Brasileirão 1986 – Grêmio 0x0 Flamengo

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Foto:  Eduardo Vasseur (Correio do Povo)

 

Grêmio e Flamengo se enfrentaram pela 5ª rodada da primeira fase do Brasileirão de 1986. O empate sem gols foi melhor para os visitantes que lideravam o grupo.

Os dois times voltariam a se enfrentar na fase seguinte, primeiro num empate no Rio e depois novamente no Olímpico, mas dessa vez com vitória tricolor por 2×0.

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Foto: Placar

GRÊMIO SÓ EMPATE CONTRA O FLA DESFALCADO

Ainda não foi desta vez, ontem, contra o Flamengo, no Estádio Olímpico, que o Grêmio recuperou-se da sua má fase no Campeonato Brasileiro. Havia unanimidade por parte da Comissão técnica e dos jogadores, antes do jogo, que contra o time carioca seria o jogo da reabilitação. No entanto, dentro de campo, o time campeão gaúcho continuou a mostrar os mesmos defeitos dos jogos anteriores, ou seja: existe uma crise técnica coletiva e alguns jogadores como Caio Jr., Valdo e Paulo Bonamigo, não estão jogando o que realmente podem.

É bem verdade que, ontem, com relação aos jogos anteriores, o Grêmio melhorou, mas não multo. Nem mesmo o retorno do meia-cancha Luiz Carlos, jogador que segundo Espinosa, desequilibra e dá ao time uma força técnica fora do comum, ajudou na recuperação.

Diante de um Flamengo descaracterizado, sem Adilio, Mozer e Leandro — sem contar, ainda, com as ausências de Zico e Sócrates que ainda não jogaram nesse Nacional — o Grêmio não teve condições de vencer E não soube por quê?

Porque taticamente houve uma enorme separação entre o setor da meia-cancha e o ataque. Ninguém do Grêmio soube trabalhar a bola com habilidade no sentido de penetração. Faltou maior imaginação nas construções das jogadas pelo meio e consciência de quando deveriam reter a bola ou lançá-la. A jogada mais importante e aguda do Grêmio durante os 90 minutos, foi a de sempre: Renato.

Ele criou algumas chances de gol e quando não foi individualista, quando cruzou bolas para a grande área, lá no meio não tinha ninguém.

O posicionamento do Flamengo foi inteligente durante todo o tempo do jogo. Sabendo que teoricamente era inferior ao adversário, quando perdia a bola, todos voltavam para a proteção. Quando estavam com a bola, saiam com toques curtos e rápidos e muitas vezes conseguiram envolver o Grêmio. O campeão gaúcho fazia bem ao contrário. Era apressado, sem imaginação e não tinha conclusões. Somente no fim do jogo, num cabeceio muito forte de Luiz Carlos. o Grêmio quase ganhou o jogo, mas Zé Carlos salvou. O resultado foi justo. O Grêmio não merecia mesmo vencer e o Flamengo que veio a Porto Alegre em busca de um ponto, levou. Agora o próximo jogo será contra o Botafogo da Paraíba, quinta-feira quando o Grêmio vai fazer a estréia do seu novo centroavante: Lima.” (Correio do Povo, segunda-feira, 15 de setembro de 1986)

O DESABAFO DE RENATO

No intervalo do jogo de ontem, contra o flamengo, o ponteiro-direito Renato já estava inconformado com a maneira que o time do Grêmio vinha jogando. Quando descia as escadas para os vestiários, sempre gesticulando, ele dizia: “Tem que melhorar e muito se a gente quiser ganhar esse jogo”. Mas nem mesmo com as substituições feitas – Bonamigo no lugar de Caio Jr. e Ortiz no lugar de Valdo — o time melhorou a atuação. No final, o grande desabafo de Renato. “Se continuar dessa maneira, jogando assim, é bem melhor sair do Campeonato Brasileiro. Se aqui, diante de um público forte, dentro do nosso estádio e gente não consegue vencer, então a coisa está mal mesmo. Temos que nos reunir novamente, conversar abertamente e arrumar a casa. Ninguém consegue jogar mal assim como nós estamos. Tá certo que um jogo ou dois o time não renda o suficiente, mas jogar mal sempre, aí não dá. Temos que fazer alguma coisa para nos recuperar. Não estou entendendo o que está havendo com o time do Grêmio“. (Correio do Povo, segunda-feira, 15 de setembro de 1986)

