Gauchão 1979 – Segundo Turno – Juventude 0x1 Grêmio

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1979 juventude cp tarciso

Foto: Correio do Povo

No segundo turno do Gauchão de 1979, o Grêmio conseguiu uma magra vitória sobre o Juventude no Alfredo Jaconi.

O personagem do jogo foi o juiz José Luis Barreto, que deixou de dar um pênalti para o tricolor no primeiro tempo, quando o lateral Alcione usou a mão para evitar um gol olímpico de Éder Aleixo (o que teria sido o seu terceiro gol olímpico com a camisa tricolor) e marcou uma penalidade bastante duvidosa em Paulo César Caju no final da partida.

1979 pioneiro junho foto - penalti

Foto: Pioneiro

1979 pioneiro junho foto - gol

Foto: Pioneiro

FOI DIFÍCIL MAS GRÊMIO BATEU JUVENTUDE

Com um golo de Paulo César Lima cobrando pênalti que ele mesmo sofreu, no final do jogo, o Grêmio ganhou do Juventude, domingo último, no estádio Alfredo Jaconi. Foi uma vitória muito difícil e ao mesmo tempo importantíssima para um time que já conseguiu o primeiro ponto extra no atual campeonato. O Grêmio apenas jogou bem no segundo tempo, pois no primeiro o técnico Orlando Fantoni resolveu dar liberdade ao Juventude e esperar o adversário no próprio campo, o que abou criando problemas para o seu time. O plano era puxar o Juventude durante os primeiros 15 minutos e depois, gradativamente, ir subindo para o ataque. Mas isso não deu resultado e o time de Marco Eugênio foi superior na primeira etapa.

O mau estado do gramado dificultou os dois times, que erraram muitos passes. O Juventude teve o domínio territorial do jogo, mas a rigor chutou apenas de fora da área. A melhor chance foi numa cobrança, de falta com barreira, através de Kasper. O ponteiro cobrou com precisão e Manga fez extraordinária defesa.

SEGUNDO TEMPO

A etapa complementar mostrou um Grêmio bem mais motivado e organizado. O Juventude sentiu o impacto de um adversário que mudara completamente sua forma de jogar e cedeu terreno.

A pequena desvantagem que havia no meio-de-campo foi corrigida, quando entrou Jurandir na ponta esquerda em lugar de Éder. Antes de ser substituído, já com Jurandir pulando na pista, Éder cobrou quatro escanteios em seqüência e no último Alcione usou a mão para defender, quando a bola ia para as redes. O árbitro, mal colocado, nada marcou. Minutos depois Orlando Fantoni deu mais força ao ataque, colocando Baltazar no lugar de Nardela. Baltazar acabou perdendo, numa jogada de Vilson, um golo certo, quando apanhou o cruzamento e atirou por cima. O Juventude, no segundo tempo, teve a melhor oportunidade numa falta novamente cobrada por Kasper que Manga defendeu.

Quando o empate parecia certo Paulo Cesar fez uma jogada individual e entrou pela esquerda. Na hora do chute foi derrubado por Assis e Barreto marcou o pênalti que Paulo César cobrou com perfeição.” (Correio do Povo, terça-feira, 12 de junho de 1979)

ANTÔNIO GOULART: “Quando digo que o, Grêmio está se habituando perigosamente a enfrentar dificuldades e depois ganhar as partidas, é que isso pode conduzir a equipe a uma aceitação da realidade, sem se preocupar com o esforço de corrigir os defeitos ou encontrar outras soluções, já que o resultado final, do ponto de vista numérico, acaba satisfazendo. Nos sete jogos que disputou neste turno, o Grêmio, a rigor, só conseguiu impor o seu ritmo e ganhar com tranquilidade no primeiro: nos 3 a 0 sobre o Riograndense, em Santa Maria.

