Brasileirão 1973 – Grêmio 1×0 Santos – O último jogo de Pelé no Olímpico

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Foto: Correio do Povo

Em jogo válido pelo Brasileirão de 1973, mas disputado em janeiro de 1974, Pelé fez seu último jogo no Estádio Olímpico.

E o Grêmio ganhou por 1×0, com um gol de Carlinhos, já nos acréscimos do segundo tempo.

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SENSACIONAL VITÓRIA DO GRÊMIO

O Grêmio precisava da vitória para aspirar a uma classificação ou continuar lutando por ela. O importante golo de Carlinhos, no fim do jogo, confirmou a melhor exibição gremista, principalmente no segundo tempo. O Santos veio a Porto Alegre com Pelé (que não jogou bem) e uma das melhores campanhas na fase semifinal do campeonato nacional.

Exatamente por isso o técnico Carlos Froner cuidou, inicialmente, de brecar o início das jogadas na meia-cancha do Santos, que tinha o recuo de Pelé. Assim Froner deixou Carlinhos na reserva e colocou Humberto Ramos como falso ponteiro-direito. Fixo na ponta, o jogador mais habilidoso do ataque gremista, ficou, praticamente sem função, pois nunca teve um companheiro para dar continuidade às jogadas. O Santos começou dando um susto no Grêmio quando Mazinho, batendo Jorge Tabajara e cruzando forte, fez Beto, na tentativa de rebater, atirar no poste direito de Picasso. Depois Humberto Ramos foi liberado da função de jogar na ponta e passou a acionar pelo meio e o Grêmio cresceu de produção.

A melhor oportunidade do primeiro tempo foi um escanteio que Loivo cobrou certo para, Mazinho cabecear no travessão, com o goleiro Cejas saltando tarde, e por isso batida totalmente no lance. Pelé adiantado começou a voltar para buscar o jogo que não chegava até ele, e Edu foi marcado por Renato Cogo. Assim o primeiro tempo terminou zero a zero.

SEGUNDO TEMPO
No segundo tempo, o Grêmio cresceu muito de produção e dominou o Santos que passou a contar com o recuo de Pelé e a penetração de Brecha, meia-cancha, como ponta-de-lança. Sentindo a pressão gremista o Santos passou a tocar a bola e a demorar na cobrança de faltas ou laterais, com a clara intenção de fazer o tempo passar, uma vez que o empate seria bom. O treinador Pepe só não contava com a entrada de Carlinhos no lugar de Humberto Ramos. Aí Mazinho fez a função de Humberto e o Grêmio teve a formação mais racional, a que realmente mostrou um time melhor que o Santos e com vontade de ganhar. A primeira grande oportunidade do segundo tempo foi um chute de Tarciso que bateu nos dois postes do goleiro Cejas. Cada vez mais aumentava a pressão gremista e o Santos só teve um grande lance, que Nenê desperdiçou depois de receber ótimo passe de Pelé. Antes Brecha fora lançado pelo mesmo jogador e, livre, arremessou para fora.

E quando parecia que o jogo terminaria mesmo empatado, Carlinhos foi recompensado por sua grande atuação e por ter mudado a feição do jogo. Ele recebeu de C. Alberto, que estava na linha de escanteio, caiu pela meia direita e arrematou em curva com o pé esquerdo, 30 segundos além do tempo regulamentar. A bola ainda raspou em Nenê e encobriu o goleiro Cejas, para estabelecer a mais importante vitória gremista na fase semifinal.” (Correio do Povo, terça-feira, 29 de janeiro de 1974)

 

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Ruy Carlos Ostermann – Correio do Povo, terça-feira, 29 de janeiro de 1974

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SANTOS CONFIAVA NO EMPATE, O GRÊMIO MARCOU E GANHOU

O Santos não conseguiu dominar e vencer o Grêmio. Como o jogo estava terminando, preferiu optar pelo empate. Mas acabou sendo surpreendido por um gol de Carlinhos nos segundos finais e teve que se conformar com uma derrota inesperada, principalmente pela maneira como vinha jogando ultimamente O favoritismo não adiantou nada.

