Archive for May, 2014

Brasileirão 2014 – Sport 0x0 Grêmio

May 29, 2014

Debaixo de chuva, Sport e Grêmio fizeram um jogo chato e não saíram do 0x0 na Ilha do Retiro.

Em outro contexto, poderíamos receber melhor essa primeira frase e valorizar o ponto conquistado fora de casa pelo tricolor. O problema é a sequência gremista na competição. Mais uma vez o Grêmio perdeu pontos contra um adversário que não se mostrou lá muito inspirado. Desfalcado, o Sport não criou tantas dificuldades. Chegou a incomodar em lances de velocidade pelo lado direito, aproveitando-se da ausência de proteção em Breno, mas o Grêmio tinha liberdade para tocar a bola e trabalhar as jogadas. Mas mesmo assim criou pouco. No primeiro tempo Alan Ruiz ameaçou em dois chutes de fora da área, mas a melhor situação ocorreu num lance que Pará puxou um contra-ataque e Werley apareceu na área para concluir.
No segundo tempo as chances do Grêmio rarearam. Barcos não aproveitou uma bola que ficou viva dentro da pequena área e Alan Ruiz bateu uma falta da meia lua direto na barreira. Nos minutos finais o Sport se animou e passou a arriscar diversos chutes de longa distância, tentando se valer do gramado molhado, mas Marcelo Grohe fez boas defesas. 
Enderson mexeu muito mal no time. Como era de se imaginar, Zé Roberto não estava marcando muito escalado de segundo volante, mas participava bastante do jogo no momento que o Grêmio tinha a bola. Contudo ele sumiu do jogo quando trocou de posição com a entrada do Mathues Biteco. E acredito que são poucos os jogadores que devem ser escalados mesmo estando fora de forma. Kleber, que baseia seu jogo no confronto físico, não é um deles. Aparentou estar totalmente sem ritmo ontem. Maxi Rodriguez, que resolveu um jogo na semana passada, sequer entrou em campo dessa vez.
É óbvio que o “tratamento” pode variar em cada “paciente”. Mas é no mínimo curioso que Luan foi para a reserva para “retomar confiança” enquanto Barcos permanece intocável durante os 90 minutos mesmo diante de uma série de atuações fracas.
Ainda que ganhe o próximo confronto, o Grêmio chegará nessa parada para a Copa do Mundo abaixo dos 66% (ou 2 pontos por jogo) ideais para um campeão.
Estranha esse combinação que a Adidas fez para o Sport. As clássicas três listras na camisa e no calção são douradas, mas na meia elas aparecem na cor branca.

Fotos: Alexandre Gondim (Jornal do Commercio), Aldo Carneiro (Lance), Getty (Terra)

Sport Sport 0x0 Grêmio Grêmio

SPORT: Magrão; Patric, Ferron, Ewerton Páscoa e Renê; Rodrigo Mancha, Rithely e Augusto (Wendel – 15’/2°T) César; Ananias (Flores – 30’/2°T), Érico Júnior (Mike – 22’/2°T) e Leonardo
Técnico: Eduardo Baptista.
GRÊMIO: Marcelo Grohe; Pará, Werley, Bressan (Saimon – 19’/1°T) e Breno; Edinho, Zé Roberto, Rodriguinho (Matheus Biteco – 16’/2°T), Alán Ruiz e Dudu (Kleber – 30’/2°T); Barcos
Técnico: Enderson Moreira

08ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2014
Data: 28/05/2014, quarta-feira,19h30min
Local: Estádio Ilha do Retiro, em Recife-PE
Público: 7.489
Renda: R$ 127.125,00
Árbitro: Marcelo de LIma Henrique (Fifa-RJ)
Auxiliares: Dilberto Pedrosa Moisés (ESP-RJ) e Luiz Claudio Regazone (ASP-Fifa-RJ)
Cartões amarelos: Pará, Dudu (GRE) Renê (SPT)

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20 anos da Copa do Brasil 1994 – Corinthians 2×2 Grêmio

May 28, 2014

Há exatos 20 anos o Grêmio dava um importante passo na conquista do seu segundo título, ao eliminar o Corinthians, no Pacaembu, logo nas oitavas de final daquela competição.
 O tricolor tinha um vantagem confortável (2×0) trazida do primeiro jogo no Olímpico. Felipão não contava mais com Gilson Cabeção, autor de um dos gols na primeira partida, mas Nildo, o seu substituto, começava a despontar (Fazendo a sua segunda partida com a 9 tricolor, após uma estreia vitoriosa diante do Grêmio Santanense). Contudo, o que realmente incomodava o técnico gremista, além de todo poderio corintiano (com Zé Elias, Rivaldo, Casagrande e Marques) eram as cobranças de falta de Marcelinho Carioca. O treinador gremista chegou a treinar um jogada de duvidosa validade onde Fabinho ficaria do lado de fora do campo e só entraria no caso de um chute certeiro do “Pé de Anjo”.
Marcelinho não fez gol de falta, mas bateu um escanteio que resultou no gol do zagueiro Henrique logo aos 50 SEGUNDOS de jogo. Ainda em vantagem, a equipe gremista não se abalou e empatou o jogo com um gol de Nildo (seu segundo em 2 jogos com a camisa do Grêmio) na marca dos 19 minutos. No final da primeira etapa, Marcelinho justificou a preocupação prévia ao aproveitar grande jogada de Rivaldo para desempatar o jogo. Mas aos 11 minutos do segundo tempo, o corajoso Fabinho se valeu da sua velocidade,em um contra-ataque para anotar o 2×2 final.



