Archive for February, 2020

Gauchão 1990 – Grêmio 3×1 Juventude

February 28, 2020

Foto: José Doval (Zero Hora)

No Gauchão de 1990 o Grêmio recebeu o Juventude pela primeira rodada do quadrangular final. O tricolor iniciava essa etapa derradeira da competição com um ponto de vantagem por ter conseguido classificação no primeiro e no segundo turno.

Assis foi o destaque da vitória gremista, e isso rendeu uma coluna “um pouco” exagerada de Paulo Sant’ana (transcrita abaixo).

Um detalhe interessante é que o Grêmio trocou de camisa no intervalo, passando da tricolor para a branca. É curioso que por vezes se considera que a camisa verde e branca do Juventude pode gerar confusão com a camisa tricolor e por vezes nao se pensa nisso (o mesmo acontecia com a camisa listrada do Palmeiras nos primeiros anos da Era Parmalat).

Tentei mas nao descobri por que o jogo foi marcado para as 18h30min de um dia de semana.

Foto: José Doval (Zero Hora)

ASSIS BRILHA E O GRÊMIO É LÍDER
O Grêmio trocou de camisetas e de futebol na etapa final: venceu o Juventude. É o líder, pois tinha um ponto extra. Agora é Gre-Nal

O Grêmio venceu ao Juventude por 3 a 1, e manteve a liderança isolada do Quadrangular Final do Gauchão 90, em um jogo com dois tempos bem distintos. É claro que a iniciativa foi sempre gremista, mas a maneira como as equipes se comportaram na primeira e na segunda etapa foi diferente. O Grêmio começou sem imaginação e usando muito o miolo do campo. Paulo Egídio era bem marcado, assim como Darci e Alfinete, no outro lado. Hélcio era o único que tinha liberdade, mas não soube aproveitá-la. O resultado foi uma partida ruim, em que as maiores emoções aconteceram nos dois gols, nos cinco minutos finais.

O segundo tempo mostrou um Grêmio mais eficiente no ataque. E um Juventude desatento nos primeiros minutos. O que resultou no gol de Cuca, que abriu caminho para a vitória do Grêmio. Assis começou a se soltar mais. E criava praticamente todas as jogadas ofensivas gremistas. O Juventude, por sua vez, saia desordenadamente para a frente, permitindo os contra-ataques perigosos do adversário. Gérson Lopes não foi o mesmo jogador inspirado de outras partidas e o sistema defensivo do time de Fito também deixou a desejar. Ele terá muito o que arrumar para o difícil clássico de domingo contra o Caxias.” (Antônio Bavaresco, Zero Hora, quinta-feira, 12 de julho de 1990)

Foto: Luis Tajes (Zero Hora)

PRINCIPAIS LANCES

Primeiro tempo

7 minutos — Assis pega o rebote de uma bota da defesa e chuta por cima

10 minutos — Hélcio recebe na pequena área, mas na hora da conclusão erra e perde a chance.

24 minutos — Nílson recebe de Cuca, avança livre, mas erra na finalização, permitindo a defesa do goleiro Beto, que tocou para escanteio.

41 minutos — Assis marca o gol do Grêmio em uma jogada individual, chutando de perna esquerda, no ângulo superior direito do goleiro, que não teve chances.

44 minutos — Neni empata a partida, depois de boa jogada de Pichetti e da falha da defesa gremista. A bola sobrou para ele, que só encostou para o gol.

Segundo tempo

2 minutos — Nilson, livre, cabeceia ao lado do gol.

3 minutos — Cuca, faz o segundo do Grêmio, aos 3 minutos do segundo tempo, depois de um lindo passe de Assis.

27 minutos — Nilson, de cabeça, marca o terceiro do Grêmio, novamente depois de uma excelente jogada de Assis.

37 minutos — Neni acerta a trave de Mazaropi, que depois faz a defesa.

39 minutos — Caio entra livre, avança e chuta, mas o goleiro Beto faz uma boa defesa e evita o quarto gol.” (Zero Hora, quinta-feira, 12 de julho de 1990)

Gauchão 1990 - Grêmio 3x1 Juventude - AssisFoto: Paulo Dias (Folha de Hoje)

Foto: Paulo Dias (Folha de Hoje)

PAULO SANT’ANA – MELHOR QUE O PELÉ

Tive ontem uma das maiores emoções da minha vida depois que Assis fez um gol genial que abriu o marcador de uma partida que parecia ir terminar empatada, depois que Cuca fez um grande gol servido por uma jogada e uma passe de Assis que simplesmente carecem idiomaticamente de adjetivos, fui ovacionado entusiasticamente pelo povo gremista que estava nas sociais e nas cadeiras cativas do Grêmio

Recebi desinteressadamente aqueles aplausos de gratidão. Porque nem sou candidato nem vou encher mais o saco de ninguém, nunca mais, em torno de opiniões futebolísticas. Os leitores são testemunhas de que estou me afastando do futebol: esta coluna derivou desiludidamente para outros assuntos, embora agora eu vá começar a dar de relho em toda a periferia no que se refere a eles. Muito obrigado pelos aplausos de gratidão. Só que, a cada uma dos cerca de 300 torcedores que conseguiram chegar em mim, eu disse o seguinte: “Não agradeçam a mim. Façam isso ao Evaristo, que teve a luminosidade de lançar o Assis no primeiro jogo sério e decisivo deste campeonato. Vão lá e abracem o Evaristo, ele é que merece. Ele e o Rafael Bandeira, que agora está permitindo ao treinador que Assis seja escalado. Com outros treinadores, Rafael não permitia. O Rafael merece também o agradecimento de vocês.

Sei porque a torcida me ovacionou. Porque o gol de Assis fez nem Pelé faria. De novo os leitores não vão acreditar em mim – e por isso todos se quebram. Acreditem: nem o Pelé faria. Uma vez escrevi que Valdo era melhor que Didi. Valdo faz sucesso na Europa. Didi fracassou na Espanha. Pois agora vou escrever uma coisa que ninguém vai acreditar – e eu com isso, cedo ou tarde se provará: se deixaram Assis jogar, se ele não foi mais incrivelmente barrado na escalação do Grêmio, vira um jogador melhor que Pelé. Lógico que o Assis tem que tirar aquela máscara dele e deixar de ser bodoso. Tem que ter humildade, trabalhar muito nos treinos e aprender que para ir para Itália tem que antes consagrar-se no Grêmio. Aplicar-se. Aí vai ser uma barbada. É craque, é gênio, é megaestrela. Eu sempre disse. Mas jamais qualquer pessoa acreditou. Por isso é que vou me consagrar daqui por diante escrevendo sobre outros assuntos. A burrice que domina o futebol me cansou. Se Assis tivesse jogado na Copa, não haveria tri alemão. Era tetra nossos. Mas ninguém acredita. E eu não tenho mais idade para dar murro em faca de ponta. Menos mal que ontem me ensurdecem de aplausos” (Zero Hora, quinta-feira, 12 de julho de 1990)

GRÊMIO VENCE E JÁ É LÍDER ISOLADO DO CAMPEONATO

O Juventude jogou bem, mas não consegui resistir à qualidade gremista e perdeu por 3 a 1 na estréia no quadrangular

O Grêmio arrancou bem no quadrangular final do campeonato gaúcho, confirmando a liderança isolada, graças ao ponto extra obtido na fase classificatória, vencendo o Juventude por 3 x 1, no estádio Olímpico, ontem à noite. O tricolor encontrou dificuldades apenas no primeiro tempo, quando o time caxiense conseguiu fechar os espaços e conter o ataque gremista.