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Foto:  Eduardo Vasseur (Correio do Povo)

 

LAZARONI SATISFEITO. CONSEGUIU O OBJETIVO

No lado do Flamengo a satisfação foi muito grande depois do empate com o Grêmio, ontem à tarde. Desfalcado de vários titulares, o time carioca velo para empatar e conseguiu seu objetivo. Teve momentos do jogo que poderia até mesmo ter ganho.

“Faltou-nos um pouco mais de ambição ofensiva — fala o técnico Sebastião Lazaroni.

Estou muito satisfeito porque saímos do Rio para buscar dois pontos contra a Ponte Preta e o Grêmio. Conseguimos três, portanto temos um na poupança, brincou. Lazaroni não escondia sua alegria pela resposta dos jovens jogadores do Flamengo a um jogo contra um time bem mais experiente. Com um amador no time, o ponta-esquerda Zinho, mais dois no banco, Valtinho e Wallace, o Flamengo mostrou em campo, com uma equipe mista, que tem padrão definido e que a entrada de outros valores não altera a forma de jogar do time.

Quando fala dos garotos, Lazaroni se entusiasma: “O que mais cuidamos no Flamengo é da garotada. Eles aprendem desde cedo a não se preocupar com o adversário, jogam normalmente seu futebol. O Grêmio é um time extraordinário, dos melhores do Brasil e empatar aqui, com todos os titulares. já é muito difícil, imaginem com os meninos. Estou muito satisfeito”.

Já o apoiador Júlio César, que esteve no Grêmio no ano de 1984, jogou multo bem e salientou as qualidades do Grêmio: “Já joguei aqui e sei o quanto é difícil sair deste campo sem ser derrotado. O Grêmio é um belo time, mas conseguimos segurar as principais jogadas deles e o empate ficou bem para todos”.

O próximo jogo do flamengo é contra o Sergipe, no Maracanã, quando Moser estará de volta ao time.” (Correio do Povo, segunda-feira, 15 de setembro de 1986)

VALDO EM MÁ FASE . ATÉ ESPINOSA PENSA ASSIM

No final do jogo de ontem, no vestiário, o técnico Valdir Espinosa dava muitas explicações sobre mais um resultado ruim do Grêmio, Em primeiro lugar, ele não aceitava a ponderação dos repórteres de que sua equipe havia jogado mal contra o Flamengo: “Acho que a campanha do Grêmio num todo não é boa, porém, o resultado de hoje não mostra isso, pois o Flamengo é uma equipe tradicional e merece o nosso respeito”.

O técnico Valdir Espinosa tem algumas explicações para a campanha da sua equipe que, depois de perder para o Paissandu e empatar com o Goiás, ontem apenas empatou com o Flamengo: “Reconheço alguns maus resultados e acho que isto deve-se, em parte, ao jogador Valdo não estar mostrando tudo o que sabe”. Espinosa tem razão. Valdo não ó nem de longe o mesmo jogador do Gauchão 86, o homem que desequilibrou o campeonato a favor do Grêmio e que também integrou  a Seleção Brasileira.

Espinosa foi cauteloso em todas as suas respostas.  Questionado sobre se o Flamengo não entrou em campo com uma equipe muito jovem — o próprio técnico Lazaroni chamou seu time de “meninos” — ele respondeu que não. “Temos que reconhecer que o Flamengo foi um time de muita disposição em campo. No futebol uma das verdades e que o jogador jovem que entra em campo quer mostrar serviço para não sair mais do time”.