Fontes: Estado de São Paulo e Zero Hora

Corinthians 2×2 Grêmio

CORINTHIANS: Wilson; Valdo, Henrique, Moacir e Daniel (Elias); Zé Elias (Tupanzinho), Ezequiel, Marcelinho Carioca e Rivaldo; Casagrande e Marques

Técnico: Carlos Alberto Silva

GRÊMIO: Danrlei; Ayupe, Paulão, Agnaldo e Roger; Pingo, Jamir, Cláudio Freitas (Leônidas) e Carlos Miguel; Fabinho (Carlinhos) e Nildo

Técnico: Luiz Felipe Scolari

Oitavas de Final  – Jogo de volta
Data: 28/05/1994  –  Sábado – 16h00min
Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo

Público: 10.197 (8.822 pagantes)
Renda: Cr$ 64.631.500,00
Árbitro: Marcio Rezende de Freitas-MG
Auxiliares: Lincoln Afonso Borjaille Bicalho e Marco Antônio Martins 
Cartões Amarelos: Paulão, Fabinho

Gols: Henrique, aos 50 segundos do 1 tempo; Nildo,  aos 19 minutos do primeiro tempo e Marcelinho Carioca , aos 40 minutos  do 1° tempo; Fabinho aos 11 minutos  do 2° tempo.

Brasileirão 2014 – São Paulo 1×0 Grêmio

May 26, 2014

No gramado cheio de sereno do Morumbi, o São Paulo acabou com a sequência de vitórias do Grêmio. O início de partida gremista até que foi promissor. Com 3 volantes o time de Enderson Moreira ocupou o campo de ataque nos 10 primeiros minutos e chegou a criar situações de gol, como na bola que cruzou a pequena área de Rogerio Ceni após uma cobrança de falta. Mas passado esse entusiasmo inicial, o Grêmio foi perdendo o meio de campo e recuando a sua marcação. O São Paulo passou a rondar a área e até chegou a fazer com que Marcelo Grohe trabalhasse, mas em lances mal trabalhados. Apesar desse recuo, a melhor oportunidade do primeiro tempo foi gremista, na bola que Barcos arrancou da intermediária e ficou de frente para o gol, mas o chute saiu pela linha de fundo.
A situação não se alterou muito nos 45 minutos finais. O Grêmio seguiu muito preocupado com as armas ofensivas do São Paulo, que na verdade pouco ameaçaram. Ganso parece ignorar o fato que um jogo de futebol tem 90 minutos. Pato esteve sumido e Luis Fabiano segue preferindo brigar a jogar futebol. O jogo era fraco, o São Paulo não era melhor, o Grêmio não era pior e vice-versa. Mas aos 15 minutos Lucão fez o único gol da partida ao subir mais alto numa falta cobrada por Ganso. O Grêmio teve tempo para buscar o empate, mas Barcos perdeu a melhor chance, numa jogada que ele iniciou bem e terminou mal, no último minuto do jogo.

Grêmio não esteve numa noite muito inspirada. Ok, em um campeonato com 38 rodadas isso acontece. Mas o que o São Paulo precisou fazer pra levar os 3 pontos? 

E esse parece ser um problema do time no campeonato. Em nenhuma das vezes que o Grêmio perdeu pontos nesse Brasileirão isso aconteceu propriamente por uma grande atuação do seu oponente, e sim  pela sua própria apatia.
No post do jogo anterior, levantei a dúvida sobre quem seria o substituto de Alan Ruiz como “winger” pela direita (ou meia-direita para os mais tradicionais). Enderson optou por alterar o esquema, voltando para um 4-3-2-1. Não deu tão certo. Rodriguinho, que marcou gols importantes nos últimos jogos, esteve apagadíssimo. Dudu bem que se esforçou,  mas não conseguiu produzir muito. E se via um buraco no lado direito do ataque. Pará, que fez boa partida, avançava bastante, mas nunca encontrava um companheiro para dar sequência nas jogadas por ali.

Houve um toque de mão de Maicon dentro da área do São Paulo aos 44 minutos do segundo tempo. Acho totalmente compreensível interpretar o lance como involuntário, apesar do movimento do braço e do fato de que a mão direita (que tocou na bola) já não estava mais na frente do corpo. Até aí tudo bem, é questão de critério. Só não pra dizer que foi “absolutamente nada” ou “Nada, nada e nada!” é um certo exagero.

Ademais, cada um dos bandeirinhas cometeu um erro grosseiro em impedimentos do ataque gremista. E eu custo a acreditar que o Luis Fabiano não tenha recebido sequer cartão amarelo pela cotovelada que deu em Bressan.

Marcelo Grohe salvou o Grêmio contra o Fluminense. Vem fazendo um bom campeonato e estava bem no jogo. Contudo tomou um gol “estranho”, com diversos atenuantes (distância, campo molhado), mas vendo a bola passando por debaixo dele no lance fica muito difícil dizer que não foi frango.

Duas rodadas atrás Barcos disse que tinha que “dar explicações ao treinador e aos meus companheiros, não ao torcedor“. Como torcedor eu fico curioso para saber quais são essas explicações. Porque infelizmente ele segue precisando dar explicações. Teve duas boas chances para marcar (três, se considerarmos o lance do impedimento mal marcado no primeiro tempo, o que não é pouco num jogo fora de casa contra o São Paulo) e as desperdiçou. Me parece que o Barcos atua como capitão, líder, porta-voz e tantas outras funções dentro do vestiário que acaba lhe faltando tempo pra ser centroavante.

