Archive for August, 2020

Libertadores 1995 – Emelec 0x0 Grêmio

August 10, 2020

Há exatos 25 anos o Grêmio dava um mais importante passo na sua caminhada rumo ao bicampeonato da América, ao empatar com o Emelec em 0x0 no Equador, pela partida de ida da Semifinal da Libertadores de 1995.
O bizarro desse jogo foi o seu horário de início, meio dia em quito (14h em Brasília). Os equatorianos planejavam usar o calor de Guayaquil com um trunfo. Não deu muito certo.

GRÊMIO FICA A UMA VITÓRIA DA DECISÃO

O time gaúcho conseguiu um empate heroico contra o Emelec e suportou bem a temperatura de 32º C de Guaiaquil

O Grêmio está muito próximo da final da Copa Libertadores da America deste ano. Ontem, sob uma temperatura de 32 graus, no Estádio Modelo de Guaiaquil, no Equador, o time gaúcho sustentou um importante empate de 0 a o. contra o Emelec, e agora terá a vantagem de decidir a sua classificação na próxima quarta-feira, em Porto Alegre, dentro do Estádio Olímpico. Nesta primeira partida da semifinal, o Grêmio encontrou muitas dificuldades e precisou recorrer a sua conhecida garra para garantir o resultado.

No primeiro tempo, incentivados por 25 mil torcedores, os equatorianos imprimiram um ritmo forte e criaram boas chances. A. nove minutos, o argentino Rehermann teve a primeira oportunidade, através de uma cabeçada, assustando o goleiro Danrlei. Aos 17 minutos, ocorreu o lance mais polêmico do jogo.

Edu Manga invadiu a área e sofreu uma entrada dura de Dinho, dando a nítida impressão de pênalti. O árbitro colombiano Oscar Ruiz., próximo ao lance, nada marcou. O Emelec continuou exercendo forte pressão e criou mais duas boas oportunidades, através do atacante Eduardo Hurtado. Aos 26 minutos, ele passou por Rivarola e concluiu contra o poste direito e, aos 30, através de uma cabeçada.

O segundo tempo começou com os times mais lentos. Aos quatro minutos, Paulo Nunes quase abriu o placar, aproveitando um descuido de Ivan Hurtado. Aos 14, Edu Manga, de falta, assustou Danrlei. Os tricolores responderam imediatamente, com uma cabeçada de Jardel, aproveitando o levantamento de Arilson. Depois disso, o Emelec criou outras três chances, sempre de bola parada, sem sucesso.

Com o empate, a decisão fica adiada para a próxima semana. Agora, com uma vitória, por qualquer resultado, o Grêmio garante o direito de realizar um sonho dos seus torcedores: ser bicampeão da América.” (Adroaldo Guerra Filho, Enviado Especial/Guaiaquil, Zero Hora, sexta-feira, 11 de agosto de 1995)

“O Emelec dominou todo o primeiro tempo, utilizando as laterais para avançar e criar perigo ao gol gaúcho com cruzamentos para o atacante Eduardo Hurtado e o meia uruguaio Reherman. Os atacantes gremistas Paulo Nunes e Jardel, isolados, pouco produziram. Aos 9min, Reherman cabeceou próximo ao gol de Danrlei. Dois minutos depois, foi a vez de Verduga finalizar de cabeça para fora. Aos 25min, o lateral-esquerdo Capurro recebeu um lançamento na área e chutou cruzado para a defesa do gremista Danrlei. No minuto seguinte, Eduardo Hurtado fez jogada pessoal e chutou na saída do goleiro, mas a bola bateu na trave direita. No primeiro tempo, a única chance de gol da equipe brasileira aconteceu aos 43min, com o atacante Paulo Nunes, que, na grande área, chutou sobre o travessão.
No segundo tempo, o Grêmio voltou melhor, enquanto os equatorianos demonstraram nervosismo. Aos 4min, Paulo Nunes roubou a bola de Iván Hurtado, mas acabou desarmado. Um minuto depois, Arilson chutou cruzado, mas Jardel chegou atrasado para o arremate. Aos 16min, Goiano cobrou uma falta e Jardel cabeceou rente à trave direita de Espinoza. O equatoriano Eduardo Hurtado ameaçou o gol rival aos 35min e, aos 41min, completou com a mão para dentro do gol de Danrlei”. (Folha de São Paulo)

GRÊMIO CONSEGUE SEGURAR EMPATE EM GUAYAQUIL
Emelec dominou o jogo, mas não saiu do 0 a 0, e gaúchos só precisam vencer quinta-feira, em Porto Alegre

GUAYAQUIL- O Grêmio conseguiu um bom resultado ao empatar sem gols com o Emelec, ontem, no Estádio Modelo de Guayaquil, pelas semifinais da Libertadores. Para chegar à decisão, o time gaúcho precisa vencer a equipe equatoriana, quinta-feira, em Porto Alegre. O técnico Luís Felipe armou o time para empatar. Ele sabia que seria difícil superar o Emelec, um time habituado ao clima quente e úmido de Guayaquil. A partida começou com a temperatura de 32 graus e terminou com 36. O time gaúcho sentiu o desgaste e, por isso, Luís Felipe orientou o Grêmio para evitar a derrota, Com o objetivo alcançado, o técnico acha que não será tão dramático vencer o Emelec no jogo de volta.

Mas apesar de toda a precaução do Grêmio, que durante a maior parte da partida se defendeu com três volantes no meio-de-campo (Dinho, Luís Carlos Goiano e Vágner Mancini), o time equatoriano encontrou espaços na intermediária do adversário e várias vezes assustou o goleiro Danrley, que ontem se atrapalhou em algumas jogadas.

O Emelec quase marcou aos 26 minutos. A defesa do Grêmio se abriu, permitindo a Eduardo Hurtado entrar na área e chutar no canto direito. A bola bateu na trave. A melhor jogada do Grêmio aconteceu aos 18 minutos, com Arílson. Ele completou, de cabeça, um cruzamento e a bola passou perto do gol de Espinosa, que tem muita semelhança fisica com o colombiano Higuita.