Não existe, por enquanto, nenhuma campanha para tirar Valdo do time. Trata-se de uma das estrelas do Grêmio e técnico Valdir Espinosa acha que é apenas momentânea a má fase do jogador. Por aí se vê a falta que Valdo, em boa forma, faz ao Grêmio, pois ele, com Renato é uma das peças de desequilíbrio da equipe.” (Correio do Povo, segunda-feira, 15 de setembro de 1986)

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Foto:  Eduardo Vasseur (Correio do Povo)

MILTON JUNG – DESAFINAÇÃO

Nunca duvidei do que vinha sendo dito sobre o Grêmio, mesmo porque os resultados de seus três jogos falavam ainda mais alto do que as criticas que eu ouvia. Mas eu queria ver o time de Espinosa do alto do Olímpico, com vista panorâmica. Não gostei do que me foi permitido observar, mesmo descontando as dificuldades criadas pelo Flamengo, líder do grupo e equipe com boas alternativas, embora sem Zico e Sócrates, seus monstros sagrados. Esteja um time diante de um adversário fraco ou credenciado, sempre se pode perceber, porém, se joga bem ou mal, e o Grêmio está, coletiva e individualmente, muito abaixo daquele que se viu no Regional. É provável que alguns declínios individuais estejam comprometendo o conjunto. Entre tais declínios, o de Valdo é o que mais impressiona. Se antes circulava pelo campo, distribuindo a bola, organizando a meia-cancha e atuando na cobertura, hoje, faz voltas em torno de si mesmo, não chuta a gol e não acerta um passe. Ontem, Osvaldo, retornando à sua posição, e Caio, que saiu jogando, também andaram mal. Diante disso, Espinosa se vê na obrigação de realizar variações em tomo do mesmo tema. Caio, que entrava no segundo tempo, sai quando termina o primeiro; Osvaldo passa do ataque para o meia-cancha e vice-versa, mas nada muda para melhor. O Grêmio. no momento, é um time dividido dentro do campo, como se feito de setores estanques. Onde teria deixado o seu belo futebol? Na Suécia, no Marrocos? Sorte sua que seus companheiros de grupo, em sua maioria, desafiam pelo mesmo diapasão e, como se classificam seis equipes, nesta primeira fase do Nacional, não há razão para desespero e sobra tempo para que os erros sejam corrigidos.

Bem ao contrário do Grêmio, o Internacional, que entrou na Taça de Ouro envolto em descrença e com um time em formação, na base do esforço e com a inclusão de dois reforços, vai dando conta do recado. Seu empate de ontem com o Sport, na Ilha do Retiro, tratando-se de uma partida contra o líder do grupo e em campo alheio, foi um ótimo resultado.” (Milton Jung, Correio do Povo, segunda-feira, 15 de setembro de 1986)

EDEGAR SCHMIDT – BOM E RUIM

Isoladamente, olhando-se apenas o resultado; a dupla Gre-Nal foi bem no domingo. O Inter empatou no Recife, contra o Sport, melhor time da chave, e o Grêmio, mesmo em casa, empatou com o Flamengo, o que também é interessante. Mas no contexto, bom foi o empate do Inter, que começa até a surpreender. O Grêmio já começa a preocupar porque tem quatro pontos em quatro jogos, é um time com muitos jogadores em flagrante crise técnica e começa a discutir até mesmo seu excelente esquema.

A crise do Grêmio é simplesmente técnica e isso se corrige como o técnico fez com Valdo, que mesmo muito mal, começou o jogo. O que pode preocupar é há mais gente jogando abaixo do que pode e o técnico não parece mais muito convicto. Depois dos primeiros resultados, o Grêmio se modificou todo, começou o jogo com Luiz Carlos mas sem Bonamigo e sem o rodízio do meio-campo. Aos 10 minutos do segundo tempo, voltou Bonamigo, apagou-se a pedra, não valeu mais nada do que fora projetado para melhorar o time. O que é melhor para o Grêmio? Nem o próprio Grêmio sabe. Isso é que pode preocupar.

Renato, ao sair de campo, disse claramente ao Vianei Carlet: “Se não melhorar, é melhor sair do campeonato”. Pouco antes, ele levara o terceiro amarelo, está fora do próximo jogo contra o Botafogo da Paraíba, na quinta-feira à noite no Olímpico Mas não desistiu, não é?” (Edegar Schmidt, Correio do Povo, segunda-feira, 15 de setembro de 1986)

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WASHINGTON RODRIGUES – FLA EMPATE NUM JOGÃO

Porto Alegre — Um grande jogo, no Olímpico, e um excelente resultado para o Flamengo, que, no 0 a 0 com o Grêmio, manteve a liderança do seu grupo, a invencibilidade e ficou precisando apenas de dois pontos para garantir matematicamente a classificação. E isso pode ser conseguido já na quarta-feira, no jogo com o Sergipe, no Rio.

