Há 25 anos – Grêmio 1×0 Flamengo pela Copa do Brasil 1995

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Há 25 anos, o Grêmio passava pelo Flamengo na semifinal da Copa do Brasil de 1995, vencendo o jogo de volta por 1×0. Em razão disso, transcrevo abaixo o post já publicado em 2018.

Acrescento que o público de 58.205 (48.905 pagantes) foi o maior do Grêmio naquela temporada (segundo maior da história do clube na Copa do Brasil, só ficando atrás da final de 1989).

1995 Gremio 1x0 Flamengo Mazinho Gelson Valdir Friolin ZH

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

O confronto entre Grêmio e Flamengo pela semifinal da Copa do Brasil de 1995 registra o quinto maior público pagante do tricolor como mandante na história da competição (só fica atrás das finais de 1989, 1994, 2016 e do Gre-Nal de 1992).

O grande interesse da torcida por esse jogo pode ser atribuído a vários fatores. Vale lembrar que esse foi o primeiro ano que o SBT exibiu a Copa do Brasil. A transmissão dos jogos em horário nobre por Sílvio Luiz & Cia certamente ajudou a alavancar o prestígio do torneio.

Também é importante lembrar que o Flamengo havia contratado Romário no início de 1995 e na semana anterior havia anunciado Edmundo. Os auto-intitulados “Bad Boys” formariam, juntamente com Sávio, o famigerado “Melhor ataque do mundo”. Contudo, só Sávio atuou em Porto Alegre. O “Baixinho’ estava lesionado e o “Animal” já havia jogado na Copa do Brasil pelo Palmeiras.

Mas creio que o principal fator de entusiasmo dos gremistas era a a própria campanha do tricolor na competição, tendo superado Palmeiras e São Paulo para chegar na semifinal (enquanto o Flamengo, de maneira bastante suspeita, havia tido um caminho bem mais fácil)

O Grêmio precisava de um 1×0. E conseguiu o 1×0. Num cruzamento que terminou com uma tabela entre Paulo Nunes e Jardel (foto abaixo).

O detalhe lendário/folclórico desse jogo é a briga entre os técnicos Luis Felipe Scolari e Vanderlei Luxemburgo aos 32 minutos do segundo tempo, após as expulsões de Roger e Mauricinho. Luxa afirmou ter recebido um soco do treinador gremistas, enquanto Felipão alega ter somente empurrado o seu oponente.

1995 Gremio 1x0 Flamengo Julio Cordeiro Zh

Foto: Julio Cordeiro (Zero Hora)

O herói Jardel dedica o gol ao amigo Magno

Herói do Grêmio nos jogos da semifinal da Copa do Brasil, o centroavante Jardel foi um dos jogadores mais festejados pelos torcedores ao final da partida no Olímpico. Emocionado, o artilheiro vibrou muito junto á torcida e fez questão de dedicar o gol decisivo para o ata-cante Magno, que se lesionou no jogo do Rio de Janeiro. “Eu tinha prometido ao Magno e, felizmente, pude cumprir a minha palavra”, disse o goleador.

Mas a festa não foi somente de Jardel. A vitória sobre o Flamengo foi muito comemorada no vestiário gremista. Jogadores e dirigentes eram uma só alegria. O presidente Fábio Koff destacou a união de todo o grupo que soube novamente superar os problemas e também agradeceu o apoio do público. “Com a força desta torcida, seremos novamente campeões”, afirmou o presidente.

O zagueiro Adilson, um dos jogadores mais sérios e ponderados do grupo, desta vez não escondia e emoção pela vitória. Improvisado como volante, Adilson comentou que a equipe não fez uma partida excepcional, mas alcançou o resultado desejado. “Todos estão de parabéns”, resumiu o zagueiro. O volante Goiano enfatizou a garra como fator fundamental.

Passada a euforia inicial, a comissão técnica do Grêmio começa a partir de hoje a projetar primeiro jogo contra o Corinthians, no dia 14. Sem Dinho e Arílson, o técnico Luiz Felipe não terá também o lateral Roger, que foi expulso e cumprirá suspensão. “Teremos que adaptar o Scheidt ou Carlos Miguel na posição, mas ainda é muito cedo para definir isto” analisou o treinador. No sábado, o time reserva joga em Pelotas.” (Zero Hora – 1º de junho de 1995)