No segundo tempo, o Grêmio começou forçando as jogadas de ataque com Paulo Nunes e Jardel, mas logo percebeu que seria um risco avançar. Assim, a partir dos 20 minutos, recuou. Os últimos minutos foram dramáticos para o time gaúcho. Seus jogadores, exaustos em razão do forte calor, quase não tiveram fôlego para agüentar até o final.” (O Estado de São Paulo, 12 de agosto de 1995)

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

O DESEMPENHO DAS EQUIPES (Zero Hora, 11 de agosto de 1995)
EMELEC GRÊMIO
Conclusões a gol 18 11
Escanteios cedidos 1 10
Faltas cometidas 23 29
Impedimentos sofridos 4 3

 

 
Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

 

EMELEC: Espinosa; Coronel, Tenório, Ivan Hurtado (Muñoz) e Capurro; Verduga, Fajardo (Vidal Gonzalez), Rehermann e Edu Manga; Eduardo Hurtado e Fernandez.
Técnico: Juan Ramon Silva

GRÊMIO: Danrlei; Arce, Rivarola, Adílson e Roger; Dinho, Goiano, Vagner Mancini (Alexandre) e Arílson (Luciano); Paulo Nunes e Jardel
Técnico: Luiz Felipe Scolari

Libertadores 1995 – Semifinal – Jogo de ida
Data: 10 de agosto de 1995
Local: Estádio Modelo, em Guaiaquil (EQU)
Horário: 12h hora local (14h Brasília)
Árbitro: Oscar Ruiz (COL)
Auxiliares: Felipe Russi e Dember Perdomo
Cartão Amarelo: Tenorio, Capurro, Verduga, Vidal Gonzalez (E). Danrlei, Roger, Dinho e Goiano (G).

Brasileirão 2020 – Grêmio 1×0 Fluminense

August 10, 2020

Foto: Lucas Uebel (Grêmio FBPA)

Foto: Lucas Uebel (Grêmio FBPA)

Terceiro fim de semana seguido em que o jogo do Grêmio é transmitido (para o Rio Grande do Sul) exclusivamente pelo pay-per-view. E ninguém do Grêmio toca nesse assunto

Imagem

Foto: Pedro H. Tesch (CBF)

Foto: Lucas Uebel (Grêmio FBPA)

Foto: Lucas Uebel (Grêmio FBPA)

GRÊMIO: Vanderlei; Orejuela (David Braz), Pedro Geromel, Kannemann e Cortez; Maicon (Thiago Neves), Lucas Silva (Thaciano) e Alisson; Isaque (Darlan), Pepê e Diego Souza (Luciano)
Técnico: Renato Portaluppi

FLUMINENSE: Muriel, Igor Julião, Nino, Luccas Claro e Egídio; Yuri (Michel Araújo), Dodi, Yago (Miguel) e Nenê (Wellington Silva); Marcos Paulo (Fred) e Evanílson (Fernando Pacheco)
Técnico: Odair Hellmann

1ª Rodada – Brasileirão 2020
Local: Arena Grêmio, em Porto Alegre, RS
Data: 9 de agosto de 2020, domingo, 19h00min
Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (GO)
Assistentes: Fabricio Vilarinho da Silva (GO) e Bruno Raphael Pires (GO)
VAR: Eduardo Tomaz de Aquino Valadão (GO)
Cartões amarelos: Orejuela, Cortez; Yuri, Igor Julião, Michel Araújo
Gol: Diego Souza, aos 44 min do 1º tempo

Brasileirão 1994 – Grêmio 3×1 Fluminense

August 9, 2020

Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

 

Essa vitória contra o Fluminense pelo Brasileirão de 1994 me traz duas boas lembranças:
1) A primeira camisa azul celeste que a Penalty fez pro Grêmio e;
2) Carlinhos (do inesquecível gol de cobertura contra o Racing em Avellaneda)

Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

“VITÓRIA DÁ TERCEIRO LUGAR

O Grêmio venceu por 3 a 1 o Fluminense, ontem tarde, no estádio Olímpico e terminou em terceiro lugar no Grupo E com sete pontos. A vitória mantém a equipe estimulada para a estreia na Conmebol, sexta-feira, contra o São Paulo e para buscar a classificação no returno do Brasileiro pelo índice técnico ou a liderança do grupo. Os meias Carlos Miguel e Wallace impuseram o ritmo de jogo gremista com passes certos e movimentação nas proximidades da área do Fluminense, criando os espaços para as finalizações. As situações de gol no primeiro tempo tiveram a participação dos meio-campistas. Carlos Miguel finalizou d vezes, e na terceira, aos 28min41s, a bola rebateu zaga carioca e sobrou para o ponta Carlinhos completar e fazer 1 a 0. Wallace coordenava os lançamentos pelos flancos, tentando as investidas dos lateral Roger e Ayupe.

No segundo tempo, Jamir, que jogou na função de volante, saiu lesionado e entrou Arilson. Carlos Miguel recuou e Carlinhos passou a movimentar-se pelas pontas. Aos 13min, Carlos Miguel interceptou um passe no meio, Carlinhos dominou a bola, e na velocidade venceu a zaga, chutando cruzado: 2 a 0. Três minutos depois o zagueiro gremista Luciano fez um gol contra. 0 atacante Leandro cruzou e Luciano rebateu mal e o Fluminense descontou. O técnico Felipe retirou o meia Leônidas e pôs Luiz Carlos. O Grêmio centralizou o trabalho com a bola no meio-de-campo e procurou aproveitar a velocidade de Carlinhos. Aos 35min, o centroavante Ciro fez o seu quarto gol no Grêmio ao aproveitar um cruzamento de Luiz Carlos: 3 a 1. O Fluminense já estava dominado e o Grêmio só controlou os movimentos do adversário para confirmar a vitória e a posição na tabela que deixa alguma expectativa positiva de classificação por índice técnico no returno.” (Zero Hora, 31 de outubro de 1994)

Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

GRÊMIO COMEMORA GOLS DE CARLINHOS

O atacante decidiu uma partida que deixa o Grêmio com esperança de classificação no segundo turno do Brasileiro

Carlos Ângelo passou correndo em frente ao gol do Fluminense e sentou-se numa placa de publicidade. Esperou a aproximação dos jornalistas e fez a dedicatória: “Ofereço este gol para a Silvana”. Foi o segundo que ele fez na vitória de 3 a 1 do Grêmio contra o clube carioca, ontem à tarde, no Estádio Olímpico. O primeiro gol, aos 28min41seg do primeiro tempo, Carlinhos esqueceu de oferecer a sua mulher. O segundo, aos 13 do segundo tempo, não passou sem homenagem. “Ela é a minha grande incentivadora”, resumiu o atacante gremista, 25 anos, 1m82cm, 73 quilos.

