Supercopa 1997 – Estudiantes 0x0 Grêmio

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1997 Estudiantes 0x0 Gremio Fernando Gomes Zero Hora

Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

O último confronto entre Estudiantes e Grêmio na Argentina aconteceu em 1997, pela derradeira edição da Supercopa dos Campeões da Libertadores. Naquele último ano, a competição passou a ter uma fase de grupos, e as equipes entraram em campo em La Plata pela segunda rodada do grupo 4 (que também era composto por Atlético Nacional e Peñarol).

O Grêmio começava a viver aquele medonho segundo semestre de 1997. No início de julho o tricolor perdera a final do Campeonato Gaúcho no Beira-Rio. Após isso, Paulo Nunes, Carlos Miguel, Emerson e Mauro Galvão deixaram o time. No Brasileirão, em 11 rodadas disputadas até ali, o tricolor já havia sido goleado por duas vezes (6×0 para o Goiás no Serra Dourada e 5×2 para o co-irmão no Olímpico). Isso ajuda a explicar o tom das matérias transcritas abaixo, que celebravam o desempenho da defesa gremista.

Como curiosidade, vale destacar que pelo Estudiantes jogou Lionel Scaloni, que recentemente foi escolhido (juntamente com Pablo Aimar) como treinador interino da Seleção Argentina.

1997 Estudiantes 0x0 Gremio Arce Fernando Gomes Zero Hora

Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

GRÊMIO SEGURA EMPATE EM LA PLATA
Time de Hélio dos Anjos mostrou consistência defensiva, mas voltou a revelar pouca criatividade no ataque

Com uma boa atuação defensiva, muitos problemas de criação no meio-campo e inoperância ofensiva, o Grêmio arrancou um empate em 0 a 0 com o Estudiantes, da Argentina, em La Plata, ontem à noite. O resultado deixou o clube gaúcho em segundo lugar no Grupo 4 da Supercopa dos Campeões da Libertadores, com dois pontos. O Estudiantes e o Peñarol, do Uruguai, com quatro pontos, lideram. Foi uma partida com dois tempos absolutamente diversos. Para efeitos de assistência, seria melhor para os amantes do futebol que os primeiros 45 minutos fossem esquecidos. Foi um festival de passes errados, escorregões, lançamentos para ninguém, chutões e raríssimas conclusões. Com muito boa vontade, pode-se dizer que o Estudiantes teve uma chance de abrir o marcador aos 40 minutos, quando Zapata entrou em velocidade pela direita c chutou na rede pelo lado de fora.

O Grêmio teve a sua em um rebote de primeira de André Silva, de fora da área, depois de escanteio cobrado por Arce. E foi só. Até chegar o segundo tempo. Foi como se no vestiário brasileiros e argentinos tivessem acordado de um estado de sonolência. Em menos de cinco minutos, Zé Alcino já havia perdido de cabeça uma chance clara e Roman tinha obrigado Murilo a fazer bela defesa em um voo ao encontro da bola. Com mais movimentação, Estudiantes e Grêmio finalmente ficou com cara de clássico. Em casa, o Estudiantes partiu para cima. Em pelo menos cinco oportunidades, todas em jogadas trabalhadas na entrada da área, Murilo brilhou com defesas difíceis e salvou o time. Apesar da boa atuação de Otacílio, um guerreiro, Murilo foi o melhor jogador em campo. A zaga, com Eder, resistiu a pressão argentina. A exemplo do empate em 1 a 1 com o Vitoria, o garoto emprestou consistência e qualidade ao sistema defensivo tricolor, que parece ter sido acertado pelo técnico Hélio dos Anjos. “Jogamos fora de casa, com todas as dificuldades de enfrentar um adversário argentino, e não levamos gol, o que é um avanço na parte defensiva”, analisou o diretor de futebol Marcio Bolzoni. Os volantes Otacílio e Dario cobriram com eficiência os avanços de André Silva e Arce. Na parte ofensiva, Rodrigo Gral, de má atuação, e Sergio Manoel tentaram, mas outra vez não conseguiram a aproximação com os atacantes Zé Alcino e Guilherme. O centroavante, especialmente, ficou isolado na frente, dependendo de sua habilidade e rapidez em lances esporádicos para tentar decidir. O próximo compromisso do Grêmio será sábado, no Estádio Olímpico, contra o Vasco, pelo Campeonato Brasileiro.” (Zero Hora – 4 de setembro de 1997)

DESTA VEZ, O ATAQUE FOI MAL 
Até o dia 24 de agosto, o domingo do Gre-Nal. odiento para o Grêmio e glorioso para o Inter, dizia-se que o time do técnico Hélio dos Anjos era bom do meio para frente e ruim do meio para trás. O problema era a defesa. O zagueiro Rivarola, de passado luminoso no clube, foi contestado. O quarto-zagueiro Luciano acabou praticamente queimado. Vaiado pela torcida na partida seguinte, o empate com o Peñarol. Agora, tudo mudou. A defesa teve boa atuação no empate em 1 a 1 contra o Vitoria, na Bahia. O jovem zagueiro Eder entrou bem no time, deu segurança dentro da área e acertou-se com Rivarola. Depois do que ficou mais ou menos estabelecido que, Rivarola e Luciano são da mesma posição e que Eder e André Santos, um ou outro, jogam ao lado deles. Ontem, a zaga foi excelente e, atrás dela, estava uma barreira: Murilo. E este jogador, Murilo, merece uma atenção especial. Estava debaixo das traves nas quatro partidas em que o Grêmio foi goleado no Brasileirão e ainda assim resistiu, trabalhou tranquilamente e ontem foi o melhor em campo. Na frente da área, dois batalhadores voluntariosos Otacílio e Dário. Otacílio jogou. Tanto correu tanto, desarmou tanto que sentiu câimbras.

