Libertadores 1996 – América de Cali 3×1 Grêmio

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O último confronto entre Grêmio e América de Cali pela Libertadores aconteceu na Colômbia, pelo jogo de volta pela semifinal de 1996.

Os donos da casa venceram, de virada, por 3×1. Jorge Bermudez foi o grande destaque da noite na qual o Grêmio deu claros sinais de estar sentindo a maratona de jogos (era a partida de número 43 das 87 que fez naquela temporada, a quinta disputada nos primeiros doze dias do mês de junho).

A jogada ensaiada do gol do Grêmio foi muito parecida com a feita pela seleção da Suécia no jogo contra a Romênia na Copa de 1994.

Foto: Mauro Vieira (Zero Hora)

 

GRÊMIO PERDE E ESTÁ ELIMINADO
O América foi superior ao time gaúcho e vai decidir o título contra o River Plate

Só resta o Gauchão. Ao perder por 3 a 1 para o América, ontem à noite, em Cali, o Grêmio foi desclassificado da Copa Libertadores da América de 1996. Agora, o time colombiano vai decidir o título com o River Plate, da Argentina, enquanto o Grêmio apenas espera para saber contra qual equipe do Interior disputará o campeonato estadual.

Ao que parece, o técnico Luiz Felipe tinha toda a razão, quando não queria exigir demais da equipe na partida contra o Palmeiras, na sexta-feira passada. O time não apresentou nem uma centelha de toda a vibração daquele jogo. Foi um Grêmio tímido, submisso e claudicante, o que perdeu para o América, no lotado Estádio Pascual Guerrero.

O Grêmio foi mal desde o começo do primeiro tempo. Os zagueiros Luciano e Rivarola e o volante Adilson estavam afoitos. Tentando tirar a bola “de primeira” do campo de defesa, através de chutões, a afastaram seguidamente com defeito, muitas vezes até armando o ataque adversário. Mas o principal problema defensivo do time gaúcho esteve na lateral-direita. Arce foi envolvido constantemente por Oviedo, que se deslocou sempre com muito perigo pelo seu setor.

Se na defesa o Grêmio foi inseguro, ao meio-de-campo faltou inspiração. Aílton voltou a atuar com discrição e Carlos Miguel, no dia do seu 24° aniversário, se ausentou da partida. O melhor do Grêmio, na primeira etapa, aconteceu através de Paulo Nunes, habilidoso, veloz e objetivo. Foi Paulo Nunes quem cruzou para Jardel marcar o primeiro gol, aos 14 minutos, depois de uma jogada ensaiada em uma falta cobrada por Arce do lado direito do ataque. A torcida do América silenciou nas arquibancadas, mas o time não se intimidou. Continuou dominando, tocando a bola e atacando com perigo. Aos 39 minutos, Arce foi mais uma vez vencido por Oviedo, que cruzou para Bermudez empatar o jogo.

O técnico Luiz Felipe consertou o Grêmio no intervalo. O time voltou a campo melhor, no segundo tempo, passou controlar o jogo e a perder gols. Mas o treinador havia sido expulso pelo confuso árbitro Alberto Tejada e não pôde mais orientar o time do banco de reservas. Os jogadores deram a impressão de ter sentido a falta do técnico. Principalmente depois que o América marcou o seu segundo gol, numa seqüência de falhas da defesa gremista. Numa bola cruzada da direita, Goiano atrasou com o peito, Rivarola furou e Escobar fez 2 a 1. O Grêmio não soube reagir e se entregou ao desconcertante toque de bola do adversário. América se impôs, pressionou um Grêmio apático através da habilidade de seus atacantes e começou a desperdiçar oportunidades. Aos 38 minutos, Bermudez marcou o terceiro gol do América. Em sete minutos, era impossível para o Grêmio vencer seu abatimento e buscar um resultado melhor.” (Pedro Haase Filho, Enviado Especial, Zero Hora, 13 de junho de 1996)

OS DESEMPENHOS (Zero Hora, 13 de junho de 1996)
AMÉRICA GRÊMIO
Chutes a gol 12 11
Conclusões de cabeça 1 1
Escanteios cedidos 7 5
Faltas cometidas 20 16
Impedimentos 4 4

GRÊMIO ESTÁ ELIMINADO

O Grêmio está eliminado da Taça Libertadores. Foi derrotado por 3 a 1, ontem, em Cail, pelo América, que decidirá o torneio contra o River Plate. O clube argentino garantiu vaga ao bater o Universidad do Chile por 1 a 0, gol de Matías Almeyda, obtido aos 34min do primeiro tempo. Em Cali, 45 mil torcedores lotaram o estádio Pascoal Guerrero. A partida até começou calma, mas logo aos 6min, Jardel acabou sendo removido de campo com o ombro direito deslocado após choque com zagueiro colombiano.

