Archive for August, 2019

Brasileirão 1975 – São Paulo 1×2 Grêmio

August 30, 2019
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Foto: Zero Hora

No Brasileirão de 1975, o Grêmio chegou sem chances de classificação para as semifinais na penúltima rodada da terceira fase. O São Paulo ainda tinha remotas chances matemáticas de prosseguir na competição. E os tricolores se enfrentaram no Morumbi, num jogo que serviu como preliminar de Portuguesa x Sport.

O Grêmio, treinado por Ênio Andrade, ganhou por 2×1 com gols de Zequinha e Neca.

Vale apontar para o fato da matéria da Zero Hora considerar Tarciso como grande batedor de pênaltis (dois anos depois ele erraria uma cobrança na final do Gauchão).

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Foto: Zero Hora

DEPOIS DE PERDER PÊNALTI, NECA GARANTIU A VITÓRIA

Jogando uma partida em que mais uma vez que parecia que ia empatar, o Grêmio conseguiu ontem, depois de nove partidas sem vitórias, ganhar do São Paulo por 2 x 1. Os gols foram de Zequinha, aos 9 minutos, Serginho para o São Paulo aos 44 min e Neca, desempatando aos 40 min da segunda etapa para o Grêmio.

DOIS GOLS

A disposição do Grêmio em fazer uma boa partida começou cedo no jogo de ontem à tarde no Morumbi. A um minuto uma troca de passes entre Neca, Nenê e Claudinho quase termina em gol. E logo o Grêmio iria marcar. Aos 9 minutos, Nenê livrou-se de dois jogadores do São Paulo, deu para Neca, Neca lançou Zequinha a curta distância o chute saiu forte, rasteiro, no canto esquerdo de Valdir Peres. 1×0 para o Grêmio.

O gol talvez tenha vindo mais depressa de, que os paulistas calculassem, pegando o São Paulo de surpresa. Até que o time reagisse, o Grêmio mandou à vontade no jogo. Neca e Nenê tiveram espaços a vontade e foi dali que partiram as melhores jogadas no Grêmio na primeira etapa.

Mas o São Paulo não se acomodou. Pedro Rocha começou a jogar, destruindo as jogadas de meio de campo, anulando a função de Neca, que vinha sendo o melhor jogador do Grêmio até a altura dos 20 minutos. Já aos 13 minutos, Murici, que vinha jogando mal, perdeu um gol certo ao chutar muito mal. Depois desse lance o São Pauto aumenta a pressão que só vai terminar aos 44 minutos com o gol de Serginho. Antes do gol entretanto, o São Paulo andou bem perto do empate. Aos 25 minutos aconteceu uma jogada em que a bola tocou no braço de Beto Fuscão dentro da área. Os jogadores do São Paulo não se manifestaram e o jogo continuou. Aos 43 minutos Wilson foi o protagonista de uma jogada tão engraçada quanto sensacional. Pedro Rocha mandou uma bola para o Serginho entre Beto Fuscão e Ancheta. Ancheta na cobertura se confundiu com Vilson que também vinha na jogada. O lateral, então, na tentativa de aliviar acabou acertando um chute violento na forquilha esquerda do gol de Picasso.

Logoo depois, aos 44 minutos , o gol de empate do São Paulo. Outra jogada de Pedro Rocha, Zequinha estava recuado tentou defender mas cabeceou mal, e a bola caiu atrás com Serginho, que chutou em cima de Picasso. São Paulo 1×1. Foi a terceira oportunidade de Serginho. A segunda, ele tinha perdido numa bola no travessão de Picasso.

O PENALTI

A boa impressão do time do Grêmio no primeiro tempo aos poucos vai desaparecendo com a má finalização dos jogadores de ataque, principalmente Osmar e Claudinho. Beto Fuscão jogando recuado e Wilson dispersivo no ataque não acrescentaram quase nada a equipe. Aos 3 minutos uma bola que estava mais para Neca acabou longo do gol num chute errado de Wilson.

Aos 9 minutos Poy substitui Zé Carlos por Sergio Américo e aos 22 entra Ademir no lugar do lateral direito Osmar. A entrada de Ademir dá mais movimentação ao São Paulo, sempre alimentado por boas jogadas de Pedro Rocha, muito melhor no segundo tempo. Aos 20 minutos Pedro Rocha entrou correndo, largou para Murici, a bola bateu em Picasso e se não fosse Beta Fuscão, aliviando na frente do gol vazio, o São Paulo já teria desempatado. O Grêmio não melhora, Nenê se confunde em jogadas complicadas e aos 28 minutos acontece uma substituição esquisita do Grêmio. Ênio Andrade tira Claudinho, colocando Iúra em seu lugar.

Aos 34 minutos aconteceu o lance do pênalti. Tecão perdeu a bola para Nenê dentro da área e derrubou o ponta esquerda do Grêmio. O juiz marcou pênalti. Neca, ao cobrar, resbalou e a bola foi para fora. Parecia que o Grêmio iria terminar outra partida sem vitória. Mas Neca com um gol que o redimiu completamente depois do gol perdido no pênalti, deu a vitória ao Grêmio, aos 40 minutos depois de nove partidas sem vitória nesta Copa Brasil.

No Grêmio ninguém teve uma grande atuação individual. Neca foi o melhor em campo, mas teve um defeito que poderia comprometê-lo mais ainda: o fato de errar um pênalti. No São Paulo, também nada a destacar: Valdir Perez, Tecão, Pedro Rocha e Serginho os melhores.”  (Zero Hora, domingo, 30 de novembro de 1975)

SÓ TARCISO SABE BATER PÊNALTIS

Um pênalti de Tecão sobre Nenê aos 34 minutos do segundo tempo, bem marcado pelo iuiz Saul Mendes, mostrou mais uma vez que o Grêmio não tem quem chute corretamente este tipo de falta quando o centroavante Tarciso está ausente. Os paulistas que assistiam ao iogo de sábado à tarde no estádio do Morumbi ficaram surpresos pois, apesar da má campanha do Grêmio neste Campeonato Brasileiro, eles lembram que Ênio Andrade, como jogador do Palmeiras, foi um excelente cobrador de pênaltis. Por analogia, deveria ensinar melhor seus jogadores.

Contra o Coritiba, no Olímpico, ainda pela fase semifinal, Tarciso havia sido expulso de campo e o Grêmio, perdendo por 2 a 1, teve um pênalti a seu favor. Zequinha, escolhido para bater, chutou fraco, permitindo que Jairo agarrasse firme. No jogo de sábado contra o São Paulo, Neca foi o escalado e, apesar de Valdir Perez saltar para o lado esquerdo, o meia-cancha do Grêmio chutou fraco e completamente torto, longe da trave direita do São Paulo.

Quem observa atentamente os treinos diários no Olímpico pode ver claramente que só Tarciso chuta bem. Batendo no meio da bola e com muita força, o centroavante evita que a bola vá por cima do gol, ao mesmo tempo que — com a força — tira a possibilidade do goleiro adversário defender instintivamente, no reflexo.

NECA

Na próxima quarta-feira o Grêmio enfrenta o Sport de Recite no estádio Olímpico e encerra sua participação no Campeonato Brasileiro de 1975. Exatamente há nove partidas sem vitória, ninguém mais acreditava que o time dirigido por Ênio Andrade conseguisse ganhar do São Paulo depois que Neca chutou completamente desviado o pênalti de Tecão em Nenê no segundo tempo.

