Gauchão 1994 – Inter 1×0 Grêmio

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Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

No “interminável” Gauchão de 1994, Inter e Grêmio se enfrentaram no primeiro Gre-Nal daquela temporada no Beira-Rio em 12 de junho de 1994.

O Co-irmão havia sido eliminado da Copa do Brasil, no meio da semana, pelo Ceará e buscava se reabilitar com um vitória no certame regional. Conseguiu isso graças a um gol de Argel.

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Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

 

VITÓRIA DEVOLVE A ALEGRIA AO INTER
O time de Lopes se recuperou da eliminação na Copa do Brasil e aumentou a vantagem sobre o Grêmio no Gauchão

O torcedor que há quase um ano não assistia ao mais tradicional clássico gaúcho teve ontem, no Estádio Beira-Rio, a oportunidade de refrescar a memória com um típico Gre-Nal. Muita força, jogadas concentradas no meio campo, sete cartões amarelos e apenas um gol marcado. A tarde que havia começado coberta por um céu azul cintilante, terminou num crepúsculo vermelho, colorida pelo gol de Argel — aos 16 minutos do segundo tempo — que garantiu a vitória e a invencibilidade do Inter no Gauchão. Com 24 pontos, o time de Lopes mantes e a liderança isolada e aumentou a diferença sobre o Grêmio para cinco pontos.

Assim como a bela tarde de domingo, o Gre-Nal também mostrou uma certa predominância do azul em campo. Foi a equipe do técnico Luiz Felipe que mais tempo esteve com a posse de bola. Foi ela que mais situações de gol criou e, também, a que mais chances desperdiçou. Ao Internacional coube a estratégia dos contra-ataques. Mas, sobretudo, coube à equipe de Antônio Lopes fazer o único gol da partida. Após a cobrança de falta pelo lateral-direito Daniel Frasson, o zagueiro Argel desviou de Danrlei. 1 a 0. Méritos à eficiência.

As oportunidades de gol do primeiro tempo foram muito raras. Limitaram-se a um chute fraco de Caíco, uma cabeçada de Paulão pelo lado, um chute de Mazinho Loiola, e um arremate de Nildo na entrada da pequena área pelo alto. As duas equipes jogavam-se ao ataque com cautela, preocupadas em não deixar espaços para o contra-ataque adversário.

OUSADIA – A segunda etapa recebeu alguns contornos mais ousados. Um chute forte de Carlos Miguel balançou o travessão da goleira de Sérgio. O gol marcado por Argel forçou o Grêmio a sair mais à frente. Luiz Felipe chamou Carlinhos e o colocou no lugar do garoto Émerson. Era a tentativa do técnico gremista de buscar uma reação que acabou não chegando. Mesmo com três atacantes —Carlinhos, Fabinho e Nildo — o time de Luiz Felipe não conseguiu converter em gols as chances criadas. A defesa segura do Inter e a boa participação de Caíco na articulação das jogadas de ataque foram suficientes para controlar a força gremista. O Gre-Nal de número 322 terminou com festa colorada. Um presente ao 53° aniversário de Antônio Lopes.” (Sílvio Ferreira, Zero Hora, segunda-feira, 13 de junho de 1994)

 

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Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

JOVENS FESTEJAM OS 53 ANOS DE LOPES
Os garotos Caíco e Argel, lançados pelo treinador, transformaram a vitória em presente de aniversário

O Gre-Nal de número 322, que deixou o Inter na liderança isolada do Gauchão, reservou momentos de emoção. O técnico António Lopes viu Argel e Caíco, dois jogadores por ele lançados para o futebol, presentearem-no com atuações individuais convincentes, um gol e uma vitória importante sobre o principal rival. Desde ontem um homem com 53 anos, Lopes passou o jogo inteiro agitado. A partir dos nove minutos, quando se ergueu pela primeira vez e correu em direção à beirada do campo, o senta-levanta se tornou quase que constante.
Em campo, a aplicação tática e a garra de Argel se somavam à habilidade de Caíco.