O Grêmio começou o jogo marcando por pressão, mas só conseguiu abrir o placar aos 42 minutos, numa jogada de craque de Assis que deu um lençol no zagueiro e bateu forte sem chances para o goleiro Beto. Aos 44 minutos, Neni aproveitou boa jogada de Pichetti pela direita e empatou. Na etapa final, o pentacampeão gaúcho voltou com mais força ofensiva. Assis, o melhor jogador em campo, matou no peito, aos 2 minutos e tabelou com Cuca que marcou o segundo gol. Aos 23 minutos, outra vez Assis lançou para a cabeceada certeira do goleador NiIson fechando o placar.

Além de Assis, Cuca também apresentou grande movimentação, contribuindo decisivamente para a perfeita articulação gremista e rompendo o esquema defensivo armado pelo treinador Fito. Os jogadores gremistas parece que não foram influenciados pelo futebol defensivista e de raros gols mostrados no Mundial na Itália. O time atuou o tempo todo buscando os gols que acabaram surgindo ao natural. Ao Juventude, considerado o mais fraco participante do quadrangular, resta a reabilitação.” (Folha de Hoje, quinta-feira, 12 de julho de 1990)

Foto: José Doval (Zero Hora)

FITO RECONHECE SUPERIORIDADE GREMISTA NA PARTIDA DE ONTEM

Apesar da derrota, o Juventude apresentou qualidades ontem. O técnico Fito montou um eficiente esquema tático que resistiu ao Grêmio, praticamente durante todo o primeiro tempo. Bem postado na defesa e ocupando os espaços no meio do campo, o posicionamento do Ju agradou o treinador e foi elogiado pelo experiente técnico gremista, Evaristo de Macedo.

“O Juventude mostrou um futebol moderno e aplicado, foi um adversário difícil e bem estruturado que ainda pode surpreender neste campeonato àqueles que imaginavam um time fraco”, destacou Evaristo. Já o técnico Fito, abatido com a derrota, disse que “as vitórias de Grêmio e Caxias confirmaram a boa fase das duas equipes, apontadas como favoritas para vencer o campeonato”. Contudo, garantiu que confia numa boa apresentação e na vitória no clássico.” (Folha de Hoje, quinta-feira, 12 de julho de 1990)

“ASSIS FOI O CRAQUE TRICOLOR NA PARTIDA

O melhor elogio ao futebol exuberante apresentado pelo meia Assis, ontem à noite, no Olímpico, partiu do treinador Fito, do Juventude que atribuiu a ele o papel decisivo na vitória do Grêmio. “O Assis desequilibrou o jogo, principalmente no segundo tempo. Espero que não apareça um técnico na seleção brasileira para tolher o seu talento”, afirmou. O jovem jogador gremista mostrou todo a categoria habitual. Mas ontem apresentou ainda uma movimentação intensa por todo o campo e muita garra, como no primeiro gol, quando apareceram todas estas características.

Alegre com a sua atuação, Assis foi humilde e destacou o trabalho de toda a equipe, sobretudo de Cuca, facilitando a sua movimentação. “Todo o Grêmio esteve bem, podíamos até ter conseguido um resultado mais amplo. Mas o importante foi a vitória que colocou o Grêmio na liderança isolada do campeonato. Agora, esperamos manter esta vantagem até o final do quadrangular”.

Assis não quis falar em transferência para o futebol europeu, garantindo que no momento está preocupado apenas em ganhar o gauchão, valorizando ainda mais o seu futebol. “Quando chegar a hora, vamos pensar no futuro”, concluiu o meia.” (Folha de Hoje, quinta-feira, 12 de julho de 1990)

Gauchão 1990 - Grêmio 3x1 JuventudeFoto: Marco Aurélio Couto (Pioneiro)

Foto: Marco Aurélio Couto (Pioneiro)

Grêmio 3×1 Juventude

GRÊMIO: Mazaropi; Alfinete, João Marcelo, Luís Eduardo e Hélcio; Jandir (Geverton), Assis e Cuca; Darci (Caio), Nilson e Paulo Egídio.
Técnico: Evaristo de Macedo

JUVENTUDE: Beto; Tarantini, Amarildo, Dorotéo Silva e Marcão (Gilmar), Simão, Neni e Gérson Lopes, Nelsinho, Ferreira e Pichetti
Técnico: Fito Neves

Gauchão 1990 – Quadrangular Final – Primeira Rodada
Data: 11 de julho de 1990, Quarta-feira, 18h30min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre, RS
Público: 5.465 pagantes
Renda: Cr$ 1.288.800,00
Árbitro: Jorge Schaefer
Auxiliares: Adão Alípio Soares e Sérgio Chagas.
Cartões amarelos: Nelsinho e Hélcio
Gols: Assis, aos 41 minutos; Neni, aos 44 minutos do primeiro tempo; Cuca, aos 3 minutos; e Nilson, aos 27 minutos do segundo tempo

Gauchão 2020 – Caxias 1×0 Grêmio

February 27, 2020

Eu não gosto muito desse formato do Gauchão onde o turno é decidido em jogo único. CONTUDO, é preciso lembrar que o Caxias venceu o Grêmio em Porto Alegre, na primeira rodada.

Fotos: Luiz Erbes (SER Caxias) e Max Peixoto (FGF)

CAXIAS: Marcelo Pitol; Ivan, Laércio, Thiago Sales e Bruno Ré; Juliano e Carlos Alberto; Tilica, Diogo Oliveira (Vinicius Baiano, 37’/2º) e Juninho Potiguar (Bruninho, 24’/2º); Gilmar (Yuri, 41/2º)
Técnico: Rafael Lacerda

GRÊMIO: Vanderlei; Victor Ferraz, Paulo Miranda, David Braz e Cortez (Caio Henrique, 37’/2º); Lucas Silva (Thiago Neves, 24’/2º); Matheus Henrique e Maicon (Luciano, 38’/2º); Alisson e Everton; Diego Souza
Técnico: Renato Portaluppi

Gauchão 2020 – Primeiro Turno – Final
Data: 22 de fevereiro de 2020, sábado, 16h30min
Local: Estádio Centenário, em Caxias do Sul
Público:  9.211 pagantes
Renda: R$ 448.720,00
Arbitro: Leandro Vuaden
Auxiliares: Jorge Eduardo Bernardi e Luiza Naujorks Reis
VAR: Igor Junio Benevenuto (MG)
Cartões amarelos: Gilmar, Juliano, Bruno Ré, Carlos Alberto, Lucas Silva, Paulo Miranda, David Braz
Gol: Diogo Oliveira, aos 33 minutos do segundo tempo.

Gauchão 1980 – Caxias 1×3 Grêmio

February 22, 2020
1980 correio caxias baltazar

Foto: Correio do Povo

 

No Gauchão de 1980, o Grêmio venceu o Caxias por 3×1 no Centenário, em jogo do segundo turno. Baltazar, que terminaria a competição como artilheiro isolado, marcou dois gols naquela noite.

 

1980 pioneiro caxias baltazar

Foto: Pioneiro

DEPOIS DO SUSTO, VITÓRIA TRANQÜILA DOS GREMISTAS

Depois de um primeiro tempo muito movimentado e que finalizou empatado em 1 gol, o Grêmio foi superior nos últimos 45 minutos, fazendo 3 a 1, ontem à noite, no Estádio Centenário, em Caxias, A partida foi desenvolvida em ritmo quente e o tricolor manteve a liderança folgada com muita garra. O Caxias foi um adversário difícil e sua torcida não gostou do juiz.

PRIMEIRO TEMPO — O jogo começou muito quente. O Caxias aceitou a proposta de fazer uma partida em afta velocidade. O Grémio por sua vez entrou em ritmo acelerado. Assim logo nos primeiros movimentos pode-se observar o entusiasmo dos times.

Aos cinco minutos num descuido da defensiva tricolor Zezinho saiu da ponta-esquerda invadiu e deu um passe preciso para Juti. O comandante de :ataque não perdeu tempo arrematando sem defesa para Leão: Caxias 1 a 0.