Só voltaria aos 10min, mesmo assim, com dificuldade. Surpreenderia, quatro minutos mais tarde, marcando o gol gremista, após jogada ensaiada iniciada em cobrança de falta. Com a vantagem, a equipe gaúcha tentou esfriar a partida, se posicionando no campo defensivo e apostando nos contra-ataques. Nessa dinâmica, o América chegou a ameaçar aos 26min, com Escobar, e aos 32min, com Zambrano. Paulo Nunes deu o troco aos 37min, ao receber na área, girar e bater. Córdoba defendeu.

Aos 40min, o América chegou ao empate. Zambrado e Oviedo fizeram jogada rápida, deixando Bermudez em condições de marcar na pequena área. Antes mesmo do gol, o clima do jogo já havia esquentado. Dentro do campo, faltas violentas. Fora, tumulto entre gandulas, juízes de linha e dirigentes do Grêmio – o banco do time brasileiro era alvo de objetos atirados pela torcida, apesar da proteção da polícia local. Enquanto isso, o juiz peruano Alberto Tejada, distribuía cartões amarelos e perdia o controle sobre a partida. Sua sorte é que logo veio o intervalo.

O segundo tempo começou com pressão gremista. Aos 4min, João Antônio teve que entrar no lugar de Luciano, que recebeu falta violenta de De Ávila. Aos 11, Goiano e Rivarola falharam, e Escobar fez 2 a 1. A vantagem colombiana desestabilizou o time gaúcho, e animado, pela torcida, o América subiu ao ataque. Por cerca de 15 minutos, o Grêmio se viu no sufoco e só não tomou gol graças a má qualidade do ataque colombiano e pelo menos três boas defesas de Danrlei.

Aos 39min, o América acabou marcando. Após cobrança de escanteio, Bermudez acabou fazendo de cabeça, 3 a 1 para o América, resultado que classificava o time colombiano – o primeiro jogo, em Porto Alegre, havia sido 1 a 0 para o Grêmio. Como nos outros dois gols, os gandulas participaram das comemorações dentro do campo. Desesperado, o Grêmio tentou levar a decisão para os pênaltis. Mas seis minutos foram poucos.” (Folha de São Paulo, 12 de junho de 1996 – Fonte: Grêmio Dados)

america cali volta 1996 adilson zh mauro vieira

Foto: Mauro Vieira (Zero Hora)

UMA FESTA COLOMBIANA
A torcida lotou o estádio e nunca deixou de acreditar na vitória

O clima de decisão que envolvia América e Grêmio já ficava evidenciado ao redor do Estádio Pascual Guerrero, de Cali, mais de duas horas antes do começo da partida de ontem. Os torcedores do time colombiano se dirigiam em grandes grupos ao local do jogo e se aglomeravam nos portões de entrada. Quase todos vestindo camisas do seu time favorito ou alguma peça da roupa de cor vermelha. A presença feminina também contribuía para que o ambiente de alegria se espalhasse pela multidão. A lotação do estádio esgotou-se quando ainda faltava uma hora para que o árbitro peruano Alberto Tejada, o mesmo que validou o contestado gol de Túlio depois de ajeitar a bola com o braço, diante da Argentina, pela Copa América, autorizasse o início dos 90 minutos que levariam um dos dois times a mais uma final da Copa Libertadores. A estudante Carla Ospina, 23 anos, ao lado de seu irmão John Jairo, resumia o sentimento que tomava conta da torcida do América: “Viemos pela vitória”, exclamou a jovem.