Entretanto, o próprio Neca fez o gol da vitória nos últimos minutos de jogo. Aproveitando outra boa jogada de Nenê pela esquerda, Neca recebeu a bola na entrada da área e chutou forte, de pé esquerdo, no ângulo direito de Valdir Perez. Foi o seu 12° gol neste campeonato, que o coloca entre os principais goleadores do pais, apesar de jogar na meia-cancha de um time que só venceu seis das 27 partidas disputadas. E muito embora esse jogo nada decidisse para o clube, mais uma vez Neca definiu uma partida em favor do Grêmio e deu a seus companheiros uma gratificação que eles não recebiam há quase 50 dias.” (Zero Hora, domingo, 30 de novembro de 1975)

A renda de Cr$ 107.011,00 não diz, nem por acaso, o que era o público presente ao Morumbi ao início do togo entre Grêmio e são Paulo, a preliminar da rodada dupla. Quem chegasse às 16 horas no estádio do São Pauto pensaria que o início do jogo havia sido retardado. Chegava a ser simplesmente ridículo o número de torcedores que estavam se arriscando a “tomar um banho” de chuva para ver uma partida de futebol que não tinha interesse para nenhum dos dois time. E depois do jogo, um torcedor do São Paulo exclamava desanimado, enquanto aguardava o início de Portuguesa e Sport: “Pelo menos a música do alto-falante ajuda a pagar o ingresso” (Zero Hora, domingo, 30 de novembro de 1975)

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Foto: Zero Hora

GRÊMIO VENCE PELA 1.ª VEZ

São Paulo — O São Paulo, que na fase preliminar do Campeonato Nacional foi uma das equipes mais positivas, deu ontem mais uma demonstração de sua má fase, perdendo para o Grêmio em seu estádio, no Morumbi, por 2 a 1 em partida preliminar de Portuguesa e Esporte.

O Grêmio abriu a contagem no primeiro tempo através de Zequinha, mas cedeu o empate ao São Paulo, este com tini gol marcado por Serginho. No segundo tempo, o Grêmio desperdiçou um pênalti cobrado para fora por Neca, que viria a assinalar o gol da vitória quase ao final do jogo.

A partida, tecnicamente fraca, sofreu seguidas vaias da torcida e teve ainda um pênalti não assinalado pelo Juiz Saul Mendes, a favor do Grêmio e um lance curioso, de Serginho, que defendeu para o adversário uma jogada de Pedro Rocha (gol certo) na linha do travessão.” (Jornal do Brasil, domingo, 30 de novembro de 1975)

 

VITÓRIA DO GRÊMIO, UM JUSTO CASTIGO PARA O SÃO PAULO

O São Paulo perdeu ontem, ao ser derrotado pelo Grêmio, por 2 a 1, no Morumbi, suas últimas esperanças de tornar-se um dos finalistas da Copa Brasil. O resultado bastante justo, pois o Grêmio foi a melhor equipe durante todo o jogo, enquanto o São Paulo não passou de um time lento e desordenado, em todos os setores.

No primeiro tempo, depois de uma ou outra boa jogada no ataque, onde Murici tramava bem com Terto, o São Paulo foi surpreendido por um rápido contra-ataque. Neca lançou Nenê, pela esquerda, este passou bem por Osmar e virou o Jogo completamente para a direita, quando esperava-se que seguiria para a linha de fundo. A bola foi encontrar Zéquinha às costas de Gilberto. O chute enganou Valdir Peres. Era o primeiro gol, aos 8 minutos.

Depois do gol, o Grêmio empolgou-se e o São Paulo recuou. Pedro Rocha, que vinha tendo uma atuação medíocre, resolveu levar o time à frente. Passou a jogar mais adiantado e tramar bem pela direita procurando Terto, trocando de posição com Murici e Serginho pelo meio. Zé Carlos recuou e o São Paulo passou então a ler bons momentos ofensivos. Mas foi por pouco tempo, pois o meio campo do Grêmio passou a mandar no jogo, obrigando o São Paulo a recuar novamente. Aos 44, num contra ataque, Serginho, quase sem ângulo, finalizou bem para empatar.

No segundo tempo, os dois times mostravam-se cansados e o jogo foi se tornando cada vez mais monótono. O Grêmio, mesmo atuando mal, era quem mais atacava, aproveitando-se principalmente das falhas de Osmar e depois de Ademir, para explorar o lado direito. Aos 35 minutos, Nenê foi derrubado por Tecão dentro da área Néca desperdiçou o pênalti, chutando fora. Cinco minutos mais tarde, Neca venceu Paranhos e marcou o gol da vitória.” (Folha de São Paulo, domingo, 30 de novembro de 1975)

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São Paulo 1×2 Grêmio

SÃO PAULO: Waldir Perez; Osmar (Ademir), Paranhos, Tecão e Gilberto; Chicão, Pedro Rocha e Muricy Ramalho; Terto, Serginho Chulapa e Zé Carlos (Sérgio Américo)
Técnico: José Poy

GRÊMIO: Picasso; Vilson (Beto Bacamarte), Beto Fuscão, Ancheta e Bolivar; Luís Carlos, Osmar, Nenê, Zequinha, Neca e Claudinho (Iura).
Técnico: Enio Andrade

Brasileirão 1975 – Fase Final – Grupo B – 6ª Rodada
Data: 29 de novembro de 1975, sábado, 16h00min
Local: Estádio Morumbi, em São Paulo-SP
Público: 7.084 pagantes
Renda: Cr$ 107.011,00
Árbitro: Saul Mendes
Auxiliares: Edu Monteiro e Bartolomeu Vaz Londello
Cartões amarelos: Bolivar
Gols: Zequinha, aos 09 minutos do 1º tempo. Serginho Chulapa, aos 44 minutos do 1º tempo; Neca, aos 40 minutos do 2º tempo

Libertadores 2019 – Palmeiras 1×2 Grêmio

August 29, 2019




Gremio x Palmeiras

De tudo que aconteceu no jogo acho importante destacar o momento que Alisson mandou seus companheiros para dentro da área antes de cobrar a falta que resultou no gol de empate tricolor. Essa ação mudou o rumo do confronto.

E pela segunda vez o Grêmio de Renato, conhecido pela posse de bola, por jogar com a bola no chão, saiu de um “buraco” graças a bola parada levantada na área.

Muito importante foi a “correção” do posicionamento de Cortez do 1º para o 2º jogo. Dudu, de fato, “não jogou”.

Também achei interessante a opção feito por Renato no segundo tempo, colocando Pepê em campo e passando Everton para o meio do ataque, deixando sua linha de frente ainda mais rápida para explorar contra-ataques.

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Gremio x Palmeiras
Fotos: Richard Callis (Jovem Pan), Eduardo Moura (Globo Esporte), Cesar Grego (S.E. Palmeiras) e Lucas Uebel (Grêmio.net)

Palmeiras 1×2 Grêmio

PALMEIRAS: Weverton; Marcos Rocha, Luan, Gustavo Gómez e Diogo Barbosa; Thiago Santos, Bruno Henrique (Raphael Veiga, 28/2ºt), Gustavo Scarpa (Zé Rafael, 20/2ºt); Dudu, Willian (Deyverson, intervalo); Luiz Adriano.
Técnico: Luiz Felipe Scolari

GRÊMIO: Paulo Victor; Leonardo Gomes, Geromel, Kannemann e Cortez; Matheus Henrique, Maicon (Rômulo, 29/1ºt); Alisson (Diego Tardelli, 36/2ºt), Jean Pyerre e Everton; André (Pepê, 18/2ºt)
Técnico: Renato Portaluppi

Libertadores 2019 – Quartas de final – jogo de volta
Data: 27 de agosto de 2019, terça-feira, 21h30min
Local: Estádio Pacaembu, em São Paulo – SP
Público: 36.081 (34.541 pagantes)
Renda: R$ 1.847.047,50
Árbitro: Néstor Pitana (ARG)
Assistentes: Hernan Maidana (ARG) e Ezequiel Brailovsky (ARG)
VAR: Daniel Fedorczuk (URU)
Cartões amarelos: Marcos Rocha; Maicon, Matheus Henrique, Jean Pyerre, Alisson e Geromel
Gols: Luiz Adriano, aos 13 minutos do 1º Tempo, Everton, aos 17 minutos do 1º Tempo, e Alisson, aos 21 minutos do 1º Tempo