Mais dia menos dia, pôde ocorrer o inesperado. Já contra o Juventude, domingo, não fosse o pênalte, que para mim não existiu, nos minutos finais, o Grêmio teria deixado, um ponto no Alfredo Jaconi. Não nego que a vitória acabou _senda justa, porque se houve um time que mereceu fazer um golo foi o do Grêmio, apesar d6 primeiro tempo desorganizado. O Juventude  mostrou organização mas não teve finalização, a não ser nas três cobranças de falta de Kasper e num chute de Cacau. O Grêmio não teve harmonia mas buscou mais a vitória e criou, além do golo de Paulo César, mais duas situações: aquela em que o zagueiro Alcione tirou a bola com o braço e o juiz não viu e o chute desperdiçado por Baltazar quase do risco da pequena área. O que também não deixa de ser pouco para 90 minutos de jogo.” (Correio do Povo, terça-feira, 12 de junho de 1979)

INTERVALO  DA RODADA  – Lasier Martins

José Luiz Barreto, outrora ótimo árbitro, parece que não atravessa bom momento. Ainda há poucos dias, apitando no jogo do Inter contra o Pelotas, no Beira-Rio, invalidou golo de Adilson, julgado legítimo pela quase totalidade das pessoas respeitáveis que opinaram. Anteontem, em Grêmio e Juventude, não viu o pênalte de Alcione tirando a bola com a mão no golo olímpico que Éder fazia.

Teve sorte o Grêmio, porque, por coincidência, reclamando com maior veemência, parece ter condicionado a arbitragem para o lance final, onde, na dúvida, Barreto deu pênalte de Assis sobre Paulo César. Vantagem gremista, que não perdeu o ponto num jogo onde merecia o castigo pela má partida.

Aliás, como alguém já definiu, a campanha gremista vem sendo um treinamento para cardíacos. Basta ver o retrospecto: Estrela, São Paulo, Esportivo, Gaúcho e Juventude. Em qualquer desses últimos jogos, apesar de sua hierarquia, não fez sequer uma exibição convincente. Em todos eles, à exceção do empate em Bento, ganhou penando.” (Correio do Povo, terça-feira, 12 de junho de 1979)

CLASSIFICAÇÃO

Vencendo ao Juventude e igualando o número de jogos, o Grêmio chegou junto ao Internacional na contagem de pontos do segundo turno, mantendo a vantagem, de um ponto, que foi a diferença do primeiro turno. O Caxias que não perde há dez rodadas, e de 22 pontos disputados conquistou 20, conservou a liderança com os clubes do interior na disputa do ponto extra, O Esportivo, em quarto, continua com excelente regularidade. As derrotas do São Paulo, 14 de Julho e Brasil, praticamente não alteraram as posições do bloco intermediário, onde o Novo Hamburgo é o destaque.

Após a oitava rodada a classificação do segundo turno é a seguinte:

PG J V E D GF GC S PG
1 – Inter 13 7 6 1 0 16 0 16 13
2 – Grêmio 13 7 6 1 0 13 3 10 13
3 – Caxias 12 7 5 2 0 12 4 8 12
4 – Esportivo 11 8 4 3 1 7 3 4 11
5 – São Paulo 8 7 3 2 2 6 6 0 8
6 – N. Hamburgo 8 7 3 2 2 11 7 4 8
7 – Inter-SM 8 7 2 4 1 2 1 1 8
8 – Brasil 8 8 3 2 3 7 6 1 8
9 – Pelotas 8 7 2 4 1 4 3 1 8
10 – Gaúcho 7 7 2 3 2 7 6 1 7
11 – 14 de Julho 7 8 3 1 4 8 8 -1 7
12 – Estrela 7 7 2 3 2 6 3 3 7
13 – São Borja 7 7 3 1 3 9 12 -4 7
14 – Farroupilha 6 8 1 4 3 4 7 -3 6
15 – Juventude 5 7 2 1 4 2 6 -2 5
16–Riograndense 5 7 2 1 4 5 13 -8 5

.” (Correio do Povo, terça-feira, 12 de junho de 1979)

