Copa do Brasil 1993 – Grêmio 1×0 Flamengo

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Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

Em 27 de maio de 1993 o Grêmio recebeu o Flamengo no Olímpico pela jogo de volta da semifinal da Copa do Brasil de 1993. Com o 4×3 para o Rubro-Negro no Maracanã no confronto de ida, o tricolor precisava de um simples 1×0 para classificar em Porto Alegre.  E foi exatamente esse o placar da partida, construído com um gol de Gílson Cabeção no início do segundo tempo.

O Grêmio, que contava com Dener, Carlos Miguel, Dorival Junior, Eduardo Heuser , Luís Carlos Winck (entre outros) era treinado por Sérgio Cosme, que chegava a sua segunda final seguida da Copa do Brasil em um intervalo de seis meses (ele havia disputado a final de 1992, em dezembro, pelo Fluminense)

flamengo dener andrei - Cópia - Cópia

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

O GRÊMIO SOFRE, VENCE, E VAI À FINAL
O time gaúcho mostrou dificuldades mas o gol de Gilson garantiu vaga nas finais que começam domingo, no Olímpico
O Grêmio é, pela terceira vez, finalista da Copa do Brasil, competição que chega a sua 5ª edição. A vaga foi garantida na noite de ontem, no Estádio Olímpico, com a vitória sobre o Flamengo por 1 a O. No primeiro jogo, no Rio, os cariocas ganharam por 4 a 3 e precisavam do empate. O Grêmio começa a decisão do título e uma vaga para a Libertadores em dois jogos contra o Cruzeiro, o primeiro no domingo, no Olímpico e o segundo no dia 3 de junho em Minas. A torcida gremista fez e muito bem a sua parte. Encarou as gangues que atacavam perto do estádio, conseguiu enganar a segurança e estourar seus foguetes, e incentivou o time com gana incomum. Bom seria que os jogadores tivessem começado o jogo com o mesmo entusiasmo. Mas estiveram longe disso. A zaga saía errado, Pingo e Júnior se mandavam desprotegendo o meio de forma irresponsável, e lá na frente o time só aparecia em escassas investidas do habilidoso Dener. Sem ser brilhante, o Flamengo era um time melhor, chegando a assustar os gremistas com um escanteio cobrado no travessão por Djalminha. A conversa no vestiário, feito mágica, mudou tudo. A insegurança do primeiro tempo deu lugar a objetividade e velocidade, com resultados imediatos: aos 5 minutos Eduardo Souza fez bom cruzamento e Gilson, sempre ele, cabeceou para marcar 1 a O. O Flamengo já não tinha o zagueiro Rogério, machucado e substituído por Andrei, e isso trazia prejuízos. Dener, dois minutos depois da abertura do placar, esteve próximo de ampliar, pois entrou área a dentro driblando todos que via pela frente, mas Gottardo salvou sobre a risca.
PRESSÃO – A conhecida irregularidade gremista ainda resultaria em sustos para os 50 mil fiéis que passaram por cima do frio e foram apoiar o time. Por momentos o controle do jogo escapava e o Flamengo tirava proveito para tentar o empate. Djalminha teve a melhor chance mas, assim como no primeiro tempo, acertou o poste. Gílson fez o mesmo na goleira de Gilmar, a três minutos do final, numa seqüência de oportunidades que, aproveitadas, teriam resultado em vantagem maior. “( Zero Hora – 28 de maio de 1993)

Gilson e Dener fizeram a diferença no Olímpico
Somente um craque como Dener e um goleador como Gílson para desequilibrarem na noite da classificação para a final da Copa do Brasil. O meia criou boas situações, com dribles e lançamentos precisos. O centroavante ameaçou o goleiro Gilmar durante os 90 minutos. O artilheiro da Copa do Brasil só acertou uma vez, mas foi o gol da vitória, seu 22° na temporada e o sétimo na competição. “Eu faço mesmo”, gritou Gilson aos 5 minutos do segundo tempo. Gílson espera manter a boa média de gols e prometeu fazer 50 até o final do ano. “Estou marcando mais de urna vez por partida e, às vezes, até mais”, avaliou o centroavante. Mas não escondeu a satisfação de decidir a partida na noite de ontem. “É sempre bom fazer um gol num jogo importante como este”, reconheceu. “Foi uma jogada belíssima do Eduardo e o matador estava lá para fazer”, elogiou o técnico Sérgio Cosme. Dener foi o outro destaque do time, pois sempre que pegava a bola, ameaçava a zaga do Flamengo com grandes jogadas individuais, e mostrou que sabe deixar seus companheiros livres em ótimas condições para marcar. “O ti-me foi bem, todo mundo lutou e mostramos que somos capazes de chegar à final”, destacou o jogador que no segundo tempo enganou duas vezes a zaga do Flamengo.” (Zero Hora – 28 de maio de 1993)