Brasileirão 2019 – Grêmio 2×1 Athlético-PR

August 26, 2019

Gremio x Athletico-PR

– Média de Público do Grêmio no Brasileirão 2019:
17.131 (15.386 pagantes)

– Média de público do Grêmio na Arena na atual temporada:
24.400 (22.774 pagantes)

– Média de público do Grêmio como mandante em 2019:
23.618 (21.534 pagantes)

Gremio x Athletico-PR

Fotos: Lucas Uebel (Grêmio.net)

Grêmio 2×1 Athlético-PR

GRÊMIO: Júlio Cesar; Rafael Galhardo, Paulo Miranda, David Braz e Juninho Capixaba; Romulo, Thaciano e Luan (Darlan, aos 46/2ºT); Luciano (Patrick, aos 24/2ºT), Diego Tardelli (Michel, aos 36/2ºT) e Pepê
Técnico: Renato Portaluppi

ATHLETICO: Santos; Khellven, Lucas Halter, Léo Pereira e Márcio Azevedo (Abner, aos 40/2ºT); Wellington (Tomás Andrade, aos 23/2ºT), Bruno Guimarães e Léo Cittadini; Vitinho (Braian Romero, aos 31/2ºT), Cirino e Rony
Técnico: Tiago Nunes.

Data: 24/8/2019, sábado, 17h00min
Local: Arena do Grêmio, Porto Alegre – RS
Público: 12.748 (10.788 pagantes)
Renda: R$ 355.594,00
Árbitro: Bruno Arleu de Araújo (RJ)
Auxiliares: Rodrigo Figueiredo Henrique Correa (RJ) e Carlos Henrique Alves de Lima Filho (RJ)
VAR: Rodrigo Nunes de Sá (RJ)
Cartões amarelos: Romulo, Luciano, Juninho Capixaba, Léo Pereira
Gols: Luan, aos 3 minutos do primeiro tempo; Rony, aos 2 minutos e Thaciano, aos 6 minutos do segundo tempo

 

Brasileirão 1986 – Grêmio 2×1 Atlético Paranaense

August 23, 2019
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Foto: José Ernesto (Correio do Povo)

No Brasileirão de 1986 o Grêmio fez sua estréia na competição vencendo o Atlético Paranaense no Olímpico.

Na primeira fase, passavam 8 dos 11 times de cada grupo (Grêmio terminou essa etapa em 5º lugar, um ponto e uma posição atrás do Atlético).

Renato, poucos meses depois de ter sido cortado da Copa de 1986, foi o grande destaque do jogo.

SUFOCO NO OLÍMPICO. MAS DEU GRÊMIO

Foi um verdadeiro sufoco a partida de ontem no Estádio Olímpico, na estréia do Grêmio no Campeonato Nacional. Apesar da vitória de 2 a 1 sobre o Atlético paranaense, o time do Valdir Espinosa teve sérias dificuldades, principalmente na segunda etapa. Renato, o herói do jogo, marcou um e Osvaldo outro.

Se o Grêmio foi absoluto na primeira etapa, isso não se verificou na segunda. Aos nove minutos, Agnaldo aproveitou o descuido da defesa gremista e empatou. Depois disso, o Atlético manteve a pressão. Luís Eduardo foi obrigado a calçar Agnaldo: pênalti. Mas Mazaropi defendeu.

Este fator trouxe novamente as forças ao Grêmio, e a Renato (o melhor da partida). Num escanteio, Osvaldo cabeceou forte no canto do goleiro Marola, registrando a vantagem 2 x 1, aos 25 minutos. No final, depois de garantido o placar favorável e os dois pontos, todos os jogadores do Grêmio se sentiam satisfeitos e apontavam as dificuldades do adversário.

O Grêmio não poderia ter começado melhor os seus primeiros 45 minutos de partida. Mesmo com o gramado molhado, não dando condições aos jogadores desenvolverem o seu melhor futebol, a torcida gremista pode perceber a manutenção da qualidade de sua equipe, que estava ausente há mais de 45 dias de seu estádio. Com alguns problemas de ataque logo nos primeiros 15 minutos, quando havia dificuldades de penetração na defesa do Atlético paranaense, o Grêmio aos poucos foi dominando todos os setores do campo adversário.

Renato, a grande figura desta etapa, propiciou as melhores jogadas. Deti, lateral do Atlético, envolvido pelo ponteiro, várias vezes teve que conter Renato na base da falta. Mas a primeira grande chance surgida para o Grêmio, partiu dos pés de China, que em combinação com Valdo e João Antônio, por pouco não abriu o placar.

Entretanto, aos 38 minutos, num lançamento do meio campo para Osvaldo, este entrou pelo lado esquerdo, passou por Marola e chutou sem ângulo para o gol vazio. Mas a bola encontrou o poste esquerdo. Renato, que acompanhava o lance bem posicionado, teve o trabalho apenas de empurrar a bola para o fundo das redes, estabelecendo o 1 a 0.

Antes disso, o árbitro Arnaldo César Coelho, distribuiu três cartões amarelos (Renato, Aroldo e Horlando) após uma confusão formada na entrada da grande área do Atlético. ” (Correio do Povo, quinta-feira, 4 de setembro de 1986)

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Correio de Notícias, quinta-feira, 4 de setembro de 1986

CORITIBA VENCE INTER, ATLÉTICO DERROTADO

[…]

Mesmo jogando bem, o Atlético acabou sofrendo sua segunda derrota na Copa Brasil, no estádio Olímpico. Aos 38 minutos do primeiro tempo Renato abriu o placar para o Grêmio, após uma confusão na área de Marolla. No 2º tempo, com grande atuação de Agnaldo e Mauro Madureira, o Atlético empatou aos 9 min, com um gol de Agnaldo. Aos 22 Mauro Madureira desperdiçou a grande chance Atleticana chutando um pênalti na mão do goleiro Mazaropi.

Quatro minutos depois, Osvaldo marcou o 2º gol do Grêmio, fechando o placar.” (Correio de Notícias, quinta-feira, 4 de setembro de 1986)

 

GRÊMIO ESTRÉIA COM UMA VITÓRIA DIFÍCIL
Depois de fazer um grande primeiro tempo e sair vencendo por 1×0, o Grêmio caiu de produção na fase final. Aí o Atlético do Paraná chegou ao empate. Mazaropi ainda salvou uma penalidade máxima antes que o Grêmio chegasse á vitória com um gol de Osvaldo.

Em seu primeira jogo na Copa Brasil, o o Grêmio teve dificuldades mas conseguiu uma importante vitória de 2×1 sobre o Atlético Paranaense. A vitória só veio depois que Mazaropi defendeu uma penalidade máxima mal batida por Mauro Mendonça aos 22 minutos do segundo tempo.

Depois de 45 dias sem jogar no Estádio Olímpico, o Grêmio voltou a se apresentar diante de sua torcida, com muita disposição E Renato estava com tanta vontade que foi, disparada-mente, o melhor jogador da partida. Antes de chegar à aber-tura do placar , o Grêmio teve duas chances desperdiçadas por Renato aos 8 e 21 minutos, em jogadas individuais, que terminaram com boas defesas de Marola. João Antônio também teve uma chance de gol, depois de um cruzamento de Raul da direita, mas ele concluiu pela linha de fundo.

Aos 38 minutos, a defesa do Atlético reclamou impedimento, que o árbitro não marcou. Então Osvaldo invadiu a área. driblou Marola e chutou no poste. No rebote, Renato fez o gol sem problemas. Ainda no primeiro tempo, aos 42, numa triangulação perfeita com Valdo e China. João Antônio quase marcou o segundo gol. E o Atlético não teve nenhuma chance nessa etapa.

No segundo tempo, houve uma inversão de papéis, apesar do Grêmio ter criado uma boa situação logo aos cinco minutos, quando Renato tabelou com Osvaldo e cruzou para Caio Júnior cabecear com perigo.