A relação de Carlinhos com a bola é inconstante. Tanto pode domina-lá com eficiência como machucá-la com o tornozelo. “Tudo representa esforço, se altero bons e maus momentos é por que sempre preciso melhorar”, comentou. Ontem, seu oportunismo, pontaria e rapidez produziram a alegria dos 3.462 pagantes no Olímpico. “Ele sempre é uma alternativa muito importante, num momento Carlinhos decide uma partida”, elogiou o técnico do Grêmio, Luiz Felipe. Com o retorno de Fabinho, o ponta Carlinhos volta para a reserva. “Estou satisfeito por ajudar o Grêmio a ficar em terceiro lugar no grupo E do Brasileiro, fazer meu quarto gol na competição, e ser o responsável de uma vitória que estimula o grupo na nossa estreia da Conmebol, contra o São Paulo, na próxima sexta-feira, dia 4, em Porto Alegre. No domingo, o Grêmio enfrenta o Paraná, pelo Brasileiro.”  (Zero Hora, 31 de outubro de 1994)

Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

Tabelão Placar 1994: “O JOGO: Impondo seu futebol, O Grêmio não encontrou dificuldades em furar a retranca da fraca defesa do Fluminense


GRÊMIO: Danrlei; Ayupe, Luciano, Grotto, e Roger; Jamir (Arilson, intervalo), Wallace, Leonidas (Luis Carlos 30 do 2°) e Carlos Miguel; Carlinhos e Ciro
Técnico: Luis Felipe Scolari

FLUMINENSE: Wellerson; Leo, Joao Luis , Marcio Costa e Lira; Cadu, Djair, Joaozinho (Wallace 35 do 2°) Rodrigo (Welton 27 do 2°); Leonardo e Luis Antônio
Técnico: Pinheiro

Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 3.462 pagantes
Renda: R$ 17.870,00
Juiz: Dionisio Roberto Domingos (SP)
Auxiliares: Rogério Ibali e Wagner Selani
Cartões amarelos: Leonidas, Luciano, Arilson, Leonardo, Joaozinho, Djair e Joao Luis
Gols: Carlinhos 29 do 1°; Carlinhos 13, Leonardo 15 e Ciro 34 do 2°;

Gauchão 2020 – Grêmio 2×0 Inter

August 6, 2020

Foto: Mauro Schaefer (Correio do Povo)

Foto: FGF

Foto: Lucas Uebel (Grêmio.net)


GRÊMIO: Vanderlei, Orejuela, Geromel, Kannemann e Cortez; Maicon, Matheus Henrique (Lucas Silva), Everton, Jean Pyerre (Isaque) e Alisson; Diego Souza
Técnico: Renato Portaluppi

INTER: Lomba, Rodinei, Fuchs, Cuesta e Moisés; Musto, Edenílson (Pottker), Marcos Guilherme (Patrick) e Boschilia; Thiago Galhardo e Guerrero
Técnico: Eduardo Coudet

Gauchão 2020 – Segundo Turno – Final
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre -RS
Data: 05 de agosto de 2020, quarta-feira, 21h30min
Árbitro: Leandro Vuaden
Assistentes: Lúcio Beiersdorf Flor e José Eduardo Calza
VAR: Jean Pierre Lima
Cartões amarelos: Matheus Henrique, Paulo Victor e Kannemann; Boschillia, Guerrero, Moisés, Thiago Galhardo e Musto
Cartões Vermelhos: Orejuela e Patrick
Gols: Maicon, aos 4 minutos e Isaque, aos 35 minutos 2º tempo

Gauchão 1995 – Inter 1×1 Grêmio

August 5, 2020

 

Foto: José Doval (Zero Hora) – Fonte: Acervo Histórico do Grêmio

 

Tenho lembrado aqui no blog, de jogos memoráveis da temporada de 1995 do Grêmio, no exato dia que completam 25 anos de seu acontecimento. Da mesma maneira, tenho tentado lembrar algum confronto prévio do próximo adversário do tricolor, pela mesma competição, com o mesmo mando de campo.

Aproveitando o gancho da final do segundo turno do Gauchão de 2020, a ser disputada na Arena, tomei a liberdade de contornar um pouco essa regra, postando sobre o primeiro jogo da Final do Gauchão de 1995 alguns dias antes.

Foram essas finais que consagraram o “Banguzinho” gremista. Nessa partida do Beira-Rio Felipão escalou apenas 3 titulares, sendo que Arílson atuou improvisado de lateral-esquerdo (opção que o técnico tricolor tinha descartado para as finais da Copa do Brasil daquele ano).

Vale lembrar que, aquela altura da temporada, o Grêmio já havia feito 16 partidas a mais que o Internacional. Esse confronto de ida foi o 62º compromisso do Grêmio no ano, enquanto os colorados estavam entrando em campo “apenas” pela 46ª vez.

Foto: Porthus Junior (Pioneiro)

O EMPATE NO GRE-NAL DEIXA TUDO IGUAL

O título de campeão gaúcho da temporada será definido no clássico do próximo domingo no estádio Olímpico

O clássico de ontem, disputado numa ensolarada tarde de inverno diante de mais de 45 mil pessoas, se caracterizou muito mais pela combatividade do que pelo talento. Uma tradição, aliás, que acompanha e tantos Gre-Nais. Nem Inter nem Grêmio – que jogou com a equipe reserva – conseguiu se impor tecnicamente para garantir uma vitória. Os gols de Loiola, aos 28min do primeiro tempo, e de Nildo, também aos 28min, mas do segundo tempo, ficaram como a expressão maior de uma partida de raros lances de gols e momentos de emoção,

Se nas arquibancada o confronto entre colorados e gremistas dava ampla vantagem aos donos da casa, com mais de 70% da torcida, em campo os dois times mostraram desde o começo do jogo que o Gre-Nal seria essencialmente equilibrado. Os primeiros minutos já evidenciava as principais características do clássico de ontem: muitas disposição dos jogadores, alto número de faltas (57 no total) e raros instantes de inspiração.

O Inter conseguiu se colocar em vantagem com gol de Loiola ainda no primeiro tempo. Numa falha de marcação, o atacante colorado não perdeu tempo e venceu o goleiro Silvio num chute cruzado pela direita. O 1 a 0, no entanto, não era consequência de uma vantagem técnica coletiva e sim o bom aproveitamento de uma jogada circunstancial.

