Gauchão 1980 – Grêmio 0x0 Esportivo

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Foto: Correio do Povo

 

No Gauchão de 1980, Grêmio e Esportivo ficaram no 0x0 no Olimpico em partida válida pelo segundo turno da competição. Esse jogo marcou a estreia de Nelinho com a camisa tricolor (com a qual ele atuou por menos de dois meses)

Nelinho chegara cinco dias antes deste confronto e ao desembarcar em Porto Alegre disse que dificilmente atuaria nessa partida pois estava sem ritmo. Foi pro jogo mesmo assim.

O detalhe curioso do jogo é que o Grêmio jogou de camisa branca e o Esportivo com camisa branca com listras finas azuis e nenhuma das reportagens abaixo menciona a aparente dos uniformes.

1980 esportivo cp vitor hugo

Foto: Correio do Povo

COM TROPEÇO DO GRÊMIO O INTER DIMINUI A DIFERENÇA

A estréia de Nelinho levou bom público ao Estádio Olímpico para assistir Grêmio x Esportivo. Dentro do campo e resultado não foi nada bom para o Grêmio que acabou perdendo um ponto precioso ao empatar em zero a zero. O time de Bento Gonçalves, depois dos 40 minutos do primeiro tempo, teve dois jogadores expulsos e assim mesmo segurou a igualdade sem gols. Carlos Martins agiu com precisão ao expulsar Raquete mas Sol muito rigoroso retirando de jogo o ponteiro Lambari.

O Grêmio no primeiro tempo limitou-se a conclusões de fora da área, principalmente por intermédio de Nelinho, e teve poucas jogadas de penetração por causa dá forte retranca do Esportivo. No segundo tempo o time de Bento passou a dar chutões para a frente ou para fora do campo. O Grêmio atacou muito e teve boas oportunidades de gol que não saíram por força da boa presença do goleiro Noslen ou então por falta de sorte nos arremates como aconteceu num chute de Renato Sá, que bateu no poste esquerdo. A entrada de Plein no lugar de Vitor Hugo tornou o time gremista ainda mais ofensivo, sem contudo determinar a vitória . Agora o Grêmio está com dois pontos à frente do Inter no segundo turno.” (Correio do Povo, terça-feira, 7 de outubro de 1980)

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Foto: Correio do Povo

NELINHO ADIA A EXPLOSÃO: ‘VEM Al MINHA MAIOR BOMBA”
O estádio encheu para ver sua estréia, suas cobranças de falta mortais.

O Grêmio empatou com o Esportivo (0 x 0), o show não saiu, mas não faltaram aplausos. Nelinho prometeu bombas, suor e o título — para voltar à Seleção e acabar com a imagem de santo do técnico Hilton Chaves.

A estréia de Nelinho no Grêmio, domingo, contra o Esportivo, teve de tudo: recorde de renda no campeonato, papo com a noiva, juiz estreando uniforme, muita catimba, expulsões e até piada de português. Só não teve o tão esperado gol de falta da nova bomba gremista.

Trinta mil eufóricos torcedores invadiram o Olímpico cedo na tarde. Era o maior público do campeonato — excetuando-se o último Gre-Nal. O recorde só não caiu porque Netinho estava sem jogar há 30 dias, sentiu bastante a física puxada da semana e até sextaf-eira sua estréia era posta em dúvida. Não houve, porém, o espetáculo que todos esperavam. Nelinho adiou a explosão de sua bomba — “Fica para a próxima vez, ela vem aí com força total” — e o Grêmio até empatou com o Esportivo, permitindo que o Inter se aproximasse perigosamente.

Não faltou incentivo ao lateral. Antes do jogo, já no meio do campo, um repórter da Rádio Gaúcha colocou-lhe os fones nos ouvidos e ele conversou rapidamente com sua noiva, Vanda, que estava em Belo Horizonte. “Como você está se sentindo com a camisa do Grêmio, amor?”. Vestido com o uniforme dois do time (o branco), Nelinho se emocionou: “Bem demais, amor, o estádio está quase lotado e todo mundo me dá força”.

E bem que ele tentou corresponder a todos aqueles aplausos. Por quatro vezes soltou sua bomba em cobranças de faltas: na primeira, logo a 1 minuto, chutou da direita, com efeito, fazendo a bola subir e baixar de repente, rente ao travessão; na segunda, aos 14, bateu rasteiro e forte no canto direito, mas, no susto, o goleiro Noslen espalmou para escanteio: aos 36, a terceira, já com menos força; e a quarta, aos 26 do segundo tempo, saiu mais fraca ainda. Praticamente andava em campo, sentindo o desgaste e as emoções da estréia.

Nelinho mostrou também, alguns defeitos na marcação, pela falta de ritmo, mas compensou essas falhas com belos passes de efeito. E foi longamente aplaudido ao fazer dois lançamentos de 40m nos pés do companheiro.

Sua estréia só não foi mais comentada porque os jogadores do Esportivo aprontaram demais, dando até peitaço no juiz Carlos Martins. Martins também tinha se preparado para a festa – usava pela primeira vez o seu uniforme de juiz da FIFA — mas não esperava ter tanto trabalho. Foi obrigado a expulsar dois, ainda no primeiro tempo, e o segundo, em conseqüência, foi de antifutebol: os nove jogadores do Esportivo se entrincheiraram, dando balões para todos os lados para garantir o 0 x 0.

