Gauchão 1990 – Inter 0x1 Grêmio

by
1990 gol nilson jose doval zh

Foto: José Doval (Zero Hora)

Em 15 de julho de 1990, o Grêmio venceu o Gre-Nal 304 no Beira-Rio, em clássico válido pelo quadrangular final do Gauchão daquele ano.

O tricolor chegou até essa partida em uma condição mais favorável, tendo vencido a o compromisso de estreia na fase decisiva e carregando um ponto extra pela melhor campanha na fase classificatória. Por sua vez, o Inter estava bastante pressionado. Fora derrotado para o Caxias na primeira rodada do quadrangular, o que culminou com o pedido de demissão de Valdir Espinosa três dias antes do clássico. Ernesto Guedes reassumiu a equipe no Gre-nal, três meses depois de ter deixado o cargo.

Assim como aconteceu nosjogos da Copa do Brasil daquela temporada, o Grêmio entrou em campo com um fardamento sem a marca da Penalty. Na Placar há menção ao fato de da camisa, originalmente de manga longa, ter sido cortada para ficar do agrado dos jogadores, mas isso não explica porque não se vê a marca do fornecedor do material esportivo.

Esse foi o último jogo de Taffarel pelo Inter.

1990 gol 2 nilson jose doval zh

Foto: José Doval (Zero Hora)

“GRÊMIO VENCE GRE-NAL E ESTÁ MAIS PERTO DO HEXA

Com a vitória de ontem a tarde, em pleno Beira-Rio, o Grêmio deu um passo importante para a conquista do título do campeonato gaúcho. Nilson, ex-jogador Colorado, fez o único gol da partida. A cinco pontos ao maior adversário, para o Inter, resta o consolo do Caxias conquistar o título da temporada, ao invés do tradicional rival. Na quarta-feira o Grêmio coloca em jogo a liderança, no Centenária, contra o Caxias, enquanto o Inter receber o Ju, no Beira-Rio.

Com a vitória no Gre-Nal de ontem, no Beira-Rio, o Grêmio praticamente assegurou o hexacampeonato. Com cinco pontos de vantagem sobre seu maior adversário a equipe de Evaristo de Macedo poderá dar um passo decisivo para conquistar o título se ganhar do Caxias, quarta-feira, no Centenário. O Inter com a derrota ficou na última colocação e pode ter dado adeus ao sonho de quebrar a hegemonia gremista neste ano.

Mas o técnico Ernesto Guedes que retornava ao Inter, falou toda semana que iria vencer, não cumpriu sua palavra. Sua equipe começou melhor com a iniciativa da partida já que o único resultado que lhe interessava era a vitória. Logo aos 13 min, Chiquinho acerta uma bola na trave de Mazaropi. A pressão colorada era forte. Marcelo Prates e Luís Fernando se movimentavam muito, confundindo a marcação gremista. O Grêmio não tinha espaços para jogar. Assis e Cuca eram figuras apagadas em campo. Seu ataque era improdutivo, Paulo Egidio não voltava para marcar. O 1° tempo terminou sem chances de gol para ambas os limes.

Na etapa final, Evaristo corrigiu a má postura do seu meio-campo. Ao contrário do 1º tempo, o Grêmio começou a arrematar na meta de Taffarel. Aos 3 min, após uma falta cobrada por Assis, quase Caio abre o placar. Aos 19 min. Cuca perdeu um gol feito, de cabeça depois do escanteio batido por Assis. A resposta do Inter só foi acontecer aos 22, numa grande defesa de Mazaropi, num chute perigoso de Nelson. O Inter começou a reagir. Edu quase marcou após uma confusão na área tricolor. Mas o Grêmio nos contragolpes perdia uma boa chance com Caio se atrapalhando todo na hora de concluir. Assis começou a se destacar no Gre-Nal. E foi através dele numa jogada pela esquerda que nasceu o único gol da partida, marcado pelo artilheiro do campeonato, Nilson.

