Copa do Brasil 2004 – Grêmio 0x1 Flamengo

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Foto: Mauro Vieira (Zero Hora)

O último confronto de Grêmio e Flamengo pela Copa do Brasil em Porto Alegre aconteceu em maio de 2004, pela partida de ida das quartas de final. E o tricolor acabou sendo derrotado no Olímpico (algo que se repetiu com alguma frequência naquela temporada).

É interessante notar a obsessão do jornalista que fez a matéria do O Globo com o Cocito. Ao meu ver uma pegação no pé meio desmedida. Na minha memória o Cocito não era muito mais violante que a média dos camisas 5 que atuavam no Brasil no início dos anos 2000*. Acho que essa perseguição passa pela fatídica lesão do Kaká em 2001 e pela irresistível galhofa de repetir o apelido de “Coicito”.

* O próprio Douglas Silva** que atuou elo Flamengo nesse jogo viria a jogar no Grêmio no ano seguinte e “batia” tanto com o Cocito.
** Por falar em Douglas Silva, há uma confusão no artigo dele na Wikipedia***. Quem fez gol no Peñarol em 2003 foi o lateral esquerdo Douglas Delfino.
*** Wikipedia em português é uma das piores fontes de pesquisa de toda a internet
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Foto: Mauro Vieira (Zero Hora)

FALTOU TALENTO
O Grêmio precisará melhorar muito para o jogo de volta, na próxima semana, no Maracanã. Ontem, no Olímpico, time gaúcho criou poucas jogadas de ataque e acabou derrotado por 1 a 0 pelo Flamengo. Agora, terá de vencer por um gol de diferença fora de casa para passar à semifinal da Copa do Brasil.

Nada deu certo para o Grêmio. O time começou nervoso, inseguro, e não teve, novamente, qualidade para fazer gols no Flamengo. Marcando tanto quanto um time do interior quando joga em Porto Alegre, o time carioca forçava a defesa gremista a arriscar lançamentos para os atacantes e errar passes. Para piorar, em um dessas falhas, de Claudiomiro, logo aos três minutos, o centroavante Negreiros recuperou a bola, driblou Claudiomiro e encontrou Zinho livre. Da entrada da área, o meia chutou no canto no canto esquerdo, fora do alcance de Tavarelli: Flamengo 1 a 0.

Apesar do apoio da torcida mesmo com o placar desfavorável, o time dirigido por Adilson Batista demorou a se encontrar. Sem conseguir entrar na área adversária, arriscava chutes de longe. Foi assim a partir dos 10 minutos de jogo, em três chances seguidas, com Tiago Prado, Michel Bastos e Michel. Todas as conclusões pararam nas mãos do goleiro Julio César, que as defendeu sem dificuldade. Só aos 21 minutos o Grêmio levou perigo. Marcelinho, que no primeiro tempo só era parado com faltas – Henrique e Douglas Silva levaram cartões amarelos por isso -, em um giro pelo lado direito se livrou de três marcadores, cruzou rasteiro, Ratinho deu um carrinho, mas o goleiro defendeu.

Insatisfeitos com a pouca produtividade da equipe, os torcedores elegeram o responsável pela má atuação: o lateral-direito Michel. Tanto que pouco antes do intervalo, depois de mais um passe errado do jogador, a maior parte do estádio gritava pela entrada de George Lucas e chamava Adilson de burro.

No segundo tempo, Adilson mudou o lateral. Mas o esquerdo. Tirou Michel Bastos e colocou Leonardo Inácio. Não mudou muita coisa. O Grêmio começou o segundo tempo pressionando. As melhores chances eram em jogadas de bola para, mas, invariavelmente, paravam no goleiro Julio Cesar. Como no primeiro minuto, quando ele defendeu uma forte cabeçada de Claudiomiro. Com o resultado favorável, o Flamengo se fechou e procurou segurar a partida. Marcelinho tentava pelas pontas, mas não acertava os cruzamentos. Num contra-ataque rápido, Luciano Ratinho lançou Christian, mas o o centroavante chutou por cima. Na busca pelo empate, Adilson ainda colocou Fábio Pinto no lugar do contestado Michel. Luciano Santos também entrou, aos 27 minutos, no lugar de Cocito, lesionado. Claudiomiro, de cabeça, ainda teve mais uma chance, que o goleiro do Flamengo salvou. Aos 38, a melhor chance de gol, mas do Flamengo: Felipe entrou livre pela direita e chutou rasteiro na saída de Tavarelli. Na sua especialidade, o paraguaio fez a defesa. No final do jogo, vais para a atuação sem brilho do Grêmio.” (Gabriel Camargo – Zero Hora – 13 de maio de 2004)

