocupação. 
 

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One Response to “Taxa de ocupação e assentos vazios”

  1. Matias Schuler Guenter Says:

    Me parece óbvio que a redução nos preços dos ingressos não é proporcional ao aumento de público que essa ação desencadeia. Não concordo com a frase: “tinha 10 mil pessoas que pagaram 100 pila, se reduz pra 50 pila teria 20 mil pessoas.”
    Então, para que o ganho financeiro se mantenha ao reduzir ingressos, seria aumentar o consumo dos torcedores.
    Mas isso da muito mais trabalho do que simplesmente aumentar o ingresso.

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