Gauchão 1979 – Brasil de Pelotas 0x0 Grêmio

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Foto: Zero Hora

Em 1979, Brasil de Pelotas e Grêmio empataram em 0x0 pela Primeira Fase do Gauchão daquela temporada. Sem André Catimba, o técnico Orlando Fantoni escalou Tarciso como centroavante, o que acabou sendo insuficiente para furar a retranca dos donos da casa.

Mas o jogo entrou para história pela suposta superlotação do Bento Freitas, que teria causado a queda do alambrado. No meio da confusão, uma cena insólita: Um torcedor deixava o campo carregando sua própria perna mecânica (imagem que vi pela primeira vez no antigo Impedimento, graças ao envio do Colecionador Xavante)

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Foto: Zero Hora

OUTRA MÁ PARTIDA DO GRÊMIO E O EMPATE COM O BRASIL
Tumultos nas arquibancadas diminuíram bastante o entusiasmo das duas torcidas ontem em Pelotas

O Grêmio deixou o Juventude líder do campeonato gaúcho ao empatar, ontem, tarde, em zero com o Brasil de Pelotas. E a torcida do Brasil foi mais uma vez a dona do espetáculo no estádio superlotado do Bento Freitas. Os próprios jogadores do Brasil dizem que sua torcida é responsável por pelo menos 50 por cento das vitórias. Ontem à tarde ela provou mais urna vez que pode acabar influenciando decisivamente as partidas de sua equipe.

O jogo em si foi monótono, truncado sem chances de gol — exceto aos minutos finais quando o Grêmio ensaiou uma pressão mais forte, sem grandes resultados no entanto. Fatos mais importantes sem dúvida foram aqueles proporcionados pelos torcedores que destruíram os alambrados das arquibancadas — primeiro no intervalo, depois a quatro minutos do segundo tempo — quase provocando uma tragédia de maiores proporções.

E retardando o início de jogo com prejuízo em seu andamento. Enquanto houve tranqüilidade suficiente para se jogar futebol, a equipe de Orlando Fantoni mostrou mais uma vez erros na construção das jogadas e uma visível incapacidade coletiva para escapar da retranca bem armada pelo técnico Laone Luz, do Brasil, colocando Odir grudado em Paulo César e Doraci sempre acompanhando a Nardela, o técnico pelotense isolava Tarciso entre seus dois zagueiros — Renato e Renato Cogo impedindo que o Grêmio se utilizasse da sua principal arma no ataque: a velocidade de Tarciso, já que

Eder e Jurandir eram bem marcados pelos dois laterais.
Com estas determinações o Brasil garantia-se atrás. Na frente, sua força ofensiva limitava-se a lançamentos de Djair, o jogador mais lúcido do time do Pelotas, responsável pelas melhores jogadas de ataque, numa destas, aos 24 minutos o Brasil teve a grande chance de abrir o marcador quando Tadeu Silva depois de receber um passe de Djair, driblou a Eurico e Vantuir com uma jogada de corpo e chutou no canto para uma boa defesa de Manga.

O Grêmio só foi levar perigo ao gol de Jocelí aos 28 minutos através de uma jogada individual de Paulo César, que dentro da área dominou no peito e chutou por cima na frente do gol, aliás, jogadas como esta, devido a técnica individual de seus jogadores foram a tônica nas melhores oportunidades de gol desfrutadas pelo time de Orlando Fantoni, André fez muita falta a sua equipe em Pelotas.

BOLAS PARADAS

Mesmo no segundo tempo com a equipe mais disposta e um pouco mais organizada coletivamente, o Grêmio só obteve boas chances na cobrança de faltas ou nos escanteios cobrados por Eder, aos 10 minutos Tarciso sofreu uma falta na entrada da área e Dirceu pediu para cobrar, chutou forte, colocada, mas Joceli conseguiu espalmar para escanteio. Na cobrança através de Eder, a bola bateu no poste depois do tapinha do goleiro do Brasil. Na cobrança seguinte, Vantuir subiu bem, mas outra vez Joceli defendeu, desta vez firme.

