Há 25 anos – Grêmio 0x1 no segundo jogo da final da Copa do Brasil de 1995

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Foto: Mauro Vieira (Folha de São Paulo)

Há 25 anos o Grêmio recebia o Corinthians no Olímpico, pela partida de volta da final da Copa do Brasil de 1995. Infelizmente o tricolor não conseguiu reverter a derrota sofrida no primeiro jogo  no Pacaembu.

Nessa noite aconteceu uma das coisas mais sensacionais que eu presenciei em um estádio de futebol: quando, apesar de ainda faltar alguns minutos para o fim do jogo, ficou claro que o título havia escapado, a torcida começou a cantar o hino do Grêmio, reconhecendo o empenho e o espírito de luta da equipe (no vídeo da transmissão é possível ouvir isso por alguns segundos, na minha memória esse momento foi um tanto mais longo).

É interessante ressaltar que a Copa do Brasil foi a competição na qual o Grêmio teve a maior média de público 37.997 (31.653 pagantes) na temporada de 1995 (e na história do clube nessa competição, no quesito público total só deve ficar atrás da Copa do Brasil de 1989)

Foto: José Doval (Zero Hora)

Fonte: UOL

CORINTHIANS LEVANTA A TAÇA NO OLÍMPICO

O jogo foi tense desde o começo, com marcação dura, mas o time paulista aproveitou a chance contra o Grêmio

O Olímpico coloriu-se, lotou, preparou-se para uma grande festa ontem à noite. Era para ser uma das maiores festas da história gremista. Era. Mas deu Corinthians na final da Copa do Brasil, 1 a 0, gol de Marcelinho. A tristeza desabou sobre o estádio, sobre o time e sobre todo o povo tricolor, exatamente às 22h52min, quando o árbitro Márcio Rezende de Freitas apitou o final.

Foi uma partida que começou tensa. O Corinthians de tanto ouvir falar que o Grêmio seria violento, tomou a decisão de disparar o primeiro gesto de rispidez: uma rasteira de Viola em Arílson, aos 20 segundos. Desaforo. A resposta veio 40 segundos depois, quando Jardel atropelou Ronaldo e recebeu cartão amarelo. Se antes da decisão alguém tinha dúvidas da disposição dos dois times de buscar a vitória a qualquer preço, ela se desfez no primeiro minuto.

Sobrava disposição ao Grêmio, mas faltava controle emocional e melhor definição da tática ofensiva. Ponteiros inexistiam. Arilson entrava em diagonal, da esquerda para a direita, enquanto Paulo Nunes fazia o inverso, na outra ponta. A bola não chegava à linha de fundo. Nenhum cruzamento, apenas chutões de longa distância, encontrando o imbatível Célio Silva sempre atento.

A torcida tricolor só não chegava a se assustar tanto porque o Corinthians também não tinha presença ofensiva. Perigo, só nos escanteios de Marcelinho, buscando o gol olímpico. E assim o jogo chegou à metade, sem chances claras de gol e com sete cartões amarelos distribuídos por um árbitro à altura da decisão.

Sem alternativa, o Grêmio arriscou tudo no segundo tempo. Adiantou Dinho, Goiano, Gélson, e uma chance desperdiçada por Dinho, aos 12 minutos, deu a impressão de que a mudança traria resultados. O problema é que a defesa ficou desguarnecida e a velocidade de Marcelinho, Viola e Marques passou a render oportunidades melhores para os corintianos.

Marques perdeu um gol, Marcelinho outro, e a torcida foi aos poucos afundando nas arquibancadas. Afundou de vez aos 27 minutos, quando em mais um contra-ataque, a bola foi lançada para Viola no meio da área e aliviada para a esquerda, onde Marcelinho entrava sozinho. Ele chutou rasteiro, no meio do gol, e saiu a agitar os braços, como se fossem hélices, como se quisesse alçar vôo.

O sonho do Grêmio acabou ali. Depois, só desespero, brigas, duas expulsões, invasão de campo e muitas lágrimas de decepção.” (Nico Noronha, Zero Hora, 22 de junho de 1995)

O DESEMPENHO DAS EQUIPES (Zero Hora, 22 de junho de 1995)
Tempo corrido 54´03″
     – – – – –
GRÊMIO
CORINTHIANS
Conclusões a gol
10
4
Escanteios a favor
9
4
Impedimentos
1
3
Faltas
28
35
Quem mais bateu
Arilson – 6
Bernardo -7
Quem mais apanhou
Arilson – 9
Souza – 7
Bolas roubadas
12
13
O maior ladrão
Arilson – 6
Bernardo – 5

TORCIDA CANTA O HINO, MESMO COM A DERROTA
A torcida do Grêmio deu uma das maiores demonstrações de amor pelo seu clube ontem à noite no Olímpico. Faltando quatro minutos para terminar a partida, os mais de 50 mil gremistas começaram a cantar o hino do clube, mesmo sabendo que o time não ganharia o tão esperado título pela terceira vez. Àquela altura da partida o Corinthians ganhava por 1 a 0 e a derrota tricolor era quase certa. Quando o árbitro mineiro Márcio Rezende de Freitas apitou o final, os gremistas, ao invés de vaiar, aplaudiram a equipe reconhecendo o esforço do novo campeão da Copa do Brasil […]” (Alexandre Corrêa, Zero Hora, 22 de junho de 1995)

Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

CORINTHIANS CONQUISTA O TÍTULO
Com gol de Marcelinho Carioca, vence o Grêmio por 1 a 0 e é campeão da Copa do Brasil

Ontem à noite, em pleno estádio Olímpico, diante de mais de 50 mil atônitos gremistas, o Corinthians conquistou o título de campeão da Copa do Brasil 95. Venceu o jogo por 1 a 0, quando bastava o empate, e terminou a competição invicto, jogando com a mesma aplicação do Grêmio, mas com técnica superior nas jogadas de ataque.

O Grêmio começou avassalador, encurralando a equipe paulista em seu campo. O time treinado por Luiz clipe exagerou nos lançamentos pelo alto para Jardel, o que acabou consagrando Celio Silva. Apesar da pressão, foram raros os lances de gol. No melhor deles, aos 26 minutos, Paulo Nunes desviou e Ronaldo saltou para trás e fez a defesa.

No segundo tempo, o Grêmio passou a trabalhar mais a bola, mas encontrou o Corinthians ainda mais recuado. Aos 12 minutos, Arilson (o melhor do Grêmio) deixou Dinho livre para marcar. O chute saiu rasteiro para fora.

A torcida continuava incentivando o lime. Aos 18, numa jogada ensaiada, Marques ficou sozinho à frente de Danrlei, que impediu o gol. Um minuto depois, outra vez Danrlei salvou, disputando com Viola. Na sequência, Marcelinho cabeceou e Danrlei voltou a brilhar.

Superado o susto, o Grêmio foi para cima de novo. Em outro contra-ataque, aos 27 minutos. Marques avançou, tocou para Viola entre os zagueiros. Na disputa. Adilson afastou, mas a bola ficou nos pés de Marcelinho Carioca. Ele não perdoou, chutando com categoria na saída de Danrlei: 1 a 0. Aos 32 minutos, confusão. Paulo Nunes e Silvinho são expulsos. Na raça, com a torcida cantando o hino composto por Lupicínio Rodrigues, e Grêmio buscou o gol, que não saiu.” (Correio do Povo, 22 de junho de 1995)

Foto: Pisco del Gaiso (Placar)

CORINTHIANS É O PRIMEIRO PAULISTA A CONQUISTAR O TÍTULO DA COPA DO BRASIL
Time de Eduardo Amorim resiste à pressão do Grêmio e vence seu primeiro campeonato em cinco anos

Corinthians é o primeiro paulista a conquistar a Copa do Brasil.
A equipe chegou ao título ao derrotar ontem o Grêmio no estádio Olímpico, em Porto Alegre.
O único gol foi marcado pelo atacante Marcelinho, aos 27min do segundo tempo.
Eduardo Amorim venceu o primeiro campeonato como técnico.
Com o resultado, o time quebrou um jejum de cinco anos sem títulos -o último havia sido o Campeonato Brasileiro de 90.
Garantiu, também, vaga na Taça Libertadores (principal torneio sul-americano interclubes) de 96.
O Corinthians terminou invicto a Copa do Brasil. Em dez jogos, oito vitórias e dois empates.
Os atacantes Marcelinho e Viola foram os artilheiros corintianos. Cada um marcou seis gols.
O time iniciou a partida de ontem com a vantagem do empate -ganhara o primeiro jogo das finais, em São Paulo, por 2 a 1.
A necessidade da vitória levou o Grêmio a pressionar o rival logo no início do confronto de ontem, principalmente por meio de cruzamentos para o atacante Jardel.
A primeira chance de gol gaúcho aconteceu aos 14min. O atacante Paulo Nunes chutou para fora após uma rebatida deficiente do volante Bernardo.
Aos 26min, Ronaldo defendeu chute de, de novo, Paulo Nunes.
No segundo tempo, Amorim pôs Viola na armação e liberou Marcelinho e Marques ao ataque.
A mudança tática deu certo.
Aos 27min, o meia Souza lançou Marques, que tocou para Viola. Este rolou para Marcelinho abrir o placar: 1 a 0.
Daí para frente, o Corinthians se defendeu e o Grêmio partiu para a violência. Aos 32min, Paulo Nunes e Silvinho foram expulsos.
Um dirigente do Grêmio invadiu o gramado e tentou agredir o juiz Márcio Resende de Freitas.” (Mário Moreira, Folha de São Paulo, 22 de junho de 1995)

´BLITZ´ FRACASSA E GRÊMIO SE DESCONTROLA

Equipe gaúcha não consegue marcar no começo, se desespera e cede espaços para contra-ataques corintianos