Atrás no placar, o Grêmio passou a batalhar em busca da igualdade. A partir do gol colorado, tornou-se uma equipe mais ousada e insistente nas jogadas de ataque. Bem posicionada em campo, tentava alternas seus lances ofensivos pela direita e pela esquerda, ao contrário do primeiro tempo, quando quase sempre avançava pela direita. O Inter sentiu a pressão e tentava segurar a vitória. A recompensa gremista surgiu aos 28min do 2º tempo, quando Nildo venceu o até então imbatível Goycochea.

A rigor, o empate em 1 a 1 encaminhou a partida para um final quase sem situações que reservassem outras emoções aos torcedores. Os últimos 19 minutos do clássico se arrastaram numa alternância de substituições, faltas e pouca bola rolando de pé em pé. A exceção de um único lance, aos 47min, momentos antes do árbitro Luiz Cunha Martins encerrar o jogo, quando Nando perdeu uma chance de gol ao dividir a bola com o goleiro Silvio” (Pedro Haase Filho, Zero Hora, 7 de agosto de 1995)

Foto: Arivaldo Chaves (Zero Hora)

O DESEMPENHO DAS EQUIPES (Zero Hora, 7 de agosto de 1995)
INTER GRÊMIO
Conclusões a gol 6 12
Escanteios a favor 5 5
Faltas cometidas 28 30
Impedimentos 6 6 1

Foto: Guaracy Andrade (Zero Hora)

OS PRINCIPAIS MOMENTOS

PRIMEIRO TEMPO

6min — Marco Antônio cruza fechado da direita. Goycochea sai bem do gol e coloca para escanteio

8min — Loiola é lançado, avança pela ponta, cruza som perigo e Silvio evita a conclusão de Leandro

10min – Grêmio tem uma falta na entrada da grande área. Goiano chuta mal, na barreira

15min – Marco Antônio cobra falta com força. Goycochea está bem colocado e defende com tranquilidade

26min — Argel, sem marcação, tem a chance de marcar o gol mas chuta cruzado e forte para fora

27min – Leandro tenta cabecear, a bola sai fraca, sem perigo para o goleiro Silvio

28min — Loiola recebe pelo meio, livre, avança pela grande área e chuta cruzado para fazer 1 a O

30min – Marco Antônio cobra falta com for’:-‘ esquerda, Goycochea faz boa defesa

34min- Tabela de Márcio e Marco Antônio na direita, este cruza com perigo, mas Goycochea evita a conclusão de Nildo

45min – Rivarola perde o gol, concluindo para fora quase em cima da linha do gol de Goycochea

SEGUNDO TEMPO

40S — Goiano tenta o chute pelo meio, mas a bola vai para fora, sem perigo para Goycochea

4min — Paulo Henrique é lançado pela esquerda, dribla Rivarola e chuta cruzado para uma boa defesa de Silvio

11min — No contra-ataque, Márcio avança pelo meio sozinho e ao tentar driblar Goycochea perde a bola para o goleiro

13min — Goiano chuta com força falta pela esquerda, Goycochea faz grande defesa

18min— Rebote na entrada da área, Goiano chuta desequilibrado, por cima e sem perigo

20min — A bola sobra para Élson, sem marcação, na frente do gol, que não consegue cabecear e Sílvio defende

28min — Arílson faz grande jogada pela esquerda, cruza para a grande área e Nildo cabeceia para encobrir Goycochea e fazer o gol do empate em 1 a 1

42min — Argel cobra falta de longe e chuta forte mas por cima, longe da goleira

47min — Nando recebe livre pelo meio, entra na área e divide a bola com o goleiro Silvio, que consegue cortar o lance.”(Pedro Haase Filho, Zero Hora, 7 de agosto de 1995)

O PIOR DO JOGO

– Às 15h20min de ontem, exatamente 40 minutos antes do início do Gre-Nal, um torcedor do Grêmio protagonizou uma perigosa e inútil proeza no Beira-Rio, tendo como únicas recompensas os aplausos de alguns companheiros e a entrada de graça no estádio. O torcedor conseguiu escalar uma das janelas ao lado da rampa 2, e foi puxado por outros gremistas, depois de balançar perigosamente no ar durante intermináveis segundos. Foi o registro negativo — notado apenas por poucas pessoas — numa tarde de muitos destaques positivos, mas que poderia ter acabado em tragédia.

– Um vendedor de churrasquinho colocou o seu equipamento bem na passagem ao lado do Gigantinho, atrapalhando a circulação dos torcedores. Ninguém o molestou. O vendedor de rádios também não fez grandes negócios, embora com a proximidade do início do jogo tenha rebaixado o preço de cada unidade para RS 10,00. “E ainda leva as pilhas de promoção, doutor”, gritava.

– Dentro do estádio, os torcedores aplaudiram, xingaram, gritaram, se emocionaram — e vigiaram. O pessoal da coréia que viu o zagueiro Argel sair com uma camiseta do Grêmio nas mãos, no intervalo, não perdoou e cobrou. “Joga ela fora, Argel”, pediram os coreanos. O pedido não foi atendido.

–  Também no intervalo houve novamente uma distribuição de bolas à torcida, chutadas pelos garotinhos das escolinhas de futebol do Inter. Na pista de atletismo, o torcedor Xuxu, gordíssimo, andava de um lado para outro, nervoso apesar da vitória parcial de 1 a 0. Xuxu está precisando confiar mais no seu time. E de um regime.