Aí o Atlético passou a tomar conta do jogo. Aos nove minutos após um lançamento de Mauro Madureira, Agnaldo tirou Mazaropi da jogada e fez o gol de empate. Seis minutos depois, Valtair cruzou da direita. Mazaropi salvou e Agnaldo apanhou o rebote e concluiu com perigo , sobre o gol.

Com o Grêmio todo na defesa, o Atlético ainda foi beneficiado com uma penalidade máxima aos 22 minutos, cometida por Luís Eduardo em Agnaldo. Mauro Madureira cobrou, fraco, e Mazaropi fez uma grande defesa.

A penalidade máxima defendida por Mazaropi deu novo ânimo ao time do Grêmio, que passou a ter apoio da torcida. Três minutos depois, Renato cobrou escanteio da esquerda para Os-valdo, de cabeça. fazer um bonito gol e confirmar a vitória do Grêmio. Depois o time de Espinosa ainda teve outra chance com Caio Júnior , mas não saiu o terceiro gol.” (Pioneiro, quinta-feira, 4 de setembro de 1986)

 

Grêmio 2×1 Atlético Paranaense

GRÊMIO: Mazaropi; Raul (Caio), Baidek, Luiz Eduardo e Casemiro; China, João Antônio e Bonamigo; Renato Portaluppi, Osvaldo e Valdo.
Técnico: Valdir Espinosa

ATLÉTICO: MarolLa; Bruno, Orlando Fumaça, Beto e Haroldo: Deti, Roberto e Mauro Madureira; Marquinhos (Gílson Bonfim, Agnaldo e Valtair
Técnico: Levir Culpi

Brasileirão 1986 – 1ª Fase – Grupo B
Data: 03 de setembro de 1986, quarta-feira, 21h00min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS, BRA
Público: 11.987
Renda: Cz$ 263.995,00
Árbitro: Arnaldo Cezar Coelho
Auxiliares: Aloísio Felisberto e André Campos Silva
Cartões Amarelos: João Antônio, Renato, Orlando Fumaça, Beto e Haroldo
Gols: Renato, aos 38 minutos do 1º tempo; Agnaldo, aos 9 minutos e Osvaldo, aos 25 minutos do 2º tempo

Libertadores 2019 – Grêmio 0x1 Palmeiras

August 21, 2019

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Os números do SofaScore (colados abaixo) mostram como o Palmeiras foi muito mais efetivo, mesmo com o Grêmio tendo superioridade em diversos índices importantes (Importantes, mas não necessariamente se traduzem em melhor execução do seu modelo de jogo).

O gol de Gustavo Scarpa (que poderia/deveria ter sido evitado por Jean Pyerre e Paulo Victor) só acentuou a dinâmica do jogo. O Grêmio ficava com a bola, procurava ditar o ritmo, mas faltava inspiração e faltava punch no campo de ataque. O Palmeiras ficou bastante confortável para manter a sua proposta inicial, que era proteger a sua área e “especular” em contra-ataques.

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Renato tem muita convicção no seu esquema, mas será que o Grêmio não poderia/deveria ter alguma alternativa para situações (como a de ontem) em que esse jogo de troca de passes e valorização da posse de bola não flui como esperado?

Luan não faz grande temporada, mas ainda assim considero um erro ele sequer ter entrado em campo no decorrer da partida.

– Média de Público do Grêmio na Libertadores 2019:
36.970 (34.402 pagantes)

– Média de público do Grêmio na Arena na atual temporada:
24.906 (22.774 pagantes)

– Média de público do Grêmio como mandante em 2019:
24.071 (21.981 pagantes)

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Fotos: Wesley Santos, Fabiano do Amaral e Mauro Schaefer (Correio do Povo)

Grêmio 0x1 Palmeiras

GRÊMIO: Paulo Victor; Leonardo Gomes, Geromel, Kannemann e Cortez (Juninho Capixaba); Matheus Henrique, Maicon, Everton, Jean Pyerre e Alisson (Luciano); André (Diego Tardelli)
Técnico: Renato Portaluppi

PALMEIRAS: Weverton; Marcos Rocha, Luan, Gustavo Gómez e Diogo Barbosa; Felipe Melo, Bruno Henrique, Gustavo Scarpa (Raphael Veiga), Willian e Dudu; Luiz Adriano
Técnico: Luiz Felipe Scolari

Libertadores 2019 – Quartas de final – Jogo de ida
Data: 20 de agosto de 2019, terça-feira, 21h30min
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre – RS
Público: 47.852 (44.967 pagantes)
Renda: R$ 2.686.970,00
Árbitro: Patricio Loustau (ARG)
Assistentes: Juan Belati (ARG) e Diego Bonfa (ARG)
VAR: Mauro Vigliano (ARG)
Cartões amarelos: Kannemann ; Felipe Melo, Thiago Santos
Cartão vermelho: Felipe Melo (34/2ºT)
Gol: Gustavo Scarpa, aos 30 minutos do 1º tempo

Brasileirão 2019 – Grêmio 1×1 Palmeiras

August 20, 2019

Gremio x Palmeiras

– Média de Público do Grêmio no Brasileirão 2019:
17.758 (16.042 pagantes)

– Média de público do Grêmio na Arena na atual temporada:
23.863 (21.765 pagantes)

– Média de público do Grêmio como mandante em 2019:
22.467 (20.453 pagantes)

Gremio x Palmeiras

Fotos: Lucas Uebel (Grêmio.net)

Grêmio 1×1 Palmeiras

GRÊMIO: Julio César; Léo Moura (Luciano, 32/2ºT), Paulo Miranda, David Braz e Cortez; Rômulo, Darlan (Patrick, intervalo); Thaciano, Luan (Everton, 27/2ºT) e Pepê; Diego Tardelli
Técnico: Renato Portaluppi

PALMEIRAS: Weverton; Mayke (Marcos Rocha, 9/2ºT), Antonio Carlos, Gustavo Gómez, Victor Luís; Thiago Santos, Matheus Fernandes (Bruno Henrique, 18/2ºT); Dudu (Ramires, 32/2ºT), Raphael Veiga, Hyoran; Borja
Técnico: Luiz Felipe Scolari

15ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2019
Data: 17 de agosto de 2019, sábado, 21h00min
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre-RS
Público: 14.777 (12.897 pagantes)
Renda: R$ 485.858,00
Árbitro: Wagner do Nascimento Magalhaes (RJ)
Assistentes: Luiz Claudio Regazone e Silbert Faria Sisquim (RJ)
Árbitro de vídeo: Emerson de Almeida Ferreira (MG)
Gols: Dudu, aos 13 minutos do 1º tempo; David Braz, aos 42 minutos do 2º tempo

Robertão 1967 – Grêmio 1×1 Palmeiras

August 16, 2019
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Foto: Correio do Povo

No quadrangular final do Robertão de 1967, Grêmio e Palmeiras empataram em 1×1 no Olímpico, com os visitantes marcando o seu gol no último lance da partida. O empate no apagar das luzes deixou o tricolor na última posição do grupo, enquanto o alvi-verde ficou na primeira posição, da qual não saiu até garantir o título na última rodada.

É válido lembrar que nessa primeira edição do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, bem como no ano seguinte, Grêmio e Inter fizeram todos seus jogos como mandantes no Olímpico. O Rodrigo Cardia fez um excelente post sobre o este episódio, que acabou sendo esmiuçado em um capítulo da sua monografia.

Recomendo a leitura integral de ambos. Abaixo segue um pequeno trecho do material por ele produzido:

“Em 1967, pela primeira vez a dupla Gre-Nal participava do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, que reunia os maiores clubes cariocas e paulistas desde 1950, e que em 1967 foi estendido a Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. O torneio, disputado até 1970, foi o “embrião” do Campeonato Brasileiro, que foi realizado pela primeira vez em 1971.

