Gauchão 1979 – 1º Turno – Inter 0x0 Grêmio

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1979 jb scalco placar

Foto: J.B. Scalco (Placar)

 

Em 13 de maio, Grêmio e Inter disputaram, no estádio Beira-Rio, o primeiro clássico da temporada 1979, o qual ficou conhecido como o Gre-Nal que Jurandir marcou/parou/anulou Falcão.

Era a última rodada do primeiro turno do Gauchão daquele ano. O tricolor estava um ponto na frente da classificação, de modo que o empate lhe garantira a liderança e o ponto-extra para o octogonal final. Com diversos desfalques, como Nardela e Paulo César Caju, Orlando Fantoni optou por escalar Jurandir, originalmente um atacante, no meio de campo, com a função de acompanhar o camisa 5 colorado em qualquer setor do campo. Deu certo, o Grêmio teve clara superioridade tática e conseguiu o resultado que lhe bastava para conquistar o turno.

andré catimba 1979 zh

Foto: Zero Hora

“ESSE EMPATE GARANTIU O PONTO-EXTRA AO GRÊMIO
Grandes destaques foram a vantagem tática de Fantoni sobre o quadrado de Cláudio e a péssima atuação de Sílvio Rodrigues, que prejudicou o Grêmio até a expulsão de André e depois ajudou

A jogada começou com Jurandir, passou por André e chegou a lúra, meia-esquerda de ataque, dentro da área do Inter. O meta-cancha do Grêmio deu uma puxeta sobre a zaga adversária, encontrando André livre pelo outro lado. O Centroavante dominou, chutou, Benitez defendeu com o pé mas no rebote o goleador do Grêmio fez o gol que poderia ter definido o Grenal de ontem à tarde no Beira-Rio. Eram 18 minutos do segundo quando o, árbitro Silvio Rodrigues cometeu seu maior erro, anulando o gol do Grêmio.

Três minutos mais tarde, porém, o resultado do Gre-Nal praticamente ficou definido. André, que recebera cartão amarelo quando da anulação de seu gol, resolveu catimbar – chutou a bola para longe – e foi expulso acertadamente pelo juiz da partida. Mas Silvio Rodrigues, a partir desse momento, simplesmente deixou de marcar faltas a favor do Inter perto da área do Grêmio e ajudou decisivamente — para desespero de alguns jogadores do Inter em campo — o time de Fantoni a manter o empate que lhe garantiu o ponto extra desse turno.

O Inter teve algumas oportunidades no primeiro tempo, quando Jair aproveitou um erro de Eder na marcação a Valdomiro —21 minutos – ganhou a frente da jogada mas chutou com muita força, por cima do gol de Manga. Falcão também errou uma cabeçada — 25 minutos – após um escanteio da direita com o gol vazio pois Manga sairá errado e se passara da bola cruzada. E mais tarde Jair esperou muito, permitindo a cobertura de Dirceu, quando ficou com a frente aberta pela meia-direita depois da jogada de Mário pela ponta-esquerda. Na fase final, apesar da pressão, da correria e da superioridade numérica, o time de Cláudio não conseguiu levar perigo ao gol de Manga.

Tarciso foi o responsável pela primeira grande jogada da partida. Eram três minutos quando ele dominou a bola em seu campo, ganhou de toda zaga do Inter na corrida mas centrou mal — lúra reclamou toque de Larry dentro da área. O Grêmio ainda poderia ter feito seu gol no final da primeira fase, quando lúra recebeu um lançamento longo da direita, penetrou entre os zagueiros do Inter, dominou sozinho à frente de Benitez e foi derrubado — Silvio Rodrigues não quis marcar o pênalti – quando o goleiro do Inter sentiu que fora batido com um drible para seu lado esquerdo.

