Eleição sem debate

A Chapa 1 se mantém afastada dos debates eleitorais como forma de garantir a harmonia indispensável ao clube neste dias que antecedem a disputa em campo

É irrelevante daqui para frente fazermos debates que possam comprometer a qualidade da preparação para a final. Daqui para frente, qualquer conceito não será debater o clube publicamente

A ausência de debates vai contra os interesses do clube. Se não querem debater, não deveriam nem marcar a eleição

Estranho muito essa fuga do debate do presidente. Faço o desafio para que ele venha debater para que os conselheiros sejam esclarecidos

É clara a diferença de entendimento entre as duas primeiras e as duas últimas frases transcritas acima. Mas elas foram ditas por pessoas que integram a mesma Chapa na eleição do próximo sábado.  As duas primeiras são do Presidente Romildo Bolzan, em 2016 e as duas últimas são do Vice-Presidente Adalberto Preis, em 2000 (quando então era candidato a presidente pela oposição).

Entendo que eventual mudança de entendimento possa ser encarada como algo salutar, desde que acompanhada de alguma justificativa concreta e não por mera conveniência. A pertinência ou não de debates me parece ser uma questão essencialmente conceitual, sendo difícil imaginar quais seriam as circunstâncias que explicariam uma mudança neste tema. Eu acho que o debate é tão ou mais importante hoje do que era no 2000.

Tenho a impressão que as discussões no Grêmio, de um modo geral, são bastante rasas. Não é raro que argumentos mais elaborados sejam atropelados por sofismas e falácias. A supressão de debates em períodos eleitorais, com base na tese infundada de “não atrapalhar o time” , só tende a piorar esse cenário.

O momento na cidade, no estado, no país e no mundo, é complicado para falar em política. Entendo o cansaço e a desilusão que muitos tem com o processo democrático, mas acredito que a frase de Churchill de que “a democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempo” segue sendo válida. E democracia não pode se resumir a realização de eleições. E uma eleição não pode se resumir em uma votação para referendar mandatos. A importância do debate vai muito além da possível influência no resultado da votação.

O debate é a melhor oportunidade de um diálogo direto entre os candidatos. Um boa oportunidade também de diálogo entre os eleitores e os candidatos. Uma oportunidade da situação fazer um balanço das suas ações, de mostrar seus avanços e também ter um pouco de autocrítica. Uma oportunidade da oposição ser ouvida em suas críticas e sugestões. Uma oportunidade dos candidatos assumirem alguns compromissos públicos. Sem debate, todas essas oportunidades serão perdidas.

Ocorreram debates entre os candidatos a presidência do Grêmio em todas as eleições desde que foi implementada a votação direta para presidente em 2004. É uma pena que essa tradição seja rompida. É uma pena que não teremos discussões sobre check-in, sobre valores de ingressos e mensalidades, sobre o tratamento dispensado ao sócio torcedor, sobre as promoções que privilegiam o não-sócio, sobre a queda nas receitas de marketing, sobre a falta de investimento na base, sobre transparência, sobre o excesso de personalismo na comunicação do clube, sobre o fato de informações oficiais do Grêmio serem divulgadas antes (quando não somente)  em contas pessoas de dirigentes, sobre política de futebol. É uma pena.

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