TÉCNICOS TROCAM OFENSAS

Longe das câmeras da televisão, aos 33 minutos do segundo tempo, houve incidente entre os técnicos Luiz Felipe (Grêmio) e Wanderley Luxemburgo (Flamengo). Luxemburgo disse que foi agredido pelo treinador gremista. “Fui dizer a ele que um jogo não é uma guerra, mas o Luiz Felipe comprovou que é um mau caráter e me agrediu no queixo e no peito, reclamou. “Hoje acredito quando dizem que ele manda bater”, disse Luxemburgo. Luiz Felipe rebateu: “Naquela agressão do Mauricinho contra o Goiano, Luxemburgo me chamou de marginal, palhaço, que o meu time era um bando de louco”, disse. “Bando de louco são eles, e o Luxemburgo passa por bonzinho”. “Eu não aguentei as ofensas e só dei um empurrão, mas se já estou sendo rotulado de marginal, deveria ter dado um soco”, ressaltou.Luxemburgo elogiou o estilo do Grêmio e acha que o time gaúcho será campeão, mas deixou claro que não é mais amigo de Luiz Felipe. “Não estou preocupado com isso”, completou o técnico gremista, agora preocupado com a raça do Corinthians” (Zero Hora – 1º de junho de 1995)

” Coluna do Falcão*MÉRITOS PARA JARDEL

[…]

No ataque, o Grêmio só tinha uma jogada: o centro alto para Jardel. E exagerou nela. Muitas vezes, levantava do meio do campo, em vez de procurar urna zona mais adequada, entre a lateral e a área. O principal marcador de Jardel acabou sendo o goleiro Roger, que com as mãos só podia mesmo levar a melhor. No segundo tempo, porém, o Flamengo resolveu ficar atrás e facilitou a execução da jogada preferencial do Grêmio, em cima de fardel. Recuando, permitiu a bola alçada de perto da área, com mais direção e mais preparada para a conclusão do centroavante, Jardel, aliás, voltou a ser o jogador mais importante do Grêmio, porque é nele que se concentra sempre a esperança de gol. E isso é o que ele melhor sabe fazer, pois é objetivo, tem boa colocação na área e sabe aproveitar o mínimo vacilo dos zagueiros. Foi assim que garantiu ontem a vitória que deixa o Grêmio a um Corinthians do seu terceiro título na Copa do Brasil.” (*Depoimento a Nilson Souza, Zero Hora, 1º de junho de 1995)

Alexandre mudou a história do jogo no segundo tempo O reserva Alexandre, número 16, mudou a cara do jogo. Depois de um primeiro tempo confuso, com poucas jogadas de ataque, o Grêmio voltou modificado para os 45 minutos decisivos. Cansado e sem ritmo, o titular Carlos Miguel foi substituído e o time cresceu de produção. As facilidades dos cariocas começaram a desaparecer e, aos poucos, o Grêmio foi ganhando confiança. Aberto pelo lado esquerdo, Alexandre passou a preocupar o lateral Marcos Adriano e, principalmente, o treinador Wanderley Luxemburgo. Logo nos primeiros minutos da etapa final, a mudança já mostrava a diferença. Alexandre pegou a bola, partiu para o ataque e foi derrubado, por trás, pelo talentoso Marquinhos, que merecidamente ganhou o cartão amarelo. O Grêmio, a partir deste momento, entrou no jogo. Alexandre passou a ganhar as jogadas, a ir ao fundo do campo e a acertar os cruzamentos. Alexandre mostrava confiança e infernizava o sistema defensivo dos cariocas. A torcida sentiu que o time estava bem melhor e fez o seu papel, apoiando até mesmo nos raros lances errados, O Flamengo sentiu a pressão, cedeu campo e o Grêmio soube explorar este detalhe. Passou a pressionar insistentemente, sempre sob o coman-do de Alexandre, que chamava as jogadas e levava vantagem sobre os adversários, Na metade do segundo tempo, ia com o domínio técnico, o Grêmio fez o que mais necessitava. Marcou o gol, através de Jardel, aproveitando um descuido dos zagueiros. Como já era esperado, o Flamengo partiu desesperadamente em busca do empate. E, a partir deste momento, Alexandre foi mais importante. Prendeu a bola. cavou faltas e continuou jogando em busca do ataque. Seu comportamento tático somente se. alterou aos 33 minutos. com a expulsão do lateral Roger. Sem possibilidades de realizar substituições. Luiz Felipe pediu para Alexandre cuidar do setor e ele não decepcionou, Brigou pela bola, deu chutões e ajudou o Grêmio a chegar mais uma vez à decisão da Copa do Brasil.” (Zero Hora – 1º de junho de 1995)

Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

Felipão em entrevista à Revista Placar:“WANDERLEY LUXEMBURGO: “Ele me deu um murro no jogo Grêmio x Flamengo pela Copa do Brasil lá em Porto Alegre. Estava louco” A RESPOSTA: “Não dei um soco. Eu o empurrei com as duas mãos, porque ele disse que eu era maluco por mandar bater nos adversários” (Placar, Edição n.º 1.107 – Setembro de 1995)

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

FUTEBOL DO RIO ELIMINADO DA COPA DO BRASIL

Flamengo perde de 1 a 0 do Grêmio e Vasco retorna cabisbaixo de São Paulo […]A lamentação do técnico Vanderlei Luxemburgo deu a tônica no vestiário do Flamengo. “Com chutões para frente ninguém chega a lugar nenhum. Deveríamos ter mantido a tranquilidade do primeiro tempo”, reclamou Vanderlei, que disse ter sido agredido pelo técnico gremista, Luis Felipe, durante a confusão no segundo tempo que resultou nas expulsões da Roger e Mauricinho.

Sávio era o mais revoltado e não poupou críticas ao árbitro Márcio Rezende de Freitas. “Nem conseguia pegar na bola. Sempre que ela chegava, levava uma pancada” lamentou.

Como era de se esperar, o jogo começou com o time gaúcho tentando sufocar o Flamengo em seu próprio campo, perdendo uma boa chance logo aos 5 minutos, com Jardel e Paulo Nunes. Passada a pressão inicial, o Flamengo equilibrou e passou a tocar a bola inteligentemente. Willian aos 14, e Marquinhos aos 22, assustaram o goleiro Danrlei, mas a melhor chance apareceu aos 35, quando Branco deixou Willian na cara do gol. O meia chutou forte, mas por cima.

No segundo tempo, o Grêmio veio pra cima e o Flamengo, inexplicavelmente recuou dando campo ao adversário. O goleiro Roger ainda fez duas excelentes defesas, mas o gol não demorou: aos 23 minutos, Rivarola cobrou falta, Jardel cabeceou para Paulo Nunes, que dentro da área, devolveu a bola. O atacante do Grêmio chutou quase da pequena área e fez 1 a 0. A partir daí o Flamengo acordou e ainda tentou uma reação. Aos 47, Sávio recebeu livre da direita, trocou de perna e chutou em cima de Danrlei, que fez ótima defesa.” (Jornal do Brasil – 1º de junho de 1995)

 Foto: Roberto Santos (Correio do Povo)

Torcida empurra o time para a suada vitória

[…]

Os gremistas lotaram, literalmente, o estádio, com capacidade para 51 mil torcedores. Animados, entoavam gritos de guerra e fazia ola, dando mostrar da força do 12º jogador. Do lado de fora, já com a bola rolando, uma multidão se aglomerava nos portões, ainda na esperança de assistir ao espetáculo.

[…]O time suportou o primeiro tempo, mas muito recuado, acabou sofrendo o gol no segundo, quando a torcida esteve ainda mais inflamada. Difícil saber se a disposição do time em campo incendiou as arquibancadas ou vice-versa.” (Jornal dos Sports – 1º de junho de 1995)

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Foto: Zero Hora

Grêmio 1×0 Flamengo

GRÊMIO: Danrlei; Arce, Rivarola, Luciano e Roger; Adílson, Gélson, Luis Carlos Goiano e Carlos Miguel (Alexandre Xoxó); Paulo Nunes e Jardel (Nildo).
Técnico: Luis Felipe Scolari

FLAMENGO: Roger; Marcos Adriano, Jorge Luis, Gelson Baresi e Branco (Henrique); Charles, Fabinho (Mauricinho), Marquinhos e William; Mazinho e Sávio.
Técnico: Wanderley Luxemburgo

 

Copa do Brasil 1995 – Semifinal -Jogo de volta
Data: 31/05/1995, Quarta-feira, 20h45min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre, RS.
Público: 58.205 (48.905 pagantes)
Renda: R$ 477.997,00
Juiz: Márcio Rezende de Freitas-MG
Auxiliares: Marco Antonio Martins e Marco Antonio Gomes
Cartões Amarelos: Arce, Luciano, Gelson, Branco e Marquinhos
Cartões Vermelhos: Roger (Grêmio) e Mauricinho, aos 32 do 2ºT
Gol: Jardel, aos 23 minutos do segundo tempo

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