De qualquer forma, sobraram elogios para Nelinho — principalmente por parte do técnico Paulinho de Almeida: “Quando ele estiver em forma, poderá até superar aquele Nelinho que todos conhecemos, pois hoje é um homem mais experiente”. Alegre, satisfeito, ele não se furtou nem a ouvir “a última do português”, que o cómico José Vasconcelos foi lhe contar no vestiário —Nelinho é descendente de portugueses e também bom piadista.

Ele só ficou sério quando soube que o técnico Hilton Chaves reagiu a sua entrevista a Placar com uma furiosa resposta. Sério, porém tranqüilo: “Isso apenas prova que ele não tem moral. Vou suar a camisa do Grêmio, ser campeão, voltar à Seleção e mostrar que estou acima de intrigas.” (Emanuel Mattos, Placar, edição n.º 545, 10 de outubro de 1980)

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Foto: Nico Esteves (Placar)

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Foto: Nico Esteves (Placar)

NA BASE DO CHUTÃO É DIFÍCIL JOGAR

Primeira preocupação de Nelinho, ontem pela manhã, logo após o café na concentração do Olímpico: escrever uma carta para a noiva. “É a saudade, bicho”, justificou. E, por isto, só desceu para o departamento de futebol após às 9 horas.

Abrigo da CBD e buscando o sol para se proteger do frio, Nelinho analisou sua atuação contra o Esportivo: “Foi regular. Dentro das condições físicas que me encontro no momento, cheguei a ter bons momentos. Na verdade, fiz a bola correr mais”.

Que tempo necessita para entrar em forma? A resposta é imediata: “Três a quatro jogos. Logo adquiro a condição ideal e entro no Gre-Nal na ponta dos cascos. O pessoal aqui é bom de jogar, sabe. Tocam bem a bola o são inteligentes. Fica mais fácil assim, não?”.

O que foi difícil no adversário? “Puxa, palavra, nunca neste tempo que jogo futebol vi um time tão preocupado em não jogar como o Esportivo. Eles não jogaraM. Tinham condições para tocar a bola, fazer a cera técnica, mas preferiam dar chutões para a avenida. Sinceramente, é difícil jogar assim”.

Diferença com os times de Minas? “A principal é a maneira de jogar mesmo. Lá um time pequeno segura a bola, faz o tempo passar e procura se fechar bem. Mas, acima de tudo, faz tudo isto sempre com a bola rolando. Quer dizer: ninguém dá chutão para fora do campo. Acho que esta é a grande diferença”.

Não deu para acertar uma falta domingo? “Não, bicho, não deu. Cobrei três, sendo duas no gol e uma fora. Usei a mesma técnica de sempre. Na bola fora, dei azar. Ela desceu um metro depois da goleira. Pelo efeito que dei, pensei que ela ia descer nas costas do goleiro. Sorte dele”.

Mas ainda vale advertir os zagueiros adversários para não cometerem faltas nas proximidades da área, não é? Depois do sorriso, a resposta: “Convém sim. Vou bater com força e o veneno habitual. Se facilitarem, chuto para fazer. Por isto, é bom não abrir emito e evitar as faltas. Estou sem condições físicas, mas continuo com o pé em forma”.

Chuteira alemã dá mais potência no chute. Manoel Rezende Mattos Cabral? “Pode trocar tudo isto por Nelinho que eu atendo logo. Não. O problema é que tenho o pé um pouco largo e a chuteira alemã tem maior elasticidade. O pé fica numa boa e aí o problema é do goleiro adversário”.

O empate não foi um bom começo. “Mas, também, não foi ruim. O pior é perder. Nosso time foi bem e o adversário passou todo o tempo evitando jogar futebol. Acho que comecei bem. Depois de quase oito anos de Cruzeiro, a saída me fez bem e o ambiente aqui é excelente”.

Casamento marcado para maio o morando no Olímpico, Nelinho tem dois objetivos imediatos: primeiro, entrar em forma; segundo, receber uma nova oportunidade na Seleção e mostrar que é importante em qualquer time.” (Correio do Povo, quarta-feira, 8 de outubro de 1980)

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Grêmio 0x0 Esportivo

GRÊMIO: Leão; Nelinho, Newmar (Gaúcho), Vicente e Dirceu; Vítor Hugo (Plein), Paulo Isidoro e Renato Sá; Tarciso, Baltazar e Odair.
Técnico: Paulinho de Almeida

ESPORTIVO: Noslen; Toninho, Leocir, Raquete e Edgar; Dilvar, Silvio e Adilson; Lambari, Paulo Taborda (Saraci) e Rubem
Técnico: Zeca Rodrigues

Campeonato Gaúcho 1980 – 1ª Fase – 2º Turno – 11ª Rodada
Data: 05 de outubro de 1980, domingo, 15h30min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 26.769
Renda: Cr$ 2.107.380,00
Árbitro: Carlos Martins
Auxiliares: Mário Severo e Elinei Macedo
Cartões Vermelhos: Raquete e Lambari

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