Era o melhor momento do Grêmio na partida, comprovado aos 14 minutos quando Tarciso perdeu o gol chutado para fora quando só tinha Joceli na sua frente, depois de receber um lançamento de Eder. Mas aos poucos o Brasil foi novamente equilibrando o jogo, mesmo que violentamente. Nardela foi um dos que mais sofreu com a dura marcação do adversário. A salda de Fantoni foi colocar Jesum — fazendo sua estréia — na ponta direita, passando Jurandir para o meio, e retirando Nardela. Minutos depois, sentindo que o meio-campo do Brasil estava livre para avançar, colocou Valderez no lugar de Jurandir.

As modificações não trouxeram bons resultados. O Grêmio continuou errando muito nos passes e nas tentativas de chegar a área com a bola dominada. Com o tempo passando, também a intranqüilidade começou a prejudicar. Ao Brasil, sem o centro-avante Otávio que lesionado foi substituído por Paulo Garça (meia cancha), restava segurar o empate. Na pista a presença de brigadianos ao redor de todo o gramado lembrava os acontecimentos lamentáveis. A torcida do Grêmio cantava “Parabéns a Você” para o rival e festejava a derrota do Inter em Porto Alegre, responsável pelas raras ocasiões de vibração da torcida do Grêmio. O resultado ao final fez justiça pelo que as duas equipes fizeram.” (Geanoni Peixoto, Zero Hora, segunda-feira, 2 de abril de 1979)

“OS MELHORES

VITOR HUGO
O Grêmio não teve um grande destaque. No total foi uma apresentação regular. Mas o trabalho de Vitor Hugo à frente da área, na cobertura aos zagueiros ou no primeiro combate aos atacantes do Brasil, foi importante dentro do contexto da partida. Praticamente ele não perdeu nenhuma dividida e sempre que algum dos zagueiros subia, ele guarnecia com segurança o setor. Além do mais o centromédio do Grêmio vem mostrando uma melhora no terreno disciplinar. Depois de dois cartões amarelos nas duas primeiras partidas, ele mudou seu comportamento e agora não reclama mais da arbitragem ou mesmo do adversário. Nota 7

JOCELI
Mesmo não tendo muito trabalho com o ataque do Grêmio, o goleiro do Brasil fez quatro defesas importantíssimas dentro da partida e provou que tem muitas qualidades decisivas para um arqueiro: boa colocação e principalmente tranqüilidade. Quando o Grêmio teve seu melhor momento no Jogo, logo após a momentânea paralisação da segunda etapa, ele defendeu em lances seguidos uma falta cobrada por Dirceu, o escanteio de Éder e uma cabeçada de Vantuir, todos com endereço certo. Minutos depois conseguiu fechar o gol ao sair em Tarciso, quando este entrava livre pela área. Nota —7.

ATUAÇÃO DO JUIZ
O principal mérito de Luiz Louruz, ontem à tarde, foi saber conduzir o ânimo de Jogadores e dirigentes das duas equipes depois de todos os acontecimentos com a torcida do Brasil. Depois com a alambrado escorado por madeiras e soldados espalhados por toda a pista ele sempre procurou dar tranqüiliade a todos, evitando maiores problemas. Soube evitar também que a violência dos zagueiros do Brasil acabasse provocando reações por parte dos jogadores do Grêmio, mostrando cartão amarelo, sempre que fosse necessário. Por isso mostrou cinco cartões amarelos todos para Jogadores do Brasil: Odir, Tino, Renato Cago, Luizinho e Paulo Garça.” (Geanoni Peixoto, Zero Hora, segunda-feira, 2 de abril de 1979)

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Foto: (Revista Extremo Sul) – Fonte: Colecionador Xavante

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Foto: (Revista Extremo Sul) – Fonte: Colecionador Xavante

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Foto: (Revista Extremo Sul) – Fonte: Colecionador Xavante

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” VAI DESABAR” 

Muitas versões para o início do tumulto ontem à tarde no Bento Freitas. Segundo os encarregados do policiamento, alguém no meio da multidão gritou irresponsavelmente

Urna avalanche de gente”, como disse o assustado Orlando Fantoni mais tarde. O alambrado do estádio Bento Freitas resistiu pouco, os postes de sustentação foram se partindo como se fossem de papel. Gente caindo, feridos, crianças, mulheres chorando. A partida entre Brasil e Grêmio estava no seu Intervalo em Pelotas ontem, as duas equipes e trio de arbitragem descansavam nos vestiários quando os lamentáveis acidentes iniciaram.

Felizmente durou pouco e não teve vítimas.