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Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

GRÊMIO É NOVAMENTE FINALISTA
Despachou (1 a 0) o Flamengo e decide o título da Copa do Brasil com o Cruzeiro

O Grêmio ainda não é o time dos sonhos dos gremistas, mas ao menos está vencendo quando precisa vencer. Ontem à noite, no Olímpico, depois de momentos difíceis diante do Flamengo, se recuperou e fez o gol que o leva à final da Copa do Brasil. Domingo, às 18h, no Olímpico, Grêmio decide com o Cruzeiro.
Muito da vitória se deve ao treinador Sérgio Cosme. Ele colocou em campo Marco Aurélio para melhorar a marcação e Mabília para qualificar o toque de bola. O que se viu, a partir daí, foi um Grêmio que massacrou o Flamengo no segundo tempo. Logo aos 5 minutos, Eduardo foi ao fundo e Gilson cabeceou para fazer 1 a O. Nos últimos minutos, o Grêmio teve pelo menos quatro grandes oportunidades para dar uma goleada no time carioca.” (Correio do Povo – 28 de maio de 1993)

Gilson: ‘Eu estou aqui para fazer gol’
Cercado pelos companheiros, que o abraçavam após a marcação do gol, aos cinco minutos do segundo tempo, o centroavante Gilson foi sincero no desabafo ao repórter Luiz Henrique Benfica, da Rádio Guaíba: “Eu faço mesmo”, disse. Este gol, o seu oitavo na Copa do Brasil. mostra que o jogador está em excelente fase. sendo o artilheiro da competição: “Estou aí para isto mesmo”, afirmou enquanto escutava pela Rádio Guaíba, emocionado, a repetição do gol que levou o time à final contra o Cruzeiro em dois jogos.
O vice-presidente de futebol, Luiz Carlos Silveira Martins, emocionado, quase não conseguia falar. Antes de entrar no vestiário, para comemorar a vitória com os jogadores, ele fez unia convocação para o jogo de domingo: “Todos têm que estar aqui no Olímpico novamente para lotar o estádio, como aconteceu hoje (ontem)”, salientou. Já o zagueiro Paulão, que jogou no Cruzeiro, advertiu que o seu ex-time é experiente em decisões: ´Eles sabem como jogar nesta hora. Mas sou mais Grêmio´.” (Correio do Povo – 28 de maio de 1993)

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FLAMENGO VOLTA A DOMINAR E PERDER
Porto Alegre – Foi a reprise de um filme quatro dias depois. Como no domingo,quando sofreu o gol aos três minutos do segundo tempo, pressionou e não soube empatar com o Vasco, o Flamengo foi novamente derrotado ontem à noite. Precisando pelo menos do empate com o Grêmio, o time dominou no primeiro tempo, sofreu o gol de Gilson aos cinco do segundo, atacou muito, mas não teve competência para empatar. Nos minutos final Gilmar ainda salvou o Flamengo com três grandes defesas.

O Grêmio aproveitou uma falha da zaga rubro-negra — Rogério, contundido, foi substituído por Andrei no intervalo — para decidir. Depois de perder a Libertadores e ser eliminado da Copa do Brasil, o Flamengo. que sonhava ganhar três títulos no primeiro semestre de 93, limita suas chances ao Campeonato Carioca, competição em que só terá chances se o Vasco Tropeçar. Domingo, o time rubro-negro enfrenta o motivado Botafogo no Maracanã.” (Jornal do Brasil – 28 de maio de 1993)