Sem perder a velocidade o Grêmio foi em busca do empate. Este aconteceu aos treze minutos quando Dirceu cruzou bola para área. Tarciso desviou para o poste e Baltazar acertou as redes de Ortiz.

O 1 a 1 foi justo. Grêmio e Caxias tiveram uma movimentação muito equilibrada, E a partida nesta etapa agradou.

SEGUNDO TEMPO — O Caxias não resistiu. O Grêmio, depois de mostrar um excelente primeiro tempo, confirmou plenamente. Com velocidade e boa movimentação na meia-cancha, o tricolor não deu espaço para os caxienses manobrarem.

Aos 29 minutos, os 2 a 1 para o Grêmio. Odair foi derrubado na área e o juiz deu penalidade máxima. Baltazar cobrou e marcou. Aos 39, numa jogada pessoal, Tarciso encerrou o marcador em Caxias: 3 o 1 Grêmio. O jogo, nesta fase, também valeu pelo empenho. “ (Correio do Povo, 2 de outubro de 1980)

1980 pioneiro caxias juiz

Os jogadores do Caxias reclamaram muito do árbitro Orion Satter de Mello. Especialmente pela não marcação de penalidade máxima, no segundo tempo, ocorrida na área gremista. Aqui, a reclamação no momento da marcação da penalidade sobre Odair contra o Caxias. Mais tarde, foi constatado que o pênalti existiu, pois o jogador gremista foi empurrado.” (Pioneiro, 4 de outubro de 1980)

CAXIAS COM MAIS DIFICULDADES PARA CHEGAR À CLASSIFICAÇÃO

A derrota diante do Grêmio por três a um, na quarta-feira à noite, não pode ser considerada como surpresa. O Caxias não vinha apresentando futebol para vencer o adversário, mais categorizado e com grande poder de conjunto. Mas o Caxias via no encontro a chance de fazer esquecer todas as falhas cometidas ao longo do certame. Além disso, a partida marcou a volta do técnico Marco Eugênio. E este tem já uma imagem formada na opinião pública esportiva de ser inimigo do Grêmio. Inimigo em termos esportivos. No fundo, Marco Eugênio não tem a intenção de ser reconhecido como tal. O destino esportivo foi quem criou essa situação. E o detalhe serviu muito para dar mais atrativo ao jogo.

O Caxias iniciou com muita vontade, muita disposição. Até nem parecia atravessar uma fase de confusão. Marcou um gol logo aos cinco minutos, através de Juti. Mas a velocidade empregada no jogo pelo Caxias não foi sustentada. O Grêmio aceitou a proposta de jogo. E passou a se movimentar muito. Ainda mais com um gol sofrido logo no início. E talvez ai tenha residido todo o problema da equipe de Marco Eugênio. Propôs um sistema que não pôde suportar ao longo dos 90 minutos. O Grêmio empatou aos 13 minutos, justamente através de uma lance de velocidade do ponteiro Tarciso. A bola ia para a linha de fundo. Ninguém do Caxias acreditou que ela pudesse ainda ser alcançada. Mas Tarciso valeu-se da facilidade de correr, cruzou para a área, a bola bateu no poste e foi para Baltazar. Livre, marcou fácil. A partir daí, o jogo teria outra história. Aos 29, Baltazar fez o segundo gol, cobrando penalidade máxima e Tarciso, aos 39, marcou o terceiro. Houve muita reclamação quanto à arbitragem. Esta, efetivamente, não foi boa. Por tudo o que aconteceu. Aceitou reclamações, deixou de marcar duas penalidades, uma a favor do Grêmio e outra a favor do Caxias. Jogadores chegaram a agredir o árbitro Orion Satter de Mello, sem que tomasse providências. A renda é que foi excelente: Cr$ 1.049.200,00

Com esta derrota, somada às demais, o Caxias encontra cada vez, maiores dificuldades para chegar ao hexagonal.” (Pioneiro, 4 de outubro de 1980)

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Foto: Pioneiro

GRÊMIO: Leão; Casemiro, Newmar, Vicente e Dirceu: Bonamigo (Plein), Paulo Isidoro e Renato Sá: Tarciso, Baltazar e Odair.
Técnico: Paulinho de Almeida

CAXIAS: Ortiz; Lauri, Ademir, Jerônimo e Segato; Vilson, Toninho e Liminha; Gonçalves, Juti e Zezinho.
Técnico: Marcos Eugênio

Local: Estádio Centenário, em Caxias do Sul-RS
Renda: CrS 1.049.200,00
Árbitro: Orion Sater de Melo
Auxiiares: Laor Ferreira e Carlos Torres. RE

Gauchão 1990 – Caxias 1×1 Grêmio

February 20, 2020
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Foto: Silvio Avila (Folha de Hoje)

 

No Gauchão de 1990, Caxias e Grêmio se enfrentaram no Centenário pela terceira rodada do quadrangular final. Empate em 1×1, com gols marcados por Nílson Esídio pelo tricolor e Nilson Aragão pelos mandantes.

O Caxias estava desfalcado do goleiro Barbirotto (eternizado em um episódio do Chaves) que sofrera uma séria lesão na última partida do segundo turno

Foto: José Doval (Zero Hora)

 

CAXIAS REAGE E CONTINUA COM CHANCES
O empate de 1 a 1 foi um resultado justo, e o Grêmio ainda terá que esperar mais duas rodadas para comemorar o hexa. O Caxias vive!

Evaristo de Macedo surpreendeu a todos com escolha de João Antônio para substituir a Paulo Egídio que, lesionado, não jogou. A opção acabou sendo providencial. Em primeiro lugar porque proporcionou uma melhor cobertura ao lateral Hélcio na marcação do veloz e habilidoso João Carlos. Em Segundo porque a entrada dele deu mais liberdade pra Assis, embora o campo pesado não tenha permitido uma melhor movimentação do jogador gremista. Enquanto isso, o Caxias do primeiro tempo insistia no chuveirinho, facilitando as coisas para a defesa do Grêmio. O resultado foi o domínio e a vitória parcial gremista no primeiro tempo, com um gol de Nilson, aos oito minutos.

Na segunda etapa, Orlando Bianchini colocou Manuel no time, no lugar de Ranielli e mudou todo o panorama do jogo. Foi a partir desta modificação que o Caxias equilibrou o jogo e passou a dominar o jogo até chegar ao empate, aos 23 minutos, través de Nilson, com justiça. Evaristo foi obrigado a fazer duas alterações, tirando Caio e colocando Almir e trocando Assis, cansado, por Geverton. Com isso, freou um pouco o ímpeto do Caxias e até conseguiu alguns bons contra-ataques. O final foi dramático, mas o empate acabou sendo um resultado justo. ” (Antônio Celso Sampaio, Zero Hora, quinta-feira, 19 de julho de 1990)

 

CAXIAS ADIA DECISÃO DO GAUCHÃO

O Grêmio se apresentou para o jogo com o Caxias, ontem à noite, no estádio Centenário, com o objetivo determinado para não perder a partida. Isto é tão verdade, que Evaristo Macedo montou um esquema com cinco jogadores no meio de campo: Jandir, Cuca, Assis, Caio e Luis Antônio. A rigor, somente Nílson no ataque. A jogada preferencial, e pré-determinada, era sempre com Assis, caindo pelo lado esquerdo, armando o contra-ataque com o centroavante. Para neutralizar a principal jogada do Caxias com João Carlos, o técnico gremista escalou João Antônio e Hélcio.

Em alguns momentos da primeira etapa esta estratégia deu certo, porque Ranieli não conseguia se movimentar, sobrecarregando os homens do meio.

No único chute da primeira etapa, numa falha decisiva do goleiro Marcos, o Grêmio marcou seu gol, aos 8min. Foi só. Na segunda etapa, Bianchini mandou Caçapava jogar em cima de Assis e colocou em campo Manoel e Paulo Alves, retirando Ranieli e Mezzari, tornando o Caxias mais ofensivo e decidido a mudar o resultado. O Grêmio apenas se defendeu, ainda mais com a entrada de Almir e Geverton, saindo Assis e Caio.