E o Flamengo mereceu o empate, pois apresentou um futebol muito bom, sabendo usar a tática certa para a ocasião. A equipe rubro-negra teve tranqüilidade para enfrentar as dificuldades do gramado, o bom time do Grêmio e a pressão da torcida. Neutralizou as principais jogadas do adversário e ganhou um ponto, o que estava dentro dos seus planos, pois, dos quatro pontos que disputou fora de casa, o Flamengo obteve três — havia vencido a Ponte, por 1 a 0, quinta-feira, em Campinas.

O único erro do Flamengo na partida foi a insistência de alguns jogadores em utilizar as chuteiras baixas, tipo tênis, o que acarretou seguidos escorregões, permitindo até jogadas perigosas por parte do Grêmio no erro do jogador rubro-negro. Com o campo pesado como estava, não se pode entrar com chuteiras baixas. As chuteiras de trava alta oferecem mais estabilidade e evitam as constantes quedas.

De qualquer forma, o Flamengo tocou a bola, explorou os contra-ataques e em cima de grandes atuações de alguns de seus jogadores segurou o empate. Tivemos como destaque pelo lado do Flamengo o goleiro Zé Carlos, um monstro, a exemplo do que aconteceu cm Campinas. A defesa tombem esteve firme. O Adalberto marcou o Renato em cima e o ponta só teve chance de fazer uma grande jogada. O Andrade foi outro destaque e na frente o Zinho apareceu como o melhor, ajudando o meio campo pelo setor esquerdo e partindo com a bola para obrigar a defesa do Grêmio a se abrir.

Por sinal, a defesa do Grêmio é fraca, a dupla de área, Baidek e Carlos Eduardo, no chão é facilmente batida. E o Flamengo não soube explorar essa fragilidade. Mas o 0 a 0 valeu para as intenções rubro-negras, porque empatar no Olímpico não é fácil. E é bom lembrar que o Flamengo atuou ontem sem alguns titulares importantes. Do time que conquistou o titulo — não falo nem do Zico, Sócrates e Cantarele. que estão fora há meses — não atuaram em Porto Alegre Leandro, Mozer, Adilio e Marquinho” (Washington Rodrigues, Jornal dos Sports, 15 de setembro de 1986)

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Foto: Nico Esteves (Placar)

EMPATE NO SUL DEIXA MENGO NUMA BOA

PORTO ALEGRE — O Flamengo praticamente garantiu sua classificaçao para a próxima fase do Campeonato Brasileiro,  ontem, ao empatar com o Grêmio em 0 a 0, no Estádio Olímpico, graças a atuação do goleiro Zé Carlos, com defesas fantásticas, mais uma vez o herói do time. Com o resultado de ontem o campeão carioca de 86 soma 8 pontos ganhos em 5 jogos disputados. O seu próximo jogo será contra o Sergipe, quarta-feira à noite, no Estádio Caio Martins, em Niterói.

A partida foi muito disputada com as duas equipes tentando o gol a qualquer custo. O time local, empurrado pela sua imensa torcida, chegou por diversas vezes a área do adversário, mas não conseguiu êxito diante do goleiro Zé Carlos, seguro, impedindo todas as tentativas. O Flamengo, por sua vez, ressentiu-se do esforço empregado devido ao gramado encharcado, só indo à frente em contra-ataques rápidos, mas sem sucesso nas conclusões, já que Bebeto entrou em campo sem as condições físicas ideais, devido a forte gripe.

Foi o Flamengo, contudo, que por pouco quase marca o primeiro gol, logo no início da partida, através do atacante Bebeto, que de bicicleta, de dentro da área, concluiu, mas a bola desviou-se do gol, após bater no zagueiro Baidek, aos 14 minutos. O troco veio a seguir, por intermédio de Renato, que testou livre, dentro da área, obrigando Zé Carlos a espalmar para córner. Renato, novamente, fez outra grande jogada, numa arrancada sensacional pela direita, aos 22 minutos.