A arbitragem do jogo Juventude e Grêmio mereceu as mais duras críticas por parte de vários setores especializados da crônica esportiva. O importante é que em cada jogo, é uma atuação. Assim como os jogadores tem boa atuação em uma partida, e na, seguinte podem jogar mal, o mesmo acontece com os árbitros. Apitam bem num jogo, apitam mal em outro. Mas definir um árbitro como sempre mau apenas por uma partida, não é tanto justo assim. Afinal, se formos levar em conta as críticas feitas tis arbitragens, veremos que apenas dois ou três árbitros do Estado seriam aceitos pelos dirigentes e cronistas. Ora, se isto fosse posto em prática, chegaríamos à conclusão de que o certame não teria continuidade, por falta de árbitros. Mas o certame continua. E é de se prever, quando um árbitro tem má atuação, que ele tanto pode deixar de dar uma penalidade máxima existente, como poderá dar uma penalidade máxima não existente. Faz parte de sua má atuação naquele jogo. Foi o que aconteceu com José Luiz Barreto no jogo Juventude e Grémio. Ele merece ser criticado tão duramente, tanto na penalidade não marcada (Alcione) como na marcação da penalidade duvidosa (Assis) no final do jogo. Porém, criticá-lo ao extremo pela penalidade última, e não criticá-lo com a mesma veemência pela penalidade primeira não marcada, já é discriminar a atuação. Na verdade, José Luiz Barreto deve ser criticado na mesma intensidade pelas duas falhas. Porque ambas são falhas de idêntica gravidade. Por seu turno, o departamento de árbitros, se estiver atento, deverá chamar atenção do Barreto pelo que fez aqui. Um árbitro não pode ser considerado apto quando Pratica tantos erros. ” (Editoria de Esportes, Pioneiro, quarta-feira, 13 de junho de 1979)

MARCO EUGÊNIO: AGORA COMEÇOU O CAMPEONATO PARA NÓS

O resultado diante do Grêmio não parece ter esmorecido a disposição do Juventude. Ontem pela manhã os jogadores estiveram reunidos com o técnico, quando foram abordados vários aspectos. E Marco Eugênio diz que “o campeonato para nós começou agora”. E lembra um detalhe muito importante: “Vamos disputar até mesmo o título do interior. Ocorre que o clube mais distante de nós é o Caxias, com cinco pontos de vantagem, mas que ainda não enfrentou a dupla Gre-Nal. E os dois jogos serão em Porto Alegre”. Depois Marco Eugênio volta a analisar a equipe diante do que apresentou diante do Grêmio. — “Se nós continuarmos apresentando o futebol que jogamos contra o Grêmio e contra o Brasil, vamos somar muitos pontos, ainda”.

DEFECÇÕES

Diante do Grêmio, além de ter perdido a partida em circunstância discutível, o Juventude ainda teve dois jogadores eliminados do jogo de hoje, em Passo Fundo: Casemiro com três cartões amarelos e Alcione expulso. O técnico, porém, contará com o retorno do Edson, devendo jogar na lateral direita, ou qualquer outra mudança que possa ser mais útil no momento. A partida diante do Grêmio foi muito vibrante, muito disputada. Alguns alegam que o Juventude teve pouca coragem. Pode ser que isto seja verdadeiro, porém no ataque o Juventude teve poucas opções quando se tratava de jogadas concatenadas. Foi o seu erro maior. Porque com elas, poderia até ter vencido o jogo.” (Pioneiro, quarta-feira, 13 de junho de 1979)

1979 pioneiro junho público - Copia

Fonte: Pioneiro

Juventude 0 x 1 Grêmio

GRÊMIO: Manga; Vilson, Ancheta, Vantuir e Dirceu: Valderez, Nardela (Baltazar) ePaulo Cesar Caju;  Tarciso, André Catimba e Éder Aleixo(Jurandir)
Técnico: Orlando Fantoni

JUVENTUDE: Rafael: Alcione, Gonçalves, Ademir e Casemiro: Assis, Cacau e Jorge; Kasper, Plein e Maurinho (Ivanildo)
Técnico:  Marco Eugênio

Gauchão 1979 – Segundo Turno – 7ª Rodada
Data: 10 de junho de 1979, domingo
Local: Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul-RS
Público: 16.260 pagantes
Renda: Cr$ 671.520,00
Arbitro: José Luis Barreto
Auxiliares: por Erick Fucks e Ricardo Piva
Gol: Paulo César Caju (de pênalti)

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