O Grêmio não conseguiu realizar os prometidos 20 minutos de blitz inicial contra o Corinthians. Seus jogadores se enervaram e facilitaram a vitória corintiana.
A equipe, que tentava o bicampeonato da Copa do Brasil, precisava de uma vitória por 1 a 0.
O time confiava na tradição de não perder jogos decisivos em casa -triunfara nas duas finais da Copa do Brasil que disputara no Olímpico, 89 e 94.
Apesar da pressionar, a equipe gaúcha não conseguiu articular jogadas de perigo.
Sua melhor chance foi no primeiro tempo, numa bola rebatida e chutada por Paulo Nunes. Ronaldo fez boa defesa.
“O Corinthians marcou bem, mas tivemos quatro oportunidades claras e não aproveitamos”, lamentou o lateral paraguaio Arce.
O Grêmio reclamou um pênalti em Paulo Nunes, não marcado pelo juiz. O meia penetrou na área corintiana pela direita e foi desequilibrado pelo lateral Silvinho.
No segundo tempo, o técnico Luiz Felipe avançou ainda mais o Grêmio, retirando o volante Dinho para a entrada do meia Alexandre.
Suspenso, o treinador dirigiu a equipe das arquibancadas.
A alteração não surtiu efeito ofensivo. O Grêmio chegava à área corintiana ainda menos do que no primeiro tempo.
A troca, sobretudo, enfraqueceu a defesa, criando brechas para o contra-ataque da equipe paulista.
Duas vezes, o goleiro Danrlei teve de desarmar atacantes corintianos. Foi justamente em um contra-ataque que Marcelinho marcou.
Depois do gol, o time gaúcho se desesperou. Seus jogadores passaram a cometer faltas duras.
Aos 32min, Arílson acertou uma cotovelada em Célio Silva.
Houve tumulto e invasão de campo. Paulo Nunes e Silvinho foram expulsos.
Ao final, o Grêmio conseguiu algumas jogadas pelo alto com Jardel, o lance mais temido pelo Corinthians. As bolas pararam, porém, nas mãos de Ronaldo.
“Perdemos para uma grande equipe, que soube jogar futebol e está de parabéns”, disse Jardel.” (Carlos Alberto de Souza,  Folha de São Paulo, 22 de junho de 1995)

PAULISTAS BATEM MAIS NA ´GUERRA DO SUL´
Contrariando a expectativa de jogo violento por parte do Grêmio, os corintianos cometeram mais faltas na decisão de ontem.
Segundo o Datafolha, a equipe paulista cometeu 37 faltas, contra apenas 28 do time gaúcho.
As faltas corintianas, no entanto, foram leves, já que o juiz Márcio Rezende de Freitas mostrou mais cartões amarelos aos jogadores gremistas.
O Corinthians recebeu três amarelos (André Santos, Bernardo e Zé Elias), enquanto o Grêmio foi advertido em cinco oportunidades (Jardel, Gélson, Rivarola, Paulo Nunes e Arilson).
Cada equipe teve um jogador expulso: Paulo Nunes, pelo Grêmio, e Silvinho, pelo Corinthians, aos 32min do segundo tempo, por agressão mútua.
A equipe paulista já liderava em faltas ao final do primeiro tempo (20 contra 17).
O nervosismo da decisão fez os jogadores cometerem mais faltas ontem do que na primeira partida,
Na semana passada, em São Paulo, foram cometidas 62 faltas, contra 65 no jogo de Porto Alegre.
Ontem, a falta mais comum da equipe paulista foi o empurrão (21). O Grêmio apelou mais para os chutes por trás (11), o que explica o número de cartões.
O volante corintiano Bernardo foi o jogador mais violento do Corinthians nas finais. Cometeu 6,5 faltas em média, por partida.
Já o atacante Marcelinho foi o corintiano mais “caçado”, sofrendo também 6,5 faltas por jogo.
Para os campeões, porém, a violência no Sul foi menor do que a esperada.
“O jogo foi menos violento do que se anunciava. Os dois times procuraram mais a bola”, disse o zagueiro Célio Silva.” (Folha de São Paulo, 22 de junho de 1995)

Foto: Antônio Gaudério (Folha de São Paulo)

Grêmio 0 x 1 Corinthians

GRÊMIO: Danrlei, Arce, Rivarola, Adílson e Carlos Miguel; Dinho (Alexandre), Gélson, Luís Carlos Goiano e Arílson; Paulo Nunes e Jardel.
Técnico: Luiz Felipe Scolari

CORINTHIANS: Ronaldo, André Santos, Célio Silva, Henrique e Silvinho; Zé Elias, Bernardo e Souza; Marcelinho Carioca, Viola e Marques (Tupãzinho).
Técnico: Eduardo Amorim

Copa do Brasil 1995 – Final – Jogo de volta
Data: 21/06/1995, Quarta-feira, 20h45min
Local: Estádio Olímpico (Porto Alegre-RS)
Público: 56.600 (47.352 pagantes)
Renda: R$ 740.415,00
Árbitro: Márcio Rezende de Freitas (MG)
Auxiliares: Marco Martins e Marco Gomes
Cartões Amarelos: Jardel, Rivarola,Gélson, Adílson, André Santos e Bernardo
Cartões Vermelhos: Paulo Nunes e Silvinho
Gol: Marcelinho Carioca, aos 26 minutos do 2º tempo

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