Fotos: Ale Cabral (Lance),  Sergio Barzaghi (Gazeta Press) e Rodrigo Capote (UOL)

São Paulo São Paulo 1×0 Grêmio Grêmio

SÃO PAULO: Rogério Ceni, Douglas, Antônio Carlos, Lucão e Reinaldo; Souza, Maicon, Ganso; Alexandre Pato (Pabon, aos 30’/2ºT), Osvaldo (Boschilia, aos 25’/2ºT) e Luis Fabiano. 
Técnico: Muricy Ramalho
GRÊMIO: Marcelo Grohe, Pará, Wesley, Bressan e Breno (Zé Roberto, aos 22’/2ºT); Ramiro (Maxi Rodriguez, aos 32’/2ºT), Riveros, (Matheus Biteco, aos 2’/2°T) Edinho, Rodriguinho e Dudu; Barcos. Técnico: Enderson Moreira

07ª Rodada  – Campeonato Brasileiro 2014
Data: 24 de maio de 2014, sábado, 21h00min
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo (SP)
Público: 14.992 pagantes
Renda: R$ 210.275,00
Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (FIFA-GO)
Assistentes: Fabricio Vilarinho da Silva-GO e João Patricio de Araújo-GO
Cartões amarelos: Souza, Ganso, Douglas e Maicon; Ramiro e Breno

Gol: Lucão, aos 15 minutos do segundo tempo

Semana sem Arena, mas com Mineirão, Maracanã e Couto Pereira

May 23, 2014

Como era de se imaginar, o prejuízo que o Grêmio teve ao ser obrigado ao enfrentar o Botafogo no Alfredo Jaconi foi considerável. Dentro de campo deu tudo certo e o tricolor somou mais 3 pontos importantes na competição. Mas é na questão da presença da torcida é que se encontram os problemas. Foi o menor público e a menor renda do Grêmio como mandante no Campeonato Brasileiro desde o empate com o Atlético Goianiense em novembro de 2011 (quando o time já não tinha nenhuma pretensão no campeonato) 
Por essas e outras é que eu considero esse assunto bastante relevante e, em razão disso, questionei na semana passada a ausência de uma manifestação oficial do clube sobre os motivos que levaram o clube a mandar seus jogos em Caxias do Sul. Pois nessa semana finalmente surgiu um posicionamento da diretoria do Grêmio, através um email enviado aos seus sócios (imagem acima). E de se louvar que isso tenha sido feito. Mas ainda me parece justo questionar o por que esse esclarecimento tenha sido feito somente no dia da partida contra o Botafogo e por que ele não foi publicado no site oficial do clube (visto que nem todos sócios e torcedores recebem os e-mails do clube).
Mas algumas dúvidas ficaram pendentes, especialmente pelo que vimos na rodada do Brasileirão disputada nessa semana. A Arena estava indisponibilizada, mas o Maracanã e o Mineirão receberam jogos normalmente. A desculpa para a diferença no tratamento estaria no fato de que estavam sendo realizados eventos testes no Rio e em Belo Horizonte, como se esses estádios já não tenham sido utilizados na Copa das Confederações e não venham recebendo jogos normalmente desde então. Mas o pior foi ver o Couto Pereira, que se encontra na mesma situação da Arena, de campo de treino, recebendo Coritiba x Inter poucas horas antes de Grêmio x Botafogo.

Como tem sido praxe, o vice-presidente Odorico Roman explicou no twitter que a diferença passa pelo fato de que O contrato de cessão fixa o “prazo de uso exclusivo” em DIAS antes do primeiro dia programado para sessões de treinos oficiais. Para o 1º jogo de Porto Alegre (França x Honduras – em 15/06), o Dia “D” definido pela FIFA era ontem, 21/05. Em Curitiba, Irã e Nigéria jogam em 16/06. O Dia “D” será hoje, um dia depois.“. A mim a explicação não convence. Especialmente se considerarmos que o prazo entre o começo do período exclusivo da Fifa e o primeiro jogo em cada estádio não é exatamente igual para todos. O Beira-Rio, o Mané Garrincha e a Arena da Baixada ficaram sob os cuidados exclusivo da FIFA a partir de 22 de maio, mas as partidas inaugurais em cada campo são em datas distintas (14/6, 15/6 e 16/6, respectivamente)

Ademais, Adalberto Preis, outro vice-presidente do Grêmio, disse na mesma rede social que “o caso do Coritiba pegou a todos de surpresa“. O que também é estranho, visto que a CBF enviou as federações estaduais a lista do  “Período de Uso FIFA de estádios e CT´s/ Copa 2014em primeiro de abril de 2014.

Me parece que a questão passa por uma total falta de razoabilidade. A direção do Grêmio não tentou ou não conseguiu a prorrogação em um mísero dia da data de início desse período de uso da FIFA? Se tentou, não seria o caso de se queixar publicamente da falta bom senso e equidade da CBF e do COL?

Por que é possível realizar eventos não esportivos (Costelaço no estacionamento E2 e Dimitri Vegas & Like Mike na esplanada) no estádio nesse período?

Por último, o que será que de tão extraordinário foi feito (se é que algo foi feito) na Arena nessa última quarta e quinta-feira que justificasse a indisponibilidade de uso pelo Grêmio na partida contra o Botafogo?