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Foto: Mauro Vieira (Zero Hora)

“Wianey Carlet
COMPLICOU
O Flamengo mostrou ontem à noite no Olímpico que a qualidade do seu time não está afinada com os maus resultados das últimas partidas. Jogou melhor do que o Grêmio e mesmo quando foi pressionado, no segundo tempo, teve organização ofensiva e inteligência para neutralizar os esforços do adversário. Com a bola, reafirmou o histórico toque de bola carioca. Sem ela, apenas o goleiro Júlio César e o atacante Felipe não participaram do esforço coletivo de recuperação. Os destaques individuais também ficaram com o FLA. Júlio César, com duas grandes defesas, Fabiano Eller, o melhor em campo, Henrique, Reginaldo Araújo, Roger, Douglas Silva, todos tiveram atuações destacadas. O Flamengo ganhou e não foi por acaso.” (Wianey Carlet – Zero Hora – 13 de maio de 2004)

Bola Dividida – Mário Marcos de Souza
DECEPÇÃO DO GRÊMIO, ALEGRIA DO 15
A qualidade mais uma vez decidiu. Enquanto o Grêmio abusava de errar passes, o que parece uma característica irritante dos grandes times gaúchos nos dias atuais, o Flamengo marcava bem e valoriza a posse de bola, principalmente a partir de Felipe. Depois do gol de Zinho, marcado em falha da defesa gremista, o Flamengo passou a marcar bem e levou poucos sustos. Faltou competência ao Grêmio – sobrou irritação à torcida. Agora, o time terá de fazer em Volta Redonda tudo o que não conseguiu diante de sua torcida. A noite gaúcha foi salva pelo surpreendente 15 de Novembro. Depois da vitória de 3 a 0 sobre o Palmas, em Campo bom...” (Mário Marcos de Souza – Zero Hora – 13 de maio de 2004)

GRÊMIO, DERROTA NA PRIMEIRA BATALHA
Leva 1 a 0 do Flamengo e torcedor vaia o treinador Adílson. Time carioca só precisa de um empate no Rio para ir às semifinais

A vida do Grêmio na Copa do Brasil ficou complicada. Ontem, o time perdeu por 1 a 0 para o Flamengo, no Olímpico, e agora precisa reverter a situação na próxima semana, no Maracanã. Empate garante vaga aos cariocas.

Qualquer tranqüilidade que pudesse ter o Grêmio no primeiro tempo sumiu aos 3 minutos, com o gol do Flamengo. Depois de falha de Claudiomiro, a bola sobrou para Zinho, que driblou na entrada da área e desviou de Tavarelli. A vantagem surpreendeu o time e incrementou os erros de passe do lado gremista.

Sem jogadas pelo meio do campo, o Grêmio passou a apostar nos lançamentos da defesa para o ataque. Não funcionou e, nos primeiros 45 minutos, a equipe não teve nenhuma chance clara de gol, salvo um chute de Ratinho, já caído, que Júlio César defendeu.

Pior, o time cedia espaço ao Flamengo na intermediária e possibilitava aos cariocas avanços perigosos. Aos 41 minutos, Fabiano Eller deixou de ampliar o placar, ao perder o gol sem goleiro dentro da pequena área.

A inconstância dentro de campo se transformou em impaciência nas arquibancadas. Os alas Michel e Michel Bastos eram vaiados a cada passe errado e Adílson Batista escutou o coro de ‘burro’ antes mesmo do intervalo.

No segundo tempo, o nervosismo do Grêmio permaneceu, mas as oportunidades surgiram em maior número. Na mais clara, Claudiomiro forçou o goleiro Júlio César a fazer grande defesa aos 28 minutos, salvando à queima-roupa uma cabeceada do zagueiro.” (Correio do Povo – 13 de maio de 2004)

PARA ADÍLSON, ´EQUIPE ACELEROU´

Trabalhar e reverter foram os verbos mais lembrados pelos jogadores do Grêmio depois da derrota para o Flamengo. Na próxima semana, o time precisa vencer a equipe carioca no Rio de Janeiro para seguir na Copa do Brasil. Vitória por um gol de diferença a partir de 2 a 1 dá a vaga ao Grêmio.

O zagueiro Claudiomiro admite que a derrota surpreendeu o time, que esperava ir para o Rio de Janeiro com alguma vantagem. ‘Derrota nunca está nos planos, mas por que não decidir lá?’, diz ele. O outro defensor, Marcelo Magalhães, lembrou ainda a boa atuação do goleiro do Flamengo. ‘Paramos nas mãos do Júlio César’, admite.