Na etapa final os dois times continuaram exercendo forte pressão em busca do gol: o Grêmio teve a sua frente Zé Carlos, enquanto o Flamengo continuou pecando nas conclusões dos seus atacantes. Andrade, um dos melhores em campo, aos 28 minutos, cobrou uma falta obrigando Mazaropi a fazer bela defesa. Renato perdeu uma chance aos 30 minutos. Ortiz, aos 40 minutos, mais uma vez esbarrou no goleiro Zé Carlos, ao concluir uma jogada de Valdo. ” (Jornal dos Sports, Segunda-feira, 15 de setembro de 1986)

ZÉ CARLOS FOI O GRANDE DESTAQUE

O Flamengo consegue firmar-se a cada partida do Campeonato Brasileiro, mostrando acima de tudo um time competitivo, de boa organização tática, com os seus jogadores, especialmente os mais jovens, disputando com garra e determinação todos os lances do jogo.

E a exemplo do que ocorreu no recente título estadual conquistado pela equipe da Gávea, sem a presença dos seus maiores ídolos, contundidos, o time dirigido por Sebastião Lazaroni, parte firme para a conquista do titulo nacional. O goleiro Zé Carlos, agora titular absoluto, esteve impecável novamente, com defesas providenciais, evitando a todo custo o gol do adversário. Em Campinas, na vitória sobre a Ponte Preta, ele foi também o herói do Flamengo.

Na defesa, Aldair e Guto se saíram muito bem, assim como os laterais Jorginho e Adalberto, notadamente o último, na marcação a Renato Gaúcho. Foi no meio-campo, entretanto, que o time rubro-negro se saiu muito bem: Andrade, um verdadeiro paredão à frente dos zagueiros e Júlio César e Aílton no desarme e criação das jogadas. Bebeto e Zinho igualmente estiveram bem, ao contrário de Vinícius, que ficou perdido entre os zagueiros gaúchos.

NO GRÊMIO — destacaram-se Renato Gaúcho, um perigo, mesmo marcado por até três adversários; Valdo, pela boa colocação na área e Luís Carlos, ex-Vasco, pela boa distribuição de jogo.” (Jornal dos Sports, Segunda-feira, 15 de setembro de 1986)

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FLAMENGO EMPATOU. MAS MERECIA A VITÓRIA

Porto Alegre — Um empate de 0 a 0. Foi apenas o que o Flamengo conseguiu, ontem, contra ao Grêmio, no Estádio Olímpico, numa tarde que iniciou com calor abafado e terminou debaixo de chuva intensa, cenário apropriado para o mau futebol jogado. Faltou calma ao Flamengo para fazer gol. As situações até que existiram, o Grêmio jogou muito mal, mas a afobação do time carioca afastou a bola da rede.

Para o Grêmio, que completa 83 anos de sua fundação e faz má campanha, o resultado não poderia ter sido pior: nas arquibancadas, a torcida não poupou vaias à equipe. A partida começou num clima de festa de aniversário, com foguetório, desfile de centenas de atletas das diversas categorias, as torcidas organizadas e uma banda tocando “parabéns pra você”. A prometida vitória do técnico Valdir Espinosa, para reabilitar o time, acabou, porém, não acontecendo.

Duas situações de gol foram criadas logo nos 15 minutos do primeiro tempo, por Vinícius e Zinho. A tática foi quase a mesma: de cabeça, eles concluíram contra o gol de Mazaropi, que conseguiu salvar. O Grêmio só conseguiu ver a área do Flamengo quase aos 20 minutos, quando Renato concluiu alto, de cabeça, depois de receber a bola de Valdo, numa cobrança de falta.

Quase no fim do primeiro tempo, o Grêmio reagiu à pressão do Flamengo — mais por iniciativa do ponta Renato, incansável no campo. Entretanto, logo decaiu e novamente
o Flamengo voltou a mostrar melhor rendimento. Numa entrada forte, num dos piores momentos do adversário, Ailton entrou rápido, pegando de surpresa Baidek e Luís Eduardo, contudo a bola rolou pelo lado esquerdo do gol de Mazaropi e não entrou.