Brasileirão 2014 – Grêmio 2×1 Botafogo

May 22, 2014

Na chuva, no gramado encharcado do Alfredo Jaconi, o Grêmio conseguiu sua terceira vitória consecutiva no Brasileirão.Novamente com sofrimento, novamente por uma diferença mínima.Os 3 pontos desse jogo foram conquistados muito mais pela persistência e vontade dos atletas gremistas do que propriamente por brilhantismo técnico. Até porque o tricolor começou mal na partida. Logo aos 5 minutos, Carlos Alberto, num dos seus cada vez mais raros lampejos, conseguiu arrancar pelo meio da defesa e serviu Zeballos, que entrava pela diagonal na esquerda. Em condição legal, o centroavante paraguaio abriu o placar com um chute com o lado de fora do pé direito (“À la André Catimba”). O Grêmio buscou uma reação rápida, mas de maneira atrapalhada. O time perdia a maioria dos rebates e dava muito espaço para Carlos Alberto puxar contra-ataques. Por sorte o Botafogo não conseguiu se aproximar novamente da goleira defendida por Marcelo Grohe. Aos poucos o Grêmio foi se acalmando e passou a trabalhar a posse de bola no ataque. Como prêmio, chegou ao empate ainda no primeiro tempo. Pará cruzou rasteiro, Barcos jogou de pivô e Rodriguinho arrematou no canto. Com a visão obstruída e, consequentemente,  mal colocado o goleiro Renan não chegou em tempo na bola.
A dinâmica seguiu parecida no segundo tempo, ainda que o jogo tenha ficado mais truncado e tenso, com direito a cotoveladas, discussões e dedo na cara. Enderson mexeu o time, colocando Zé Roberto e Maxi Rodriguez para um gás final. E deu certo. Aos 36, o camisa 10 acionou o uruguaio, que avançou a dribles pela deve adversária e marcou o gol da virada num bonito chute de fora da área (que lembrou um pouco a jogada dos gols que ele marcou contra o Flamengo no ano passado)

Gostei muito da atitude dos jogadores em campo ontem. Ninguém baixou a cabeça para as fanfarronices de Carlos Alberto e Sheik e o time sempre foi para cima do juiz quando necessário. Na comparação com a apatia vista na primeira partida contra o Atlético-PR a mudança na postura da equipe é considerável.
A vitória de ontem foi muito legal, os resultados no Brasileirão são bons, mas não há como fugir do fato de que tivemos ontem o menor público do Grêmio no Brasileirão desde o empate com o Atlético Goianiense em novembro de 2011. Será que era preciso ser assim?

A RBS não passou o jogo nem para Porto Alegre e nem para Caxias do Sul. Segundo Gustavo Manhago, Contrato não permite. Jogos na tv aberta, no Brasileirão, não podem vazar para as cidades onde os jogos acontecem e nem para a sede do mandante. Estas só no PFC.”. Ocorre que no ano passado, Santos e Flamengo se enfrentaram em Brasília e o jogo passou para o Distrito Federal. E Atlético-PR e Flamengo jogaram em Joinville e o jogo foi transmitido normalmente para a cidade catarinense.

Alan Ruiz teve boas atuações nos últimos jogos. Sua ausência, por suspensão, certamente será sentida. Sem Luan, o substituto natural é Maxi Rodriguez. Resta saber qual será seu posicionamento. Tanto o uruguaio como Rodriguinho tem rendido mais jogando centralizados, próximos ao gol adversário. Já o argentino estava mais longe do gol, mais aberto pelo lado direito.

Fotos: Lucas Uebel (Grêmio.net) e Ricardo Rimoli (Lance)

 Grêmio Grêmio 2×1 Botafogo Botafogo

GRÊMIO: Marcelo Grohe; Pará, Werley, Bressan e Breno; Ramiro (Zé Roberto 34’/2ºT) e Riveros; Rodriguinho (Maxi Rodríguez 30’/2ºT), Alan Ruíz e Dudu (Edinho 39’/2ºT); Barcos
Técnico: Enderson Moreira
BOTAFOGO: Renan; Edilson, Bolívar, André Bahia e Junior Cesar; Airton, Gabriel (Sassá 37’/2ºT), Bolatti e Carlos Alberto (Gegê 24’/2ºT); Zeballos (Wallyson 21’/2ºT) e Emerson
Técnico: Vagner Mancini

06ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2014
Data: 20/5/2014, quarta-feira, 22h00min
Local: Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul (RS)
Público: 8.101 ( 7.010 pagantes)
Renda: R$ 183.940,00 
Árbitro: Flavio Rodrigues de Souza (SP)
Auxiliares: Kleber Lucio Gil (Fifa-SC) e Marcio Luiz Augusto (SP)
Cartões amarelos: Alan Ruíz, Barcos; Carlos Alberto, Emerson, Gabriel
Gols: Zeballos, aos 5 minutos, e Rodriguinho, aos 43 minutos do primeiro tempo;  Maxi Rodríguez (G), aos 36 minutos do segundo tempo

Brasileirão 2014 – Grêmio 1×0 Fluminense

May 19, 2014

O Grêmio tinha uma missão complicada na Arena hoje. Como mandante, teria que atacar o Fluminense, sem contudo ceder espaço para um contra-ataque armado por Fred, Conca & Cia. Apesar de ocupar o campo de ataque, o tricolor gaúcho tinha dificuldade em criar situações de gol. Rodriguinho, centralizado e mais projetado, até conseguia ser mais incisivo, mas Dudu e Alan Ruiz não iam tão bem ao sair das pontas em direção ao meio. Nos primeiros minutos de jogo Werley tentou três lançamentos em direção ao ataque. Aos 36 minutos, quando o Fluminense já tinha tomado o controle das ações, Werley avançou pelo lado direito do ataque e dessa vez optou por tentar uma enfiada rasteira, acionando Rodriguinho, que por sua vez chutou cruzado e marcou o único gol da partida.
No segundo tempo o Grêmio aparentemente abdicou da posse de bola em troca de tentar liquidar o jogo em contra-ataques. E teve chances para isso, mas esbarrou na ineficiência de Barcos que estava numa tarde pouco inspirada. Marcelo Grohe, por outro lado, esteve numa jornada espetacular, e foi muito por causa dele que o Grêmio conseguiu segurar o Fluminense, que pressionou até o final, mesmo estando com um jogador a menos desde os 24 minutos do segundo tempo.

Marcelo Grohe fez três defesas sensacionais. Foi, indubitavelmente, o grande nome do jogo. Muitas partidas são decididas pelo centroavante. A de hoje foi decidida pelo goleiro.

Werley, que não está no seu melhor semestre com a camisa tricolor, fez uma grande partida. Só não digo que foi impecável porque deixou Fred livre no lance que resultou na defesa “a la Gordon Banks” de Grohe. Mas, com exceção desse lance,  o camisa 9 da seleção foi muito bem marcado pela zaga gremista.

Ramiro, fez um segundo tempo espetacular. Especialmente se considerarmos que ele recebeu cartão amarelo ainda no primeiro tempo e seguiu combatendo e fazendo inúmeros desarmes depois disso.

Custo a acreditar que Sandro Meira Ricci será o representante da arbitragem brasileira na Copa do Mundo. Hoje ele foi muito mal na partida. Foi incoerente em diversas marcações. Teve uma jogada peculiar no primeiro tempo, quando ele marcou uma falta de Diguinho que matou um contra-ataque. O Grêmio tentou cobrar rapidamente, mas Sandro Meira Ricci nao autorizou a cobrança e foi em direção a Diguinho, como se fosse o advertir. Mas na verdade o juiz só aproveitou esse tempo para se reposicionar em campo. Por sorte ele não cometeu um erro mais grosseiro na partida. Contudo a questão dos acréscimos chegou a ser cômica. Num segundo tempo truncando, com expulsão e várias substituições ele sinalizou apenas 3 minutos de acréscimos, e encerrou o jogo aos 47 minutos e 30 segundos. No situação de hoje eu deveria achar bom, mas hipocrisia tem limite.
Apesar dessa sequência de duas vitórias eu sigo achando que o Luan tem lugar nesse time. Nenhum dos meias produziu mais que ele nesse ano.

Esse jogo teve o maior número de não pagantes, tanto em termos absolutos (11.923), como também em percentuais (38,15%) da história da Arena do Grêmio. Quantos desses não pagantes se dispunham a pagar ingressos caso não houvesse a promoção?

Gostei da volta da informação dos resultados dos outros jogos da rodada no telão/placar. Era um elemento que havia sido inexplicavelmente abandonado desde a saída do Olímpico. O que eu não gostei foi de ver portões fechados num jogo com mais de 30 mil pessoas (e ainda se esperava mais gente)

Fotos: André Kruse (Grêmio1983.blogspot.com)

Grêmio Grêmio 1×0 Fluminense Fluminense

GRÊMIO: Marcelo Grohe; Pará, Werley, Bressan e Breno; Ramiro, Riveros, Alan Ruiz (Zé Roberto 25/2°T), Rodriguinho (Maxi Rodriguez  33/2°T) e Dudu; Barcos.
Técnico: Enderson Moreira.
FLUMINENSE: Diego Cavalieri; Bruno, Gum, Elivélton e Carlinhos; Diguinho (Chiquinho  31/2°T), Jean, Wágner e Conca (Biro Biro 31/2° T); Rafael Sobis (Walter 16/2°T) e Fred.

Técnico: Cristovão Borges

05ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2014
Data: 17/5/2014, domingo, 16h00min
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre – RS
Público: 31.251 (19.328 pagantes)
Renda: R$ 734.734,00
Árbitro: Sandro Meira Ricci (DF)
Auxiliares: Emerson Carvalho (SP) e Marcelo Van Gasse (SP)
Cartões amarelos: Ramiro, Pará, Alán Ruiz (G), Fred, Elivélton (F)
Cartões vermelhos: Fred, aos 24 do 2°T
Gol: Rodriguinho aos 36 minutos do  1° tempo

Grêmio no Jaconi? Qual o motivo? Pode ser bom negócio?

May 15, 2014
E, faltando somente uma semana para a partida, o Grêmio finalmente comunicou em qual estádio enfrentará o Botafogo pela 06ª rodada do Campeonato Brasileiro 2014. Ocorre que a notícia publicada no site oficial apenas explica como se dará a venda de ingressos. Não há qualquer explicação sobre o porque desse jogo não ser em Porto Alegre. Presume-se que seja pelo fato da Arena ter sido cedida como campo de treinamento para a Copa do Mundo. Contudo, acredito que um tema desses não posso ser alvo de presunções pela torcida. O sócio que paga (e não paga pouco) para frequentar o estádio merecia uma comunicação oficial, uma explanação vinda da diretoria do Grêmio. É o mínimo que o clube pode fazer pelo seu associado. Mas esse é apenas mais um exemplo do persistente problema de comunicação que o clube tem.

Sobre este tema, consta na ata da Reunião do Conselheiro Deliberativo de 30 de Novembro de 2010 o seguinte:  “O conselheiro Nestor Hein parabenizou Adalberto Preis pelo trabalho e questionou se há obrigação legal de ceder a Arena para treinamentos da Copa de 2014, tendo o conselheiro Adalberto Preis respondido que o Grêmio tinha se obrigado no momento em que aceitou o convite , não havendo, porém, nenhuma sanção prevista para o caso de descumprimento.” Em recente manifestação no twitter, o vice-presidente Adalberto Preis disse que a situação se alterou “Dois anos depois, 20/11/2012” quando “foi assinado contrato com obrigações novas“.

Por ora pouco importa quando,como e através de quem o Grêmio se obrigou a emprestar seu campo a FIFA/COL. Eu provavelmente teria feito o mesmo para obter as isenções fiscais para a construção da Arena. A questão é que o Grêmio é sabedor dessa situação há, no mínimo, mais de um ano (e provavelmente desde 2010). Convenhamos que é um tempo suficientemente hábil para elidir ou minimizar os eventuais problemas decorrentes. Além do mais, o fato de ceder o estádio não necessariamente implica em ter que realizar jogos oficiais como mandante  longe dos seus domínios. É um absurdo que a CBF tenha marcado rodadas para o Brasileirão nesse período de “quarentena” dos principais estádios do país. O Grêmio, juntamente com os outros clubes prejudicados, poderia e deveria ter buscado evitar isso. Alternativamente, poderia ter sugerido um calendário onde os jogos desse período fossem de mando dos clubes que não passam por tal restrição. Aparentemente, nada disso foi feito.

A situação é surreal. Pegando apenas o exemplo aqui de Porto Alegre. O Inter, cujo estádio estará efetivamente na Copa do Mundo, pode jogar em casa em 3 ocasiões antes da parada para o mundial. Já o Grêmio, que apenas servirá como ponto de apoio, fará somente 2 jogos na Arena  até essa interrupção. Antes disso, jogará com o Botafogo em Caxias e sabe se lá onde contra o Palmeiras.

Mas respondendo a última pergunta do título. Pode ser bom negócio jogar no Alfredo Jaconi? Do ponto de vista desportivo é complicado fazer uma afirmação, mas na questão financeira e de direitos dos sócios é bem provável que não. E me baseio nos dados do ano passado para dizer isso.

Na primeira rodada do Brasileirão 2013 o Grêmio, por força de uma punição do STJD, foi obrigado a enfrentar o Náutico no campo do Juventude. O prejuízo foi evidente. O público presente foi de 11.925, praticamente a metade da média tricolor naquele campeonato (22.489 torcedores por jogo). A Renda, de R$ 268.290,00, foi a pior do clube na competição, e ficou bem aquém da média de R$ 755.411,00 que o Grêmio teve nos 19 jogos que fez como mandante. O número de sócios patrimoniais/contribuintes (2.110) e sócios-torcedores (467) foi disparado o menor do tricolor no torneio. E o número de não pagantes só não foi maior do que o das três partidas  onde era possível levar acompanhante de graça na Arena.

O Botafogo é um adversário mais tradicional e, provavelmente, mais qualificado que o Náutico. O atrativo é maior, mas essa partida será jogada numa quarta-feira as 22h00min, horário sabidamente pior para o público do que as 16h de domingo, que foi quando foi disputado o jogo contra o time pernambucano. Assim, dificilmente o Grêmio não sairá prejudicado dessa história. É mais um desses “detalhes” que pode acabar fazendo a diferença no final.

Brasileirão 2014 – Chapecoense 1×2 Grêmio

May 11, 2014

Apesar de já ter tido feito dois jogos nos seus domínios, a Chapecoense ainda não havia vencido no Brasileirão 2014, e assim tratou de fazer uma pressão nos primeiros 25 minutos de jogo. Nesse período o Grêmio não conseguiu frear a correria imposta pelo time da casa e Marcelo Grohe foi acionado três vezes, nos arremates de Régis, Ricardo Conceição e Leandro (Dois deles foram executados nas proximidades da pequena área). Mas passado esse sufoco inicial o tricolor conseguiu se soltar, contando especialmente com Dudu, que fazia o desafogo do ataque para a defesa. Foi dele a primeira conclusão do Grêmio, depois de uma tabela com Barcos. E a equipe gremista foi rápida em converter seu bom momento em gol. Logo aos 30, Rodriguinho cobrou escanteio na área, Alan Ruiz desviou de cabeça e Barcos completou, de virada, para as redes.
A reação da Chapecoense só foi acontecer na volta do segundo tempo. No primeiro minuto, Rafael Lima acertou a trave com uma cabeçada. Os mandantes se empolgaram e foram pra cima, mas deixaram espaços no contra-ataque. Numa primeira oportunidade, Barcos arrancou pela esquerda,  mas desperdiçou. Na segunda, o Pirata conseguiu acionar Luan, que prendeu a bola entre os adversários aguardando a passagem de Dudu, que por sua vez devolveu para o camisa 9 marcar o segundo gol tricolor. Depois disso a primeira vitória gremista fora de casa ficou bem encaminhada. A Chapecoense só descontou quando o Grêmio relaxou nos minutos finais.

A amostragem é muito pequena. Mas se considerarmos que o Grêmio jogou 3 das 4 partidas fora de casa da pra dizer que a campanha é boa. O grande problema foi não ter somando ponto contra o Atlético-PR em um campo neutro.
O Werley batendo falta é uma completa novidade para mim. Contudo, apesar dessa ocorrência, o Grêmio melhorou nessa questão da bola parada. No primeiro tempo ficou claro que Rodriguinho era o responsável pelas cobranças de escanteio e em um deles saiu o primeiro gol.
Eu achei injusta a ida do Luan para o banco. Acho que não é assim que se resolve o suposto problema de confiança. Ademais, por rendimento (considerando toda a temporada), jamais poderia perder posição para o Alan Ruiz. Mas se o problema é físico, aí já são outros 500. E hoje, logo na sua primeira jogada, ele foi fundamental na elaboração do segundo gol.
Não achei a comemoração do Barcos tão provocadora assim para merecer um cartão amarelo. Mas vamos combinar que um jogador com a experiência dele não deveria ficar tão abalado com a corneta da torcida adversária.
Grande presença da torcida tricolor em Chapecó. Por essas e outras que sempre me valho do critério “proximidade geográfica” na torcida por times que disputam o acesso.