Enquanto o médico Ziuton Bongahren, do Grêmio, ajudava a tratar de alguns feridos, ainda no gramado, os rapazes da maca transportavam os casos mais graves para o Departamento Médico do clube local. As rádios de Pelotas pediam que todas as ambulâncias em disponibilidade na cidade rumassem para o Bento Freitas.

Duas pessoas foram hospitalizadas, uma das quais com suspeita de fratura da espinha. Uns garantiam que alguém sacou de um revólver durante uma briga e deu origem à confusão e ao pânico, outros falaram que duas cobras grandes haviam sido as responsáveis pelo tumulto.

 Aos poucos tudo foi se acalmando e os soldados da Brigada Militar se dividiam entre tirar torcedores do gramado e improvisar a sustentação do alambrado atrás do gol que fica à direita das sociais — com painéis de propaganda, cordas e até uma goleira móvel de treinos. Confirmada a continuação da partida, após conversa do árbitro Luis Louruz com o chefe do policiamento, capitão Queiróz, que até já mandara buscar um pelotão de reforço, os torcedores se acomodaram da melhor maneira possível. Até mesmo um rapaz com perna mecânica, que fora salvo do meio da confusão por dois amigos, um dos quais conseguiu levar a perna postiça junto, para que mais tarde ele a recolocasse e pudesse voltar para casa sem problemas.” (Geanoni Peixoto, Zero Hora, segunda-feira, 2 de abril de 1979)

OUTRO “ESTOURO” E INSEGURANÇA GERAL

Quando todos pensavam que a confusão tinha terminado – o segundo tempo já começara há quatro minutos – outro “estouro” de gente nas arquibancadas. Desta vez maior, com uns correndo para a direita, outros para a esquerda. Pânico outro vez. Luiz Louruz parou a partida, os jogadores viam aquele cenário trágico assustados, paralisados, principalmente os do Grêmio.

Paulo César confessou que nunca havia visto nada parecido em sua vida, Jésum se preocupou em olhar alguns feridos mais de perto e não conseguiu esconder seu espanto. Dirigentes e jogadores da capital pressionavam o inseguro e também assustado árbitro para suspender definitivamente a partida, enquanto o chefe do policiamento já não garantia mais nada e os dirigentes do Brasil de Pelotas tudo fazia para que Louruz desse andamento ao jogo.

Nessa segunda confusão a pequena torcida do Grêmio também se viu envolvida mas os feridos – agora dois garotos, um dos quais desacordado – saíra outra vez da massa xavante. O risco de vida fez com que muita gente abandonasse o Estádio Bento Freitas naquele momento, aproveitando a calma para evitar outros acidentes.

Mas a partida continuou, Paulo César sequer teve tempo de fazer um roteiro em súmula. Os jogadores do Grêmio não escondiam a insegurança e muitos perguntavam: “O que vai acontecer se a gente fizer um gol?”

Menos mal que não houve vítimas. A partida chegou a seu final e o empate do Grêmio no interior não ganhou tanto destaque. A direção do Brasil de Pelotas garante que com soas lembraram que durante a semana haviam boatos em Pelotas de que o Bento Freitas não resistiria à superlotação.”(Geanoni Peixoto, Zero Hora, segunda-feira, 2 de abril de 1979)

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Foto: Wilson Lima (revista Extremo Sul) – Fonte: Colecionador Xavante

Foto: Zero Hora

Brasil de Pelotas 0x0 Grêmio

BRASIL: Joceli; Tino, Renato, Renato Cogo e Luís Carlos; Doraci, Djair, Odir, Luisinho, Otávio (Paulo Garça) e Tadeu
Técnico: Laone Luz

GRÊMIO: Manga; Eurico, Vantuir, Vicente e Dirceu; Vítor Hugo, Nardela (Jésum) e Paulo César Caju;  Jurandir (Valderez), Tarciso e Éder
Técnico: Orlando Fantoni

Gauchão 1979 – Primeiro Fase – Primeiro Turno
Data: 1º de abril de 1979, domingo
Local: Estádio Bento Freitas, em Pelotas-RS
Público: 19.891
Renda: Cr$ 891.200,00
Árbitro: Luís Louruz
Auxiliares: Albino Schmidt e Albano Mendes
Cartões amarelos: Luisinho, Odir, Tino, Paulo Graça e Renato Cogo

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