No final, na tentativa de empatar, o Inter se lançou todo ao ataque. Se o empate não era bom resultado a derrota, então, praticamente eliminaria a equipe da disputa do titulo gaúcho. No desespero Guedes colocou o júnior de 17 anos, Rudinei, ponteiro, no lugar do lateral Célio. No Grêmio, João Antônio substituiu Paulo Egidio para segurar o escore. Nos contra-ataques, Assis chutando na trave e Nilson na defesa de Taffarel, por pouco não ampliaram para 2 a 0 liquidando a fatura. Agora, o Grêmio é líder absoluto na tabela do quadrangular. Para o Inter, não resta outra alternativa se não ganhar todos os quatro jogos que ainda restam, mesmo assim dependendo dos resultados dos adversários.
HORÁRIO As direções de Grêmio, Inter, Caxias e Juventude que disputam a fase final do Gauchão, tentam junto a Federação Gaúcha de Futebol, alterar o horário da 3ª rodada do quadrangular. As partidas que inicialmente estão marcadas para às 18h30m, conforme reunião do conselho arbitral podem passar para às 20h. O motivo alegado é que o comércio fechando às 19h, poucos torcedores tem tempo de chegar ao estádio. Ainda hoje, deve ser decidida a questão.

No Grêmio, o campeonato não está decidido

Após a vitória sobre o Internacional, o ambiente no vestiário tricolor, era de muita alegria. Com o resultado de 1 a O, a equipe encaminhou a conquista do hexacampeonato. Mas o pensamento no Olímpico é de que nada está ganho ainda, apesar de manter uma diferença de cinco pontos sobre o tradicional rival e a dois do Caxias, seu próximo adversário.

O autor do único gol da partida, o centroavante Nilson, deu uma resposta aos dirigentes colorados. “Meu gol, foi uma prova a eles de que não faço gols em decisões”, desabafou. O jogador Assis, eleito o melhor em campo, diz que sua atuação é fruto de um trabalho sério, por um lugar no time.

O vice-presidente de futebol, Rafael Bandeira dos Santos, avisa que tem muita coisa pela frente e que o campeonato não está decidido. ” Vamos para Caxias procurar manter o mesmo rendimento, saindo de lá com o título”, adiantou. O presidente Paulo Odone, aproveitou para conclamar a torcida tricolor a comparecer em massa no Centenário, quarta-feira. “Vamos pintar a serra de azul e festejar mais uma vitória”.

Para quarta-feira, a direção do Grêmio colocará ônibus de graça de Porto Alegre a Caxias para seus torcedores, cobrando apenas o valor do ingresso, a exemplo do que aconteceu em 1988.” (Pioneiro, Segunda-feira, 16 de julho de 1990)

“O prêmio do Gre-Nal pode motivar ainda mais os jogadores do Olímpico: Cr$ 20 mil para o caso de vitória. Nos tempos atuais, sem reajustes periódicos, o bicho estipulado eqüivale aos salários de vários jogadores no Grêmio, principalmente os jovens, que ganham nessa faixa” (Pioneiro, 14 de julho de 1990)

1990 luiz avila zh paulo egidio marcelo prates

Foto: Luiz Avila (Zero Hora)

GRÊMIO VENCE E DISPARA NO CAMPEONATO

[…]

O pentacampeão gaúcho começou o jogo apresentando defeitos táticos que permitiram uma boa presença ofensiva do Inter no primeiro tempo. Mas voltou modificado para a etapa final, corrigindo os erros de marcação na zaga e ocupando melhor os espaços no meio de campo que se aproximou mais do ataque. O gol surgiu naturalmente originado numa jogada coletiva do ataque que culminou com o meia Assis deixando Nilson na cara de Taffarel para  marcar o único gol da partida aos 31 minutos.  […]” (Luiz Reni Marques, Folha de Hoje, Segunda-feira, 16 de julho de 1990)

1990 paulo egidio sandro jose doval zh

Foto: José Doval (Zero Hora)

GRÊMIO VENCE E FICA PERTO DO HEXA

Análise técnica

Assis é um jogador de qualidade técnica superior. E foi esta qualificação, o fator de desequilíbrio no jogo de ontem, no Beira-Rio. Sim, porque havia uma disputa muito grande no meio, a bola era dividida com força, o que tornava espetáculo feio e com várias faltas. Faltava o lance inteligente que superasse essas dificuldades. Pois no segundo tempo Assis jogou com esta inteligência. Ele achou o seu espaço em campo (entre a meia e a ponta esquerda), o time todo passou a ser cadenciado por ele, e a vitória premiou o Grêmio por ter se moldado ao seu futebol.