O atacante Aírton Graciliano dos Santos, 20 anos completos desde o último dia 15, já dava seus dribles desconcertantes na boa zaga gremista quando uma falta na meia-esquerda incentivou o zagueiro Argelico Fucks, 19, a se arriscar na área adversária. Daniel Frasson chutou rasteiro. A bola roçou em Anderson e encontrou o pé de Argel. Parou na rede. Desacostumado à emoção de fazer gols, o garoto disparou em direção à torcida mostrando o distintivo. “Sou mais do que um jogador, sou um colorado”, bradou. “Esta vitória compensa qualquer derrota para o Ceará, o importante é derrotar o Grêmio.”

No momento do gol, Lopes foi lacônico. “Isto é Gre-Nal, nada está decidido”, comentou, demonstrando familiaridade com o futebol gaúcho. Eram 16h55min. A noite reservaria ainda a comemoração do Dia dos Namorados com a mulher Elza. A festa de aniversário ficou para hoje. Com os amigos gaúchos. Especialmente os garotos que devolveram a ele a alegria de vencer um Gre-Nal.” (Léo Gerchmann, Zero Hora, segunda-feira, 13 de junho de 1994)

 

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Fonte: Pioneiro

 “DERROTA NÃO ABALA GREMISTAS

A derrota para o Inter por 1 a 0 não desanimará o grupo de jogadores gremistas nem modificará o trabalho planejado pela comissão técnica. A garantia é do presidente Fábio Koff e do técnico Luiz Felipe — que perdeu o seu primeiro Gre-Nal como treinador. Ambos consideraram o resultado negativo normal em um clássico, lamentaram as oportunidades perdidas, o vacilo no lance do gol de Argel, e pediram a confiança da torcida para a equipe em formação

Depois do jogo, Fabio Koff insistiu para que a torcida tricolor dê crédito à equipe. “Temos um time confiável e bem trabalhado para formar um grande elenco, portanto um resultado absolutamente previsível não vai desestruturar o grupo”, falou Koff. Em análise semelhante, Luiz Felipe elogiou o desempenho do Grêmio, lamentou o gol de bola parada e os erros nas conclusões. Mas descartou mudanças na filosofia de trabalho de aproveitamento dos jovens.

Os jogadores e o técnico Luiz Felipe enfatizaram da importância do Gauchão e acham que o time vai se recuperar — caiu para 4º — contra o Guarani-VA, na quarta-feira e domingo em Pelotas, diante do Brasil. O Grêmio ainda espera pelo próximo adversário da semifinal da Copa do Brasil: Vasco ou Atlético-MG.” (Alvaro Larangeira, Zero Hora, segunda-feira, 13 de junho de 1994)

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Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

Inter 1×0 Grêmio

INTER: Sérgio Guedes; Daniel Frasson, Argel, Ricardo e Silvan; Anderson, Elson, Mazinho Oliveira (Alexandre) e Caíco; Mazinho Loiola (Fábio) e Paulinho McLaren
Técnico: Antonio Lopes

GRÊMIO: Danrlei; Ayupe, Paulão, Agnaldo e Roger; Pingo, Jamir, Emerson (Carlinhos) e Carlos Miguel; Fabinho e Nildo
Técnico: Luiz Felipe Scolari

Gauchão 1994 – 12ª Rodada
Data: 12 de junho de 1994, domingo
Local: Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre/RS
Público: 21.184 (17.401 pagantes)
Renda: Cr$ 56.456.000,00
Árbitro: Silvio Luís de Oliveira
Assistentes: Luís Augusto Muhle e Marco Aurélio Charão
Cartões amarelos: Silvan, Ânderson, Daniel Frasson, Elson, Paulão, Nildo, Fabinho
Gol: Argel, aos 16 minutos do segundo tempo

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