Como o critério para a participação no “Robertão” para os clubes de fora do eixo Rio-São Paulo era o convite – a princípio seriam convidados apenas os clubes mineiros, visto que as viagens a Belo Horizonte não eram dispendiosas para cariocas e paulistas – era preciso que as partidas em Porto Alegre fossem rentáveis, para que a dupla Gre-Nal continuasse a ser convidada para o “Robertão”. Os dois clubes jogavam no Olímpico, visto que o Inter ainda não tinha um estádio em condições de sediar jogos importantes – o Beira-Rio seria inaugurado somente em 1969.

Para obterem boas rendas, os clubes decidiram adotar o sistema de caixa único, e foi também conclamada uma união entre as duas torcidas para o “Robertão”, pela “afirmação do futebol gaúcho”. Surgia assim a “Torcida Gre-Nal”.

Parecia maluquice, mas a idéia vingou! Gremistas iam aos jogos do Inter e apoiavam o time vermelho, e colorados iam às partidas do Grêmio e apoiavam o Tricolor. E a união deu certo: os dois clubes se classificaram para o quadrangular final, junto com Corinthians e Palmeiras (que foi o campeão). O Inter foi vice-campeão, e o Grêmio acabou em quarto lugar.”

Na primeira fase, o Grêmio havia vencido o Palmeiras em casa por 2×0.

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GRÊMIO CASTIGADO COM O EMPATE
Palmeiras salvou-se no último momento

Foi uma lástima mas aconteceu. Quando a torcida preparava-se para saudar uma memorável façanha do futebol gaúcho, a fatalidade entrou em cena e tudo ficou tão semente no episódio do Pacaembu, onde o Internacional foi o herói. O Grêmio não perdeu para o Palmeiras no Olímpico. Mas o 1×1 teve um sabor amargo de derrota para o penta. Porque não se pode fugir: o resultado foi tremendamente injusto para o elenco tricolor. O Palmeiras, tática e tecnicamente, jamais conseguiu fazer frente ao Grêmio no curso dos 90 minutos. Aquela vantagem mínima, na expressão dos números que o penta levou até ao apagar das luzes, já era um contraste flagrante pelo que se via em campo. Faltava tão semente o azar fazer das suas. E êle veio da forma mais berrante possível, porque não deu a mínima chance sequer para o injustiçado tentar uma reação. De qualquer forma, os resultados serviram para comprovar que os gaúchos estão nesta final do “Gomes Pedrosa” como fórças reais e não por acaso. Não fôsse aquela lamentável indecisão de Ari e Alberto, no fatídico lance dos 89m12 de jogo, o Palmeiras não estaria agora isolado lá na frente da tabela. Tudo começaria de nôvo, com os de lá e os de cá iguais, na luta pelo título máximo.

GRÊMIO ABSOLUTO

O quadro gremista entrou em campo com uma escalação que aparentava preocupação mais defensiva. Mas isso jamais aconteceu. Ante um Palmeiras que foi à luta amedrontado e pensando no empate, os tricolores tomaram conta da partida na base de um acionar agressivo. Êsse panorama foi tônica de quase todo o jôgo. Alberto acabou sendo notado e de forma triste — naquele trágico final de ações, uma vez que a zaga, gremista, soberana e clássica, tranqüilamente amordaçava as poucas tentativas de invasão de um ataque “capenga”, como soube ser o do Palmeiras. Tão eficiente era o labor de Everaldo, Ari e Paulo Souza que até os pecados de Altemir pela direita não representaram maiores dissabores. No meio de campo, mesmo com “cortina” palmeirense ali plantada, o setor gremista movimentou-se com invulgar brilho, embora sem uma peça de inegável valia como é Sérgio Lopes. O veterano Oléo, manobrando com extraordinária, capacidade, levou junto Áureo — deficiente apenas nos lançamentos — e teve em Babá e as vezes João Severiano, eméritos colaboradores. Faltou para o Grêmio apenas os golos para traduzir tanta superioridade. Não por falta de oportunidades. Porque elas foram criadas em boa dose e, inclusive, em três ou mais vezes, de forma cristalina, em que pese a irregularidade de Alcindo no confronto com os demais companheiros. Antes do 1×0, Volmir — mesmo vigiado por dois, já que Suingue foi à campo para ajudar D. Santos —por diversas vezes colocou em pânico a defesa palmeirense e numa delas atirou na trave, com Perez já batido. João Severiano. numa desviada de cabeça sensacional, proporcionou ao excelente arqueiro Perez uma intervenção ainda mais espetacular. E quando o 1×0 já estava escrito, João Severiano escapou e voltou a carimbar o travessão, quando tudo parecia consumado.

EMPATE CHEGAVA

Dizendo que o Palmeiras manteve na frente apenas dois homens (César e Dario) fica bem caracterizada as intenções com que o campeão paulista foi a campo para enfrentar o Grêmio. E nem sofrendo o tento, o Palmeiras teve fôrças próprias para buscar o acionar mais ofensivo, porque aquela agressividade maior, apresentada pelo quadro de Aimoré Moreira no final, nasceu mais por urna conseqüência de atitude do adversário: o Grêmio diminuiu o ritmo de frente em favor de um cuidado mais defensivo. Entretanto, no cômputo geral, o alviverde paulista andou sempre num 4-4-2. Na meia cancha, além de Ademir da Guia — por sinal deficiente — e Dudu, estavam sempre Rinaldo e Suingue, que, de atacante, tinha sômente o 8 nas costas. Quando a supremacia gremista no importante setor mais transparecia, o técnico paulista tirou Ademir e colocou Zequinha, numa tentativa vã para buscar o equilíbrio, já que não passou muito tempo para o Grêmio marcar e estabelecer a verdade dentro das quatro linhas. Uma realidade que acabou sendo desfeita, mais por culpa exclusiva do próprio Grêmio do que por méritos do adversário. E o destino escolheu Alberto como instrumento para um final ilógico e que, normalmente, jamais aconteceria.

OS TENTOS

O Grêmio fêz o 1×0 aos 75 minutos de ações. Everaldo patrocinou espetacular “rush”, que terminou na área palmeirense. Alcindo arrematou nas costas de um contrário e no rebote fêz a cruzada para Joao Severiano. Êste, na altura do penalti, alvejou sem apelação. Aos 89m e meio aconteceu a fatídica “bobeada” na área gremista e que deu o empate ao Palmeiras. Dudu lançou despretenciosamente a bola para a esquerda. César partiu e Ari ficou esperando que Alberto entrasse em ação, já, que o lance estava todo para o arqueiro. Alberto saiu mas parou no meio do caminho! Cesar, sem perda de tempo, cruzou por cima do arqueiro, para entrar João Daniel, que, de bico de botina, acertou o arco desguarnecido.

OUTROS DETALHES

A arbitragem de Romualdo Arpi Filho, sem influir no resultado do jôgo, deixou algo a desejar. Foi complascente com “cêra” dos palmeirenses mas agiu diferente quando os gremistas utilizaram o mesmo expediente. Ao final não deu desconto algum para um jogo, cheio de interrupções. O apitador acabou expulsando Ferrari (discussão com auxiliar J. C. Ferrari), mas logo terminou a partida. Nas laterais, Djalma Moura destoou na marcação de impedimentos, mas João Carlos Ferrari andou acertado. A arrecadação foi de NCr$ 36.903,50.” (Correio do Povo, 30 de maio de 1967)

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1×1 NO MAIOR CRIME DO RGP
Grêmio foi dono do jogo

Embora num turno final onde jogam as quatro melhores equipes do Brasil, qualquer resultado deva ser recebido sem surprêsa, a grande verdade é que o Palmeiras cometeu domingo, no Olímpico, o “crime” do Gomes Pedrosa, empatando com o Grêmio, pelo marcador de 1 a 1, num prélio em que o elenco campeão paulista deu mostras, desde o primeiro minuto que se sentia inferiorizado ante o pentacampeão gaúcho tanto assim que ao iniciar o cotejo colocava-se em rígida “retranca’, atuando para não perder como que sabendo não possuir condições para ganhar o jôgo.