Jornal do Brasil 28 05 1993 Gremio 1x0 Flamengo

GOL DE GÍLSON LIQUIDA O MENGO
Porto Alegre — O Flamengo merecia coisa melhor. A derrota de 1 a 0 para o Grêmio (Gilson) só não foi injusta porque o time gaúcho soube administrar a vantagem, principalmente nos últimos 15 minutos, quando infernizou a defesa rubro-negra. Se não fosse Gilmar, o placar seria maior. Desclassificado da Copa do Brasil, sua única esperança, mesmo que remota, é se classificar para as finais do Estadual para sair da crise financeira. Marcando a saída de bola do Grêmio, o Flamengo começou surpreendendo o adversário com rápido toque de bola e jogadas de alto nível técnico no meio campo, com Djalminha e Marquinhos. Apesar da superioridade, o time rubro-negro vacilava pelo lado direito, onde Fabinho era envolvido com as investidas do arisco Dener e do apoiador Carlos Miguel. O frio de 9 graus e o mau estado do gramado não impediam Flamengo pressionar a equipe gaúcha em sua intermediária. Depois de alguns sus-tos, quando Gilmar fez pelo menos três defesas importantes, o time rubro-negro melhorou ainda mais seu toque de bola. Aos 28 minutos, a melhor oportunidade: Piá cruzou para a área, Nélio tocou de cabeça para Marquinhos chutar rente a trave. Pressionado pelos torcedores, o Grêmio voltou mais ousado no segundo tempo. Logo aos 5 minutos, o lateral Eduardo cruzou na área e o atacante Gilson cabeceou sozinho para dentro do gol. Desesperado, o Flamengo foi todo ao ataque, mas não deu sorte nas finalizações. Aproveitando os contra ataques, o time gaúcho bombardeou o gol de Gilmar nos últimos 15 minutos.” (Jornal dos Sports – 28 de maio de 1993)

ATUAÇÕES
Flamengo
Gilmar — Seguro, não teve culpa no gol. Fez pelo menos cinco defesas importantes. Nota 7
Fabinho — Foi envolvido no primeiro tempo, mas melhorou um pouco na etapa final. Nota 5
Gotardo— Teve trabalho na cobertura do lado direito. Tranqüilo, comandou a defesa do Flamengo e ainda tentou algumas jogadas de ataque. Nota 6
Rogério — Mostrou categoria nas antecipações. Mesmo fora de ritmo, jogou com raça. Nota 6. Foi substituído por Andrei, que fez muitas faltas. Nota 4
Piá — Começou errando passes e parecia nervoso. Melhorou no segundo tempo. Nota 5
Uidemar — Não esteve bem. Enfeitou demais as jogadas. Nota 3. Luís Antônio entrou em seu lugar e deu mais mobilidade ao time. Nota 6
Marquinhos — Um dos melhores do jogo. Muita disposição no combate e um toque de classe na armação das jogadas. Nota 7 Júnior — O maestro esteve num dos seus melhores dias. Mostrou habilidade na organização do meio campo. Nota 7
Djalminha — O melhor da partida. Habilidoso, empurrou o time rubro-negro para o ataque com belas jogadas que contagiavam a equipe. Nota 8
Nilson — Lento e sem inspiração. Não foi bem nem nos cabeceios, sua principal característica. Nota 3
Nélio — A mesma eficiência de sempre. Muita raça nas investidas ao ataque. Nota 7

Grêmio
O Grêmio tem uma equipe experiente e provou isso ontem. Mesmo com a desvantagem do empate entrou em campo tranqüilo e soube segurar o placar quando estava na frente. O goleiro Eduardo mostrou segurança. A zaga esteve toda no mesmo nível. Tanto Winck, como Paulão, Luciano e Eduardo aguentaram com categoria a pressão do Flamengo no final. O meio campo com Pingo. Júnior, depois Marco Aurélio, Juninho e, principalmente Dener fizeram a bola correr dentro dos interesses do Grêmio. Na frente, Gilson, o autor do gol, e Carlos Miguel foram outros destaques.” (Jornal dos Sports – 28 de maio de 1993)

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Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

Grêmio 1×0 Flamengo

GRÊMIO: Eduardo Heuser; Luiz Carlos Winck (Mabília 33), Paulão, Luciano e Eduardo Souza; Pingo, Dorival Júnior (Marco Aurélio) e Juninho; Dener, Gilson e Carlos Miguel.
Técnico: Sérgio Cosme

FLAMENGO: Gilmar Rinaldi; Fabinho, Wilson Gottardo, Rogério (Andrey) e Piá; Uidemar (Luís António), Marquinhos, Júnior e Djalminha; Nílson e Nélio
Técnico: Jair Pereira

Copa do Brasil 1993 – Semifinal – Jogo de volta
Data: 27 de maio de 1993, quinta-feira
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 42.036 pagantes
Renda: Cr$ 6.314.950.000,00.
Arbitragem: Márcio Rezende de Freitas (FIFA/MG)
Auxiliares: com Evaristo de Souza e Marco Martins.
Cartões Amarelos: Gilson, Juninho e André
Gol: Gílson, aos 5 minutos do segundo tempo

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4 Responses to “Copa do Brasil 1993 – Grêmio 1×0 Flamengo”

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