De tanto martelar em cima da confusa defesa gremista, o Caxias chegou ao empate aos 23min, através do goleador Nílson, aproveitando uma sobra de bola dentro da área gremista. Os minutos finais da partida foram terríveis para o Grêmio, pois o Caxias esteve perto de marcar o seu gol da vitória. Agora, fica tudo transferido para domingo, no Olímpico.” (Alfeu de Oliveira, Elizeu Evangelista, Osny Freitas de Oliveira – Editoria de Esportes, Folha de Hoje, quinta-feira, 19 de julho de 1990)

 

 

PRINCIPAIS LANCES
Primeiro tempo

8 minutos — Nilson faz o gol do Grêmio, na falha do goleiro Marcos, que defendeu o primeiro chute e depois não evitou que a bola entrasse no gol

11 minutos — Caio entra livre, mas a defesa salva.

17 minutos — Edelvan chuta forte e Mazaropi defende.

24 minutos — Cuca tenta a tabela com Nilson, mas o goleiro Marcos pega.

31 minutos — João Marcelo falha na pequena área e Joel Marcos não aproveita.

41 minutos — Assis bate falta por cima do gol.

44 minutos — Assis, outra vez, tenta de fora da área, mas a bola sai torta.

Segundo Tempo

2 minutos — Manoel chuta forte, mas a bola saí desviada pela linha de fundo.

5 minutos — Jandir cobra falta e o goleiro Marcos defende.

14 minutos — Caçapava pega um rebote de fora da área e bate forte, mas Mazaropi, bem colocado defende.

22 minutos — João Carlos entra livre, mas Mazaropí salva.

23 minutos — Nilson empata o jogo para o Caxias, depois da cobrança de escanteio por João Carlos da esquerda.

36 minutos — Manoel outra vez arrisca de fora da área, mas a bola sai por cima.” (Zero Hora, quinta-feira, 19 de julho de 1990)

Foto: Luiz Chaves (Folha de Hoje)

 

EVARISTO LAMENTA OS GOLS PERDIDOS

Mesmo reconhecendo que o Caxias foi um adversário difícil, Evaristo de Macedo disse que o Grêmio poderia ter liquidado o jogo no primeiro tempo, quando perdeu várias chances de gol. Também elogiou João Antônio:

— Na primeira etapa fomos muitos superiores. No segundo tempo o Caxias, mesmo desordenadamente, foi melhor e poderíamos ter perdido o jogo se eles soubessem aproveitar a chance. E o João foi o melhor em campo, pois anulou o perigoso lado direito do adversário. Ele jogou muito.

Já Orlando Bianchini, do Caxias, lamentou a falha de Marcos no gol do
Grêmio e disse que vai montar um esquema ofensivo para domingo, no Estádio Olímpico:

— Não podemos mudar o nosso estilo de jogo. Vamos para o tudo ou nada, pois ainda temos chances de chegar ao título. O Caxias vai jogar como sempre, no ataque. Não pode ser diferente” (Zero Hora, quinta-feira, 19 de julho de 1990)

1990 caxias ingressos

 

CAXIAS: Marcos: Ricardo, Carlinhos, Mezzari e Alexandre; Caçapava, Joel Marcos e Ranielli (Manoel); João Carlos, Nilson Aragão e Edelvan
Técnico: Orlando Bianchini

GRÊMIO: Mazaropi; Alfinete, João Marcelo, Luis Eduardo e Hélcio; Jandir, João Antônio, Cuca e Caio (Almir); Nilson e Assis (Geverton)
Técnico: Evaristo de Macedo

Campeonato Gaúcho 1990 – Quadrangular Final – 3ª Rodada
Data: 18 de julho de 1990, quarta-feira, 20h00min
Local: Estádio Centenário, em Caxias do Sul – RS
Público: 5.098 pagantes
Renda: Cr$ 2.132.200,00
Árbitro: Silvio Oliveira
Auxiliares: João Roberto Scherer e Juarez Mariano.
Cartões amarelos: Assis e João Antônio; João Carlos
Gols: Nilson aos 8 minutos do primeiro tempo; Nilson Aragão, aos 23 minutos do segundo tempo.

Gauchão 2020 – Inter 0x1 Grêmio

February 17, 2020

Renato acertou na escalação. Usou um esquema já utilizado por ele anteriormente, com três volantes e três atacantes. Lucas Silva, Maicon e Matheus Henrique ficaram mais fixos, protegendo a defesa, enquanto o trio de ataque pressionava a saída de bola colorada. Com isso, o time teve um bom primeiro tempo, quando poderia/deveria ter saído na frente, especialmente nos dez minutos iniciais, quando teve duas chances claras de gol.

No segundo tempo, mesmo jogando contra dez, o desempenho gremista caiu significativamente. Vanderlei teve algum trabalho com chutes de longa distância do adversário e gol da vitória gremista só foi acontecer nos acréscimos.

– Média de público dos últimos 50 Gre-Nais (de 2009 até hoje): 35.008

– Média de público dos últimos 40 Gre-Nais realizados no Beira-Rio (de 1999 até hoje): 35.522

– Média de público dos 11 Gre-Nais realizados no Beira-Rio após a reforma para a Copa de 2014: 38.328 (34.251 pagantes)

– Média de público dos últimos 20 Gre-Nais válidos pelo Gauchão disputados no Beira-Rio (de 1997 até hoje): 34.480

– Média de público dos últimos 30 Gre-Nais válidos pelo Gauchão (de 2009 até hoje): 32.560

Fotos: Victor Lannes, Manoel Petry e Fabiano do Amaral (Correio do Povo)

 

INTER: Marcelo Lomba; Rodinei (Thiago Galhardo, 48/2ºT), Bruno Fuchs, Cuesta e Moisés; Musto; Edenilson, Lindoso (Zé Gabriel, 44/2ºT) e Boschilia (Marcos Guilherme, 20/2ºT); D’Alessandro e Guerrero

Técnico: Eduardo Coudet

 

GRÊMIO: Vanderlei; Victor Ferraz, Paulo Miranda, David Braz e Bruno Cortez (Caio Henrique, 36/2ºT); Lucas Silva (Pepê, 25/2ºT), Matheus Henrique e Maicon (Thiago Neves, 7/2ºT); Alisson, Diego Souza e Everton

Técnico: Renato Portaluppi

Data: 15 de fevereiro de 2020, sábado, 16h30min

Local: Estádio Beira-Rio, Porto Alegre – RS

Público: 37.157 (33.347 pagantes)

Renda: R$ 1.369.495,00

Árbitro: Jean Pierre Gonçalves Lima

Auxiliares: Lúcio Beiersdorf Flor e Leirson Peng Martins

VAR: Carlos Eduardo Nunes Braga

Cartões amarelos: Musto, Paolo Guerrero; Matheus Henrique, Maicon, Lucas Silva, Thiago Neves, Diego Souza

Cartão vermelho: Musto (41/1ºT)

GolDiego Souza, aos 46 minutos do segundo tempo 

 

Gauchão 1960 – Inter 1×5 Grêmio

February 14, 2020

1960 cp vieira

Foto: Correio do Povo

No primeiro turno da etapa metropolitana do Gauchão de 1960 o Grêmio venceu o Inter por 5×1 nos Eucaliptos. Foi o famigerado classico onde os dirigentes gremistas prometeram, no intervalo do jogo, dobrar o bicho caso a diferença de gols em favor do tricolor fosse dobrada(o primeiro tempo tinha encerrado em 3×1)

Esse bicho de vinte mil cruzeiros equivaleria a cerca de quatro mil reais nos dias de hoje.

Há uma divergência nas fontes históricas sobre os autores dos gols gremistas.