A partir da expulsão de André, Fantoni definiu sua equipe defensivamente; tirou Iúra e colocou Valderez, pouco depois colocando Vilson no lugar de Eder pela ponta-esquerda. O Grêmio se encolheu e tratou de garantir o empate sem gols, Só Tarciso ainda tentava qualquer coisa no ataque, em velocidade. O Inter passou a jogar no campo adversário, mas, sem espaço, nada conseguiu.” (Zero Hora, segunda-feira, 14 de maio de 1979)

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Foto: Zero Hora

“VITÓRIA TÁTICA SURGIU COM JURANDIR MARCANDO FALCÃO

Sábado pela manhã Fantoni já confirrmava definitivamente informação exclusiva de Zero Hora: Jurandir sairia jogando, não Valderez ou Leandro. E a partir dessa definição tática o Grêmio começou a lutar com grandes possiblidades seu objetivo, o ponto-extra. Jurandir não foi ponta, nem meia-direita mas simplesmente um aplicadíssimo marcador de Falcão, em qualquer setor do campo do Grêmio.

Jair tentou organizar as jogadas para seu ataque e foi eficiente nos primeiros 30 minutos mas logo Vítor Hugo corrigiu um pouco seu posicionamento – desde o início muito preocupado em ajudar Dirceu na marcação a Valdomiro — e terminou com o setor de armação do Inter. Taticamente Falcão esteve bem pois tratou de levar Jurandir para a lateral-direita do Grêmio, preocupando Eurico que até então jogava livre. Mas essa atitude de Falcão exigia que alguém aprovei-tasse o espaço surgido pelo meio e conseguisse levar o time à frente, o que Caçapava, Batista e Jair não conseguiram. Adilson entrou aos 25 minutos da fase final tentando a mesma coisa mas também nada conseguiu.

Sem Paulo César e Nardela lesionados, Fantoni tratou de neutralizar o quarteto de meia-cancha do Inter com Jurandir. E foi muito feliz. Sexta-feira o técnico gremista se lembrou da partida disputada em 20 de fevereiro na cidade de Rosário, contra o Independiente. Nardela estava em Porto Alegre e Paulo César fora expulso, então ele usou Jurandir e Tarciso em revezamento pelo setor e o Grêmio assegurou os 4 x 0. Repetiu a dose nesse momento de emergência e novamente obteve sucesso, ajudado pelo ponto de vantagem que o Pelotas deu ao Grêmio quatro dias antes.” (Zero Hora, segunda-feira, 14 de maio de 1979)

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Foto: Zero Hora

“FOI SIMPLES

Na última sexta-feira, Jurandir já havia tomado banho, vestido sua roupa e despedia-se dos companheiros quando o supervisor Antonio Verardi entrou no vestiário do Olímpico: “O Fantoni quer falar com vocês é para tu concentrares amanhã (sábado).” Jurandir foi até o ficou sabendo das idéias do técnico. “Nem esperava jogar neste Gre-Nal. Fui chamado a última hora ” explicava, e substituir ao Paulo César e também ao Nardela, era uma responsabilidade muito grande.”

Ontem durante o Gre-Nal não foram necessários mais de alguns minutos para que a função de Jurandlr fosse conhecida. Mal o juiz apitou seu início e ele colou em Falcão. Desfalcado e necessitando apenas de um empate, o Grêmio queria prejudicar a armação das jogadas. O responsável por isto seria Jurandir, marcando de cima ao meia-cancha colorado quando sua equipe era atacada.

— Foi simples — dizia ele. Uma vez quando ainda estava no Caxias com o Froner fiz isto contra o Falcão e deu certo. Sabia que ele, bem marcado, seria muito bom para o Grêmio, porque ele faz tudo na equipe do Inter. Fazendo isto, 50% do time deles estaria prejudicado. E depois ninguém consegue jogar direito com alguém em cima, marcando sempre. O cara não agüenta e quando tem a bola dominada já acaba errando.