Mas no primeiro tempo, sem dúvida alguma, o Inter havia sido superior. Marcelo Prates, como um ponta de recuo, mostrava uma mobilidade muito boa; e Luís Fernando, igualmente numa função mais defensiva que o normal, conseguia jogadas de grande qualidade, embora faltasse a ele o arranque necessário para tornar mais objetivos esses lances que criava. Pois no segundo tempo, enquanto Marcelo se lesionava e Luís Fernando dava sinais de cansaço, crescia Assis, invertendo totalmente o panorama da partida.

Assim, se não chegou a ser um clássico de grande qualificação técnica, ao menos ficou a certeza de que ele girou basicamente em torno de jovens jogadores surgidos nas categorias inferiores de Grêmio e Inter. Essa realidade agrada. A renovação existe.

Análise tática

Para o Grêmio, o empate até que servia. Por isso, foi estranho ver o time entrar em campo com uma formação tática teoricamente mais ofensiva. Jandir como homem de marcação e dali para frente cinco jogadores com características de atacantes (Cuca, Assis, Caio, Nilson e Paulo Egidio). E se o Inter tivesse mais objetividade no ataque, teria liquidado com tal esquema ainda no primeiro tempo, pois encontrou facilidade para trocar bolas na intermediária gremista, e chutar a gol. Uma bola bateu no poste, outra Mazaropi botou a escanteio, outra raspou o travessão, enfim…

Mas no segundo tempo, embora todos os jogadores continuassem os mesmos, e o Grêmio permanecesse frágil em seu setor de marcação na intermediária, Evaristo fez a alteração tática que determinou o desequilíbrio. Ele exigiu maior movimentação de alguns jogadores — Caio e Nílson, principalmente — e deu a Assis a orientação para cair mais para a esquerda, tentando a triangulação com Paulo Egídio e Hélcio. E foi ali na esquerda, ao natural, que a realidade do jogo se inverteu, inclusive com a criação do lance fatal.

Ernesto Guedes, que já substituíra Marcelo Prates por Guga, ainda tentou dar mais ofensividade ao time, tirando o lateral alio e colocando o atacante júnior, Rudinei, em seu lugar. Mas a idéia não trouxe resultados e ficou provado, mais uma vez, que não é o número de atacantes que determina a capacidade ofensiva de uma equipe.” (Nico Noronha, Zero Hora, Segunda-feira, 16 de julho de 1990)

Foto: Fernando Gomes(Zero Hora)

NÚMEROS (Zero Hora, 16 de julho de 1990)
INTER GRÊMIO
Conclusões 12 10
Escanteios a favor 8 2
Faltas cometidas 30 27
Passes certos 39 36
Passes errados 23 19
Impedimentos 5 0
Defesas 3 6

1990 alfinete nelson valdir friolin zh

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

PRINCIPAIS LANCES
Primeiro tempo

13 minutos — Chiquinho arrisca o chute de fora da área e acerta o poste direito.
17 minutos — Falta. Edu encosta para Maurício que chuta forte, mas nas mãos de Mazaropi.

21 minutos — Após a falta, a bola sobra para Chiquinho que chuta de fora da área para nova defesa de Mazaropi.
28 minutos — Outro chute de longe por Chiquinho. Mazaropi põe a escanteio.
40 minutos — Cuca recebe na entrada da grande área e chuta de virada. Taffarel defende.

Segundo tempo
2 minutos — Falta na meia-esquerda. Assis chuta forte, Taffarel defende e no rebote Caio chuta por cima.
19 minutos — Assis cobra escanteio e Cuca cabeceia à direita de Taffarel.
22 minutos — Chiquinho lança Nelson e este bate rasteiro, para defesa de Mazaropi.
31 minutos — Boa troca de passes pela esquerda, Assis recebe e bate forte, rasteiro, e a bola passa pela pequena área. Nilson, no segundo pau, apenas empurra para dentro.
37 minutos — Nelson é lançado na grande área, mas Mazaropi se atira em seus pés e fica com a bola.
40 minutos — Assis bate escanteio fechado c a bola acerta o travessão.
44 minutos — Alfinete rouba a bola de Luis Fernando e passa a Nilson, que chuta fraco. Taffarel defende.” (Zero Hora, Segunda-feira, 16 de julho de 1990)

Foto: Lemyr Martins (Placar)

1990 grenal assis paulo egidio placar

Foto: Lemyr Martins (Placar)

 

O HEXA ESTA AÍ

O centroavante Nilson era um artilheiro de mão única em Gre-Nais: só havia marcado gols pelo Internacional. Domingo passado, finalmente, ele alcançou a condição de goleador de mão dupla —e na mais gratificante das situações. Ao disputar seu terceiro clássico com a camisa tricolor, o primeiro do ano a valer alguma coisa, Nilson fez o 1×0 que botou a torcida gremista a cantar o hexacampeonato, além de reduzir seu ex-time a mero lanterninha do quadrangular decisivo.