Christian tinha outro lamento ao final do jogo. O centroavante ponderou que a bola chegou a ele apenas uma vez. ‘É difícil ter sempre 100% de aproveitamento’, afirma.

O técnico Adílson Batista disse que o gol do Flamengo, logo no início trouxe nervosismo ao time. ‘O time acelerou e queria empatar de qualquer forma, a gente tinha tempo’, alega o treinador. ” (Correio do Povo – 13 de maio de 2004)

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REDENÇÃO EM GRANDE ESTILO
Fla afasta a crise ao derrotar o Grêmio, no Olímpico, pela Copa do Brasil: 1 a 0

PORTO ALEGRE. O terror psicológico de Abel Braga funcionou e o Flamengo se recuperou em grande estilo da vergonhosa goleada para o Vitória, domingo passado, em Salvador. Com um gol de Zinho logo no início, o rubro-negro venceu o Grêmio por 1 a O, ontem à noite, no Estádio Olímpico, livrou-se de uma crise e deu um passo importante nas quartas-de-final da Copa do Brasil. O jogo de volta acontece na próxima quarta-feira, no Maracanã, e o time de Abel tem a vantagem do empate.

— Tive uma passagem muito boa pelo Grêmio, mas hoje defendo Fla-mengo evencer com gol fora de casa é melhor ainda — vibrou Zinho, que foi aplaudido pela torcida gaúcha.

O Flamengo não demorou a abrir o placar. Com três minutos de jogo, Negreiros deu um belo passe para Zinho, que deixou Cocito caído e tocou com muita categoria, fazendo Flamengo 1 a O.

• Como era de se esperar, o golpe fez o Grêmio se lançar de vez ao ataque. Aos 14, Negreiros sentiu dores na coxa esquerda e Jean entrou. Aos 39, o Flamengo perdeu uma excelente chance de fazer o segundo. Felipe tocou com perfeição para Jean, que avançou pela direita da área e cruzou rasteiro. Cocito conseguiu desviar levemente e Fabiano Eller se enrolou.

— Fazer gol fora de casa é bom. Nós estamos errando muito o último passe. Era para já termos liquidado o jogo — disse Abel, no intervalo.

O Grêmio voltou do intervalo com Leonardo Inácio no lugar de Michel Bastos. Pressionava no ataque e batia à vontade na defesa, contando com a conivência da arbitragem. O inacreditavelmente desleal Cocito fazia jus ao apelido de “Coicito”.

Com Felipe armando pela esquerda, Abel lançou Jônatas no lugar de Zinho para dar mais fôlego ao meio-campo. Mas quem pressionava era o Grêmio. Para sorte do rubro-negro, Christian errava quase tudo no ata-que. Irretocável na defesa para suportar o sufoco e tocando a bola E com inteligência no ataque, o Flamengo teve a chance de fazer o segundo com Felipe, aos 38. Mas o craque chutou em cima de Tavarelli. Um erro que não fez falta.

[…]

Ontem, o presidente do Flamengo, Márcio Braga, esteve em Brasília para se reunir com o ministro de Coordenação Política, Aldo Rebelo. Ele busca apoio para anular a de-cisão da Vara Cível Federal, que determinou que a Petrobras não pode assinar o novo contrato de patrocínio até que o clube quite suas dívidas fiscais. O departamento jurídico do Flamengo vai recorrer da decisão judicial.” (O Globo – 13 de maio de 2004)

ATUAÇÕES
FLAMENGO JÚLIO CÉSAR: Grande atuação. Sua defesa na cabeçada de Claudiomiro foi fenomenal.• Nota 8. REGINALDO ARAÚJO: Defendeu e foi várias ao ataque, mas lhe faltou criatividade. • Nota 5,5.
HENRIQUE Mais viril do que técnico, fez algumas fartas nas proximidades da área. • Nota 6.
FABIANO ELLER: Perdeu um gol incrível na pequena área, ainda mais porque tem técnica apurada e sabe bater na bola. Como zagueiro, esteve impecável. • Nota 8.
ROGER: Se lançou várias vezes à frente. Numa delas, quase teve a perna fraturada pelo violento Cocito.• NOta 7.
DA SILVA: Fez o que sabe: lutar e dar o primeiro combate para facilitar a tarefa dos zagueiros No mais, bico para frente. • Nota 6.
DOUGLAS SILVA: Fez muitas faltas Mas bem menos que o Cocito, claro. • Nota 5,5.
IBSON: Combateu e criou. Mostrou categoria em alguns momentos. No segundo tempo, ficou mais preso à defesa. • Nota 7.
ZINHO: Belo gol no início. No lance, mostrou categoria no drible e no chute. • Nota 8. JÔNATAS entrou bem na partida, mas se contundiu. • Nota 7. JULIANO atuou dois minutos. Sem nota.
FELIPE: Muito bem. Perdeu uma boa chance de gol. Parado com faltas, curiosamente recebeu cartão amarelo antes de Cocito. • Nota 8.
NEGREIROS: Com 12 minutos, sentiu a coxa e saiu. Sem nota.
JEAN entrou, correu muito, mas pouco conseguiu • Nota 6,5.
ABEL BRAGA: Armou bem a equipe. O Flamengo parecia em casa e apresentou futebol de qualidade. • Nota 7.

GRÊMIO
O time gaúcho lutou muito, sendo que Cocito com deslealdade. Este jogador foi o que houve de mais negativo na partida. Acabou castigado: contundiu-se ao fazer falta em Jean e teve que sair” (O Globo – 13 de maio de 2004)

o globo 13 maio 2004

GOL DE ZINHO DERRUBA O GRÊMIO
Flamengo larga em vantagem nas quartas de final da Copa do Brasil ao vencer o Tricolor em Porto Alegre. Jogo de volta acontecerá na próxima quarta-feira, no Rio.

Uma zaga intransponível e um veterano que costuma fazer a diferença em decisões. Esses foram os dois principais entraves do Grêmio na noite de ontem, no Olímpico, para aproveitar obter vantagem sobre o Flamengo no primeiro jogo das quartas de final da Copa do Brasil. O clube carioca fez 1 a 0 e joga pelo empate na quarta-feira que vem, no Rio, para passar à semifinal.

O Rubro-Negro não se intimidou no campo do adversário e jogou aberto, ofensivo. E assim foi, tanto que logo aos três minutos o experiente Zinho (ex-Grêmio),
deslocado pela direita, num chute perfeito, de fora da área, acertou o canto
direito de Tavarelli, fazendo o único gol da partida, surpreendendo e assustando
a torcida gremista.

A primeira grande oportunidade para os donos da casa veio aos 21, quando Marcelinho fez ótima jogada pela direita e cruzou para a grande área, onde Luciano Ratinho, bem colocado, bateu à meta, mas a bola foi nas mãos de Júlio César. O Grêmio insistia em cruzamentos altos para a área, de onde Christian tentava, mas não conseguia acertar a conclusão de cabeça. Na maioria das vezes a bola vinha da ponta-esquerda, mas o ala Michel Bastos era decepcionante e começava a irritar a torcida tricolor.
No segundo tempo o time da Azenha voltou decidido a buscar o empate, mas esbarrava no bom posicionamento da zaga rubro-negra. O técnico Adilson Batista, no desespero, fez uma troca radical. Colocou o atacante Fábio Pinto em campo, no lugar do lateral-direito Michel, que saiu sob vaias. Abel respondeu reforçando a marcação, incluindo Jônatas em substituição ao veterano Zinho. E este deixou o gramado sob aplausos da torcida gremista. O placar, porém, não se alterou até o final.” (Gazeta do Sul – 13 de maio de 2004)

gazeta do sul

Grêmio 0x1 Flamengo

GRÊMIO: Tavarelli; Marcelo Magalhães, Claudiomiro, e Tiago Prado; Michel (Fábio Pinto), Cocito (Luciano Santos), Leânderson, Luciano Ratinho e Michel Bastos (Léo Inácio); Marcelinho e Christian
Técnico: Adílson Batista

FLAMENGO: Júlio César, Reginaldo Araújo, Henrique, Fabiano Eller e Roger; Da Silva, Douglas Silva, lbson e Zinho (Jônatas e depois Juliano); Felipe e Negreiros (Jean)
Técnico: Abel Braga

Copa do Brasil 2004 – Quartas de final – jogo de ida
Data: 12 de maio de 2004, quarta-feira, 21h45min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 22.032 (19.346 pagantes)
Renda: R$ 225.267,00
Juiz: Luciano de Almeida (DF)
Auxiliares: César Augusto de Oliveira Vaz (DF) e André Veras (RS)
Cartões amarelos: Cocito, Tiago Prado, Henrique, Felipe e Douglas Silva.
Gol: Zinho, aos 3 minutos do 1º tempo

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