– A volta do Inter para o segundo tempo demorou 22 minutos, muito além dos 15 consentidos para o intervalo. Até os torcedores colorados já estavam começando a ensaiar algumas vaias, num raro momento de impaciência. Mas quando o Grêmio empatou o jogo, eles conseguiram continuar cantando o nome do seu time, -Inter, Inter”,com orgulho e generosidade.” (Cláudio Dienstmann, Zero Hora, 7 de agosto de 1995)

Foto: Ricardo Chaves (Zero Hora)

Inter 1×1 Grêmio

INTERNACIONAL: Goycochea, Marcao, Argel, Jonilson e Cesar Prates; Marcio Bittencourt, Elson, Marcelo (Nando); Mazinho Loyola, Leandro e Paulo Henrique (Ze Alcino).
Técnico: Abel Braga

GRÊMIO: Silvio, Marco Antonio, Rivarola, Scheidt e Arilson; Gelson, Luis Carlos Goiano e Vagner Mancini; Marcio (Arce), Nildo e Alexandre Xoxó (Jaques)
Técnico: Luiz Felipe

Gauchão 1995 – Final – Jogo de Ida
Data: 06 de agosto de 1995, domingo, 16h00min
Local: Beira-Rio, em Porto Alegre-RS
Publico: 45.480 (36.904 pagantes)
Renda: R$ 263.312,00
Juiz: Luiz Cunha Martins;
Auxiliares: José Carlos Oliveira e Cesar Arruda
Cartões amarelos: Argel, Cesar Prates, Marcio Bittencourt, Elson, Scheidt, Arilson, Goiano, Vagner Mancini, Marcio, Alexandre e Jaques
Gols: Mazinho Loyola, aos 28 minutos do 1° tempo; e Nildo aos 28 do 2°tempo;

Gauchão 2020 – Grêmio 4×3 Novo Hamburgo

August 3, 2020

O prefeito de Porto Alegre liberou jogos na cidade, muito embora os números de internados nos hospitais só tenha aumentado. Difícil de entender.

Segundo fim de semana seguido em que o jogo do Grêmio é transmitido exclusivamente pelo pay-per-view. Difícil de entender.

 

Foto: João Goularte (E.C. Novo Hamburgo)

GRÊMIO: Vanderlei; Orejuela, Geromel, Kannemann e Guilherme Guedes; Maicon (Lucas Silva, 25/2ºT), Matheus Henrique; Alisson (Pepê, 34/2ºT), Jean Pyerre (Luciano, 34/2ºT), Everton; Diego Souza (Isaque, 39/2ºT)
Técnico: Renato Portaluppi

NOVO HAMBURGO: Jaccson; Kesley, Moisés (Dionathan, 17/2ºT), Diego Ivo e Zé Mário; Chicão, Bertotto, Mossoró (Guto 39/2ºT); Matheus Lagoa (Giancarlo 48/2ºT), Juba e Kayron
Técnico: Márcio Nunes

Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre, RS
Data: 02 de agosto de 2020, domingo, 19h00min
Árbitro: Daniel Nobre Bins
Assistentes: Tiago Augusto Kappes Diel e Maíra Mastella Moreira
Cartões amarelos: Maicon, Guilherme Guedes ; Kesley, Zé Mário
Gols: Diego Souza, a 1 minuto e 40 segundos; Maicon aos 22 minutos, Zé Mário , aos 30, e Kayron aos 37 minutos do primeiro tempo; Diego Souza, aos 13, Zé Mário (de pênalti), aos 34, e Luciano, aos 45 minutos do segundo tempo

Libertadores 1995 – Palmeiras 5×1 Grêmio

August 2, 2020

Há exatos 25 anos o Grêmio se classificava para a semifinal da Libertadores de 1995, num senhor sufoco, depois de levar 5×1 de virada do Palmeiras.

Esse é provavelmente o jogo que eu mais fiquei nervoso em todo minha vida de torcedor (talvez só o jogo contra o Santos na Vila Belmiro, em 2007, chegou perto desse em matéria de nervosismo).

Interessante observar que a Zero Hora e o Correio do Povo nada falaram sobre o pênalti inventado pelo Antonio Pereira da Silva (Enquanto um colunista do Estadão reconhece que a falta foi inexistente).

É curioso notar também que a Folha, Zero Hora e Correio do Povo afirmam que o Jardel fez o gol com a barriga, quando na imagem da TV fica claro que ele utilizou outra parte do corpo para marcar.

Foto: Gazeta Esportiva

PALMEIRAS GOLEIA GRÊMIO, MAS SAI DA LIBERTADORES
O Palmeiras goleou ontem o Grêmio por 5 a 1, mas foi eliminado da Taça Libertadores da América. Pelo Palmeiras, marcaram Cafu (dois), Amaral, Mancuso e Paulo Isidoro. No final, a torcida aplaudiu o time e gritou “é tricampeão”, título que o Palmeiras ganhará se superar o Corinthians na decisão do Paulista, domingo. O Grêmio se classificou porque havia vencido o jogo em Porto Alegre por 5 a 0. Vai jogar nas semifinais contra o Emelec, do Equador. O primeiro jogo, quarta-feira, será em Guayaquil. Para tentar o “milagre” _expressão dos jogadores palmeirenses_, a diretoria do clube usou recursos especiais. Escalou oito gandulas para apressar a reposição de bola. Três ficaram atrás do gol do Grêmio, dois em cada lateral. Os gandulas, além disso, moviam-se acompanhando o lance.O Palmeiras iniciou o jogo tentando intimidar os jogadores do Grêmio. Aos 10s, o volante Mancuso atingiu o gremista Adílson sem bola. O juiz não deu falta.A 1min, 2min, 6min, 6min30 e 7min, palmeirenses fizeram faltas.Na cobrança da última infração, cometida por Antônio Carlos, quase na linha de fundo da defesa, o Grêmio marcou. O lateral Arce cobrou e o centroavante Jardel marcou com a barriga. Com o gol, o Palmeiras passou a mostrar nervosismo. O técnico Carlos Alberto Silva berrava a todo momento, corrigindo a colocação dos jogadores.O Palmeiras só chegou ao primeiro gol graças a um erro da arbitragem. Alex Alves tocou para Cafu, em impedimento. Ele disputou a bola com dois adversários e tocou na saída do goleiro Murilo _que jogou com uma contusão na mão esquerda.O empate fez o Palmeiras crescer. Aos 39min, Alex Alves invadiu a área pela direita e tocou para Amaral. O volante cortou um adversário e fez 2 a 1.No segundo tempo, Antônio Carlos e Mancuso continuaram a jogar com violência. Aos 6min, no meio-campo, o zagueiro chutou o meia Arílson, que teve de ser atendido fora de campo.
Aos 12min, Alex Alves invadiu a área e tocou para Paulo Isidoro no meio. Com um toque, ele desviou a bola de Murilo: 3 x 1.Aos 12min, Alex Alves invadiu a área e tocou para Paulo Isidoro no meio. Com um toque, ele desviou a bola de Murilo: 3 x 1.Aos 22min, Antônio Carlos entrou na área e foi derrubado por Arce, perdeu o equilíbrio e caiu. O juiz marcou pênalti. Mancuso bateu e fez 4 x 1.Aos 39min, Cafu foi lançado na direita e chutou no meio das pernas do goleiro Murilo. O Palmeiras atacou ainda mais, mas não fez o sexto gol. (Marcelo Damato – Folha de São Paulo, 3 de agosto de 1995)