Foi seu 19.º no Gauchão, cinco mais que o Nilson do Caxias, o que o torna praticamente inalcançável na artilharia do campeonato. Tudo isso teve, sobre o próprio centroavante, o efeito de uma descarga. “Liquidei com o time deles”, desabafou num vestiário com clima de campeão.

Com a diferença concreta de dois pontos sobre o Caxias, segundo colocado, e cinco na frente do Internacional, o time de Nilson mostrou nessas duas rodadas do quadrangular que a lógica é muito mais implacável do que os ingênuos cobrados poderiam imaginar. O Grémio não é nenhuma potência, mas desde o início pintou como o melhor time do campeonato. Da mesma forma, com a vitória sobre o Inter na quarta (2 x 1) e o empate diante do Juventude (O x O) no domingo, o Caxias demonstrou que tem mais estrutura que o próprio cobrado.

Na reabilitação de Nílson esteve também presente o dedo do técnico Evaristo de Macedo: “Para nos puxar a orelha no intervalo”, confessou o artilheiro. No primeiro tempo, o tricolor deixava um buraco no meio-campo. “Mandei a defesa subir mais rápido, o ataque recuar um pouco e ficamos compactos”, explicava Evaristo com sua habitual calma de monge. Bastou. Antes e depois do gol de Nilson, aos 31, o Grêmio esteve a ponto de marcar mais três vezes.

Enquanto o tricolor se impunha, o Internacional era o resultado lógico do caldeirão em que se transformou o Beira-Rio nos últimos tempos. Na quinta-feira, o quarto técnico da temporada, Valdir Espinosa, pediu o boné alegando que não agüentava mais as cornetagens do presidente José Asmuz. Em seu lugar entrou Ernesto Guedes, que também saíra brigado com o dirigente no decorrer deste campeonato. Para culminar, o clube anunciou no sábado a venda de Taffarel. Tensa, a equipe mostrou o futebol que se esperava e nem ameaçou o gol do gremista Mazarópi.

Agora, o Grêmio decide tudo com o Caxias, que hoje é seu grande adversário, quarta-feira no Centenário e domingo no Olímpico. Nos bons tempos, esse papel era do Internacional. “ (Revista Placar, Edição n.º 1048, 20 de julho de 1990)

1990 ASSIS jose doval zh

Foto: José Doval (Zero Hora)

1990 ingressos

Esses 200 Cruzeiros de julho 1990 corresponderiam a cerca de 22 reais nos dias de hoje (corrigidos até junho de 2020 pelo IGPM)

1990 mazaropi nelson fernando gomes zh

Foto: Fernando Gomes(Zero Hora)

1990 gaucha

1990 cuca taffarel jose doval zh

Foto: José Doval (Zero Hora)

Inter 0x1 Grêmio

INTERNACIONAL: Taffarel; Chiquinho; Sandro, Maurício e Célio Lino(Rudinei); Norberto, Marcelo Prates (Guga), Luis Carlos Martins e Luís Fernando; Nélson e Edu
Técnico: Ernesto Guedes

GRÊMIO: Mazarópi, Alfinete, Luis Eduardo, Vilson e Hélcio; Jandir, Cuca e Assis; Caio, Nilson e Paulo Egídio (João Antônio)
Técnico: Evaristo de Macedo

Gauchão 1990 – Quadrangular final – 2ª Rodada
Data: 15 de julho de 1990, domingo, 15h30min
Local: Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre-RS
Público: 19.399 pagantes
Renda: Cr$ 8.811.200,00
Juiz: Luís Cunha Martins
Auxiliares: Eroni Gomes e João Carlos Braga
Cartões amarelos: Célio, Marcelo Prates, Jandir, Luís Eduardo e Cuca
Gol: Nilson, aos 31 minutos do 2º tempo

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.


%d bloggers like this: