Eleição para o Conselho Deliberativo 2016

Neste último sábado, dia 24 de setembro de 2016, ocorreu a eleição para a renovação da metade das cadeiras do Conselho Deliberativo do Grêmio.

Foram “1902 votos presenciais e 4553 votos pela internet […] totalizando 6455 associados participantes“.

CHAPA 1 – O GRÊMIO QUE EU QUERO – 880 votos (13,63%)
CHAPA 2 – GRÊMIO FORTE E CAMPEÃO – 1.272 votos (19,71%)
CHAPA 3 – MAIS GRÊMIO – 1.280 votos (19,83%)
CHAPA 4 – JUNTOS SOMOS GRÊMIO – 3.012 votos (46,66%)
6 votos em brancos (00,09%)
5 votos Nulos (00,08%)

Uma vez que a Chapa 1 não ultrapassou a cláusula de barreira de 15% prevista no artigo 57, §3º do Estatuto, as cadeiras no conselho ficaram assim distribuídas:

Chapa 4 – 54,00% das vagas (81 conselheiros e 16 suplentes)
Chapa 3 – 23,33% das vagas  (35 conselheiros e 7 suplentes)
Chapa 2 – 22,67% das vagas (34 conselheiros e 7 suplentes)

Eu concorri e fui reeleito pela chapa 3. Fico muito contente com isso e sigo ciente da responsabilidade envolvida. Lamento que muitos companheiros de chapa, que certamente contribuiriam  para a renovação e qualificação do Conselho, não foram eleitos. Mas em relação ao resultado da eleição só nos caber fazer análises, e não fazer questionamentos diretos a sua legitimidade (muito embora eu permaneça convicto de que não deveria existir cláusula de barreira para o conselho)

Chamou atenção o baixo número de votantes (16,98% é o menor percentual de comparecimento desde 2010), uma vez que 38 mil sócios estavam aptos a votar. A partir disso, uma parte da torcida iniciou a fazer uma série de manifestações negativas sobre a eleição realizada no sábado. Fiquei um pouco incomodado com algumas questões colocadas nessas manifestações.

Nos dias anteriores e posteriores a votação se repetiu, sem nenhum pudor, a tese (infundada) de que as eleições atrapalham o rendimento do time. Parece haver uma confusão nos conceitos. Os eventuais excessos nas disputas políticas do Grêmio são um sintoma, e não a causa, da falta de títulos do clube. E mesmo clubes vitoriosos passam por processos eleitorais acirrados (como o Grêmio entre 1981 e 1983, ou o Barcelona entre 2009 e 2011).

Ainda mais preocupante me pareceu a tentativa feita por muitos de usar o baixo número de votantes para justificar um ar blasé ou de desdém com as eleições no clube. Apesar dos pesares, a eleição para o Conselho do Grêmio teve o dobro de votantes do que as últimas eleições para PRESIDENTE do Flamengo e do Corinthians. A realização da votação custa muito dinheiro para o clube, que se obriga a contratar uma série de serviços e  mobiliza mais de uma centena dos seus funcionários para trabalhar no dia do pleito. A isto tudo se somam ainda diversas pessoas que contribuem de forma voluntária para o processo ( e aqui me incluo como Secretário do Conselho).

Sei que a abstenção é uma forma válida de participação no processo democrático. Mas ao contrário do que andam apregoando, não é uma forma revolucionária de participação. Nada no clube vai ser alterado ou aprimorado por meio de abstenção.

Entendo que as pessoas tenham restrições e queixas à forma que é feita a eleição. Mas estas queixas só podem ser atendidas através do diálogo e da participação. Nunca é demais lembrar até 2004 não havia eleição direta para presidente do Grêmio. Até 2007 a eleição para o conselho não era proporcional. A cláusula de barreira, depois de uma tentativa frustrada em 2009, foi reduzida de 30% para 20% em 2011. E foi mais uma vez reduzida, de 20% para 15%, em 2015. Em 2012 foi instituído o voto por correspondência e em 2014 foi implementado o voto pela internet. Nesse ano, sem que haja nenhum proibição nesse sentido, deixamos de ver a repetição das mesmas pessoas em mais de uma chapa. Ou seja, ocorreram significativos avanços e aprimoramentos no processo democrático, ainda que não  tenham acontecido na velocidade que muitos esperavam.

Igualmente compreendo que nem todos consigam captar plenamente quem são os agentes que participam das eleições e quais suas efetivas bandeiras, visto que muito dos materiais de campanha parecem ser feitos de maneira propositalmente genérica ou contraditória. Mas a resposta para tal fato é exigir uma melhor comunicação dos conselheiros, dos movimentos políticos e do próprio clube com o associado (Eu sempre pautei minha atuação no conselho por exigir mais transparência e melhor comunicação, e esta foi uma das propostas defendidas pela chapa que eu integrei). A tentativa de colocar todos os integrantes e todos os concorrentes numa vala comum de desprezo é, no mínimo, injusta.

É preciso entender que o Grêmio não tem dono e ninguém tem o direito divino de comandar o tricolor. A administração do clube é feita pelos próprios sócios, escolhidos pelos seus pares para representar a totalidade do quadro social nos órgãos da entidade (seja no Conselho de Administração, seja no Conselho Deliberativo). Diante disso, o processo democrático no Grêmio deve ser sempre alvo de zelo pelos gremistas e não de menosprezo.

 

 

 

 

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