Foto: Orlando Kissner (Estadão)

“TREINADOR GREMISTA TEMEU ELIMINAÇÃO

O técnico do Grêmio, Luiz Felipe, disse que a goleada sofrida para o Palmeiras revelou deficiências em sua equipe, que terão que ser corrigidas para a disputa das semifinais da Taça Libertadores, contra o Emelec, do Equador.
“Embora o resultado tenha sido bom para nós, propiciamos ao Palmeiras todas as condições para fazer gols”, analisou.
Ele disse que de maneira nenhuma esperava que o Grêmio tomasse tantos gols. “Acho que foi a maior goleada que sofremos nos últimos dois ou três anos”, afirmou.
Luiz Felipe admitiu que chegou a temer pela eliminação do Grêmio. “É claro que fiquei com medo, porque, quando o Palmeiras fez o quinto gol, ainda tinha cinco minutos pela frente.”
“O Palmeiras teve força muito superior ao Grêmio, em todos os sentidos”, reconheceu.
O técnico disse que não considera o Emelec um adversário mais fácil que o Palmeiras. “O Palmeiras não chegou às semifinais da Libertadores e o Emelec, sim. Então o Emelec é melhor”, disse.
Luiz Felipe agradeceu a Cafu por ter desejado boa sorte ao Grêmio na sequência da Taça Libertadores: “Eu também desejo que o Palmeiras tenha felicidade nas próximas competições que disputar.” (Mário Moreira – Folha de São Paulo, 3 de agosto de 1995)

Foto: José Francisco Diório (Estadão)

TÉCNICO SILVA FAZ ELOGIO A JOGADORES

O técnico Carlos Alberto Silva, do Palmeiras, saiu de campo com lágrimas nos olhos após a goleada sobre o Grêmio. Ele se disse “chateado” com a eliminação do time.
“Se faltou mais um gol, sobrou disposição para todo mundo. Os jogadores se mataram em campo para conseguir o resultado.”
Segundo o treinador, o que atrapalhou o Palmeiras ontem foi a ansiedade. “Infelizmente, no nosso único erro, levamos um gol. Não era mesmo para nós nos classificarmos.”
Para Cafu, o azar do Palmeiras foi ter levado o gol no início do jogo. “Pensei que nossa equipe iria desmontar, mas isso não aconteceu. Tentamos até o fim.”
Todos os jogadores concordaram que a goleada de ontem dá um ânimo novo para a segunda partida da final do Campeonato Paulista, domingo, contra o Corinthians.
“Precisamos entrar com a mesma disposição contra o Corinthians”, afirmou o volante Amaral, que ontem marcou seu primeiro gol em mais de dois anos como profissional do Palmeiras. “Agradeço a Deus pelo gol. Foi um momento muito bonito para mim.”
Além dele, também Mancuso e Cafu marcaram seus primeiros gols com a camisa do Palmeiras.
Cafu agradeceu à torcida pelo incentivo ao time. “Eles nos deram força até o final.” (Mário Moreira – Folha de São Paulo, 3 de agosto de 1995)

ALBERTO HELENA JR. – REPETIRÁ O PALMEIRAS A ATUAÇÃO DE QUARTA?

A pergunta que certamente atormenta o amante do futebol é por que um time como o Palmeiras, com a tradição do Palmeiras, com o elenco do Palmeiras, com a estrutura do Palmeiras, não joga, senão sempre, pelo menos vez ou outra com o empenho, o desprendimento e o talento demonstrados na inesquecível noite da última quarta-feira?
Não é preciso ser palmeirense para cair de paixão por um time capaz de realizar a façanha de meter cinco gols no Grêmio, num jogo sem sobressaltos, sem expulsões, brigas ou quizumbas. Apenas, movido pelo coração, atacar, atacar e atacar um time experimentado nas artes das defesas marciais como o Grêmio.
Mas atacar com classe, categoria, juízo, mesmo levando um gol desmoralizante pela singeleza de seu desenho.
Meu querido amigo, calejadíssimo e frio analista Sérgio Noronha, na sua coluna do “Jornal do Brasil”, confessou que foram os cinco minutos finais de um dos jogos mais eletrizantes que viu na sua vida, longa e bem vivida, diga-se.
Cá entre nós, ouso supor que muitos corintianos vestiram-se de verde naqueles momentos em que o impossível esteve vivo, concreto, ao alcance de um gesto mais feliz dos palmeirenses. Menos pela impossibilidade que se tornava plausível, mas muito mais pela forma como o time estava virando a lógica de cabeça pra baixo. Isto é, praticando um futebol belíssimo, sob o comando desse argentino extraordinário chamado Mancuso.
E aqui entra um repórter de “O Globo”, ligando pra minha casa. Queria saber qual o meu melhor ataque do mundo. Incauto, respondi que era a linha do Ajax, com seus crioulos e brancos maravilhosos, nigerianos e holandeses. Era véspera da estréia de Edmundo no Flamengo, e certamente frustrei-lhe, sem querer, posto que esperava que eu dissesse: Edmundo, Romário e Sávio. A verdade é que esse ataque ainda não existe.
Ou, pelo menos, não pudemos vê-lo em ação. O que existe, o que está gravado em teipe e na memória dos que assistiram aos últimos jogos do Ajax e a goleada palestrina, é a certeza de que, sem essa determinação anímica, não há ataque que entre para a história do futebol.
No fundo, não há ataque, simplesmente. A diferença é que o Palmeiras jogou assim, premido por circunstâncias muito especiais, enquanto o Ajax joga assim, em quaisquer circunstâncias.
Sei que estou dando voltas para não chegar ao centro da questão. E a questão hoje é saber se o Palmeiras será capaz de repetir tal performance diante do Corinthians, na decisão do campeonato.
Ah, se pudesse responder tais perguntas… Estaria milionário, numa praia do Taiti, mergulhado naqueles olhos verdes, distante de dilemas como esse. E oferecendo a vocês a paz do meu silêncio.” (Folha de São Paulo, 6 de agosto de 1995)

GOL DE LETRA – ROBERTO BENEVIDES
NOITE DE FÉ

O Palmeiras de Mancuso mostrou que todos os sonhos são possíveis quando a fé move a bola    

       A descrença era generalizada, tanto que os dirigentes do Palmeiras apelaram para a promoção — com um ingresso, entravam dois torcedores. Que diabos, então, foram fazer no Parque Antártica 12 ou 13 mil Palmeirenses? Claro: é pouca gente para um Palmeiras x Grêmio que valia uma vaga nas semifinais da Libertadores da América. Acontece que, depois dos 5 a 0 em Porto Alegre, o Grêmio já tinha a vaga como certa. A generalizada descrença palmeirense era mais do que justificada. O incrível, porém, é que tenham ido ao estádio mais de 10 mil crentes. Acreditavam no inacreditável: uma vitória do Palmeiras por uma diferença de cinco gols, no mínimo!