Fotos: Diego Carvalho (Chapecoense)

Chapecoense Chapecoense 1×2 Grêmio  Grêmio

CHAPECOENSE: Danilo; Ednei, Rafael Lima, André Paulino e Neuton; Abuda (Alemão, Intervalo), Diones, Ricardo Conceição e Régis (Neném, 24’/2ºT); Fabinho Alves (Tiago Luís, 39’/2ºT) e Leandro
Técnico: Gilmar dal Pozzo
GRÊMIO: Marcelo Grohe; Pará, Werley, Bressan e Wendell; Edinho, Riveros, Alan Ruiz (Luan, 16’/2ºT), Rodriguinho (Ramiro, 16’/2ºT) e Dudu (Zé Roberto, 33’/2ºT); Barcos

Técnico: Enderson Moreira.

04ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2014
Data: 11/5/2014, domingo, 16h00min
Local: Arena Condá, em Chapecó-SC
Público: 19.175 pagantes
Renda: R$ 595.640,00 

Árbitro: Dewson Fernando Freitas da Silva (PA)
Auxiliares: Márcio Gleidson C. Dias (PA) e Heronildo Freitas da Silva (PA)
Cartões amarelos: A.Paulino e Rafael Lima; Dudu, Edinho, Barcos e Luan
Gols: Barcos, aos 30 minutos do primeiro tempo, e aos 19 minutos do segundo tempo; Tiago Luis, aos 46 minutos do segundo tempo.

Cadastramento de torcedores no Taylor Report

May 8, 2014
Recentemente causou grande revolta a notícia de que “Uma reunião entre Ministério Público, Brigada Militar, representantes da Arena Porto Alegrense e direção do Grêmio definiu que a arquibancada norte do Estádio da Arena será destinada apenas para as torcidas organizadas. Para tanto, o Grêmio irá cadastrar, conforme prevê o Estatuto do Torcedor, os integrantes interessados até 30 de junho. A partir dessa data, só será permitido o ingresso de quem estiver no cadastro. O público em geral que quiser assistir aos jogos no local deverá, obrigatoriamente, escolher uma das organizadas e se cadastrar.”
A diretoria do Grêmio publicou nota dizendo que não teria concordado de imediato com essa proposta, uma vez que “Na ata da reunião realizada na sede do MP, consta, nas linhas 28 e 29, a seguinte informação: O Coronel Élvio informa que estará encaminhando cópia desta ata, ao Conselho Deliberativo, para a devida análise.“, e de fato tal trecho consta na ata, o que acaba ficando, no mínimo meio dúbio em face de uma frase anterior no mesmo documento onde se lê que o decidido foi “consignado, por consenso, entre os presentes”.
Poderíamos aqui questionar a legitimidade e a postura do representante do Grêmio nessa reunião, mas por ora me chama mais atenção a conduta do Ministério Público no caso, uma vez que diante da controvérsia voltou a afirmar que “que o cadastro das torcidas organizadas e sua separação ocorrem por força de lei (Estatuto do Torcedor).”
Pois bem, reli a lei 10.671 e confesso que não encontrei ali nenhuma previsão sobre a necessidade de um setor específico para torcidas organizadas. Tampouco achei alguma norma que sustentasse a proposta de que alguém deveria ser obrigado a se cadastrar numa torcida organizada para poder frequentar algum setor do estádio.  Bem que tentei, mas não consegui entender no que se baseia o ministério público ao querer impor um cadastro para os torcedores.
Uma das vantagens de não ser estar na vanguarda (para não dizer estar no atraso) dessa questão do tratamento de torcedores é poder aprender com erros e acertos dos órgãos públicos e clubes de outros países. E na questão de segurança nos estádios não há outro paradigma que não a Inglaterra e o Taylor Report (tema já tratado anteriormente aqui no blog).
Após a tragédia de Heysel, o governo conservador de Margaret Thatcher buscou implementar uma série de medidas para solucionar a questão do hooliganismo nos estádios ingleses. A mais infame delas foi a proposição do o “Football Spectators Act 1989”, que previa um tal de “membership scheme” onde todo e qualquer torcedor precisaria ter um cadastro e um cartão de identidade correspondente para frequentar as arquibancadas da Inglaterra e País de Gales.

No Trivela, Ubiratan Leal explicou bem o clima na Inglaterra na virada dos anos 80 para 90:

“O senso comum credita muita das mudanças que ocorreram no futebol inglês a Thatcher, mas ela teve pouca ou nenhuma influência em tudo o que aconteceu. A principal bandeira do Partido Conservador britânico era identificar os torcedores com carteirinhas, sob o Ato de Espectadores de Futebol de 1989. Houve um protótipo disso no Luton Town, cujo presidente David Evans era membro do parlamento pelos Conservadores. “Você teria que passar o cartão pela catraca para ganhar acesso. Cada torcedor teria o seu. Não teria como funcionar, especialmente naquela época em que a tecnologia não havia avançado o suficiente. Teria sido um desastre. De certa forma, Hillsborough salvou o futebol inglês de algo que não daria certo”, analisa o jornalista inglês Tim Vickery, correspondente da BBC no Brasil. A exigência da carteirinha pode parecer boba aos olhos brasileiros, mas é uma atitude agressiva em um país em que não há a cultura de se carregar identidade, e nem da polícia de pedir por essa identificação.”