O ambiente de festa se estendeu até a bola começar a rolar. A entrada do time de Cali em campo foi recepcionada por um grupo de animadas cheersleaders”, dezenas de garotas que comandam a vibração da torcida. Depois que o jogo iniciou-se, no entanto, o que antes era exaltação tornou-se expectativa respeitosa. O América estava enfrentando um adversário poderoso, campeão da Libertadores. A medida que o tempo passava, os torcedores da equipe colombiana pouco se manifestaram. O gol gremista, aos 15 minutos, deixou o estádio ainda mais silencioso. A animação só voltou, num espasmo de alívio, quando o zagueiro Bermudez alcançou o empate, aos 39 minutos. Daí em diante, até o final do primeiro tempo, a cada vez que o América tocava na bola, o torcedor mostrava sua esperança de que a virada ainda poderia vir.

Tão logo a partida recomeçou no segundo tempo, o estádio inteiro retomou a vibração ensaiada ao fim dos 45 minutos iniciais. Pouco a pouco, como que pressentindo a possibilidade de vitória, o torcedor do América não parou mais de incentivar sua equipe. O gol da virada, aos 11 minutos, marcado por Alex Escobar, foi como uma senha de que com seu grito, a torcida ajudaria os atletas colombianos a buscar o terceiro gol. Daí em diante, as pessoas que lotavam o Pascual Guerrero aumentavam o volume e a intensidade de sua vibração. Os cânticos ritmados de “A-merica, A-merica” tornaram-se uníssono. Então, quando o herói Bermudez transformou a esperança em realidade, os torcedores explodiram em uma alegria só, que se extravasou para as ruas.” (Pedro Haase Filho, Enviado Especial, Zero Hora, 13 de junho de 1996)

america cali volta 1996 ailton berti zh mauro vieira

Foto: Mauro Vieira (Zero Hora)

O ÁRBITRO

Alberto Tejada validou dois gols em impedimento (os dois primeiros), inverteu faltas, não deu descontos e permitiu lances violentos em demasia. Complicou-se e só não saiu mais contestado porque a superioridade do América justificou o resultado.” (Zero Hora, 13 de junho de 1996)

LUIZ FELIPE ACUSA TEJADA
Para o técnico Luiz Felipe, o meia Aílton fez um excelente primeiro tempo, mas no segundo esteve mal assim como todo o time. “Não posso transferir a responsabilidade para o Aílton”, disse. “Estamos todos desgastados, não tivemos tempo para segurar o América até o fim”. Luiz Felipe chegou a culpar o árbitro Alberto Tejada pela desclassificação. “Eu havia pedido um árbitro uruguaio ou paraguaio, mas não fomos atendidos”. (Zero Hora, 13 de junho de 1996)

Foto: Mauro Vieira (Pioneiro)

AMÉRICA: Oscar Córdoba; Cardona, Bermudez, Asprilla e Maziri; Berti, Oviedo, Cabrera e Alex Escobar; De Ávila e Zambrano (Digñas)
Técnico: Diego Umaña

GRÊMIO: Danrlei; Arce (Émerson), Rivarola, Luciano (João Antônio) e Roger; Adílson, Goiano, Aílton e Carlos Miguel; Paulo Nunes e Jardel
Técnico: Luiz Felipe Scolari

Libertadores 1996 – Semifinal – Jogo de Volta
Data: 12 de junho de 1996, quarta-feira, 22h30min
Local: Estádio Pascoal Guerrero, em Cali
Árbitro: Alberto Tejada (Peru)
Auxiliares: Luiz Seminário e Manuel Yupanqui
Cartões Amarelos: Berti, Cabrera, Escobar, Bermudez, Asprilla, Adilson e Luciano
Gols: Jardel, aos 14 minutos e Bermudez, aos 38 minutos do primeiro tempo; Escobar aos 11 minutos e Bermudez, aos 39 minutos do segundo tempo

One Response to “Libertadores 1996 – América de Cali 3×1 Grêmio”

  1. Confrontos contra o América de Cali na Colômbia | Grêmio1983 Says:

    […] 1982 – Amistoso – América de Cali 3×1 Grêmio 1983 – Libertadores – América de Cali 1×0 Grêmio 1984 – Amistoso – América de Cali 1×1 Grêmio 1996 – Libertadores –  América de Cali 3×1 Grêmio […]

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