O Diário de Notícias, os livro “A História dos Grenais” e “História do Grêmio, passado e presente de um grande clube” e a Revista Grêmio 70 n.º6 creditam o segundo gol do Grêmio à Juarez. Contudo, o Correio do Povo, o Jornal do Dia e a Revista do Grêmio -Ano V – nº 28 – afirmam que o gol foi de Marino. A questão é saber se a bola ja havia entrado antes de Juarez apanhar o rebote do chute de Marino.

Interessante notar que os jornais da época escalam o Grêmio no WM, colocando Enio Rodrigues ao lado e Elton e posicionando Milton num “quinteto ofensivo. Por tudo que li sobre esse time do Foguinho, acho que o mais adequado seria a escalação no 4-2-4 com Enio Rodrigues na zaga e Milton mais proximo de Elton no meio campo.

1960 cp gol inter

Foto: Correio do Povo

GRÊMIO EM ESPLÊNDIDA ATUAÇÃO VENCEU O INTERNACIONAL NOS EUCALIPTOS: CINCO A UM

O quadro vencedor foi uma máquina e dominou completamente o seu adversário o, principalmente na fase derradeira — Juarez (2), Marino, Gessi e Vi marcaram para os tricolores — Ivo Diogo, autor do único tento dos rubros — Vitória do Internacional nos aspirantes: 2 x 1— Renda recorde nos Eucaliptos: Cr$ 1.588.050,00

A vitória do Grêmio sobre o Internacional, domingo, foi justa e merecida. O quadro tricolor, desde os primeiros minutos da contenda evidenciou melhor classe e padrão de jogo, dominando completamente as jogadas e a cancha. O resultado final foi 5 a 1, como podia ter sido maior, devendo-se a Silveira, numa tarde de gala, esse resultado. O Grêmio, depois.do empate da contenda, passou a dominá-la mais flagrantemente, infiltrando-se na defesa do Internacional como queria e desejava. O sexteto defensivo dos colorados, salvo o arqueiro, esteve apático, perdido. Sua meia-cancha foi batida irremediavelmente. Vilmar voltou a claudicar, apesar da confiança do treinador Teté. Nesse setor, residiu o maior fracasso dos rubros. Osmar e Louro estiveram sempre ausentes, notadamente Louro. Pelo seu lado Marino entrava com facilidade espantosa, abrindo desde o começo do embate o caminho para a goleada. Kim batalhou bastante, mas acabou perdido com os demais companheiros. Zangão foi outro elemento negativo na tarde de domingo. Vi esteve à vontade e inclusive levou o Grêmio para os ataques. Outro elemento ausente no ataque rubro foi Paulo Vecchio. O “guri” inventou de passar por Airton e por consecutivas vezes não conseguiu o seu intento. Entrou no gramado para dominar o atlético zagueiro tricolor e foi até o fim do prélio sem poder realizar nada de aproveitável. Alfeu, esforçado, e Ivo Diogo fêz o primeiro tento da tarde.

Deraldo foi negação, completamente dominado por Figueiró. Pulou multo durante o jogo, fêz “piruetas” em vão e nada de consistente apresentou para o seu quadro. Do onze internacionalista, apenas Silveira pode ser destacado. Os demais foram figuras quase apagadas, notadamente depois da fulminante reação do Grêmio. Antes, ainda alguns atletas do Internacional fizeram alguma coisa. Depois, nada de aproveitável realizaram no gramado. Foi, talvez, dêsses últimos tempos, o Gre-Nal mais fácil para os tetracampeões. Nos fêz lembrar aqueles vários anos de supremacia dos colorados, no futebol metropolitano.

O quadro gremista esteve quase como uma máquina. Tanto é assim, que o golo do Internacional não perturbou a equipe tricolor, que recebeu o contraste naturalmente. Ao em vez de cair, de “achicar-se”, o Grêmio redobrou suas energias, subindo de produção e alcançando urna vitória das mais contundentes sôbre seu adversário. Suas linhas agiram muito bem e Suli, a rigor, não foi empregado a fundo. Fêz algumas defesas, é verdade, mas não foram de molde a exigi-lo demasiadamente. O tento de Ivo Diogo foi surpreendente. O atacante colorado atirou bem, de esquerda, sôbre o canto direito de Suli, batendo-o irremediavelmente. Airton e Ortunho estiveram bem, marcando com precisão. Figueiró dominou sua ala e Elton não parou um instante, levando seus companheiros à luta. Enio Rodrigues atendeu bem o seu setor, demonstrando coesão e segurança. O ataque todo foi uma só peça: esteve explêndido. Com Juarez no centro, os cinco dianteiros fizeram um bom trabalho de deslocamentos, dominando completamente a defensiva colorada. Esse domínio se fêz sentir mais na segunda fase, quando os artilheiros do Grêmio, inclusive, exibiram um futebol como há muito não o faziam. Serenos e produtivos, os cinco atacantes do Grêmio deram uma boa exibição de futebol ao grande público que compareceu aos Eucaliptos. Assim, a rigor, a vitória do Grémio foi justa e liquida. Foi melhor quadro. Teve mais presença no gramado e acima de tudo atirou-se à luta para vencer. E não fosse o Silveira, talvez o resultado tivesse sido bastante maior. O arqueiro salvou pelos menos 4 tentos certos. A conquista, assim, foi do melhor quadro, do melhor conjunto e de quem realmente jogou com sangue e apetite. O Grêmio demonstrou maior coesão e entendimento em suas linhas.

OS SEIS TENTOS DA TARDE

O primeiro tento da tarde foi marcado aos 14 minutos. Foi seu autor o ponta-de-lança Ivo Diogo. O atleta colorado entrou pelo centro, depois de receber de Paulo Vecchio. De pé esquerdo, atirou canto direito do arco confiado a Suli.

Aos 30 minutos surgiu o empate. Juarez foi o autor do tento. Gerou-se uma. confusão frente ao arco de Silveira e surgiu Juarez, para atirar inapelavelmente.

Aos 38 minutos, Marino colocou o Grêmio em vantagem. O ponteiro direito, que agiu com facilidade no seu setor, pois Louro nunca lhe atacou, entrou para o centro, derivando para a esquerda. Daí, sem ângulo, atirou forte. A pelota bateu no travessão e ganhou às rêdes. Juarez, que vinha no lance, completou a jogada e o tento.

Dois minutos depois, coube a Gessi aumentar o marcador para, três, numa jogada explêndida dentro da área colorada. O couro, atirado por Milton, foi de encontro ao travessão, voltando ao gramado. Gessi, atento à jogada, colocou inteligentemente a bola nas rêdes de Silveira. E com 3×1, finalizou a primeira fase do grande embate.

No tempo derradeiro mais dois tentos assinalou o Grêmio. O primeiro por intermédio de Vi, aos 25 minutos dêsse tempo. Foi um tento de “garra” do ponteiro tricolor. Encerrando a contagem, aos 43 minutos, Juarez marcou o último tento da tarde. O centroavante tricolor entrou na área, jogou o corpo para todos os lados, enganou dois adversários e atirou certeiro. Era o último tento da partida, que chegou ao seu final com o resultado de 5×1.

FORMAÇÃO DOS DOIS QUADROS

Os dois quadros atuaram assim formados:

GRÊMIO: Suli: Figueiró, Airton e Ortunho: Elton e Enio Rodrigues; Marino, Gessi, Juarez, Milton e Vieira.

INTERNACIONAL Silveira, Zangão, Osmar e Louro (Ezequiel, quando transcorriam 39′ da 1.a etapa); Kim e Barradinhas; Alfeu, Ivo Diogo, Paulo Vecchio, Vilmar e Deraldo.

