Gauchão 1979 – 1º Turno – Grêmio 0x1 Juventude

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Foto: Zero Hora

 

Em maio de 1979, o Grêmio foi derrotado pelo Juventude no Olímpico por 1×0, com um gol de José Luiz Plein, aproveitando uma saída equivocada do goleiro Manga. Foi a única derrota do tricolor na campanha de 52 (CINQUENTA E DOIS!!!) jogos do título (com 42 vitórias e 9 empates)

O detalhe é que André Catimba teve dois pênaltis defendidos pelo goleiro Rafael. No jogo seguinte, contra o Bagé, o Grêmio teve  uma penalidade máxima marcada a seu favor e Paulo César Caju converteu.

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Foto: Zero Hora

 INCRÍVEL! GRÊMIO PERDE DOIS PÊNALTIS E O JOGO!
Rafael defendeu dois pênaltis chutados por André. E Plein marcou, aproveitando erro de Manga

Pouco antes de iniciar a partida, André disse que não acreditava em bruxaria. Aos 31 minutos do primeiro tempo, depois de ter perdido seu segundo pênalti em dois minutos, deve ter começado a acreditar. Azar de André, sorte de Plein que, aos 17 minutos do segundo tempo, marcou o gol que garantiu a vitória do Juventude e ainda o deixou como goleador isolado do campeonato. Agora o Inter também é líder ao lado do Grêmio, por pontos perdidos.

Pênaltis

Fantoni escolheu cuidadosamente os jogadores para formar o time que enfrentaria o Juventude, o adversário mais perigoso antes do Gre-Nal do dia 13 deste mês. Em parte, a equipe correspondeu: tomou a iniciativa na partida e estabeleceu o domínio total em campo, sempre pressionando o Juventude em seu próprio campo. No entanto, havia um obstáculo importante: a marcação do seu meio-campo.

Jorge permaneceu sempre junto a Paulo César, permitindo pouca liberdade ao jogador do Grêmio que não tinha espaço para desenvolver seu futebol. Mesmo assim, diante da má atuação de lúra, ainda era Paulo César o jogador mais Importante e eficiente na armação, conseguindo pelo menos errar pouco.

O Juventude foi poucas vezes à frente e sempre lentamente. Mesmo assim, teve a primeira oportunidade de gol numa jogada que os zagueiros do Grêmio permitiram que Ivanildo dominasse livre na área e chutasse torto, pela linha de fundo. Mas, pela insistência do Grêmio no ataque — ainda errando muito — o Grêmio acabaria ando jogadas perigosas na área do Juventude. Na primeira, aos 25 minutos, Paulo César foi derrubado num pênalti claro que Rui Canedo não marcou. Quatro minutos depois, Edson trancou Tarciso na área e, desta vez, o pênalti estava confirmado: André bateu fraco, no canto direito e Rafael teve tempo para defender — Toninho, no rebote, chutou para escanteio. Na cobrança, Paulo César dominou a bola cabeceada por Vantuir e bateu forte. Rafael estava fora do gol e Toninho defendeu com a mão, num novo pênalti que o juiz — a menos de três metros do lance — marcou com segurança. Mas André novamente bateu fraco, no mesmo canto direito, para nova defesa de Rafael.

Surpresa

Com estas duas defesas, a resistência do Juventude aumentou muito no segundo tempo. Mesmo que o Grêmio tivesse uma modificação importante (Paulo César passou a jogar mais à frente, lura recuou um pouco) e, com isso, se tornasse mais eficiente no ataque, o Juventude ainda mantinha certa tranquilidade para defender-se, recuando até mesmo o goleador Plein.

Pelas condições do jogo, o gol do próprio Plein, aos 17 minutos, surpreendeu até mesmo a equipe do Juventude, que ainda contou com o erro de Manga para obter a vantagem. Precipitado nos passes, o Grêmio ainda assim continuava jogando todo no campo do Juventude e criando oportunidades. Só que faltava a tranqüilidade para concluir corretamente a jogada, como aconteceu com lura aos 18 minutos (pouco antes de ser substituído por Nardela, ele recebeu um excelente passe de André e chutou para fora Guando estava livre na área) e com Paulo César aos 20: Tarciso cruzou e, mesmo livre na área pequena, cabeceou para fora.

Para piorar mais ainda a situação do Grêmio, o Juventude se tornava perigoso no contra-ataque e, aos 38, Vicente salvou quase de dentro do gol uma bola chutada por Plein que encobriu Manga. Depois disto, o logo chegou ao final sem que o Grêmio ameaçasse sequer o empate.

O PLACAR
PLEIN para o Juventude — 1 a 0 aos 17 minutos do segundo tempo — Plein recebeu uma bola alta quase na intermediária do Grêmio. Vítor Hugo estava na jogada mas Manga saiu de sua área e cabeceou fraco, ganhando do centroavante mas chocando-se com o zagueiro e caindo junto. Plein ficou livre com a bola dominada e teve a tranqüilidade necessária para meter o pé esquerdo na bola, que entrou no gol vazio lentamente.” (Zero Hora, sexta-feira, 4 de maio de 1979)

A EXTRAORDINÁRIA VITÓRIA DO JUVENTUDE

Foi uma noite de glórias para o futebol de Caxias do Sul e principalmente para o Juventude na quinta-feira quando derrotou o Grêmio em pleno Estádio Olímpico por 1×0 gol marcado por Plein aos 17 minutos do segundo tempo depois de uma falha de Manga.

A vitória do Juventude foi pintada com lances de heroísmo que dificilmente será esquecido pelo torcedor do Juventude. Rafael defendeu dois pênaltes cobrados por André, o segundo muito mal assinalado por Rui Canedo. Rafael acabou se constituindo na grande personalidade da partida.

