Fórmula do Gauchão 2014

E depois de 5 temporadas, mudou a fórmula do Gauchão. Talvez não tenha mudado o suficiente, contudo ocorreram mudanças interessantes. Mas antes de analisar essa mudanças acho interessante fazer um breve histórico desse processo de troca no formato do campeonato:

– Em setembro de 2013, foi noticiado que os “clubes do interior” gostariam de mudar a fórmula do Gauchão para um turno único com oito classificados para a etapa eliminatória a resposta do presidente da FGF, Francisco Novelletto foi a seguinte: “Isso é uma loucura. Metade dos times não terá nada a fazer quando chegar a oitava rodada. Não há a menor possibilidade de que isso vá adiante

– Ainda em setembro, Novelletto, disse, em resposta ao manifesto do Bom Senso FC, que “Não tem como enxugar o calendário porque ele já foi enxugado” 
8 dias depois, a Federação Gaúcha de Futebol anunciou  uma redução de quatro datas no Gauchão 2015. Em 10 de outubro Novelleto afirmou que fórmula teria “um turno único, que classificará os quatro melhores times às semifinais com dois jogos de mata-mata”.
Parecia tudo muito bom. Novelletto, apesar de negar, abandonou a sua interpretação estapafúrdia do Estatuto do Torcedor, e, no seu costumaz exercício de voltar atrás naquilo que havia afirmado, realizou mudanças no sentido de uma racionalização do calendário. Contudo, a fórmula final não foi exatamente essa anunciada em outubro
De fato haverá um turno único. Só que para efeitos de classificação os times estão, inexplicavelmente, divididos em dois grupos. Os quatro primeiros colocados do Grupo A e os quatro primeiro colocados do Grupo B avançam as quartas de final, que será  disputada em jogo único, assim como as semifinais. Apenas a finalíssima é disputada em duas partidas.  Pois bem, colocada a fórmula, vamos tratar dos avanços que ocorreram e dos problemas que persistem ou que poderão existir
AVANÇOS
– Diminuição de datas. Agora são 19, contra 23 da formato usado entre 2009/2013.
– O campeonato passa a ter data certa para acabar. Anteriormente o vencedor de dois turnos era campeão antecipadamente e as duas datas reservadas para as finais eram desperdiçadas.
– Classificação em turno único. Permite maior flexibilidade na hora de possíveis adiamento ou antecipação de jogos.
– Uma única fase eliminatória. O formato anterior implicava em jogos decisivos muito cedo na temporada.
– Não existe mais a possibilidade do campeão ser rebaixado.


PROBLEMAS QUE PODERÃO EXISTIR

– A classificação se dá por grupos, o que poderá acarretar sérias distorções. Por exemplo: O chaveamento das quartas de final será o seguinte: 1º Grupo “A” x 4º Grupo “B” ;” – 2º Grupo “B” x 3º Grupo “A e vice- versa. Ocorre que o mando do jogo único das quartas de final é do 1º e 2º colocado de cada grupo. Contudo pode acontecer que o terceiro e o quarto colocados de um grupo tenham uma campanha melhor do que a do primeiro e segundo colocados do outro, e ainda assim terão que decidir fora de casa.
– Ainda pior poderá ser uma eventual situação do 5º colocado de um grupo ter mais ponto que o 4º do outro e mesmo assim ficar de fora das semifinais. Não há como entender porque a classificação não é feita num único grupo de todos os participantes.
PROBLEMAS QUE PERSISTEM
– Os confrontos se repetem na fase classificatória. Pelo 5º ano seguido o Grêmio enfrenta o Juventude fora. Pela 4ª temporada seguida o Grêmio recebe o Lajeadense.
– Quartas de final e semifinal em um jogo único. A sistemática dos jogos de ida e volta é consagrada no futebol de clubes. O jogo único dá muito vantagem para o time que decide em casa, e como vimos acima, o time mandante pode até ter uma campanha inferior a do visitante. E no caso do gauchão, o jogo único nessas fases pode implicar na ausência de um tradicional atrativo da competição, que é o time grande tendo que visitar um pequeno no mata-mata.
– A troca de critérios. Para definição do mando de campo nas quartas de final o que vale é a posição final dos times no seu grupo. Nas semifinais e finais esse critério não vale mais, sendo adotada a melhor campanha do geral. Não era melhor usar um único critério em toda fase eliminatória? Da mesma forma, as quartas de final e semifinais são disputadas em um jogo único, para depois a final ser jogada em dois jogos.
– Os jogos do mata também são considerados na contagem para estabelecer a melhor campanha, o que pode causar desequilíbrio. Na fase classificatória todos jogam contra todos, e depois disso passa-se a somar um novo confronto, ficando prejudicada a equiparação dos desempenhos, (uma vez que as equipes semifinalistas ou finalistas, enfrentaram equipes diversas em mais de uma ocasião).
– Ao final da fase classificatória os times terão jogados um números de partidas ímpar, o que significa que alguns jogaram mais em casa do que os outros. E isso pode ter efeito depois, na hora de estabelecer a melhor campanha. Este é um problema que persiste desde 2009. Abaixo pode se ver como foram distribuídos os jogos em casa da dupla Gre-Nal desde então. Nota-se um favorecimento do Internacional, especialmente pelo fato de que em 2012 a FGF não honrou o compromisso de “espelhar” a tabela de 2011.

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