O esquema já estava definido no sábado “quando treinamos, isto durante uns 30 minutos”, lembrava Vitor Hugo. “Nós iríamos jogar da mesma forma do Inter. Quando eles atacavam tinham quatro e nós também, pois o Tarciso e o Jurandlr voltavam. Quando nós atacávamos também tínhamos quatro, pois os dois subiam. E o Jurandir com sua aplicação e sua dedicação foi insuperável nesta função,” comentou o centromédio.” (Zero Hora, segunda-feira, 14 de maio de 1979)

 

JURANDIR:Eu não estava nem concentrado. No sábado, já estava saindo pelo portão do Olímpico quando o seu Verardi (Antônio Carlos, supervisor) me chamou. Iúra, Tarciso e Paulo César (Caju) se reuniram e disseram que só eu poderia marcar o Falcão. Peguei a vaga do Ladinho. Falcão era o melhor jogador brasileiro, uma estrela, fazia a diferença. Mas consegui marcá-lo sem dar um pontapé. Eu estava muito bem preparado. Até nisso Falcão era diferenciado. Foi elegante, não reclamou de nada. Aquele Gre-Nal ficou na história, virou o meu cartão-postal. Marquei o cara que viria a ser o Rei de Roma.” (Diário Gaúcho, 1º de maio de 2015)

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Foto: Zero Hora

 

“Na breve viagem pelo passado, Silvio recorda um dos três Gre-Nais que apitou, que se destaca na história do clássico em razão de um lance insólito protagonizado pelo atacante gremista André Catimba, no Estádio Beira-Rio, nos anos 70. Após ser advertido, André foi para cima de Silvio, que estendeu o braço para impedir que ele se aproximasse. Quando a mão do juiz encostou no peito jogador, este se jogou no chão como se Silvio o tivesse empurrado. O estádio inteiro caiu na risada. Gremistas e colorados riram muito, possivelmente pela primeira vez juntos. Foi um lance engraçado.” (Jornal Marca da Cal, Janeiro/Fevereiro 2012)

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ORLANDO FANTONI:O Jurandir neutralizou o Falcão. Eu achava, antes da partida que o jogo seria decidido no meio do campo, onde o Inter possui jogadores excepcionais, como Falcão, Batista e Jair. Mas fomos felizes, graças à Deus, pois conseguimos anular as principais jogadas do adversário e ainda tivemos oportunidade de gols, como aquele lance em que o André marcou mas o juiz, inexplicavelmente, anulou a jogada.”

ORLANDO FANTONI: “Olha que eu já vi muitos jogos entre equipes rivais em toda minha vida. Co- mo o Gre-Nal eu não conhecia em termos DE catimba, de virilidade, enfim, de dureza nas disputas de bola. Conheci clássicos no futebol carioca, mineiro e baiano, como o gaúcho não tem igual: esta experiência eu vivi neste Gre-Nal. E o jogo mais nervoso e catimbado do Brasil para quem está dentro do campo; e para quem está fora torcendo

ORLANDO FANTONI: “O árbitro foi um pouco indeciso ao cometer algumas falhas importantes dentro da partida. Foram lances capitais, como uma penalidade clara em Iúra, um gol anulado do André e a expulsão por reclamação. Reclamação por reclamação, os jogadores do Inter estavam fazendo desde o primeiro tempo e não foram expulsos.”

INTERNACIONAL: Benitez; Hermes, Larry, Beliato e Bereta (Chico Espina); Caçapava, Batista, Falcão e Jair; Valdomiro e Mário (Adilson)
Técnico: Claúdio Duarte

GRÊMIO: Manga; Eurico, Vicente, Vantuir e Dirceu; Vitor Hugo, Jurandir e Iura (Valderez); Tarciso, André e Éder Aleixo (Vilson)
Técnico: Orlando Fantoni

Data: 13/05/1979, domingo
Local: Estádio Beira Rio, em Porto Alegre – RS
Público: 58.932 pagantes
Renda: Cr$ 3.204.250,00
Árbitro: Sílvio Rodrigues
Auxiliares: Juarez Oliveira e Estemir Vilhena da Silva
Cartão Vermelho: André

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