Foi o jôgo mais fácil para o Grêmio, desde o início e, paradoxalmente, aquele cujo resultado mais desgostou a torcida gaúcha que, a estas horas, não fora aquele tento palmeirense no período de descontos estaria festejando invejável situação de liderança, ainda que ao lado da dupla paulista.

Sabendo que o adversário estava entregue, o quadro gremista jogou tranquilo na primeira etapa, sem, que o arco de Alberto sofresse qualquer assedio e. ainda, dando-se ao luxo de perder dois ou três lances de gol, salvos pela atuação novamente extraordinária do arqueiro Perez.

No período final, sentindo que o tento da vitória estava germinando, o Grêmio foi para cima do Palmeiras e mesmo com a equipe bandeirante usando de os expedientes para truncar o jogo e manter o empate, surgiu o gol, obra de JOÃOZINHO, desviando para as rêdes um chute de Alcindo que ia sair do outro lado da meta de Perez. Decorriam então trinta minutos de jogo e, ainda que pareça impossível, foi aí que o Grêmio perdeu o jôgo, em nossa opinião.

Com o escore de um a zero e sabendo que o Palmeiras buscaria desesperadamente o empate, o elenco tricolor deveria manter a ofensiva, inclusive retirando Joãozinho e Alcindo, que estavam esgotado um e batido outro, para manter preocupado o setor defensivo visitante. Tal não aconteceu, porém, A vos do túnel ouviu-se para nós erradamente, A ordem de Froner foi recuar para garantir a vantagem. Em futebol, entretanto — e isto o treinador gremista tem obrigação de saber — quanto mais tempo o seu ataque permanecer nas proximidades do arco do Palmeiras, menos possibilidades terá o ataque palmeirense de chegar até o arco de Alberto. Lógico, não?

Caindo na defensiva e com os homens de frente totalmente parados, o Grêmio favoreceu o trabalho da meia-cancha alvi-verde e os quinze minuto finais foram dramáticos, pois Aimoré Moreira mais expedito, colocou em campo três jogadores “inteiros” fisicamente e estes se encarregaram de levar e pânico ao setor defensivo tricolor. Isto feito e para corroborar sem contestação plausível a nossa tese, surgiu o gol que tirou do Grêmio o sabor da liderança. Uma bola, das multas lançadas neste final para a área gremista provocou instantes de indecisão entre Alberto e Ari Hericilio, dando oportunidade ao comandante Cesar de desviar para o lado direito onde JOÃO DANIEL, que entrava sozinho atirou para as redes desguarnecidas, sem apelação. Estava selada a sorte do cotejo.
A bola voltou ao centro do campo e o árbitro apenas teve tempo de expulsar o lateral Ferrari por ofensas ao bandeirinha e logo deu por encerrado o cotejo.

Romualdo Arpi Filho sem reprisar suas atuações anteriores, dirigiu o cotejo, auxiliado por Djalma Moura e João Carlos Ferrari. Seus pecados maiores foram permitir a “cera” em excesso dos visitantes sem de pois descontar o tempo de paralisação do jogo e não ter expulsado de campo, no primeiro tempo, o lateral Ferrari que ofendeu ao “bandeirinha” com palavras de baixo calão. Se expulsou o defensor palmeirense no fim do jogo, pelo mesmo motivo, por que então não o fez no primeiro tempo?

A renda chegou apenas aos 36.903.50 cruzeiros novos, o que provou que a torcida rubra esteve ausente, já que não tinha interesse direto no resultado e, com o aumento do preço dos ingressos precisara guardar o “tutu* para os jogos de seu clube contra o Grêmio e o Corinthians na próxima semana. ” (Diário de Notícias, 30 de maio de 1967)

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Grêmio 1×1 Palmeiras

GRÊMIO: Alberto, Altemir, Ari Ercílio, Paulo Souza e Everaldo; Áureo e Cléo; Babá, João Severiano, Alcindo e Volmir
Técnico: Carlos Frôner

PALMEIRAS: Pérez, Djalma Santos, Baldochi, Minuca e Ferrari; Dudu e Ademir da Guia (Zequinha, 13/2°T); Dario, Suingue (Zico, 35/2°T), César Maluco e Rinaldo (João Daniel, 30/2°T)
Técnico: Aymoré Moreira

Torneio Roberto Gomes Pedrosa 1967 – Quadrangular Final – 3ª Rodada
Data: 28 de maio de 1967, domingo
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre – RS
Renda: NCr$ 36.903,50
Árbitro: Romualdo Arppi Filho (SP)
Auxiliares: Djalma Moura e João Carlos Ferrari
Expulsão: Ferrari 45 minutos do 2° Tempo.
Gols: Joãozinho Severiano aos 31 minutos e João Daniel, aos 44 minutos do 2° tempo.

Copa do Brasil 2019 – Grêmio 2×0 Athlético Paranaense

August 15, 2019

2019 ricardo giusti cp andre

O Grêmio conseguiu uma importante (e justa) vantagem na partida de ida da semifinal da Copa do Brasil. André abriu o marcador no primeiro tempo (aproveitando a mais difícil das três grandes chances que teve) e Jean Pyerre decretou o 2×0 com numa belíssima cobrança de falta aos 27 minutos da etapa final.

Jean Pyerre foi muito inteligente na cobrança da falta, mas eu reclamaria da barreira e da demora na reação do goleiro caso fosse torcedor do adversário.

Matheus Henrique jogou demais ontem. Pra mim foi o melhor em campo. Seguido de perto de Geromel e Kannemann (ressaltando a dupla de zaga tricolor jogou bastante exposta em virtude do posicionamento mais adiantado dos demais jogadores).

Em compensação a atuação do Lucho Gonzalez mostra que a idade afeta até os atletas mais renomados (obviamente é preciso fazer a ressalva que a função de acompanhar Everton quando ele sai da lateral para “dentro” do campo é bem complicada.)

Gremio x Athletico-PR2019 ricardo giusti cp jp

O público de ontem foi o pior das quatro semifinais de Copa do Brasil que o Grêmio disputou até hoje na Arena (9º entre as 14 semifinais que o Grêmio jogou desde 1989). Por outro lado foi o terceiro melhor público do Grêmio na Arena em 2019 (ficando atrás dos dois Gre-Nais pelo Gauchão).

– Média de público do Grêmio na Arena na atual temporada:
24.296 (22.187 pagantes)

– Média de público do Grêmio como mandante em 2019:
23.413 (21.349 pagantes)

– Média de público do Grêmio na Copa do Brasil 2019:
31.256 (28.803 pagantes)

– Média de público do Grêmio na Copa do Brasil desde 1989
23.522 pagantes

– Média de Público contra o Atlético-PR em jogos da Copa do Brasil:
31.645 (28.871 pagantes)

– Média de público do Grêmio na Copa do Brasil na Arena
31.069 (28.730 pagantes)

– Média de público do Grêmio em semifinais de Copa do Brasil desde 1989
38.632 pagantes

– Média de público do Grêmio em semifinal de Copa do Brasil na Arena
46.161 (42.702 pagantes)

Gremio x Athletico-PR
Fotos: Ricardo Giusti (Correio do Povo) e Lucas Uebel (Grêmio.net)

Grêmio 2×0 Athlético Paranaense

GRÊMIO: Paulo Victor; Leonardo Gomes, Geromel, Kannemann e Cortez; Matheus Henrique, Maicon (Luan, 34/2ºT); Alisson, Jean Pyerre (Thaciano, 32/2ºT) e Everton; André (Tardelli, 23/2ºT)
Técnico: Renato Portaluppi