Mas o ataque… o ataque só tinha o solitário centroavante Guilherme, habilidoso, rápido, esforçado, mas só. Segundo Hélio dos Anjos, o inoperante meia Rodrigo Gral foi escalado para exercer uma “importante função tática”, e a fez “com inteligência”. Curioso, porque Rodrigo Gral perdeu a bola em quase todos os lances de que participou. Zé Alcino, da mesma forma, foi sempre superado pela marcação. Teve chance de marcar um gol no primeiro tempo, mas chutou torto, para o meio da área, na zaga do Estudiantes. Talvez o Grêmio pudesse ter melhorado, se Hélio dos Anjos tivesse feito substituições antes do que fez. Mas Dinho, que entrou em lugar de Rodrigo Gral, jogou apenas sete minutos. Gilmar jogou ainda menos tempo. Mas, ao participar pela primeira vez de uma jogada, fez mais do que Zé Alcino tentou fazer durante todo o restante da partida: arrancou em velocidade, passou por três marcadores e foi derrubado na entrada da área, cavando uma falta perigosa, cobrada por cima da trave pelo lateral Arce. Hélio dos Anjos também tinha a alternativa de colocar Paulo Cesar Tinga em campo, mas só tomou esta providência aos 45 minutos do segundo tempo. Tinga sequer tocou na bola.” (Leonardo Oliveira – Zero Hora – 4 de setembro de 1997)

“MURILO GARANTE EMPATE EM LA PLATA
Grêmio obteve um bom resultado contra o Estudiantes, resistiu à pressão e garantiu o 0 a 0 em jogo válido pela Supercopa

Depois de controlar bem o adversário no 1º tempo, o Grêmio sofreu enorme pressão na etapa final e teve muitas dificuldades para empatar em 0 a 0 com o Estudiantes, ontem à noite, em La Plata, pela Supercopa. O grande herói gaúcho foi o goleiro Murilo.

Disciplinado taticamente, procurando neutralizar as jogadas do adversário desde a origem, o Grêmio chegou a dar a idéia de que arrancaria uma vitória no caldeirão de La Plata. As maiores dificuldades eram oferecidas pelo gramado, muito pesado e escorregadio, em conseqüência da chuva forte que caíra à tarde em La Plata.

Ofensivamente, o Grêmio buscava preferencialmente as jogadas pelo lado direito, onde Arce apoiava com liberdade. Guilherme, no entanto, não conseguia a vitória sobre a zaga nas bolas aéreas. A melhor oportunidade do time gaúcho ocorreu aos 28 minutos. André Silva apoiou pelo flanco e chutou com violência, com a bola passando perto do gol de Bossio. Marcado em todas as partes do campo, o Estudiantes aos 40 minutos, quando Fúriga, sem ângulo, acertou o lado externo da rede.

Apoiado por sua torcida, o Estudiantes voltou com muito maior disposição no segundo tempo. A entrada de Scaloni no lugar de Catán tornou o time argentino extremamente perigoso. Foi a vez de Murilo, o melhor jogador em campo, mostrar toda a sua qualidade, fazendo defesas difíceis em pelo menos três lances seguidos. Faltava ao Grêmio a capacidade de segurar a bola na frente, para diminuir o ímpeto do adversário.

Aos 30 minutos, o técnico Hélio dos Anjos buscou a solução definitiva para neutralizar o ímpeto adversário, retirando Rodrigo Gral para a entrada de Dinho. O empate já se constituía num grande resultado.” (Correio do Povo – 4 de setembro de 1997)

1997 Estudiantes 0x0 Gremio Rodrigo Gral Fernando Gomes Zero Hora

Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

Estudiantes 0x0 Grêmio

ESTUDIANTES:  Bossio; Ramos, Quatrocchi, Ricardo Rojas e Zapata; Catán (Scaloni), Tagliani, Marcelo Ledesma e Aguillar; Fúriga (Carranza) e Román
Técnico: Daniel Córdoba

GRÊMIO: Murilo; Arce, Rivarola, Eder e Andre Silva; Dario, Otacílio, Rodrigo Gral (Dinho) e Sergio Manoel (Tinga); Zé Alcino (Gilmar) e Guilherme.
Técnico: Hélio dos Anjos

Supercopa 1997 – Grupo 4 – 2ª Rodada
Data: 3 de setembro de 1997
Local: Estádio Jorge Hirsch, em La Plata
Publico: 3.500 pessoas
Árbitro: Robert Troxler (FIFA/PAR)
Auxiliares: Cecilio Bejarano e William Weiller
Cartões Amarelos: Dario, Otacílio, Éder e Guilherme

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