Longe dali, diante da telinha de televisão, os incrédulos certamente se sentiram robustecidos em sua descrença quando Jardel fez 1 a 0 para o Grêmio, logo no comecinho do jogo, O que era improvável, mais do que difícil, quase impossível passou para a categoria do absolutamente impossível, pelo menos aos olhos razoáveis dos que não acreditam em milagres, Mas os jogadores do Palmeiras também entraram em campo movidos pela mesmíssima (e, aparentemente, absurda) fé das arquibancadas e, ao final, por muito pouco o impossível não se fez possível no Parque Antártica. O Palmeiras acabou vencendo o Grêmio por 5 a 1. Faltou um golzinho para se classificar. Não é tudo para quem queria o absoluto, mas é muito mais do que poderiam imaginar os realistas de todas as torcidas
O impossível é possível – eis a lição que Mancuso e companhia legaram ao futebol e, portanto, à vida na poluída noite paulistana de quarta-feira. Enquanto houver a mundo e uma bola rolar em algum campinho, ninguém mais poderá se dar por vencido diante da vantagem esmagadora de um adversário. Bastará que alguém lembre ao derrotado que, certa vez, 13 rapazes comandados por Carlos Alberto Silva precisavam reverter uma desvantagem de cinco gols e por pouco, muito pouco não conseguiram. Depois deles, todos ficaram sabendo que nada é impossível. No futebol, pelo menos.
É verdade: Cafu estava impedido no primeiro gol; não houve o pênalti em Antônio Carlos que o juiz marcou para Mancuso converter no quarto gol, jamais se vira antes em qualquer estádio brasileiro uma equipe tão numerosa e rápida de gandulas não foi propriamente delicado o transporte de gremistas pelos maqueiros de plantão no Parque Mi com. Nada disso, porém, se compara aos prejuízos impostos ao Palmeiras no Olímpico numa partida que jamais chegaria a 5 a 0 se Rivaldo não tivesse sido expulso injustamente e Danrley muito justamente tivesse sido mandado para fora. Infelizmente, as complicações em campo vão se tornando rotina no futebol brasileiro.
Releve-se tudo o que de errado se viu neste duplo embate entre palmeirenses e gremistas para se celebrar a noite em que o Palmeiras de Mancuso mandou para escanteio todas as descrenças e mostrou a crédulos e incrédulos que todos os sonhos são possíveis quando é a fé que move a bola.  Quem não acreditou e ficou em casa jamais saberá o que perdeu
■ Roberto Benevides é editor de Esporte do Estadão”   (Estado de São Paulo, sexta-feira, 4 de agosto de 1995)

“[…] O Palmeiras tinha todos os motivos para ficar tenso, mas foi o Grêmio que reagiu mal, Cafu, impedido, empatou aos 28 minutos e, aos 39, Amaral fez 2 a 1. […]” (Zero Hora, 3 de agosto de 1995)

O DESEMPENHO DAS EQUIPES (Zero Hora, 3 de agosto de 1995)
PALMEIRAS GRÊMIO
Conclusões a gol 12 2
Escanteios cedidos 1 13
Faltas cometidas 21 31
Impedimentos sofridos 5 4

“[…] Arílson também reclamou da arbitragem: “O juiz deu um gol impedido e não houve pênalti”, disse.” […] (Zero Hora, 3 de agosto de 1995)

“[….] Luiz Felipe também reclamou de irregularidades no gol de Cafu e no pênalti em Antônio Carlos. […]” (Zero Hora, 3 de agosto de 1995)

GRÊMIO VIVE UMA NOITE DE TERROR

Levou 5 a 1 do Palmeiras, mas garantiu sua vaga nas semifinais da Libertadores

Mesmo sendo goleado por 5 a 1 pelo Palmeiras, ontem à noite, no Parque Antártica, o Grêmio garantiu sua classificação à semifinal da Taça Libertadores da América. Na próxima fase, irá enfrentar o Emelec. O primeiro jogo será dia 9, em Guayaquil, no Equador.

A noite de terror para a torcida gremista começou com um instante de sonho. Logo aos 8 minutos. Arce cruzou da esquerda e Jardel, que era segurado pela camisa por Cléber. conseguiu tocar com a barriga para fazer 1 a 0. A torcida palmeirense calou. O jogo começou a ficar violento, com os jogadores do Palmeiras batendo forte. O árbitro deu cartões amare-los, mas acabou intimidado.

Aos 29 minutos, Cafu recebeu a bola em impedimento e na disputa com Murilo empatou o jogo. O gol sacudiu a torcida e o time paulista. Aos 38. Alex Alves foi ao fundo e tocou para Amaral fazer 2 a 1. No meio-campo. o argentino Mancuso era um guerreiro, empurrando o time ao ataque.

No segundo tempo, o Palmeiras foi com tudo para cima do Grêmio. Aos 13 minutos. Alex fez grande jogada e deixou Paulo Isidoro livre para desviar de Murilo e ampliar. O Grêmio ficou desesperado. Aos 24, Mancuso fez 4 a 1, batendo pênalti sofrido por Antônio Carlos. A pressão palmeirense continuou intensa. Luiz Felipe alterou o time para tentar uma retenção de bola. Não deu certo. Aos 39, Cafu aparou a bola na área e bateu cruzado para fazer 5 a 1. O Palmeiras lutou para tentar mais um gol, o que levaria a decisão aos pênaltis.” (Correio do Povo, 3 de agosto de 1995)