BOA ATUAÇÃO DE CLINAMULTE

Dirigiu a contenda, o árbitro baiano Clinamulte Vieira França. Seu trabalho agradou. Esteve sereno e preciso na marcação das faltas. Acompanhou bem as jogadas e dominou a partida. Boa estréia. Por outro lado, a parte disciplinar do embate cooperou para o seu excelente trabalho. Os dois quadros, salvo pequenos senões, comportaram-se com lealdade e disciplina.

PRELIMINAR

Preliminarmente jogaram as equipes de aspirantes. O Internacional, com um esquadrão jovem e cheio de vontade, foi o vencedor por dois a um, tentos de Oli. Para o Grêmio converteu o centromédio Sérgio. Foi um embate disputado e cheio de ótimos lances. Djalma Moura foi o árbitro, com excelente trabalho. Os dois quadros disputaram esse jogo assim constituídos:

INTERNACIONAL – Beno: Joel, Poleto e Dilson: Cláudio e Danúbio; Zózimo, Oli, Paulo Berg e Sepe.

GRÊMIO – Raul; Machado, Mala e Léo; Sérgio e Altino; Adroaldo, Cardoso, Joãozinho, Newton e Volnei.

RENDA RECORDE NOS EUCALIPTOS

A renda atingiu a apreciável soma de Cr$ 1.588.050,00. Foi arrecadação recorde nos Eucaliptos. “(Correio do Povo, terça-feira, 23 de agosto de 1960)

5X1 NÃO DIZ TUDO: DIFERENÇA DE CATEGORIA FOI PASMOSA

Grêmio: Que Time! Que Futebol! Que Colosso!

Equipe tricolor maravilhou o enorme público presente (1.588.050,00 cruzeiros) praticando um futebol perfeito, de ouro 18 quilates — Internacional “bombardeado” do início ao fim — Juaraz (3), Gessy e Vieira marcaram para o Grêmio, tendo Ivo Diogo descontado (abrindo o escore…) – Grande arbitragem do baiano Clinamulte França.

GRÊMIO BRINCOU DE ‘GATO E RATO’ COM O INTERNACIONAL

(Diário de Notícias, terça-feira, 23 de agosto de 1960)

“GRÊMIO, NOS EUCALIPTUS, DESMONTOU PEÇA POR PEÇA A EQUIPE ARMADA LABORIOSAMENTE POR TETÉ: 5X1
Marcaram para o Grêmio: Juarez (2), Gessi, Marino e Vieira — Os colorados arrancaram na frente, com um tento de Ivo Diogo, mas não resistiram a avalanche tricolor — Apenas Silveira se salvou no onze rubro, rubricando uma grande atuação – Boa estréia do baiano Clinamulte Vieira França – Arrecadação recorde: Cr$ 1.588.050,00

[…]

“O bicho do Grêmio pela vitória no Grenal já estava estipulado: Cr$ 10.000,00. No caso do escore chegar a cinco tentos o bicho subiria para vinte mil cruzeiros. […] Como se viu, tudo estava previsto no Grêmio – até mesmo a goleada por 5 tentos”

” (Jornal do dia, terça-feira, 23 de agosto de 1960)

“Pagando o ingresso mais caro do Brasil, uma imensa multidão tomou de assalto o Estádio dos Eucaliptos, avido por assistir as emoções do Grenal de número 153. E o resultado foi esse: renda recorde em Grenais, com uma arrecadação de Cr$ 1.588.050,00.

– O <Bicho> dos gremistas foi excepcional, também recorde nos clássicos: Cr$ 20.000,00. O prêmio oferecido inicialmente era de dez mil cruzeiros, entretanto, os diretores do Grêmio, eufóricos com a vitória parcial, ao término da primeira etapa, prometeram aos seus atletas <> dobrado, se eles conseguissem dobrar, também, a diferença de tentos àquela altura. Os jogadores aceitaram de bom grado a proposta e alcançaram o objetivo, marcaram mais dois tentos na etapa complementar, justificando assim o <bicho-monstro>.

– A nota trágico-cômica do clássico foi o aparecimento de um sapinho, amarrado com fitas tricolores, que surgiu, não se sabe como, junto ao arco que coube a Suli. O arqueiro gremista não gostou do batráquio rondando a sua meta e solicitou a sua remoção. O auxiliar de massagista tricolor entrou em campo e, segurando pelas pontas das fitas, atirou o sapinho por sobre os muros do estádio, na rua Barão de Guaíba” (Jornal do dia, terça-feira, 23 de agosto de 1960)

1960 cp juarez

Foto: Correio do Povo

1960 cp gol gessi

Foto: Correio do Povo

GRÊMIO: Suli; Figueiró, Airton, Ênio Rodrigues e Ortunho; Elton e Milton Kuelle; Marino, Gessi, Juarez e Vieira.
Técnico: Foguinho

INTER: Silveira; Zangão, Osmar, Louro (Ezequiel); Kim e Barradas; Alfeu, Ivo Diogo, Paulo Vecchio, Vilmar e Deraldo
Técnico: Teté

Gols: Ivo Diogo, aos 14 minutos; Juarez aos 30, Marino aos 38 e Gessi aos 40 minutos do primeiro tempo; Vieira aos 25 e Juarez aos 42 minutos do segundo tempo

Gauchão 2020 – Aimoré 2×1 Grêmio

February 10, 2020

A facilidade que o Aimoré teve para puxar o contra-ataque no seu segundo gol é um belo exemplo de como o Grêmio esteve bagunçado no segundo tempo. A derrota foi merecida.

Fotos: FGF e Lucas Uebel (Grêmio.net)

Aimoré 2×1 Grêmio

AIMORÉ: Luiz Felipe; Bruno Ferreira, Pablo, Renato e Márcio Goiano; Diego Gomes, Felipe Guedes, Mardley e Wagner (Leandro Canhoto); Germano (Anderson Canhoto) e Matheus Rodrigues (Isaías)
Técnico: Hélio Vieira

GRÊMIO: Vanderlei; Victor Ferraz, Paulo Miranda, David Braz e Bruno Cortez (Ferreira); Lucas Silva (Thiago Neves) e Maicon; Alisson, Luciano (Patrick) e Everton; Diego Souza
Técnico: Renato Portaluppi

5ª Rodada – 1ª Fase – Gauchão 2020
Data:9 de fevereiro de 2020, domingo, 16h00min
Local: Estádio Cristo Rei, em São Leopoldo-RS
Público: 992 pagantes
Renda: R4 66.400,00
Árbitro: Erico Andrade de Carvalho
Assistentes: 
Gustavo Marin Schier e Artur Avelino Birk Preissler
Cartões amarelos: David Braz e Everton
Gols: Matheus Rodrigues, aos 6 minutos; Isaías, aos 38 do e Diego Souza, aos 41 minutos do 2º tempo

Gauchão 1960 – Aimoré 1×3 Grêmio

February 8, 2020

1960 aimore cp alberto

Foto: Correio do Povo

Este foi o último jogo entre essas equipes no antigo estádio da “Taba Índia” (o estádio Cristo Rei seria inaugurado em março de 1961)

Na meta do Aimoré nessa partida estava o goleiro Alberto (foto acima), que viria a jogar no Grêmio a partir de 1963.

1960 aimore cp suli

Foto: Correio do Povo

GRÊMIO E INTERNACIONAL VENCERAM AIMORÉ E SÃO JOSÉ
Praticamente encerrado domingo o primeiro turno do metropolitano

Tricolores apresentaram bom trabalho na “taba” e o resultado foi de 3×1 — Vi, Marino e Gessi, os goleadores — Tomasi marcou o tento do Aimoré

O Grêmio Porto-Alegrense encerrou seus compromissos do primeiro turno na condição de invicto. O líder do certame, jogando na “Taba India”, em São Leopoldo, conquistou um triunfo tranquilo sobre o Aimoré, por 3 a 1.

O Aimoré não ofereceu, em realidade, resistência aos tricolores, que jogaram uma partida sem maiores preocupações, demonstrando uma flagrante superioridade sôbre o adversaria.

