Libertadores 1990 – Cerro Porteño 3×1 Grêmio

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O primeiro confronto entre Cerro Porteño e Grêmio pela Libertadores aconteceu em 30 de março de 1990,  no Defensor Del Chaco.

O jogo era válido pela 3ª rodada do Grupo 5. O tricolor estreara com vitória contra o Vasco em casa, mas perdeu para o Olimpia em Assunção na segunda rodada.

O Cerro, que contava com Catalino Rivarola na sua defesa, ganhou de virada, sendo que o placar de 3×1 foi todo construído no segundo tempo. O resultado negativo e o mau futebol apresentando no Paraguai acabou resultando na demissão do técnico Paulo Sérgio Poletto na volta do Grêmio para Porto Alegre.

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Fotos: Valdir Friolin (Zero Hora)

“GRÊMIO PERDE QUATRO PONTOS E A VOZ
Cerro virou o placar, 3 a 1, Poletto mexeu errado outra vez e os jogadores recusaram—se a falar no Paraguai. O Olímpico vai ferver
O Grêmio mudou o time, trocou de camisa, entrou em campo cumprindo um ridículo pacto de silêncio contra a imprensa gaúcha (como se fosse ela a culpada pelo mau futebol da equipe), mas nada disso adiantou. Voltou a perder, desta vez para o Cerro Portenho, por 3 a 1, e ficou numa situação ruim no grupo 5 da Libertadores da América, com apenas dois pontos em três jogos. Foi a terceira derrota em nove dias, e o técnico Poletto volta a Porto Alegre ameaçado de perder seu cargo, prova maior da crise que se abateu sobre o clube.
Isso que a disposição do Grêmio contra o Cerro foi bem diferente daquela apresentada contra o Olímpia, na terça-feira. Ontem a equipe estava mais corajosa, mais ofensiva, e através de uma intensa movimentação de Darci e Paulo Egídio, conseguia atacar com frequência. Só não atingia melhores resultados porque Nilson, perdido no comando do ataque, não acompanhava a boa produção dos ponteiros. Neste primeiro período do jogo, a equipe só foi ameaçada pelos paraguaios numa única oportunidade, aos 32 minutos, quando o árbitro não assinalou impedimento de Jacquet e o lateral, na cara de Mazaropi, chutou mal, para fora.
No segundo tempo, um jogador que estivera “apagado” no primeiro, começou a se destacar: Cuca. Ele concluiu com perigo aos 9 minutos, e fez um gol aos 10. Parecia que a vitória se consolidaria com facilidade. Mas o Cerro, com uma disposição que não tivera no início, foi para cima, e aos 22 minutos, através de Sanabria (que substituíra Perez), conseguiu o empate. Torcedores e jogadores paraguaios enlouqueceram, assustaram os gremistas, e um minuto depois Garay conseguia o segundo gol. Virada. Aos 42 minutos Sanabria voltou a marcar, consolidando a vitória. O fracasso gremista no Paraguai foi completo. Ainda pela Libertadores, no Equador o Emelec empatou com o Petrolero em 2 a 2″ (Antonio Celso Sampaio – Enviado ao Paraguai – Zero Hora 31 de março de 2018)

“O Engano de Assunção
Quem leu as livros de Edgar Allan Poe sabe que o escritor norte-americano era mestre em criar histórias de terror, perseguições, de assombrações. Pois parece que os jogadores do Grêmio gostam muito do mestre maldito da literatura universal. Tanto que resolveram entrar para a galeria de seus personagens e encenaram a montagem de uma peça que tem como argumento a perseguição da imprensa ao grupo de atletas. Como nas páginas de Poe, eles vêem fantasmas onde não existem e sombras nascidas de uma única palavra: covardia, que foi usada pelo repórter Sérgio Boaz, da Rádio Gaúcha, no final da partida contra o Olímpia.
Parece que os jogadores não entenderam o contexto em que a palavra foi mencionada e inverteram tudo. Ela não quis caracterizar os atletas como homens acovardados, medrosos, mas pretendeu definir a omissão ofensiva da equipe em campo, a satisfação com o empate num jogo que se tivesse o ritmo forçado poderia ter rendido os dois pontos e a liderança do grupo consolidada. O que se referia ao plano tático foi levado para o lado pessoal. Triste engano.
O resultado foi a indignação e a lei do silêncio os jogadores resolveram não dar mais entrevistas a nenhum jornalista brasileiro em Assunção. Para os repórteres um prejuízo provocado pelo lamentável erro de interpretação acontecido depois de uma derrota dolorosa, no calor dos acontecimentos e mantido do, conto quem insiste em ver fantasmas e terror. Todos querem vitórias gaúchas. Isso traz prestigio para as próprios jogadores. Quem sabe os do Grêmio deixam as assombrações para os livros de Edgar Poe, cerram as cortinas desta peça sem humor e põem os pés no chão? Especificamente no gramado, ali é o lugar de se dar as resposta, com belas jogadas e gritos de gol. E nunca com o silêncio, como em Assunção” (Antonio Celso Sampaio – Enviado ao Paraguai – Zero Hora 31 de março de 2018)

“Gols:  para o Grêmio, 1 a 0 aos 10 minutos do segundo tempo – Paulo Egídio cobrou escanteio, Nilson desviou e Cuca, caindo, chutou para marcar.

Sanabria para o Cerro Portenho, 1 a 1 aos 22 minutos do segundo tempo — O jogador paraguaio, que substituíra Perez, se livrou com facilidade da zaga e chutou forte no canto direito.

Garay para o Cerro  Portenho, 2 a I aos 23 minutos do segundo tempo — Outra falha da confusa zaga gremista. A bola sobra para Garay que chuta sem defesa para Mazaropi.

Sanabria para o Cerro Portenho, 3 a 1 aos 42 minutos do segundo tempo — Após falta, Palacios desviou de cabeça e Sanabria completou para as redes.” (Zero Hora 31 de março de 2018)

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Cerro Porteño 3×1 Grêmio

CERRO PORTEÑO: Roberto Fernandez; Teófilo Barrios, Blás Cristaldo, Catalino Rivarola e Justo Jacquet,; Pedro Garay, José Riveros e Juan Battaglia; Mauricio Pérez (Miguel Sanabria 15 do 2ºT), Emelio Palácios e Ceferino Villagra
Técnico: Sérgio Markarián

GRÊMIO: Mazaropi, Alfinete, Luis Eduardo, Vílson e Hélcio; Jandir, Darci (Assis 23 do 2ºT), Cuca e Geverton (Nando 37 do 2ºT); Paulo Egídio e Nílson.
Técnico: Paulo Sérgio Poletto

Copa Libertadores da América de 1990 – Grupo 5 – 3ª Rodada
Data: 30 de março de 1990, sexta-feira, 21h00min
Local: Estádio Defensores del Chaco, em Assunção, Paraguai
Árbitro: Oscar Ortubé (BOL)
Auxiliares: Jorge Antequera e Mario Prado
Gols: Cuca, aos 10 minutos; Sanabria, aos 22; Garay, aos 23 e Sanabria aos 42 minutos do segundo tempo

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