Júlio César foi a grande estrela — melhor da partida escolhido pela imprensa gaúcha — do Flamengo. Durante todo o jogo mostrou-se competente e ágil na armação de jogadas ou neutralizando Renato. Junto com Andrade, deu ritmo ao time carioca, possibilitando
que a equipe apresentasse um futebol superior ao do Grêmio, embora com equívocos nas conclusões. Júlio César e Andrade assustaram o goleiro Mazaropi, com chutes fortes na metade do segundo tempo.

As entradas de Bonamigo, substituindo Caio Júnior, e, depois, Ortiz no lugar de Valdo, não deram a impulsão que o Grêmio necessitava. O time continuou até o fim desentrosado, nervoso e carente da habilidade individual de seus jogadores. Aparentemente satisfeito com o empate, o Flamengo não se empenhou mais em vencer,
voltando para o Rio até entusiasmado com o desempenho dos seus novos jogadores.

Zé Carlos — Quase não foi exigido. Porém, quanto foi preciso, mostrou segurança. Nota 7.

Jorginho — Marcou Valdo com firmeza, com eficiência ao ataque. Nota 6.

Aldair — Jogou melhor em partidas anteriores. Lutou bastante, embora nervosamente. Em um lance, agarrou a bola com as mãos sem explicação. Nota 5.

Guto — Entrou no lugar de Mozer, cumprindo suspensão. Está meio pesado, sem força. Não ajudou muito o time. Nota 5.

Adalberto — Sempre que exigido foi firme ao ataque, decidido, marcou China e Osvaldo. Nota 6

Andrade — Boa atuação. Dominou com facilidade as dificuldades criadas por Renato e Caio Júnior. Quase fez gol no fim. Nota 7

Ailton — Veloz, eficiente no domínio de bola, várias vezes preparou o lance para gol, que não saiu. Nota 7

Júlio César — Merecidamente escolhido como o melhor em campo pelos repórteres esportivos gaúchos. Do início ao fim, combateu, driblou, armou e criou sempre problemas para o adversário. Nota 8

Bebeto — Foi talvez o mais fraco do time. Marcado em cima por Caio e Valdo, participou de uns poucos lances no primeiro tempo. No segundo, diminuiu o desempenho. Nota 5

Vinícius — É um guerreiro. Lutou muito, foi habilidoso, rendeu para o time. Só faltou mesmo gol. Nota 7

Zinho — Recuou demais, preocupado com Renato, e teve dificuldade de chegar à linha de fundo. Nota 5

O ponta Renato foi, sem dúvida, o melhor do Grêmio. Sozinho, fez de tudo para marcar um gol. Queria mais festa no 83° aniversário do clube, mais só o seu esforço não bastou. Saiu de campo frustrado e furioso, sugerindo que, se o time não sabe jogar, é melhor não disputar o Campeonato Brasileiro. De resto, só se salvou Baidek. ” (Juarez Porto, Jornal do Brasil, segunda-feira, 15 de setembro de 1986)

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Grêmio 0x0 Flamengo

GRÊMIO: Mazaropi; Raul, Baidek, Luís Eduardo e Casemiro; China, Osvaldo e Luís Carlos Martins; Renato, Caio Júnior (Bonamigo) e Valdo (Ortiz)
Técnico: Valdir Espinosa

FLAMENGO: Zé Carlos; Jorginho, Aldair, Guto e Adalberto; Andrade, Ailton e Júlio César; Bebeto, Vinicius e Zinho
Técnico: Sebastião Lazaroni

Brasileirão 1986 – 1ª Fase – Grupo B – 5ª Rodada
Data: 14 de setembro de 1986, domingo, 16h00min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 33.004 pagantes
Renda: Cz$ 799.675,00
Árbitro: Tito Rodrigues (PR)
Auxiliares: Valdir Festugato e Valdemar dos Santos
Cartões Amarelos: Renato, Luis Eduardo e Adalberto

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