SEGURANÇA SEM NENHUM TRABALHO 
O Grêmio chegou ontem ao Parque Antárctica esperando um clima de guerra. A única coisa que encontrou foi um silencio sepulcral dos torcedores paulistas. As torcidas organizadas do Palmeiras ainda se encontravam em suas sedes quando o ônibus com a delegação gremista chegou ao estádio. às 19h15min. O Grêmio ainda contava com o reforço de 10 seguranças cedidos pelo Co-Corinthians. A PM enviou 15 homens. Todo o esquema se mostrou desnecessário. pois os encarregados pela segurança não trabalharam. E nas bilheterias. apesar do preço de R$ 10.00, sobraram ingressos. “ (Correio do Povo, 3 de agosto de 1995)

Foto: Marcos Mendes (O Estado de São Paulo)

Foto: Gazeta Esportiva

PALMEIRAS: Sérgio; Índio, Antônio Carlos, Cléber e Wagner; Amaral (Magrão), Mancuso, Cafu e Paulo Isidoro; Alex Alves (Maurílio) e Müller.
Técnico: Carlos Alberto Silva

GRÊMIO: Murilo; Arce, Rivarola, Scheidt e Roger; Adílson, Goiano, Arílson (André Vieira) e Carlos Miguel; Paulo Nunes (Vágner Mancini) e Jardel (Nildo)
Técnico: Luiz Felipe Scolari

Libertadores 1995 Quartas de final – jogo de volta
Data: 2 de agosto de 1995
Local: Parque Antártica (São Paulo)
Juiz: Antônio Pereira da Silva
Auxiliares: Sidrack Marinho e Arnaldo Pinto
Público: 7.615
Renda: R$ 84.509,00
Cartão Amarelo: Antônio Carlos, Cléber, Wágner, Mancuso, Alex Alves, Adílson e Carlos Miguel
Gols: Jardel aos 8, Cafu aos 29 e Amaral aos 39 minutos do 1°tempo; Paulo Isidoro aos 13, Mancuso (de pênalti) aos 24 e Cafu aos 39 minutos do 2°tempo.

Gauchão 1990 – Grêmio 6×0 Novo Hamburgo

August 2, 2020

Foto: José Doval (Zero Hora)

Na campanha do Hexa, no Gauchão de 1990, a maior goleada gremista ocorreu diante do Novo Hamburgo, no Olímpico, em jogo que o Grêmio poupou seus titulares para os jogos contra Olimpia e Cerro Porteño pela Libertadores daquele ano.

Numa primeira leitura, reclamação dos dirigentes do Noia sobre a utilização de reservas parece não fazer muito sentido. Contudo, vale lembrar que na época a equipe visitante tinha participação na renda do jogo.

“RESERVAS GOLEIAM E O GRÊMIO CONTINUA LÍDER

A tarde era quente, feia, ameaçando chuva. O sábado não estava mesmo para futebol. Mas os poucos torcedores que foram ao olímpico saíram entusiasmados com a goleada de 6 a 0 do Grêmio, vitória que valeu a liderança do Gauchão. Antes da partida as dirigentes do Novo Hamburgo reclamavam que Poletto havia escalado reservas, poupando os principais jogadores para os jogos no Paraguai pela Libertadores. No final, certamente agradeceram pela mudanças.

No primeiro tempo, do grupo que não vinha jogando regularmente, Caio foi o destaque, movimentando-se por todos os setores do gramado, garantiu a vantagem de 1 a 0 aos 28 minutos e ainda marcou o quarto gol aos 19 do segundo. No período final o espetáculo ficou por conta do habilidoso e insinuante Almir, que não deu folga a Solis e ainda fez o terceiro gol aos 15 minutos.

Mas quem estava muito inspirado era Nando, que por duas vezes dançou lambada para os torcedores, no segundo gol, aos 13 e no quinto, 25 minutos. A goleada foi concluída aos 40 minutos por Gilson, que entrou no lugar Hélcio, para que João Antônio fosse deslocada à lateral-esquerda.

João Antônio e Geverton fecharam as portas ao ataque do Novo Hamburgo, possibilitando a Caio e Assis atuarem com mais liberdade na frente, confundindo a defesa do adversário, que em nenhum momento da partida conseguiu organizar-se.” (Antonio Celso Sampaio, Zero Hora, segunda-feira, 26 de março de 1990)

GRÊMIO: Gomes; Fábio Lima, Luís Fernando, Vílson (Ion) e Hélcio (Gílson Cabeção); João Antônio, Géverton, Caio e Assis; Almir e Nando Lambada
Técnico: Poletto

NOVO HAMBURGO: Marquinhos; Édson D Ávila, Gilberto, Solis e Nestor; Saulo, João Pedro, Sérgio Winck e Marcelo Lima (Preto); Sabará e Vanderlei (Leandro)
Técnico: Ronaldo Becker

Data: 24 de março de, Sábado
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre, RS, BRA
Juiz: Ivan Carlos Godoy
Auxiliares: Eroni Gomes e Helio Hoppe
Público: 2.532 pagantes
Renda: Cr$ 157.590,00
Cartão Amarelo: Fábio Lima , Gilberto, Nestor, Sérgio Winck
Cartão Vermelho: Solis
Gols: Caio aos 28 do primeiro tempo, Nando Lambada aos 13, Caio aos 15 do 2ºt; Almir aos 19′, Nando Lambada aos 25 do 2ºt, Gílson Cabeção aos 40 do 2º tempo’.

Gauchão 2020 – Novo Hamburgo 0x0 Grêmio

August 2, 2020


Fotos: Lucas Uebel (Grêmio.net) e João Goularte (E.C. Novo Hamburgo)

NOVO HAMBURGO: Jacsson; Gian Costa, Moisés, Diego Ivo (Kesley, 11/2ºT), Zé Mário; Chicão; Juba, Mossoró (Guto, 47/2ºT), Bertotto e Matheus Lagoa; Kayron
Técnico: Márcio Nunes

GRÊMIO: Paulo Victor; Orejuela, Paulo Miranda (Rodrigues, intervalo), David Braz e Guilherme Guedes; Lucas Silva, Darlan; Patrick (Rildo, 21/2ºT), Thaciano (Isaque, intervalo) e Pepê; Luciano.
Técnico: Renato Portaluppi

Gauchão 2020 – 2º Turno – 6ª Rodada
Data: 29 de julho de 2020, quarta-feira, 15h00min
Local: Estádio Alviazul, em Lajeado-RS
Árbitro: Jean Pierre Gonçalves Lima
Assistentes: Leirson Peng Martins e Claiton Timm
Cartões amarelos: Gian Costa (Novo Hamburgo)