Os problemas internos que existem no Grêmio são os mesmos que existiam quando, nas eliminatórias, sofreu a goleada de 4 a 0 para o Santos no Pacaembu. Foi o último jogo entre os dois. Acontece que naquele tempo nada transparecia, muito pelo contrário, a imagem do time gaúcho era a mais tranquila possível e todos o apontavam como um exemplo de disciplina dentro e fora do campo.

Hoje a situação é outra, Oberti vendido para o Old Boys da Argentina, depois de acusado pelo técnico Carlos Fronner de jogar dopado, revelou que a situação interna do Grêmio não é o que se dizia mas muito pelo contrário: o ambiente é dos piores, com todo tipo de brigas e interferências no trabalho dos jogadores, técnico, e demais áreas administrativas.

Talvez seja por isto que o jogo de ontem foi tão ruim O Grêmio, para não sofrer nova goleada, e desta ver com repercussão pior ainda, por se tratar do jogo em Porto Alegre, começou na retranca. O Santos, por sua vez, não estava em grande dia. Pelé, que ultimamente tem se cansado de mostrar que continua o melhor jogador do mundo, acompanhou o baixo rendimento do time. Em outras palavras, não fez nada a não ser trocar passes e fazer uns poucos lançamentos visando principalmente a esquerda, na esperança de que Edu fizesse alguma coisa.

O jogo foi se desenrolando assim monótono para a decepção da torcida. No segundo tempo a situação continuava a mesma, com apenas uma diferença: Carlinhos e Tarciso, antes isolados no ataque, ganharam mais um companheiro: o ponta-esquerda Loivo que recebeu ordens para avançar também. Mas só nos momentos de contra-golpes.

O jogo ficou um pouco mais movimentado, Carlinhos, o mais perigoso, passou a jogar mais livre de marcação, pois agora a defesa santista tinha que dividir a atenção pelas duas extremas. Contra-atacando assim, o gol surgiu. Foi muito mais por unta questão de sorte, do que por bom futebol. Aos 45 minutos, quando as esperanças tinham sido abandonadas, Carlinhos, recebeu a bola de Marinho pelo meio e venceu Cejas saiu bem, mas foi enganado com um toque pelo alto e o Grêmio ganhou o jogo. Foi uma vitória apagada onde as boas atuações foram totalmente individuais. Como a de Carlinhos que voltou muito bem, e esforçou-se o tempo todo contra uma das mais respeitadas defesas do país.

No Santos pode ser destacada a atuação do Mazinho e de Clodoaldo, um lutador incansável. Cejas não pode ser culpado pelo gol pois nada podia fazer. Durante o jogo não teve, como Picasso, momentos de grande perigo. Carlos Alberto também esteve bem, apesar de vir de três jogos parado devido à suspensão pelas ofensas ao juiz Carlos Costa numa briga com Cejas.” (Folha de São Paulo, segunda-feira, 28 de janeiro de 1974)

tabela

GRÊMIO VENCE SANTOS NO FINAL

Porto Alegre (Sucursal) — A torcida do Grêmio já estava saindo do Estádio Olímpico, consolada com um empate frente no Santos, quando 30 segundos além do tempo regulamentar Carlinhos chutou forte, a bola bateu em Zé Carlos e foi para as redes sem chance para Cejas, garantindo a vitória do time gaúcho por 1 a 0.

Um grande público assistiu à partida entusiasmado com a possibilidade de ver Pelé, mas o jogador não repetiu suas boas atuações, devido à dura marcação que recebeu da defesa do Grêmio e principalmente de Carlos Alberto que lhe perseguiu por todo o campo. A renda, surpreendente, pois o estádio praticamente lotou, foi de Cr$ 272 mil 768. O juiz Luis Carlos Félix teve uma boa atuação.