Depois de passar muitas dificuldades no primeiro tempo, o Juventude melhorou na etapa complementar com a entrada de Valdo no meio de campo, tendo em vista uma lesão de Casemiro. Marco foi obrigado a colocar Jorge na lateral direita e passar Toninho para a esquerda. O Grêmio ficou um time nervoso e inseguro e o Juventude jogando com bastante habilidade e muito bem posicionado acabou marcando o gol que lhe daria a vitória.

Foi praticamente um lançamento de Rafael que pressentiu o avanço dos zagueiros do Grêmio. Manga tentou tirar de cabeça. Plein inteligentemente apenas tocou de leve para as redes. Aos 37 minutos, num lance empolgante, Vicente tirou na marca, alguns dizem que entrou, depois de uma jogada monumental de Plein que chegou a dar um balãozinho no goleiro Manga. Foi urna vitória extraordinária. A vitória da década.” (Jornal de Caxias, sábado, 5 de maio de 1979)

PLEIN DEDICA VITÓRIA E O GOL A RAFAEL

O torcedor gremista quase nem acreditou. Não bastasse os dois pênaltis perdidos por André no primeiro tempo, Plein aos 17 minutos da segunda etapa acabava de marcar o gol do Juventude que viria a ser o da vitória. Ele aproveitou a falha de Manga que saíra de seu gol e provou mais uma vez porquê é considerado um dos maiores goleadores do futebol gaúcho. E assumiu a liderança dos artilheiros com 14 gois, contra os 13 de André.

— O Juventude mostrou hoje o futebol que ficamos devendo daquela outra apresentação aqui em Porto Alegre — disse ele ao final de jogo. Aquele time que jogou contra o Inter não era o Juventude. Nosso verdadeiro futebol é este que foi mostrado aqui no Olímpico. Conseguimos passar por todas as dificuldades, vencemos, foi-se o último invicto, só posso dizer que realmente estamos todos muito felizes.

O centroavante não aceitava as indicações de melhor jogador em campo. Na sua opinião o melhor jogador havia sido o goleiro Rafael, “pois além de defender os dois pênaltis batidos pelo André que teve muito azar também, foi na verdade o autor intelectual do gol que marquei. Foi ele quem me viu sozinho com o Vítor Hugo e lançou a bola. Aproveitei a indecisão do Manga e do Vantuir e conseguir marcar, “comentou ele” (Zero Hora, sexta-feira, 4 de maio de 1979)

ANDRÉ NÃO DEIXOU PAULO CÉSAR CHUTAR O SEGUNDO
E Fantoni não entende a guerra só contra o Grêmio
Foi grande o choro do Grêmio ao final da partida. Mas a declaração que causou impacto maior foi a de Paulo César. Isto porque, o meia-cancha gremista — é batedor oficiai de pênaltis da equipe — foi impedido por André de cobrar o segundo pênalti, depois que o goleador havia já perdido um: “Eu cheguei pro André e pedi prá bater: ele achou melhor bater novamente.” Paulo César ficou chateado principalmente porque é o jogador que mais treina cobranças depois dos treinos, mas até agora não chutou nenhum no campeonato.
Enquanto isto, o técnico Orlando Fantoni garantia que André havia cobrado pela segunda vez por ordem sua, depois de ouvir os jogadores. Mas a declaração mais importante do treinador gremista foi com relação a diferença de “motivação”, das equipes do interior o enfrentam Grêmio e Inter:
— Admirei a diferença de motivação das duas partidas do Juventude, contra nós e contra o Inter. Parece que a motivação é outra. Mas foi bom, pois o Grémio compreendeu que, se quiser vencer o campeonato, vai ter que fazer o possível e o impossível. Vencer o campeonato é mais difícil para o Grêmio do que para qualquer outra equipe. A guerra aqui parece ser para apenas impedir o Grêmio de ganhar o campeonato. Vamos ter que lutar até morrer para ganhar. Mas, quem sabe esta derrota não tenha sido para nossa felicidade. Agora repito: não tem nem comparação, qualquer um que assistiu os dois Jogos do Juventude em Porto Alegre viu a diferença.” (Zero Hora, sexta-feira, 4 de maio de 1979)

INTERNACIONAL ofereceu prêmio-extra para os jogadores do Juventude. Só que os dirigentes foram avisados e não permitiram o “expediente”: — Nós não fomos procurados pelo Grêmio quando do jogo com o Inter e estamos com o Fernando Zacouteguy: nada de bicho-extra. O Juventude é um clube médio, mas nós mesmos nos encarregamos de premiar nossos jogadores. Foram as declarações do vice-presidente Gastão Brito, confirmando a oferta oficial feita pelo Inter. E nem foi preciso, como ficou comprovado durante a partida.” (Zero Hora, sexta-feira, 4 de maio de 1979)

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Fonte: Pioneiro

 

Grêmio 0x1 Juventude

GRÊMIO: Manga: Enrico, Vicente, Vantuir e Dirceu; Vitor Hugo, Iura (Nardela) e Paulo César Caju; Tarciso, André Catimba e Éder Aleixo
Técnico: Orlando Fantoni

JUVENTUDE: Rafael; Toninho, Gonçalves, Edson, Casemiro (Jorge); Assis, Jorge (Valdo) e Cacau; Kásper, Plein e Ivanildo.
Técnico: Marco Eugênio

Gauchão 1979 – 1º Turno – 17ª Rodada
Data: 03 de maio de 1979, quinta-feira
Público: 25.978 pagantes
Renda: Cr$ 1.028.215,00
Árbitro: Rui Canedo
Auxiliares: Adão Alípio Soares e Estemir Vilhena da Silva
Gol: Plein, aos 17 minutos do segundo tempo

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