Pouco trabalho teve a defesa do Grêmio, que bloqueou por inteiro o ataque dos “capilés”, os quais poucas vezes colocaram Suli em ação, a não ser na cobrança de faltas ou em intervenções.

Enquanto isso a linha de frente gremista passou a exercer domínio sobre a retaguarda do Aimoré, especialmente depois dos vinte minutos iniciais, até quando o jogo esteve aparentemente equilibrado.

Depois disso viu se o Grêmio caminhando à vontade na cancha, com perfeito entendimento entre suas linhas, sobressaindo-se o trabalho do ligação Milton, que manobrou no meio de campe de forma magnifica, constituindo-se no melhor jogador dos vinte dois.

O Aimoré, bastante longe da equipe da temporada passada e tendo pela frente um Grêmio que vem jogando um futebol apurado, pouco pôde fazer, melhorando apenas quando os tricolores retraíram-se após o placarde já estar em três a zero, quando aliás a representação leopoldense conquistou o gôlo de honra.

Após o tento do quadro “indio” o Grêmio voltou a apertar o cerco e levou a peleja até seu final em flagrante superioridade, conquistando mais um triunfo, prêmio justo pela bela jornada cumprida.

RENDA: 264.880 cruzeiros.

JUIZ: Laje Filho, com bom trabalho, apesar de haver deixado passar uma penalidade máxima de Afonso em Marino.

Preliminar: aspirantes do Grêmio 2, aspirantes do Aimoré, 0.” (Correio do Povo, terça-feira, 30 de agosto de 1960)

LÍDER PASSOU PELO AIMORÉ ESBANJANDO CATEGORIA: 3 X 1 (Diário de Notícias, terça-feira, 30 de agosto de 1960)

GRÊMIO TERMINOU INVICTO E COMO LÍDER ABSOLUTO O PRIMEIRO TURNO DO CERTAME
O Aimoré não foi obstáculo para o elenco treinado por Osvaldo Rola, que marcha firme em busca do pentacampeonato — Os «Índios» resistiram apenas os primeiros 20 minutos da partida e perderam por três tentos contra um — Vieira. Marino e Gessi marcaram os tentos vitoriosos – Tomasi anotou o tento de honra dos leopoldenses.” (Jornal do dia, terça-feira, 30 de agosto de 1960)

Revista do Grêmio n.º 28, ano VFonte: Grêmio História

Aimoré 1×3 Grêmio

GRÊMIO: Suli; Figueiró, Airton, Bruno e Ortunho; Elton e Milton Kuelle; Cardoso, Gessi, Marino e Vieira
Técnico: Foguinho

AIMORÉ: Alberto; Amáncio,; Soligo, Afonso e Carlos; Gilnei (Jara) e Fernando; Darci, Tomasi, Gilberto e Balzareti
Técnico: Joni Alves

Data: 28 de agosto de 1960, domingo 15h30mibn
Local: Estádio da Taba Índia, São Leopoldo-RS
Renda: CR$ 264.880,00
Árbitro: José Gonçalves Lage Filho
Auxiliares: Djalma Moura e Heron Di Lorenzi
Gols: Vieira aos 23 minutos e Marino aos 29 minutos do primeiro tempo. Gessi aos 4 minutos e Tomasi, aos 24 minutos do segundo tempo

Gauchão 2020 – Grêmio 5×0 Esportivo

February 4, 2020


O golaço de Everton, marcado logo aos 5 minutos de jogos, facilitou o trabalho dos atletas gremistas. O Esportivo sentiu demais o golpe e não conseguiu reagir na partida.

A experiência anterior demonstra que uma goleada por 5×0 no Esportivo infelizmente não serve como parâmetro para o futebol que será apresentado no restante da temporada

 

-Média de público do Grêmio na Arena em 2020:
12.498 (10.624 pagantes)

Fotos: Diego Souza (Twitter), Fabiano do Amaral (Correio do Povo) e Lucas Uebel (Grêmio.net)

GRÊMIO: Vanderlei; Victor Ferraz (Orejuela, 33’/2ºT), Paulo Miranda, David Braz e Cortez; Maicon e Lucas Silva; Alisson, Thaciano (Diego Souza, 19’/2ºT) e Everton; Luciano (Thiago Neves, 25’/2ºT)
Técnico: Renato Portaluppi

ESPORTIVO: Renan; Bovi, Cleiton, Gullithi e Rômulo; Galiardo, Lucas Hulk (Tony Jr, 17’/2ºT) e Washington; Gustavo Sapeka (Flávio, INT), Caprini e Marcão (Fabrício, 25’/2ºT)
Técnico: Carlos Moraes.

4ª Rodada – Campeonato Gaúcho 2020
Data: 3 de fevereiro de 2020, segunda-feira, 20h00min
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre – RS
Público: 13.769 (11.857 pagantes)
Renda: R$ 471.903,00
Árbitro: Daniel Nobre Bins
Assistentes: Mauricio Coelho Penna e Conrado Bittencout Berger
Cartão amarelo: Lucas Hulk e Rômulo
Gols: Everton, aos 5 minutos, e Luciano, aos 37 minutos do primeiro tempo, Paulo Miranda, aos 21, e Diego Souza, aos 31, e Alisson, aos 41 minutos do segundo tempo

Gauchão 1980 – Grêmio 0x0 Esportivo

February 2, 2020

1980 esportivo cp nelinho 1

Foto: Correio do Povo

 

No Gauchão de 1980, Grêmio e Esportivo ficaram no 0x0 no Olimpico em partida válida pelo segundo turno da competição. Esse jogo marcou a estreia de Nelinho com a camisa tricolor (com a qual ele atuou por menos de dois meses)

Nelinho chegara cinco dias antes deste confronto e ao desembarcar em Porto Alegre disse que dificilmente atuaria nessa partida pois estava sem ritmo. Foi pro jogo mesmo assim.

O detalhe curioso do jogo é que o Grêmio jogou de camisa branca e o Esportivo com camisa branca com listras finas azuis e nenhuma das reportagens abaixo menciona a aparente dos uniformes.

1980 esportivo cp vitor hugo

Foto: Correio do Povo

COM TROPEÇO DO GRÊMIO O INTER DIMINUI A DIFERENÇA

A estréia de Nelinho levou bom público ao Estádio Olímpico para assistir Grêmio x Esportivo. Dentro do campo e resultado não foi nada bom para o Grêmio que acabou perdendo um ponto precioso ao empatar em zero a zero. O time de Bento Gonçalves, depois dos 40 minutos do primeiro tempo, teve dois jogadores expulsos e assim mesmo segurou a igualdade sem gols. Carlos Martins agiu com precisão ao expulsar Raquete mas Sol muito rigoroso retirando de jogo o ponteiro Lambari.

O Grêmio no primeiro tempo limitou-se a conclusões de fora da área, principalmente por intermédio de Nelinho, e teve poucas jogadas de penetração por causa dá forte retranca do Esportivo. No segundo tempo o time de Bento passou a dar chutões para a frente ou para fora do campo. O Grêmio atacou muito e teve boas oportunidades de gol que não saíram por força da boa presença do goleiro Noslen ou então por falta de sorte nos arremates como aconteceu num chute de Renato Sá, que bateu no poste esquerdo. A entrada de Plein no lugar de Vitor Hugo tornou o time gremista ainda mais ofensivo, sem contudo determinar a vitória . Agora o Grêmio está com dois pontos à frente do Inter no segundo turno.” (Correio do Povo, terça-feira, 7 de outubro de 1980)

1980 esportivo cp nelinho 2

Foto: Correio do Povo

NELINHO ADIA A EXPLOSÃO: ‘VEM Al MINHA MAIOR BOMBA”
O estádio encheu para ver sua estréia, suas cobranças de falta mortais.