ATHLETICO-PR: Santos; Jonathan, Lucas Halter, Léo Pereira, Márcio Azevedo; Wellington; Marcelo Cirino, Bruno Guimarães, Lucho González (Bruno Nazário, 30/2ºT), Rony; Marco Ruben (Nikão, 20/2ºT)
Técnico: Tiago Nunes

Copa do Brasil 2019 – Semifinal – Jogo de ida
Data: 14/08/2019, quarta-feira, às 21h30min
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre – RS
Público: 43.280 (40.175 pagantes)
Renda: R$ 1.931.786,00
Árbitro: Marcelo de Lima Henrique (RJ)
Auxiliares: Alessandro Rocha Matos (BA) e Rodrigo Henrique Correa (RJ)
VAR: Rodrigo Nunes de Sá (RJ)
Cartões amarelos: Kannemann, Everton; Rony, Léo Pereira
Gols: André, aos 24 minutos do primeiro tempo; Jean Pyerre, aos 27 minutos do segundo tempo

Confrontos contra o Atlético Paranaense na Copa do Brasil

August 13, 2019

Como já deve ser do conhecimento de todos, o Grêmio já enfrentou o Atlético em 4 edições da Copa do Brasil, tendo superado o adversário em 3 ocasiões. Nos jogos em Porto Alegre foram 2 vitórias, 1 empate e uma derrota, com média de público de 28.736 (26.045 pagantes).

Abaixo a relação desses jogos do tricolor como mandante, com links para fichas e fotos de cada partida.

• Copa do Brasil 1996 – Oitavas – Volta – Grêmio 3×0 Atlético-PR
Copa do Brasil 2013 – Semifinal – Volta – Grêmio 0x0 Atlético-PR
• Copa do Brasil 2016 – Oitavas – Volta – Grêmio 0x1 Atlético (4×3)
• Copa do Brasil 2017 – Quartas – Ida – Grêmio 4×0 Atlético-PR

 

Além desses jogos, o Grêmio também encarou o Atlético em outros dois torneios com mata-mata. Na Taça Brasil de 1959, quando venceu em casa por 1×0 e na Copa Sul-Minas de 2002, quando foi goleado por 5×1 no Olímpico na partida de ida da semifinal.

 

—————————

 

Na sequência algumas estatísticas de público do Grêmio como mandante.

 

– Média de Público contra o Atlético-PR em jogos da Copa do Brasil:
28.736 (26.045 pagantes)

– Média de público do Grêmio na Arena na atual temporada:
23.347 (21.288 pagantes)

– Média de público do Grêmio como mandante em 2019:
22.467 (20.453 pagantes)

– Média de público do Grêmio na Copa do Brasil 2019:
25.244 (23.117 pagantes)

– Média de público do Grêmio na Copa do Brasil desde 1989
23.333 pagantes

– Média de público do Grêmio na Copa do Brasil na Arena
30.427 (28.128 pagantes)

– Média de público do Grêmio em semifinais de Copa do Brasil desde 1989
38.514 pagantes

– Média de público do Grêmio em semifinal de Copa do Brasil na Arena
46.725 (43.544 pagantes)

Taça Brasil 1959 – Grêmio 1×0 Atlético Paranaense

August 13, 2019
1959 gremio1x0 atletico a hora

Foto: A Hora

O primeiro jogo da história do Grêmio na Taça Brasil (por consequência o primeiro jogo do tricolor em uma competição nacional) ocorreu em setembro de 1959, quando recebeu o Atlético Paranaense no Olímpico, pelo jogo de ida das oitavas de final do torneio criado pela CBD para indicar o representante brasileiro na primeira edição da Copa Libertadores.

O Grêmio venceu por 1×0, graças a um gol de Juarez (que era dúvida para a partida, em função de uma gripe). No Atlético o grande destaque foi o centro-médio Tocafundo (que aparece na foto acima afastando um ataque gremista).

Interessante notar que a crônica do Correio do Povo, apesar de elogiar a solidez defensiva do time paranaense, criticou o falta de ambição ofensiva dos visitantes, que teriam ficado “apenas no “FRICOTE” à meia distância da área tricolor“.

É válido também apontar para o fato do Atlético ter usado sua camisa com listras horizontais (que só foi abandonada no final dos anos 80) e o Grêmio ter usado meias pretas como mandante.

1959 gremio atletico cp

Foto: Correio do Povo

PRIMEIRO PASSO DO GRÊMIO NA “TAÇA BRASIL”: 1X0 SÔBRE O ATLÉTICO

Foi uma boa partida de futebol a que disputaram domingo, no Olímpico, o Atlético Paranaense e o Grêmio Pôrto Alegrense, quando o tricolor debutava na “Taça Brasil”. Pelo escore mínimo, os gaúchos saíram vencedores, mas a bem da verdade deve-se dizer que foi difícil estabelecer mesmo esta pequena superioridade.

Usando de uma forma de atuar totalmente diversa do antagonista, manobrando com a bola no chão e trocando passes pequenos e certos, a equipe atleticana foi envolvendo o Grêmio pouco a pouco até chegar a exercer por momentos um certo domínio da cancha.

Mas, o tricampeão gaúcho estava sempre atento e sempre disposto a não se deixar surpreender, assim que, quando se pensava que chegara a hora do Atlético marcar, surgia o defensor gremista cortando certo, na hora certa.

O sistema de bloqueio estabelecido por seu turno pela defensiva do Atlético, não deu margem a liberdade alguma para a ofensiva gremista que se viu assim manietada. Apenas uma única vez além do goal esteve em situação realmente propícia para marcar. Foi quando Tocafundo salvou o tento certo.

Aliás Tocafundo, com uma brilhante atuação particular, demonstrou a forma esplêndida porque atravessa no momento Ao beirar os 30 anos de idade mostrou-se o mesmo guri de outros tempos, dando um verdadeiro “show” de classe, experiência e sobretudo vitalidade e categoria.

Foi o maior jogador em campo, e organizador do serviço de bloqueio e marcação. Recuando êle próprio para dentro da área, evitou que o número de quedas de sua meta fôsse aumentado. No ataque é que faltou gente ao Atlético. Não tiveram os curitibanos aquele homem capaz de decidir tudo, e resolver com facilidade a partida, marcando goals. Ficando apenas no “fricote” à meia distância da área tricolor.

De qualquer forma, foi uma boa partida, em certos momentos equilibrada, noutros instantes pendendo ora para um, ora para outro bando.

Aos 8 minutos da segunda fase, Juarez desfez a estabilidade do marcador, desviando com um toque de cabeça, para o fundo das redes, um escanteio cobrado pelo ponteiro Ví. Era o 1×0 que permaneceria até o final da contenda, num espelhamento perfeito do que foi o jogo entre Atlético e Grêmio, pela nova e interessante competição denominada, “Taça Brasil”.

Um público de cêrca de 10.000 pessoas presenciou o jogo, fazendo passar pelas bilheterias a importância de 245.000 cruzeiros. Este público saiu satisfeito com o que viu que na verdade, foi uma boa partida. Além da atuação individual de Tocafundo, o melhor jogador em campo, é preciso salientar Sano, William, Péricles e Gaivota, no Atlético, e Orlando, Ortunho e Elton no Grêmio.” (Correio do Povo, terça-feira, 15 de setembro de 1959)

diario de noticias 15 setembro 1959 pg 13

JUAREZ DECIDIU EM FAVOR DO GRÊMIO O PRIMEIRO COMPROMISSO DA TAÇA BRASIL

Um belo espetáculo, que soube agradar o público que acorreu ontem à tarde ao Estádio Olímpico, ofereceram o Grêmio Porto-Alegrense e o Atlético Paranàense, na primeira partida que disputarão da série de quatro pontos válida pela Taça Brasil. Belo espetáculo porque teve os ingredientes necessários: momentos e lances de elevado quilate técnico e, sobretudo, sensação, a pairar sôbre o Estádio durante os noventas minutos da contenda.