O gabinete da Primeira Ministra se esforçou muito pela aprovação de referida medida, mas acabou esbarrando nas conclusões do Lord Justice Taylor em seu paradigmático relatório que, ao analisar algumas críticas ao projeto (A desproporcionalidade, a injustiça, os espectadores casuais,  a diminuição da renda dos clubes, o perigo de congestionamento e desordem, a real probabilidade de eliminar os hooligans e os reforços policiais) concluiu que não só achava a ideia pouco prática e ineficaz como também temia que a medida poderia aumentar os problemas fora do estádio. Tal conclusão está no parágrafo 419 do Taylor Report:

“419. I therefore have grave doubts whether the scheme will achieve its object of eliminating hooligans from inside the ground. I have even stronger doubts as to whether it will achieve its further object of ending football hooliganism outside grounds. Indeed, I do not think it will. I fear that, in the short term at least, it may actually increase trouble outside grounds.”. (Numa tradução livre: “Eu temo que, ao menos em curto prazo, ele possa na verdade aumentar o problema fora dos estádios)


O interessante é que existe ampla documentação sobre esse debate na internet. Há um site sobre o Hillsborough Independente Panel que revela alguns memorandos trocados entre membros do governo sobre o assunto na época. Destaco três deles nos links abaixo.
Memo from Cabinet Office: briefing for PM Margaret Thatcher; Taylor’s conclusions on National Membership Scheme; Government response and line to take

Nesse trecho, o líder do Partido Trabalhista, Neil Kinnock, perguntou  a Primeira Ministra se ela  “entendia que membros de ambos os lados da Câmara dos Comuns e as pessoas por todo o país iriam considerar a decisão dela de forçar a passagem do seu esquema de cartões de identidade como uma ofensa ao bom senso e a decência?

Nessa nota enviada para a Primeira Ministra, o secretário de estado explica as conclusões do relatório Taylor e seu possível impacto nas medidas pensadas por Thatcher. Consta no trecho sublinhado “De fato, ele (o relatório) sugere que se você tratar as pessoas como animais elas irão se comportar como animais

 

 Há quem defenda que o modelo adotado na Inglaterra não serve para o Brasil. Tal posição me parece bem razoável, visto que não se pode simplesmente importar medidas sem observar a cultura local. Contudo, não considero ser muito sábio ignorar os exemplos vindos de fora e toda a experiência de nação futebolística que passou anteriormente por uma situação bem parecida.

Brasileirão 2014 – Santos 0x0 Grêmio

May 4, 2014

Algumas vezes  um 0x0 não condiz com a movimentação e com o que as equipes mostraram em campo. Em outras, um placar em branco é a perfeita expressão do que aconteceu durante os 90 minutos. Creio que o jogo de ontem se encaixa nessa segunda categoria. Santos e Grêmio fizeram um confronto de pouquíssima inspiração logo na 3ª rodada do Brasileirão. O time da casa só pressionou em lances de bola parada, enquanto as melhores chances foram tricolores, como na jogada que Dudu entrou driblando dentro da área adversária e errou a conclusão e na bola que que Barcos roubou no campo de ataque mas não conseguiu dar um bom passe para Luan. Mas depois disso o Grêmio foi perdendo presença no ataque e o Santos passou a ter a bola mais próxima a área de Marcelo Grohe, mas levou pouquíssimo perigo até o apito final.
Enderson Moreira repetiu o esquema  4-5-1 com 2 volantes, mas percebi uma pequena alteração na parte ofensiva. Luan, centralizado, era o mais avançado dos meias, de modo que o esquema poderia também ser visto como um 4-4-1-1, diferente do que ocorria em outros jogos onde os jogadores das pontas eram os mais adiantados (quase um 4-3-3).

Pelo histórico do Grêmio na Vila Belmiro o empate contra o Santos fora de casa pode ser considerado um bom resultado. Mas pelo que se viu em campo ontem dava pra querer mais. O Santos esteve muito mal, Thiago Ribeiro e Cícero (suas principais figuras) estavam apagadíssimos. Era uma noite para aproveitar. O Grêmio, mesmo sem fazer grande jornada, foi levemente superior e poderia ter saído da Baixada Santista com 3 pontos.

Mas tentar enxergar coisas boas que aconteceram na partida. Por exemplo: Dessa vez o Grêmio não tomou gol do “Gabigol”, o que pode ser visto como uma grande conquista.

Eu custo a acreditar na informação que circulava ontem de que nenhum dos 7 integrantes do Conselho de Administração do Grêmio estave presente com a delegação em Santos. O clube não pode ser representado somente pelos seus funcionários. Não é esse o modelo do Grêmio. Não foi para isso que a diretoria foi eleita pelos sócios.

Fotos: Ivan Storti (Santos FC e Lance)

Santos Santos 0x0 Grêmio Grêmio

SANTOS: Aranha; Cicinho, David Braz, Jubal, Emerson; Arouca, Alan Santos e Cícero; Gabriel (Lucas Lima – 27’/2°T), Leandro Damião (Geuvânio – 15’/2°T) e Thiago Ribeiro (Stéfano Yuri – 37’/2°T)
Técnico: Oswaldo de Oliveira.
GRÊMIO: Marcelo Grohe; Pará, Werley, Pedro Geromel, Wendell; Edinho, Riveros, Dudu (Everton – 42’/2°T),  Luan (Rodriguinho – Intervalo) e Alán Ruiz; Barcos (Lucas Coelho – 33’/2°T).

Técnico: Enderson Moreira

03ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2014
Data: 03/05/2014, sábado, 18h30min
Local: Vila Belmiro, Santos (SP)
Público: 7. 934
Renda: R$ 135.580,00
Árbitro: Ricardo M. Ribeiro (MG)
Auxiliares: Guilherme D. Camilo e Pablo A. da Costa (MG)
Cartões amarelos: Alan Santos (SAN) Edinho (GRE)