O Grêmio empatou com o Esportivo (0 x 0), o show não saiu, mas não faltaram aplausos. Nelinho prometeu bombas, suor e o título — para voltar à Seleção e acabar com a imagem de santo do técnico Hilton Chaves.

A estréia de Nelinho no Grêmio, domingo, contra o Esportivo, teve de tudo: recorde de renda no campeonato, papo com a noiva, juiz estreando uniforme, muita catimba, expulsões e até piada de português. Só não teve o tão esperado gol de falta da nova bomba gremista.

Trinta mil eufóricos torcedores invadiram o Olímpico cedo na tarde. Era o maior público do campeonato — excetuando-se o último Gre-Nal. O recorde só não caiu porque Netinho estava sem jogar há 30 dias, sentiu bastante a física puxada da semana e até sextaf-eira sua estréia era posta em dúvida. Não houve, porém, o espetáculo que todos esperavam. Nelinho adiou a explosão de sua bomba — “Fica para a próxima vez, ela vem aí com força total” — e o Grêmio até empatou com o Esportivo, permitindo que o Inter se aproximasse perigosamente.

Não faltou incentivo ao lateral. Antes do jogo, já no meio do campo, um repórter da Rádio Gaúcha colocou-lhe os fones nos ouvidos e ele conversou rapidamente com sua noiva, Vanda, que estava em Belo Horizonte. “Como você está se sentindo com a camisa do Grêmio, amor?”. Vestido com o uniforme dois do time (o branco), Nelinho se emocionou: “Bem demais, amor, o estádio está quase lotado e todo mundo me dá força”.

E bem que ele tentou corresponder a todos aqueles aplausos. Por quatro vezes soltou sua bomba em cobranças de faltas: na primeira, logo a 1 minuto, chutou da direita, com efeito, fazendo a bola subir e baixar de repente, rente ao travessão; na segunda, aos 14, bateu rasteiro e forte no canto direito, mas, no susto, o goleiro Noslen espalmou para escanteio: aos 36, a terceira, já com menos força; e a quarta, aos 26 do segundo tempo, saiu mais fraca ainda. Praticamente andava em campo, sentindo o desgaste e as emoções da estréia.

Nelinho mostrou também, alguns defeitos na marcação, pela falta de ritmo, mas compensou essas falhas com belos passes de efeito. E foi longamente aplaudido ao fazer dois lançamentos de 40m nos pés do companheiro.

Sua estréia só não foi mais comentada porque os jogadores do Esportivo aprontaram demais, dando até peitaço no juiz Carlos Martins. Martins também tinha se preparado para a festa – usava pela primeira vez o seu uniforme de juiz da FIFA — mas não esperava ter tanto trabalho. Foi obrigado a expulsar dois, ainda no primeiro tempo, e o segundo, em conseqüência, foi de antifutebol: os nove jogadores do Esportivo se entrincheiraram, dando balões para todos os lados para garantir o 0 x 0.

De qualquer forma, sobraram elogios para Nelinho — principalmente por parte do técnico Paulinho de Almeida: “Quando ele estiver em forma, poderá até superar aquele Nelinho que todos conhecemos, pois hoje é um homem mais experiente”. Alegre, satisfeito, ele não se furtou nem a ouvir “a última do português”, que o cómico José Vasconcelos foi lhe contar no vestiário —Nelinho é descendente de portugueses e também bom piadista.

Ele só ficou sério quando soube que o técnico Hilton Chaves reagiu a sua entrevista a Placar com uma furiosa resposta. Sério, porém tranqüilo: “Isso apenas prova que ele não tem moral. Vou suar a camisa do Grêmio, ser campeão, voltar à Seleção e mostrar que estou acima de intrigas.” (Emanuel Mattos, Placar, edição n.º 545, 10 de outubro de 1980)

1980 nelinho nico esteves placar

Foto: Nico Esteves (Placar)

1980 nelinho nico esteves placarb

Foto: Nico Esteves (Placar)

NA BASE DO CHUTÃO É DIFÍCIL JOGAR

Primeira preocupação de Nelinho, ontem pela manhã, logo após o café na concentração do Olímpico: escrever uma carta para a noiva. “É a saudade, bicho”, justificou. E, por isto, só desceu para o departamento de futebol após às 9 horas.

Abrigo da CBD e buscando o sol para se proteger do frio, Nelinho analisou sua atuação contra o Esportivo: “Foi regular. Dentro das condições físicas que me encontro no momento, cheguei a ter bons momentos. Na verdade, fiz a bola correr mais”.

Que tempo necessita para entrar em forma? A resposta é imediata: “Três a quatro jogos. Logo adquiro a condição ideal e entro no Gre-Nal na ponta dos cascos. O pessoal aqui é bom de jogar, sabe. Tocam bem a bola o são inteligentes. Fica mais fácil assim, não?”.

O que foi difícil no adversário? “Puxa, palavra, nunca neste tempo que jogo futebol vi um time tão preocupado em não jogar como o Esportivo. Eles não jogaraM. Tinham condições para tocar a bola, fazer a cera técnica, mas preferiam dar chutões para a avenida. Sinceramente, é difícil jogar assim”.

Diferença com os times de Minas? “A principal é a maneira de jogar mesmo. Lá um time pequeno segura a bola, faz o tempo passar e procura se fechar bem. Mas, acima de tudo, faz tudo isto sempre com a bola rolando. Quer dizer: ninguém dá chutão para fora do campo. Acho que esta é a grande diferença”.

Não deu para acertar uma falta domingo? “Não, bicho, não deu. Cobrei três, sendo duas no gol e uma fora. Usei a mesma técnica de sempre. Na bola fora, dei azar. Ela desceu um metro depois da goleira. Pelo efeito que dei, pensei que ela ia descer nas costas do goleiro. Sorte dele”.

Mas ainda vale advertir os zagueiros adversários para não cometerem faltas nas proximidades da área, não é? Depois do sorriso, a resposta: “Convém sim. Vou bater com força e o veneno habitual. Se facilitarem, chuto para fazer. Por isto, é bom não abrir emito e evitar as faltas. Estou sem condições físicas, mas continuo com o pé em forma”.

Chuteira alemã dá mais potência no chute. Manoel Rezende Mattos Cabral? “Pode trocar tudo isto por Nelinho que eu atendo logo. Não. O problema é que tenho o pé um pouco largo e a chuteira alemã tem maior elasticidade. O pé fica numa boa e aí o problema é do goleiro adversário”.

O empate não foi um bom começo. “Mas, também, não foi ruim. O pior é perder. Nosso time foi bem e o adversário passou todo o tempo evitando jogar futebol. Acho que comecei bem. Depois de quase oito anos de Cruzeiro, a saída me fez bem e o ambiente aqui é excelente”.

Casamento marcado para maio o morando no Olímpico, Nelinho tem dois objetivos imediatos: primeiro, entrar em forma; segundo, receber uma nova oportunidade na Seleção e mostrar que é importante em qualquer time.” (Correio do Povo, quarta-feira, 8 de outubro de 1980)

1980 esportivo guaiba

Grêmio 0x0 Esportivo

GRÊMIO: Leão; Nelinho, Newmar (Gaúcho), Vicente e Dirceu; Vítor Hugo (Plein), Paulo Isidoro e Renato Sá; Tarciso, Baltazar e Odair.
Técnico: Paulinho de Almeida

ESPORTIVO: Noslen; Toninho, Leocir, Raquete e Edgar; Dilvar, Silvio e Adilson; Lambari, Paulo Taborda (Saraci) e Rubem
Técnico: Zeca Rodrigues

Campeonato Gaúcho 1980 – 1ª Fase – 2º Turno – 11ª Rodada
Data: 05 de outubro de 1980, domingo, 15h30min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 26.769
Renda: Cr$ 2.107.380,00
Árbitro: Carlos Martins
Auxiliares: Mário Severo e Elinei Macedo
Cartões Vermelhos: Raquete e Lambari