A vitória tricolor, acusada no final pelo escore mínimo, diz bem o que foi o prélio em disputa e paridade de fôrças e reflete; com justiça, os méritos que o quadro local somou para alcançar o triunfo.

Atlético “dá a Pinta”

A fraca apresentação do Ferroviário, uma semana atrás, deve ter influído negativamente sôbre o conceito do atual futebol, paranaense entre nós, devendo tal fator ser levado em conta para explicar a fraca arrecadação O Atlético, porém, teve o dom de em poucos momentos desfazer a má impressão e dar uma mostra de suas reais possibilidades. Algumas avançadas iniciais bem conduzidas evidenciaram que o campeão das Araucárias sabia o que fazer com a pelota. A maneira como resistiram às primeiras avançadas tricolores demonstraram quo também suas defensiva sabia agir direito: O espetáculo já ganhou muito em interêsse nesses primeiros minutos. Os restantes 45 dessa etapa foram mais ou menos no mesmo ritmo: as cargas revezavam-se defronte das cidadelas de Henrique e William, luzindo notadamente os zagueiros de cada bando para manter incólume o setor que defendiam. E o conseguiram nessa primeira fase.

Defesas “Roubam” o Espetáculo

Os dois blocos defensivos aparecem como os maiores responsáveis pelo ambiente de permanente tensão vividos pelo assistentes que ontem foi ao Olímpico. Souberam manter, durante largo tempo, aquele 0 x 0 pouco propício a cardíacos e não permitiram nunca um distanciamento capaz de oferecer a distensão do ambiente…

Segundo Tempo-Trouxe Vitória

Reiniciada a partida, na etapa complementar, sentiu-se a mesma situação do primeiro <>. E numa investida tricolor surgiu o tento que daria a vitória aos locais. Até aí não haviam surgido os méritos que justificassem essa vantagem, fruto de um lance isolado. O Grêmio, porém, sacara contra o futuro. E passaria, depois de avantajado no marcador, a mostrar porque o conseguira: firmeza na defensiva como antes, agora aliada a uni domínio que não houvera na etapa inicial. Milton e Elton passaram a comandar a meia-cancha, graças notadamente ao trabalho do «insider». Daí o maior volume de jôgo dos tricolores, daí a pressão que inclusive exerceram sôbre os campeões paranaenses, daí a, daí a justificativa cristalina para o triunfo que abre caminho largo para o tricampeão gaúcho na Taça Brasil.

Faltou Chute

Dentre muitas virtudes, apresentou uma deficiência a equipe campeã do Paraná. No geral, atuou certo: passes bem feitos, preocupação de manter a bola no chão, jogando, assim um futebol plástico e que bem coroado é produtivo. Faltou, porém, o coroamento: o arremate. Pelo menos ontem, os avantes do Atlético demonstraram insegurança e indecisão para atirar a «goal», razão por que poucas vezes exigiram a Henrique. As avançadas, em sua maior parte, perdiam-se no excesso de tramas que, se envolviam por momentos a defesa tricolor, logo evaporavam-se pela falta da conclusão.

O Tento Solitário

O «goal» Único da partida surgiu aos 8 minutos do período complementar. Juarez foi seu autor. Vieira cobrou um escanteio à esquerda e, quando o balão «pingava» sôbre a área, Juarez, com belo toque de cabeça, deslocou o arqueiro William e atingiu o canto esquerdo da meta Paranaense. Decidia-se aí o prélio.

Destaques

Um nome dominou a partida: Tocafundo. Soberbo. Jogando recuado, cobrindo sua área, Tocafundo foi o organizador das linhas defensivas de sua equipe, Tranquilo e clássico mas também vigoroso e decidido, Tocafundo foi a maior barreira que tiveram pela frente os avantes gremistas. Jerônimo cumpriu excelente trabalho na etapa Inicial, mas na segunda deixou evidente a mesma deficiência física de seus últimos tempos de Pôrto Alegre. Savo, Altemir, Gaivota e Péricles apareceram bem.
No quadro do Grêmio, Calvet, Orlando e Airton (êste apesar de algumas brincadeiras perigosas…) foram melhores. O ataque esteva apagado, valendo por lampejos de Gessi e o esfôrço de Gessi. Na meia-cancha, Milton cumpriu excelente trabalho, embora pouco ajudado por Elton. ~

Arbitragem

Júlio Salsamente, da Federação Paranaense, dirigiu a partida o cumpriu excelente atuação. Se erros cometeu, foram de pequena monta, incapazes de truncar o desenvolvimento do prélio e influir em seu resultado. Seus auxiliares foram Flávio Cavedine e Guilherme Sroka.” (A Hora, segunda-feira, 14 de setembro de 1959)

diario de noticias 13 setembro 1959 pg 14

ENIO MELLO – ESPORTE TEM DISSO

1 — Durante a semana acentuamos que o Atlético representaria melhor o futebol paranaense que o jovem conjunto do Ferroviário que, há 8 dias, aqui esteve. Embora soubessemos qual tinha sido o comportamento do quadro de Motorzinho nos dois turnos eliminatórios do campeonato das araucárias, confiávamos na categoria, na classe da maioria de seus integrantes. Lembramos a tradição atleticana sua condição de clube que sempre bem representou o associativo do Paraná e o grande número de jogadores experientes de seu plantei, como: Tocafundo, Belfari, Sano, Jerônimo e Taíco. O último não jogou, mas os outros quatro estiveram na equipe.

2 — E três deles justificaram, amplamente, nossa expectativa. Tocafundo, a maior figura do gramado, foi o mesmo jogador de ótimos recursos que vimos atuar antes mesmo de transferir-se para ou Palmeiras. Com um ar de quem não quer nada com a bola, o veterano jogador vai bloqueando os adversários na área, fazendo praça de grande categoria, de uma tranquilidade impressionante, em certos momentos e de uma resistência leonina, nas ocasiões em que são exigidos decisão e esfôrço. Um senhor jogador o centro-médio recuado do Atlético (atuando no estilo de Orlando, Formiga e Billy Wright.)

3 — Dois jogadores seguiram em méritos o centro-médio como elementos para base da estrutura do quadro atleticano: Sano e Jerônimo. Ambos muito bons, tão eficientes que, com colaboradores bem mais modestos em recursos e capacidade de realização, sustentaram luta parelha com os tricampeões gaúchos, durante três quartas partes da peleja. Sómente quando o preparo físico do Grêmio passou a exercer predomínio e os dois homens de meia cancha do Atlético deram sinais de exaustão é que o tricolor passou a predominar. Tal aconteceu nos 15 minutos finais da contenda. O que faz com que possamos afirmar que toda a base de homogeneidade e rendimento técnico do quadro de Motorzinho se assenta nos três elementos que destacamos. Craques experientes, de boa categoria, afeitos aos grandes embates. Justamente como esperávamos, como proclamamos, ao asseverar que esta equipe tinha condições de opor tenaz resistência ao Grêmio. O resultado e andamento do prélio confirmaram nosso vaticínio.” (A Hora, segunda-feira, 14 de setembro de 1959)

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(Jornal A Hora, 14 de setembro de 1959)

Grêmio 1×0 Atlético Paranaense

GRÊMIO: Henrique; Orlando, Airton, Calvet e Ortunho; Elton e Milton Kuelle; Rudimar, Gessi, Juarez e Vieira
Técnico: Osvaldo Rolla

ATLÉTICO PARANAENSE: William; Altemir, Lindomar e Belfare; Sano e Tocafundo; Péricles, Gaivota, Tiquinho, Jerônimo e Tião
Técnico: Motorzinho

Taça Brasil 1959 – Oitavas de final – jogo de ida
Data: 13 de setembro de 1959, domingo, 15h30min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Renda: Cr$ 245.900,00
Árbitro: Júlio Salsamendi
Auxiliares: Guilherme Sroka e Flavio Cavedini
Gol: Juarez, aos 8 minutos do segundo tempo