Erro do Grêmio

O Grêmio atuou com Picasso, Renato, Ancheta, Beto e Jorge Tabajara, Carlos Alberto, Paulo Sérgio e Mazinho, Humberto Ramos (Carlinhos), Tarciso e Loivo.

O Santos teve Cejas, Carlos Alberto, Marinho, Vicente e Zé Carlos, Clodoaldo, Brecha (Léo) e Nené, Marinho, Pelé e Edu. O Santos começou a partida muito bem, aproveitando as deficiências táticas do Grêmio, já que o técnico Carlos Froner deixou Carlinhos na reserva, preferindo escalar na sua posição o meia Humberto Ramos, que acabou perdido entre a ponta e o meio-campo. Aos 6 minutos, o time paulista perdeu unia boa chance quando Mazinho cruzou forte e Ancheta, na ânsia de defender, acabou mandando a bola na trave, para defesa posterior de Picasso.

Aos 10 minutos, num contra-ataque, o Grêmio por pouco não surpreendeu o Santos, mas Humberto Ramos chutou muito alto, apesar de só ter Cejas pela frente. Mais tarde, vendo o erro tático, Carlos Froner mandou que Mazinho se deslocasse para a ponta e Humberto Ramos voltasse para o meio-campo. A partida ficou mais equilibrada, apesar dos defeitos no ataque. O time gaúcho manteve-se firme na defesa, vigiando incessantemente todos os passos de Pelé. E contendo os pontos de qualquer maneira.

Mazinho, aos 32 minutos, quase colocou o Grêmio em vantagem. Ele escorou um escanteio bem cobrado por Loivo e cabeceou forte, mas a bola acabou batendo na trave e foi para fora.

Santos melhor

Prendendo a bola no meio-campo e esfriando os ataques do Grêmio, o Santos começou melhor o segundo tempo. Aos 10 minutos, a melhor jogada de Pelé: ele recebeu a bola de Clodoaldo e lançou Brecha, que correu sozinho para a área do Grémio e acabou chutando para fora.

Em seguida, o técnico do Grêmio fez a substituição de Humberto Ramos por Carlinhos, que acabou mudando todo o esquema tático da equipe, passando a explorar as jogadas pela ponta-direita. O Santos, sentindo a pressão e o apoio cia torcida ao time gaúcho, passou a catimbar o jogo. Aos 24 minutos, Tarciso realizou duas boas jogadas: na primeira, tentou encobrir Cejas e o goleiro defendeu; na segunda, chutou de fora da área, sendo que a bola bateu na. trave direita, correu na risca do gol e bateu na esquerda, terminando nas mãos do goleiro.

O ritmo de jogo do Grêmio no final foi impressionante, mas a torcida já eslava deixando o Estádio Olímpico quando aconteceu o gol. O lance começou com uma cobrança de escanteio por Loivo. Houve confusão na área e Carlinhos, de pé esquerdo, chutou forte, sendo que a bola foi para as redes depois de bater em Zé Carlos, enganando Cejas. Passavam 30 segundos do tempo regulamentar e o Grémio então, com a vitória, começava a sair da crise interna e a ter novamente esperanças na classificação.” (Jornal do Brasil, segunda-feira, 28 de janeiro de 1974)

colocaçoes

Brasileirao 1973 Gremio 1x0 Santos ingressos

GRÊMIO: Picasso: Renato Cogo, Ancheta, Beto Bacamarte e Jorge Tabajara; Carlos Alberto, Paulo Sérgio e Humberto Ramos (Carlinhos); Tarciso, Mazinho e Loivo
Técnico: Carlos Froner

SANTOS: Cejas; Carlos Alberto Torres, Marinho Perez, Vicente e Zé Carlos; Clodoaldo e Brecha (Léo); Mazinho, Nenê, Pelé e Edu
Técnico: Pepe

Data: 27 de janeiro de 1974, domingo, 18h00min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Renda: Cr$ 262.763,00
Juiz: Luís Carlos Félix
Auxiliares: Eraldo Palmerini e Rubens Carvalho

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